Porque apoiar o Estado Islâmico…

isis_childremDifícil assinalar organização mais execrável, nefasta e bárbara que o chamado “Estado Islâmico”, o grupo jihadista que tem causado terror e morte em uma área abrangente do Oriente Médio, aí incluídos parte da Síria e, sobretudo, do Iraque. Esses facínoras, sob um discurso fundamentalista de estabelecimento de um “grande califado”, têm imposto um regime severo de violência no território por eles ocupado, com atos que compreendem crucificação de mulheres e crianças, degola de prisioneiros,  estupros, tortura, enfim, formas impensáveis de impor dor e sofrimento. Difícil mesmo conceber tamanha barbaridade em pleno século XX.

O Estado Islâmico é considerado radical até mesmo pela Al Qaeda. E consegue reunir contra ele países como os Estados Unidos e o Irã. A Organização das Nações Unidas já se manifestou no sentido de que medidas severas (inclusive com o uso da força) devem ser tomadas para deter a escalada de violência produzida pelos jihadistas. A coalizão internacional estabelecida para intervir militarmente na região encontra apoio de praticamente todo o mundo. Praticamente…

FOTO2-334495-2014-09-24-14-44Em meio à indignação mundial contra o Estado Islâmico, uma voz clamou isolada na abertura dos trabalhos deste ano da Assembléia Geral da ONU em prol da “negociação” com os monstros: foi a presidente Dilma Rousseff, que sem fazer referência direta ao grupo, mas tratando das intervenções militares na região, assinalou que “o uso da força é incapaz de eliminar as causas profundas dos conflitos”. Difícil conceber o que este Governo deseja defendendo um entendimento com os terroristas. Gostaria de uma explicação do porquê dessa atitude parcimoniosa com assassinos cruéis. Talvez a presidente não tenha sido tão bem assessorada para se portar daquela maneira em seu discurso na Assembléia Geral. O que levaria Dilma Rousseff a se colocar contra a necessidade de intervenção militar para por fim à barbárie promovida por um exército terrorista? Falta de informação? Desatenção para com um tema tão importante? Será que há afinidade de pensamento? 

Nada justifica o posicionamento do Governo brasileiro a favor da negociação com terroristas. Inaceitável qualquer forma de entendimento com o Estado Islâmico, mesmo porque o ódio e o obscurantismo daqueles monstros impede qualquer hipótese de negociação. Para acabar com o regime de terror desses criminosos na Síria e no Iraque, a única alternativa efetiva é a intervenção militar. A comunidade internacional precisa recorrer ao uso firme e maciço da força para arrancá-los de suas tocas, por fim a suas atrocidades e limpar os territórios ocupados por essa praga. Mas, pelo visto, não é assim que entende a presidente do Brasil, para a vergonha e a tristeza de muitos brasileiros.

isis_crucifixion_0A conduta condescendente do Brasil foi objeto de críticas diversas de vários países. Ninguém vê com bons olhos a existência do Estado Islâmico. Mas nosso governo quer negociar com eles. Não interessa como esses terroristas mostram o quanto são sanguinários e que estão dispostos aos maiores absurdos pela causa que defendem. Não interessa se crianças morrem massacradas por esses cretinos. Não interessa se mulheres são violentadas e pessoas são crucificadas em nome da religião. Nosso governo parece achar que eles têm o direito de impor seu regime de terror a milhares de seres humanos. Nosso governo acha que vale a pena. Sim, porque há algumas pessoas em Brasília que acreditam que apoiar o Estado Islâmico e todas as suas barbaridades vale a pena…

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Acabem com esses monstros!

islamic-stateMuita gente tem-me perguntado sobre o Estado Islâmico. Serei direto nos meus comentários: trata-se de um bando de facínoras, monstros desalmados que têm promovido violência e morte por onde passam. O que esses monstros (veja que não os chamo de animais) têm feito nas áreas que controlam põe no chinelo qualquer obra fictícia de terror. Ou, em termos modernos, nem os melhores roteiristas conseguiriam descrever o que esses pseudohumanos estão fazendo.

Em pleno século XXI, sob uma justificativa que em nada encontra amparo nos fundamentos do islamismo, o Estado Islâmico vem cometendo atrocidades contra civis, entre as quais execução de crianças, estupros, decapitações, tortura, crucificação. Violência assume outra dimensão com as práticas dessa organização. E milhares de pessoas acabam vítimas desses bandos armados que desejam estabelecer um “califado mundial”.

IslamicStatemassmurderÉ por isso que entendo que a única solução plausível ali é o uso maciço da força, com uma intervenção internacional armada nos moldes antigos.  Sim, falo de exércitos desembarcando ali com batalhões armados até os dentes, para combater esses monstros. Haveria muitas baixas, indubitavelmente. Bombardeios cirúrgicos não funcionam. Claro que as democracias ocidentais não vão chegar a esse ponto, que envolve sacrifício de seu pessoal de uniforme. Mas, sinceramente, há muito não tínhamos uma barbárie dessas proporções. Se o mundo permitir, vão continuar matando, estuprando, torturando… E, vinte anos depois, testemunharemos uma nova Ruanda.

Seguem uma reportagem sobre a nefasta organização e um vídeo mostrando um pouco do que é o Estado Islâmico – as imagens são fortes (legendas em alemão podem ser desativadas).

Inside Islamic State: crucifixions, severed heads, indoctrination

Lara Marlowe

Last Updated: Tuesday, August 19, 2014, 14:41

Until now, journalists who attempted to cover the Sunni Muslim fundamentalist enclave in northern Syria and Iraq known as the Islamic State were invariably taken hostage.

Medyan Dairieh, a London- based Palestinian war reporter, won the group’s trust through his past reporting on jihadists. Dairieh was embedded with IS officials for three weeks in Raqqa, Syria, the “capital” of the Islamic caliphate.

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Atentado no Chile: vamos aqui esperar a vidraça ser quebrada?

O que aconteceu ontem no metrô de Santiago pode servir de alerta às autoridades brasileiras: o terrorismo é uma realidade, não tem a forma somente de jihadismo ou de muçulmanos de turbante atacando ocidentais (e outros muçulmanos, que é quem mais morre vítima do terrorismo) e pode acontecer em qualquer parte do planeta.

Alguns dados importantes sobre o Chile: o país se desenvolveu muito nas últimas três décadas, tem seguido com bastante êxito a via democrática e a Economia liberal e, mesmo com um governo de esquerda, os chilenos têm demonstrado grande habilidade em governar de forma conciliatória e sob uma perspectiva de Estado. Para quem não conhece Santiago, o atentado ocorreu em Las Condes, uma área relativamente nova e moderna da cidade, com muitos prédios de escritório, edifícios espelhados e empresas do setor financeiro. Outra coisa: no dia 11 de setembro próximo será o aniversário de 41 anos do golpe que derrubou Allende e o primeiro 11/09 do segundo mandato de Bachelet.

Como ensina o amigo e especialista em contraterrorismo Adriano Barbosa, Delegado de Polícia federal, um país pode ser base, alvo, ou palco de ações terroristas (às vezes os três). Há muito anos que tenho dito que o Brasil precisa se preparar mais para lidar com esse problema, tanto no que concerne ao terrorismo internacional quanto ao doméstico. Essa preparação envolve, por exemplo, investimento em inteligência, capacitação do pessoal da área de segurança, e promoção de maior integração e coordenação entre os órgãos de segurança e inteligência.

Enfim, precisa haver vontade política para tratar a questão da ameaça terrorista no Brasil. Afinal, é muito complicado esperar que a vidraça seja quebrada para fazer alguma coisa.

Minha solidariedade e apoio aos muitos amigos chilenos. Y viva Chile!

Bachelet encabeza Consejo Operativo de Seguridad tras ataque explosivo en el Metro

En la cita participan los ministros del Interior y Justicia, así como las máximas autoridades de las policías, del Ministerio Público y de la Corte Suprema. 

Emol.com, por María Cristina Romero, 09.09.2014
Bachelet encabeza Consejo Operativo de Seguridad tras ataque explosivo en el Metro

Bachelet encabeza Consejo Operativo de Seguridad tras ataque explosivo en el Metro.Foto: Álex Moreno, El Mercurio

SANTIAGO.- Desde las 08:30 horas de este martes, la Presidenta Michelle Bachelet encabeza un Consejo Operativo de Seguridad, en el Palacio de La Moneda, tras el atentado ocurrido la tarde de ayer en el Subcentro de la estación Escuela Militar, donde 14 personas resultaron con lesiones.

En la cita participan los ministros Rodrigo Peñailillo (Interior) y José Antonio Gómez (Justicia); los subsecretarios Mahmud Aleuy (Interior) y Antonio Frei (Prevención del Delito), el general director de Carabineros, Gustavo González; el director general de la PDI, Arturo Herrera, y el jefe de la Agencia Nacional de Inteligencia (ANI), Gustavo Villalobos.

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O Assassinato que Mudou o Mundo

HGM_Wilhelm_Vita_Porträt_Franz_FerdinandA História se faz de pessoas, fatos e coincidências, ao contrário do que pregam alguns historiadores marxistas (que elaboram teorias rebuscadas sobre lutas de classe e movimentos de ideias, em que o indivíduo pouca importância tem diante do coletivo e das relações sociais). E a história de algumas pessoas individualmente acaba afetando a história de toda uma coletividade. Foi exatamente o que aconteceu há exatos cem anos.

O nome dele era Francisco Ferdinando Carlos Luís José Maria da Áustria-Este. Nascido em 1863, aos 25 anos (1889) foi alçado à condição de herdeiro do trono da Áustria, com o suicídio de seu primo Rodolfo de Habsburgo e a renúncia de seu pai, Carlos, irmão do então quase sexagenário Imperador Francisco José (que reinaria até a morte, em 1916). De temperamento sisudo e, para alguns, pouco expressivo, Francisco Ferdinando não mantinha relações das mais amistosas com seu tio, o que não o impediria de ser preparado para assumir o trono da mais tradicional das Casas Reais europeias (sobre a história da grandiosa Casa de Habsburgo, clique aqui – já escrevemos em Frumentarius a respeito).

Archduke_Franz_with_his_wifeE foi exercendo suas funções de herdeiro do trono da Áustria-Hungria que Francisco Ferdinando perderia a vida, com conseqüências que alcançariam todo o conjunto da humanidade por décadas. Em 28 de junho de 1914, o Arquiduque e sua esposa, Sofia, duquesa de Hohenberg, visitavam Sarajevo, na Bósnia. Era a época das manobras de verão do exército austro-húngaro que se realizavam naquela região periférica, porém estratégica, do Império. Francisco Ferdinando ali chegara em 25 de junho para supervisionar os exercícios militares, e no dia 27 seguira para Sarajevo, capital da província, para compromissos oficiais. O problema é que a data coincidia com a festa de São Vito, o festival nacional sérvio Vidovdan, aniversário da mítica batalha de Kossovo, em 1389, quando os sérvios haviam sido derrotados pelos turcos – e acreditavam que ali havia começado o longo período de sofrimento nas mãos de opressores estrangeiros. Muitos sérvios percebiam a decisão da visita do Arquiduque como um insulto calculado.

sophie deadNaquela manhã, quando seguia pelas ruas de Sarajevo, o cortejo do Arquiduque sofreu um atentado, quando uma bomba foi lançada contra um dos carros da comitiva. O alvo, por óbvio, era Francisco Ferdinando, mas o terrorista incompetente (um jovem revolucionário bósnio) errou, e o veículo de Sua Alteza escapou iles, seguindo o compromisso no Legislativo local. O mentecapto que cometeu o atentado tentou suicídio, engolindo uma cápsula de cianureto e se jogou no rio, mas acabou vomitando o veneno, dominado pela polícia (o rio tinha apenas 12 centímetros de profundidade) e levado sob custódia. Os outros três conspiradores acovardaram-se e fugiram.

Após a solenidade na câmara municipal, o Arquiduque cancelou a agenda do dia e se dirigiu ao hospital para visitar os feridos no atento. Aí é que se operam as coincidências que alteram os rumos da História… O motorista de Francisco Ferdinando errou o caminho e separou dos carros da frente do cortejo, virando em uma rua (que por mais uma coincidência tinha o nome de seu tio, Francisco José). Ao fazer a manobra para retomar o trajeto, o motor parou. Naquele instante, os deuses do destino colocaram o veículo de Francisco Ferdinando indefeso diante de um dos terroristas que, frustrado, ia embora: o nacionalista bósnio, Gravilo Princip. Diante da oportunidade, Princip não titubeou e disparou dois tiros contra o carro do herdeiro do Trono da Áustria, acertando fatalmente o Arquiduque e sua esposa. Ambos morreram em alguns minutos. O acionamento do gatilho da pistola do jovem terrorista seria o estopim do maior conflito que o mundo já conhecera.

 Princip_arrest (1)Fugindo, Princip foi abrigar-se na Sérvia, nação vizinha e rival do Império Austro-Húngaro. Aberto um inquérito para apurar as responsabilidades pelo atentado, as autoridades austríacas não conseguiram encontrar elemento que ligasse diretamente o governo sérvio ao crime, mas identificaram vínculo entre setores do exército sérvio e os conspiradores. De fato, os terroristas pertenciam à “Mão Negra”, uma organização secreta do movimento nacionalista iugoslavo, cujo líder era o chefe do serviço de inteligência sérvio.

250px-GavrilloprincipNas semanas que se seguiriam, Viena exigiria que Belgrado entregasse Princip. Diante da negativa da Sérvia (que tinha o apoio político e militar do Império Russo), a Áustria-Hungria (que, por sua vez, possuía na Alemanha Guilhermina seu principal aliado) acabou declarando guerra aos sérvios no início de agosto. Logo, como em um dominó, partindo em auxílio uns dos outros, e sob a égide de alianças militares secretas, os principais países europeus ver-se-iam envolvidos em conflito que, pondo fim a um século de paz na Europa, duraria quatro anos, alcançaria todo o planeta e ceifaria 15 milhões de vidas: a I Guerra Mundial.

Os rosacruzes costumam dizer que o acaso não existe. Naquele fatídico 28 de junho de 1914, um Princip mataria um Arquiduque, e a morte de um homem acabaria por provocar a aniquilação de milhões. Eis uma data e um acontecimento que devem ser sempre lembrados. Afinal, foi um atentado terrorista, em uma região periférica da Europa, contra uma autoridade pouco querida e mesmo sem muito prestígio, em uma época em que se achava que a paz entre os povos estava assegurada, mas que provocaria uma hecatombe que até hoje afeta nossas vidas, 100 anos depois.

Curiosamente, há registros de que o herdeiro do Trono Austro-Húngaro simpatizava com a causa eslava e suas aspirações de maior autonomia.  De fato, havia-se mostrado predisposto a aceitar – ao contrário de seu tio, o Imperador – resoluções a favor de uma maior autonomia daqueles povos eslavos, desde que se mantivessem vinculados ao Império. Não viveu para promover essas mudanças… tampouco seu império sobreviveu à Grande Guerra…

arch-Duke Franz Ferdinand - assassination sarajevo - Mein kampf - Hitler - Third Reich

Brasil, terrorismo e grandes eventos

Brasil-rota-do-terrorismoHá alguns anos tenho registrado minha preocupação com a possibilidade de atentados terroristas na Copa do Mundo, Olimpíadas e outros grandes eventos que o Brasil sediará.

Espero, sinceramente, que ao final disso tudo, minhas preocupações tenham sido infundadas. De toda maneira, temos que nos preparar, como sociedade e como Estado, para situações ruins sem precedentes. Melhor prevenir do que depois ficar chorando o leite derramado.

Segue entrevista nossa ao blog Brasil no Mundo do portal da Revista Exame sobre terrorismo e grandes eventos. Esse interessante blog é do jornalista Fábio Pereira Ribeiro, estudioso das questões de segurança e inteligência.

Exame.com 03.05.2014 – 21h22

Terrorismo: Preocupação para o Brasil?

Mais uma vez o Brasil teve sua imagem atrelada a possíveis vínculos terroristas. Claro que com situações duvidosas, mas a lógica pode trazer preocupações e atenções para o processo de segurança internacional e defesa nacional do país.

Na semana retrasada aconteceu uma ofensiva contra terroristas da Al Qaeda no Iêmen. O evento que causou a morte de 15 soldados e 12 terroristas, na verdade apresentou um fato muito conhecido da comunidade de inteligência internacional, o uso de passaportes brasileiros em operações criminosas e terroristas. Ainda sem dados oficiais, entre os 12 terroristas mortos, pelo menos um foi identificado como brasileiro, mas ainda não existem provas de que o terrorista morto é brasileiro, ou se estava utilizando um passaporte brasileiro falsificado ou roubado.

Perante a comunidade internacional, o Brasil não é tido como um país com ligações terroristas, além de baixas probabilidades de conexões e ofensivas em seu território, mas na verdade já há algum tempo o Brasil tem apresentado preocupações aos serviços de inteligência, pois os altos indicadores do crime organizado em território nacional e os diversos problemas de segurança nas fronteiras, geram problemas efetivos para conexões mais acirradas com diversos organismos terroristas, principalmente Al Qaeda e Hamas.

Por sinal, em 2011 a Revista Veja fez uma longa matéria sobre o tema de atuação de células terroristas no Brasil, que por sinal, aproveitam das enfraquecidas estruturas de segurança pública para o desenvolvimento e conexão de ações terroristas que possam se “alimentar” do dinheiro do narcotráfico e do próprio contrabando de armas. http://veja.abril.com.br/noticia/internacional/exclusivo-documentos-da-cia-fbi-e-pf-mostram-como-age-a-rede-do-terror-islamico-no-brasil

Uma das maiores preocupações para analistas internacionais e analistas de inteligência em relação ao Brasil, está no fato do país ter uma série de fraquezas institucionais, considerando corrupção política, fraqueza nas instituições de segurança pública, avanço do crime organizado, falta de uma Política Nacional de Inteligência, fraqueza institucional na contra-espionagem (por parte do governo e não do operador), facilidades para lavagem de dinheiro, contrabando de armas, narcotráfico crescente, operadores criminosos em conexão com redes terroristas, entre outros fatores que trazem preocupações ao sistema de inteligência. E devemos considerar, por mais remoto que possa parecer, dois grandes eventos internacionais em curto espaço de tempo.

O terrorismo é uma realidade da história universal, mas lógico que no caso brasileiro não devemos ter paranóia sobre o problema. A grande questão está no fato do Brasil, ou pelo menos a sociedade brasileira, não dar a devida atenção considerando a perspectiva estrutural para combater o problema de forma positivada através da lei. E também, que a lei anti-terror não se confunda com crimes que possam desencadear problemas políticos. Aí no fim, tudo vira terrorismo ou possibilidade para guerra civil.

O Blog EXAME Brasil no Mundo conversou com o especialista em inteligência e relações internacionais, o professor Joanisval Gonçalves, sobre o tema terrorismo e Brasil.

Joanisval Gonçalves é Doutor em Relações Internacionais, especializado em segurança e inteligência. Advogado, é também Professor universitário e Consultor Legislativo do Senado Federal. Possui diversas publicações nas áreas de segurança e inteligência, com destaque para os livros Atividade de Inteligência e Legislação Correlata (Niterói: Impetus, 3a edição, 2013) e Político e Espiões: o controle da atividade de inteligência (Niterói: Impetus, 2010). É responsável pelo blog Frumentariuswww.frumentarius.com . https://www.facebook.com/joanisval.goncalves?fref=ts

Brasil no Mundo: Aprovar uma Lei Anti-Terrorismo no Brasil gera algumas contradições. Primeiro, qual a definição real e prática de terrorismo no conceito de Estado no Brasil, e segundo, se falamos em terrorismo falamos automaticamente em serviços de inteligência, e considerando que o país ainda não definiu sua Política Nacional de Inteligência, na verdade trabalhamos com uma norma desconexa com as práticas de defesa e segurança. Como você vê este cenário?

Joanisval Gonçalves: Certamente, tratar de terrorismo não é algo simples. Há diversas definições de terrorismo, não existindo consenso a respeito de uma definição geral sobre essa prática. Afinal, o que para uns é terrorista, para outros é chamado de “combatente da liberdade”. O que é importante ter em mente é que o terrorismo envolve o uso da violência contra alvos indiscriminados (na maior parte das vezes) com o objetivo de causar pânico e influenciar um processo decisório (geralmente político). No Brasil ainda não existe uma definição legal de terrorismo. No Congresso Nacional tramitam alguns projetos de lei a respeito. Assim, ninguém pode ser preso por terrorismo no Brasil hoje.

No que concerne à relação com a Inteligência, sem dúvida é com Inteligência que se previne, detecta, neutraliza e combate o terrorismo. Infelizmente, no Brasil de hoje parece haver um completo desinteresse do Governo em inteligência. Não há investimentos em nossos serviços secretos, e o trabalho dos profissionais de inteligência brasileiros é visto com preconceito e ignorância, o que é péssimo para o Estado democrático. Essa falta de atenção do Governo em inteligência também fica evidente pela ausência de uma Política Nacional de Inteligência (PNI), documento de extrema importância e norteador das ações de nossos serviços secretos, inclusive na prevenção ao terrorismo. Apreciada pelo Poder Legislativo em 2010, desde aquele ano a PNI permanece pronta para ser publicada pela Presidente da República.

Brasil no Mundo: Na sua opinião, o Brasil tem a ameaça real de Terrorismo? Ou a Lei é mais um instrumento de controle político da sociedade considerando o momento atual e o próprio ano de 2014?

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Risco de atentato: muito alto!

Nota

terrorismoTenho dito isso há anos. Espero, sinceramente, que, em termos de ações terroristas, nada ocorra durante os eventos dos próximos anos. Entretanto, qualquer um que tenha uma percepção mínima de segurança e conheça um pouco sobre terrorismo sabe que tem muitas razões para se preocupar (salvo algumas autoridades públicas, para as quais tudo segue bem, obrigado).

A matéria foi retirada da página do Sindicato dos Policiais Federais no Distrito Federal. Há quem diga que é exagero, matéria com interesse político, ou mesmo inverdade. Bom, isso não vou discutir. Ao menos serve de alerta (alerta que já tem sido dado nos últimos meses). Eu me preocuparia…

Terroristas têm 80% de chance de entrar no Brasil com falhas em aeroportos

Fonte: IG – 24/03/2014
 

Com a chegada da Copa do Mundo, aumenta a preocupação com a segurança nos aeroportos do país. Entretanto, para o presidente do Sindicato dos Policiais Federais do Distrito Federal (Sindpol-DF), Flavio Werneck, hoje o Brasil não tem uma segurança aeroportuária adequada para receber aproximadamente 600 mil turistas que são esperados durante o evento.

Nessa entrevista em vídeo ao iG, Werneck afirma que pelas condições de segurança dos aeroportos brasileiros existe “80% de chance de uma pessoa mal intencionada entrar no país (…) Entre elas, não podemos descartar a ação de terroristas”, afirma o presidente do sindicato. Continuar lendo

Are Suicide Bombers Rational Actors?

suicide bombers3According to David Rapoport, in 1979 a fourth wave of terrorism started associated to the religious extremism[1]. Amongst the characteristics of this new wave is the phenomenon of the suicide bombers, people that kill themselves in a terrorist attack. Could those men be considered rational actors or they should be seemed as crazy fanatics? Testing the assumption that terrorists are rational actors is extremely important because this perception or misperception will influence the way public authorities will establish strategies to deal with the terrorist threat, in prevention as well as reactive measures and counterterrorism.

Ehud Sprinzak presents the suicide terrorist as a new type of killing in the history of modern terrorism[2]. The use of suicide attackers, however, is not new. In the 11th century, for example, suicide terrorism was adopted as a strategy to advance the cause of Islam by the sect of the Assassins[3]. According to a Congressional Research Center’s Report on terrorists and suicide attacks, “[m]embers of premodern groups without access to dynamite did not have the immediacy and certainty of their own demise that is currently the case, nor could they expect the publicity for their attacks that is seen today; but they did engage in deliberate, calculated self-sacrifice in the act of killing civilian targets for symbolic effect”[4]. Despite the apparently association with religious-based practice, suicide attackers have been used by both secular and religious groups[5].

Apparently, practice of suicide by terrorists looks like something against rationality. After all, “(…) terrorists, though ready to risk their lives, wished to live after the terrorist act in order to benefit from its accomplishments”[6]. But it doesn’t happen with suicide bombers because they deliberately and voluntarily give their lives for the cause. And they do that following a specific rationale not so different of that followed by the formers to preserve their lives.

suicide bombers1How could one stand that somebody committing so atrocious acts of pure violence would be considered sane? Suicide attacks are particularly difficult to be understood by the common man. When one read on the headlines that a terrorist has entered in a train or a bus and exploded it remaining there, the immediate inference is that this man or woman must be crazy! So, this assumption is part of a common sense in many societies that is reiterated many times by the media[7].

Thus, due to its horrifying nature, terrorism is usually assumed as a practice of irrational and crazy people. Terrorists, however, including the suicide bombers, cannot be put at the same level of insanity of serial killers, mass murderers or school shooters. The former are politically motivated, the later not. Terrorists promote acts of brutality with a rational objective goal: take the attention or influence an audience, a government or decision makers. Their actions are planned, prepared, calculated, coordinated and controlled. There is a rationale that explains how suicide attackers have been used by both secular and religious groups.

Sprinzak explains the rationale of the suicide terrorists. According to him, “whereas the press lost no time in labeling these bombers irrational zealots, terrorism specialists offered a more nuanced appraisal, arguing that suicide terrorism has inherent tactical advantages over ‘conventional’ terrorism”. These advantages are clear: “It is a simple and low-cost operation (requiring no escape routes or complicated rescue operations); it guarantees mass casualties and extensive damage (since the suicide bomber can choose the exact time, location, and circumstances of the attack); there is no fear that interrogated terrorists will surrender important information (because their deaths are certain); and it has an immense impact on the public and the media (due to the overwhelming sense of helplessness)”[8].

Islamic+Jihad+Suicide+BombersIn the case of religious extremism, some important aspect shall be added: the role of the martyr. The suicide martyr cannot be associated to insanity, but to a rationale based on faith. When a terrorist perpetrates a suicide attack he or her is aware that: 1) there is a goal to be achieved; 2) his action will contribute to the achievement of that goal; 3) he or she will became a martyr, what is an important aspect of his or her faith or convictions[9]. Additionally, in some cases, the suicide bomber knows that his sponsors will take care of his family as retribution for his or her sacrifice – there is also economic calculation and rationality on that.

In sum, the hypothesis that terrorists are people with mental illness does not seem plausible. Obviously, one can find crazy people amongst terrorists, as everywhere. However, in general there is a rational behavior in their actions. Even the suicide bombers follow a rationale related to the achievement of, for example, political goals. As professor Edwin Bakker said, “they don’t kill because they are crazy, they kill to achieve something”[10]. Due to these reasons, one must consider the assumption that terrorists are rational actors is true.