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Sobre Joanisval

Brasiliense. Doutor em Relações Internacionais e Mestre em História. Graduou-se em Relações Internacionais e em Direito. É advogado, professor universitário e consultor legislativo do Senado Federal. Monarquista convicto. Contato: joanisval@gmail.com.

Nenhuma bandeira vermelha me representa!

bandeiras_imperio_republicaNão sei se sou apenas eu, mas fiquei muito irritado e incomodado com a imagem de estudantes hasteando uma bandeira vermelha após arriarem a bandeira brasileira na invasão à reitoria da Universidade Federal de Santa Catarina. Confesso que me embrulha o estômago ver bandeiras vermelhas, com foice e martelo ou estrela, em manifestações, passeatas e protestos pelo Brasil.

Por que me ofendo tanto em ver esse gesto obsceno de substituição da bandeira brasileira por um pano vermelho? É pelo simbolismo da ação, simbolismo esse de que talvez a maioria dos idiotas que agiram daquela maneira nem tenha noção (os líderes do movimento sabiam o que estavam fazendo, mas o restante, como sempre, era massa de manobra, marionetes).

brasil06oPor que me ofendo tanto em ver esse gesto obsceno de substituição da bandeira brasileira por um pano vermelho? Porque a bandeira é um símbolo de um conjunto de idéias e, no caso do pavilhão nacional, de valores e princípios que servem de alicerce para nossa cidadania, nossa nacionalidade e nossa soberania. É a marca mais reconhecível de nosso povo, dos valores que nos unem, dos desafios que enfrentamos, dos anseios e sonhos que temos. Substituir a bandeira nacional por um pano vermelho é gesto, portanto, marcado por simbolismos.

Substituir a bandeira nacional por um pano vermelho é ofender nossa nacionalidade. Substituir a bandeira nacional por um pano vermelho é se levantar contra valores de cidadania e patriotismo. Substituir a bandeira nacional por um pano vermelho é deixar claro que um conjunto de idéias confusas (isso na melhor das hipóteses de que aquele pano sujo represente alguma coisa) são mais valiosas e valorosas que tudo aquilo que o pavilhão nacional representa.

Operation unified ResponseNenhuma bandeira vermelha me representa. E incomoda-me que estudantes, em nome de uma rebeldia infantil, de total alienação ou apenas como desculpa para fumarem maconha e posarem de revolucionários de verniz, saiam por aí hasteando bandeiras vermelhas em substituição ao pavilhão verde-amarelo. Os mentecaptos que fazem isso deveriam realmente estudar, conhecer a História, e aí saberiam quantos males foram causados sob a égide de bandeiras vermelhas… Sim, porque bandeiras vermelhas costumam estar associadas a sangue derramado, a idéias de ódio e rancor, a regimes totalitários e ao uso da violência e do terror, ainda que encobertos por um discurso de paz e solidariedade, para que homens oprimam outros homens.

dragao_bandeiraNenhuma bandeira vermelha me representa. A bandeira que me representa tem verde e tem amarelo. A bandeira que me representa se destaca como a de um País que tem todas as condições de ser grande, de um povo multiétnico e tolerante, de uma gente que batalha pela sobrevivência, que derrama seu suor na labuta desconhecida de muitos daqueles estudantes com seu discurso alienado. Diga-se de passagem, é o suor desses trabalhadores (e que talvez nunca tenham a oportunidade de chegar à universidade) que paga os impostos para custear as aulas (cabuladas) dos estudantes que protestam e a manutenção do patrimônio público que é por esses jovens rebeldes depredado. Rebeldia sem causa se cura com trabalho…

Nenhuma bandeira vermelha me representa, sobretudo quando a causa daqueles que a carregam é mesquinha, espúria e sem sentido. Estudante de universidade pública tem mais é que estudar, e não ficar fazendo manifestação para protestar contra tudo ou contra nada, ou ficar se drogando no campus. Repito, aquilo que sai de graça para ele é fruto dos impostos que toda a sociedade paga. O mínimo que deveria fazer é honrar esse sacrifício de milhões de brasileiros.

Nenhuma bandeira vermelha me representa. A bandeira que me representa tem verde e tem amarelo. E nosso pavilhão é lindo, com cores nacionais forjadas nas lutas à época da independência, de um Brasil que já foi um grande Império, uma nação altiva e promissora… são cores que há muito estão presentes no imaginário do brasileiro e simbolizam nossa nacionalidade.

bandeira esplanadaA bandeira que me representa tem verde e tem amarelo. É bandeira que esteve em momentos decisivos de nossa história (nas lutas pela unidade nacional, nos combates pela consolidação do território, na guerra contra o invasor paraguaio, na belíssima e heroica campanha de nossos pracinhas nas terras da Itália, na campanha pelas diretas)… É bandeira em nossos navios, nos produtos que exportamos, nos uniformes de nossos soldados e de nossos atletas, na camiseta da seleção canarinho, nas mãos do saudoso Ayrton Senna…

E-viva-o-povo-brasileiroA bandeira que me representa é aquela que simboliza uma nação que, conforme uma antiga canção militar, foi forjada “com fibra de herói, de gente brava”, mas também de um povo que preza pela paz e pela alegria de viver, cuja marca é a obstinação, tolerância, companheirismo, um povo que tem uma maneira singular de lidar com os desafios e as agruras da vida! Essas são as cores do meu país, essas são aos cores do Brasil, essas são as cores que simbolizam o povo brasileiro, essas são as cores que me representam.

Como é lindo nosso pavilhão! Como é lindo o losango amarelo no retângulo verde! Chamem-me de piegas, de tolo, de ingênuo, mas digo que nossa bandeira é linda, que me emociono quando a vejo, que sinto orgulho de ser brasileiro, apesar de todos os problemas com que temos que lidar como nação que quer ser grande.

Devemos ter mais apego por nossos símbolos nacionais. Devemos ter mais amor por tudo que representa nossa terra, nossas raízes, nossa história e nossa cultura singular. Devemos valorizar nosso verde e nosso amarelo e jamais permitir que um trapo vermelho nos represente…

Brazilian Formula One champion Ayrton Senna takes

VEJA

Universidades 27 de Março de 2014 Santa Catarina

UFSC: invasores da reitoria trocam bandeira nacional por pano vermelho

Direção admite que sabia de uso de drogas no campus. Delegado da PF diz que reitoria quer transformar instituição em ‘república da maconheiros’

Por Bianca Bibiano
Bandeira vermelha na UFSC
Estudantes que participam da ocupação na reitoria da UFSC substituíram a Bandeira Nacional por uma vermelha (RBS TV/Reprodução)

Os alunos da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) que participam da ocupação da reitoria arriaram, nesta quinta-feira, a bandeira nacional que ficava no mastro principal da instituição e a substituíram por um pano vermelho com a inscrição “Reitoria Ocupada”. Contrário ao ato, um grupo de estudantes levou a bandeira brasileira para o Centro Tecnológico da instituição e a hasteou a meio-mastro em sinal de protesto. Pelo Facebook, o grupo afirmou também que fará uma passeata para “mostrar que nem todos os estudantes da UFSC concordam com essa ocupação da reitoria”.

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A crise da Crimeia sob uma perspectiva russa…

Alexander ChekalinExcelente artigo da Der Spiegel sobre a maneira como o Kremlin percebe a situação da Crimeia. Recomendo a leitura, sobretudo a meus alunos de Relações Internacionais. Muito interessante o fato de, como assinala o texto, a popularidade de Putin ter saltado de 67% à época dos jogos de Sochi para cerca de 80% hoje. Isso significa o apoio que o governante tem da população, que o vê como um líder forte e obstinado (exatamente do que os russos gostam…). Note-se, ainda, que até Gorbachev, prêmio Nobel da Paz, e último dirigente da União Soviética, fala em defesa de uma Crimeia na Federação da Rússia.

As perguntas centrais do artigo também merecem reflexão: a “reunificação”  da Crimeia é apenas mais um movimento contrário à redução da Rússia à condição de potência regional, em uma tentativa de recuperar a influência da época soviética, ou se trata do começo de uma série de “reconquistas” de um país que há séculos se vê como a potência hegemônica da Europa Oriental? Seria Putin um neoimperialista ou um líder que, colocado contra a parede pelas pressões domésticas e pelos desafios externos, mostra-se decidido em proteger os interesses de segurança nacional de seu país?

RUSSIA-UKRAINE-POLITICS-CRISIS-KREMLINOutra questão interessante se refere à percepção estratégica para a Defesa da Rússia diante da OTAN. O artigo assinala com propriedade que, nos tempos da União Soviética, a distância entre Moscou e as linhas da OTAN era de 1.800 km. Caso a Ucrânia ingresse da Aliança Atlântica (como desejam os EUA), essa distância se reduzirá a 500 km, e a Rússia perderia a “profundidade estratégica” tão relevante e que a protegeu das invasões de Napoleão e Hitler… Sete décadas após o fim da II Guerra Mundial, essa preocupação se mantém presente no imaginário daquele povo e na doutrina militar russa. Nesse sentido, continuo achando que o ingresso da Ucrânia na OTAN seria não só humilhante, mas inaceitável para Kremlin (e com razão, se considerarmos a perspectiva russa).

Destaco, por oportuno, a parte do artigo que se refere às possibilidades russas diante da crise e das restrições que lhe são feitas pelos ocidentais. No que concerne à Ucrânia, Putin tem o tempo e as populações russas naquele país a seu favor. Afinal, apesar das reticências do governo de Kiev, o país ainda é muito dependente de seu irmão-maior eslavo, e a minoria russa na Ucrânia é expressiva. Em termos de potências ocidentais, parecem que estas têm mais a perder do que a Rússia em uma queda de braço com Moscou. A economia européia depende mais da energia russa que os russos do comércio com a Europa. 

Finalmente, em se tratando de oportunidades, restrições ocidentais à Rússia podem fazer com que o maior país do mundo se volte para a Ásia, com novas parcerias com a China e a Índia (ambos que necessitarão, cada vez mais, de energia e matéria-prima que os russos têm de sobra). Nesse contexto, oportunidades podem surgir também para países mais afastados, como o Brasil. A falta de posicionamento do governo brasileiro nesta crise pode ser, em última instância, positiva para os interesses econômicos e geopolíticos do Brasil – desde que saiamos, alguma hora, da inércia.

Continuo acreditando que a anexação da Crimeia pela Rússia é fato consumado. Muito difícil reverter essa situação. O jogo, porém, não acabou. Ainda há muitas peças neste tabuleiro, e nenhum dos reis está nem de longe em xeque. Enquanto acompanhamos os movimentos, aproveito para lembrar que os russos são conhecidos por sua habilidade no xadrez…

People pass a mural showing a map of Crimea in Russian national colours on a street in Moscow

SPIEGEL ONLINE
03/25/2014 06:10 PM

‘Dear to Our Hearts’ – The Crimean Crisis from the Kremlin’s Perspective

By Matthias Schepp

The EU and US have come down hard on Russia for its annexation of the Crimean Peninsula. But from the perspective of the Kremlin, it is the West that has painted Putin into a corner. And the Russian president will do what it takes to free himself.

Last September, Vladimir Putin invited Russia experts from around the world to a conference, held halfway between Moscow and St. Petersburg. At the gathering, the Russian president delivered a passionate address. “We will never forget that Russia’s present-day statehood has its roots in Kiev. It was the cradle of the future, greater Russian nation,” Putin said. He added that Russians and Ukrainians have a “shared mentality, shared history and a shared culture. In this sense we are one people.”

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O Urso está lá… e tem fome.

Matéria interessante da Deutsche Welle sobre o temor das ex-repúblicas soviéticas das pretensões expansionistas russas… Não acredito que Putin fará outros movimentos expansionistas por agora… Isso não quer dizer que ele parou com suas idéias de aumentar a esfera de influência de Moscou. Lembrem-se, Putin é KGB.

De toda maneira, se eu tivesse a Rússia como vizinho também estaria preocupado (menos a China, claro, porque a China não precisa se preocupar…).

Ex-repúblicas soviéticas na mira de Moscou

Depois da Crimeia, outros vizinhos da Rússia podem ser vítimas do novo expansionismo de Putin. DW examina as situações dos diferentes países, do Báltico ao Cáucaso, passando pela União Europeia.

DW 22/03/2014

Após a anexação da península da Crimeia à Federação Russa, observadores se perguntam se o presidente Vladimir Putin teria na mira outros países na periferia da Rússia. A Deutsche Welle apresenta os eventuais candidatos na campanha expansionista do Kremlin.

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Risco de atentato: muito alto!

Nota

terrorismoTenho dito isso há anos. Espero, sinceramente, que, em termos de ações terroristas, nada ocorra durante os eventos dos próximos anos. Entretanto, qualquer um que tenha uma percepção mínima de segurança e conheça um pouco sobre terrorismo sabe que tem muitas razões para se preocupar (salvo algumas autoridades públicas, para as quais tudo segue bem, obrigado).

A matéria foi retirada da página do Sindicato dos Policiais Federais no Distrito Federal. Há quem diga que é exagero, matéria com interesse político, ou mesmo inverdade. Bom, isso não vou discutir. Ao menos serve de alerta (alerta que já tem sido dado nos últimos meses). Eu me preocuparia…

Terroristas têm 80% de chance de entrar no Brasil com falhas em aeroportos

Fonte: IG – 24/03/2014
 

Com a chegada da Copa do Mundo, aumenta a preocupação com a segurança nos aeroportos do país. Entretanto, para o presidente do Sindicato dos Policiais Federais do Distrito Federal (Sindpol-DF), Flavio Werneck, hoje o Brasil não tem uma segurança aeroportuária adequada para receber aproximadamente 600 mil turistas que são esperados durante o evento.

Nessa entrevista em vídeo ao iG, Werneck afirma que pelas condições de segurança dos aeroportos brasileiros existe “80% de chance de uma pessoa mal intencionada entrar no país (…) Entre elas, não podemos descartar a ação de terroristas”, afirma o presidente do sindicato. Continuar lendo

Lindo demais!

Bob Filho2Depois dizem que é implicância minha com o menino – ou com o regime autoritário por ele liderado!… A notícia, se não fosse trágica, seria cômica. Porém, é cruelmente verdadeira, e revela como funciona (?) o país em que venceram os ideais socialistas. E o pior é que, tão surreal quanto a determinação “do corte” a ser adotado pelos homens da Coréia do Norte (nos moldes estilosos de Bob Filho, o pequeno notável), era a regra dos 28 cortes [18 femininos e 10 (!) masculinos] pelos quais os norte-coreanos poderiam optar!!! Sim, há pessoas vivendo sob um regime assim no século XXI.

Quando vejo no Brasil discussões acaloradas, especialmente nos meios acadêmicos e junto à pseudintelectualidade artística e cultural (o que Constantino chama de “esquerda caviar”), e as defesas eufóricas da alternativa “de esquerda” pelas viúvas do socialismo/comunismo, sinceramente fico na dúvida se é ingenuidade, má-fé, ou idiotice pura. Penso na Coreia do Norte e lembro, automaticamente, do romance “1984”. E há quem ainda simpatize por ditaduras como aquela…

26/03/2014 13h21 – POR ÉPOCA NEGÓCIOS ONLINE

KIM JONG UN DETERMINA QUE TODOS UNIVERSITÁRIOS DA COREIA DO NORTE TENHAM O MESMO CORTE DE CABELO QUE ELE

NO ANO PASSADO, O GOVERNO JÁ HAVIA RESTRINGIDO OS CORTES DOS HOMENS EM APENAS ’10 OPÇÕES’

Até o início desse mês, os cidadãos da Coreia do Norte podiam cortar os seus cabelos de acordo com um dos 28 cortes (sendo 18 para as mulheres e 10 para homens) definidos e aprovados pelo governo. Se o fato já soa estranho, agora, o governo coreano limitou ainda mais as opções dos homens, especialmente os estudantes. Segundo a BBC, todos os universitários coreanos serão obrigados a cortar os cabelos no mesmo ‘estilo’ e corte do líder do país, Kim Jong-Un.

A rede de notícias informou que as autoridades do país instituíram a regra há duas semanas, mas só agora a notícia saiu da Coreia.  Além de restringir os cortes, os coreanos parecem não ter gostado nada da única opção que lhes restou. Segundo a BBC – citando um jornal coreano – um cidadão que vivia na capital do país, Pyongyang, e agora mora na China, afirmou que o corte de cabelo de Kim Jong-Un é impopular por aparentemente lembrar o “estilo dos contrabandistas chineses”. De acordo com a BBC, não há a confirmação de que a medida seria estendida a todos os homens da Coreia do Norte.  Continuar lendo

Concurso para Consultor da Câmara dos Deputados – aula e dicas

Meus caros,

Uma vez que alguns alunos têm perguntado se darei aulas com dicas para o Concurso de Consultor da Câmara dos Deputados, informo que pretendo reunir os interessados para uns encontros, nos quais tratarei de “temas quentes” para a prova. Pensei nos dias 27/03 (noite), 29/03 (tarde), 04/04 (noite) e 11/04 (noite). A ideia é tratar de aspectos pontuais e, dependendo do interesse, passar algumas orientações sobre a realização das provas subjetivas (por exemplo, como elaborar uma minuta de parecer). Ah, sim! Podemos pensar em um grupo para a área XVII e um para a área XVIII.

Para maiores informações e valores, os interessados, por favor, entrem em contato pelo e-mail: joanisval@gmail.com.

Abraço!

camara

Crimeia: agora a coisa está russa!

putin_acordo5-640x427Nesta sexta, um decreto de Vladimir Putin confirmou o ingresso da Crimeia na Federação da Rússia. As pessoas têm-me perguntando a respeito. Algumas reflexões, portanto:

1) Difícil dizer se Putin tem uma “grande estratégia” para a região, para o entorno soviét…, digo, russo, ou mesmo para uma política externa retrô, que reviva os tempos da Guerra Fria. Mas, o que posso dizer é que, indiscutivelmente, Putin e Levrov não são bobos ou ingênuos nesse jogo, e não agem movidos por emoções ou achismos. Sabem que estão em um jogo, um grande jogo, e calculam seus movimentos…

2) Com o referendo de 16 de março, do qual participaram 1,2 milhão de eleitores (de um total de 1,5 milhão aptos a votar), 96,8% dos votantes decidiram pela incorporação à Rússia. Apesar da presença de tropas russas disfarçadas de russas e das críticas ocidentais, parece pouco crível que o povo da Crimeia não quisesse essa opção. Afinal, 58% dos habitantes são russos, a região sempre pertenceu à Rússia e é área de interesse estratégico do Kremlin. Vejo aí uma iniciativa brilhante de Moscou, pois o valioso princípio da autodeterminação dos povos, tão caro dos ocidentais, imperou nas urnas. O que pode ser dito contra 96,8% de eleitores? Valeria a pena afrontar os russos por algo que a população da península decidiu?

manchetes-russia-ucrania-crimeia-g73) A Crimeia volta, portanto, à Rússia, onde sempre esteve e de onde nunca deveria ter sido tirada (o que ocorreu por uma decisão de Krushev, em 1954). E, em que pesem os protestos de Kiev, parece fato consumado. Afinal, já foi dada a ordem para as tropas ucranianas deixarem o território da Crimeia e os ocidentais, apesar dos protestos, não ousaram movimentos mais firmes.

4) Moscou ganha a Crimeia, mas perde a Ucrânia. Nesse sentido, Kiev deve migrar para a esfera de influência da União Européia. Resta saber se os russos vão deixar isso acontecer, pois pareceria uma derrota da política externa de Putin.

crimeia russia5) Diante da reação tísica do Governo Obama, e da resposta firme de Moscou, parece que essa jogada foi vencida pelo Kremlin. Daí para imaginar um abalo mais profundo nas relações entre russos e estadunidenses, creio que isso não ocorrerá… As forças agregadoras são maiores.

6) As tropas da OTAN já estão em alerta na Polônia e nos Países Bálticos. Tudo indica que os russos pararão na Crimeia (ao menos por enquanto). De toda maneira, se fosse da OTAN estaria com as barbas de molho…  E não me surpreenderia se Moscou começasse a reorganizar um novo Pacto de Varsóvia (o que faria tremer todo mundo a Oeste do Dnieper – menos os bielorrussos, que serão sempre aliados dos russos).

Continuamos atentos aos desdobramentos nas terras eslavas… Ainda não acabou…

crimeia russia2

RIA Novosti

Putin Signs Final Crimea Reunification Decree

17:37 21/03/2014

Russian president Vladimir Putin signed a decree Friday on the ratification of the treaty providing for the reunification of the Crimean Peninsula with Russia.

MOSCOW, March 21 (RIA Novosti) – Russian President Vladimir Putin signed a decree Friday on the ratification of the treaty providing for the reunification of the Crimean Peninsula with Russia.

The treaty had been already ratified by both houses of the Russian parliament. Continuar lendo

O mundo perdido do Comunismo – O Paraíso Socialista

crimes comunismoInteressante a quantidade de jovens que vemos em redes sociais defendendo uma “alternativa socialista” (porque ninguém tem mais coragem de falar em comunismo nesses termos) e condenado a “sociedade capitalista exploradora” (condenam, apesar dos benefícios que usufruem dela, como a própria tecnologia de hardware e software por meio da qual protestam e rede social em que operam). Irritante como qualquer discurso contrário às idéias dessas pessoas é chamado de “fascista” (o termo voltou à moda no Brasil e em alguns lugares do mundo, como nos bons tempos da Guerra Fria e da Cortina de Ferro) ou de autoritário. Tudo isso tomando-se como ícones pensadores de esquerda e “heróis da luta dos trabalhadores” (como o famigerado Guevara, sobre o qual muito pouco verdadeiramente conhecem).

Impressiona-me, realmente, como as gerações atuais são iludidas com o discurso do “paraíso socialista”, ou de como as idéias que construíram regimes autoritários e genocidas são um ideal de “liberdade, democracia e fraternidade entre os povos” – não são. De fato, sob o signo da foice e do martelo foram perpetradas grandes atrocidades nos últimos cem anos. O socialismo trouxe dor e sofrimento a muita gente. Liberdade não houve, tampouco democracia.

anticomunismoEssas reflexões me vieram quando revia um documentário muito interessante da BBC (cujo título é o deste post) sobre a maneira como as pessoas viviam sob os regimes socialistas. Tenho estudado o tema, mesmo. Em visita a países do Leste Europeu, sempre busco a oportunidade de conversar com pessoas que viveram sob os regimes socialista que imperavam naquela parte do mundo até o fim da década de 1980. A maioria absoluta das pessoas com quem conversei tinha histórias e lembranças ruins daquela época e repudia o socialismo/comunismo.

Triste e inadmissível como pessoas permanecem iludidas por aqui, em Pindorama. Preocupante como muitas defendem essas idéias, inclusive na estrutura do Estado e no governo. Aterrorizante como tem gente que acha que aquilo era uma coisa boa e prega uma guinada cada vez mais à esquerda para o Brasil.

muro de berlimO sonho socialista/comunista mostrou-se um pesadelo. Não quero, de forma alguma, essa alternativa para o Brasil. Alguém precisa esclarecer as novas gerações de que não existe bem maior que a liberdade e regime mais valoroso que a democracia (apesar de todos os seus defeitos).

Recomendo o documentário “O mundo perdido do Comunismo – O Paraíso Socialista“. Para acessá-lo, clique aqui.

portao de brandenburgo queda do muroE, para quem quiser conhecer mais a respeito das atrocidades sob o signo da estrela vermelha, indico “O Livro Negro do Comunismo” (Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 1999), editado por Stéphane Courtois, obra coletiva de professores e pesquisadores europeus, e lançado originalmente na França, em 1997. Trata-se de trabalho sério e científico, que faz um inventário da repressão política conduzida nos regimes socialistas/comunistas. A primeira referência que tive sobre esse livro foi do saudoso Roberto Campos. Logo comentarei um pouco mais aqui sobre a obra…

russiansoldiers

Amigos, amigos, negócios…

Reportagem da Spiegel sobre “indisposições” no seio da OTAN, algumas delas associadas à conduta dos EUA com relação a seus aliados… Recomendo a leitura, sobretudo a meus alunos de Relações Internacionais que ainda achem que o mundo é feito de flores..

Daqui a pouco Putin propõe uma aliança no estilo Pacto de Varsóvia para atrair os povos do Leste (claro que com todos sabendo quem manda e quem pode o quê)…

Belgium NATO Ukraine

SPIEGEL ONLINE
03/06/2014 04:48 PM

Whither NATO? Difficulties in the Trans-Atlantic Relationship

An Op-Ed by Secretary William Cohen and General James Jones

Revelations about NSA spying and an unequal sharing of military burdens has cast a recent shadow over the trans-Atlantic relationship. But NATO remains just as important as ever. It is time for all alliance members to recognize that fact.

During the course of more than three decades, in our public service and private capacities, we have regularly attended the Munich Security Conference, formerly known as Wehrkunde.

The Conference initially consisted of a small group of military experts from the United States, Canada and Western Europe who discussed issues involving the threat posed by the former Soviet Union. Today, the Conference includes representatives from the business, diplomatic and military communities from all of Europe, Russia and Asia who examine the new threats posed by terrorists, religious extremists, nuclear proliferation, cyber warfare and organized crime.

Although the US delegation to the Conference included 15 members of Congress and a joint appearance by Secretary of State John Kerry and Secretary of Defense Chuck Hagel we detected the “brooding omnipresence” of a discontent for the United States that contained a whiff of anti-Americanism.

This dark overhang is due in part to Edward Snowden’s revelations about NSA’s collection activities, but it is coupled with a perception that the United States is withdrawing its interest from vast areas of the globe, including Europe, a feeling partly fueled by the “Pivot Towards Asia” declaration announced in Washington. While nothing could be further from the truth, perceptions can become reality when not effectively rebuffed by evidence to the contrary. There also seems to be a little too much enthusiasm to link this perception with the increasingly popular notion of a general “American decline”, something we have heard about in every decade since 1945. Continuar lendo

Guerra cibernética na Ucrânia

cyberattackEnquanto no Brasil se comemora o resultado do desfile das escolas de samba do grupo especial (hein?), na Ucrânia a situação está cada vez mais russa… Segue artigo muito interessante, enviado por um caríssimo amigo lá do Timor Leste, que trata de ataques cibernéticos contra aquele país.

Lembro que a guerra neste novo século pode-se dar em diferentes cenários, com as armas mais distintas. E um campo absurdamente sensível é o cibernético. Daí a importância de estarmos preparados… Daí meu pleito por investimento maciço em segurança e defesa cibernética. Os danos de um ataque no mundo virtual podem ser tão ou mais nefastos que um ataque com mísseis ou com a infantaria contra um território. Ah sim, atentem na reportagem para o comentário sutil sobre a origem do ataque.

Em tempo, sempre convém lembrar que, por ocasião da guerra entre a Rússia e a Geórgia, em agosto de 2008, antes que a primeira bota russa estivesse em solo georgiano, os sistemas deste país já haviam colapsado sob ataque cibernético. Mas, por aqui, o que importa é quem venceu o desfile do grupo especial…

Finantial Times – March 7, 2014 7:25 pm

Cyber Snake plagues Ukraine networks

By Sam Jones, Defence and Security Editor
A magnifying glass is held in front of a computer screen©Reuters

An aggressive cyber weapon called Snake has infected dozens of Ukrainian computer networks including government systems in one of the most sophisticated attacks of recent years.

Also known as Ouroboros, after the serpent of Greek mythology that swallowed its own tail, experts say it is comparable in its complexity with Stuxnet, the malware that was found to have disrupted Iran’s uranium enrichment programme in 2010.

 The cyber weapon has been deployed most aggressively since the start of last year ahead of protests that climaxed two weeks ago with the overthrow of Viktor Yanukovich’s government. Continuar lendo

8 de março

8 de março é uma data por mim sempre lembrada. Afinal, é o Dia Internacional da Mulher, momento de saudar o resultado mais perfeito da criação divina. Mulheres, vocês estão presentes em nossa vida desde antes do nascimento e viver sem vocês não faz sentido. Parabéns pela data simbólica, porque o dia da mulher deve ser cada um dos 365 do ano!

A outra razão que torna o 8 de março inesquecível para mim, também tem a ver com uma mulher. Nesta data, há exatos 15 anos, deixava este plano (ou passava pela transição, como dizemos os rosacruzes) uma grande mulher, uma grande amiga, irmã, conselheira. Vitimada pela leucemia, essa irmã lutou com todas as suas forças até o fim.

De fato, luta, garra, fibra, obstinação sempre foram palavras associadas a essa querida amiga. Mulher inteligente e batalhadora, que sorria nos momentos de dor, e dava força a quem necessitava, mesmo quanto ela mesma é quem mais precisava, foi responsável por brindar o mundo com uma filha linda, uma criança muito especial, a quem criou sozinha. Incutiu a essa menina valores, e os onze anos em que conviveram neste plano foram tão marcantes que hoje essa menina se tornou uma grande mulher, e nela se podem ver os traços da mãe, física, mental, espiritualmente e, sobretudo, de caráter. Certamente, onde ela estiver (e está em um bom lugar, tenho certeza), tem a certeza de que cumpriu sua missão nesta vida, e com louvor: sua filha é hoje uma joia muito preciosa e que encanta todos a sua volta! Tenho muito orgulho dessa menina, dessa mulher, que considero minha irmã mais nova!

Um dia a história dessa amiga será contada. E será contada, como faziam os antigos, para que todos saibam que há pessoas boas, pessoas nobres, pessoas fortes e obstinadas, com histórias de vida incríveis, e que essas pessoas estão entre nós, convivendo conosco. E servirá de exemplo. Um dia essa história será contada, talvez até por mim. Hoje porém, meu dia será de lembrança e oração. Que a Sagrada Luz que nunca se extingue nos ilumine sempre!

rosas

Putin e seus inimigos

Outra boa matéria da Spiegel sobre a questão da Ucânia. O foco aqui é em Vladimir Putin e seus argumentos. Recomendo leitura.

Military personnel, believed to be a Russian serviceman, stands guard on military vehicle outside the territory of a Ukrainian military unit in the village of Perevalnoye outside Simferopol

SPIEGEL ONLINE
03/03/2014 01:01 PM

Ukraine Conflict – Putin Strengthens His True Enemies

A Commentary by   in Moscow

Although Russia has espoused moral justifications for its invasion of Crimea, President Vladimir Putin’s move is all about geopolitics. His short-sighted logic, however, could bring Ukrainian nationalists to power — and create a whole new set of problems.

Whenever Russia pursues its own interest against the will of the international community, a dictum by Czar Alexander III springs to mind. Russia, he said, has only two allies: its army and its navy. If you can believe the Kremlin’s propagandists, however, a new, unexpected ally has come to Moscow’s defense: the Western press. According to the website “Sputnik and Pogrom,” the Western media have “begun to support the Russian Federation’s course of action in the Crimean crisis.”

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Frau Merkel e a Rússia

Matéria interessante sobre o papel de Frau Merkel na crise ucraniana. A Chanceler está à frente da principal potência européia, sabe ser prudente e firme e conhece bem os russos – melhor que qualquer outro líder ocidental. De toda maneira, está à frente da Alemanha, que há cem anos tem uma relação um pouco conturbada com a Rússia…

File photo shows German Chancellor Merkel and Russian President Putin listening to their national anthems before talks at Chancellery in Berlin

SPIEGEL ONLINE
03/04/2014 12:56 PM

Crimean Crisis – All Eyes on Merkel

By  and Gregor Peter Schmitz

As the conflict with Russia over Crimea intensifies, Germany is playing a central role in communications with Russian President Vladimir Putin. But the international community has doubts that Chancellor Angela Merkel can pull it off.

Germany had only recently announced the end of its era of restraint. German President Joachim Gauck, Defense Minister Ursula von der Leyen of the Christian Democrats and Foreign Minister Frank-Walter Steinmeier of the Social Democrats have all argued that it’s time for Germany to play a greater role in the world.

Steinmeier couldn’t have expected that he would need to follow-through on his push for an “aggressive foreign policy” so quickly. But the dramatic escalation in Crimea needs quick answers and it has become a focus of Chancellor Angela Merkel’s government in Berlin.

“Europe is, without a doubt, in its most serious crisis since the fall of the Berlin Wall,” Steinmeier said on Monday. “Twenty-five years after the end of the conflict between the blocs, there’s a new, real danger that Europe will split once again.” Continuar lendo

Mais deserções…

mísseis A Voz da Rússia anunciou nesta segunda que mais três grupos (que lá chamam de regimentos) de mísseis antiaéreos das Forças Armadas da Ucrânia  (os 50º, 55º e 147º regimentos de mísseis antiaéreos, localizados em Eupatória, Feodosia e Fiolente) passaram para o lado das autoridades da Crimeia – leia-se, Moscou. 

Segundo o porta-voz da República Autônoma, “no total, mais de 700 soldados e oficiais declararam a sua disponibilidade para defender a população da Crimeia. As unidades de defesa aérea, que passaram para o lado do governo, contam com mais de 20 complexos de mísseis antiaéreos Buk e mais de 30 sistemas de mísseis antiaéreos S-300PS”. Seriam já cerca de 5.500 soldados “ucranianos” a passar para o lado dos russos.

Assim, das 34 unidades militares ucranianas estacionadas na Crimeia, 23 já teriam manifestado lealdade a Moscou. Some-se aí a frota ucraniana (ou ex-frota ucraniana, ou ex-frota soviética do Mar Negro) de Sebastopol que optou por aderir à causa da secessão.

Diante desse quadro, alguém tem dúvida de que a Crimeia deixou de pertencer à Ucrânia? O problema é se o exemplo for seguido pela região leste do país, de maioria russa. Isso acontecendo, a probabilidade de secessão da Ucrânia é  alta. Com o Urso à espreita, as lideranças do governo provisório em Kiev têm muito com o que se preocupar…

Segue artigo da RIA Novosti sobre as deserções…

RIA Novosti

5,500 Ukrainian Soldiers Defect to Serve an Independent Crimea

18:22 04/03/2014

More than 5,500 soldiers have defected from Ukraine’s military to serve the autonomous republic of Crimea, the region’s newly appointed leader said.

 MOSCOW, March 4 (RIA Novosti) – More than 5,500 soldiers have defected from Ukraine’s military to serve the autonomous republic of Crimea, the region’s newly appointed leader said.

Sergei Aksyonov, named prime minister last week in a local parliamentary vote, said Tuesday that talks with unit commanders led to the defections of soldiers to join an independent Crimean military. Continuar lendo

Poder Aeroeapacial e Estudos Interdisciplinares de Segurança e Defesa

seminario defesa aeroespacial 2014Compartilho a notícia sobre o seminário V Seminário de Estudos: Poder Aeroeapacial e Estudos Interdisciplinares de Segurança e Defesa, promovido pela minha querida Universidade da Força Aérea (UNIFA), e que ocorrerá nos dias 26 e 27 de março, no Rio de Janeiro.

Recomendo particularmente a meus alunos de Relações Internacionais e Defesa.

Para acessar o site do evento, inscrições e maiores informações, clique aqui

Segue o texto de apresentação do evento.

“Em tempos remotos, as guerras reuniam grupos que se confrontavam na disputa por melhores espaços para produção agrícola, confisco de armas e expansão dos seus territórios. Terminados os conflitos, vencedores e vencidos conheciam os seus destinos e, com o decorrer dos séculos, trouxeram, a reboque, uma nova variável incorporada à necessidade estratégica de expansão, o poder. Esse novo pensamento modificou os objetivos políticos, impregnou as relações entre os Estados e inaugurou um novo olhar sobre os conflitos, desta feita sob os auspícios do entendimento Geopolítico e das Relações Internacionais. Continuar lendo

“A paz só pode ser preservada com a força”

China Marks 60 Years Of The Chinese NavyEm meio à crise da Ucrânia, os trabalhos do Congresso Nacional do Povo chinês foram retomados. Interessante a declaração de sua porta-voz sobre a segurança na Ásia e, em última instância, no mundo… De acordo com Fu Ying, secretária de imprensa do parlamento da China, o país deixa claro que suas Forças Armadas “estão prontas para darem uma enérgica resposta a quem atentar contra a paz na região”. 

Fu Ying, assinalou, ainda, que a China advoga a solução pacífica dos conflitos, e que seu exército só tem objetivos de defesa. Entretanto, Pequim reagirá efusivamente a qualquer “violação da paz”. Fica o recado para países que teriam litígios territoriais com o Dragão vermelho, particularmente para Japão e Coreia do Sul. 

Em tempos de potências mostrando as garras e os dentes, o Dragão aumenta seus gastos militares e deixa claro que pode também cuspir fogo… A frase da porta-voz, segundo a qual “a paz só pode ser preservada com a força” poderia servir de alerta para outros países que queiram ocupar um papel de destaque no cenário internacional, mas se esquecem de investir em defesa… E, naturalmente, fez-me lembrar das palavras de um grande estadista, este brasileiro, que viveu em Pindorama há cerca de cem anos, o Barão do Rio Branco. Segundo o pai de nossa diplomacia, “não se pode ser pacífico sem ser forte”.

Segue matéria sobre a declaração do Parlamento chinês, extraída do site oficial.

Peace can only be preserved with strength: NPC spokeswoman

English.news.cn | 2014-03-04 16:14:06 | Editor: Yang Yi

BEIJING, March 4 (Xinhua) — A spokesperson for China’s top legislature on Tuesday defended the country’s defense policies, saying that peace can only be preserved with strength.

Responding to a question concerning China’s growing military power, Fu Ying, spokesperson for the second session of the 12th National People’s Congress (NPC), said China as a major power is responsible for regional peace and security. Continuar lendo

2013 in review

The WordPress.com stats helper monkeys prepared a 2013 annual report for this blog.

mafalda-with-friends-21814Here’s an excerpt:

The concert hall at the Sydney Opera House holds 2,700 people. This blog was viewed about 52,000 times in 2013. If it were a concert at Sydney Opera House, it would take about 19 sold-out performances for that many people to see it.

Click here to see the complete report.

Solução à Munique

5311de3312d78A crise internacional envolvendo a Ucrânia parece já ter chegado a seu ápice. Os oponentes já mostraram suas cartas, seus dentes e suas garras. A Crimeia já se encontra sob ocupação russa. Putin não pretende arredar de lá. E, no Ocidente, apesar das palavras firmes de alguns líderes, todos sabem que não vale a pena afrontar o Urso por causa da Ucrânia – simples assim, é como funciona o cálculo estratégico em política internacional. Não obstante, pressões continuam para uma medida mais incisiva por parte dos ocidentais – iniciativa essa que dificilmente virá. O que fazer então?

A História (ah, a História!) é sempre pródiga em exemplos e referências para os que tentam navegar nos mares tortuosos das Relações Internacionais. E com a situação na Ucrânia não deve ser diferente. Tudo parece caminhar nesse caso para uma solução no melhor estilo da Conferência de Munique, de 1938.

Putin já disse o que quer. A Crimeia é russa desde sempre (era russa até 1954, quando Kruschev, nascido bem pertinho da fronteira russa com a Ucrânia, resolveu, em um típico ato de solidariedade entre os povos da União Soviética, transferir o território para a República Socialista Soviética da Ucrânia – o que, em termos de de dominação soviética, não significava absolutamente nada…), sua população é russa, e há uma outra série de razões para se dizer que a região deve ficar sob a égide de Moscou (exatamente como os Sudetos com relação à Alemanha, em 1938).

chamberlain 1938Os ocidentais, fora o discurso altivo, estão titubeantes, não querem confusão com a Rússia (ainda mais por uma região que sempre esteve sobre hegemonia russa), e buscam desesperadamente uma saída honrosa para a crise (exatamente como Chamberlain e Daladier, em 1938). Frau Merkel está em contato direto com Vladimir, que também tem conversado bem com Obama…

Portanto, parece que o espírito de Munique deve imperar na crise da Ucrânia. Os russos ficam com a Crimeia, os ocidentais saem eufóricos após conseguirem garantir a integridade do território ucraniano (tá, porque a Crimeia, repita-se, não é território ucraniano) e a manutenção dos exércitos russos do outro lado da fronteira, e o mundo suspira aliviado porque não chegamos a um conflito direto entre as grandes potências (exatamente como em Munique, em 1938).

Mas falta um ator nesse cenário… Ah, sim! A Ucrânia! E como ficam os ucranianos? Ficam na sala ao lado, esperando o resultado da negociação em que os ocidentais os salvarão dos russos. Simples assim. E que os ucranianos possam se contentar em manter sua independência e, de fato, a existência de seu país (exatamente como aconteceu com os tchecos, em 1938).

Exatamente como aconteceu em 1938, tudo ficará bem! Claro que, depois de perder os Sudetos, a Tchecoslováquia entrou em colapso, seu território foi dilacerado, com outros países tomando seus nacos ao norte, ao sul e ao leste, a economia entrou em crise e, alguns meses depois, os alemães “marchavam pacificamente” sobre as ruas da belíssima Praga, que seria a capital do Protetorado (alemão) da Boêmia e Morávia. Sim, alguns meses após a Conferência de Munique, a Tchecoslováquia sucumbiu… Mas o mundo estava em paz… Até que, um ano depois, começou a II Guerra Mundial.

Na crise da Ucrânia, portanto, esperemos que tudo acabe de maneira pacífica, e que seja restabelecida a harmonia entre os povos. Exatamente como aconteceu em Munique, em 1938.

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Mobilização e “Atos de Guerra”

ukranian presidentHá muito não vivíamos momentos de tamanha tensão… O Primeiro-Ministro ucraniano declarou mobilização total de suas (frágeis) forças armadas. Disse, ainda, que considera as ações de Moscou uma “declaração de guerra” – termos fortes, ainda mais em um momento de tamanha crise… 

A Crimeia já está ocupada pelos russos, e as lideranças locais declaram-se sob a proteção de Moscou (isso lembrou-me muito a situação em Dantzig, em agosto de 1939). Para complicar mais, o novo comandante da força naval ucraniana, empossado há dois dias, acabou de manifestar lealdade à Rússia e criou-se a “frota da Crimeia” com as naus que estavam em Sebastopol (ao lado da frota russa do Mar Negro) – ontem, eu disse aqui que isso logo poderia acontecer.

_73313166_76e8d616-6be8-4613-9a31-741d2fd20c38No Ocidente, a OTAN repudia a ofensiva russa… mas, por enquanto, fica só em palavras. O problema é que logo a Aliança Atlântica pode-se ver obrigada a agir, com fundamento no acordo de segurança firmado com Kiev há alguns anos. Situação muito parecida com a de Grã-Bretanha e França com relação à Polônia às vésperas da II Guerra Mundial. O apaziguamento tem limites…

Da parte de Washington, John Kerry também usou termos fortes, sobretudo quando vindos de um Secretário de Estado: falou em “atos de agressão” dos russos, dando sinal de que os norte-americanos já estariam considerando a tradicional justificativa “moral” para agir ou para pressionar Moscou mais ainda. O Kremlin, por sua vez, permanece inabalável na defesa dos interesses russos em sua natural área de influência. Parecem tempos de Guerra Fria… Só que Obama não é Kennedy, e tampouco Putin é Krushev. As próximas horas serão decisivas.

ukraine-crisisMobilização, ameaças, segurança coletiva, alianças militares, intervenções militares, atos de guerra, declaração de guerra. Na condição de historiador, fica difícil saber em que época estamos.

Segue matéria muito interessante da Reuters sobre o desenrolar da crise…

Ukraine mobilizes after Putin’s ‘declaration of war’

Photo
4:36pm EST
Reuters – By Natalia Zinets and Alissa de Carbonnel

KIEV/BALACLAVA, Ukraine (Reuters) – Ukraine mobilized for war on Sunday and Washington threatened to isolate Russia economically, after President Vladimir Putin declared he had the right to invade his neighbor in Moscow’s biggest confrontation with the West since the Cold War.

“This is not a threat: this is actually the declaration of war to my country,” Ukraine’s Prime Minister Arseny Yatseniuk said in English. Yatsenuik heads a pro-Western government that took power when the country’s Russia-backed president, Viktor Yanukovich, was ousted last week. Continuar lendo

A águia observa

Os EUA estão fazendo seu papel, instando a Moscou a retirar os soldados russos disfarçados de soldados russos da Crimeia e a buscar uma solução pacífica para a crise da Ucrânia. Poderia ser diferente? A alternativa é uma confrontação com o Urso, que não é a Líbia, a Síria ou mesmo o Iraque. De fato, a Rússia é a Rússia e, para os incautos, é governada por Vladimir Putin (gosto de Putin, Putin é KGB). Assim, Washington está em situação bastante delicada se considerar qualquer movimento mais incisivo… Não obstante, se não fizer nada, Obama passa a imagem de fraco e de incapaz de defender os interesses de aliados quando o adversário realmente importa.

Cedo demais para pensar em conflito? Naturalmente. Afinal, é a Administração Obama! São os democratas na Casa Branca (e pode ser com isso que o Kremlin esteja contanto e apostando suas fichas). Diante do quadro, não consigo deixar de lembrar que, se não estiver enganado (não fui conferir), nos últimos cem anos, das guerras em que os EUA participaram diretamente, ou acabaram envolvidos e tiveram que usar a força, à exceção das duas Guerras do Golfo, todas ocorreram em administrações democratas… Pois é…

Kerry, Hagel, Dempsey Testify on Use of Force in Syria

Crise da Ucrânia: EUA ameaçam Rússia

O secretário de Estado norte-americano John Kerry pediu a Rússia para retirar imediatamente suas tropas e a aceitar a intermediação internacional na Ucrânia. Continuar lendo