184 Anos da Farroupilha

No dia 20 de setembro os gaúchos comemoram a Revolução Farroupilha. A data refere-se ao início do levante, em 1835, no contexto de um conflito que duraria dez anos. E foi provavelmente o mais importante dos movimentos separatistas do período da Regência, tanto pela duração quanto pelas dimensões do confronto e pelas perdas de ambos os lados. Regência, diga-se de passagem, que já trazia uma prévia de quão nefasta seria a experiência republicana…

Não sou gaúcho, mas admiro a garra daquela gente. E acho interessantíssimo como um acontecimento de quase duzentos anos passados é ainda lembrado e vivamente está presente na memória de todo um povo. Fascinante como celebram um levante que, felizmente, acabou com a derrota dos insurretos. Dificilmente nós que não somos daquelas terras austrais entenderemos o orgulho da “gauchidade” – nem sei se essa palavra existe. Entretanto, os homens e as mulheres do Rio Grande merecem minha reverência e meu aplauso pelo fervor da luta pela causa, pela dignidade na derrota e pela grandeza de permanecerem no glorioso Império do Brasil, mostrando-se diversas vezes entre os mais brasileiros dos brasileiros!

Com os gaúchos permanecendo no Brasil, todos ganhamos muito! De Bento Gonçalves a Eduardo Villas Boas, passando por Érico Veríssimo, Oswaldo Aranha, Lupicínio Rodrigues, Lya Luft e Rubem Berta, a lista de gaúchos entre grandes brasileiros é infinita! Quantas contribuições aquela gente lá do Sul não trouxe a nossa cultura, nossa sociedade, nossa Defesa, nossa indústria, nossa agricultura, nossa unidade e nossa nacionalidade?  A brasilidade não seria a mesma sem a componente gaúcha. Seríamos muito, muito menores sem o Rio Grande.

Concluo dizendo “que bom que o Rio Grande continuou brasileiro!”. Que bom que o Império venceu! Que bom que nosso País continuou unido! Que bom que somos todos um só povo!

Parabéns, gaúchos, homens e mulheres do Rio Grande, pelo seu dia!

Café na Padaria

Como hoje é dia de falar de viagens, atenderei esta semana aos pedidos de alguns de meus 16 (dezesseis) leitores e tratarei um pouco mais sobre o Rio de Janeiro. Prometo que retorno à Rússia na próxima quinta…

Bom, no Rio de Janeiro resolvi fazer uma coisa que seria muito difícil em Brasília – ou ao menos não teria o mesmo charme na minha amada cidade do Planalto Central: fui tomar café em uma tradicional padaria de Copacabana! 

Copacabana tem essa aura de Rio Clássico! Sem dúvida, não há como falar de Rio de Janeiro sem a referência automática a “Côpa-ca-bena”, como diriam os milhões de turistas anglófonos que há décadas passam por aqui. Charmosa, com algum ar decadente, e ao mesmo tempo blasé e se renovando… Essa é Copacabana.

Gosto de andar pelo bairro – sempre atento a eventuais ameaças vindas de nativos, claro -, ver os nomes das ruas em seus cruzamentos, olhar as pessoas indo e vindo apressadas ou contemplativas, admirar os edifícios, com arquitetura dos anos 50 e 60… Acho muito bacana mesmo, um passeio também pelo tempo, retornando a época do rio glamouroso e da praia mais famosa do planeta! Sim, porque sempre que penso no bairro, as imagens que me chegam à mente são em preto-e-branco… Outros tempos, sem dúvida, mas uma memória marcante! E, para registro, achei Copacabana mais tranquila e segura que no passado recente.

Mas vamos ao que interessa! Resolvi não tomar café no hotel e fui explorar o entorno. Por indicação da recepcionista, segui para a “padoca” ali perto. E foi aí que descobri a “Panificação e Confeitaria Tupan”, ou, simplesmente, “Padaria Tupan”, localizada na Av. Nossa Senhora de Copacabana, 1375. Trata-se de uma tradicionalíssima padaria de bairro, com bolos, pães e as mais diversas guloseimas fresquinhas, feitas ali mesmo e para o dia! Como li em um comentário na internet (sim! há comentários sobre a Tupan na internet!), “seu charme é não querer ser uma padaria sofisticada. Eles lá sabem muito bem o que fazem/vendem de bom e do melhor”- descrição excelente!

Outro aspecto bacana da Tupan é a clientela. Perece-se logo de cara que são fregueses tradicionais, clientes que há muitos anos começam seu dia com um desjejum no balcão da padaria ou comprando pães quentinhos ou outros produtos de trigo açucarados para comer em casa! Do trabalhador que chega cedo para fazer uma boquinha antes da lida à senhorinha aposentada que por ali passa para ver quais são as “novidades” (que, por óbvio, ela já conhece há décadas, como o bolinho com doce de leite ou o panetone da casa), a freguesia da Tupan é um caleidoscópio de tipos que revelam um pouco do bairro mais populoso do Brasil… E todo mundo se conhece!

Mas o ponto alto da Tupan é o Seu Antônio de Souza (Seu Souza, como ele gosta de ser chamado), o português (típico, não?), que é o proprietário do estabelecimento  há exatos 59 (cinquenta e nove!) anos! Pois é! Há quase seis décadas Seu Souza toca a padaria, sempre muito atencioso com os clientes e disposto a uma boa conversa!

Assim foi que no balcão pedi, no primeiro dia, um misto quente (que veio no pão francês prensado) e, no dia seguinte, outro misto e depois um pão com ovo! Claro, café com leite para completar o típico pequeno almoço em Copacabana! Experiência rica e por menos de vinte reais, em uma padaria que descobri começou a funcionar em 1927! Excelente! 

Gente boa o Seu Antônio! Ganhei de cortesia uns bolinhos, um pão de sal quentinho e ainda um cafezinho “com cheirinho” (que é uma garapa de uva que ele mistura no café preto). Tudo isso acrescido de uma ótima conversa! Seu Antônio sabe realmente como fidelizar os clientes!

7 Lições de Liderança

Hoje é Dia do Livro em Frumentarius. E aproveito que estamos na semana do batismo de fogo da Força Expedicionária Brasileira (FEB) nos campos de batalha da Itália, para indicar a obra de um valoroso combatente moderno, meu amigo Coronel Ricardo Bezerra, que comandou o Batalhão Brasileiro (BRABAT) na Missão de Paz da Organização das Nações Unidas no Haiti. O livro, Missão Haiti – 7 Lições de Liderança, reúne as experiências de Ricardo em sua missão de seis meses à frente de homens e mulheres em um teatro de operações peculiar, complexo e dinâmico.

Naturalmente, o aprendizado de Ricardo é de grande utilidade em cenários distintos daqueles do Haiti. Os ensinamentos ali reunidos são úteis para líderes nas batalhas do mercado, na motivação das equipes e, ademais, no próprio crescimento pessoal. Tive a oportunidade de conhecer as provas iniciais da obra de Ricardo ainda quando conversávamos do potencial de seu trabalho e dos significativos benefícios que a publicação traria para milhares de afortunados leitores.

Recomendo efusivamente o livro de Ricardo Bezerra, que se mostrou um profissional de altíssimo nível quando atuou como Chefe de Gabinete no Instituto Pandiá Calógeras do Ministério da Defesa. De fato, o Coronel foi fundamental para reestruturação do Instituto, no apoio ao Diretor (como adjunto, conselheiro e amigo), e para motivar a equipe. Interessante que sempre tinha uma boa história que trazia um ensinamento a seus subordinados e superiores.

Onde você pode adquirir Missão Haiti – 7 Lições de Liderança? Bom, as melhores livrarias já o têm disponível – se não o tiverem, não serão as melhores livrarias. E, se quiser um autógrafo do autor, Ricardo fará o lançamento em algumas cidades do Brasil.

Nesse sentido, aproveito para convidar a todos para o lançamento das Missão Haiti – 7 Lições de Liderançaem Brasília! Será amanhã, quarta-feira, 18/09, às 19h, no restaurante Carpe Diem da 104 Sul, em Brasília (DF). Evento imperdível!

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Batismo de Fogo: 75 anos

Foi em um dia 16/09. O ano, 1944. O lugar, Península Itálica, onde a maioria daqueles que ali estavam sob o signo da Cobra Fumando dificilmente imaginariam onde e como seria alguns meses antes. Tinha início a parte quente da epopeia de bravos guerreiros que vinham “das selvas, dos cafezais, da boa terra do coco”…

Sim! A FEB estava na Itália! Vargas decidira-se por enviar a 1a Divisão de Infantaria Expedicionária (DIE) para fazer parte do V Exército dos Estados Unidos no território italiano. Do outro lado, separados pela “Linha Gótica” (que ia do mar Adriático, no leste, ao mar Tirreno, no oeste),  os (temíveis) alemães, inclusive as Waffen SS, força combatente de elite, que um pracinha uma vez me disse que eram por eles apelidadas de “diarreia” (“pois”, contou-me, “toda vez que a gente via aqueles capacetes da SS, passava por aquela crise intestinal…”).

E naquele 16 de setembro, o 6o Regimento de Infantaria efetuou seu primeiro disparo, inciando uma campanha de duzentos e trinta e nove dias ininterruptos de combate. Nossos pracinhas lutaram bravamente, e das 44 divisões dos Estados Unidos que combateram na Europa e no Norte da África entre novembro de 1942 e maio 1945, apenas doze combateram ininterruptamente por mais dias que a divisão brasileira.

“Nossa vitória final” deixaria um saldo de quatrocentos e cinquenta e quatro mortos, dois mil e sessenta e quatro feridos, e trinta e cinco brasileiros aprisionados. As marcas daqueles heróis que cruzaram o Atlântico ficariam até hoje no solo da Itália e, sobretudo, no coração de milhares de italianos, que aprenderam a respeitar e a admirar aquela gente diferente, mas tão semelhante. A cobra fumou e provamos que não deixávamos nada a desejar diante dos mais valorosos exércitos que lutaram na Segunda Guerra Mundial.

Neste aniversário de 75 anos do batismo de fogo da FEB, nossa homenagem àqueles homens e mulheres que viveram, lutaram e deram o que tinham de mais importante para “a glória do meu Brasil”.

Viva a Força Expedicionária Brasileira! Viva nossos pracinhas!

Segue um filme imperdível sobre o batismo de fogo do 11RI, que sofreu seu batismo de fogo em dezembro de 1944. Vale muito a pena!

Casa de Rui Barbosa e a inexistência do acaso

Uma vez que as quintas-feiras são dedicadas às minhas aventuras pelo mundo, interromperei a jornada pela Mãe Rússia para contar sobre duas situações inusitadas que me aconteceram há algumas semanas… O lugar: São Sebastião do Rio de Janeiro (acho que era esse o nome antigo da cidade)! 

Estava eu em viagem à capital fluminense para um compromisso de trabalho. Como o evento ocorreria muito cedo, tive que ir no dia anterior. Cheguei a meu hotel ainda por volta das 16:00 e resolvi proceder ao reconhecimento do ambiente operacional nos arredores. Nesse processo, descobri que a Fundação Casa de Rui Barbosa estava a cerca de 700 metros de onde eu me hospedara.

Ora, o que é que um sujeito como eu, hospedado numa excelente localização em Botafogo, vai fazer com seu tempo livre no Rio de Janeiro? Óbvio: conhecer a Casa de Rui Barbosa! 

Preliminarmente, registro que, em minha defesa, não tenho qualquer simpatia pelo senhor Rui Barbosa. Não obstante, por se tratar de um importante ponto turístico do Rio (vai me dizer que você não sabia disso!), decidi conhecer a residência daquele senhor arrogante, que traiu Sua Majestade instigando o golpe republicano, conduta da qual depois se arrependeu (mas aí Inês já estava morta). E lá fui! 

A  Casa de Rui Barbosa é um palacete de meados do a século XIX, erguido em Botafogo, e serviu de morada ao jurista e político republicano entre 1895 e 1923 (quando de sua morte). O excelente estado de conservação, a bela arquitetura neoclássica, a pluralidade de cômodos (bem-divididos e com os móveis e decoração dos tempos de seus famosos moradores) e, principalmente, a biblioteca de 37 mil volumes (bem-cuidada e disposta exatamente como o deixara o metódico baiano em 1923), tudo isso faz da Casa de Rui Barbosa um destino turístico imperdível. Acrescente-se aí os jardins e a “garagem”, na qual se encontram os carros e carruagens usados por Rui. 

Fiquei fascinado pelo lugar. Mais surpreendentes ainda foram as duas situações que vivenciei nesse passeio. Vamos a elas!

Chego ao palacete (vivia bem o Dr. Rui!) e me dirijo à recepção do museu. Lá, uma simpática mocinha me pede para preencher uma pequena tabela com meus dados. Informa então que a entrada é gratuita, mas que eu teria que esperar uns quinze minutinhos, pois a visita é acompanhada de um vigilante. “Tudo bem”, disse eu, e fui fazer hora passeando pelos jardins (excelente programa), onde casais de namorados se encontravam, e crianças pequenas brincavam sob a supervisão de mães, avós e babás – um bucólico oásis de tranquilidade no agitado Rio de Janeiro! 

Na hora da visita, comigo estavam mais três senhoras, todas de fora da Cidade Maravilhosa, com as quais formei o heterogêneo grupo que iria conhecer o museu. E aí veio a grata surpresa! Luciano, o vigilante designado para nos acompanhar, não nos acompanhou! De fato, Luciano nos guiou pela casa-museu, em uma jornada regada de excelentes histórias sobre o lugar e seus moradores do passado. O nosso guia-vigilante sabe muito sobre o local onde trabalha, conta boas anedotas de cada cômodo e fala de Rui Barbosa e família como se fossem conhecidos seus de longa data! – e são mesmo! Luciano também conhecia particularidades da História do Brasil que deixariam meus amigos do Instituto Histórico e Geográfico orgulhosos! Assim, aprendi muito com aquela moço que honrou com louvor a camisa da Casa. Essa foi a primeira surpresa. 

A segunda ocorreu na saída, quando o grupo já se dispersava. A primeira senhora se despediu e foi embora. Quanto às duas outras, antes que partissem, minha curiosidade linguística me impeliu a perguntar de onde eram (sim, gosto de sotaques e de me desafiar a identificar de onde são as pessoas pela forma como elas falam!):

“Por acaso vocês são do Maranhão?”, perguntei finalmente. E elas, com ar surpreso: “Sim! Como descobriu?”. Minha resposta, com sorriso maroto, “pelo sotaque! Vocês são de onde lá?” (Sou curioso). “Somos de São Luís! E você?”, já atentas à conversa. “Sou de Brasília, mas mamãe é de Caxias.”

Os olhos de ambas se arregalaram. Explicaram que nasceram em São Luís, mas a família era de…Caxias! Cresceram na cidade. Falei então da minha família lá. Logo descobrimos que uma delas tinha sido aluna de uma prima minha, e colega de outra! Ou seja, na Casa de Rui Barbosa, no Rio de Janeiro, encontrei pessoas que tinham vínculos com a família de minha mãe! Note-se que a população de Caxias é de 118.000 habitantes! Parecíamos velhos amigos a falar de Caxias, de amigos em comum, e de perceções afins. Trocamos contatos.

E foi assim que, na Casa de Rui Barbosa, conheci um grande guia turístico e encontrei novas velhas amigas! Existe acaso? Claro que não! 

Depois fui fazer uma incursão à Livraria da Travessa, onde comprei um livro e tomei um chocolate quente, seguindo para jantar no Matsuda, um restaurante japonês tradicional e típico, onde a comida é excelente e preparada pelo Inácio, um mineiro que sabe tudo da culinária nipônica! No Rio, gosto de jantar no Matsuda! 

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Evolução das Grandes Economias do Globo

Sem maiores comentários, compartilho aqui um vídeo sobre a evolução do Produto Interno Bruto (PIB) das dez maiores Economias do globo, de 1961 a 2017. Interessante como a China sobe de posição na virada do século, alcançando em menos de vinte anos o segundo lugar, mas ainda bem atrás dos Estados Unidos. O Brasil, por sua vez, apresenta-se entre as dez grandes, mas não consegue alçar vôo. Infelizmente, ainda não alcançamos um patamar civilizatório que nos permita, realmente, evoluir para uma nação desenvolvida – isso tem a ver com aspectos culturais, acredito.

Mais interessante ainda é o segundo vídeo, que apresenta as vinte maiores Economias, considerando-se a Paridade do Poder de Compra (PPP), entre 1980 e 2023, com comentários e explicações sobre as mudanças ocorridas. Sob essa perspectiva, a China já ultrapassou os Estados Unidos. Destaque para a Indonésia, que evolui rapidamente no ranking.

Vale muito conferir!

 

 

Mansões da Alma

Pode ser que alguns dos meus 16 (dezesseis) leitores estranhem, mas neste Dia do Livro quero indicar uma obra que me foi muito marcante, estando entre aquelas que verdadeiramente fizeram diferença em minha vida: Mansões da Alma – A Concepção Cósmica, de Harvey Spencer Lewis (Curitiba: Ordem Rosacruz, AMORC, 9ª edição em Língua Portuguesa, 2005). E esse estranhamento talvez se deva ao fato de não se tratar de um livro sobre Política ou Guerra, tampouco sobre acontecimentos históricos ou biografias. Mansões da Alma é uma obra mística.

mansoes-da-alma.jpegNesse clássico da literatura rosacruz, escrito na década de 1930, Spencer Lewis (grande místico do século XX, que restabeleceu a Ordem Rosacruz nas Américas) escreve sobre reencarnação e acerca dos princípios que regem a passagem da alma pela Terra. São dezenove capítulos que compreendem assuntos distintos, como o que motiva a encarnação neste planeta, a sobrevivência da personalidade após a transição (que é como os rosacruzes chamam a morte terrena), carma e evolução pessoal, almas de animais e do “natimorto”, recordações de outras vidas. O autor discorre ainda sobre a reencarnação sob a perspectiva de grandes religiões, inclusive do Cristianismo.

Uma vez que a Ordem Rosacruz não é uma religião, mas uma escola de aperfeiçoamento moral, Mansões da Alma pode trazer esclarecimentos para pessoas de distintos credos e concepções filosóficas. É, de fato, a percepção rosacruz sobre o fenômeno, contada de forma clara e objetiva – Spencer Lewis tinha um grande talento para explicar coisas difíceis de maneira simples.

Nesta semana que começou com a triste notícia da transição de um amigo, o Cel Gilmar, deixo a recomendação de Mansões da Alma, com o sincero desejo de que alcance os corações de alguns dos meus leitores e traga respostas a suas dúvidas.

E para quem quiser adquirir o livro, acesse o site da Ordem Rosacruz, AMORC, clicando aqui. Há outras obras também muito interessantes na Biblioteca Rosacruz.

 

 

Tributo a um Guerreiro de Selva

Minha semana começou com uma triste notícia, daquelas que ninguém gostaria de receber… Logo cedo, por uma rede social, fui informado da transição, como dizem os rosacruzes, ou viagem ao Oriente Eterno, na terminologia dos maçons, de um querido amigo…

Gilmar nasceu em Rondônia, de família humilde. Seu esforço e sua obstinação o levaram a ingressar nas fileiras do Exército Brasileiro, onde chegaria a coronel, tendo feito vários cursos, dentre os quais o de Guerra na Selva, um dos mais complexos da carreira. Seus laços com a Amazônia fizeram dele um verdadeiro Guerreiro de Selva, e Gilmar tornou-se instrutor de um de nossos principais centros de excelência, o Centro de Instrução de Guerra na Selva.

As qualidades profissionais só seriam superadas pela nobreza do Gilmar como ser humano. Um sujeito amigo, afetuoso, sempre sorridente, um irmão para muitos (dentro e fora da Força Terrestre).

Nesse domingo, enquanto passeava de moto, com amigos e a esposa, Gilmar sofreu um acidente – ainda sei pouco sobre como aconteceu. E nos deixou. Foi embora muito cedo, em minha opinião e na de muitos que o conheciam. Foi embora na hora que deveria ir, segundo os desígnios do Criador.

O fato é que Gilmar deixa um vazio entre aqueles que tiveram a oportunidade de conviver com ele. Nem todas as boas memórias daquele amigo conseguirão preencher esse vazio.

Neste momento de luto, peço ao Grande Arquiteto do Universo que conforte Jacelma, sua esposa, e os amigos que sofrem com essa perda, em especial o querido General Eduardo Villas Bôas, com quem Gilmar serviu nestes últimos sete anos.

Meu amigo, que você possa combater o bom combate em outros planos. E tenha a certeza de que aqui sua missão foi cumprida, e com louvor. Nessa floresta da vida, você foi um grande guerreiro e ombreou com outros grandes. Selva!

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Os dez homens mais ricos da história

Dia desses encontrei, no site Aventuras na História, matéria sobre os dez homens mais ricos de todos os tempos. Sinceramente, não sei como chegaram a essas conclusões, mas vale a pena ao menos conhecer um pouco sobre essas pessoas.

Interessante observar que quatro na lista são homens de negócios: Henry Ford, Cornelius Vanderbilt, Andrew Carnegie e David Rockefeller, os quais fizeram fortuna com o processo de industrialização dos EUA, entre meados do século XIX e o início do século XX. São verdadeiros selfmade-men (se estivesse em alemão escreveria tudo junto, mas acho que é assim…), cuja trajetória de vida se confunde com a própria ascensão do país ao patamar de primeira potência global. Há, ainda, soberanos, com destaque para Osman Ali Khan, Rajá da Índia (tido como o homem mais rico do mundo em 1937), e Guilherme, o Conquistador (ainda tentando entender como chegaram à cifra de US$ 230 bilhões de fortuna do monarca normando).

Naturalmente, Nicolau II está na lista. O Czar de todas as ruas era também o senhor milhões (isso, milhões) de quilômetros quadrados de terras em seu vasto Império. A riqueza do Estado se confundia, naturalmente, com a do monarca.

Inusitado também foi o aparecimento de Jakob Fugger, um sacerdote renascentista da cidade-Estado de Veneza, que soube negociar com a Santa Sé e auferir bons lucros… Há, ainda, o ditador Muamar Kadafi, senhor da Líbia, amigo íntimo de um certo Luís Inácio (que está preso!), e que se aproveitou de controlar um país sobre vastas reservas de petróleo – até que acabaria derrubado, e morto por empalamento, deixando a Líbia no caos que ainda se encontra.

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De todos os casos listados na matéria (já falei que ainda não entendi como chegaram a essas cifras?), o homem apresentado como o mais rico da história é Mansa Musa, Rei do Mali, e que teria cumulado US$ 400 bilhões em valores atuais (botando Bill Gates, Warren Buffet, Carlos Slim e Cia. no chinelo – chinelo dourado, claro).

Realmente, como chegaram a essa lista não sei. Acho que faltam alguns ditadores modernos (como Fidel Castro) e os monarcas absolutistas dos países produtores de petróleo. De toda maneira, vale a brincadeira!…

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Para acessar a matéria, clique aqui.

Artilharia e Cultura (Operação Outubro Vermelho)

Ainda sem os demais integrantes do grupo, Adriana, Gustavo e eu seguimos a explorar a bela São Petersburgo. Aquele seria um dia cheio e muito andaríamos, daí a importância de começar nossa jornada com um lauto café da manhã – obrigado, Pai, pelo excelente desjejum no restaurante do hotel!

Já de posse de nossos bilhetes de metrô, fomos explorar a cidade de Pedro. A circulação é simples, e se torna mais fácil quando se tem um smartphone com internet. E seguimos a apreciar os monumentos e belos edifícios da antiga capital, e a andar pelas ruas que contavam muitas histórias, enquanto ríamos, tirávamos belas fotos e imaginávamos quanta gente interessante não teria feito aqueles caminhos pelos quais passávamos!

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São Petersburgo, repito, tem inúmeras atrações, de suntuosos monumentos a grandes museus, representando diferentes épocas da história da Rússia, seja o tempo dos czares, sejam os nefastos anos do comunismo. Naturalmente, como não somos turistas comuns, elegemos um museu que é imperdível para quem se interessa por assuntos militares e pela história das guerras: o Museu Militar e Histórico de Artilharia, Engenharia Militar e Tropas de Comunicação – Военно-исторический музей артиллерии, инженерных войск и войск связи (esse é o nome completo do lugar) ou, simplesmente, Museu da Artilharia de São Petersburgo!

Fundado por Pedro I, o Grande, em 1703 já como um Arsenal (depósito de armas), o museu se localiza em uma antiga fundição, no centro histórico da cidade (no número 7, em Aleksandrovsky Park), separado da Fortaleza de São Pedro e São Paulo por um canal. As estações de metrô mais próximas são as de Gorkovskaya e Sportivnaya. Desça em qualquer delas e aproveite uns dez minutos de caminhada!

Quando o visitante chega ao museu, já se depara, logo de cara, com o jardim, no qual estão dezenas de blindados, lançadores de mísseis, canhões de distintos calibres e uma diversidade de veículos militares. Isso é só o prenúncio dos 850.000 objetos que estão ali expostos, em diversas coleções, nas 13 salas que abrangem uma área de 17 mil metros quadrados. Gustavo logo fez amizade com um soldado russo e lá fomos nós tirar foto numa peça (ou canhão, para os leigos) – a propósito, meu amigo paulista tem uma grande capacidade de socialização, o que nos ajudava muito com os locais!

Entre as exposições, você encontrará armas de fogo e brancas, petrechos, munição, os mais distintos equipamentos militares e de engenharia de diversas épocas, material de comunicações, bandeiras, uniformes, pinturas e mapas, condecorações e peças que contam a história da artilharia entre os séculos XIV e XXI (inclusive com uma sala dedicada aos arsenais soviéticos e à Guerra Fria). Quando lá estivemos, havia uma exposição especial sobre os eventos de outro de 1917, com muitas fotos de época – e foi possível perceber como estava frio por ocasião do golpe bolchevique e das semanas que se seguiram ao fim do Governo Provisório (nem de longe uma temperatura tão agradável quanto a que vivenciamos cem anos depois).

Prepare-se para passar algumas horas ali dentro, imerso naquele parque de diversões dos apreciadores da engenhosidade militar e do talento humano para forjar armas! Dos canhões de Pedro I aos troféus conquistados de turcos, franceses e alemães ao longo de mais de 200 anos, passando pelos lançadores de foguete Katiusha, usados durante a II Guerra Mundial (os famosos órgãos de Stálin), tenho certeza de que você esquecerá do tempo no Museu da Artilharia. Há ainda uma exposição muito bacana sobre um certo Mikhail Kalashnikov, criador do fuzil mais famoso da história, o AK-47. E, antes de ir embora, lembre-se de dar um pulo na “lojinha” (não vai se arrepender)!

Passamos os três momentos agradabilíssimos no Museu da Artilharia, lugar imperdível da Capital do Norte. Terminamos o dia voltando a pé para o hotel, pelo centro histórico, aproveitando uma noite bonita e a temperatura de 3º (três graus) por sobre as pontes que cruzam os canais daquela cidade fascinante, fruto do sonho de um homem que quis levar a Rússia ao Ocidente! 

Em tempo: quanto é a entrada para o Museu? A inteira era de 400 rublos (uns 25 reais no câmbio de agosto de 2019). Vale muito a pena!

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As mais belas livrarias

Verdade que gosto, cada um tem o seu. Entretanto, no post de hoje sobre livros, quero compartilhar alguns artigos que achei interessantes sobre as mais belas livrarias do planeta. Interessante como algumas, como El Ateneo, de Buenos Aires, a Livraria Lello, do Porto, e a Livraria Boekhandel Selexyz Dominicanen, de Maastricht, encontram-se nas várias listas!

Confesso que muito me apraz passear por livrarias ao redor do Globo! São, sem dúvida, templos dedicados à cultura, lugares onde recarrego minhas baterias e, claro, aproveito para buscar as novidades difíceis de se encontrar em Pindorama (onde é o livro um péssimo negócio)! Assim, volto para casa com alguns quilos a mais na bagagem e com a felicidade que só aqueles que têm essa obsessão por livros (sim, no meu caso é patológico, mas não vou me tratar!) conhecem o real significado!

Talvez a particularidade que faz dessas livrarias as mais belas seja o local onde se encontram. O Ateneo, por exemplo, está em um antigo teatro da capital argentina, e merece uma visita! Diga-se de passagem, aquele belo país austral já teve mais livrarias que o Brasil só em Buenos Aires! Ali, vá ao café e peça um “submarino”.

A Lello, por sua vez, é por si uma obra de arte! Entre as mais tradicionais de Portugal, cobra ingresso para quem queira ali entrar – segundo um amigo que mora no Porto, esse valor é mais para afastar as ondas de turistas de massa (tão somente interessados em fotografar a livraria, mas pouco dispostos a adquirir aquelas coisas estranham que lá são vendidas), pois o valor é abatido das compras. Não conheço o Porto, mas a Lello está na minha lista de primeiros lugares a visitar (para longas horas de felicidade!) na cidade que tem o coração de nosso amado Dom Pedro I (Dom Pedro IV, de Portugal).

Já a Boekhandel Selexyz Dominicanen, eleita a mais bonita do mundo em 2008, segundo um dos artigos aqui compartilhados, estabeleceu-se em uma antiga igreja dominicana, construída em 1294, em Maastricht. Como não render graças ao Criador por um lugar tão fascinante? (Também está na minha lista de “a visitar”).

Bom, independentemente de onde esteja, de seu tamanho ou dos idiomas dos livros ali vendidos, sempre procurarei livrarias por onde eu for! A satisfação, certamente, é garantida!

Seguem os links. Divirta-se!

As 10 livrarias mais bonitas do mundo

AS 10 LIVRARIAS MAIS BONITAS DO MUNDO

As mais belas livrarias do mundo !

As mais belas livrarias do mundo

O início da Guerra, pela ótica dos soldados alemães

Ainda por ocasião dos 80 anos do início da Segunda Guerra Mundial, publico aqui um vídeo que achei bem interessante. Trata da Campanha da Polônia, sob a ótica de soldados alemães. Não darei maiores informações acerca do vídeo (não gosto de “spoilers”), mas registro que, para o jovem soldado que cruzava a fronteira para combater pela Pátria (Vaterland), numa vitoriosa campanha de guerra relâmpago nunca antes vista, a sensação deveria ser extraordinária!

Imagine-se como parte de uma força de combate sem precedentes, atravessando a fronteira “inimiga” e “tratorando” tudo que estivesse à frente, em sucessivas vitórias! Com milhares de Panzers na vanguarda, Stukas com suas sirenes pelo ar, e uma tropa orgulhosa de que estava fazendo História, você seria parte de um dos grandes feitos militares do século! A Blitzkrieg de Guderian estava em ação!

Por favor, não me venha com comentários politicamente corretos, do tipo “Ain! Ele chama guerra de extraordinária!”. Vejo a guerra como algo inerente à natureza humana e, naquela época, ir à guerra era um ato nobre, sentimento do dever, e que envolvia a noção de masculinidade.

Recordo-me de um cartaz inglês da Grande Guerra (1914-1918), em que um garotinho está a brincar no chão da sala, enquanto seu pai senta-se em uma poltrona a ler o jornal. Então o pequeno pergunta, “Papai, onde você estava durante a guerra?”, e fica evidente o constrangimento do homem, que não estivera nos campos de batalha…

Sim! Homens fazem a guerra – e muitos gostam disso!

Talvez muito da debilidade de nossa sociedade pós-moderna se deva ao fato de termos perdido nossa capacidade de ir à guerra. Sabe aquela história de “tempos difíceis fazem homens fortes”? Pois é…

Se não gostou de minhas palavras aqui, paciência. Meus 16 leitores me entenderão…

A data verdadeira da Independência do Brasil

Hoje, 02/09, é o verdadeiro dia da Independência do Brasil! Foi nesta data, em 1822, que nossa então Princesa Regente, Leopoldina de Habsurgo, assinou o Decreto separando o Brasil de Portugal.
Com o Decreto da Princesa, legítima Chefe de Governo do Reino, o Brasil se separava definitivamente da metrópole portuguesa. Esse Decreto foi enviado, juntamente com uma carta de Leopoldina e outra de José Bonifácio ao Príncipe Dom Pedro, que viria a recebê-los no dia 7 e, às margens do Rio Ipiranga, e, seguindo as recomendações da esposa e do amigo, proclamar a Independência do Brasil.
Nossa gratidão eterna à primeira mulher a governar o Brasil! Leopoldina, austríaca de nascimento, brasileira se coração, tornar-se-ia nossa primeira Imperatriz. Tanto ela quanto o marido amavam verdadeiramente esta terra.
Infelizmente, o compromisso público de nosso primeiro casal imperial jamais foi repetido nesta república fracassada…
D’us salve a Imperatriz de Leopoldina de Habsburgo!
D’us abençoe o Imperador D. Pedro I!
D’us abençoe o Império do Brasil!
Pela restauração!

Em tempo: no mesmo dia, 196 anos depois, o lugar onde Leopoldina assinou o Decreto de Independência foi incendiado. O episódio, conhecido como o Incêndio do Museu Nacional (sim, refiro-me ao Museu Nacional da Quinta da Boa Vista), transformou em cinzas parte importante de nossa Cultura, de nossa Tradição e de nossa História. Não é exagero afirmar que uma parcela de nosso futuro como nação também se foi com o Museu. Ainda não foram punidos os responsáveis por aquela tragédia.

Leopoldina

Maçonaria e Independência

Convido a todos para uma palestra que farei amanhã, intitulada “A Maçonaria e a Independência do Brasil – Construindo uma Nação“. Será às 20h00 desta segunda, 02/09/2019, no Templo Igualdade do Grande Oriente do Brasil (GOB), na 913 Sul (SGAS, Quadra 913, Conjunto H,  Brasília-DF). O evento, que ocorrerá por ocasião da Semana da Pátria, é aberto aos amigos e familiares dos maçons, pois se trata de Sessão Magna Pública. Segue o convite.

Vamos conversar um pouco sobre a influência da Maçonaria no processo de independência do Brasil e na construção de nossa nação. Afinal, os maçons, entre os quais José Bonifácio e o próprio Pedro I, foram decisivos no movimento que culminou no 7 de setembro de 1822.

Aguardo vocês lá! Agradeço a divulgação.

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E foram abertas as portas do Inferno…

Há exatos 80 anos, o mundo começava o mês de setembro com a mais tenebrosa de todas as notícias: às 4h45 (hora de Berlim) de 1º de setembro de 1939, o couraçado Schleswig-Holstein, da Kriegsmarine, abria fogo contra as defesas polonesas na cidade-livre de Dantzig (atual Gdansk), de população germânica desejosa de ser incorporada ao Terceiro Reich. Simultaneamente, e sem declaração formal de guerra, tropas alemãs atravessavam a fronteira, tendo à frente os 2.500 Panzer que varreriam as forças polonesas por onde passassem, abrindo caminho para a infantaria que logo chegaria para ocupar o terreno. Pelo ar, a Luftwaffe se encarregaria dos bombardeios de cidades importantes e da destruição da força aérea inimiga no solo. O conceito de Blitzkrieg, a guerra relâmpago (que teve como idealizador o general Heinz Guderian, um dos mais brilhantes militares de seu tempo,) era posto em prática. Tinha início o maior conflito que os seres humanos jamais vivenciaram. Tinha início a Segunda Guerra Mundial.

Algumas palavras sobre esse começo da Segunda Guerra Mundial… Primeiramente, cabe assinalar que o ataque à Polônia só foi possível, naquelas condições, em razão da “Política do Apaziguamento”, promovida por britânicos e franceses (com apoio da Itália Fascista), e da aliança entre o Terceiro Reich e a União Soviética de Stálin, consubstanciada em 23 de agosto (uma semana antes, portanto), por meio do Pacto Ribbentrop-Molotov. Sem essas duas situações, Hitler não teria ousado dar ensejo ao “Caso Branco” (codinome do plano para invasão e conquista da Polônia). 

Assim, de um lado havia a aquiescência de Lord Chamberlain (que, para ir à Alemanha, pela primeira vez entrara em um avião) e do Primeiro-Ministro francês Daladier (que liderava a coalizão de esquerda a qual governava a França naquela época). Clássica é a cena de Chamberlain que, ao retornar da Conferência de Munique (setembro de 1938), declara a seus concidadãos que “a paz estava salva!” – às custas da Tchecoslováquia, claro, que foi entregue a Hitler por decisão das grandes potências europeias. Veja as imagens a que me refiro:

Do outro lado, estava a aproximação entre os dois gigantes totalitários, a Alemanha nazista e a União Soviética stalinista. Em ambos os países, chegara-se ao ápice do totalitarismo (de direita e de esquerda), e muitos analistas da época acreditavam que o conflito entre as duas ditaduras era iminente, ocorrendo caso Hitler invadisse a última nação que separa o Reich do território soviético: a Polônia. Nesse sentido, defendo que havia mesmo o interesse de Reino Unido e França de que esse passo fosse dado pela Alemanha. Afinal, se a Polônia fosse invadida, certamente as duas Potências totalitárias se digladiariam, e as democracias ocidentais só precisariam assistir “de camarote” e esperar o enfraquecimento de ambas e a derrota, pelo menos, de uma delas…

A habilidade política dos alemães pôs termo às expectativas de Paris e Londres quando, para a surpresa de todos, o Ministro das Relações exteriores da Alemanha, Joachim von Ribbentrop, foi, na última semana de agosto, a Moscou. Lá celebrou, com seu colega soviético, Vyacheslav Molotov, o Tratado de Não Agressão entre a Alemanha e a União das Repúblicas Socialistas Soviéticas. Na parte secreta daquele Tratado havia um acordo de partilha do território da Polônia entre soviéticos e alemães. Também era assegurado o reparte de outras regiões da Europa Oriental (garantindo-se que a Alemanha não entraria em conflito com a URSS, caso Moscou decidisse “recuperar” territórios que lhe seriam “de direito”, com herança da Rússia Czarista, ou seja, o que então constituía os Estados independentes da Estônia, Letônia e Lituânia, a Finlândia e partes da Romênia, além da própria Polônia). O Pacto Ribbentrop-Molotov selava, assim, o destino de várias nações europeias e, por que não, de toda a humanidade…

Não entrarei em detalhes táticos da invasão, nem de como a Polônia capitulou em menos de seis semanas. Tampouco cuidarei do fato de que, no dia 17 de setembro de 1939, foi a vez dos soviéticos adentrarem o território polonês (para “libertar” aquelas populações que ali viviam de uma invasão fascista que ainda não ocorrera), encontrando-se com seus “camaradas” alemães em Brest-Litovsk (em lembrança do tratado de 1918), onde apertaram as mãos. Tratarei menos ainda do “apoio” (pífio) dado aos poloneses por Reino Unido e França, que declararam guerra ao Reich três dias depois dos primeiros movimentos alemães, mas permaneceram praticamente inertes durante os meses seguintes (até a campanha alemã da primavera de 1940, voltada à Europa Ocidental), e silentes quando Stálin mandou o Exército Vermelho cruzar a fronteira com a Polônia…

Com a invasão de seu território pelos dois lados, e a derrota na campanha de setembro, a Polônia deixou de existir como Estado independente. Aquela nação, gloriosa de sua identidade e de suas tradições, viu-se subjugada, humilhada e forçada a servir aos dois senhores que repartiram o botim, e mostraram ao mundo seu poder. A seguir um documentário sobre o início da guerra.

Na Polônia ocupada pelos soviéticos, rapidamente o NKVD (antecessor do temido KGB) de Laurenti Beria tratou de executar cerca 7.000 civis e 15.000 oficiais poloneses, numa carnificina que teve no massacre de Katyn seu maior símbolo. A intelligentsia do país foi exterminada. Do lado alemão, além de perseguir a intelectualidade polonesa, a sanha nazista se voltou contra os 3,2 milhões de judeus que viviam plenamente integrados àquela sociedade: logo, professores universitários, profissionais liberais, comerciantes, funcionários públicos e trabalhadores das mais distintas áreas foram proibidos de exercer suas funções e obrigados a usar no peito ou no braço a Estrela de Davi. Depois viriam os guetos, os campos de concentração, as câmaras de gás, os crematórios, o extermínio.

 A Segunda Guerra Mundial começou, portanto, oficialmente, com o fim da Polônia como nação independente. Seis anos se passariam até que aquele povo fosse libertado do jugo alemão, para cair sob o controle soviético e o regime comunista. Foram seis anos de dor, sofrimento e morte, oitenta milhões de vidas perdidas, destruição total, perdas materiais e imateriais incalculáveis.

 O mundo realmente seria outro quando a Alemanha assinou a capitulação, em 8 de maio de 1945. A Guerra, que começara com a “questão polonesa”, tomara rumos inimagináveis. Para os poloneses, porém, sempre me lembrarei da história daqueles que, no dia que findaram as hostilidades na Europa, combatiam na Itália junto dos aliados e se desesperaram temendo retornar à pátria e cair nas mãos dos soviéticos, que ainda massacrariam centenas de milhares de poloneses étnicos no imediato pós-guerra. A sensação deveria ser de que os seis anos de guerra teriam sido em vão…

Indubitavelmente, a Polônia foi muito mais uma peça no jogo das grandes potências. Um jogo nocivo e caro, que custou milhões de vidas. Impossível esquecer das palavras de um judeu polonês, que conheci em Auschwitz, e que externou seu ressentimento com os “aliados” de Varsóvia por ocasião da guerra de 1939-1945: “O pior é que a guerra começou para nos libertar dos alemães e de Hitler”, disse ele, “mas nossos ‘salvadores’ acabaram a guerra nos entregando nas mãos dos soviéticos e de Stálin… Quem perdeu nisso tudo?”…

 Em tempo: fui o terceiro estudante de Relações Internacionais no Brasil a produzir uma monografia de final de curso, e isso lá em meados da década de 1990. O tema foi inusitado para aquele momento: “A Política Exterior do III Reich, 1933-1939”. Pretendo um dia trabalhar no arquivo e transformá-lo em livro. Pensei que poderia ser para os setenta anos do início da Guerra, depois para os oitenta… Quem sabe em comemoração aos 75 anos do fim do conflito, ou aos 85 do começo… Uma hora sai!