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Sobre Joanisval

Brasiliense. Doutor em Relações Internacionais e Mestre em História. Graduou-se em Relações Internacionais e em Direito. É advogado, professor universitário e consultor legislativo do Senado Federal. Monarquista convicto. Contato: joanisval@gmail.com.

Leningrado, Dia 1 (Operação Outubro Vermelho) – Bônus

Estou aprendendo a editar vídeos. Assim, resolvi fazer este ensaio com um piloto sobre o primeiro dia na capital da Rússia Imperial, São Petersburgo. Fica como bônus pelo atraso na publicação desta quinta, hehehe. Ainda há falhas na edição, mas, repito, estou aprendendo – e, como digo a meus filhos, é errando que se aprende! Espero que gostem!

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Leningrado (Operação Outubro Vermelho)

depositphotos_107401748-stock-photo-saint-petersburg-on-the-mapTudo pronto para o início da primeira fase da Operação Outubro Vermelho! Desembarcaria em Lening…, em São Petersburgo!  O mais natural seria chegar à Rússia por Moscou, mas nosso planejamento envolvia ingressar no país por sua antiga capital, e que fora o epicentro da queda da monarquia e do golpe bolchevique de outubro de 1917.

Inconscientemente, via-me indo para Leningrado. Afinal, esse era o nome que conhecia desde a infância, época em que a humanidade se dividia entre o bloco socialista (comunista, para ser mais preciso), dirigido pela União Soviética, e o mundo livre (nós!), liderado pelos Estados Unidos. Para mim, portanto, aquela bela cidade banhada pelo Rio Neva ainda estava registrada em minha mente como Leningrado, “a cidade de Lênin” – só indo lá mesmo para alterar essa percepção!

Fundada em 1703, por Pedro I, o Grande, como parte do processo de “ocidentalização” da Rússia, São Petersburgo seria a capital do Império dos Czares até 1918 (os bolcheviques transferiram a capital para Moscou temendo a ofensiva alemã, em março daquele ano – vale lembrar que ainda estava em curso a Grande Guerra). De fato, seu aspecto ocidental – que em nada deixa a desejar às mais belas cidades da Itália, França ou Alemanha – seria a forte marca da “Capital do Norte”.

No que concerne ao nome da cidade, com a Grande Guerra, em 1914, o Czar decidiu mudar para Petrogrado (denominação mais “russa” – “grad” é um termo tradicional no idioma para “cidade”). Em 1924, após a morte do facínora que liderou a insurgência bolchevique, Petrogrado recebeu novo nome, Leningrado. Com o fim da União Soviética, em 1991, a cidade voltou a chamar-se São Petersburgo. Curiosidades: o aeroporto ainda mantém o código IATA como “LED”; e a cidade está no Oblast (nome das divisões administrativas, algo como província ou estado federado) de Leningrado.

Mas vamos à Operação Outubro Vermelho! Decolei de Brasília para Guarulhos (SP) – pois a capital federal do Brasil tem menos de meia dúzia de voos com destinos internacionais -, onde encontrei Adriana e Gustavo.  Ali no aeroporto, gosto de comer no Olive Garden, que fica bem perto do embarque internacional (a comida é boa, pode-se passar o tempo, e o preço… preço de aeroporto, né? Prepare-se…). Nossa conexão foi por Londres e chegamos a São Petersburgo (LED) no final da tarde!

Tentemos descrever a emoção! Pisando em solo sov…, russo! Que bacana! Íamos conhecer a Terra dos Czares! O coração acelera. Viagem longa… cansado… Mas estava lá! E que bacana ver tudo escrito em russo! E os avisos em cirílico! Sim, estávamos mesmo na Rússia!

Fui tenso para a imigração (sempre fico tenso na imigração, pois a maior autoridade do universo é o oficial de imigração! Se ele encrencar com você, pode até não deixar que entre no país, mandá-lo de volta ou mantê-lo detido por horas!).  Como seria na Rússia? Lembro que, no passado, a guarda de fronteira ficava a cargo do KGB, e que nem todo lugar é como no Canadá, onde o oficial de imigração lhe recebe com um sorriso, um bom dia e um “bem-vindo ao Canadá!” – isso quando, com uma simpatia sincera, não lhe pergunta sobre o Brasil, como está a situação política e a economia (asseguro que já aconteceu comigo, e é por isso que gosto demais do Canadá!)…

Procedimentos de imigração rápidos e descomplicados, tanto para mim quanto para Gustavo e Adriana, que passaram por outro guichê. Troquei com o guarda de fronteira duas ou três palavras antes do carimbo no meu passaporte. A Rússia já me acolhia bem! E isso era um ótimo sinal! Primeira etapa (imigração) concluída sem problemas!

Já com as malas em mãos (tudo certo também), saímos e lá no portão já estava nosso receptivo! (Excelente serviço contratado pela Tchayka!). Entramos os três em uma van. Já estava um pouco frio (lembre-se de levar gorro, luvas, cachecol e casacão – você vai precisar). E seguimos para o hotel, tendo as primeiras impressões da segunda maior cidade do maior país do mundo. Nos arredores, muitos prédios ao estilo soviético – com o qual estou familiarizado por viver em Brasília. Parecia uma viagem no tempo, e eu ficava imaginando quem seriam as pessoas que moravam naqueles blocos de apartamentos dos anos sessenta, como viviam, qual seria sua história… Gosto de gente, e as histórias de gente me fascinam!

Chegando ao hotel, outra grata surpresa: localização excelente! Nosso hotel, o Park Inn by Radisson, está em na Avenida Nevsky, provavelmente a mais importante (ou pelo menos uma das mais históricas) da cidade! Fica defronte a Moskovsky Vokzal (a estação de onde, como diz o próprio nome, partem os trens para Moscou – só por curiosidade, nos tempos pré-soviéticos, a estação se chamava Nikolaevsky, em homenagem ao Czar Nicolau I).

Se a localização é excelente para quem gosta de caminhar (muita coisa pode, e deve, ser feita a pé em São Petersburgo), o Park Inn também é próximo à estação do metrô. Trata-se de um hotel moderno com excelentes quartos – eu gostei. Recepção simpática, mesmo quando pedem seu passaporte para fazer uma cópia de algumas páginas – não estranhe, é assim mesmo na Rússia, por razões de segurança; só recomendo que você espere até que o recepcionista lhe devolva o passaporte em vez de deixar para pegar depois (eu faço assim, separo-me o mínimo possível de meu passaporte).

Outro ponto forte do Park Inn: o restaurante é um restaurante típico de comida… alemã! Isso mesmo! É o Paulaner Restaurant, onde servem também um café da manhã dos melhores que já experimentei. Enfim, a escolha da Tchayka para a hospedagem em São Petersburgo foi nota dez! E só seria superada pela do hotel em Moscou (sobre o qual falarei em outro post)!

Devidamente alojados, fomos descansar… Que nada! Descansar é para os fracos! Fomos é explorar o entorno! Sempre faço isso, e Adriana e Gustavo, como excelente companhia que são, foram juntos na etapa do reconhecimento!

Cidade linda! Lembra muito as ruas Paris, só que banhadas por canais (já chamaram São Petersburgo de Veneza do Oriente). Prédios no estilo neoclássico, com poucos andares… a gente se sente rapidamente voltando no tempo, e começa a imaginar como era aquela bela cidade na virada do século XIX para o XX! Na Avenida Nevsky, muitas lojas, casas de câmbio e bancos – ali andamos um pouco, comparando os preços, e acabamos trocando nossos dólares por rublos em um banco (no final do dia!). Depois, fomos comprar um cartão pré-pago, também na Nevsky, para ter acesso à internet.

20171031_193539Já disse aqui que a internet e a telefonia em geral na Rússia são baratas. Graças às dicas da Olga, pagamos cerca de 450 rublos (uns 25 reais) por internet ilimitada e 60 minutos (acho) de ligação local para duas semanas! E, repito, funcionou que foi uma beleza! Afinal, o país tem uma enorme cobertura satelital, investe em ciência e tecnologia, e as comunicações são ótimas – se o Governo sabe de tudo o que você está fazendo graças àquele chip, isso não é problema meu… ao menos funciona (ao contrário de outros lugares). E fomos bater perna!

Caminhamos na noite de São Petersburgo! Pela Avenida Nevsky, muitas lojas, prédios belíssimos, luzes em toda parte! Já começava a decoração de Natal, o que fazia ainda mais bonita aquela que era a grande rua do comércio desde os tempos dos czares! Quanta coisa não tinha acontecido ali! Quantos episódios marcantes aqueles prédios não haviam testemunhado!  De passeios matinais da aristocracia russa da belle époque às passeatas de protesto contra o governo e aos combates entre forças do czar e os revoltosos, passando pela terrível fome do inverno de 1918, pelo colapso da cidade nos 1000 dias do cerco de Leningrado durante a Segunda Mundial e chegando-se à transformação da cidade com o fim do comunismo! Muita história, muita vida! E caminhamos, caminhamos, caminhamos!

Paramos em uma lojinha de souvenires (como tantas outras que há ali) e então, outra surpresa: atendeu-nos, em um português quase perfeito, Kristina Rafaelovna, uma jovem russa, bonita, simpática e apaixonada pelo Brasil! Conversamos muito, sempre impressionados com seu excelente português. No final, compramos alguns presentes e Kristina nos indicou um restaurante georgiano, o ChaCha! E assim lá fomos para nossa primeira refeição em solo russo! E foi espetacular!

20171031_202943.jpgVoltamos para casa contentes e satisfeitos, bem alimentados, com fotos tiradas, goiabas na bolsa (“goiaba” é meu nome carinhoso para essas lembrancinhas), e realizados com nossas primeiras horas naquela maravilhosa cidade! Claro, antes de voltar para o hotel, descobri minha primeira livraria na Rússia! Mas isso será tratado no post da próxima quinta…

Na próxima semana, também vou contar mais sobre o ChaCha, e sobre como foi a experiência de testar minhas habilidades em russo no restaurante. Até lá!

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O Cogumelo

Foi há 74 anos. 4 anos de guerra para uns. Um único avião. 350 mil pessoas. Uma bomba. 100 mil almas instantaneamente pulverizadas. Um cogumelo. Uma guerra terminada. E o mundo nunca mais seria o mesmo…

Os alemães haviam assinado a rendição incondicional a 8 de maio (9 para os soviéticos). E a Europa via seus destinos serem decididos pelos três grandes em uma mansão na cidade de Potsdam (futuramente publicarei sobre minha visita ao local da Conferência de Potsdam, ocorrida – a Conferência, não minha visita – em julho de 1945). Mas o conflito continuava no Pacífico, pois o Império do Sol Nascente insistia em não se render… Quanto tempo mais os japoneses resistiriam? Quantas semanas para o desembarque dos JI americanos nas principais ilhas japonesas? Quantos morreriam nos combates contra o valoroso povo japonês?

O Presidente Harry Truman deu a seus colegas em Potsdam uma previsão: não haveria desembarque, o Japão se renderia em breve e a guerra logo acabaria. Afinal, em alguns dias o mundo testemunharia a nova arma desenvolvida pelo Projeto Manhattan e que colocaria a humanidade em uma nova era, a era do átomo. Essa arma poria fim à guerra e o Japão se renderia. 

Assim, às 8:15 da manhã daquele 6 de agosto, os cidadãos de Hiroshima encontraram seu destino: do único avião que fora avistado, o Enola Gay, apenas uma bomba foi lançada. Então, um clarão imenso, capaz de ser visto do continente, foi seguido de um enorme estrondo e de uma explosão, cuja onda de choque destruiu praticamente tudo em um raio de 12 quilômetros do epicentro (por sinal, a bomba explodiu sobre um hospital – mais de 90% dos médicos e enfermeiros da cidade morreram). Cerca de 100 mil pessoas desapareceram de imediato. Outras tantas morreriam nos minutos, horas e dias seguintes. Destruição, fogo, calor inimaginável, dor, sofrimento… Nunca a palavra “inferno” se mostrara tão compreensível… Hiroshima não existia mais. O Japão sofria seu golpe definitivo.

Dois dias depois, a 8 de agosto, a União Soviética declara guerra ao Império Japonês (sim, até então os soviéticos haviam se poupado de uma frente no Extremo Oriente). As Kurilas foram invadidas. E logo viria a revanche pela derrota de 1905.

O golpe de misericórdia contra o Japão ocorreria no dia 9 de agosto. Uma segunda bomba atômica seria lançada sobre Nagazaki. Mais 80 mil mortos. E a esperada rendição japonesa. O maior conflito da história da humanidade acabaria oficialmente no dia 2 de setembro de 1945, exatos seis anos e um dia após a invasão da Polônia pelos alemães.

Indubitavelmente, a Bomba de Hiroshima pôs fim à Segunda Guerra Mundial. Indubitavelmente, a Bomba de Hiroshima evitou o desembarque norte-americano no território japonês e o prolongamento da guerra por meses. Indubitavelmente, a Bomba de Hiroshima mostrou ao mundo quem tinha uma nova arma, quem dominava o átomo e quem daria as cartas a partir de então.

E entramos em uma nova era. E nunca mais poderia acontecer uma guerra como a que terminara de acabar. ninguém ousaria enfrentar aquela nação que dominava o átomo. A paz estaria duradoura assegurada… ou não…

Neste 6 de agosto, um minuto de silêncio deve ser feito em memória dos milhares de homens, mulheres e crianças que foram sacrificados para que se tivesse a paz. E hoje, sete décadas depois, na Hiroshima reconstruída, aquele povo orgulhoso celebra sua capacidade de literalmente renascer das cinzas, e de mostrar ao mundo que, no fnal, os japoneses venceram.

“Now I am become Death, the destroyer of worlds.” (Robert Oppenheimer, quoted from the Bhagavad Gita)

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Operação Outubro Vermelho – Preparativos

Fundamental antes de qualquer viagem é a preparação. No caso de um destino como a Rússia, essa preparação adquire mais relevância, sobretudo porque, no meu caso, chegaria alguns dias antes e partiria depois que a excursão acabasse – ou seja, estaria entregue a minha própria sorte…

A preparação envolve conhecer um pouco sobre o destino, tanto no que concerne ao país que será visitado, como às cidades e, ainda, ao povo e à cultura local. Nesse sentido, começo usualmente por mapas (da Rússia, de São Petersburgo e de Moscou). Gosto de mapas e atlas e ali identifico onde ficarei e assinalo para onde quero ir, tendo feito uma pesquisa prévia sobre os lugares, horário de funcionamento, custo da entrada e, sempre bom lembrar, distâncias entre eles e meios de deslocamento. (Claro que você pode deixar isso tudo para sua agência de viagens, mas confesso que gosto muito de fazer isso por minha conta – é bem mais divertido, e você já começa a aprender com a viagem antes mesmo de sair de casa!)

A Rússia é o maior país do mundo em extensão territorial (são 17 milhões de km2, ocupando dois continentes), com uma população de 142 milhões de seres humanos de diferentes etnias (além dos russos, que constituem 81% da população, há ainda cerca de 160 grupos étnicos), que falam aproximadamente 100 línguas de distintos ramos (do abaza, com seu alfabeto de 71 letras – das quais apenas 6 vogais -, ao idioma falado pelo povo esquimó de Tchukotka – com singelas 63 formas verbais). Felizmente (?), o russo é a língua franca (dedicarei um post aqui à “barreira do idioma”).

IMG_20171113_211806_116jpg.0A terra dos russos tem uma história interessantíssima, desde os primeiros eslavos que ali se estabeleceram no século IX até a Era Putin (gosto de Putin; Putin é KGB), passando pelos 300 anos de autocracia dos Romanov (meus 16 leitores sabem da minha estima pelos Romanov) e pelas sete décadas de regime soviético, iniciado a partir da nefasta Revolução Bolchevique de 1917… Ademais, a Rússia é uma potência econômica (sim, gostem ou não, o país está no time de elite das Economias do planeta), nuclear (preserva o poder militar que herdou da URSS e o usa com sabedoria), e espacial (essa parte é importante para entender alguns de nossos posts futuros)…

Eu poderia dedicar várias páginas aqui a falar da Rússia… Entretanto, acabaria fugindo do tema desta publicação específica (se você quiser saber mais, pesquise, oras!). Mas o que cabe destacar é que eu estava ansioso e temeroso de desembarcar naquelas terras! Afinal, o mais próximo que havia ido a Leste havia sido a Estônia (que merecerá vários posts na categoria de viagens, por certo!), e já quando esse pequeno país do Báltico estava na União Européia e na OTAN. Como seria a chegada? E no aeroporto? Será que teria um receptivo para me transportar (junto com Adriana e Gustavo) ao hotel? E a hospedagem, como seria? (Localização de hotel é essencial, assim como condições mínimas de estadia.) Felizmente, essa logística inicial ficou por conta da Tchayka, missão cumprida com louvor!

Visto: para o brasileiro que vá a turismo à Rússia, não é mais necessário visto (agradeçam a Putin). Antigamente, nos tempos soviéticos, dizem que se precisava de um convite de alguém ou de alguma instituição para se solicitar o visto – naturalmente, isso era uma forma de o Estado controlar os estrangeiros que entrariam em seu território (e, só por curiosidade, o órgão responsável pelo controle de fronteiras era… o KGB! O serviço de inteligência teria chegado a possuir 400 mil homens cuidando das fronteiras soviéticas). Atualmente, repito, não lhe será necessário o visto – que exigirão de norte-americanos e europeus em geral, hehehe.

E o idioma? Teremos um post específico a respeito. Gosto de chegar a um lugar onde consiga me defender minimamente na língua local, mas o mundo é muito grande e a diversidade linguística torna isso impossível. Como disse, não morrerei de fome em russo, sei pedir desconto (скидка, ensinou-me Olga, minha professora de russo) e consigo pegar informação e comprar bilhetes de metrô, o que me deixa em vantagem quando naqueles lados. Mas se você não fala russo, não entre em pânico! Dou-lhe três opções: 1) fale inglês ou espanhol e entregue o diálogo ao Grande Arquiteto do Universo que ele lhe ajuda!; 2) Gestos – certamente, se você já jogou imagem e ação, vai se virar bem; 3) confie na agência de viagens especializada e deixe com eles a tarefa de se comunicar por você (recomendo alternativa 3, sobretudo se você for para lugares que estejam fora dos destinos turísticos clássicos) – gosto dessa terceira opção se não conhecer bem a língua, a cultura e o povo do lugar aonde pretendo ir.

20171031_193711.jpgAinda sobre o idioma, lembrei de uma quarta possibilidade de comunicação! Tenho um amigo de Minas Gerais (falam português lá também, adoro Minas!), que é muito comunicativo, e que me disse que, algumas vezes, inclusive na Rússia, em que não conseguiu falar o inglês, resolveu falar mesmo em português com os nativos! E, nas palavras dele, a coisa funcionava e ele conseguia se fazer entender (nunca tentei isso, mas se você quiser arriscar…)! E essa história me fez lembrar de outro amigo, que viajou certa feita com a esposa e a sogra para Paris e a genitora de sua esposa se perdeu… Após muito procurar, ele ouviu uma senhora no meio da rua, falando alto e pausadamente (e com o inconfundível sotaque pernambucano) aos transeuntes: “Es-tou per-DI-DA! Sou bra-si-lei-ra e es-tou per-DI-DA! Al-guém me a-ju-DE!” O fato é que ela conseguiu ser encontrada e ganhou nota dez em efetividade!

Melhor época do ano para ir à Rússia? Todo mundo vai dizer que é no verão (ou em maio, ou em setembro) … Deve ser mesmo, mas eu queria ir em novembro, para sentir como seria o clima do país no mês do golpe bolchevique que acontecera cem anos antes. Aí você me pergunta: não seria outubro? Até 1918, os russos adotavam o Calendário Juliano, enquanto nós aqui no Ocidente já estávamos, desde 1582, sob o Calendário Gregoriano, havendo uma diferença atualmente de 13 dias entre ambos. Assim, o levante bolchevique, ocorrido em outubro de 1917 para os russos, deu-se, no nosso calendário, em novembro. De toda maneira, o clima estaria bem frio para meus padrões tupiniquins…

Com que roupa eu vou? Sendo férias, roupas confortáveis. Costumo me programar para levar uma muda por dia, mais duas mudas extras e algumas peças caso vá sair para algum restaurante mais arrumado à noite ou coisa parecida. No caso de camisetas, vale lembrar que você pode levar um pouco menos, adquirir algumas no local onde estiver e já sair vestido nelas (o que lhe garantirá mais espaço na mala). Outro detalhe importante: quando para destinos frios, você necessitará de um ou dois casacos simples (tipo pulôver), que ficarão sob o casacão de inverno (esse é meu coringa!) – e saiba que passará a viagem toda com esse casacão (mande às favas quem quiser acusá-lo de repetir a roupa – você está de férias, no frio, e tem que ser prático). Duas calças: uma mais arrumada e aquela superprática com um monte de bolsos! E, para o frio russo, cachecol, gorro, luvas e malha interna (mão na roda!). No máximo dois pares de calçados (eu gosto de usar uma bota que me acompanha em diferentes ambientes). Os limites de peso de mala das companhias aéreas não ultrapassam uma peça de 23 kg, então seja comedido (e deixe espaço para as “goiabas” que comprará na viagem). E se for pegar trem, a coisa é mais restrita, com a ressalva de que será você mesmo quem carregará a mala para dentro e fora do vagão…

Ainda sobre as malas, lembre-se de tirar uma foto de sua bagagem antes de despachá-la (e de guardar com muito carinho o comprovante). Também recomendo fazer uma etiqueta para colocar dentro, com informações sobre seus voos, endereços do primeiro destino e de casa, e informações de contato. Coloque, repito, dentro da mala, sobre as roupas (eu faço assim). A ideia é mitigar o risco de extravio e, caso isso aconteça, ajudar a companhia aérea a lhe devolver a bagagem…

Dinheiro e câmbio: difícil encontrar rublos no Brasil, então você vai trocá-los lá. Evite trocar muito dinheiro no aeroporto, pois a taxa de câmbio é bem desfavorável em qualquer aeroporto da Via Láctea. Em São Petersburgo e em Moscou há bancos por todo lado (cheguei ao hotel, fui fazer o reconhecimento do ambiente operacional – procedimento padrão, e vi que havia muitos bancos e casas de câmbio, podendo escolher a melhor cotação). Não preciso dizer para você não trocar dinheiro na rua com estranhos, né? Nos hotéis costumam trocar, mas você sofrerá com o câmbio.

Comunicações: sem comunicação (leia, internet) você estará em situação bastante desfavorável. A boa notícia, quem me deu foi a Olga (a mesma que me ensinou, entre outras coisas, a pedir desconto), é que internet na Rússia é barata e você pode comprar um cartão telefônico pré-pago que lhe será tremendamente útil. Fiquei surpreso com o baixo custo da internet (muito inferior à Europa e aos EUA). E, melhor de tudo, a internet funcionava que era uma beleza! Depois, pensando a respeito, entendi a importância de se ter um setor espacial desenvolvido como o russo. Isso afeta diretamente o custo das comunicações do dia-a-dia. Fica a dica para um melhor aproveitamento do Centro de Lançamento de Alcântara (CTA) e para investimentos maciços no programa espacial brasileiro!

Passaporte em dia, mapas em mãos, com locais de interesse assinalados, dinheiro no bolso, seguro de viagem feito (faço sempre com a Cleide e a equipe da Adria Viagens – também não estou recebendo jabá deles não, mas há muitos anos trabalho com esse pessoal muito profissional aqui em Brasília e que acabou se tornando amigo – recomendo!), mala arrumada, história na cabeça, coração acelerado, expressões no idioma local memorizadas, entusiasmo de conhecer o novo, um outro mundo, a Terra dos Romanov! Sentia-me como César ao cruzar o Rubicão: logo eu cruzaria ao Atlântico e chegaria a um dos países mais fascinantes em que já estive! E vamos à Rússia!

Saí de Brasília para a conexão em Guarulhos, onde encontraria Gustavo e Adriana. Depois seria Londres e aí Lening…, São Petersburgo! Estávamos prontos para chegar em mais uma aventura, na Operação Outubro Vermelho!

Na próxima quinta, contarei um pouco sobre São Petersburgo, a cidade fundada por Pedro, o Grande, e capital da Rússia entre 1712 e 1918! Até lá!

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Operação Outubro Vermelho – A decisão de avançar!

Sempre quis conhecer a Rússia (grande novidade para quem é um apaixonado pelas relações internacionais!). Afinal, o maior país do mundo, história, cultura, caleidoscópio de povos fascinantes… Uma potência nuclear e uma nação que viveu incomensuráveis transformações em cem anos… Além disso, oportunidade para treinar meu russo (comecei a estudar o idioma nos anos 1990, na Embaixada da Federação da Rússia em Brasília, apesar de ter esquecido tudo), e, para completar, terra de Putin (gosto de Putin; Putin é KGB). Assim, se havia um país que estava na minha lista de destinos, esse seria a Rússia.

20171102_152829Minha ideia de visitar a Rússia ganhara força em 2015, por ocasião dos 70 anos do final da Segunda Guerra Mundial (ou, como dizem os russos, da “Grande Guerra Patriótica”). Havia preparado todo um planejamento para estar em Moscou em 9 de maio, data da assinatura da rendição incondicional alemã, em Berlim, 1945 (haviam assinado a rendição em 7 de maio, em Reims, França, mas sem a presença soviética, e então Stálin fez uma singela interferência para que outro documento fosse firmado para ter efeito a partir das 23:00 de 08/05, na Capital do Reich, e já 09/05 em Moscou). Meu objetivo, portanto, era vivenciar o clima de Moscou durante os festejos do Dia da Vitória. Iria também a São Petersburgo (Leningrado), a Kursk (onde se deu a maior batalha de tanques da história), e a Volgagrado (a antiga Stalingrado)…

Por razões alheias à minha vontade, essa primeira incursão em solo soviét…, digo, russo, foi abortada – meu 8 de maio de 2015 foi em Brasília, participando de uma cerimônia de última hora no Palácio do Planalto, e na qual a impressão que se tinha é que a então presidente da república estava tremendamente desconfortável com o evento… Mas a vontade de viajar para o país dos Romanov só aumentava, e eu já tinha feito contato com o Sérgio Delduque, da Tchayka (já falei dele por aqui), e tinha a expectativa de organizar uma viagem à terra de Tolstoi num futuro próximo…

Passou um ano, acabou o (des)governo Dilma (amém!), um segundo ano, e, em 2017, recebi um e-mail de Sérgio informando que eles estavam a organizar uma excursão especial à Rússia, por ocasião do centenário da (famigerada) revolução de outubro de 1917 (o “famigerada” é por minha conta, pois Sérgio, profissional elegante e isento que é, nunca usaria esse termo – mas, como a história é minha, eu conto como quiser, né?). O momento seria interessantíssimo, pois o país vivia um clima de revisão do passado soviético, preparava-se para as eleições presidenciais do ano seguinte (que fariam com que Putin se tornasse o governante com mais tempo no poder desde os czares) e, de quebra, vivia a fase preparatória para a Copa do Mundo de Futebol de 2018! Essa eu não perderia!

20171106_193039Foi questão de alguns dias para acertar tudo com a Tchayka… A única reticência é que eu iria em um grupo (o que para mim é estranho, pois costumo viajar sozinho), com pessoas completamente desconhecidas. Que tipo de gente se interessaria em ir à Rússia por ocasião do centenário da (nefasta) Revolução Bolchevique? Será que eu, conservador na política, liberal na economia, monarquista convicto, acabaria muito destoante do grupo? Resolvi então consultar alguns amigos para ver se alguém se interessava – aqui de Brasília, o silêncio foi absoluto.

Se o pessoal de Brasília não pôde me acompanhar, quão grata não foi a surpresa quando um casal amigo de Santos resolveu me acompanhar nessa empreitada! Gustavo e Adriana são dois queridos amigos que fiz quando viajamos juntos para a Normandia, em junho de 2014 (certamente serão dedicados vários posts aqui à viagem à Normandia, mas o que ficou de mais marcante daquele passeio foram os amigos que fiz, um grupo fantástico e singular, com quem convivo até hoje!). E, conforme veremos nas publicações seguintes, esses dois companheiros de viagem foram responsáveis por vários momentos inesquecíveis naquele fascinante país – certamente não teria sido a mesma coisa sem eles!

Muito bem! Passagem comprada, pacote ajustado com alguns dias a mais em São Petersburgo (antes do grupo chegar) e em Moscou (depois que acabasse a programação proposta pela Tchayka), inclusive com a companhia de Adriana e Gustavo, agora era começar os meus preparativos… Sim, porque, para ir para a Rússia, ainda mais pela primeira vez, eu teria que me preparar! Nó próximo post, tratarei desses preparativos…

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Pelo mundo… Um pouco de tudo…

Meus queridos 16 leitores, neste domingo, 04/08/2019, começo um projeto novo aqui em Frumentarius: atendendo a pedidos, passarei a contar sobre as minhas viagens pelo mundo… A ideia é, a cada semana, narrar um pouquinho sobre as aventuras deste viajante em destinos pouco conhecidos, ou muito conhecidos, mas com programas que fujam dos roteiros turísticos comuns. Não esperem lugares turísticos tradiconais (a não ser que haja uma boa anedota relacionada), tampouco roteiros de compras (salvo de livrarias ou lojas de militaria), e muito menos de gastronomia (com exceções, como um bom local onde você possa experimentar carne de urso ou um guisado georgiano).

IMG_20190707_175436_117Nossas narrativas envolverão História, gente e guerra. Sempre gostei de visitar campos de batalha, museus ou sítios onde grandes decisões foram tomadas, e, claro, cemitérios militares (para render tributo aos que tombaram no cumprimento de nobres missões)… E é sobre isso que serão as publicações em sua maioria.

Assim, começaremos pela Rússia, onde estive em outubro/novembro de 17 (2017), passaremos pela Alemanha, pelos campos de batalha da Primeira Guerra Mundial, pelas praias da Normandia. A cada semana, a princípio nas quintas-ferias (por que quintas-feiras? Porque escolhi as quintas aleatoriamente, uai!), publicarei um post comentando um episódio de alguma viagem, com imagens, algumas vezes, vídeos (espero aperfeiçoar minha capacidade de edição das imagens).

Cada viagem terá um nome específico, e os posts serão agrupados na categoria “Viagens” e na subcategoria referente ao destino. Portanto, a da Rússia’17 será chamada “Operação Outubro Vermelho”, e todos os posts relacionados estarão nessa categoria. Naturalmente, não esgotaremos um tema para entrar em outro e, com o passar das semanas, você pode ser surpreendido com uma história sobre a “Operação Outubro Vermelho” e, na outra, com comentários referentes à “Guerra do Fim do Mundo” ou à “Operação Overlord” (no momento certo, informarei sobre a que viagens se referem esses nomes).

Aí você me pergunta, “e o que é que eu tenho com isso?”. Bom, pode ser que você, entre os 16 leitores, seja um dos dois ou três que apreciarão os “causos” que contarei por aqui! Espero que goste e que as dicas que darei possam ser úteis a suas próprias viagens, sem maiores pretensões…

Amanhã começaremos, então, a Operação Outubro Vermelho! Até lá!

A volta dos Romanov

Conversando hoje pela manhã com um dos meus estimados 15 (quinze) leitores, esse amigo comentou sobre o interesse de sua filha e de alguns colegas lá no trabalho sobre a história da família Romanov (que governou a Rússia durante pouco mais de 300 anos), particularmente sobre o último Czar, Nicolau II, brutalmente assassinado junto com sua família há 101 anos. Coincidentemente, vi na Gazeta Russa agora há pouco uma matéria a respeito do aumento do interesse dos russos na monarquia. 

De fato, o artigo assinala que Nicolau II é mais popular entre seus compatriotas que Lênin e Stálin, e  que 8% dos russos querem o retorno da monarquia; 19% não são contra, mas depende de quem seria coroado, e 66% dos russos são categoricamente contra o retorno do regime monárquico – o que não surpreende, depois de 70 anos de comunismo e três décadas de recuperação daquele estrago… Mas esses 27% simpáticos à causa monárquica chamaram-me a atenção para um fato: os Romanov não foram totalmente aniquilados!

Niclau e Alexei

O Czar e seu filho, Alexei, também brutalmente executado em 17 de julho de 1918, pouco antes de completar 14 anos.

Ainda que a volta da monarquia no país com maior dimensão territorial do planeta seja uma possibilidade muito remota, a Rússia pós-soviética é marcada pela reabilitação do último Czar (que acabou canonizado em 2000 pela Igreja Ortodoxa), e pelo aumento do debate sobre o período imperial e a tragédia que foram os anos sob o comunismo. São poucos os que têm saudade da URSS (constatei isso quando estive no país em 2017 e nas conversas com os nativos), e muita gente vê os Romanov com um misto de curiosidade e simpatia.

Joanisval e Nicolau

O Czar Nicolau II e eu. E tem um mala discursando lá atrás…

Em novembro de 2017, na cidade de São Petersburgo, a capital fundada por um dos maiores Romanov, Pedro I, pude participar da Festa da Luz, um evento ao ar livre em que se projetavam imagens da história do país como referência aos acontecimentos de 1917, no novo feriado russo chamado Dia da Unidade Nacional (já que não se comemora mais a revolução bolchevique). A apresentação mostrava o amor de Nicolau por Alexandra, seu zelo para com os filhos, a beleza da Rússia monárquica, a Grande Guerra e crise que culminou na abdicação do Czar e no Governo Provisório, sucedido pelas conspirações que levaram ao “golpe de outubro”, que é como os russos passaram a chamar o que muitos por aqui ainda denominam saudosamente (ao estilo Neymar, “saudade do que nunca vivemos”) de “revolução russa de 1917”. Sim, parece geral a percepção de que o governo bolchevique conduzido pelo famigerado Vladimir Ilyich Ulyanov et caterva trouxe grandes males e muito mais prejuízos à Rússia e ao seu povo que benefícios, entre eles o totalitarismo stalinista. Confesso que isso muito me alegrou.

Assim, Nicolau II e sua família repousam hoje na Catedral de São Pedro e São Paulo, na antiga capital imperial, e sua memória é cultuada por pessoas das mais distintas origens e classes sociais. Como acontece nas monarquias, de ontem e de hoje, as figuras do soberano e de seus familiares, os símbolos e tradições do império, e a ideia de uma época mais charmosa e feliz permeiam o imaginário de muitos russos quando se fala “nos tempos do Czar” – tempos esses, repito, não vividos por praticamente mais ninguém ali depois de um século.

Se os Romanov voltarão um dia a governar aquele fascinante país, ou mesmo se a Rússia terá novamente um regime monárquico, é muito difícil dizer. Entretanto, o que parece uma certeza é que os russos não querem mais nem cogitar o retorno do comunismo, que se dissolveu há quase trinta anos, apodrecido nas suas ideologias de corrupção, cupidez e violência…

Nicolau e Joanisval

Joanisval e Nicolau

Compartilho aqui com meus leitores um episódio que aconteceu comigo enquanto visitava São Petersburgo por ocasião do centenário dos acontecimentos de outubro/novembro de 1917… Estava eu com um grupo de brasileiros, que haviam ido à Rússia para “comemorar a Revolução de Russa e a vitória do comunismo”. Minha curiosidade, registre-se bem, era eminentemente histórica – afinal, queria vivenciar a Rússia cem anos depois daqueles episódios que lançaram o país no caos!

Não preciso dizer que a maioria do grupo era de esquerda, comunistas e socialistas brasileiros – deveriam ser os únicos que estavam ali a glorificar os feitos do senhor Lênin et caterva. Também não preciso dizer que meu relacionamento com uma parte deles restringia-se apenas à convivência em alguns passeios e a um formal “bom dia” ou “boa tarde” quando nos encontrávamos (pois Dona Conceição me educou bem). Ao contrário das pessoas com quem estive na Normandia, em 2014, nos 70 anos do Dia D (que se tornaram bons amigos, com quem me relaciono até hoje, inclusive por conversas diárias nas redes sociais), daqueles de Leningrado (ops!) e Moscou foram poucos de quem mesmo guardei os nomes…

Mas vamos ao episódio. Estávamos a visitar o Cruzador Aurora, que, em outubro de 1917, teria dado os primeiros tiros para desencadear o golpe bolchevique e a derrubada do Governo Provisório de Kerenski. Fundeado às margens do Rio Neva, na belíssima São Petersburgo, esse navio é hoje um museu em memória da Revolução Russa. Costumeiramente, viajo com uma Bandeira Imperial do Brasil e gosto de fazer retratos com nosso Pavilhão Auriverde. Qual não foi minha surpresa ao ver que um dos nossos colegas de excursão teve a brilhante ideia de levar consigo uma bandeira soviética (sim, a tradicional, vermelha com a foice e o martelo), e quis posar para uma foto com ela no navio!

Fiquei a observar. Quando o sujeito abriu a bandeira, um marinheiro que fazia guarda ali veio em sua direção. O brasileiro achou que o rapaz iria posar com ele (como o fizeram muitos dos russos conosco naqueles dias, numa demonstração cristalina de que são um povo simpático, agradável e nada frio). Vejo os dois tentanto um diálogo impossível. Seguem-se os minutos. O cidadão fica bravo com o marinheiro. O jovem russo mostra-se irredutível nas suas determinações. A bandeira é então colada de volta na mochila, sem que o retrato fosse tirado (eu e um casal amigo tiramos várias fotos com bandeiras no navio…).

Pouco tempo depois, nosso comunista tupiniquim vem em minha direção. Foi creio que a segunda das duas vezes que troquei algumas palavras com ele em dez dias. Olha para mim, com ar frustrado, e balbucia, esperando minha solidariedade (de classe, certamente):

– Acredita que “o soldadinho ali” não me deixou tirar foto com a bandeira? Para você ver, tem “coxinha” em tudo que é lugar!

Ao que minha resposta é automática:

– Não é isso, meu caro. É que aqui eles viveram o comunismo, e têm plena consciência dos males que os comunistas causaram a este país e a seu povo!

O sujeito fica estático cinco segundos (certamente processando a resposta em sua mente patológica), dá meia-volta e vai embora rangendo os dentes (para minha satisfação, não nos falamos mais por toda a viagem). E eu fiquei ali, apreciando a paisagem do Neva já em congelamento, sentindo a brisa fria no rosto, e gargalhando interiormente, lembrando de Nicolau II e feliz comigo mesmo por ter dado minha parcela de contribuição ao povo russo em sua revisão da História e, claro, na reabilitação dos Romanov…

Para a reportagem sobre a percepção russa acerca de Nicolau II, clique aqui (e sim, está em português).

E a seguir um vídeo com um pouco da Festa da Luz, que gravei em 2017. Está também lá no meu canal no Youtube, que você acessa clicando aqui

Em tempo: a agência de turismo que me levou à Rússia foi a Tchayka (hoje operando sob o nome de Rota da Seda). Recomendo muito! Profissionalismo, seriedade e eficiência. Para acessar o site deles, clique aqui. E recomendo falar com o Sérgio Delduque lá – certeza de bom atendimento!

(Atenção! Não estou ganhando nem um centavo de jabá do pessoal da Tchayka. Recomendo porque realmente gostei muito do serviço deles!)

E-Gonomics

Meus queridos 15 (quinze) leitores (pois é, o número aumentou nos últimos dias! Yes!),

Dando continuidade à reestruração de Fumentarius.com (teremos novidades nas próximas semanas!), resolvi associar alguns links de páginas que considero interessantes – são referenciais em minhas leituras e pesquisas. Assim, inseri há pouco o vínculo para E-Gonomics, o blog de um querido amigo, Luiz Congazaga Coelho Júnior, com informação econômica sobre o Brasil, os EUA e outros mercados. E-Gonomics está em constante atualização, então estou certo de que será uma página útil, em especial para meus alunos e amigos interessados em Economia.

Bom proveito!

(Os links estão na barra lateral quando se acessa o Frumentarius.com pelo computador. Ainda aprendendo como colocar isso para o formato de tablet e celular.)

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Livro, um péssimo negócio!

Ao chegar hoje ao shopping para minha habitual programação das tardes de sábado, deparei-me com um cenário triste e uma situação inesperada: uma parede de madeira dividia a Livraria Cultura do Shopping Iguatemi, restringindo seu espaço a apenas um terço do original… No tapume bege, a mensagem de que estavam em obras e que ali seriam as futuras instalações de uma papelaria conhecida aqui de Brasília.

20190727_152105Sensação das piores para todos os apaixonados por livros e que tinham na Cultura um oásis para matar a sede de conhecimento nos finais de semana, encontrar os amigos entre as prateleiras e tomar um chocolate no Café ali dentro! Sentimento de perda, não só de espaço, mas uma parcela de momentos inesquecíveis… Frustração ao ver os livros, em menor quantidade, distribuídos quase que aleatoriamente em estantes que sobravam, e para as quais os (poucos) vendedores acorriam com um ar de desencanto, meio que tentando reposicionar títulos que não sabiam se realmente deveriam estar ali. “Desencanto” talvez seja a melhor definição daquele cenário.

Olho para o lado e vejo minha filha com lágrima nos olhos… Ela cresceu indo àquela livraria, brincava na seção infantil, entretia-se com as apresentações culturais, passava horas envolvida com as histórias de quem sabia fazer sonhar… Ali certamente seu gosto pela leitura era ninado em um ambiente saudável e acolhedor. Ali ela participou de lançamentos de obras infantis, infanto-juvenis e até de autoria de seu pai, com lembranças, repito, que jamais serão apagadas. E agora, aquela menina vislumbrava o começo do fim, e seu espaço sendo diminuído, perguntando-se se seria a modernidade que estaria a nos afastar daquele companheiro de toda a vida, e que se popularizou a partir do momento em que Gutemberg nos trouxe a imprensa…

Talvez quem viva com livros entenda esse sentimento de frustração. No Brasil, as grandes livrarias entraram em crise nos últimos anos, com a FNAC fechando e sendo comprada pela Cultura, esta, por sua vez, em recuperação judicial, e em grave risco de bancarrota, assim como acontece com a Saraiva, com diversas unidades tendo que cerrar suas portas, e grupos de livreiros tradicionais deixando dívidas de milhões para as editoras e demais credores. Isso tudo levaria muita gente a afirmar que, “definitivamente, o livro é um péssimo negócio, sobretudo no Brasil”.

Não sou conhecedor do mercado editorial, muito menos do negócio dos livreiros. Na condição de autor, o elo mais fraco nisso tudo depois do próprio leitor, percebi, porém, situações que contribuíram para nos colocar na pior crise que o setor que edita e comercializa livros tem enfrentado em toda sua história. De forma alguma farei qualquer análise técnica do problema, mas apresentarei algumas reflexões fruto da observação de quem escreve, adquire constantemente, e é apaixonado por livros.

Um primeiro ponto a ser considerado no “negócio” dos livros é como são distribuídos os valores pagos quando você compra uma obra. Do preço de capa, entre 5% e 10% vão para o autor (normalmente, não se passa disso), que terá sorte se as editoras realmente pagarem esses direitos autorais (do meu primeiro livro, Tribunal de Nuremberg, recebi um imenso calote da Editora Renovar, que nunca me pagou os direitos referentes à segunda edição, em um total descaso com quem gerou a obra – essa falta de profissionalismo para com os autores talvez tenha contribuído para a falência daquela editora). Assim, o autor dificilmente receberá mais de 10% do preço de capa (definitivamente, são raríssimos os autores que vivem de suas publicações no País).

Se entre 5% e 10% é destinado ao autor, a editora fica com cerca de 40 a 50% do preço de capa, parcela para cobrir os custos de produção, distribuição e impostos e, claro, o lucro do editor – é disso que ele e a empresa vivem. Assim, quem se dedica ao negócio de publicar livros e, normalmente, arca com os riscos do negócio (há editoras que dividem com o autor esses riscos da publicação), terá entre 40 e 50% do preço de capa. E os outros 40 a 50%? Bom, esses vão para os livreiros.

Sim, entre 40 e 50% do preço de capa de um livro fica para a livraria – com isso ela paga suas despesas e tem seu lucro. E é com essa margem que ela pode lidar para, por exemplo, fazer promoções e dar descontos. Aqui cabe um detalhe importante: geralmente, os livros são vendidos pelas livrarias por consignação, ou seja, as livrarias recebem as obras e só “pagam” às editoras depois que venderem. Quando, em ocasiões mais raras, os livreiros pagam antecipadamente parte dos títulos que adquirem, fazem-no com cláusulas contratuais que lhes permitam devolver os livros não vendidos depois de um certo tempo, e receber o dinheiro de volta – em espécie, ou em forma de crédito junto à editora. E assim, em linhas gerais, funciona a distribuição dos valores arrecadados com a comercialização de livros, abocanhando as livrarias uma parcela significativa deles!

20181123114426_1200_675_-_livraria_saraivaAinda que os editores reclamem e digam que os vendedores de livros ficam com a maior parte do lucro, sempre foi assim… E, nessa relação muitas vezes complicada com as editoras, pequenas livrarias viraram grandes redes, fizeram investimentos, engoliram livreiros menores, fizeram contratos leoninos com as editoras (que, muitas vezes, reproduziam esse comportamento com os autores), começaram a “diversificar o negócio”, perderam a mão, não abriam mão dos lucros significativos, e começaram a levar tombos, deixar de vender, deixar de pagar os fornecedores, ver suas dívidas crescerem, fechar as portas e tomar consciência de que a crise era uma evidência de que o livro era “um péssimo negócio”!

Nos últimos anos, as perdas foram significativas para muitos que tinham livros como negócio. Entre 2012 e 2019, o número de livrarias no Brasil (que sempre foi reduzido) teria despencado de cerca de 3.500 para 2.500… Rui Campos, proprietário da Livraria da Travessa, teceu algumas interessantes considerações sobre a situação do mercado editorial do Brasil nos últimos anos, em entrevista publicada pela Deutsche Welle, em 31/01/2019:

“Ao mergulharmos na crise sem precedentes que o Brasil enfrentou nos últimos anos, as nossas principais redes revelaram as estratégias equivocadas em que se envolveram. Encontrando financiamento fácil característico dos anos Dilma, usaram e abusaram de busca desenfreada por aumento de faturamento visando ‘abertura de capital’, sem nenhuma preocupação com margens e resultados. (…) Conduziram uma abertura acelerada de megalojas, enxugamento de quadros com a demissão dos livreiros históricos e um forte investimento em livros eletrônicos e em e-readers para leitura de e-books que não performaram nem perto do que se apregoava. Sendo as livrarias criadoras de demanda, nunca essa demanda será totalmente atendida por outras livrarias. Muito irá se perder com consequências ruins para nossas editoras e para o mercado livreiro”. ( – Veja mais em https://noticias.uol.com.br/ultimas-noticias/deutschewelle/2019/01/31/as-livrarias-estao-desaparecendo-do-brasil.htm)

“Tudo bem”, você vai dizer, “sempre lemos pouco em relação ao restante do continente, vivemos o período de maior crise econômica de nossa história, e os livros tradicionais estariam perdendo espaço para novas opções tecnológicas como e-books e audiobooks” (usei o gerúndio e escrevo os nomes em inglês porque o pessoal acha mais chique e modernoso usar a língua e o estilo dos gringos, mesmo que os autores sejam Machado de Assis – que nunca leu um e-book – ou Eça de Queiroz – o qual, consta, detestava audiobooks). Só que a verdade não é bem essa…

Pesquisas assinalam que o número de leitores tem aumentado, bem como a venda de livros – sempre que se tem uma bienal esse fato é ressaltado, não? E enquanto e Saraiva e Cultura quase colapsaram, redes como a Martins Fontes, a Leitura (tenho minhas reservas com relação à Leitura) e a Livraria da Travessa cresceram e ocupam mais espaço. Reproduzo aqui um trecho de matéria de O Estado de São Paulo, de 27/12/2018, que trata dessa situação:

Um cenário desolador, que coloca em xeque o modelo de negócio e faz pensar em alternativas para o futuro, mas que tem boas notícias também. A Martins Fontes Paulista, focada em livro, registrou até a véspera do Natal crescimento de 56% no faturamento em relação ao mesmo período de 2017. Alexandre Martins Fontes, que sempre teve a Cultura do Conjunto Nacional como modelo, diz que “uma livraria física deve oferecer tudo aquilo que uma livraria virtual não oferece: atendimento personalizado, ambiente aconchegante, eventos culturais, café, etc.”. A Travessa, do Rio, chega a SP e a Lisboa em 2019. E a Leitura se espalha pelo interior do Brasil, aeroportos e rodoviárias. (Para a matéria completa, vide: https://cultura.estadao.com.br/noticias/literatura,a-crise-do-mercado-editorial-brasileiro-em-cinco-perguntas,70002658690)

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Voltamos, assim, ao ponto inicial de minhas elucubrações: como a Saraiva e, sobretudo, a Cultura, chegaram a essa situação? Usando as palavras do passageiro perdido, dirigidas o motorista do ônibus, “a que ponto chegamos” para eu entrar na Livraria que se tornou um dos pontos de referência na Capital do Brasil e ver aquele cenário apocalíptico (ao menos para quem ama livros)?

Sinceramente, essas duas grandes corporações editoriais entraram em colapso quando mudaram a sua percepção do comércio dos livros e contrataram “especialistas” para promover uma “reengenharia” em seu “negócio”. Sim, tanto Saraiva quanto Cultura se afastaram das origens, arranjaram “CEOs” e “businessmen” para substituir “donos”, “gerentes” e “diretores” e começaram a conduzir-se como se livros, redes de fast-food e bancos fossem o mesmo tipo de negócio, ou negócios a serem tocados do mesmo jeito: estratégias de vanguarda aplicadas no setor financeiro poderiam ser aplicadas para as livrarias? Por que não? E leitores nada mais seriam que clientes, com “meu negócio preocupado em racionalizar os gastos, aumentar a eficiência, reduzir a despesa e aumentar os lucros?” Claro! “Por que não vender computadores, TVs e DVDs aproveitando o espaço das livrarias?” E “para que eu preciso de vendedores que conheçam e gostem de livros se posso pagar menos para alguém que saiba operar um sistema e verificar no computador que o livro de Joanisval e Marcus Reis, Terrorismo: conhecimento e combate está na seção de Literatura, subseção Terror, ou está esgotado – já que no meu sistema diz que não consta na loja?” Esse mesmo vendedor, diga-se de passagem, vai procurar O Banquete, de Platão, na seção de Culinária – e pode até ser que encontre!

Saraiva e Cultura deixaram de ser livrarias, de contratar livreiros, e passaram a tocar o “negócio de livros”, mais um “negócio”… Esqueceram que o “consumidor” de um livro é, na verdade, um “leitor”. Parecem não saber que quem vai em busca de um livro na livraria está à procura de uma experiência…

Quem lê exerce uma atividade prazerosa desde o momento que chega à livraria (não à “megastore”) para passear pelas estantes, correr os olhos a brilhar sobre as prateleiras, pegar um, dois, três livros, sentar em uma poltrona para passar a outro estado de consciência enquanto viaja nas reflexões de outra pessoa, reflexões essas que se tornam suas a cada página “degustada”. Quem vai a uma livraria quer deixar de lado as preocupações quotidianas, quer fugir, ainda que por alguns minutos, para um universo em que possa, por si só, descobrir algo novo, viver outras realidades. Apenas quem ama livros sabe o prazer que um texto bem escrito proporciona e a importância de uma boa livraria para a saúde mental do ser humano.

Sim, faz toda a diferença chegar a uma livraria como era a Livraria Cultura do Shopping Iguatemi de Brasília! Dezenas de estantes, livros dos mais distintos gêneros, cheiro de livro novo, poltronas para se recostar e apreciar um bom título (que acabaria sendo adquirido), mas não sem antes tirar um cochilo de poucos segundos, porém de imenso potencial revitalizador. Um café no “Café” completa o passeio à livraria que, se há desconto, ainda que simbólico para aqueles que são “fiéis” (sim, porque senão o leitor pode viver tudo isso e buscar a obra mais em conta pela internet – desconto é algo psicológico!), certamente verá o leitor indo embora com a sacolinha e ao menos um livro nela – para voltar na outra semana em busca de mais!

O livro foi, indubitavelmente, uma das maiores criações da humanidade. Portanto, o livro e a humanidade são indissociáveis. Muito difícil vender livros sem gostar de livros. Daí a importância do “livreiro”. As grandes redes sacrificaram seus livreiros. E ao matarem os livreiros que ali estavam, selaram sua própria sorte. A única chance, portanto, é sair do “negócio dos livros” e voltar ao “ofício dos livreiros”.

Para concluir com uma centelha de esperança, se a frustração foi imensa hoje na Cultura, a alegria foi grande diante de um episódio que aconteceu comigo no início da semana: ao entrar na Saraiva do Brasília Shopping, aqui na minha cidade, percebi que a loja estava diferente, com um ambiente mais agradável. Alguma coisa parecia estar mudando ali. Acabei encontrando três livros e fui ao caixa para levá-los (sim, não os comprei pela internet, pois tenho desconto na Saraiva). Qual não foi minha surpresa quando me deparei, trabalhando naquela loja, com o Chiquinho, amigo de longa data, e um dos últimos livreiros aqui do Distrito Federal! Chiquinho dedicou toda sua vida aos livros, é um Livreiro com “L” maiúsculo, alguém que diz com muito orgulho que “saiu da roça para trabalhar na livraria e nunca mais pensou em outra profissão!”. Estava explicado o porquê daquele ambiente diferente, renovado. A livraria agora dispunha de alguém que ama livros, ama falar de livros, ama ser livreiro!

Espero, verdadeiramente, que a Saraiva continue a recuperar-se (e que traga mais Chiquinhos para seus quadros), e que a Cultura retome seu rumo e volte às origens. E as origens da Livraria Cultura dão, por si, uma boa história, uma boa história de dificuldades, desafios e superação, uma história de imigrantes judeus que amavam livros e que viram no comércio dos livros sua profissão.

Livro só será um péssimo negócio se for só “um negócio”. Cada livro é uma peça única, feita por alguém para outra pessoa. Cada livro é uma expressão de nossa cultura, a materialização de nosso pensamento e, sobretudo, em cada livro está uma parcela da humanidade. E, a esse respeito, o encontro com Chiquinho na Saraiva e a experiência nefasta na Cultura, ambas na mesma semana, fizeram-me lembrar as palavras de Charles Chaplin: “Homens, não sois máquina! Homens é o que sois!”.

Seguem os links para as matérias citadas, com informações sobre o mercado editorial brasileiro:

A crise do mercado editorial brasileiro em cinco perguntas

As livrarias estão desaparecendo do Brasil

Sim, chegamos lá!

Duas frases são marcantes para mim desde que me lembro de ter consciência do mundo: “A Águia pousou!” e “Um pequeno passo para um homem, mas um grande passo para a humanidade!”. Ambas foram ditas com alguns minutos de diferença e no mesmo contexto. Ambas foram bem pensadas para serem ditas. Ambas representam a maior empreitada conduzida pela raça humana em sua singela existência… Simbolizam também uma grande conquista, o trabalho direto de 400 mil pessoas, como disse Mike Collins (um dos três astronautas da Apollo 11), de engenheiros àqueles homens e mulheres que costuraram os trajes espaciais. Essas duas frases foram ditas por ocasião da chegada da Apollo 11 à Lua.

Aconteceu há exatos cinqüenta anos, em um dia 20 de julho de 1969… Entretanto, ainda hoje, eu, que nem era nascido então, emociono-me ao ouvir a narração de Collins sobre o evento e ao ver as imagens. Com a Águia, bilhões de seres humanos pousaram naquele corpo celeste que sempre foi objeto de curiosidade, de adoração, de iluminação, aquele astro que preenchia a imaginação do homem primitivo, era a referência a sacerdotes e fiéis de distintas religiões, inspiração para poetas e para os amantes. E isso, repito, desde sempre, unindo pessoas em distintos pontos da Terra e de diferentes tempos, mas que toda noite a viam, lá no céu, majestosa e imponente. A Águia pousou! Todos alunissamos com Neil e Buzz.

Sim, o pequeno passo de Neil Armstrong foi um grande passo para toda a humanidade. Pisamos em solo lunar! Alcançamos o objetivo tão almejado desde o início dos tempos, dos nossos tempos. E caminhamos com Neil e com Buzz Aldrin, e os vimos saltar naquela terra (?) de gravidade diferente e, como faria qualquer ser humano, brincar naquele novo mundo! E nunca mais seríamos os mesmos depois daquilo.

Não tratarei aqui das grandes conquistas e dos avanços tecnológicos oriundos do programa espacial que levou aqueles três astronautas da Apollo 11 à Lua. Tampouco farei refência aos inúmeros objetos que temos conosco e que são resultado daquela empreitada. Nada direi sobre o esforço hercúleo de milhares de pessoas para colocar aqueles desbravadores no espaço, nem que os computadores que usavam à epóca tinham capacidade menor que a dos nossos smartphones do dia-a-dia…

O que desejo registrar aqui é apenas minha reverência àqueles que fizeram acontecer, que lá chegaram, e que deixaram um legado maravilhoso de Ciência e humanismo para as gerações que os sucederam! Obrigado, Neil, Buzz, Mike! Obrigado, a todos os envolvidos no Programa Apollo! Obrigado aos que os antecederam! Obrigado por nos fazerem ver a Lua, e a Terra, sob outra perspectiva! Obrigado por fazer este garoto, homem feito, ter seus olhos lacrimejados quando vê as imagens, ouve as histórias e vive, cinquenta anos depois, aqueles momentos! E parabéns, neste 20 de julho, por terem chegado lá, e por nos terem levado com vocês!

Nota: para a narração de Mike Collins sobre aquele episódio, vide: https://youtu.be/uzbquKCqEQY.

 

 

Data triste, há 101 anos…

Na madrugada de 17 de julho de 1918 ocorria um dos episódios mais nefastos do século XX e da História da Rússia: em Ekaterinburgo, nos Urais, o Czar Nicolau II, sua bela família e mais quatro pessoas que acompanhavam o último Imperador da Rússia no exílio, foram brutalmente assassinados por revolucionários bolcheviques a mando do facínora Lênin.
Não cabe aqui assinalar o quão deploráveis foram aqueles acontecimentos, nem a maneira como as vítimas foram arrancadas de duas camas e massacrados a sangue frio em nome da Revolução.
A data de hoje é para lembrar da tragédia dos Romanov e orar pelas suas almas.
E que o comunismo desapareça da História, pois só trouxe dor, tristeza e sofrimento a milhões de seres humanos…

O que acontece quando a guerra acaba?

Muita gente acha que quando se declara o fim de uma guerra, tudo volta à paz imediatamente após a interrupção do conflito. Doce ilusão!
O término da I Guerra Mundial tem uma data precisa: os combates seriam suspensos à 11ª hora do 11° do 11° mês do 4° da guerra, ou seja, em 11/11/1918. Haveria paz no mundo a ser reconstruído…
Mas enquanto a matança cessava na frente ocidental, ao longo de toda a Europa Oriental e do Sudeste, a guerra continuou até, pelo menos, 1923, e milhões (isso mesmo, milhões) de pessoas perderam a vida em conflitos por território, étnicos ou em guerras civis.
Tenho me dedicado ao estudo desse período de imediato pós-guerra, seja a partir de 1918, seja a partir de 1945, e indicarei aqui algumas leituras interessantes.
Acabei de ler The Vanquished – How the First World War Failed to End, de Robert Gerwarth.
Trata-se de obra fascinante e muito bem escrita, que relata o drama dos povos da Europa do Leste, Balcãs, Oriente Médio, Itália, e, do que viria a ser a União Soviética no imediato pós-guerra.
O livro, além de uma análise política e histórica, traz relatos sobre pessoas comuns que viram seus destinos definidos por forças que lhes escapavam à compreensão, e suas vidas alteradas para sempre em razão de sua etnia, religião, nacionalidade ou, simplesmente, “por terem nascido ou vivido no lugar errado”…
Recomendo efusivamente. E em breve trarei outras sugestões nessa linha…

Não se esqueça do meu blindado!

Estamos em abril, mas já quero aproveitar para ajudar os amigos que desejem me presentar no meu aniversário (8 de dezembro, anote aí!) ou no Natal (25 de dezembro, para quem não sabe!): já escolhi o que quero, e é simples de conseguir!

Quero um tanque de guerra russo, tudo bem? Existe na terra de Putin (gosto de Putin! Putin é KGB) uma “Associação de Veículos para Todos os Terrenos”, por meio da qual se pode adquirir veículos militares (como um tanque!). Para o site da Associação, clique aqui (está em russo, tudo bem?).

T-34 – coisa munita!

Assim, com quaisquer 200 mil dólares você pode adquirir um belíssimo T-34, o mais famoso blindado soviético da II Guerra Mundial (ou, se quiser usar o termo russo, da Grande Guerra Patriótica)!

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A descrição no site do T-34 é muito bacana, mais ou menos assim:

Modelo lendário T-34: características e vantagens de um tanque médio. O modelo T-34 pode ser chamado de lenda – é o tanque mais massivo da Segunda Guerra Mundial, que desempenhou um papel crucial em muitas batalhas. Ele começou a produção em massa em 1940, e até meados de 1944 foi o principal tanque do Exército Vermelho. Ao longo da história, a URSS produziu mais de 80 mil desses tanques, alguns dos quais chegaram aos nossos tempos. O tanque modelo T-34 é de interesse para colecionadores e amantes de veículos blindados históricos. Se desejar, você pode obter um carro lendário em boas condições: em movimento, customizado, mas tendo passado por um processo de desmilitarização.

Caso você, meu caro leitor e amigo, queira me presentear com alguns veículos mais modernos (se puder escolher, prefiro o T-34, que já foi muito testado inclusive contra Panzer), pode escolher um T-72 ou um T-80, ao precinho camarada – entendeu o trocadilho? – de 350 a 500 mil dólares! O que são alguns mil dólares para fazer o Joanisval feliz?

20171111_160001Faço um pequeno alerta: não compre munição! Os módulos de munição são removidos de todos esses blindados, de modo que o canhão de 125 mm não vai funcionar (o que, realmente, é uma pena!)… Tudo bem, cavalo dado…

Finalmente, e como sou boa pessoa, posso até arcar com o frete do bichinho! Só não me mande pelo correio porque ele pode desaparecer no caminho (como a grande maioria das encomendas que a gente ainda insiste em mandar!).

Então, quer fazer este ser humano feliz? Não se esqueça do meu blindado!

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Biden 2020

Resultado de imagem para joe bidenA imprensa noticiou há pouco que Joe Biden, que foi vice-presidente dos Estados Unidos no Governo Obama, será candidato em 2020 à Casa Branca! Biden é um sujeito equilibrado (já tinha ameaçado partir para as vias de fato com o um candidato republicano há alguns anos, salvo engano), e tem a experiência de ter sido vice de Obama (sem maiores comentários). Troquei uma vez rápidas palavras com ele, que usou meu telefone para fazer um selfie – e ele é bom de selfie!

Não sei se a candidatura de Biden decola, até porque, por mais que critiquem Trump por aqui, e apesar de um certo desgaste dele por lá, o fato é que a economia norte-americana vai bem (desemprego zero), e o atual presidente tem cumprido o que prometeu. Não vou me meter em política dos EUA, mas, como já assinalei aqui outras vezes, Donald Trump é, na minha humilde opinião, um bom presidente e melhor candidato que a grande maioria dos nomes democratas. 

De toda maneira, será interessante acompanhar as eleições estadunidense de 2020! As primárias começam daqui a pouco! Portanto, a conferir…

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Príncipes soldados

Passados 100 anos da Grande Guerra, aquele período continua fascinando a muitos de nós, apesar de uma parcela significativa da população brasileira vergonhosamente não saber nada sobre o conflito. Como eu não sou de desistir de divulgar conhecimento, segue uma publicação que pode agradar os amantes de Clio…

Familia Imperial no Exilio

A Princesa Isabel e o Conde D’Eu com a família no exílio.

Em 2014, O Globo publicou uma matéria sobre os príncipes brasileiros que combateram na I Guerra Mundial. E o jornal destaca:

Pouca gente sabe, por exemplo, que, muito antes de o país enviar equipe médica, embarcações e alguns oficiais apenas na reta final do confronto, dois príncipes brasileiros atuaram na guerra e até morreram em consequência disso. Filhos da Princesa Isabel com o francês Conde D’Eu, os nobres D. Luís Maria e D. Antônio Gastão, netos do ex-imperador D. Pedro II, serviram ao lado do Império Britânico. [Aqui um comentário nosso: não existe “ex-Imperador”, caro jornalista. Uma vez Imperador, sempre Imperador!]

Chama a atenção o fato dos príncipes exilados (em razão do famigerado golpe de 15 de novembro de 1889), filhos do Conde D’Eu (com sangue francês que remonta a antes mesmo da França existir) não terem sido aceitos pela República Francesa (ah, sempre ela!) para combater em suas fileiras contra as Potências Centrais (pelas quais lutavam muitos de seus primos e onde eles mesmos haviam feito serviço militar).

Dom Luís de Orléans e Bragança

Dom Luís de Orléans e Bragança (1878-1920)

Assim, os Príncipes Dom Luís e Dom Antônio Gastão, netos de Dom Pedro II, nascidos no Brasil e, portanto, oriundos da família real brasileira, eram também franceses (descendiam dos reis da França), foram treinados pelos austríacos (também eram Habsburgos, como os Imperadores da Áustria-Hungria) e serviriam na guerra lutando junto com os britânicos. Situação inusitada, não?

O fato é que os príncipes combateram na Grande Guerra, e combateram com galhardia e coragem. Foram reconhecidos pelos seus pares como bravos soldados. E, como outros tantos milhões de jovens de sua geração, sofreriam diretamente os dissabores do conflito: nas trincheiras da França, Dom Luís contrairia uma doença que o levaria à morte logo depois do conflito, em 1920 (pouco antes do centenário da Independência, proclamada por seu bisavô). Já Dom Antônio, reconhecido por sua coragem, teria participado de batalhas aéreas (teria sua paixão pelo avião vindo da proximidade de sua família com o grande Santos Dumont?) e, em 29 de novembro de 1918 (portanto, alguns dias depois do armistício de 11 de novembro), sofreria um acidente de avião e viria a óbito.

Antonio
Dom Antônio Gastão de Orléans e Bragança (1881-1918)

Cabe destacar que ambos os príncipes-soldados, que mostraram sua bravura no maior confronto que o mundo já conhecera, morreram longe de sua terra natal. Exilados com o golpe de 1889, foram para o Oriente Eterno sem nunca mais ver o Brasil que tanto amavam… Duas décadas depois, a belíssima Canção do Expedicionário expressaria essa preocupação de todo aquele que combate por sua pátria: “não permita D’us que eu morra sem que volte para lá”.

Essa foi mais uma das histórias da Grande Guerra. Belíssima contribuição de nossos príncipes imperiais à liberdade, contribuição essa que deveria ser digna de respeito e gratidão por todos oa brasileiros.

Importante que saibamos, como brasileiros, que os filhos da (legítima) nobreza  brasileira, que aqueles homens que poderiam simplesmente nada ter feito enquanto milhões combatiam nas trincheiras, foram nobres também em sua decisão de lutar e dar a vida pela causa em que acreditavam. Pergunto-me quais filhos da nossa elite republicana de hoje se prestariam a tão altivo sacrifício…

(E ainda tem gente que me pergunta o porquê de eu ser monarquista…)

Para acessar a reportagem, clique aqui.

Emoções passadas…

Dia desses, a BBC publicou uma matéria sobre “7 emoções humanas do passado que já não sentimos mais“. Achei interessante em razão dos aspectos linguísticos, pois aquelas palavras, mais que as emoções, é que me pareceram acabar em desuso (e isso assinala a evolução do idioma…). Afinal, não me parece razoável dizer que não sentimos mais hoje “melancolia”, “nostalgia” ou que a “hipocondria” deixou de existir (eu mesmo sou hipocondríaco – tudo bem que sou “old school”, utilizo o smartphone para fazer chamadas e emprego o termo “transparências” para me referir aos slides das minhas aulas…

De fato, devem ser velhas emoções com novas roupagens. O importante mesmo é ter consciência do que se sente e saber lidar com isso para evitar excessos. E há aquelas emoções que ainda existem, mas que deveriam ter ficado na memória: rancor, raiva, inveja… Melhor seria se não as conhecêssemos mais…

Bom, segue a matéria que achei, no mínimo, curiosa…

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7 emoções humanas do passado que já não sentimos mais

Tendemos a pensar que as definições das emoções são fixas e universais. Porém, variam de país a país e também mudam com o tempo.

Considere, por exemplo, a palavra schadenfreude, que só existe em alemão e que descreve o desfrute da desgraça alheia.

Além disso, novos tipos de emoções surgem a todo momento – vide as novidades constantes nos emoticons, que tanto usamos para expressar nossos sentimentos.

A BBC Radio 3 conversou com Sarah Chaney, especialista do Centro para a História das Emoções, no Reino Unido, sobre as emoções do passado e como elas podem nos ajudar a entender como nos sentimos hoje.

Essas são algumas delas.

1 – Acédia

A acédia era uma emoção sentida por homens muito específicos na Idade Média: monges que viviam em monastérios. Esta emoção surgia, em geral, devido a uma crise espiritual. Quem era acometido pela acédia sentia inquietação, desânimo, apatia e, sobre tudo, um forte desejo de abandonar a vida santa.

“É possível que, hoje em dia, isso seja catalogado como depressão”, explica Chaney. “Mas a acédia estava especificamente associada a uma crise espiritual e à vida no monastério.”

Certamente, era uma fonte de preocupação para os abades, que ficavam desesperados com a indolência que acompanhava a acédia.

Com o passar do tempo, o termo “acédia” foi se tornando intercambiável com “preguiça”, um dos sete pecados capitais.

A acédia era uma emoção vinculada a monges que passavam por uma crise espiritual

2 – Frenesi

“Esta é outra emoção medieval”, diz Chaney. “É como a ira, mas é mais específica que a ira – da forma que a compreendemos hoje. Alguém que sentia frenesi ficava muito agitado. Tinha ataques violentos de fúria, fazendo birra e muito barulho.”

Assim, era impossível sentir frenesi e ficar quieto.

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Os 195 anos da Constituição

imageDeixei passar uma importante efeméride da última semana de março… No último dia 25, celebramos os 195 da primeira (e única legítima) Constituição do Brasil: a Carta de 1824 do Império do Brasil!

Republicanos que me perdoem, mas a Constituição de 1824 é um primor! Carta liberal e muito avançada para sua época, funda realmente uma nação e, em sua simplicidade e abrangência, garante-se como documento político basilar de um país – talvez por isso tenha sido a mais longeva de nossas Constituições. Foram praticamente sete décadas, com apenas uma emenda – algo impensável para quem, nos dias atuais, acostumou-se com uma Lei fundamental que mais parece periódico, tantas as atualizações que possui…

As críticas e até eventuais comentários jocosos sobre nossa Carta de 1824 só se podem dever à má-fé ou à ignorância. Afinal, trata-se de texto bem escrito, e que cuida dos aspectos elementares de que deve cuidar uma Constituição: os fundamentos políticos do Império, a cidadania, os poderes constituídos, o processo legislativo, a administração e economia das províncias… Tudo encadeado com lógica e clareza. Para quem se interessa pelo assunto, recomendo a leitura da Constituição de 1824 em seu inteiro teor – é linda!

Detalhe importante: enquanto todas as outras constituições que a sucederam “fundam” o Brasil como “a união indissolúvel dos Estados, Distrito Federal” e, mais recentemente, dos “Municípios”, ou seja, de um Brasil formado por entes abstratos, a Carta de 1824 estabelece que o Brasil que constitui de uma associação de pessoas, de gente, de homens livres. Esse aspecto humano do Brasil está logo no art. 1º:

Art. 1. O IMPERIO do Brazil é a associação Politica de todos os Cidadãos Brazileiros. Elles formam uma Nação livre, e independente, que não admitte com qualquer outra laço algum de união, ou federação, que se opponha á sua Independencia.

Há outros aspectos interessantes, sobre os quais já comentei aqui em Frumentarius. Por exemplo, pondo a termo o discurso modernoso de que a Constituição de 1988, a “Carta Cidadã”, é pioneira e inovadora ao tratar de uma série de direitos e garantias individuais, recomendo a leitura do art. 179 da Constituição do Império, que trata da “inviolabilidade dos Direitos Civis, e Politicos dos Cidadãos Brazileiros, que tem por base a liberdade, a segurança individual, e a propriedade” e que “é garantida pela Constituição do Imperio”. Comento a esse respeito em A mais legítima das nossas constituições, post que você pode acessar clicando aqui.

Que um dia possamos ter de volta nossa norma fundadora! Assim sairemos desse atoleiro em que os republicanos nos colocaram desde 1889!

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Bibi continua…

Benjamin Netanyahu conquista seu quinto mandato como Chefe de Governo de Israel. Não governará só, entretanto.

De toda maneira, o Premier israelense é, sem sombra de dúvida, um gigante na política de seu país. Sua capacidade de articulação e liderança são invejáveis.

Apesar da vitória do Likud, a oposição conquistou importante número de cadeiras no Knesset. E, à frente da segunda força entre os partidos israelenses, certamente o General Benny Gantz não poderá ser desprezado…

Aguardemos o discurso da vitória de Bibi…

Parabéns aos israelenses pela festa da democracia!

A Guerra dos Chimpanzés

Compartilho aqui artigo interessante, publicado pela BBC News Brazil, sobre um fenômeno identificado entre chimpanzés, os primatas mais próximos dos seres humanos: a guerra.

Chimpanzès de GombeSim! Ao contrário do que se comumente imagina, a guerra não é algo que se restrinja aos seres humanos. De fato, os estudos da Dra. Jane Goodall, hoje octagenária, que dedicou toda a sua vida a trabalhar junto a esses fantásticos seres, muitas revelações trouxeram sobre o comportamento e as práticas de nossos primos.

jane-goodall.jpgFoi graças à Dra. Goodall, por exemplo, que se descobriu que os chimpanzés são capazes de desenvolver ferramentas rudimentares, as quais facilitam suas atividades diárias. Também foi Goodall quem mapeou o perfil de dezenas de indivíduos do Parque Nacional de Gombe, na Tanzânia, sendo responsável pelos mais importantes estudos sobre primatas superiores nos últimos cinquenta anos, estudos que atestam a personalidade de cada chimpanzé, seus anseios, medos e até vontades e interesses. Acompanho o trabalho dessa grande mulher desde que eu tinha meus dez anos…

Indubitavelmente, graças a Jane Goodall, descobriu-se que a guerra é algo atávico nos seres humanos, e que a compartilhamos com nossos parentes mais próximos do mundo animal. A guerra, ousaria dizer, está em nosso DNA, fazendo parte de nossa ancestralidade. Talvez seja isso que faz com que alguns de nós sejamos fascinados por esse fenômeno e queiramos tanto compreendê-lo…

Segue o link para a matéria da BBC News Brasil: Os motivos por trás da Guerra dos Chimpanzés, a única registrada entre animais.

Recomendo, ainda, o Jane Goodall Institute, que pode ser acessado clicando-se aqui.

Tomada de Três Pinos: sua hora vai chegar…

A famigerada

A famigerada…

Depois da decisão pelo fim do (famigerado) horário de verão, da placa do Mercosul, e daquele Cruzeiro do Sul em nosso passaporte (o que deixava os atleticanos furiosos), ouso recomendar novas alterações que devem ser feitas para pôr uma pedra às mazelas criadas por alguma mente perversa no governo do PT (e como havia mentes perversas ali!): a hedionda tomada de três pinos!

Típica jaboticaba tupiniquim, esse torvo apetrecho criado durante o (des)governo petista é algo que só existe aqui em Pindorama, e que foi concebida para atormentar nossas vidas. Quanto não se gastou para trocar milhões de tomadas e para se comprar outros tantos adaptadores?

Já escrevi aqui condenando essa aberração, que certamente encheu o bolso de muita gente… Agora passa da hora de colocá-la em um passado a ser esquecido. O ideal é retornarmos a um padrão universal ou, ao menos, adotado na maior parte do planeta…

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Um amigo sugeriu uma lista de pequenas barbaridades da era petista que poderiam ter um fim:

  1. o acordo ortográfico;
  2. a tomada de três pinos;
  3. celulares com mais número no prefixo do que na parte que vem depois do traço (coloquei aqui para preservar o texto do amigo);
  4. campeonato brasileiro de pontos corridos (idem);
  5. frases que começam com “então” (boa também);
  6. cobrança de bagagem despachada (isso eu acrescentei);
  7. bandeira vermelha na conta de luz (acrescentei também).

Esses são apenas alguns exemplos… Muita coisa ainda há a ser alterada (em breve farei meus comentários sobre a farra das companhias aéreas). Mas começar pela tomada de três pinos já seria bem bacana!

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