O começo do fim…

Foi em um dia 28/07, no ano de 1914, que o Império Austro-Húngaro declarou guerra à Sérvia (que se recusara a entregar a Viena o terrorista que havia assassinado o herdeiro do Trono daquele país e sua esposa).

Como dominós caindo em sequência, as potências europeias procederam à mobilização de seus exércitos nos dias subsequentes. Logo seriam ouvidos os canhões de agosto, e o mundo entraria em quatro anos de dor, destruição e morte.

E aqueles que haviam entrado na guerra em 1914 e conseguissem dela sair em 1918, teriam diante de si um novo mundo. Daquele que acabava nesta data, há exatos 106 anos, muito pouco restara…

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Um triste episódio…

Vamos a mais uma indicação de livro? Ainda sobre a família imperial russa…

[“Tá”, você deve estar se perguntando, “outro livro na terça? O sujeito passa dias sem publicar e agora me manda duas indicações no mesmo dia!?!” É isso mesmo. E sabe por quê? Porque eu quero. Meu site, minhas regras. A regra geral é que “toda terça haverá indicação de um livro” (pelo menos). Nada impede, portanto, que eu indique mais de um livro na terça, ou trate de livros em outros dias da semana… É só me acompanhar por aqui e aguardar as novidades…]

img_20200717_091135_872Indico hoje “Os últimos dias dos Romanov“, de Helen Rappaport, outra profunda conhecedora do último Czar da Rússia e de sua família. A obra trata, especificamente, dos 14 dias finais da vida de Nicolau II, de sua esposa Alexandra e dos filhos (Olga, Tatiana, Maria, Anastácia e ALexei), na residência de Ipatiev, em Ekaterimburg.

Li “Os últimos dias dos Romanov” há uns 15 anos, quando estava de férias no Rio Janeiro, nos chuvosos dias de Verão da capital fluminense. A narrativa é muito envolvente, e o leitor certamente terá dificuldade de interromper a leitura até chegar ao desfecho, o terrível massacre de 17 de julho de 1918.

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A descrição de como os Romanov foram executados é marcante. Só quem conhece essa história sabe o quanto sofreu aquela família, em uma execução desnecessária, pois Nicolau, que abdicara, estava fora da vida pública, deixando o poder de forma pacífica para se dedicar ao que tinha de mais precioso (muito mais precioso para ele que os 22 milhões de km2 de rico território, os 150 milhões de russos e o poder autocrático): sua família.

A decisão de assassinar o Czar, Alexandra, suas belas filhas e o pequeno e doente Alexei, foi ordenada pelo nefasto Lênin, e motivada por ódio, ressentimento, inveja e vingança. É de todo sórdida. E o trecho final da descrição do livro na contracapa resume bem significado daquele massacre:

“Seu assassinato, o início de uma orgia de terror e represálias sangrentas que caracterizaria a guerra civil russa.”

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De volta com o “Dia do Livro”

Atendendo ao clamor dos meus 16 (dezesseis) leitores, retorno aos poucos a publicar em Frumentarius. Volto, inclusive, com o “Dia do Livro” (as terças em que sempre indico livros dos mais distintos temas – sem receber “jabás” das editoras ou dos autores). Observo que já tenho feito, no meu perfil público no Instagram, cometários sobre quase quarenta livros. Farei isso aqui também para os meus leitores que não acessam o aplicativo (mas, se voce quiser acessar o meu perfil no Instagram, e me seguir por lá, agradeço muito!).

Para (re)começar, destaco que no último dia 17, relembramos a trágica morte do Czar Nicolau II e sua família (e seu médico, e dois criados), brutalmente assassinados pelos bolcheviques dos Urais, a mando do canalha Vladimir Ilyich Ulianov, que passou para a história com a alcunha de Lênin. Assim, para relembrar aquela família vítima do terror comunista, publicarei, nos próximos dias, indicações, com comentários, de livros sobre a Rússia e sobre os Romanov, e também acerca da União Soviética.

O primeiro livro que gostaria de indicar é “Os Romanov – o fim da Dinastia“, de Robert Massie.  A obra, resultante de pesquisa aprofundada, narra não só os derradeiros dias do último Czar da Rússia, mas também todo o processo pelo qual os corpos da família foram encontrados, exumados e analisados, oito décadas depois da carnificina.

Respostas são dadas, por exemplo, ao destino de Alexei e da princesa Anastácia… Teriam eles escapado? Seria a lenda de Anastácia verdadeira? Como a ciência respondeu a essa pergunta, contando com a ajuda até da família real britânica?

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O massacre dos Romanov foi um dos mais tristes episódios do século XX, e que, simbolicamente, marcou o início do massacre de milhões de seres humanos, sob o pretexto da luta de classes.

Sempre me interessei pelos Romanov. Sempre repudiei o bolchevismo e a forma como os canalhas a mando de Lênin trataram aquela família.

Com Nicolau II e seus descendentes, morria uma parte da Rússia. O destino do Czar seria compartilhado por muita gente da nobreza, da aristocracia, da burguesia, do campesinato e de quaisquer grupos que fossem considerados “inimigos de classe”.
A tragédia familiar tornou-se nacional e depois alcançou os mais distantes rincões do planeta. Que nunca mais isso volte a acontecer.

Distante, mas presente

Depois da publicação sobre o primeiro teste nuclear da história, alguns dos meus fiéis 16 (dezesseis) leitores me perguntaram o porquê de ter parado com as publicações aqui em Frumentarius. Para não lhes deixar sem resposta, explico: mesmo com essa pandemia (e talvez em função dela), a vida tem estado muito corrida (trabalho, estudo, casa…). Com isso, faltou-me tempo para cá.

Sensibilizado com as mensagens, tentarei retomar as atividades aqui também. Vou (re)começar publicando algumas recomendações de livros, conforme já tenho feito na minha página pública no Instagram (não conhece minha página pública no Instagram? pois está perdendo temp… Clique aqui – ou a visite pelo ícone à esquerda na tela – e me siga lá). Espero fazer jus ao carinho de meus leitores. Abraço!

PS: Aquela notícia da morte de Bob Filho, que acabou se mostranto uma grande falácia, deixou-me muito abalado… Por isso não comentei aqui… Afinal, começamos, há muitos anos, Frumentarius com o Chico Cézar norte-coreano e seu herdeiro gorducho, o Bob Filho…

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E o Sol se fez na Terra…

16 de julho de 1945. Pela primeira vez na história, uma explosão nuclear acontecia. Foi em Alamogordo, no Novo México, como parte do Projeto Manhattan. A caixa de Pandorra fora aberta. O mundo entraria em uma nova era…

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A Grande Guerra Patriótica

Às vésperas do Dia da Vitória (08/05 aqui no Ocidente, ou 09/05 para os russos e alguns povos das ex-URSS), o mundo celebrará o fim da II Guerra Mundial na Europa de maneira muito distinta daquela das últimas sete décadas. Afinal, eventos públicos estão cancelados ou proibidos pela maior parte do planeta. Eu mesmo pretendia comemorar os 75 anos do fim da Guerra em Londres, celebrando a derrota do nazifascismo na terra de Sua Majestade. Graças a outra coroa (o vírus), fiquei por aqui, em casa… – tudo bem! Será uma história bem diferente para contar para as próximas gerações.

Em comemoração ao Dia da Vitória, tenho feito alguns vídeos com recomendações de livros, que publico em meu canal do YouTube (youtube.com/joanisvalbsb). Quem se interessar pelo tema, por favor vá lá, faça-me uma visita e curta os vídeos! Agradeço muito se puder também se inscrever no canal.

Além dos livros, semana passada gravei uma “live”, intitulada “A Grande Guerra Patriótica: a URSS na II Guerra Mundial”. Foi uma conversa muito interessante (em português) com minha professora de russo, Yulia Mikheeva! Falamos da importância do conflito para os russos, de episódios da guerra e de situações inusitadas. Também respondemos a algumas questões dos participantes. Quem perdeu, perdeu! –  brincadeira, quem perdeu pode acessar o vídeo em nosso canal do Youtube. Vale a pena conferir.

A “live” deu tão certo que pediram mais! Então, hoje, 06/05 (quarta-feira), às 19h, teremos outra live para tratar de batalhas e pessoas na Grande Guerra Patriótica. Quem quiser participar é só procurar o perfil @yucursosdeidiomas no Instagram e entrar na conversa! Começaremos respondendo a algumas perguntas feitas na semana passada!

Então é isso! Nesta época de pandemia, vale conversar um pouco sobre outros temas! Espero meus 16 (dezesseis) leitores daqui a pouco. Abraço!

E, para conhecer nosso canal no Youtube, clique aqui!

Who was defeated in the Great Patriotic war? | The Vineyard of the ...

 

Sou Candango! E amo minha Brasília!

Sim, sou Candango! Candango é como eram chamados os que vieram para construir Brasília. Trabalhadores dos diferentes pontos do Brasil, todos aqui motivados por um sonho, um sonho de Dom Bosco, um sonho de muitos brasileiros, um sonho  que se tornou realidade graças a um garoto pobre do interior de Minas Gerais, que chegou a Presidente e liderou outros milhares de homens e mulheres sonhadores na execução de um grande projeto aqui no Planalto Central!

Sou Candango, e me orgulho disso! Não gosto do termo “brasiliense”, que alguns querem usar por achar “sofisticado”. Sou da primeira geração que nasceu nesta Capital, pela qual sou alucinadamente apaixonado, e, ao construir minha vida, também continuo a construção minha cidade amada. Can-dan-go! Candango tal qual meu pai e minha mãe. Candango como quero que meus filhos sejam!

Brasília não é só concreto (apesar de ser um museu de concreto a céu aberto), longe disso. Brasília não são os políticos que o restante do País manda para cá (até porque, desses, nenhum é realmente daqui). Brasília não é frieza, alienação ou distanciamento. Brasília não é ficção.

Brasília é gente, gente que vive, gente que trabalha, gente que sorri, gente que ama. É gente de diferentes feições e diferentes sotaques, muitos e variados sotaques, ao ponto de ainda termos dúvida sobre o modo característico como falamos. É ausência de identidade? Não, é uma identidade plural a do povo daqui. Brasília é gente, sim! É brava gente brasileira (nascida nesta Capital ou em qualquer outro canto… do mundo)!

Brasília é o céu mais lindo que alguém jamais viu, é verde por toda parte, é resiliência na seca, é festa na chuva! São os ipês, com suas distintas e coloridas floradas! São as cores da natureza, e o sinal da existência de um Criador! São as aves e seus variados sons, na janela aqui de casa, no trabalho ou por onde for!

Brasília é música, é arte por toda parte! É rock, é forró, é brega, é punk! É Orquestra Sinfônica! É Teatro dos Bancários! É artista de rua! É violão e sanfona! São os vários CTGs! É a Casa do Cantador! É música na Igreja, e o Espaço Renato, e o nosso Teatro, que é Nacional, mas que fechou.

Brasília é religião e misticismo. São os vitrais da Dom Bosco e os Anjos da Catedral.  São os cultos em inglês, grego e latim. É a Igreja Batista Central. É a Rosacruz no Planalto. É Maçonaria em toda parte. É Templo da Boa Vontade, Mesquita e Comunhão Espírita. São terreiros e centros, igrejas e templos, com um fim único: render graças ao Grande Arquiteto do Universo e pedir pela humanidade! Tudo isso gantindo uma aura especial, e a diversidade e o sincretismo da cidade!

Brasília é churrasco no domingo, a feijoada na sexta e a pizza no sábado! É o choppinho depois do trabalho. É a carne de sol do Xique-Xique, os naturebas e veganos, e japonês por toda parte. É comida a Kilo (ideia nossa!), é a Galeteria Gaúcha do Lago. Mas é também o arroz do Careca, e (no Sílvio) a pizza de salada . É o macarrão do Ninny, a comida da Tia Zélia, e o self-service do Aspargus.

Brasília são avenidas largas, múltiplas tesourinhas, passagens subterrâneas no Eixão, viadutos que resistem ao descaso, e agulhinhas, total novidade! É a Rodô, com a Viçosa e seu pastel com caldo de cana. É Minhocão na UnB, é Templo da Boa Vontade. É Drive-In, autódromo e kart!

Brasília é virar à esquerda quando se quer ir para a direita, é pegar o baú na W3 e descer o Eixo para a L2! É fazer um balão com tranquilidade e jamais buzinar pela cidade! É morar nas 300, nas 200, estudar nas 700 e ir ao culto ou à missa nas 600. É jantar na Asa Norte, passar no Pontão, ir para balada na Asa Sul e terminar a noite com a pizza da Dom Bosco! É entender o que é um Setor, seja ele Hospitalar, Hoteleiro, Comercial ou de Diversões! É descer para os pilotis, conversar embaixo do bloco, conhecer onde as Quadras são fechadas, ir na farmácia ou na lojinha do amigo na comercial. É saber exatamente o que significa um cobogó. 

Brasília é o Parque, é o Lago, é o Buraco do Tatu! Brasília é o Olhos D’Água da Asa Norte, e a Igrejinha da Asa Sul! É a tradição da Vila Planalto, as mansões das Quadras internas e do Lago, nos Lagos, é a Feira do Guará, o sarapatel, a buchada e o cozidão no Núcleo Bandeirante, onde sei que foi encontrar aquele queijo curado! É o samba do Cruzeiro! É o Periquito e o futebol do Gama, é Praça do Relógio em Taguatinga, é o Setor Bolinha da Ceilândia, é a Festa do Morango de Brazlândia, é o Vale do Amanhecer em Planaltina, são as igrejas, igrejas e mais igrejas e a Quadra Central na minha Sobradinho Serrana ! É a vida além do Plano Piloto, mas também no Plano Piloto!

Brasília, Brasil em latim,  é tudo isso e mais um pouco. Sou eu, e é você, que leu e entendeu. É essa gente maravilhosa de todo Brasil, e é o Brasil todo! Gente desbravadora, que veio para cá, buscou, sofreu, perserverou e venceu!

Brasília é minha casa. Sou Candango, assim como os três milhões que nasceram ou adotaram esse quadradinho com um avião no centro desse Brasilzão. Sim, Candango, do Planalto Central, com muito orgulho e gratidão!

Parabéns, Brasília! Parabéns pelos seus 60 anos!

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Sessentona que eu amo!

Screenshot_20200421-083633_ChromeMinha cidade amada agora é sessentona! Parabéns a Brasília!
Você continua um lugar lindo e maravilhoso para nascer e viver, para trabalhar e criar os filhos, para construir amizades e transformar sonhos em realidade!

Você resiste, minha amada Brasília, como esta cidade fascinante, apesar de todo o mal que lhe fizeram desde 1988! E quanto não lhe fizeram de maldade, de descaso e de escárnio!

Brasília não merece os governantes que teve nas últimas três décadas, pessoas que não eram daqui e não amavam esta terra. Sofremos com invasões, ocupações ilegais (de barracos mais simples a mansões em condomínios que causam enormes impactos ambientais e urbanísticos). Sofremos com a ignorância, a falta de espírito público e a corrupção.

Sofremos com o descaso para com este lugar, que deveria ser sagrado para todos os brasileiros, pois foi fundado para simbolizar um Brasil melhor, mais próspero e desenvolvido, um Brasil unido, forte e soberano!

Como disse o poeta que aqui viveu, “neste país lugar melhor não há”!
Amo Brasília, amo minha terra, amo minha casa!

Parabéns, Brasília! Parabéns,  cidade linda! Parabéns, sessentona  charmosa e viva! Apesar de tudo que lhe fizeram, você continua esse lugar especial no meu coração!

Compartilho aqui um vídeo feito por artistas de Brasília. Ao final, nos créditos, informações para quem queira contribuir ajudando o Lar dos Velhinhos de Sobradinho (conheço a instituição e bom serviço assistencial que fazem ali).

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Max Wolf

12 de abril também é uma data a ser lembrada pelos brasileiros. Há exatos 75 anos, nesta data, no Teatro de Operações da Itália, tombava, aos 33 anos de idade, o Sargento Max Wolf Filho.
Nascido em Rio Negro (PR), de família alemã, Wolf foi voluntário para atravessar o Atlântico e ir combater pela liberdade contra o Eixo. Poderia ter ficado no Brasil com sua família, mas tinha um dever a cumprir.

Entre os pracinhas, o Sargento era reconhecido pela camaradagem e pela bravura, e sua liderança evidenciou-se diversas vezes.
Quis o destino que fosse metralhado pelo inimigo enquanto conduzia uma arriscada patrulha. A Guerra acabaria menos de um mês depois, em 8 de maio.
Wolf deixou um legado de heroísmo e coragem e registrou seu nome na história. Seus restos mortais repousam no Monumento Nacional aos Mortos da Segunda Guerra Mundial, na cidade do Rio de Janeiro.
Importante que conheçamos nossos verdadeiros heróis.

Por mais terras que eu percorra
Não permita D’us que eu morra
Sem que volte para lá!

#maxwolf
#sargento
#FEB
#pracinhas
#IIGuerra

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A Terra é Azul!

12 de abril de 1961. Primeiro homem no espaço. A façanha foi alcançada pelos soviéticos, que colocaram em órbita o cosmonauta Yuri Gagarin.
Gagarin parecia ser um sujeito simples e de bom coração. Sua simpatia era contagiante. É dele a frase de que “a Terra é azul”. Infelizmente, morreria em 1968, aos 34 anos, de um acidente de avião (torna-se piloto de testes de aeronaves militares).
Desde 1962, essa data é o “Dia do Cosmonauta” na Rússia.
Muito bacana o termo “cosmonauta” – prefiro a astronauta.
E seguia a Guerra Fria…
#Gagarin
#cosmonauta
#homemnoespaço

Uma Grande Oportunidade!

Devido a esse período de isolamento, verdadeira purga, que se seguiu durante a Quaresma, talvez pela primeira vez em muitas décadas, os ocidentais se apercebam do verdadeiro sentido da Páscoa.
Não são ovos ou outros enfeites de chocolate, não são grandes promoções no comércio, não é nem mesmo aquele almoço lauto seguido de fotos no Instagram…
Ao menos para nós de tradição cristã, Páscoa é renascimento, é a celebração da Ressurreição daquele que é o Homem-Deus, o Grande Reparador, e cujo legado de 2000 anos é de amor incondicional e de serviço ao próximo.
Para nós, cristãos, foi dada a oportunidade de uma Páscoa diferente, aparentemente mais simples, porém mais verdadeira, uma oportunidade para pensarmos naquilo e, sobretudo, naqueles que realmente importam.
Que a Ressurreição de Nosso Senhor Jesus Cristo esteja marcada em nossos corações e que busquemos sempre imitá-lo, para, algum dia, alcançar a Reintegração e chegar à Jerusalém Celeste, vivendo para a Eternidade em Seu Reino que não é deste mundo.
Uma Feliz Páscoa a todos!
Joanisval

O que estou a ler no momento

Aprendendo a usar um software de edição de vídeo… Então por favor não se chateie com o meu vídeo tosco! De toda maneira, publiquei esses dias no meu canal do YouTube (www.YouTube.com/joanisvalbsb) alguns comentários sobre o que estou lendo no momento. É que nas redes sociais as pessoas têm-me perguntado sobre isso!

Vá lá ao canal (pode ir clicando aqui), curta os vídeos, e se inscreva nele para receber as atualizações! Ah! Se quiser divulgar, agradeço! Abraço!

 

O Metrô de Moscou

20171105_212917Pense em um imenso palácio subterrâneo. Salas das mais distintas temáticas, com obras de artes que fazem o visitante, por mais rápido que por elas passe, surpreender-se com a beleza ali retrada – e com a história e a cultura de um povo! Mosaicos, pinturas, vitrais. Tudo isso pelo preço de um bilhete de metrô!

Continuando nossa Operação Outubro Vermelho, a publicação de hoje se refere ao metrô de Moscou. Sim, isso mesmo que você leu! A capital russa dispõe de um sistema de transporte subterrâno de 346 quilômetros de extensão, distribuído por 12 linhas e 206 estações. Por ele circulam dez milhões de pessoas diariamente.

E o que tem o metrô de Moscou de tão especial para merecer uma publicação? Chamado de “Palácio Subterrâno” por Stálin, o metrô da capital, cuja construção foi iniciada na década de 1930, deveria levar arte ao povo que por ali circulava. Daí que cada estação teria uma temática própria, sendo preenchida por mosaicos, pinturas e até estátuas que despertassem no homem soviético a percepção do belo e o amor ao regime.

Vale muito a pena conhecer o metrô de Moscou, passear por suas estações! Faz-se mesmo um mergulho no tempo e, muitas vezes, andando por elas a gente pensa que está de volta à União Soviética.

Em nosso canal do Youtube (www.youtube.com/joanisvalbsb) fiz um vídeo mostrando um pouco do Metrô de Moscou. Vá lá conferir, curta o vídeo e se inscreva no canal. Para acessá-lo diretamente, clique aqui.

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Livros, Viagens e um Pouco de Tudo… Agora em vídeo!

Passados três meses desde minha última publicação por aqui, retorno para que meus 16 (dezesseis) leitores não se esqueçam de mim e saibam que estou vivo! Como diz meu amado paizinho, quem não é visto não é lembrado!

Não pretendo, nesta época de isolamento e quarentena, escrever muita coisa aqui sobre a pandemia – de fato, nem vou mais usar esse termo ou outros relacionados… O mundo já está histérico demais (passou da fase da preocupação) com esse negócio.

Claro, preocupo-me com os milhões de trabalhadores que não estão podendo ganhar seu pão de cada dia, e consequentemente choram ao verem o quadro ruim que já se forma junto à família e aos entes queridos. Acredito, entretanto, na capacidade e nas iniciativas deste Governo para cuidar dessas pessoas. E faço minha parte, ajudando quem posso e, enquanto estiver recebendo meu salário, continundo com o pagamento regular de quem tanto nos ajuda (incluindo a Dona Rosa, que vai ficar em casa recebendo normalmente sua féria).

O trabalho de home office segue de vento em popa! Nossa equipe do Instituto Pandiá Calógeras continua produzindo com excelência! Orgulho-me muito desse time pequenino, porém tremendamente profissional, capacitado e comprometido com o serviço e, por que não, com a nação!

Assim, nas horas vagas, buscarei publicar aqui matérias interessantes e leves, para aqueles que já não queiram mais ler ou ouvir de p… e de C…. Mantenho meu compromisso de não tratar de política ou assuntos domésticos polêmicos, ao mesmo tempo em que estou atento ao que se passa pelo mundo (e que nem sempre poderei comentar neste site).

Bom, sob essa perspectiva, informo que já reativei meu canal no YouTube e comecei a comentar sobre livros, viagens e um pouco de tudo! Esta semana, na terça, deixei uma sugestão de leitura para o iso… para o período que você estiver em casa, caro leitor! E amanhã, quinta, compartilharei aqui o vídeo sobre viagem, em mais um capítulo da Operação Outubro Vermellho!

Por agora, a chamada para meu canal no YouTube (www.youtube.com/joanisvalbsb): vá lá, confira, curta e, já que eu sei que você é um leitor fiel, inscreva-se no canal! Quem sabe não conseguimos chegar a 16 (dezesseis) inscritos lá também!

Abraço!

Feliz Natal e Próspero Ano Novo!

Costumo desejar “Boas Festas” nesta época do ano. Aí descobri que a expressão ganhou força na década de 1990 nos Estados Unidos, Governo Clinton, surfando na onda do “politicamente correto” (saco!). Na época, se entendia melhor desejar boas festas que Feliz Natal, pois assim não se “ofendia” as pessoas de outras religiões…

Sem paciência para essa baboseira. Estamos no Ocidente, nossa herança é judaico-cristã e vou continuar desejando a todos um Feliz Natal! Claro que desejo Boas Festas também, mas não por ser politicamente correto.

Nosso Senhor Jesus Cristo é o cerne dessas comemorações de Natal, e o simbolismo da ocasião é mais abrangente que uma celebração religiosa. Portanto, segue a minha mensagem de fim de ano em Frumentarius!

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41. Quarentão! (08/12/2014)

A vida é uma peça de teatro que não permite ensaios. Por isso, cante, chore, dance, ria e viva intensamente, antes que a cortina se feche e a peça termine sem aplausos.
Charles Chaplin

Cheguei aos 40! Confesso que a sensação ainda é muito complexa para ser descrita… Foram anos de caminhada que, espero, seja apenas um terço desta senda (sim, se puder optar, desejo viver bem até, pelo menos, 120 anos!).

Vejamos o que o Universo me reserva daqui para frente! Do que recebi até hoje, só tenho que agradecer! As histórias do porvir, espero que sejam muitas, serão contadas a partir de agora, e estou ansioso em conhecer as pessoas que cruzarão meu caminho, os lugares por onde passarei, as experiências que vivenciarei!

Obrigado, querido leitor, por me acompanhar nessa jornada de quarenta dias das Crônicas dos meus 40 anos! Oxalá ainda tenhamos muito o que contar, novas narrativas que chegarão nas Crônicas dos meus 50, dos meus 60, dos meus 80! Que possamos ainda ter muito o que conversar! Que possamos viver o presente a cada dia, lembrar com um sorriso do passado, e construir um grande futuro, o nosso futuro!

Você agora me conhece um pouco mais. Fiquei, realmente, surpreso e feliz com o retorno dos amigos acerca do que escrevia ao longo das últimas semanas! Busquei abrir meu coração e contar episódios da minha vida, falar sobre pessoas marcantes, compartilhar momentos e emoções com os amigos. Que minhas experiências lhe tenham agradado, e que o que vivi possa lhe ajudar a entender um pouco as oportunidades que surgirão em sua vida, a superar seus obstáculos e a vencer seus desafios!

E, como hoje é meu aniversário, vou pedir-lhe, querido leitor, um presente! Afinal, sempre gostei de ganhar presentes, não é? Então, por favor, preste atenção!

Como presente de meus quarenta anos, peço que você, querido leitor, nunca desista de seus sonhos, tenha certeza de que você é o senhor de seu futuro e, acima de tudo, lembre-se sempre de agradecer pelas bençãos do Criador! E, como agradecimento, retribua presenteando a alguém, seja com um sorriso, seja com um abraço, seja com um conselho ou uma palavra amiga! É isso que gostaria de você hoje!

Receba, junto com minha gratidão e meu pedido, meu abraço fraterno, um grande abraço a você e a todos que acompanharam as Crônicas dos meus 40 anos. E vamos a mais quarenta!

Eu

40. Gente de Bem (07/12/2014)

Não há nada de errado com aqueles que não gostam de política, simplesmente serão governados por aqueles gostam.
Platão

Neste último dia que antecede meu aniversário de quarenta anos, gostaria de dedicar a derradeira crônica a algo que me foi muito marcante em 2014: a decisão pela carreira política.

Aqueles que me conhecem desde priscas eras sabem que sempre mantive grande paixão pela política. Apesar de não me engajar diretamente em nenhum partido ou movimento, já muito jovem tinha interesse pela forma como eram conduzidos os caminhos do País. Porém, uma vez que devia trabalhar para vencer na vida, deixei adormecida a vontade de me envolver mais efetivamente com a nobre arte.

Foi apenas agora, com quase 40 anos, e já estabelecido profissionalmente, mais maduro e estabilizado, e diante da situação enlameada em que se encontra o País e da escassez de líderes, de gente comprometida com o interesse público, de gente de bem na Política (não disse que não existe gente séria nesse ramo; disse que estão escassos), decidi que era chegada a hora de arregaçar as mangas, mostrar a cara e tentar fazer alguma coisa pelo futuro de nossos filhos. Candidatei-me a deputado federal, aqui pelo DF.

Como também é do conhecimento de muitos, acabei renunciando, após cerca de um mês de campanha. O que posso dizer sobre os motivos, além do que já assinalei em minha carta aberta de renúncia, é que não aceitei proposta que me foi feita para me desviar dos objetivos. Seu Jacob e Dona Conceição ensinaram-me que valores e princípios não são negociáveis. Por isso, para não começar errado, preferi adiar o projeto político.

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Que fique claro que só adiamos nosso projeto de atuar na esfera política (por um Brasil melhor, mais justo e perfeito)! Como disse meu amigo Leonardo Gadelha (ele próprio da estirpe de bons políticos), uma vez inoculado pelo vírus da Política, não há cura ou antídoto. E, no tempo de campanha e pré-campanha, acabei contaminado por esse bem!

Da experiência deste ano, tirei muito aprendizado. Conheci um pouco dos meandros da política no DF, vi algo do tabuleiro e da maneira como as peças são dispostas. Circulei muito pelo Distrito Federal, e observei o quanto estamos carentes de bons políticos, de gente honrada que esteja disposta a trabalhar pelos outros, e a colocar o interesse público acima do particular. Amadureci. Saí diferente do que era quando entrei.

Mas, indubitavelmente, o melhor desse período foi a possibilidade de conhecer pessoas, reencontrar amigos e reunir um grupo maravilho de cidadãos para discutir sobre os problemas do DF e do Brasil e nos ajudar a tentar mudar nossa terra para melhor. Foi, verdadeiramente, uma experiência gratificante, enriquecedora. Muito bom conseguir reunir gente de bem em torno de uma causa! Muito bom saber que há gente como a gente, mais do que se imagina, interessada em um Brasil mais igualitário, democrático, livre da corrupção e do assistencialismo que mantém milhões sob a égide de grupos com interesses pouco republicanos.

Campanha3Repito que não desistimos dessa caminhada. Apenas seguramos um pouco o passo. Não sei se serei candidato em 2018. Ainda estou sem partido e muito pode acontecer nos próximos anos. Porém, a equipe que nos apoiou continua unida e desejosa de fazer algo, e a ela já se juntaram mais pessoas de bem. Se não for na política partidária, estaremos presentes e prontos, atuando em outras esferas, para contribuir por uma sociedade melhor.

Neste último dia antes de meu aniversário, nesta última crônica dos meus quarenta anos, quero agradecer a todos que me apoiaram, diretamente compondo nossa grande equipe, divulgando nossa candidatura, ou mesmo votando em nós e acreditando em nosso projeto, porque vocês fizeram a diferença! Sinceramente, muito obrigado por confiarem que podemos fazer algo distinto do que está aí, que podemos trabalhar por um Brasil melhor, e com mais gente de bem na política. Meu fraternal abraço a todos que estiveram conosco nessa caminhada!

[Nota: em 2018, decidi não me candidatar. O resultado das urnas, de toda maneira, trouxe uma nova esperança. Oxalá os eleitos em 2018 possam conduzir o País para um novo rumo, combatendo a corrupção, reconstruindo o País e contribuindo para um Brasil melhor!]

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39. Sonhos, títulos e livros (06/12/2014)

O conhecimento torna a alma jovem e diminui a amargura da velhice. Colhe, pois, a sabedoria. Armazena suavidade para o amanhã.
Leonardo da Vinci

De que adianta ter conhecimento e não-lo transmitir? O conhecimento é como o sorriso, seus efeitos são muito maiores se compartilhados. Faltando 2 dias para meu aniversário, resolvi dividir com os amigos alguns aspectos de minha formação acadêmica e das obras que escrevi.

Os rosacruzes ensinam tradicionalmente que qualquer criação no mundo material deve começar com um projeto nos planos mental e espiritual. Em outras palavras, conquistas de hoje são sonhos de ontem realizados – ao menos para quem realmente tem conquistas, pois há pessoas que conseguem viver passivas, aguardando tudo cair em suas mãos (em geral, são acomodadas e, ainda que a Providência lhes traga grandes riquezas, não dão o devido valor e permanecem com um vazio que não conseguem preencher).

Sempre tive que batalhar para alcançar o que desejava. Nunca me acomodei. Mas todas as vitórias se forjaram, primeiro, em sonhos que ansiava realizar. Sim! Sonhar é bom e tem efeitos muito positivos. E, a melhor maneira de fazer os sonhos realidade é trabalhando para torná-los concretos e, isso aprendi também com os rosacruzes, construir no plano mental os alicerces para as realizações, o que é feito por meio da técnica milenar da visualização. A fórmula é: sonhar, visualizar, trabalhar, realizar (ou saber, ousar, querer e calar, diriam os sábios).

Nos primeiros 40 anos de vida, concluí um Mestrado, um Doutorado, quatro Especializações e duas Graduações. Publiquei alguns livros. Busquei difundir conhecimento. E todos esses projetos nasceram de sonhos que, com visualização, planejamento, e muito esforço e dedicação, tornaram-se realidade.

Tenho sede de conhecimento. Desde cedo, busco ampliar meus horizontes e obter mais e mais informações sobre o mundo e as pessoas. Por isso gosto de estudar. Daí as duas graduações, as especializações, o mestrado e o doutorado. E não pretendo parar por aí. Só pararei de estudar e de buscar conhecimento quando passar pela maior e mais certa experiência de todos os seres vivos: a Grande Iniciação. E quanto mais conhecimento obtiver, mais pretendo difundi-lo, seja por meio de aulas, palestras, artigos ou livros.

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Não fiz um Mestrado só por fazer. Não me contentaria com mais uma dissertação acadêmica esquecida nas prateleiras de um repositório na universidade. Ingressei no mestrado com uma proposta de estudo sobre integração latino-americana. Claro que logo mudei meu tema: decidi tratar de um assunto sobre o qual nenhum outro lusófono já havia tratado em um trabalho de pós-graduação: o Julgamento de Nuremberg.

Poderia passar horas dissertando sobre Nuremberg (pouparei o leitor disso, fique tranquilo). O que me levou a estudar o caso, a ir aos autos (42 volumes em francês, que encontrei na Biblioteca do Superior Tribunal Militar, em Brasília), transportar-me para a sala de audiências daquela corte, naqueles onze meses de 1945 e 1946, foi a vontade de conhecer sobre a natureza humana, sobre a história do maior conflito de todos os tempos, e sobre o julgamento dos acusados de crimes de guerra, crimes contra a paz e contra a humanidade. E tive uma experiência tremendamente fascinante, envolvente. Éramos eu e os réus, juízes, promotores e testemunhas de Nuremberg.

Após três anos de intenso trabalho e uma Dissertação de mais de 300 páginas, fui aprovado pela banca examinadora e obtive o título de Mestre em História (lembrando que História é uma grande paixão). Interessante que a outorga do título, feita na hora pela Presidente da Banca (minha orientadora e amiga, Albene Menezes) teve efeitos de um gesto final de uma iniciação, como se a espada do conhecimento estive colocada sobre minha cabeça. Esse momento, no Mestrado, foi mais importante que qualquer outro título futuro, e jamais me esquecerei dele.

Como o título de Mestre, estava habilitado a lecionar no ensino superior. Foi o que fiz. E pude difundir conhecimento. E ali começou a trajetória como professor universitário, que nunca abandonei, pois, como já disse em outra crônica, aprendemos muito dando aula e com nossos alunos.

Mas não consigo ficar quieto. Por ser inédito, achava que o tema de minha Dissertação poderia dar um bom livro. Fiz algumas adaptações, apresentei a editoras de Brasília e de outras cidades. Algumas não deram resposta, outras retornaram dizendo que não tinham interesse, e uma, daqui de Brasília, deixou-me em banho-maria por vários meses para, no final, retornar dizendo que não valeria a pena publicar meu livro. Essas repostas seriam suficientes para fazer desistir a muita gente, mas não a mim. Continuei tentando. Meu sonho era publicar um livro sobre o Julgamento de Nuremberg.

Foi quando recebi uma carta de uma editora de médio porte do Rio de Janeiro, a Renovar, interessada em publicar a obra. Aceitei a proposta. Passados alguns meses, saiu a primeira edição, cujo lançamento foi em setembro de 2001: “Tribunal de Nuremberg, 1945-1946: a Gênese de uma Nova Ordem no Direito Internacional”. Apesar de muito específico, o livro rendeu uma segunda edição, em 2004. E o nome do filho de Seu Jacob e Dona Conceição ficou associado definitivamente ao Julgamento de Nuremberg aqui no Brasil.

O primeiro livro trouxe grandes satisfações, não em termos de direitos autorais, mas de difusão de nossas reflexões e projeção de nosso trabalho. Também conseguiu alcançar o público em geral, o que me deixou tremendamente feliz. Afinal, busco escrever de maneira simples, pois me alegro quando descubro que meu texto é compreendido por “não-iniciados”. Isso me realiza. E aqui conto um episódio que me deixou muito feliz: certa feita, encontrei meu amigo Erick Vidigal, com sua filha de 15, 16 anos, lá no Ceub (a faculdade onde Erick e eu lecionávamos). Qual não foi o regozijo quando me disse que ela havia lido o “Tribunal de Nuremberg”, gostado, e tinha alguns comentários a fazer sobre o caso! Ganhei o dia!

O Tribunal de Nuremberg encontra-se esgotado. Desde 2006, a Editora não me presta contas sobre as vendas ou a situação do livro. Tentei inúmeros contatos, sem sucesso. Isso me decepcionou muito com uma editora que reputava séria. Pretendo atualizar o livro e buscar outro editor que queira republicá-lo. Quem sabe não o consigo com quarenta anos!

Quando se acaba um mestrado, ainda mais como foi o meu, a sensação é de que você vai embora da universidade e deseja nunca mais passar por lá. Isso é perfeitamente normal e aconteceu comigo. Mas a sede de continuar os estudos, o sonho de progredir academicamente, e a ânsia por conhecimento me fizeram voltar, em 2004, para um programa de doutorado. A proposta inicial da tese era sobre o Brasil e questões de Defesa na América do Sul – coincidentemente, um certo professor da UnB a quem mostrei minha proposta de trabalho, algum tempo depois, montou um projeto de pesquisa em termos muito parecidos, com o qual conseguiu alguns recursos, inclusive de fundações estrangeiras (ali conheci mais uma faceta da canalhice acadêmica!). Mas acabei mudando para um assunto que me apraz ainda mais que Defesa: Inteligência.

Foram quatro anos de doutorado, com uma pesquisa aprofundada que rendeu uma Tese de cerca de 800 páginas (fora os anexos, que entreguei em CD) sobre os sistemas de inteligência no Brasil e no Canadá e seus mecanismos de controle – outro assunto inédito no País. Ao final de seis horas de banca examinadora, fui aprovado e recebi o título de Doutor em Relações Internacionais. Mais um sonho realizado! Era o primeiro com mestrado dos dois lados da família, e também o primeiro com doutorado. E, o melhor de tudo, conhecia mais sobre Inteligência ao final do doutorado do que quando ingressara nele!

Li uma vez que não adianta ter doutorado e não dar bom dia ao porteiro. Concordo plenamente! Mesmo com todo o esforço para gerar a tese, posso assegurar que um título de Doutor não faz ninguém melhor que outra pessoa. E se tentarem afirmar de forma diferente, estão mentindo. Não adquiri superpoderes, não fiquei mais inteligente, e continuo com os mesmos anseios e necessidades de todo ser humano. Por isso, quando um idiota pernóstico vier tripudiar sobre alguém se dizendo melhor porque é “Doutor nisso ou naquilo”, tenha a absoluta certeza de que a maior característica dessa pessoa, e que a diferencia de você, é que ela é “um idiota pernóstico”.

De toda maneira, o doutorado me permitiu alçar voos mais altos e obter certo reconhecimento no meio acadêmico e na comunidade de inteligência. E, como não poderia deixar o conhecimento apodrecendo como água parada, tenho buscado publicar com constância sobre o assunto, com destaque para os dois livros “Atividade de Inteligência e Legislação Correlata” (já na terceira edição) e “Políticos e Espiões: o controle da Atividade de Inteligência” (caminhando para a segunda). Daí advieram palestras, cursos e artigos… E pude contribuir para difundir o conhecimento sobre um tema tão hermético.

Enfim, nestes primeiros quarenta anos, busquei adquirir o máximo de conhecimento que consegui. E, sob a proteção do Criador, pude compartilhar com muita gente esse conhecimento, o que me deixa bastante realizado. Pretendo continuar estudando, lecionando, escrevendo, palestrando, adquirindo e difundindo conhecimento. Sou feliz assim. E pretendo fazer muito mais nos próximos quarenta anos.

Em tempo: seguem algumas fotos de lançamentos de meus livros, oportunidade sempre muito agradável de encontrar os amigos!

[Em 2019, o Atividade de Inteligência encontrava-se na 6ª edição, o Políticos e Espiões na 2ª, havia publicado outro livro, Terrorismo: conhecimento e combate, em parceria com meu amigo Marcus Reis, e não parei de escrever…]

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38. Pequeno grande homem (05/12/2014)

Vossos filhos não são vossos filhos. 
São os filhos e as filhas da ânsia da vida por si mesma. 
Vêm através de vós, mas não de vós. 
E embora vivam convosco, não vos pertencem. 
Podeis outorgar-lhes vosso amor, mas não vossos pensamentos, 
Porque eles têm seus próprios pensamentos. 
Podeis abrigar seus corpos, mas não suas almas; 
Pois suas almas moram na mansão do amanhã, 
Que vós não podeis visitar nem mesmo em sonho. 
Podeis esforçar-vos por ser como eles, mas não procureis fazê-los como vós, 
Porque a vida não anda para trás e não se demora com os dias passados. 
Vós sois os arcos dos quais vossos filhos são arremessados como flechas vivas. 
O arqueiro mira o alvo na senda do infinito e vos estica com toda a sua força 
Para que suas flechas se projetem, rápidas e para longe. 
Que vosso encurvamento na mão do arqueiro seja vossa alegria: 
Pois assim como ele ama a flecha que voa, 
Ama também o arco que permanece estável.
Gibran Khalil Gibran

 

Os místicos sabem que, pelas leis cármicas, uma família é brindada com filhos essenciais para seu aprendizado. Certas escolas ensinam que a personalidade-alma escolhe o lugar e a família em que pretende encarnar. Assim, cada filho é uma benção, uma oportunidade de crescimento para os pais, e um ser para com o qual se deve ter toda responsabilidade. Não é à toa que os chamamos de “presentes de D’us”.

Fui abençoado com o nascimento dele, com sua escolha de nascer no seio de minha família. E ele veio e se mostrou como o ser humano mais maravilhoso que conheci em toda minha existência. É inteligente, amigo, companheiro, alegre, sábio, responsável e nobre. Impressiona quantas qualidades podem se acumular em uma criatura tão jovem e pequena.

Desde bem criança, já demonstrava uma preocupação com o outro que falta a muitos adultos. Sua sensibilidade para com a dor e o sofrimento alheios surpreendem. Sempre alegre e paciente, percebi nele também equilíbrio e senso de responsabilidade pouco comuns entre os da sua idade. E é de uma bondade cativante – não por acaso, seu nome em hebraico significa “D’us é bondoso”.

Também é um sujeito que gosta de gente. Ainda bem pequenininho, falava com todo mundo e tinha usualmente um elogio que deixava a pessoa completamente seduzida. É popular entre os colegas. Relaciona-se bem com todos. Lembro-me quando foi escolhido, com 4 ou 5 anos, para representar São José no Auto de Natal de sua turminha da escola. Sorrio sempre que me recordo da imagem do “meu São José” chegando em Belém, puxando Nossa Senhora em um cavalinho de madeira, e saudando a todos que assistiam à apresentação, enquanto caminhava pelo palco: “Oi, tudo bem?”, “Como vai?”, tchauzinho para cá, tchauzinho para lá, representou de maneira pouco usual o São José bíblico.

Teria sido também sua popularidade a causa de uma namoradinha da escola – tinha duas, conta ele (de nomes iguais para evitar confusão, creio) – ter decidido não querer mais nada com ele. “Ela disse que eu falo com todo mundo e por isso não quer mais saber de mim! Tudo bem.”, comenta com uma tranquilidade que só é possível aos justos e de coração puro.

Claro, como toda criança, adora brincar. Sempre gostou de máquinas, desde bem pequenininho: carros, naves, aviões, transformers. E monta coisas com lego que eu jamais conseguiria (e que, de fato, ainda hoje me são impossíveis). Já disse que quer ser cientista quando crescer, trabalhar na NASA (“na NASA, papai, não na BRASA”), para projetar foguetes e, em suas próprias palavras, “módulos espaciais”. Quando pergunto se quer ser astronauta, responde de pronto: “não, astronauta não. Quero ser projetista de sondas espaciais”. Esse é meu garoto.

Meu garoto já é um grande homem. E meu amor por ele é incondicional, assim como o respeito que tenho por este ser de grande luminosidade. Os filhos deveriam aprender com os pais, mas sou eu que aprendo a cada dia com ele. Teria ainda muitos episódios para contar aqui, mas deixo para outra ocasião.

Faltam palavras, então serei sucinto e encerro agora. Só o que posso dizer é que nunca vi ninguém com espírito tão elevado. A 3 dias de meus 40 anos, posso assegurar, incontestavelmente, que ele é a maior benção de minha vida. Agradeço ao Criador por me permitir ser o pai dessa grande alma.

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37. A mulher da minha vida (04/12/2014)

Eu tenho tanto pra lhe falar
Mas com palavras não sei dizer
Como é grande o meu amor por você.

Roberto Carlos

Este e o próximo texto são os mais difíceis de escrever. Afinal, como expressar em palavras o que sinto por duas pessoas que são a razão da minha existência? Vou começar com ela, a pequena notável, aquela que, em questões de segundos, fez minha vida nesta encarnação mudar para sempre.

Lembro, como se fosse hoje, do dia em que ela nasceu. Havíamos passado o sábado resolvendo coisas em Brasília, passeando com a sogra. Algumas reclamações de dor. A mãe queria tomar um Buscopan. Não deixei. Continuamos passeando. À noite, as dores tornaram-se mais intensas e fomos para o hospital. O trabalho de parto prosseguiria até a manhã de domingo.

Fomos para o centro cirúrgico. O parto seria normal – e realmente foi. E eu junto – não perderia aquele momento por nada. Pude, assim, testemunhar o milagre do nascimento: dor, choro, grito, esforço, alívio, alegria… imensa alegria! Experiência única e universal pela qual todos já passamos. Continuidade da espécie. Linhagem que se mantém. E, naquele instante em que ela chegava para a Luz, tudo mudou em nossa vida!

O nascimento dela foi marcante. Quando a vi, a emoção preencheu todo meu ser. Segurei as lágrimas – tinha que ser forte (só viria a chorar e a voltar a dormir dois dias depois, quando as levei para casa – aí desabaria e poderia me entregar ao caleidoscópio de emoções que só um filho recém-nascido pode causar em um pai). O médico me concedeu uma grande honra: cortei o cordão umbilical. Naquele momento, eu a separava fisicamente de sua mãe e a apresentava ao mundo. E ela passava para meus braços: frágil, doce, bela. Felicidade é a palavra!

Desde então, minha vida realmente mudou. Só quem é pai sabe o que é amar incondicionalmente alguém a ponto de não pensar, nem por um segundo, se tiver que dar a vida pela pessoa amada. Minha pequena, minha menina, meu tesouro precioso. Impossível expressar em palavras o amor paterno.

E cresce a cada dia. Como todo filho, consegue me tirar do sério em vários momentos. Mas também consegue me fazer imensamente alegre com um simples sorriso, um gesto, uma palavra. Orgulham-me sua genialidade e suas conquistas. Em 2014, tenho que compartilhar, foram uma Medalha de Ouro na Olimpíada Nacional de Robótica e uma de bronze na Olimpíada Nacional de Astronomia. E aí o pai desaba!

Claro que há as conquistas do dia a dia! As primeiras palavras (não pararia mais de falar), os primeiros passos… A fralda suja no quadradinho com cocô espalhado – e eu sozinho, dando banho, trocando a fralda e limpado o estrago. O primeiro dia na escola – pais tensos, preocupados, e a criatura vira e diz, com ar soberano: “Podem me deixar aqui que sigo sozinha, tá?” – independência aos 3, 4 anos… Momentos únicos que nos fazem entender o sentido da vida…

Ela me lembra muito a Mafalda, de Quino. Extremamente crítica, gosta de, desde os 8, 9 anos, discutir política, protestar contra abusos do governo, defender os oprimidos. Lê intensamente e gosta de conhecer sobre tudo. Sua paixão, expressa já na mais tenra infância, são os animais – conhece tudo sobre eles, inclusive sobre os extintos há milênios. Quer ser bióloga, isso já dizia desde muito cedo. Mas acho que poderia ser uma ótima advogada, pelo senso crítico, conduta contestadora e vontade de defender os necessitados. No final das contas, a decisão será dela.

Às vezes, é difícil percebê-la como uma criança, dada à maneira crítica e escorreita como se expressa. Parece uma pequena adulta nos gestos, no palavreado e nas reflexões. Aí tenho que estar atento para me lembrar que é apenas uma menina, uma pré-adolescente, uma flor ainda por desabrochar. Claro que é, e sempre será, para este pai, uma menina, a minha menina.

Não escreverei mais nada sobre ela. Faltando 4 dias para completar 40 anos, o que posso dizer é que ela, junto com o irmão, são o grande motivo para meus esforços por um futuro melhor, em casa, no trabalho e na vida pública. Digo, ainda, que ela chegou e, sem a mínima noção disso, arrebatou meu coração, conquistou-me de imediato, e é, e será sempre, a grande mulher da minha vida. Obrigado, filha, por ser o que você é, e por me fazer pai!

 

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