Canhões de Agosto

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xadrezComo disse, devo publicar periodicamente uma vez por semana aqui em Frumentarius. E a última semana (a primeira de agosto) foi marcada por algumas efemérides importantes. A primeira delas, no dia 1º de agosto, marca a data em que a Alemanha declarou guerra à Rússia, em 1914, dando início à I Guerra Mundial para os alemães. Esse era um movimento importante no jogo de xadrez da política européia, e vinha na sequência da declaração de guerra do Império Austro-Húngaro à Sérvia (28 de julho), com o bombardeio de Belgrado (no dia seguinte), e a mobilização das tropas russas para socorrer seu aliado eslavo do sul (também no dia 29/07). Com a mobilização russa, a Alemanha apresentou um ultimato a São Petersburgo para que a suspendesse. Diante da recusa do Czar, no dia 1º de agosto, veio a declaração de guerra. Abria-se a frente oriental para os germânicos.

explosao-canhao-belgicaMas os alemães esperavam não ter que combater em dois fronts. Para isso, tinham que neutralizar a França antes que os russos conseguissem efetivamente entrar no conflito. Em 2 de agosto, as tropas do Kaiser entraram em Luxemburgo, e Berlim, em cumprimento ao Plano Schlieffen, solicitou ao Rei da Bélgica (então um país neutro) que autorizasse os alemães a atravessar aquele reino para atacar o território francês. A resposta do soberano belga foi “eu governo uma nação, não uma estrada”. Os alemães, então, invadiram e atravessaram a Bélgica no dia 4 de agosto. No dia anterior, Berlim declarara guerra a Paris.

trenche_wwi (1)Diante da invasão da Bélgica, a Grã-Bretanha, então garante da neutralidade belga, viu-se obrigada a declarar guerra à Alemanha (04/08). Em uma semana, os sinos silenciaram. Seriam substituídos pelos canhões de agosto, que continuariam a troar por longos e penosos quatro anos, com dezenas de milhões de mortos, destruição de campos e cidades, dor, desespero, morte… e o fim de uma era.

A memória daqueles canhões de agosto deve sempre permanecer viva nos corações e mentes dos homens. A carnificina ali começada jamais poderá ser esquecida, sob pena de ser repetida. Afinal, a estupidez humana é infinita.

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Cooperação Sino-Russa e a Paz Mundial

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china-russiaGosto do bom humor dos russos, sobretudo da maneira como eles falam ao mundo! A notícia de hoje do Sputnik News que resolvi compartilhar me fez lembrar aquelas clássicas do Pravda ou do Izvestia da época da Guerra Fria: “China: cooperação naval com Rússia contribui para estabilidade mundial”. O mais interessante é que a manchete reproduz a declaração oficial de Pequim sobre a aproximação entre o Urso e o Dragão!

Há razões para se ficar atento a essa aproximação entre chineses e russos? Bom, eu ficaria de olho, sobretudo porque se trata de cooperação na área militar e em um momento que Moscou vê antagonistas em Washington e Bruxelas e que Pequim se incomoda com Tóquio estabelecer a possibilidade de emprego de suas forças armadas fora do território japonês. Chineses e russos se aproximaram há 65 anos e essa relação gerou incômodos para o Ocidente. Foi preciso alguém brilhante como Kissinger para descosturar essa aliança (além da conjuntura da época). Não sei se temos um Kissinger hoje. Não sei se os ocidentais sabem lidar com os russos e com Putin em particular (salvo por Frau Merkel… Frau Merkel sabe… gosto de Frau Merkel!). E a China… bem, a China é sempre muito complexa…

2014111908561510513A OTAN deve colocar as barbas de molho? Sempre. Putin, acuado pelo embargo ocidental, pressionado pela crise econômica (com desvalorização significativa do do rublo), e com situações tensas com países vizinhos, pode tentar manobras que seriam impensáveis para os analistas internacionais do lado de cá, que raciocinam sob a perspectiva de quem vive e se forma no regime democrático. Quanto aos chineses… os chineses estão lá, jogando o seu jogo e com a experiência milenar de lidar com os bárbaros.

O que estou tentando assinalar é a preocupação que se deve ter no Ocidente se ocorrer realmente uma aproximação entre russos e chineses no campo militar. Uma coisa é certa: a paz mundial não será garantida pela aproximação entre russos e chineses, mas pela maneira como esses lidam com sua próprias idiossincrasias e com os interesses dos ocidentais. Tenho receio de toda “aproximação para garantia da paz mundial” nos termos apresentados por russos e chineses. Até porque a paz mundial é tão frágil quanto uma casca de ovo…

Segue a matéria da Sputnik News. 

China: cooperação naval com Rússia contribui para estabilidade mundial

“A cooperação naval entre Rússia e China é uma contribuição para paz e a estabilidade na região e no mundo inteiro”, disse um representante do ministério da Defesa chinês à agência Sputnik.

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40 anos do fim da Guerra do Vitenã

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Em 2015, o mundo celebra os 40 anos do fim da Guerra do Vietnã (sim, fim de guerra é coisa para ser celebrada). O conflito marcou os anos 60 e 70 do século XX, não só nos EUA e no Vietnã, mas em diversos lugares do planeta. É a marca de uma época, um período de profundas transformações culturais por todo o mundo (em especial no mundo livre, o lado de cá da Cortina de Ferro). Também é uma guerra marcada de significativo simbolismo, sobretudo por envolver uma Superpotência e um país considerado periférico, exemplo para qualquer estudante de polemologia como conflito assimétrico.

A derrota de fato na Guerra do Vietnã foi bastante traumática para os EUA. Era algo impensável para a maioria dos estrategistas em Washington. Seus reflexos alcançaram a doutrina de emprego das Forças Armadas estadunidenses nas décadas seguintes, afetando diretamente o planejamento das ações militares nas duas Guerras do Golfo.

A grande imagem que permanece da Guerra do Vietnã é de um conflito sem sentido, travado em um lugar distante do globo (ao menos para nós, ocidentais), movido por ideologia e interesses complexos, e um embate de um anão contra um gigante. Impossível não se fazer a associação à história de Davi e Golias, ainda mais porque o desfecho foi semelhante.

Segue o vídeo do programa Direito Sem Fronteiras, em que trato, junto com o Professor Rogério Lustosa, daquele conflito em que o pequeno humilhou o grande, e o forte se viu fraco. Isso com a sempre brilhante apresentação de Cadu Cunha! (Para variar, erraram meu nome nos créditos. Sei que ninguém ia notar se não chamasse a atenção para o caso, mas não resisti. Estou acostumado. Obrigado, papai!)

Russos ao Mar!

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russian-navyNeste 26 de julho, data em que os russos comemoram o Dia da Marinha, Vladimir Putin (gosto de Putin; Putin é KGB) aprovou a nova Doutrina Naval de seu país. Segundo o documento, a atuação da Rússia no mar torna-se mais abrangente: além dos quatro oceanos tradicionais por onde navega a frota russa (Atlântico, Ártico, Pacífico, e Índico), o Urso passa a querer nadar na Antártida! (Ou seja, urso polar não come pinguim, mas o urso negro do cáucaso está de olho nas riquezas do continente gelado!).

akula19Sim! Russos navegando nas gélidas águas austrais! (Algo me diz que submarinos russos, que passeiam pelo Ártico, podem desviar a rota para cá também… mas só por curiosidade, para confirmar se aqui é tão frio quanto lá e, claro, se o o gelo é bom para o Whisky ou para a Vodca – é bom sim, confirmo!). Indubitavelmente, a manobra acende a luz amarela para países com interesses estratégicos no Atlântico Sul e no Oceano Glacial Antártico, por exemplo, para os Estados Unidos (por óbvio) e a Grã-Bretanha (como o anterior, membro da OTAN). Assim também deveria ocorrer com outra nação que possui em sua Estratégia Nacional de Defesa um destaque para o Atlântico Sul e a Antártica – ganha um bolo de mandioca comungada com milho quem acertar o nome desse país! 

A agência [(para)oficial] russa Sputniknews publicou matéria hoje sobre a questão, destacando que “a nova versão da Doutrina Naval estabelece a inadmissibilidade dos planos de aproximação da infraestrutura militar da OTAN das fronteiras da Federação Russa como fator determinante das relações com a aliança”, e acrescenta que “a nova doutrina prevê ainda a redução das ameaças à segurança nacional no Ártico e o reforço das posições de liderança da Federação Russa na exploração desta região”. Também se deu atenção ao fortalecimento da infraestrutura para a Frota do Mar Negro (leia-se, Crimeia, deixando claro que ninguém em Moscou cogita devolver a região aos ucranianos) e o desenvolvimento da Frota do Norte.

Resumo da ópera, a Rússia reafirma sua condição de potência naval e dá o recado à OTAN: estamos preparados para usar a força na defesa de nossos interesses (ou ao menos esperamos que vocês pensem assim)!”. Sempre repetirei que uma potência não deixa de ser potência do dia para a noite. Pode até não ser a fera ameaçadora dos tempos soviéticos, mas o velho urso ainda tem dentes e garras!

Para a matéria na Sputniknews:
http://br.sputniknews.com/defesa/20150726/1676059.html#ixzz3h2itlIf3

Russian President Vladimir Putin seen aboard the Arkhangelsk nuclear submarine in the Barents Sea, Russia, Tuesday, Feb. 17, 2004. At left is  presidential standard flag, at right is Russian navy flag. Putin went out to the Barents Sea on board the Arkhangelsk nuclear submarine to observe the maneuvers set to involve numerous missile launches and flights of strategic bombers in what Russian media described as the largest show of military might in more than 20 years.  (AP Photo/ITAR-TASS, Presidential Press Service)

O papel das Forças Armadas em tempo de paz

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Alguns amigos têm-me perguntado sobre um programa de TV exibido esta semana pela NBR e do qual participei falando de Forças Armadas em tempos de paz. Pois bem! Segue o vídeo do programa Panorama Ipea, que contou também com a participação de meu amigo Edison Benedito da Silva Filho. Trata-se de iniciativa do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) em conjunto com a NBR.

Discutir sobre a política de defesa do país é indispensável frente a um cenário internacional cada vez mais complexo, incerto e turbulento. No campo doméstico, os militares sempre estiverem presentes em momentos decisivos de nossa história. Fica o convite para quem quiser conhecer um pouco mais a respeito.

Eu voltei!

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Meus queridos 9 (nove) leitores – que atualmente devem ser 5 (cinco),

Depois de quase três meses de inatividade neste ambiente virtual, Frumentarius retorna ao WWW!

Sei que muitos nem perceberam que estávamos inativos, mas para os dois ou três que sentiram nossa falta, registro que pretendemos voltar a publicar aqui, ainda que com uma periodicidade, a princípio, semanal (claro que haverá ocasiões em que publicarei por dois ou três dias seguidos, pois as únicas regras que sigo neste meu cantinho virtual são as minhas próprias – e aquelas estabelecidas pela moral e pelos bons costumes!). Tentarei, nas próximas semanas, alterar a aparência da página para algo mais palatável aos de gosto refinado (até parece que consigo fazer isso!). O estilo dos textos, entretanto, permanece o mesmo (quem não gostar, que vá buscar outra freguesia).

De toda maneira, continuo contando com a colaboração dos meus fiéis leitores, com suas críticas, sugestões e temas para nossa página! Espero que se agradem de nossas reflexões sobre um pouco de tudo!

Nesse sentido, antecipo que o mundo está um prato cheio para nossas análises: conflitos no Oriente Médio (com o famigerado Estado Islâmico e seu saco de maldades, a guerra civil na Síria – Assad continua lá, e isso é bom -, e o terrorismo matando muçulmanos aos montes), a crise européia (com a Grécia querendo engrossar um pescoço que não tem, e chantagear quem lhe emprestou dinheiro – isso sem nem ter conseguido terminar aquelas obras na Acrópole, paradas há alguns séculos), Obama encerrando seu mandato com medidas históricas (como a aproximação com Cuba e as negociações com o regime dos Aiatolás), e Putin sendo, bem, Putin (gosto de Putin; Putin é KGB)!

Muitos temas científicos em destaque, entre os quais a descoberta do novo planeta gêmeo da terra (com a vantagem de que eles não parecem ter certas pessoas que nos assombram por aqui) e passos importantes no campo da medicina (a possibilidade de cura em breve para o Alzheimer e a AIDS, por exemplo)…

Infelizmente, na esfera doméstica, as notícias são as piores: crise econômica e política, risco de rebaixamento do grau de investimento, bolsa despencando e dólar subindo (ai meu D’us!), desemprego, inflação, desgoverno… A causa disso tudo? Anos de corrupção, arrogância e incompetência, somados a uma população apática e pouco afeita a se insurgir contra aqueles que querem se locupletar às custas desta nação tão rica e, ainda, à inexistência de uma classe política que represente (como deveria fazê-lo) os milhões de insatisfeitos com a situação nefasta em que nos encontramos… Minhas esperanças neste País, lamentavelmente, seguem minguando…

Se o Brasil continuar existindo nos próximos meses (e estou falando sério), farei ainda  minhas observações sobre inteligência, monarquia, história, guerras, efemérides, assuntos pitorescos e um pouco de tudo… Conto com meus fiéis leitores para comentar, criticar, sugerir e divulgar nossas reflexões! E vamos avante! Que D’us nos ajude!

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Os setenta anos da morte da Besta

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hitler-Recorte-de-jornal-com-a-notícia-da-morte-de-HitlerO dia era 30 de abril. O ano, 1945. O local, Berlim, capital de uma nação completamente arrasada. De fato, a cidade em escombros testemunhara a ascensão e queda de um regime e de um país que, em 12 anos, saíra do caos da instabilidade política, econômica e social, tornara-se a nação mais poderosa da Europa, conquistara todo um continente, afrontara as grandes potências da época, matara milhões de seres humanos, tivera seu território invadido, ocupado e destruído, com perdas irreparáveis. E tudo isso, sob motivação da voz inigualável e do discurso de ódio de um homem, ao qual milhões de alemães chamariam de Líder.

Ele era naturalizado alemão (de fato, havia adquirido aquela nacionalidade apenas algumas semanas antes de chegar ao poder). Nascido na Áustria, filho do segundo casamento de um funcionário público de quinto escalão, órfão de pai ainda cedo, muito jovem se viu sozinho, vagando pelas ruas da Viena dos Habsburgos em busca de trabalho e de sucesso. Nada conseguiu em sua terra natal… Atravessou a fronteira e foi viver em Munique, onde permaneceu um excluído artista frustrado, sobrevivendo de bicos e fazendo crescer o ódio em seu coração.

129958-004-C9B8B89DTudo mudou com a Grande Guerra (ah, sempre a Grande Guerra!!!). Ele se alistou no regimento bávaro, e foi combater no front ocidental, lutando pelo Kaiser e pela pátria. Amadureceu muito naqueles quatro anos de terrível guerra, foi ferido em combate algumas vezes, tornou-se cabo, e ganhou a Cruz de Ferro de primeira classe, maior comenda do seu Exército, raramente concedida a não-oficiais. Nos estertores do conflito, sofreu um ataque de gás e caiu enfermo. Foi no hospital que soube da notícia da capitulação alemã. E chorou.

De volta à vida civil, não conseguia emprego. Acabou se infiltrando em um pequeno partido de trabalhadores e outras pessoas insatisfeitas com o resultado da Guerra. Era uma época de disputas ideológicas acirradas, de tentativas de revolução e golpe, de combates nas ruas, de hiperinflação, desemprego e miséria, de frustração pela derrota. Sua agremiação era apenas uma dentre as tantas que a Alemanha de Weimer viu florescer sob discursos radicais de direita e de esquerda. Porém, seria ali, reunido com alguns poucos nas cervejarias da capital bávara, que ele descobriria sua verdadeira vocação: não seria pintor ou arquiteto! Seria um homem público, um político, um líder.

Sob sua orientação direta, o partido ganhou novo nome e uma bandeira. A cruz gramada seria para sempre associada àquele homem, que a inseriu em um círculo branco sob fundo vermelho. Milhões jurariam fidelidade àquele pavilhão e a seu criador, e botas marchariam de norte a sul e de leste a oeste seguindo o símbolo e as idéias de ódio e superioridade racial, em busca do sonho de se tornarem senhores do mundo.

Em 12 anos, o pequeno partido se tornou poderoso e, no dia 30 de janeiro de 1933, o cabo austríaco, líder absoluto e inquestionável do Partido Nacional-Socialista dos Trabalhadores Alemães, seria convidado pelo velho Marechal Hindemburgo, outro herói de guerra, para se tornar o chefe de um novo governo, que levaria ao estabelecimento de um regime que não encontrou precedentes na história e que lançaria seu povo no meríodo mais rico e também mais obscuro até então.

O III Reich deveria durar 1000 anos. Durou apenas 12. Mas foram doze intensos anos, de progresso, desenvolvimento, recuperação do orgulho ferido…mas também de destruição, preconceito, ódio e morte. O que aconteceu naqueles anos tem sido objeto de estudo, reflexão e incompreensão nas últimas sete décadas, dando margem a obras nas mais diversas áreas sobre inexplicáveis 12 anos.

4144912_x720Agora, em 30 de abril de 1945, tudo se tornara ruínas: as idéias, as conquistas, o país. Berlim sobre os escombros, sob o fogo constante e o barulho ensurdecedor da artilharia soviética, e com tropas inimigas conquistando suas ruas, era o símbolo de toda a destruição causada por aquele homem e seus seguidores.

Para ele, tudo estava consumado. Seu projeto de domínio do planeta encontrava-se agora sob os escombros de uma cidade arrasada, de um povo acabado, de um país exaurido. Como último ato daquela tragédia épica, consciente de que sua existência não seria mais cabível no inferno que ele mesmo criara, decidiu abandonar sua gente e tirar a vida. E assim o fez, com tiro na cabeça. Acabava ali o vagabundo que se tornara o homem mais importante de seu tempo.

Em poucos dias, a guerra na Europa também chegou a termo. Mas as marcas deixadas nos 12 anos em que estivera no poder, jamais serão removidas. Sob sua voz forte e seu olhar hipnótico, o mundo foi posto de ponta-cabeça, com o sacrifício de 100 milhões de vidas em seis anos.

Nada mais precisa ser dito sobre ele, que será sempre lembrado como a encarnação do mal. Neste 30 de abril de 2015, celebra-se (e esta é a palavra) os 70 anos de sua morte. E que nunca mais outro como ele caminhe sobre a face da terra!

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Je suis Garissa

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Kenya University AttackEles estavam lá para estudar. Não tinham se juntado naquele lugar para conspirar, para ridicularizar o outro, para planejar ataques a pessoas ou instituições. Também não viajavam de férias nem voltavam de momentos felizes em algum local paradisíaco. Estavam lá para estudar e, dessa maneira, alcançar novas conquistas que lhes possibilitassem alguma ascensão na vida simples e difícil que tinham, em um ambiente de pobreza e desesperança. Só queriam estudar, mesmo. Mas seu futuro foi roubado por um bando de facínoras.

O dia começava como qualquer outro. Mais uma jornada de aulas, e de aulas tão ansiadas, pois constituem privilégio naquela região tão carente de futuro. Sim, aulas vistas como um privilégio, mesmo que em condições em que a maioria dos jovens universitários de países ricos – ou mesmo aqueles aqui do Brasil – teriam dificuldade de suportar para conseguir um diploma. Mas eles estavam felizes… sabiam da importância daquelas aulas.

Al-ShabaabO pesadelo veio com um grupo de bandidos armados que ocuparam o campus. Terror, pânico, lágrimas.  O extremismo em nome da religião e a intolerância para com a fé alheia seriam as primeiras lições daquele dia. E o pior ainda estaria por vir. Foram reunidos pelos terroristas, que começaram a separar cristãos de muçulmanos.

Então, o pesadelo se tornou realidade: enquanto os estudantes muçulmanos eram liberados, os cristãos permaneciam nas mãos dos terroristas. Mais uma vez, o homem segregava em nome da fé, e a violência adviria em nome de D’us. Não se podia esperar algo de bom daquele episódio.

Garissa-University-CollegeMilitares e policiais já cercavam o campus. O clima estava tenso. O dia passava rápido para alguns, mas para os reféns do Al-Shabaab deveria estar muito lento: o pôr do sol demoraria a chegar. De fato, para 147 estudantes de Garissa, não haveria um pôr do sol, não haveria um outro dia.

O massacre aconteceu. Os terroristas executaram friamente os 147 estudantes cristãos. Depois foram mortos pela polícia. E as famílias daqueles 147 jovens têm, a partir de hoje, uma data para não ser esquecida: o dia da intolerância, do terror e da morte de seus filhos.

Hoje minhas preces serão para esses 147 jovens, suas famílias  e amigos. Chorarei com eles, pedirei que os anjos os confortem.

kenyaPorém, junto com as preces, registro aqui meu desabafo para com a hipocrisia e desfaçatez humana: fiquei muito triste pelos acontecimentos de Garissa, mas me ofendi também pela repercussão medíocre na mídia internacional e junto a governos e organizações sociais por todo o globo.

Onde estão as coroas de flores e as preces pelos 147 mortos? Onde estão as manifestações de indignação e os protestos contra a barbárie? Onde está a cobertura da imprensa, na TV e no rádio? Onde estão os gritos nas ruas e as mensagens nas redes sociais pelas vítimas do terror no Quênia? Será que ninguém se importa?

Quando reflito sobre indiferença do mundo para com os 147 do Quênia, logo me vem à mente a explicação para toda essa insensibilidade: foi no Quênia, e era uma comunidade pobre de uma cidade da qual nunca se ouviu falar. Nada que tocasse os corações das pessoas nas grandes cidades do Ocidente!

Eles eram estudantes. Mas eram estudantes africanos. Não eram cartunistas nem passageiros voltando de avião para casa. E eram 147… apenas dez vezes mais que os mortos do Charlie Hebdo e praticamente o mesmo número dos que pereceram nos Alpes franceses. Ninguém se importa.

Que fique registrado nosso repúdio ao terrorismo, à intolerância e, também, à hipocrisia. E que nossas preces possam alcançar os 147 de Garissa e suas famílias e amigos.

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Unidos contra o Imperialismo

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MaduroQuando a gente pensa que já viu de tudo… Na pátria bolivariana, Maduro estabelece o Dia do Antimperialismo na Venezuela! O pior é que as declarações do governo venezuelano são diretamente contra um outro país, os EUA. Certamente, Barack Obama (e muita gente em Washington) está sem dormir desde ontem, graças às declarações do líder venezuelano. Fico aqui imaginando a repercussão, sobretudo na América Latina, se um Presidente norte-americano fizesse declaração semelhante contra alguma nação desta parte do globo… Ainda bem que é o rato que ruge…

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Declarado el 9 de marzo como Día del Antiimperialismo Bolivariano en Venezuela

Publicado el 31 marzo, 2015

Nicolás Maduro, presidente de la República, anunció este martes que a partir del año 2016, cada 9 de marzo se conmemorará el Día del Antiimperialismo Bolivariano en Venezuela, para honrar la posición patriota del pueblo en contra de las acciones injerencistas de Estados Unidos.

“Los libros de historia lo recordarán presidente Obama, como el que pretendió amedrentar un pueblo y lo que hizo fue levantar el espíritu nacionalista, patriótico y Bolivariano de este pueblo”, puntualizó.

Durante la transmisión del programa “Contacto con Maduro” transmitido desde el estado Falcón, el Jefe de Estado destacó que el mes de marzo representó un tiempo de combate. “A Obama se le ocurrió pasar a la historia un 9 de marzo como el primer Jefe de un Imperio que declara a Venezuela como una amenaza”.

Fonte: http://www.rnv.gob.ve/index.php/declarado-el-9-de-marzo-como-dia-del-antiimperialismo-bolivariano-en-venezuela-audio

O passado alemão de Vladimir

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Vladimir Putin in KGB uniformIndubitavelmente, uma das melhores matérias que já reproduzi aqui em Frumentarius. Fundamental, para todos os interessados em Política Externa e Relações Internacionais, bem como em temas relacionados a Segurança e Inteligência, é conhecer a biografia de Vladimir Putin, com destaque para seus anos de KGB e, mais especificamente, para o tempo que passou  na Alemanha Oriental. Como se destaca na própria matéria, o Putin e a Rússia de hoje seriam bem diferentes sem aquele período do atual líder sovié…, digo, russo, entre os alemães.

Interessante observar, ainda, que Putin conhece  bem os alemães, sabe como eles pensam. Mas aí alguém perguntaria: “mas não seriam os alemães orientais que ele conhece bem?”. Respondo lembrando que, antes de tudo,  alemães orientais são alemães… e que Frau Merkel (por quem nutro enorme simpatia) é alemã oriental! De fato, convém assinalar que os dois maiores líderes europeus conhecem bem a realidade e a maneira de pensar de alemães e russos. Assim como Putin conhece os alemães, Frau Merkel conhece os russos, e fala sua língua (tenho minhas dúvidas se algum outro líder ocidental tenha esse conhecimento).

Conversando esses dias com meu grande amigo Túlio Leal (que me encaminhou a matéria e acha que não leio seus e-mails), tentávamos imaginar como seria um encontro entre Putin, Merkel e outros líderes, como Hollande. Merkel fala e alemão, Putin entende e responde em russo – Merkel compreende claramente o que ele quis dizer… Interessante, não?

Enfim, os líderes ocidentais muitas vezes parecem não saber com quem estão lidando quando tratam de Rússia. Exceto Frau Merkel. Frau Merkel conhece a Rússia. Frau Merkel entende Putin. Gosto de Putin. Putin é KGB.

Vladimir Putin’s formative German years

Vladimir Putin in Dresden in 2006

It is 5 December 1989 in Dresden, a few weeks after the Berlin Wall has fallen. East German communism is dying on its feet, people power seems irresistible.

Crowds storm the Dresden headquarters of the Stasi, the East German secret police, who suddenly seem helpless.

Then a small group of demonstrators decides to head across the road, to a large house that is the local headquarters of the Soviet secret service, the KGB.

“The guard on the gate immediately rushed back into the house,” recalls one of the group, Siegfried Dannath. But shortly afterwards “an officer emerged – quite small, agitated”.

“He said to our group, ‘Don’t try to force your way into this property. My comrades are armed, and they’re authorised to use their weapons in an emergency.'”

That persuaded the group to withdraw.

But the KGB officer knew how dangerous the situation remained. He described later how he rang the headquarters of a Red Army tank unit to ask for protection.

The answer he received was a devastating, life-changing shock.

“We cannot do anything without orders from Moscow,” the voice at the other end replied. “And Moscow is silent.”

That phrase, “Moscow is silent” has haunted this man ever since. Defiant yet helpless as the 1989 revolution swept over him, he has now himself become “Moscow” – the President of Russia, Vladimir Putin.

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Curso de Segurança Institucional com Contrainteligência, Gestão de Riscos e Segurança de Dignitários

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Meus caros leitores, aos interessados em Inteligência e Segurança, recomendo o curso que será promovido pela INASIS em maio próximo. Seguem as informações a respeito.

Curso de Segurança Institucional com Contrainteligência, Gestão de Riscos e Segurança de Dignitários.

O curso será realizado pela Associação Internacional para Estudos de Segurança e Inteligência (INASIS).

Será ministrado em Belo Horizonte/MG, de 11 a 16 de maio/2015, com a carga horária de 60 horas-aula, por corpo docente de altíssimo nível.

O curso é de especial interesse para membros e servidores do Ministério Público, magistrados e servidores do Poder Judiciário, policiais, agentes penitenciários e, enfim, para agentes públicos envolvidos em atividades de fiscalização, investigação, inteligência, segurança, controle, auditoria, corregedoria e segurança institucional.

As inscrições podem ser feitas por meio do formulário online.

A INASIS pode ser contratada tanto por inexigilibidade de licitação quanto por dispensa de licitação, nos termos legais, bem como por particular.

O edital completo do curso, com programa, professores, datas, horários, local, valores etc. se encontra em:www.inasis.org

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Às ruas, cidadãos!!!

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bandeira tancredo15 de março de 2015 tem tudo para se tornar um daqueles dias que entram para a história! Neste domingo, milhares de brasileiros irão às ruas expressar seu descontentamento para com a situação caótica em que se deixou o Brasil chegar. Irão manifestar seu descontentamento para com um país assolado pela corrupção, pela roubalheira, pela injustiça, pela fraude e pela destruição de valores fundamentais para uma sociedade moderna, justa e civilizada. Sim, irão às ruas… e será por todo o País!

Certamente, os brasileiros irão às ruas pelos mais diferentes motivos e orientados pelos mais diversos interesses. Porém, milhares, talvez milhões, sairão de suas casas, mas não financiados por R$35,00 para protestar, dinheiro esse que só D’us sabe de onde vem. Sairão de suas casas imbuídos de um espírito sincero e desejoso de mudança, de um anseio por um um Brasil diferente, livre, honesto, um Brasil onde quadrilhas que tomaram o poder não tenham voz nem vez, um Brasil sem uma ideologia de ódio, mentira e conflito. Enfim, milhares, talvez milhões, sairão às ruas para reclamar seu País de volta. 

Há quem diga que estes movimentos que tomarão as ruas do Brasil em 15 de março são uma tentativa de golpe porque questionam o (des)governo que aí está. Interessante que, quando o Partido dos Trabalhadores e seus aliados saíram às ruas para pedir o impeachment de Fernando Collor e 1992, e de Fernando Henrique Cardoso alguns anos depois, não era golpe. São sempre os dois pesos e duas medidas que certas pessoas, grupos e partidos colocam para confundir o povo. Isso é retórica, e as esquerdas sabem muito bem como fazê-lo.

Não há que se falar em golpe. O que há é revolta e descontentamento com a situação vexatória e caótica em que o Brasil se encontra, com crise econômica, política e de valores. Nos últimos 13 anos (e treze é realmente um número cabalístico!), os brasileiros assistimos um partido tomar de assalto o poder, impor suas idéias, sua doutrina, aparelhar o Estado, abusar boa vontade dos contribuintes, mexer no bolso dos cidadãos, tripudiar a classe média, beneficiar os mais ricos, enganar os mais pobres. Vimos um grupo que, sob o discurso da honestidade e da solidariedade, montou uma quadrilha e assaltou os cofres públicos. Vimos pessoas que ascenderam social e economicamente às custas do suor e dos esforços de outros tantos. E vimos, sobretudo, um discurso de ódio, de segregação, de luta de classes e de divisão dos brasileiros entre ricos e pobres, brancos e negros, bons e maus, petistas e não- petistas, “nós e eles”. E esse discurso tem mudado a cara do Brasil e tem gerado rancor, revolta e mais ódio em um povo tremendamente solidário e amigável.

É contra tudo isso que os brasileiros protestarão neste domingo. Eu não poderei estar presente, em razão de um compromisso (de extrema relevância) marcado há muito e que envolve responsabilidades para com outras pessoas. Gostaria de participar. Mas terei muitos amigos que estarão lá, terei familiares, irmãos, manifestando pacificamente seu descontentamento. Desejo a eles um domingo de paz, alegria e vitória, vitória sobre a corrupção, a roubalheira e a tirania.

A meus amigos e irmãos que estarão nas ruas, peço cuidado e atenção. Afinal, as forças que aí estão dificilmente deixarão de reagir, na tentativa desesperada de se manter no poder e preservar seus privilégios. E não titubearão em recorrer aos métodos mais sujos e nefastos para plantar a discórdia e gerar tumulto. Estejam preparados para este bom combate, meus amigos e irmãos, para lutar o bom combate do bem contra o mal.

Importante: estejam juntos; protejam os mais frágeis; não cedam a provocações. E, no caso dos agressores tentarem algo, permitam que as forças policiais e de segurança, que estarão lá para proteger as pessoas de bem, façam seu trabalho! Lembrem-se, policiais estão conosco, são gente de bem como nós, e também não aguentam mais o estado em que se deixou o Brasil.

Vamos demonstrar nosso descontentamento! Tenhamos em mente que nossa ira deve ser direcionada não contra pessoas, mas contra condutas que levaram o Brasil ao caos. E sejamos propositivos! Direcionemos nossa energia para clamar por um país mais justo, sem corrupção e onde as pessoas de bem não fiquem à mercê de criminosos comuns, de colarinho branco ou de camisa (e bandeira) vermelha !

Oxalá os brasileiros possamos, amanhã à noite, ter mostrado ao mundo que não temos sangue de barata, que não somos acomodados, que não somos idiotas e que não permitiremos mais que nos roubem e saqueiem nosso amado Brasil. Que possamos mostrar ao mundo que, neste dia 15 de março de 2015, as pessoas de bem começaram as grandes mudanças, e desencadearam um movimento sem volta por transformações por um novo e mais justo Brasil, um movimento em que os brasileiros recuraram sua dignidade, sua honra e seu País!

Avante, cidadãos! 

Brazil Confederations Cup Protests

Exército de Brancaleone ou ameaça à democracia?

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BLOG MST O EXERCITOTêm sido constantes as declarações de João Pedro Stédile, capo do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST), de que pretende colocar seu pessoal na rua e recorrer à violência para impedir as manifestações contra o (des)governo que se perde no lamaçal de corrupção e incompetência e na crise política e econômica. Fala-se no “Exército de Stédile” e nos riscos de uma guerra civil envolvendo o MST e outros grupos de esquerda e até na intervenção de nações vizinhas para socorrer o governo Rousseff contra a tentativa de golpe. Não acredito nessa força toda do MST. Não acredito nesse “Exército de Stédile”.

É certo que o MST não tem escrúpulos de recorrer à violência e a ações de guerrilha para defender seus interesses. Vivem isso, que é parte de sua doutrina anacrônica e de ódio, forjada no que existe de mais nefasto. Também é certo podem causar muita violência em ações pontuais e que não pensariam duas vezes em gritar, espernear e partir para a agressão física e para a depredação do patrimônio, para tentar inibir a onda crescente de protestos dos que estão indignados com o governo e querem um país mais democrático, justo e perfeito.

mst-facaoTambém é certo que, entre os líderes do MST, há a expectativa real de confrontação (preferencialmente com autoridades públicas), de onde podem surgir “mártires” para sua causa. Sim, porque, de acordo com a cartilha que seguem, muito interessante é que alguém seja “sacrificado” para que se crie o fato político e as forças de segurança do Estado sejam taxadas de violentas, opressoras e antipopulares. Disso tudo o “Exército de Stédile” é capaz.

Entretanto, ao contrário das SA (Sturmabteilung) da Alemanha nazista, há muita bravata no discurso do MST e em suas ações. Acredito que não sejam páreos para a Força Pública. A primeira bomba de efeito moral causará a dispersão da grande maioria. Nossas polícias devem estar atentas, porém, que sempre há aqueles dispostos a lutar, mesmo porque nada têm a perder. Esses são os perigosos.

E, se a Força Pública não conseguir conter o MST e seus aliados em sua onda de violência, ou, pior, no caso de uma inimaginável invasão do território brasileiro por tropas estrangeiras (não acredito nisso), haverá sempre as Forças Armadas. Sim, porque a defesa da Pátria e de nossa democracia também é atribuição das Forças Armadas. Espero, sinceramente, que não cheguemos a este ponto. Se chegarmos, porém, confio nos homens e mulheres de farda e que defendem a bandeira verde-amarela. Não acredito no Exército de Stédile para “defender a democracia”; confio no “Exército de Caxias”. Brasil acima de tudo!

Exército-brasileiro

Crime contra a Segurança Nacional

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“Art. 8º – Entrar em entendimento ou negociação com governo ou grupo estrangeiro, ou seus agentes, para provocar guerra ou atos de hostilidade contra o Brasil.
Pena: reclusão, de 3 a 15 anos.
…………………………………………………………………
Art. 10 – Aliciar indivíduos de outro país para invasão do território nacional.
Pena: reclusão, de 3 a 10 anos.
Parágrafo único – Ocorrendo a invasão, a pena aumenta-se até o dobro.”
Lei nº 7.170, de 14 de zembro de 1983
(Lei de Segurança Nacional – LSN)

stedile75571No último  dia 5 de março, em uma homenagem a Hugo Chávez, em Caracas, João Pedro Stédile, líder do MST, fez um discurso de ódio e conclamou o povo da América Latina a ir às ruas em defesa do que ele chama de “bolivarianismo”.

Reproduzo o vídeo do discurso aqui. Ao contrário do que se divulgou em muitos sites, não o vi pregando abertamente a invasão do Brasil. Se aconteceu, foi em outro momento.

Porém, o que vi foi um alinhamento com o presidente venezuelano, Nicolás Maduro, esse sim que falou em medidas enérgicas caso o (des)governo de Dilma Rousseff esteja ameaçado. As declarações de Maduro, por si só, já dariam ensejo a, no mínimo, a convocação do embaixador brasileiro em Caracas para esclarecimentos em Brasília. A presidente, entretanto, preferiu chamar de volta nosso embaixador em Jacarta, por ocasião do episódio do traficante executado na Indonésia (o caso deveria deixar a todos os brasileiros envergonhados e o melhor a fazer seria um pedido de desculpas ao governo de Jacarta pelo criminoso patrício que foi parar naquelas terras).

No que concerne Stédile, no mínimo um indiciamento com base na LSN seria cabível. Ele entrou em entendimento com governo estrangeiro para provocar atos de hostilidade contra o Brasil – crime grave contra a Segurança Nacional. Além disso, esse senhor tem pregado o uso da violência para alcançar objetivos políticos e lidera criminosos travestidos de membros de movimentos sociais em ações violentas. Também ameaçou desencadear uma guerra civil, caso o (des)governo a que serve seja antagonizado. Tudo isso, repito, é crime contra a segurança nacional. Citei apenas dois artigos.

A atuação do MST já ultrapassou os limites de civilidade e legalidade. O bando mostra-se como grupo paramilitar, algo proibido pela Constituição. Impossível não associar esses segmentos violentos do MST às Sturmabteilung (SA) dos nazistas dos anos vinte, trinta e quarenta do século passado. E, exatamente como aconteceu com as SA, se não for contido, o MST pode se tornar uma grande ameaça à nossa democracia.

Segue o vídeo de ódio.

Aniversário do Falecimento do Pai do Grande Líder

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Bob Filho2Ainda no que concerne à agência de notícias da Coréia do Norte, chamou-me atenção uma referência à publicação, pela organização solidária brasileira Centro de Estudos da Ideia Juche (Brasil), que dispõe do blog Solidariedade à Coréia Popular, de um artigo em que se lembrava os três anos da morte do Grande Líder (Chico Cezar, pai de Bob Filho) e “ilustrada com um retrato do Líder sorridente”. Eis o inteiro teor da notícia:

Anniversary of Kim Jong Il’s Demise Observed by Brazilian Organization
December 18. 2014 Juche 103

Pyongyang, December 18 (KCNA) — The Brazilian committee for remembering leader Kim Jong Il posted an article on its website on Dec. 2, illustrated with a portrait of the smiling leader.
The article said:
Three years have passed since Chairman of the National Defence Commission Kim Jong Il passed away.
These days were characterized by the noble sense of moral obligation of the Korean people to remain loyal to the leader in boundless reverence for him.
The Korean people are holding him in high esteem as the eternal chairman of the NDC of the DPRK and are glorifying his exploits forever.
The article introduced in detail the cause of perpetuating the memory of the leaders being carried out in the DPRK including the renaming the Kumsusan Memorial Palace where President Kim Il Sung and Kim Jong Il lie in state as the Kumsusan Palace of the Sun, erection of their statues on Mansu Hill and institution of February 16, the birthday of Kim Jong Il, as the Day of the Shining Star.
It is the transparent faith and steadfast will of the Korean people to carry out the plan and last instructions of Kim Jong Il to the last, the article noted, and went on:
Precious seeds for prosperity sown by him are yielding fruits in the DPRK.
Rapid progress made in the drive of breaking through the cutting edge of science and technology resulted in modernizing many industrial establishments in various fields of national economy and speeding up the improvement of people’s living standard.
Great heyday is being ushered in the construction and eye-opening successes have been made in building a highly civilized socialist state.
Marshal Kim Jong Un is standing at the helm of the Korean people in their vigorous drive to successfully carry out the plan and desire of Kim Jong Il, guided by his last instructions.
(http://www.kcna.co.jp/item/2014/201412/news18/20141218-07ee.html)

É, assim, uma peça magistral do discurso socialista. Não consigo ler o artigo da agência de notícias da República Popular sem imaginar aquele “sotaque calelgado dos blavos helóis nolte-coleanos” falando inglês…

Fui conferir no já conhecido site… e não que estava lá!?! Publicado em espanhol, tudo bem – afinal, espanhol tem mais jeito de língua revolucionária latino-americana. Reproduzi aqui, para deleite dos meus leitores. Detalhe: o Grande Líder está líndio! Divirtam-se

Terceiro aniversário do falecimento do Dirigente Kim Jong Il

Desde que Kim Jong Il, Presidente del Comité de Defensa Nacional de la República Popular Democrática de Corea, falleció (17 de diciembre de 2011), transcurrieron tres años, tiempo para los coreanos de infinita añoranza por él y de constante cumplimiento de su noble obligación moral con lo mismo.
Los coreanos le honraron como eterno Presidente del CDN e hicieron todos los esfuerzos para glorificar sus méritos.
Desearon que sus restos con imagen que tenía cuando estaba vivo, lo mismo que los de Kim Il Sung, Presidente de la RPD de Corea y fundador de la Corea socialista fueran conservados en el Palacio del Sol Kumsusan, lo cual se ha hecho realidad. Sobre la colina Mansu en la capital Pyongyang y en varios otros lugares del país fueron colocados respetuosamente sus estatuas y retratos de mosaico, reproducciones de su imagen con amplia sonrisa y en las oficinas de los organismos, las empresas, en las viviendas del país, se ponen con respeto y veneración sus retratos con la misma imagen. Las personas se llevan en su pecho su efigie.
En la IV Conferencia del Partido del Trabajo de Corea y la V Sesión de la XII Legislatura de la Asamblea Popular Suprema de la RPD de Corea, todas efectuadas en abril de 2012, honraron a Kim Jong Il como el eterno Secretario General del PTC y perpetuo Presidente del Comité de Defensa Nacional de la RPD de Corea.

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A Solidariedade Brasileira ao Grande Líder

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North Korea RallyPasseava eu pela agência de notícias da Coréia do Norte quando me deparei com informações sobre um Comitê (ou Comissão, tradução mais adequada) Brasileiro de Lembrança ao Grande Líder King Jong Il. A notícia tratava do recente “trabalho” produzido pelo líder, intitulado “Aceleremos a construção da base pecuária na zona de Sepho e alcancemos uma nova mudança para o desenvolvimento da pecuária” (sempre títulos longos esses dos textos comunistas e que nada dizem). Reproduzo o inteiro teor da matéria norte-coreana:

Kim Jong Un’s Work Posted by Brazilian Organization on Its Website
February 17. 2015 Juche
104
Pyongyang, February 17 (KCNA) — The detailed gist of Marshal Kim Jong Un’s work “Let Us Expedite the Construction of the Livestock Breeding Base in the Sepho Area and Bring about a New Turn in Developing Animal Husbandry” was posted by the Brazilian committee for remembering leader Kim Jong Il on its website on February 8.

The work, made public on January 28, indicates tasks and ways to be fulfilled in expediting the construction of the livestock breeding base in the Sepho area and bring about a new turn in developing animal husbandry.

Pois bem! Fui procurar a tal da organização… E não é que ela existe!?! É o “Centro de Estudos da Ideia Juche (Brasil)”, que tem o “blog de solidariedade à Coréia Popular”!!!! 

LOGO CEIJ2O objetivo do blog é, segundo eles mesmos, “divulgar informações sobre a Coréia Popular, criando assim um contraponto às mentiras e deturpações promovidas pela imprensa ocidental. Não pertence a nenhum partido político e dará espaço para todas as organizações e personalidades solidárias com a construção do socialismo na República Popular Democrática da Coreia.”

Comecei a explorar (como um porco burguês) o site da organização revolucionária proletária. Ali você encontra tudo que um aficionado gostaria de saber sobre a Democracia Popular Coreana e tinha medo de perguntar (perguntar e desaparecer…)! Há “obras” do Grande Líder (Bob Filho) e de seu finado (morreu para você, ingrato!) pai, Chico Cezar (que tinha o penteado mais fashion-trash da Ásia). Há também artigos de doutrina Juche, filmes e músicas e também uma “biblioteca” com uma série de (quatro) grandes obras, cuja mais recente é um artigo do fundador da Coréia do Norte (avô de Bob Filho) publicado em 1967 e intitulado “Reforcemos a Luta Anti-Imperialista e Anti-Yankee” (traduzido do Tomo IV das Obras Escolhidas de Kim Il Sung, publicado em 1975, em Pyongyang). E claro, também há a publicação mais recente do jovem Marechal Bob Filho “Aceleremos a construção da base pecuária na zona de Sepho e alcancemos uma nova mudança para o desenvolvimento da pecuária” (sim, repeti o título; é divertido!), para quem quiser conferir.

Em tempo: você também pode adquirir (sim, seu capitalista), por módicos R$ 60,00 (sessenta reais burgueses e opressores), o primeiro volume das “Memórias do Grande Líder Revolucionário Kim Il-Sung: No Transcurso do Século“. Ansioso para expandirem a lojinha…

Preciso escrever mais alguma coisa? Acho que não. Quem quiser acessar o site, por sua conta e risco, clique aqui.

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Por que aprender russo?

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Vi este gráfico e achei interessante reproduzir por aqui. Talvez seja um pouco forçado, mas são boas razões. Recomendo a meus alunos que aprendam russo – por todas esses motivos e outros mais. Ademais, pode-se acompanhar as notícias de Moscou (sempre oficiais, não importa em que meio) e os pronunciamentos do Putin no original (gosto Putin; Putin é KGB).Rus_lang_infogr

Fonte: http://nl.media.rbth.ru/web/br-rbth/images/2015-02/extra/Rus_lang_infogr.jpg

O Dia da Estrela Resplandecente

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Kim_Jong_IlComo só retornei aos trabalhos aqui em Frumentarius no último dia 19/02, peço desculpas a meus 9 (nove) leitores porque deixei passar uma importante efeméride global: em 16 de fevereiro comora-se, por todo o planeta, o “Dia da Estrela Resplandecente” (ou “Estrela Cintilante”, dependendo do tradutor – mas acho que resplandecente tem mais a ver com o caso), data do nascimento do Grande Líder, o Líder Supremo, Kim Jong-Il, pai de nosso querido Bob Filho!

As celebrações da Coréia do Norte também foram grandiosas. Assim, o restante do mundo não conseguiu rivalizar com Piongyang no júbilo das celebrações (até que países como o Brasil tentaram – daí a festa da semana passada transmitida para todo o planeta).

Bob Filho, com um penteado novo (que ainda não deve ter sido autorizado nas barbearias da Potência Comunista), estava todo pimpão para comemorar o aniversário de seu pai (cujo penteado, diga-se de passagem, é inigualável). Ainda dá tempo de mandar os votos de felicidade para o povo norte-coreano.

Segue matéria da agência de notícias da Coréia do Norte comentando a ampla divulgação do “Dia da Estrela Resplandecente” feita pela imprensa internacional (com destaque para o Sun Rise, de Uganda, e para o L’Avenir, da República Democrática do Congo)…

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Day of Shining Star Observed by Foreign Papers

Korean News – February 24. 2015 Juche 104

Pyongyang, February 24 (KCNA) — Foreign papers carried special write-ups accompanied with portraits of smiling leader Kim Jong Il on the occasion of his birth anniversary (the Day of the Shining Star).

The February issue of the Bulgarian paper Iskra carried an article titled “Life dedicated to the country”. It introduced in detail his energetic activities for the prosperity of the country, happiness of its people, independent and peaceful reunification of the country and the human cause of independence. Continuar lendo

Como prejudicar a Política Externa, a Indústria de Defesa e a Economia nacional de um só golpe

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presidente indonesiaSei que o título ficou longo, mas é exatamente isso. Dias desses, um mui prezado amigo perguntou-me sobre a importância econômica da Indonésia para o Brasil (foi uma pergunta sincera, nada de ironia ou ridicularização do caso). Respondi-lhe que iria verificar como eram as relações bilaterais com a maior nação muçulmana. Antes que encontrasse tais informações, chegou a notícia da perspectiva do Governo da Indonésia de cancelar parte da compra de 16 aviões EMB-314 Super Tucano, fabricados pela empresa brasileira  (privada) orgulho de todos nós na produção de aeronaves. Até a hora em que escrevi este post, não havia notícia sobre a decisão de cancelamento por parte  de Jacarta, mas o simples fato de se considerar o cancelamento já fez com que as ações da Embraer despencassem na bolsa e afundassem a Bovespa! Mais uma brilhante manobra de autoridades brasileiras em prol da indústria nacional de Defesa e de nossa robusta e estabilizada Economia!

As relações entre Brasil e Indonésia sofreram forte abalo em razão de certas condutas da senhora presidente da república para com o Governo de Jacarta, todos disso sabemos. O que mais incomoda nessa história toda é que a justificativa do Governo brasileiro seria o estopim da crise seria o transtorno causado pela execução (legal e legítima) de dois traficantes que saíram daqui para vender cocaína na Indonésia e lá foram descobertos e presos pelas autoridades locais, julgados e condenados à morte. Dois traficantes!!!

Sempre digo a meus alunos que Política Externa não é para amadores. A tradição brasileira é de pragmatismo e eficiência em nossas relações exteriores, conduzidas por um corpo diplomático de altíssimo nível e, até alguns anos atrás, não-ideológico e orientado por interesses de Estado (e não de governo). Isso mudou nos últimos tempos, graças a arroubos de humor de certas autoridades na cúpula do governo e (des)orientações que chegam de fora do Itamaraty (existiria uma Eminência Parda em certo palácio que deseja ser o protagonista, de fato, de nossa Política Externa). O Brasil caminha então para ser realmente um anão diplomático e as pachouchadas de Política Externa prejudicam cada vez mais a imagem e, pior, as relações (políticas, mas também econômicas) do País com seus pares da comunidade internacional.

1024px-Embraer_logo.svg-e1422981442447No que concerne à indústria de nacional de Defesa, a medida tomada por Jacarta representa prejuízo para uma empresa brasileira (privada) de renome no plano internacional. Os efeitos podem ser nefastos em um momento em que se precisa alavancar o setor. Lembro que o Brasil é o único país do Hemisfério Sul a produzir aviões do porte dos jatos e aviões de combate da Embraer e que, com o início da produção do KC-390 (nosso avião cargueiro de grande porte e que rivalizará com o C-130, o velho Hércules), pode alcançar níveis de competitividade que rivalizem com a Boeing e a Airbus (a Embraer já é a terceira empresa de construção de aviões civis no mundo). Mas isso não deve ser objeto de preocupação de certas pessoas do governo brasileiro, que já não têm problemas em lidar com a crise econômica (para quem não sabe, estamos em crise).

A Economia? “A Economia, estúpido!”, diria Bill Clinton. Pois é… A simples notícia da possibilidade de cancelamento da compra de aviões da Embraer já gera impacto em outros setores da Economia brasileira além da indústria de Defesa. Bolsa, repito, cai. E tem-se mais um fato para abalar nossa sustentabilidade, que já está trêmula com escândalos de corrupção, greve, e crise na outra grande empresa brasileira, a Petrobrás (continuo usando o acento no “á”). Mas não há motivo para pânico. Os próceres que nos lideram resolverão nossos problemas. Os brasileiros temos que continuar, como bons ovinos, calmos, (c)ordeiros e sem reclamar.

Evidentemente que se não houvesse a Embraer, nada disso teria acontecido. A culpa desses males todos é, portanto, do Brigadeiro Osires Lopes Silva, responsável pela criação da Embraer, e dos executivos e funcionários daquela empresa que fazem dela um primor de excelência e orgulho nacional. Sim, a culpa só pode ser deles. Se não for deles, é do FHC…

supertucano

Indonésia reconsidera compra de aviões Embraer por tensão

Exame.com – 24/02/2015

Jacarta – A Indonésia está reconsiderando a compra de aviões militares e lança-foguetes do Brasil, em meio a uma tensão entre os dois países sobre a execução de brasileiros por tráfico de drogas, disse o vice-presidente indonésio, Jusuf Kalla, de acordo com o jornal Jakarta Post.

Os dois países chamaram de volta seus embaixadores para consultas em uma disputa que começou quando a Indonésia executou o cidadão brasileiro Marco Archer e outras cinco pessoas de diferentes países, no mês passado. Continuar lendo

Piada soviética do dia…

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090101 Stalin 4 jokerSe tem uma coisa que prolifera descontroladamente em regimes autoritários são as piadas! Não aquelas autorizadas pelo regime, mas as peças humorísticas que surgem como críticas ferrenhas e inteligentes ao sistema. Essas piadas circulam clandestinamente, e fazem o homem comum rir um pouco de sua triste condição e, ao mesmo tempo, permanecer crítico da situação que lhe é imposta e manter acesa a chama da esperança de que um dia aquilo acabará. Toda ditadura um dia acaba… o problema é quando esse dia demora a chegar.

Em homenagem às vítimas de regimes autoritários, com destaque para aqueles que, sob a ideologia da igualdade, da solidariedade entre os povos, e do governo do proletariado, ceifaram milhões de vidas, publicarei aqui periodicamente piadas contadas clandestina mas amplamente na União Soviética e em outros países comunistas.

A de hoje é sobre a eficiência daquele modelo de produção:

Um gerente de fábrica [na União Soviética] mostra a empresários norte-americanos a linha de produção.
“Este é nosso produto de maior sucesso”, diz ele. “No primeiro ano. fizemos 500 unidades. No segundo, 5 mil, e no terceiro, 500 mil.”
“Uau”, diz um dos visitantes americanos. “O que você fabrica?”
O gerente lhe entrega uma chapa de metal.
O visitante vira a chapa e descobre que é uma placa dizendo: “Com defeito.”