Por que invadir a Polônia?

Próximo domingo, 30/08, às 17h, faremos mais uma live em nosso perfil público do Instagram (@joanisvalgoncalves). O tema será a invasão da Polônia e o início da Segunda Guerra Mundial. Estão todos convidados e agradeço pela divulgação. Até lá!

Canhões de Agosto e a Invasão da Polônia…

Alguns dos meus 16 (dezesseis) leitores ficaram chateados porque perderam nossa primeira live no Instagram, que foi sobre o mês de agosto nas duas guerras mundiais. A boa notícia é que vocês não precisam ficar tristes! Consegui disponibilizar a conversa de domingo passado em nosso canal do youtube, que vocês já conhecem!

Então, para acessar a live sobre os Canhões de Agosto, basta clicar aqui. Por favor, inscreva-se no canal e muito me ajuda se também divulgar!

E como notícia boa não vem sozinha (sou um eterno otimista!), já divulgo aqui que teremos mais uma live, no próximo domingo, 30/08, às 17:00 (estou pensando em adotar esse bat-horário e essa bat-data para as lives, que acham?)! O tema será… “Por que invadir a Polônia? Como começar uma guerra mundial…”.

Então, não fique triste como o pessoal aqui da foto! Vá ao canal, veja a live e se inscreva! Ah! E divulgue, por gentileza! Abraço!

O mês do cachorro louco nas duas Guerras Mundiais

Próximo domingo, às 17:00, pelo meu perfil público no Instagram, farei uma live para conversar um pouco sobre o mês de agosto nas duas guerras mundiais.
A escolha de 23/08 não foi aleatória. Comentarei a esse respeito na live.
Espero os amigos por lá. Curtam o perfil e nosso canal no youtube também!
Vamos ver se funciona esse negócio…

Em tempo: para acessar meu perfil público no Instagram (https://www.instagram.com/joanisvalgoncalves/), você tambem pode clicar na foto desta publicação.

Todos são iguais, mas alguns são mais iguais que os outros…

Neste 17.08.2020, são comemorados os 75 anos do lançamento de “A Revolução dos Bichos” (Animal Farm), obra magistral de George Orwell.

O livro dispensaria qualquer apresentação, mas vale fazer alguns comentários, sobretudo para aqueles das novas gerações que, porventura, nunca tenham ouvido falar desse libelo contra o totalitarismo.

Em “A Revolução dos Bichos”, Orwell narra como ideias revolucionárias são difundidas entre os animais de uma granja, que acabam se unindo para “derrubar” o proprietário, expulsá-lo e transformar a quinta em uma “república”, governada pelos bichos sublevados. Na nova comunidade, normas e princípios são estabelecidos para que seus membros vivam na mais absoluta igualdade… Afinal, “o Homem é o nosso verdadeiro e único inimigo. Retire-se da cena o Homem e a causa principal da fome e da sobrecarga de trabalho desaparecerá para sempre”. Ou também “basta que nos livremos do Homem para que o produto de nosso trabalho seja só nosso”. E, ainda, “o que quer que ande sobre duas pernas é inimigo, o que quer que ande sobre quatro pernas, ou tenha asas, é amigo”.

O lema mais marcante é “todos os animais são iguais”. Só que, como já seria de se esperar, logo a realidade cobra seu preço, e um determinado grupo de animais da granja, os porcos, usam sua inteligência para chegar ao poder e subjugar os demais. Estabelecem um aparato repressor, controlar a produção (que acaba sendo comercializada com o inimigo humano), e seguem constantemente a manipular a narrativa sobre a derrubada proprietário e senhor do lugar, o estabelecimento da granja dos bichos e as normas originais… Em algum tempo, as regras mudam subrepticiamente… Os porcos conseguem uma série de privilégios, execuções de opositores do regime ocorrem, e a sociedade dos bichos é dividida em classes… Assim, “todos os animais são iguais, mas alguns são mais iguais que os outros”. O desfecho é fascinante!

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Escrito como uma denúncia contra o que Orwell entendia como “a deturpação do socialismo”, “A Revolução dos Bichos” é uma brilhante analogia à União Soviética, da tomada do poder pelos bolcheviques ao terror stalinista (inclusive com o controle das mentes da população, os expurgos e a alteração da História). Note-se que, quando é lançado o livro, o mundo vivia o término imediato da II Guerra Mundial, o território europeu encontrava-se sob ocupação por 7 milhões de soldados do Exército Vermelho e o facínora Joseph Stálin estava no auge de seu poder. O Estado proletário dos sonhos de Orwell e de tantos outros socialistas não passava de uma utopia, e totalitarismo aterrorizava milhões de seres humanos sob o signo da foice e do martelo.

Não por acaso, “A Revolução dos Bichos” ficou proibida em todo o bloco socialista. Ainda hoje, o livro permanece na ilegalidade (no todo ou em parte) em alguns países. O autor ali é exitoso ao mostrar como as ideias comunistas não passam de ilusões e que, independentemente de qual seja a sociedade, haverá sempre dominadores e dominados.

A lição de “A Revolução dos Bichos” permanece, assim, atualíssima. Em uma época da pós-verdade, da ditadura do politicamente correto, e da manipulação da narrativa, a história de como os porcos, liderados pelo cachaço Napoleão (a representação do próprio Stálin), tornaram-se os senhores da granja e piores que o opressor humano, deveria servir de alerta aos milhões que bravejam contra o sistema que não compreendem e contra a ordem estabelecida, onde uma adolescente manipulada vira ícone do discurso por mudança, e é usada, com êxito, para formar a opinião de milhões de tolos iludidos…

Pensamento Estratégico para a Defesa: Perspectivas do Brasil e da Argentina

Hoje, segunda-feita, 17/08, às 18:00 (hora de Brasília), participaremos de um evento, promovido pela “Revista Seguridad y Defensa”. O objetivo é conversar um pouco sobre as perspectivas de Defesa de Brasil e Argentina. O evento será em espanhol e, para acessá-lo, seguem o convite, em pdf, e o link: 

Estimados Colegas, les comparto el link de acceso al Seminario, para este lunes 17 de agosto, 2020, 18.00 horas Argentina (GMT- 3).
Por favor conectarse en el horario indicado y con el micrófono silenciado.

https://meet.jit.si/PensamientoEstrategicoBrasilyArgentina  

Password: revistaseguridadydefensa

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A Voz de Deus

15.08.1945. Nesse dia, milhões de japoneses ouviram, pela primeira vez, a Voz de Deus. Exatamente às 12:00h, horário de Tóquio, começava a transmissão radiofônica do discurso de Hirohito, o 124º Imperador do Japão, anunciando o fim da Guerra no Pacífico. O país aceitava os termos da rendição incondicional que lhes haviam sido apresentados pelos aliados. Estava-se diante de um acontecimento histórico sem precedentes.

800px-Emperor_ShowaImagino como aquilo deve ter marcado os súditos daquele homem, por todos considerado um deus na terra. Hirohito, o Sagrado Imperador, falou. E as palavras do homem-deus anunciavam não só o fim do maior conflito em que seu país já se envolvera, mas também uma mudança radical na maneira como os japoneses percebiam o mundo e a si mesmos. Sim! O Imperador falou. Hirohito era humano! Uma nova era começaria.

Pouca gente tem noção disso, mas a II Guerra Mundial começou para o Japão bem antes de setembro de 1939. Em 1931, os japoneses invadiram a Manchúria, onde criariam um Estado-fantoche governado pelo último imperador da China. Alguns anos depois, em 1937, teria início formalmente a chamada II Guerra Sino-Japonesa, que acabaria se mesclando com o conflito de 1939-1945. 

Assim, territórios seriam conquistados, povos subjugados, milhões de seres humanos escravizados, agredidos e mortos pela máquina de guerra japonesa. Potências tradicionais, como Grã-Bretanha e França, seriam humilhadas no Extremo Oriente pelos eficientes japoneses. Em pouco tempo, a expansão na Ásia e no Pacífico, essencial para os interesses econômicos e militares nipônicos, transformaria uma parcela significativa da região em dos territórios sob a égide do Império do Sol. O Japão parecia invencível, e sua aliança com a poderosa Alemanha acabaria levando os dois países a dividirem o mundo entre si.

Entretanto, o 7 de dezembro de 1941 mudaria tudo. Na manhã daquele dia, a frota norte-americana em Pearl Harbor, no Havaí, sofreria um ataque surpresa, resultando em mais de 2.000 mortos. E, assim, o Japão provocara um colosso até então adormecido, e cujas capacidades eram subestimadas pela maioria absoluta do senhores da guerra japoneses. E despertar os EUA, fazendo com que a ira daquela imensa nação se voltasse contra si, foi um erro estratégico que levaria o Japão à humilhante derrota, em agosto de 1945. Nesse ínterim, conflitos intensos, a Marinha japonesa destruída, territórios perdidos, grandes áreas devastadas, fome e miséria, milhões de mortos, cidades arrasadas, entre as quais Tóquio (com bombas de fósforo) e Hiroshima e Nagasaki (nos dois únicos ataques nucleares da História). Quatro anos apocalípticos.

Sim, a derrota, inconcebível aos militares e políticos japoneses alguns anos antes, chegara. E o preço que o Japão teria que pagar seria alto. Muitos acreditavam que isso incluiria (no melhor dos cenários) a deposição do Imperador, e o fim daquela monarquia milenar. Outros tantos, e eram realmente milhões, esperavam a ordem do soberano, a voz de Deus, para cometer suicídio coletivo e, assim, pôr fim à vergonha da derrota – o que também seria um duríssimo golpe nas forças de ocupação norte-americanas. Bastava a ordem do Imperador… Bastava que Deus dissesse o que deveria ser feito.

E Deus falou! E sua voz foi ouvida. Mas as palavras proferidas não foram de morte e destruição. Em seu primeiro pronunciamento à nação, Hirohito conclamou os cem milhões japoneses, seus fiéis súditos, a resignarem-se com a derrota, a aceitarem a ocupação e as novas regras que dela adviriam, a não morrer pela pátria, mas, ao contrário, a viver para a reconstrução de seu país, a recuperar o que fora perdido, e a garantir às novas gerações uma nova era de paz e prosperidade. Hirohito mostrou a seus súditos humildade, dignidade e resiliência. E lhes deu esperança.

Com a voz de Deus, acabava a guerra. A capitulação formal só seria assinada depois, em 2 de setembro de 1945, em uma humilhante cerimônia a bordo do navio de guerra norte-americano USS Missouri. Seguir-se-iam anos de trabalho intenso e obstinado para a reconstrução do Japão – e os disciplinados japoneses teriam êxito, transformando seu país, em algumas décadas, na segunda economia do globo.

Ao contrário dos outros líderes do Eixo, o Imperador do Japão foi (sabiamente) preservado. Hirohito continuou no trono até sua morte, em 1989. Viveria para ver o advento de um novo Japão, moderno, próspero e pacífico, um Japão que seria, para todo o globo, exemplo de resiliência e de progresso, de tecnologia e desenvolvimento, de equilíbrio e ordem.

No fim de sua vida, o Imperador que nascera deus, terminava como homem. Entretanto, aquele homem, cuja estatura de 1,65m contrastava com o 1,83 do General Douglas MacArthur, mostrara-se um gigante, um colosso que teve a coragem e a força para (re)criar uma nação de gigantes.

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Intelligentia, quo vadis?

Na semana em que se discutiu o papel da Inteligência no estado democrático de direito e que o Supremo Tribunal Federal (STF) se pronunciou sobre os poderes da Agência Brasileira de Inteligência (ABIN) em suas atividades, acho por bem trazer algumas reflexões aqui sobre o tema, e tornar disponível artigo que escrevi, com os amigos Marcus Reis e Ricardo Esteves, sobre a Inteligência no Governo Jair Bolsonaro.

Trata-se de ensaio que produzimos no final de 2018 e que atualizamos em maio último, resultado de mais de duas décadas de experiência trabalhando com o assunto. São percepções pessoais de como se encontra a Inteligência no Brasil, e do que pode ser feito para aperfeiçoá-la, de modo que nossos serviços secretos possam realizar seu nobre trabalho de maneira cada vez mais efetiva, em prol do Estado e da sociedade.

Para falar de Inteligência (vejam que parei de usar o termo “atividade de inteligência” nesse sentido), é importante ter em mente que todas as democracias do mundo dispõem de serviços de inteligência, cuja atividade é de grande relevância na proteção do Estado, das instituições democráticas e da própria sociedade. Inteligência, ademais, relaciona-se a produtos, processos (atividades) e organizações voltados ao assessoramento do processo decisório nos mais distintos níveis.

A verdade é que por aqui, neste grande País do Hemisfério Sul, ainda se conhece pouco sobre Inteligência, inclusive nas instâncias superiores de tomada de decisão. A doutrina é escassa, e o amadorismo na atividade impera (esta é minha percepção pessoal, repito). Destaco, por exemplo, a preocupante confusão entre inteligência e investigação, que observamos ser, infelizmente, generalizada. Falta clareza, ademais, sobre o papel de cada ente da comunidade de inteligência, seu mandato e sobre como suas relações devem ser desenvolvidas. Carecemos, enfim, de uma “Cultura de Inteligência” (algo que digo há muitos anos).  

No Brasil, portanto, ainda temos muito que evoluir na área de Inteligência. Registro que passos significativos foram dados desde o Governo do Presidente Michel Temer, com o trabalho meritório do General Sérgio Etchegoyen. Entretanto, reformas precisam ser conduzidas no Sistema Brasileiro de Inteligência (SISBIN), no seu órgão central (a ABIN), e mesmo na legislação e nos mecanismos de controle. É sobre isso que tratamos em nosso ensaio.

Feita esta breve introdução, compartilho aqui o documento INTELIGENCIA NO GOVERNO BOLSONARO (também o coloquei no Espaço Acadêmico aqui no site). Quem quiser citá-lo, pode fazê-lo da seguinte maneira:

Gonçalves, Joanisval Brito; Esteves, Ricardo Zonato & Reis, Marcus Vinicius. “Brasil, 2020 – A Inteligência no Governo Jair Bolsonaro: o Imperativo da Mudança”. Brasília, maio de 2020, in: Frumentarius.com (https://joanisval.com/2020/08/14/intelligentia-quo-vadis/).

E sintam-se à vontade, meus 16 (dezesseis) leitores, para compartilhar!

 

Ascensão e Queda das Grandes Potências, Maurits Escher, e um Grande Mestre!

“Mas hoje não é dia do livro!”… “Dia do livro é terça!”… “Como assim, livro hoje?”… Meus 16 (dezesseis) leitores devem estar-se perguntando por que eu publicaria uma recomendação de livro numa quarta-feira! Se bem que, se são meus 16 (dezesseis) leitores, já me conhecem suficientemente e sabem que “publicações inopinadas” podem ocorrer, hehehe. Assim, vamos lá a mais uma indicação!

O livro de hoje é um clássico das Relações Internacionais! Meu primeiro contato com a obra foi há quase trinta anos, quando iniciava meu curso de Relações Internacionais, em um mundo do imediato pós-Guerra Fria, em que a URSS tinha acabado de desaparecer, os Estados Unidos da América (EUA) mostravam-se vencedores e a Ordem Internacional entrava no caos que marcaria a década de 1990! E foi assim que comecei a entender um pouco do funcionamento desse tabuleiro onde os atores internacionais realizam o jogo do poder…

Escrito pelo historiador britânico Paul Kennedy em 1987, Ascensão e Queda (permitam-me a intimidade que só é possível pelos anos de convivência e aprendizado) rapidamente se tornou um clássico para todos os que labutam nas Relações Internacionais. A obra se destaca pela análise aprofundada de aspectos políticos, econômicos, sociais e institucionais que permitem a clara compreensão de como as chamadas “Grandes Potências” surgem, crescem e se tornam influentes, disputam a hegemonia e buscam tornar-se o hegemon no sistema internacional… O assunto é fascinante, pois auxilia muito na compreensão do mundo de ontem e de hoje, e na projeção do que pode vir a ser o sistema internacional do porvir…

Paul Kennedy nos leva, sempre com muitos dados estatísticos, a um passeio por 500 anos de História, das disputas entre Portugal e Espanha pela hegemonia global durante as Grandes Navegações à rivalidade entre EUA e União Soviética, que culminaria no colapso da última! A narrativa é tremendamente agradável, assim como deve ser o produto do trabalho do verdadeiro historiador… E aquele que se inicia nesse surpreendente admirável mundo novo logo começa a compreender um pouco mais sobre a dinâmica da política internacional.

Sempre recomendei Ascensão e Queda a meus alunos. De fato, a leitura de clássicos como Morgenthau, Wright e Aron, é essencial para desenvolver a capacidade analítica de qualquer profissional de Relações Internacionais. Sim, porque o que os internacionalistas fazemos é tentar entender e explicar o mundo, sem achismos, mas com método e fundamentação. Tudo mais, repito, é opinião, e não análise…

E por falar em análise, vou compartilhar com meus leitores, pela primeira vez, uma informação que me foi transmitida na minha primeira aula, do meu primeiro dia no curso de Relações Internacionais… A disciplina, “Introdução ao Estudo das Relações Internacionais (IERI)”. O professor, uma das minhas grandes referências na área, indiscutivelmente o principal responsável pela minha decisão de seguir essa carreira tão especial, meu querido Mestre e amigo Eiiti Sato! 

Sato entra na sala de aula e começa a nos brindar com sua simpatia, bom humor e conhecimento. E, mais para o fim da aula, distribui-nos, naquela época em que não tínhamos Powerpoint, worldwideweb, tampouco telefones celulares (não me refiro a smartphones, trato mesmo de “telefones celulares”), uma folha de papel com algumas imagens, que compartilho a seguir…

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Aí tive meu primeiro contato com o artista holandês Maurits Cornelis Escher! Algumas de suas obras Sato nos mostrou. Essas imagens me marcariam a partir de então! “Peço que se atenha um pouco a elas”, disse nosso querido professor àquele grupo de calouros de “Rel” (que é como chamamos o curso de Relações Internacionais aqui na Universidade de Brasília, o primeiro e único durante duas décadas)…

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Depois de alguns instantes, Sato olha para nós, dá um sorriso de canto de boca, e diz: “Essas são as Relações Internacionais. Com esses quadros vocês começam a ter uma primeira percepção do sistema internacional!”. Estava encerrada a aula (justiça seja feita, cumprido o tempo regulamentar de aula, pois antes disso o Mestre se apresentara, falara do curso e dirimira nossas dúvidas – não me lembro, durante todo o semestre, do Professor faltando à aula, chegando atrasado ou mesmo terminando a classe mais cedo… isso também foi importante referência para minha vida como docente, anos depois).

Nunca me esqueci dessa primeira aula! Ali tive certeza de que minha vida profissional seria no campo das Relações Internacionais! Sato e Escher, e os clássicos como Paul Kennedy, fizeram-me “pegar gosto” pela análise de como o mundo funciona. E nunca mais deixaria de olhar o sistema internacional com muito carinho, interesse e como meu grande objeto de estudo!

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Fotos e Guerra

Terça-feira, dia do livro.

Aqueles que me conhecem sabem que entre minhas grandes paixões estão a leitura, a fotografia e a polemologia. Afinal, por meio dos livros, das fotos e das guerras, o ser humano consegue expressar o que há de mais profundo em sua natureza, o que o aproxima da beleza da divindade, mas também da escuridão de sua sordidez de ser imperfeito. De toda maneira, tudo é aprendizado.

Voltando a livros, fotos e guerras, hoje destaco uma obra que me é muito cara, pois retrata a vida daqueles que combateram na Grande Guerra (como é também chamada a I Guerra Mundial). São imagens de dor, tristeza, bravura, indignação, medo, angústia, fé, esperança, obstinação, fraternidade, alegria, alívio, conforto, raiva, introspecção, tudo isso junto e misturado. São sensações e sentimentos que preencheram os corações de milhões de homens que, há pouco mais de cem anos, estiveram envolvidos em um conflito sobre o qual, no final das contas, pouco sabiam, e nada entendiam.

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Acho realmente fascinante como a história dessas pessoas foi eternizada por meio da fotografia. Perguntas que sempre me vêm à mente quando vejo uma foto dessas: Quem terá sido essa pessoa? Como era na vida civil? Tinha família? O que achava daquilo tudo? Será que conseguiu sobreviver à Guerra?

Especificamente sobre a cena retratada na foto, fico a imaginar o contexto em que se deu, em uma época em que a fotografia ainda engatinhava, em que “selfie” era algo inconcebível e que cada clique era um precioso registro de arte e de história! Naqueles idos do começo do século passado, já fascinava a invenção do francês Joseph Nicéphore Niépce, que ocorrera então há menos de cem anos, tanto quanto ainda fascina bilhões de pessoas pelo globo! Sim, porque, seja uma clássica imagem do homem comum ou dos reis e imperadores do século XIX, seja uma “selfie” dos dias de hoje (muitas vezes tirada em lugar inusitado como um banheiro, sem qualquer pendor estético e com gosto indiscutivelmente duvidoso), a verdade é que a fotografia toca a alma do ser humano, e o faz se sentir um pouco divino, ao registrar aquele momento e congelar o tempo para todo o sempre!

 “The Faces of World War I”, de Max Arthur. Fica a recomendação do dia.

 

The Rectified Scottish Rite

There follows our lecture from the 2nd August 2020 on the Rectified Scottish Rite. I hope you enjoy it!

As 15 maiores cidades europeias (do ano 1 a 2019)

Muito interessante este vídeo sobre a evolução das cidades europeias nos últimos 2 mil anos.

Impressionei-me com o apogeu e a decadência de Roma, com a variação na população de Constantinopla na Idade Média, e com o crescimento de Córdoba e Cádiz no primeiro milênio. Também fiquei surpreso com Kiev, que em um determinado período teria sido a mais populosa cidade da Europa (?????)! Perguntei-me se a oscilação nos números ao longo do tempo não teria sido causada pelas sucessivas pestes naquelas cidades (a Peste de Constantino e a Peste Negra, por exemplo). Mas continuo curioso com Kiev…

Não sei sobre a confiabilidade desses dados, mas, de toda maneira, achei o vídeo interessante… Também cabe lembrar que as bandeiras, em sua maioria, são atuais (por exemplo, apesar dos quase 1500 anos como cidade grega, romana ou bizantina, a bandeira de Constantinopla/Istambul é a turca – os turcos estão desde 1453, como se sabe).

No final, já estava eu a narrar a competição pelo primeiro lugar de cidade mais populosa! Gostei!