Guerra e Paz no Natal

lal295769Ainda sobre a Trégua do Natal de 1914, segue uma matéria muito interessante do The Telegraph sobre o evento, com destaque para a carta de um jovem soldado britânico que viveu aqueles acontecimentos e o dia-a-dia nas trincheiras.

Boas Festas! Paz, Saúde e Prosperidade!

How one young soldier’s song inspired the 1914 Christmas Truce

It is a story handed down through the generations – and even Christmas adverts – but here a letter from the trenches tells the true story of the Christmas Truce 100 years ago

By Christopher Middleton
The Telegraph
7:00AM GMT 22 Dec 2014
British and German troops meeting in No-Mans's Land during the unofficial truce on Christmas Day in 1914

British and German troops meeting in No-Mans’s Land during the unofficial truce on Christmas Day in 1914

In the British trenches, a young farmer’s son in the Queen’s Westminster regiment, by the name of Edgar Aplin starts up a song. He’s 26, he’s got a good, tenor voice, and after a few verses of Tommy Lad, he hears voices coming from the German trenches, where the 107th Saxon Regiment are dug in, a short distance away.

“Sing it again, Englander,” they call out, in English. “Sing Tommy Lad again.”

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100 anos da Trégua de Natal

fr-trench1Quem já acompanha Frumentarius há algum tempo, sabe que, desde o início deste blog, faço referência, no dia 25/12, a um dos acontecimentos mais inusitados e marcantes da I Guerra Mundial, apesar de pouco conhecido: a Trégua do Natal de 1914. O evento, ocorrido no primeiro ano daquele sangrento conflito, completa em 2014 cem anos.

O que se viu nas trincheiras da Grande Guerra naquele dezembro de 1914 poderia, indubitavelmente, inserir-se entre os mais belos contos de Natal. E, como toda bela história, aconteceria apenas naquele ano, mas marcaria todas as gerações de combatentes a partir de então.

trenche_WWIA guerra já seguia por quatro meses (mais do que esperado quando soaram os primeiros canhões de agosto). Após movimentos iniciais, como a invasão da Bélgica e a entrada em território francês, o conflito na frente ocidental estagnara-se, tornando-se uma guerra de trincheiras.

Já comentei aqui o que era uma guerra trincheiras, e por isso apenas assinalo que os soldados permaneciam a maior parte do tempo enfiados naquelas valas de cerca de 2,5 a 5 metros de profundidade e 2 de largura, em um complexo defensivo de túneis que se estendia da costa do Atlântico até a fronteira com a Suíça. Enfrentavam as intempéries, as péssimas condições sanitárias e os ataques do inimigo, aí incluído o fogo da artilharia, que lançava projéteis convencionais e bombas com gás sobre os combatentes entrincheirados. A vida ali, portanto, não era fácil.

Periodicamente, cada lado conduzia ataques com o objetivo de tomar a trincheira adversária. Para isso, a tropa tinha que, literalmente, desentocar-se e enfrentar a metralha inimiga, passando pela temível “terra de ninguém” (o espaço de cerca de 200 metros entre as trincheiras, cheio de crateras, lama, arame farpado e corpos de combatentes). Claro que os resultados dessas ações eram pouco efetivos para a vitória, embora custassem uma grande quantidade de vidas. E a guerra permaneceria estática, com as linhas de trincheira quase imutáveis, por quatro longos anos.

Mas voltemos ao Natal de 1914. O inverno castigava. Os homens se agrupavam como podiam naquelas valas congelantes. Uma cabeça levantada para olhar para as linhas adversárias poderia custar a vida. A paz parecia bem distante. E o Natal, diferente de qualquer outro pelo qual já haviam passado todos aqueles combatentes, mostrar-se-ia ainda mais inusitado.

La-trève-de-noël-1914Naquele 24 de dezembro, em alguns pontos da frente ocidental, o milagre começou. Um soldado inglês relatou que, enquanto estavam entocados em sua trincheira, ele e seus companheiros começaram a ouvir canções de Natal do outro lado da terra de ninguém. Alemães celebravam o nascimento do Cristo. Logo veio a resposta: os soldados britânicos também começaram a cantar… Mais algum tempo e as primeiras palavras de feliz natal vinham do lado inimigo, cordialmente respondidas. Logo alguns corajosos colocaram o rosto para fora da trincheira. O inimigo não atirava de volta. Então, soldados de ambos os lados começaram a sair de seus abrigos, atravessando a terra de ninguém para cumprimentar os oponentes do outro lado – afinal, tinham muito mais em comum do que imaginavam!

A confraternização nas trincheiras provocou uma reação em cadeia, que se estendeu por praticamente toda a frente ocidental. Combatentes de ambos os lados se abraçavam, cantavam juntos, trocavam cumprimentos de Feliz Natal e até presentes (como cigarros). Fotos da família na carteira eram mostradas ao inimigo. Em alguns lugares, partidas de futebol ocorreram. Os mortos foram enterrados. E, durante alguns dias, nenhum tiro foi disparado.

2657744611Claro que a situação inusitada deixou perplexos e preocupados os comandantes. Logo vieram ordens para por fim à “confraternização com o inimigo”. Soldados foram substituídos e oficiais punidos. E, em.pouco tempo, tiros voltaram a ser disparados. A guerra deveria continuar… e o seria por mais penosos quatro anos e milhões de mortos.

Nunca mais aconteceu uma confraternização como a do Natal de 1914. Passados 100 anos, aquele evento deve continuar a ser lembrado. Afinal, constatou-se ali o poder do Espírito de Natal, que fez inimigos se darem as mãos e celebrarem o nascimento Daquele que veio para pregar o amor e a união entre os povos.

Feliz Natal a todos! E que a Paz do Cristo preencha todos os corações!

Segue um texto bem detalhado e interessante sobre o Milagre do Natal de 1914.

Christmas Truce 1914, as seen by the Illustrated London News.

Guerra de Trincheiras
Publicado em 30/04/2013 Fatos Internacionais
http://tokdehistoria.com.br/tag/guerra-de-trincheiras/

O MILAGRE DO NATAL DE 1914

OS INUSITADOS ACONTECIMENTOS DA CONFRATERNIZAÇÃO NATALINA ENTRE INIMIGOS DURANTE A PRIMEIRA GUERRA MUNDIAL

O milagre do Natal de 1914

Tudo teve início quando foram assassinados em Sarajevo, na Sérvia, o herdeiro do trono do Império Austro-Húngaro, o arquiduque Francisco Ferdinando e sua esposa Sofia. A ação foi realizada por um estudante, mas toda trama fora criada por um membro do governo sérvio. Em 28 de julho, a Áustria-Hungria declarou guerra à Sérvia. Grã-Bretanha, França e Rússia se aliaram aos sérvios; a Alemanha, aos austro-húngaros. Tinha início a Primeira Guerra Mundial, conhecida então como Grande Guerra.

Na sequência o mundo viu um ataque alemão inicial através da Bélgica em direção a França. Este avanço foi repelido no início de setembro de 1914, nos arredores de Paris pelas tropas francesas e britânicas, na chamada Primeira Batalha do Marne. Os aliados empurraram as forças alemãs para trás cerca de 50 km. Os germânicos seguem para o vale do Aisne, onde prepararam suas posições defensivas.

Um infogr´´afico pyublicado na primeira página do jornal recifense Diário de Pernambuco, explicando sobre a nova guerra na Europa

As forças aliadas não foram capazes de avançar contra a linha alemã e a luta rapidamente degenerou em um impasse. Nenhum dos lados estava disposto a ceder terreno e ambos começaram a desenvolver sistemas fortificados de trincheiras. Isso significou o fim da guerra móvel no oeste.

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Guerra declarada

Daily T 29071914 Mapa“Diversos acontecimentos de grande importância tiveram lugar ontem para trazer uma luz à crescente crise austro-sérvia. Primeiramente, a Áustria-Hungria declarou guerra à Sérvia.” Essa é nossa livre tradução da notícia do jornal britânico Daily Telegraph sobre o início da Grande Guerra.

De fato, muito interessante é ver como as pessoas da época percebiam os acontecimentos. Vale a pena a leitura do jornal, mesmo que sua apresentação seja a típica dos diários da primeira metade do século passado, com muita informação, em letras minúsculas, várias colunas por página e a ênfase à informação e não à forma. Interessante, também, como muitas notícias poderiam ser quase que literalmente publicadas hoje, sem que se notasse que são de um século atrás (por exemplo, “os mercados abalados”) e a publicidade da época, como a da Kodak.

Para acessar a edição do dia 29 de julho de 1914 do Daily Telegraph, clique Telegraph1914_2907_2983878a.

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Daily Telegraph July 29 1914

The conflagration starts as Austria-Hungary declares war on Serbia

“Several developments of great importance took place yesterday to throw light upon the situation arising out of the Austro-Servian crisis. In the first place, Austria-Hungary has declared war on Servia.” Thus in an extraordinarily understated way on page 11, the Telegraph starts to report the outbreak of war on the continent. Further on the page is another case of litotes as another report calls the declaration of war a “serious development.”

Our correspondent in Paris writes “the hopes of preserving general peace are still slender,” as all eyes turned now to Russia – how would she react to a military attack on a fellow Slavic state? The third of the several developments was reported to be negotiations between her and Austria – if Russia did come in then Germany, which in the second development announced its refusal to participate in Sir Edward Grey’s proposed mediation, would surely do so as well as Austria’s ally, and then France as Russia’s ally would surely be dragged in as well.

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Memórias da Grande Guerra…

Este é um ano emblemático para todos que se interessam por História, em especial por História Militar e História das Relações Internacionais. Afinal, há exatos cem anos, o mundo testemunhava os canhões de agosto que poriam fim a um século de paz na Europa e conduziriam o Velho Continente (e todo o planeta) à mais avassaladora das guerras até então… Milhões de mortos, outros tantos de feridos, e uma mudança na maneira como os seres humanos percebiam o mundo.

Encontrei no site da Deutsche Welle uma página temática interessantíssima sobre a I Guerra Mundial! Em um tempo em que se vislumbra a possibilidade de voltarem a ocorrer conflitos interestatais (no velho estilo), cabe recuperar as memórias da Grande Guerra…

Para acessar o link, clique aqui (em alemão).

Segue, ainda, artigo muito interessante sobre um possível grande fracasso da diplomacia que culminou no morticínio de 1914-1918.

Erster Weltkrieg

Erster Weltkrieg – Hat die Diplomatie versagt?

Der Veranstaltungsort hätte passender kaum sein können: Das 1730 fertiggestellte Zeughaus in Berlin war einmal das größte Waffenlager Preußens. Heute befindet sich in dem barocken Prachtbau am Boulevard Unter den Linden das Deutsche Historische Museum (DHM). Gemeinsam mit dem Auswärtigen Amt (AA) hatte das DHM am Freitag (14.03.2014) zu einer Historiker-Diskussion eingeladen. “Julikrise 1914 – schlafwandelnde Diplomaten?” lautete die Überschrift der zweiten von sieben geplanten Gesprächsrunden, bei denen die Frankfurter Allgemeine Zeitung und die Deutsche Welle Medienpartner sind.
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Mobilização e “Atos de Guerra”

ukranian presidentHá muito não vivíamos momentos de tamanha tensão… O Primeiro-Ministro ucraniano declarou mobilização total de suas (frágeis) forças armadas. Disse, ainda, que considera as ações de Moscou uma “declaração de guerra” – termos fortes, ainda mais em um momento de tamanha crise… 

A Crimeia já está ocupada pelos russos, e as lideranças locais declaram-se sob a proteção de Moscou (isso lembrou-me muito a situação em Dantzig, em agosto de 1939). Para complicar mais, o novo comandante da força naval ucraniana, empossado há dois dias, acabou de manifestar lealdade à Rússia e criou-se a “frota da Crimeia” com as naus que estavam em Sebastopol (ao lado da frota russa do Mar Negro) – ontem, eu disse aqui que isso logo poderia acontecer.

_73313166_76e8d616-6be8-4613-9a31-741d2fd20c38No Ocidente, a OTAN repudia a ofensiva russa… mas, por enquanto, fica só em palavras. O problema é que logo a Aliança Atlântica pode-se ver obrigada a agir, com fundamento no acordo de segurança firmado com Kiev há alguns anos. Situação muito parecida com a de Grã-Bretanha e França com relação à Polônia às vésperas da II Guerra Mundial. O apaziguamento tem limites…

Da parte de Washington, John Kerry também usou termos fortes, sobretudo quando vindos de um Secretário de Estado: falou em “atos de agressão” dos russos, dando sinal de que os norte-americanos já estariam considerando a tradicional justificativa “moral” para agir ou para pressionar Moscou mais ainda. O Kremlin, por sua vez, permanece inabalável na defesa dos interesses russos em sua natural área de influência. Parecem tempos de Guerra Fria… Só que Obama não é Kennedy, e tampouco Putin é Krushev. As próximas horas serão decisivas.

ukraine-crisisMobilização, ameaças, segurança coletiva, alianças militares, intervenções militares, atos de guerra, declaração de guerra. Na condição de historiador, fica difícil saber em que época estamos.

Segue matéria muito interessante da Reuters sobre o desenrolar da crise…

Ukraine mobilizes after Putin’s ‘declaration of war’

Photo
4:36pm EST
Reuters – By Natalia Zinets and Alissa de Carbonnel

KIEV/BALACLAVA, Ukraine (Reuters) – Ukraine mobilized for war on Sunday and Washington threatened to isolate Russia economically, after President Vladimir Putin declared he had the right to invade his neighbor in Moscow’s biggest confrontation with the West since the Cold War.

“This is not a threat: this is actually the declaration of war to my country,” Ukraine’s Prime Minister Arseny Yatseniuk said in English. Yatsenuik heads a pro-Western government that took power when the country’s Russia-backed president, Viktor Yanukovich, was ousted last week. Continuar lendo

O Natal de 1914

665321045O ano de 1914 foi, certamente, um dos mais marcantes do século XX. Afinal, para alguns, foi ali que o breve e intenso século começou, com o desencadeamento, no verão, da Grande Guerra.

A I Guerra Mundial fascina por suas peculiaridades. Toda guerra as tem, é certo, mas o conflito iniciado em 1914 esteve no cerne de grandes mudanças na história da humanidade, dividindo não só homens e nações, mas também mundos e eras. O mundo que começou a guerra era completamente distinto do que a viu acabar…

Ainda sobre as peculiaridades, nos campos de batalha e nas trincheiras da Europa, foram testemunhados eventos incríveis, os quais nem mesmo os maiores romancistas poderiam conceber. Um deles ocorreu no Natal de 1914. Sempre comento a respeito nessa época aqui em Frumentarius. E comentarei novamente.

La-trève-de-noël-1914Em breves palavras, naquela noite fria de Natal nas trincheiras do front ocidental, milhares de homens simplesmente suspenderam a carnificina e saíram para confraternizar com o “inimigo”. Não foi nem uma ordem de superiores, talvez uma ordem Superior.

Então, em meio a canções de Natal, combatentes de ambos os lados se encontraram, deram as mãos, abraçaram-se. Houve até troca de presentes. E a guerra, o ódio e as diferenças foram esquecidos, ao menos por algumas horas. O que imperava era o Espírito de Natal, e um sentimento inexplicável de fraternidade preencheu os corações daqueles homens que ali estavam para matar ou ferir seus semelhantes. 

1914As confraternizações aconteceram simultaneamente ao longo de todo o front ocidental. Nunca se vira nada parecido, nem se veria novamente.

Algum tempo depois, os combates foram retomados. E as autoridades militares se encarregariam de não permitir um novo evento como aquele (que quase acabou com a guerra) ocorresse novamente nos fatídicos anos que se seguiram de carnificina.

O Natal de 1914, nas trincheiras da Europa, deixou a lição de que a humanidade pode ser uma só, que diferenças podem ser postas de lado, e que a paz e a fraternidade podem reinar no coração dos justos. Não é esse o Espírito de Natal?!?

Boas Festas! Lembremos sempre de que milagres podem acontecer e que ainda há esperança para a humanidade.

Feliz Natal!
Merry Christmas!
Feliz Navidad!
Joyeux Noël!
Fröhliche Weinachten!
Buon Natale!

Segue um artigo sobre o Natal de 2014.

WEIHNACHTEN_2

Noite feliz na terra de ninguém: Natal de 1914

No Natal de 1914, em plena Primeira Guerra Mundial, soldados ingleses e alemães deixaram as trincheiras e fizeram uma trégua. Durante seis dias, eles enterraram seus mortos, trocaram presentes e jogaram futebol

Bruno Leuzinger | 01/03/2004 00h00
http://guiadoestudante.abril.com.br/aventuras-historia/noite-feliz-terra-ninguem-natal-1914-433575.shtml

Finalmente parou de chover. A noite está clara, com céu limpo, estrelado, como os soldados não viam há muito tempo. Ao contrário da chuva, porém, o frio segue sem dar trégua. Normal nesta época do ano. O que não seria normal em outros anos é o fedor no ar. Cheiro de morte, que invade as narinas e mexe com a cabeça dos vivos – alemães e britânicos, inimigos separados por 80, 100 metros no máximo. Entre eles está a “terra de ninguém”, assim chamada porque não se sobreviveria ali muito tempo. Cadáveres de combatentes de ambos os lados compõem a paisagem com cercas de arame farpado, troncos de árvores calcinadas e crateras abertas pelas explosões de granadas. O barulho delas é ensurdecedor, mas no momento não se ouve nada. Nenhuma explosão, nenhum tiro. Nenhum recruta agonizante gritando por socorro ou chamando pela mãe. Nada. Continuar lendo

Unsere Mütter, unsere Väter

Muito bem, depois de quase um mês de luto por Kenneth Waltz, volto a escrever em Frumentarius. (Tá bom, não foi luto… só estava sem tempo para escrever por aqui…). E começo fazendo referência a um filme que causou polêmica nas últimas semanas na Alemanha: Unsere Mütter, unsere Väter (Nossas mães, nossos pais), e que conta a história de cinco jovens alemães que viveram a Guerra de 1939-1945.

É importante que se conheça sobre a última guerra mundial. E é importante que se conheça versões dos vários lados que vivenciaram o conflito. Incomodam-me, por exemplo, os filmes clichês, onde todo alemão é perverso e nazista…

Espero conseguir ver logo este filme…

Segue matéria sobre Unsere Mütter, unsere Väter.

Filme alemão sobre Segunda Guerra Mundial choca russos

9/05/2013 Elena Novosiólova, Rossiyskaya Gazeta
Focada nos excessos isolados dos militares soviéticos na Alemanha, obra deturpa essência do conflito.
 kinopoisk.ru

O filme “Nossas mães, nossos pais”, exibido pelo canal de televisão alemão ZDF, conta a história de cinco jovens para os quais a Segunda Guerra Mundial se torna um desafio moral e ético, deixando a impressão de que a Alemanha está cansada de arrependimentos e tenta jogar a culpa sobre os outros. O filme basicamente apresenta os soldados soviéticos como estupradores, os poloneses como antissemitas desumanizados e os ucranianos como sádicos. Continuar lendo

8 ou 9 de maio?

Muitos (não no Brasil) viram a comemoração do Dia da Vitória em 8 de maio… Entretanto, no dia seguinte, os jornais noticiaram a celebração da data na Rússia e ex-repúblicas soviéticas em 9 de maio… E então? Tem-se aí uma curiosidade sobre a II Guerra Mundial.

Com a morte de Hitler, a capitulação alemã era uma questão de pouquíssimo tempo. Assim foi que, no dia 7 de maio de 1945, deu-se a assinatura da rendição alemã em Reims, perante o comando aliado ocidental, no Quartel-General Supremo da Força Expedicionário Aliada. Quem a subscreveu foi o General Alfred Jodl, em nome do Comando Supremo das Forças Armadas alemãs e do novo Presidente do Reich, o Almirante Karl Dönitz, e a capitulação total deveria entrar em efeito às 23:00h (hora da Europa Central) do dia 8 de maio.

Rendicao_BerlimOs soviéticos, entretanto, que haviam tomado Berlim, na batalha final europeia, não gostaram muito de uma rendição aos aliados ocidentais. Stálin declarou, assim, sem efeito o documento de Reims, chamando-o de rendição preliminar, e exigiu que nova capitulação fosse assinada em Berlim, perante as autoridades soviéticas. Isso veio a acontecer no dia seguinte, pouco antes da meia-noite de 8 de maio, na Administração Militar Soviética na capital do III Reich. Em Moscou, já passara da primeira hora do dia 9. Assim, perante o Marcehal Zhukov, o Marechal-de-Campo Wilhelm Keitel, o Almirante Hans-Georg von Friedeburg, e o General Hans-Jürgen Stumpff, assinaram o novo instrumento que marcou o desfecho de seis anos de guerra em solo Europeu. Eis a razão pela qual o Dia da Vitória na Europa é comemorado em datas distintas.

Instrumento de Rendicao Berlim Instrumento de Rendicao Reims

O dia da Vitória

german_surrenderTempo não tive nessa última semana para comentar uma grande data, que por muitos anos ainda será lembrada: o 8 de maio! Certamente meus oito leitores (ao contrário da quase totalidade dos brasileiros) sabem a que me refiro… Foi no dia 8 de maio de 1945 (9, para os soviéticos) que acabou a II Guerra Mundial em solo europeu, com a capitulação da Alemanha…

Durante a semana foram vistas comemorações nos países que se envolveram naquele terrível conflito, iniciado seis anos antes, no dia 1 de setembro de 1939, e cujos números são surpreendentes em termos de destruição e morte, e dos quais se pode ter uma idéia pela quantidade de almas ceifadas durante o cataclismo humano: entre 80 e 100 milhões é o estimado… Paradas militares, minutos de silêncio, recordações, discursos e aclamação daqueles civis e militares que sobreviveram e hoje representam os últimos de uma geração que está prestes a desaparecer. Não obstante, enquanto ainda houver uma testemunha viva do maior conflito pelo qual a humanidade já passou, permanece a obrigação de saudá-la como vencedora! E, quando essa se for, o culto de sua memória e das lembranças daqueles anos sombrios deve ser diariamente mantido, exatamente para que as novas gerações não considerem se envolver em empreitada cujo desfecho é certo.

diadavitoria2Pois bem, nesse 8 de maio, no Brasil se preferiu dar vazão a notícias sobre os jogos de futebol do fim-de-semana, ao novo sucesso do funk, ou a futilidades mil que tanto marcam nossa sociedade decadente e cada vez mais ignorante (e, portanto, violenta e atrasada). Não vi sequer (talvez até tenha havido, não sei) um pronunciamento oficial de autoridade civil brasileira (certamente o 8 de maio foi lembrado nas ordens do dia das Forças Armadas), tampouco qualquer manifestação de lembrança ou de aclamação aos últimos remanescentes daqueles 25 mil brasileiros enviados para lutar na Europa: sim, ainda existem pracinhas, ainda existem guerreiros que combateram no 1º Grupo de Aviação de Caça, ainda existem aqueles que podem carregar com orgulho o título de verdadeiros heróis. E é a eles que rendo minha homenagem, como sempre farei!

Nesse 8 de maio, lembrei de nossos heróis! Falei deles para meus alunos e amigos! E, em um país adolescente, mas com problemas gravíssimos de memória, entristeceu-me o fato de pouquíssimos se recordarem desses homens e mulheres que ofereceram a vida por uma causa.

Viva o 8 de maio!

diadavitoria

A culpa dos inocentes

??????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????Entrevista na Spiegel com psicanalista que foi criança na Alemanha durante a II Guerra Mundial.

Sinceramente, parece-me que os alemães ainda têm muita dificuldade de lidar com o III Reich… A culpa pelo passado permanece e é muito intensa, inclusive nas gerações que não tiveram qualquer responsabilidade pelo nazismo. Nesse sentido, a impressão que tenho é que os alemães conseguem tratar melhor de quatro décadas de ditadura comunista que de treze anos de nacional-socialismo. E olha que o regime era muito duro na República Democrática Alemã e tão totalitário quanto aquele estabelecido há exatos oitenta anos…

BRANDENBURGER TOR

Der Spiegelonline – 03/28/2013 01:19 PM

Nazi Childhood Memories – ‘It’s All Still Very Present’

The miniseries “Our Mothers, Our Fathers” has sparked widespread discussion in Germany about memories of WWII, both first-hand and inherited. In a SPIEGEL interview, war survivor and psychoanalyst Hartmut Radebold talks about guilt, war trauma and his own fraught memories of growing up in the Third Reich.

SPIEGEL: Mr. Radebold, you have researched the impact of traumatic war experiences. Now, in the wake of the three-part TV miniseries “Unsere Mütter, unsere Väter” (Our Mothers, Our Fathers), which was broadcast on March 17, 18 and 20 on Germany’s ZDF public television network, the newspapers are full of accounts of what life was like during World War II. Why is that? We have been dealing with Germany’s Nazi past for decades, and just when we feel we know practically everything about this period of history, it starts making headlines again.

Radebold: It wasn’t talked about much within families themselves, which is regrettable, as is the fact that this film wasn’t made earlier. The protagonists were born shortly after 1920. Very few members of that generation are still alive — and many of those who have survived suffer from dementia. The film actually deals with individuals who are no longer with us. Continuar lendo

Um nazista entre os justos???

Matéria interessante sobre o irmão de Hermann Goering (o segundo homem do III Reich), que teria atuado pela salvação de judeus do holocausto. E então, será que poderia Albert Goering receber o título de “justo entre as Nações” (חסידי אומות העולם)?

Albert Goering

Ser Spiegelonline – 03/07/2013 04:27 PM

Göring’s List –Should Israel Honor a Leading Nazi’s Brother?

By Gerhard Spörl

Leading Nazi Hermann Göring was instrumental to Hitler’s reign of terror, but research suggests his brother Albert saved the lives of dozens of Jews. Israel must now decide whether he deserves to be honored as one of the “Righteous Among the Nations.”

Hermann Göring’s younger brother Albert, of all people, rescued Jews from the Nazis, and yet his story is forgotten. But why?

Irena Steinfeldt looks nervously at the clock to reassure herself that she isn’t too late for her appointment at the Café Paradiso in downtown Jerusalem. She sits down, shakes her hair and gazes intently through her glasses.

It is important to her to set something straight right away. It really doesn’t matter to her, she says, what someone’s name was or what rank he had at the time, if he had rescued only one or several Jews and had proven himself to be a good person at a bad time. The true heroes, who remain good throughout their lives, are extremely rare, she says, and they certainly didn’t exist at the time of the Holocaust. Continuar lendo

Herança Maldita

Spiegel 25MAR2013E por falar nas lembranças da II Guerra, a Spiegel de 25 de março de 2013 trouxe um dossiê especial sobre o legado do último conflito mundial para os alemães. São matérias primorosas acerca da maneira como os descendentes daqueles que viveram o III Reich e guerra lidam com a história de sua família e de seu país. A revista também trata da percepção dos alemães sobre a guerra do presente e a participação das Forças Armadas germânicas nos conflitos do século XXI.

A título de exemplo, segue reportagem sobre um filho e sua relação com o pai que teria servido sob a suástica.

Der Spiegelonline – 03/29/2013 04:18 PM

A Son’s Quest for Truth – The Last Battle of a German WWII Veteran

By Jürgen Dahlkamp

Heinz Otto Fausten, a German soldier who fought in World War II, saw things no one should ever have to see. After that, the high school teacher just concentrated on the future. But then his son started asking questions to find out whether he was a murderer.

EU; DEU; Deutschland; Sinzig: der Wehrmachtssoldat Heinz Peter Fausten.Ottoooo..! That scream, that horrible scream, the scream that has echoed and reverberated in his head for the last 71 years. That scream, shrill and terrible, that only he can hear now, as he sits at his dining table in a small house at the end of a quiet, dead-end street, in a quiet living room with a vase of tulips and a gingerbread heart on the shelf, with the words “Opa is Fantastic” written on it with icing.

Ottoooo..!

The scream transports Heinz Otto Fausten back 71 years to a trench in Kalikino, Russia, 2,240 kilometers (1,400 miles) away. The journey takes him a fraction of a second. Suddenly he is 21 again, and caught in a ruthless, violent world where life is about nothing but survival.

He is crouched on the ground next to his friend Ekkehardt. They are cowering in the trench, the entire company, one man next to the other. The trench is their only protection. Suddenly the company commander in front shouts to the soldiers behind him: “Fausten group to the front.” Fausten doesn’t move, sensing that whoever heeds the command is a dead man. “Don’t say anything, Ekkehardt,” he tells his friend, but Ekkehardt calls out: “We’re coming.” Continuar lendo

Bomba em Berlim

A notícia correu o mundo na semana passada. Quase sete décadas após o fim da II Guerra Mundial, uma bomba é encontrada próximo à estação central de Berlim (Berlin Hauptbanhof). É incrível como o conflito ainda está vivo no solo alemão – literalmente. Mas as seqüelas nos corações e mentes da população daquele grande país ainda são maiores. Outro aspecto a ser considerado relaciona-se à quantidade de bombas que ainda estão enterradas (para serem encontradas) nas principais cidades alemãs: um sinal da tentativa de genocídio dos aliados contra o povo germânico…

Em tempo: para um link com imagens relacionadas, clique aqui.

Bombenfund am Berliner Hauptbahnhof

Der Spiegel Online – 04/03/2013 08:58 AM

Rail Service Disruption – WWII Bomb Found Near Berlin’s Main Station

Train services to and from Berlin suffered delays and cancellations on Wednesday after a munitions experts set about defusing a 100-kilogram bomb from World War II found near the city’s main train station.

The discovery of a World War II bomb near the main train station of Berlin disrupted rail services to and from the German capital on Wednesday.

“Travellers should be prepared for delays and route changes in long-distance services,” a spokesman for rail operator Deutsche Bahn said.

A police spokesman said buildings in the vicinity of the bomb had already been evacuated in preparation for the disposal, which was likely to take place around noon. “At the moment we plan to defuse it by mechanically screwing out the detonator,” the spokesman said.

Some 1,100 trains and up to 700,000 passengers pass through the modern station each day. It was opened in 2006.

The bomb was found by munitions experts conducting a routine search of a site in preparation of construction work. Unexploded bombs from the Allied bombardment of Germany during World War II are still frequently found. The munitions are getting more difficult and dangerous to defuse because their fuse mechanisms have corroded and become less stable over time.

Bomb disposal experts have been warning that bombs will increasingly have to be exploded where they are found because moving them has become too risky. At least two such controlled explosions took place last year, in Munich and Viersen, causing damage to surrounding buildings.

cro — with wire reports

70 anos da Batalha de Stalingrado…

No último 2 de fevereiro foram comemorados os 70 anos da Batalha de Stalingrado. Ocorrida no inverno de 1942/1943, aquela batalha marcou o momento da virada na Segunda Guerra Mundial, quando os soviéticos tiveram êxito em repelir o ataque alemão, cercaram e capturaram o VI Exército de Von Paulos e seguiram rumo a oeste, varrendo os exércitos agressores até cercarem Berlim, em 1945, e vencerem a Alemanha, que capitulou a 9 de maio (ou 8, para os aliados ocidentais). Trata-se de data que dificilmente será esquecida… Resolvemos lembrá-la aqui.

Estátua da Vitória - Stalingrado

Russia marks the 70th anniversary of the Battle of Stalingrad

February 6, 2013Ksenia Burmenko

On Feb. 2, nearly 1,200 guests made up of 200 delegations from dozens of Russian regions and 18 countries around the world – including Germany – turned out to celebrate the 70th anniversary of the Battle of Stalingrad. Amid parades, concerts, and national festivities, residents, veterans and President Putin himself shared their emotions about the historic battle.

Source: Mikhail Mordasov

It’s no lie when they say that Volgograd was built on bones. The mass war grave is in the heart of the city, on the Avenue of Heroes, and the Eternal Flame stands on the spot. It is a colossal burial place – the Mamaev Kurgan, under whose monument “The Motherland Calls” lay the remains of 36,000 soldiers, whose bodies were brought from all over the city when Stalingrad was liberated. Continuar lendo

Dia da Lembrança

Apesar de já estarmos no fim deste domingo, 11/11, importante registrar a efeméride de hoje deve ser sempre lembrada. Afinal, foi na 11ª hora do 11º dia do 11º mês do ano de 1918 que chegou ao fim a Grande Guerra. Aquele conflito, que envolveu a maioria das chamadas “nações civilizadas” pôs fim a uma era e deu início ao século XX. O saldo de milhões de mortos e feridos, da destruição de cidades e plantações, do colapso de impérios, marcaria toda uma geração e seria o prelúdio do maior massacre da história da humanidade.

A data de hoje serve para lembrar todos aqueles que pereceram na carnificina de 1914-1918 e todos os que dali saíram com seqüelas. Muitas jovens vidas foram ceifadas e muitos sonhos destruídos. Eles serão sempre lembrados! E que descansem em paz!

Segue o link para nosso post do ano passado:

https://joanisval.com/2011/11/11/a-importancia-do-1111/

 

8 de maio, Dia da Vitória

A data de hoje merece sempre ser lembrada: afinal, há exatos 67 anos, o mundo celebrava o fim da Segunda Guerra Mundial na Europa. Os aliados haviam finalmente derrotado a Alemanha.

A Guerra continuaria, entretanto, no Pacífico, até 2 de setembro de 1945, quando, após duas bombas nucleares, seriam os japoneses a capitular. O saldo: milhões de mortes nos cinco continentes e a avassaladora destruição de cidades, estradas, plantações…

De toda maneira, o 8 de maio é celebrado em todo o mundo… quase todo, pois no Brasil ninguém lembra desse acontecimento de tamanha relevância – talvez em algumas Organizações Militares ainda se celebre… talvez, pois eu não recebi convite para nenhum evento desses aqui em Brasília (ok, meu prestígio já foi maior junto à caserna, creio…).

Fica minha lembrança e a homenagem a todos que combateram naquele período, particularmente a nossos pracinhas, que cruzaram o Atlântico para defender a democracia.

Por falar em pracinhas, para acessar o portal da FEB, clique aqui.

Paris ceremonies mark V-E Day anniversary

By Thomas Adamson – The Associated Press Posted : Tuesday May 8, 2012 11:52:35 EDT

PARIS — In his last state ceremony as France’s president, Nicolas Sarkozy led commemorations Tuesday in Paris marking the end of World War II in Europe, standing side-by-side with the man who ousted him from power. Continuar lendo

Museu do Expedicionário – Curitiba/PR

Estive pela manhã em um ponto turístico da capital paranaense pouco conhecido da maioria dos turistas que visitam a cidade. Curitiba é pródiga em monumentos, parques, museus e locais turísticos que fazem dela uma cidade a ser conhecida pelos brasileiros que gostam/podem viajar. E são tantos sítios interessantes, que alguns (imperdíveis) acabam legados a segundo plano. O Museu do Expedicionário é um desses lugares.

Localizado na Praça do Expedicionário, no Alto da XV, esse pequeno mas intrigante museu reúne em dois andares peças das mais diversas sobre a II Guerra Mundial e a participação brasileira naquele conflito: de uniformes a armamentos, como canhões, metralhadoras e peças capturadas dos alemães. Há, inclusive, na entrada do museu, um P-47 utilizado pelo nosso 1o Grupo de Caça no conflito. Ademais, fotos, mapas e outros documentos da FEB, da FAB, de nossos pracinhas e de exércitos estrangeiros – polones, canadenses, britânicos, alemães, estadunidenses fazem do Museu do Expedicionário único no País. O acervo é rico, e dos museus militares que já visitei no Brasil, este é o melhor – recomendo também o museu do Forte de Copacabana e o Museu Aeronáutico do Campo dos Afonsos, ambos no Rio de Janeiro.

A visita ao Museu do Expedicionário é uma viagem no tempo. Por meio do que ali está exposto, é possível conhecer um pouco da vida dos homens e mulheres que viveram, lutaram e morreram no maior conflito armado da história. Também é importante pela homenagem que faz a nossos pracinhas, tão esquecidos da maioria dos brasileiros. Enfim, o museu mantém viva a memória dos que combateram na II Guerra Mundial,o que é de extrema importância neste país que tem dificuldade em cultuar verdadeiros heróis e que rende homenagem a cantores (?) de funk, jogadores de futebol e participantes de reality shows.

Para uma página com informações sobre o Museu do Expedicionário de Curitiba, clique aqui.

A importância do 11/11

É surpreendente a quantidade de baboseiras que as pessoas falam sobre o 11-11-2011! Abertura de portais, emanações das mais diferentes forças, momento para se conectar com outros planos e com seres tão etéreos quanto a imaginação possa conceber… Tudo isso dentro de uma gigantesca onda de esoterismo fashion, fútil e perdido! Isso me faz lembrar as palavras de Albert Einstein (este sim um místico de fato, apesar de poucos conhecerem essa faceta do gênio), que dizia que só acreditava em duas coisas infinitas: o universo e a estupidez humana… mas que não tinha certeza quanto à infinitude do universo!… E o pior é o incentivo dos meios de comunicação a todo esse besteirol pseudo-esotérico!

O dia 11/11 sem dúvida deve ser lembrado, só que por outro motivo. Essa data, nunca esquecida em muitas partes do globo, evoca a lembrança do 11/11/1918, quando começou a vigorar o armistício que pôs fim ao maior de todos os conflitos pelos quais a humanidade havia passado até então: a I Guerra Mundial, também chamada de “A Grande Guerra”. Foram cerca de 10 milhões de soldados mortos de diferentes nacionalidades, religiões, convicções políticas, e outros 7 milhões de civis, além de milhões de feridos e inválidos. Nações civilizadas que se digladiaram e mostraram sua face mais bárbara. Colheitas perdidas em campos onde o que cresceu durante anos foram apenas as papoulas que brotavam da terra onde se encontravam os corpos dos milhares que caíram por força de bombas, tiros ou baionetas… Cidades inteiras destruídas. Impérios que se esfacelaram. Enfim, um mundo que mudou tão intensamente em quatro tenebrosos anos como nunca se pudera prever! E as seqüelas se prolongaram para muito além daquele novembro de 1918, chegando mesmo a nossos dias. Com a Grande Guerra, acabou uma era e outra teve início.

O 11/11 é uma data especial, uma data que deve ser sempre lembrada em tributo daqueles milhões de seres humanos que sacrificaram sua juventude e a própria vida nos campos de batalha da Europa e do mundo. E ao final deste dia, que se possa dedicar alguns minutos de reflexão e meditação por todos que pereceram nas diversas guerras dos últimos 100 anos.

Segue um artigo de Jamal Khokhar, Embaixador do Canadá no Brasil, publicado hoje no Correio Braziliense, sobre o Dia da Lembrança.  

Dia da Lembrança

Jamal Khokhar, Embaixador do Canadá no Brasil

Hoje é um dia significativo para o Brasil e o Canadá, assim como para os outros países junto aos quais continuamos a lutar para defender a paz e a liberdade. No Canadá, o Dia da Lembrança surgiu como forma de comemorar o fim das duas guerras mundiais e de batalhas travadas desde então. É um dia para prestar homenagem a todos aqueles que lutaram para defender nossos ideais e, ao fazê-lo, pagaram com a própria vida. Valorizar os sacrifícios feitos por dezenas de milhares de cidadãos corajosos nos faz lembrar o custo da democracia.

Ambos os países participaram da Segunda Guerra Mundial — em que o Brasil foi o Continuar lendo