Obituário: Vaclav Havel

Ao contrário do que pensam os marxistas e associados, a História se faz de homens, indivíduos sem os quais a massa não se move. Havel foi um desses homens, um intelectual que liderou tchecoslovacos contra a ditadura do proletariado. Fica aqui nossa homenagem ao líder, o arquiteto da Revolução de Veludo.

Aconselho meus alunos de Relações Internacionais, particularmente os que eram muito jovens ou ainda não haviam nascido em 1989-1991, a conhecer melhor a história de Havel e do período, quando uma revolução popular pôs abaixo a chamada Cortina de Ferro e os regimes autoritários fundados em um modelo nefasto e que, felizmente, virou história – ao menos na maior parte do mundo -, ainda que haja até hoje aqueles que, por ilusão, teimosia, ignorância ou má-fé, insistem em defender a ideologia vermelha…

BBC NEWS, 18 December 2011

Obituary: Vaclav Havel

For Vaclav Havel, and for his people, everything changed in 1989, the year of Czechoslovakia’s Velvet Revolution, when he led the extraordinary display of people power which toppled the ruling communist regime.

The world watched with astonishment as, within weeks, the dissident playwright became president.

Vaclav Havel was born in 1936. His father was a successful engineer and, by his own admission, young Vaclav was a pampered child from a wealthy family.

Drama critic

But when the communists came to power he saw his family lose everything. Continuar lendo

Acaba a Segunda Guerra do Golfo

Momento histórico que merece ser registrado… Foram quase dez anos de guerra, mais de cem mil iraquianos e quase cinco mil soldados regulares estadunidenses mortos… Bilhões de dólares em gastos… (Nada me tira da cabeça que a crise econômico-financeira por que passa os EUA tem estreita relação com esta guerra e a do Afeganistão – afinal, nem a hiperpotência consegue suportar uma guerra por tão longo tempo…)

Obama tem aí um bom dividendo para explorar na campanha eleitoral – talvez seja o único que ele tenha… Agora, com o fim da Segunda Guerra do Golfo, será que tem alguém na Casa Branca ou no Pentágono pensando qual será o próximo alvo? Afinal, ainda que a população e a sociedade estadunidense em geral não estejam muito dispostos a entrar em um novo conflito, certamente tem gente em alguns escritórios públicos e privados dos EUA que já está pensando na próxima guerra… gente que precisa de uma próxima guerra…

The New York Times – December 18, 2011

 Last Convoy of American Troops Leaves Iraq, Marking an End to the War

By  and 
 

BAGHDAD — The last convoy of American troops to leave Iraq drove into Kuwait on Sunday morning, marking the end of the nearly nine-year war.

The convoy’s departure, which included about 110 vehicles and 500 soldiers, came three days after the American military folded its flag in a muted ceremony here to celebrate the end of its mission. Continuar lendo

Debate Dialógico

Neste 13 de dezembro, 43 anos após o AI-5, segue artigo do sempre brilhante e lúcido Jarbas Passarinho, um dos grandes homens públicos que este país teve no último século.

Correio Braziliense, 13/12/2011

Debate dialógico

Jarbas Passarinho (Coronel reformado, foi governador, senador e ministro de Estado)
 
 Surpreendeu-me receber longa carta de um intelectual com quem nunca me carteara antes. Não poupou espaço ao dizer quem era e o que pensava de mim. Fez questão de fidalgamente elogiar minha postura de “intelectual militar”, talvez por ter sabido que tive a honra de haver recebido, do Departamento de Ensino do Exército, diploma de doutor estrito senso em ciências militares, dada a dezena de anos que cursei, duas vezes, mediante concurso universal, escolas de graduação, especialização e pós-graduação e lido artigos meus de análise da guerrilha do PCdoB, no Araguaia. Continuar lendo

70 anos de Pearl Harbor

A data de hoje é sempre lembrada tanto pelos estadunidenses quanto por aqueles que se interessam por História Militar ou guerras mundiais. Afinal, foi exatamente há setenta anos que os Estados Unidos da América eram atacados por aviões japoneses em Pearl Harbor (Havaí), em uma operação aérea de grandes proporções que resultou em milhares de mortos, embarcações afundadas e na entrada do gigante americano na II Guerra Mundial contra o Eixo… A data seria então para sempre lembrada como “o dia da infâmia”.

Segue uma matéria da da CBS com um link para boas fotos do ataque.

December 7, 2011 9:49 AM

Pearl Harbor attacks remembered 70 years later

PEARL HARBOR, Hawaii – The Dec. 7, 1941, bombing of Pearl Harbor and those who lost their lives that day are being remembered Wednesday on the 70th anniversary of the Japanese attack that brought the U.S. into World War II.

 About 120 survivors will join Navy Secretary Ray Mabus, military leaders and civilians to observe a moment of silence in Pearl Harbor at 7:55 a.m. Hawaii time — the moment the attack began seven decades ago. Continuar lendo

A questão dinástica no Brasil

Aproveitando a celebração do aniversário de nascimento (2/12/1825) e morte (5/12/1891) de S.M.I. D. Pedro II, segue texto interessante sobre a questão dinástica no Brasil.

Sempre me perguntam o que penso da questão dinástica. Não tenho dúvida de que ela está resolvida. Apesar de minha estima também pelo ramo de Petrópolis, o trono imperial do Brasil é de fato e de direito do ramo de Vassouras. Dom Pedro de Alcântara renunciou, em 1908, ao trono, em seu nome e de seus descendentes, de forma irretratável e irrevogável.

De toda maneira, também lembro que quem ocupará o trono do Brasil no caso de uma restauração é preocupação secundária (desde que, claro, conforme prevê a Constituição de 1824, seja da Casa de Bragança). O que importa é termos restaurado o Império do Brasil, como monarquia constitucional e conduzido por homens íntegros em um sistema em que todo poder emane do povo e da tradição.

Viva o Império do Brasil! Pela restauração!

A Questão Dinástica (Se é que ela existe !)

A questão dinástica (que alguns supõem que existe na Casa imperial do Brasil) remonta o ano de 1908, quando o então Príncipe Dom Pedro de Alcantara, herdeiro dinástico da Princesa Isabel renunciou os seus direitos dinásticos ao Trono do Brasil, por si e seus descendentes.

Com a renúncia, a sucessão pasaria para seu irmão o Príncipe Dom Luis de Orleans e Bragança (Principe Perfeito), e dai por diante, para seu filho Dom Pedro Henrique, e seu primogênito, Príncipe Dom Luiz de Orleans e Bragança – Atual chefe da Casa Imperial.Quanto à renúncia, se deve ao fato do Príncipe Dom Pedro de Alcantara casar-se coma Condessa Maria Elizabeth Dobrzensky von Dobrzenicz,uma família antiga e aristocrata da Bohêmia, porém sem laços com qualquer dinastia da Europa. Continuar lendo

120 anos do falecimento de SMI Dom Pedro II

Como bem lembrado pelo meu caro amigo Jefferson Dalmoro, neste 5 de dezembro lembramos dos 120 anos da morte de Sua Majestade Imperial Dom Pedro II, o maior estadista que este País já teve. Homem singular em seu tempo, o segundo Imperador do Brasil permanece vivo no imaginário brasileiro, assim como o grandioso período em que o Brasil foi uma monarquia constitucional. Isso, apesar do “processo de esquecimento” por que passa nossa população…

Pedro II foi um grande brasileiro, um homem de grande inteligência e sabedoria, com um espírito público incomparável e um senso de humanidade que faziam dele um dos maiores estadistas de seu tempo, respeitado no Novo e no Velho Mundo.

Não vi qualquer referência na nossa mídia sobre o aniversário de falecimento ou nascimento de SMI. Entristece ver como os verdadeiros heróis nacionais são substituídos na admiração do povo por jogadores de futebol, funkeiros e até bandidos! País sem memória é país sem futuro, continuo acreditando nisso…

Segue a biografia de Pedro II, retirada do site da Casa Imperial do Brasil.

Viva Dom Pedro II! Viva o Império do Brasil! Pela restauração!

S.M.I. Dom Pedro II

No dia 2 de dezembro do ano de 1825 no Palácio da Quinta da Boa Vista, no Rio de Janeiro nasceu o segundo Imperador do Brasil. Sétimo filho e terceiro varão de D. Pedro I e da Imperatriz D. Maria Leopoldina, que morreu quando D. Pedro II tinha apenas um ano de idade. Herdou o direito ao trono com a morte de seus irmãos mais velhos Miguel e João Carlos. Continuar lendo

Lembranças da Grande Guerra

Ainda por ocasião das homenagens a todos que lutaram e morreram na Grande Guerra, encerrada a 11/11/1918, segue uma carta de um soldado estadunidense que estava em Paris naquele dia que seria chamado por alguns de “o maior dia da história”. Impressionante como , quase um século após o fim do conflito, as lembranças do armistício estão vivas e emocianam.

A Letter Home From A U.S. Serviceman in Paris, 11 November 1918

11 November 1918

Dear Folks:

Arrived here last night, and was on the street today when the armistice with Germany was signed.  Anyone who was not here can never be told, or imagine the happiness of the people here.  They cheered and cried and laughed and then started all over again.

Immediately a parade was started on the Rue De Italiennes and has been going on ever since. In the parade were hundreds of thousands of soldiers from the U.S., England, Canada, France, Australia, Italy and the colonies.  Each soldier had his arms full of French girls, some crying, others laughing; each girl had to kiss every soldier before she would let him pass. Continuar lendo

A importância do 11/11 – II

Outra efeméride importante de hoje é a “independência” da Polônia, também conseqüência direta do fim da Grande Guerra. O 11 de novembro marca a data, em 1918, na qual a Polônia recuperou sua independência, depois de passar 123 anos dividida entre Rússia, Prússia e Áustria. Parabéns aos poloneses! (Melhor comemorar a independência da Polônia que se ficar esperando a abertura de portais interdimensionais, né?)

[Sempre que penso na Polônia, lembro que a II Guerra Mundial teve início em 1 de setembro de 1939, com a invasão daquele país pelas tropas alemãs. A conseqüência foi a declaração de guerra à Alemanha, feita por franceses e britânicos (com estes últimos à frente), sob o argumento de que estariam intervindo para garantir a integridade territorial da Polônia e proteger os poloneses do autoritarismo. O conflito termina na Europa em 8 de maio de 1945, com os aliados (inclusive britânicos) entregando parte do território da Polônia à URSS e assegurando a hegemonia do autoritarismo soviético (totalitarismo, de fato, sob Stálin) sobre a nação polonesa.]

A importância do 11/11

É surpreendente a quantidade de baboseiras que as pessoas falam sobre o 11-11-2011! Abertura de portais, emanações das mais diferentes forças, momento para se conectar com outros planos e com seres tão etéreos quanto a imaginação possa conceber… Tudo isso dentro de uma gigantesca onda de esoterismo fashion, fútil e perdido! Isso me faz lembrar as palavras de Albert Einstein (este sim um místico de fato, apesar de poucos conhecerem essa faceta do gênio), que dizia que só acreditava em duas coisas infinitas: o universo e a estupidez humana… mas que não tinha certeza quanto à infinitude do universo!… E o pior é o incentivo dos meios de comunicação a todo esse besteirol pseudo-esotérico!

O dia 11/11 sem dúvida deve ser lembrado, só que por outro motivo. Essa data, nunca esquecida em muitas partes do globo, evoca a lembrança do 11/11/1918, quando começou a vigorar o armistício que pôs fim ao maior de todos os conflitos pelos quais a humanidade havia passado até então: a I Guerra Mundial, também chamada de “A Grande Guerra”. Foram cerca de 10 milhões de soldados mortos de diferentes nacionalidades, religiões, convicções políticas, e outros 7 milhões de civis, além de milhões de feridos e inválidos. Nações civilizadas que se digladiaram e mostraram sua face mais bárbara. Colheitas perdidas em campos onde o que cresceu durante anos foram apenas as papoulas que brotavam da terra onde se encontravam os corpos dos milhares que caíram por força de bombas, tiros ou baionetas… Cidades inteiras destruídas. Impérios que se esfacelaram. Enfim, um mundo que mudou tão intensamente em quatro tenebrosos anos como nunca se pudera prever! E as seqüelas se prolongaram para muito além daquele novembro de 1918, chegando mesmo a nossos dias. Com a Grande Guerra, acabou uma era e outra teve início.

O 11/11 é uma data especial, uma data que deve ser sempre lembrada em tributo daqueles milhões de seres humanos que sacrificaram sua juventude e a própria vida nos campos de batalha da Europa e do mundo. E ao final deste dia, que se possa dedicar alguns minutos de reflexão e meditação por todos que pereceram nas diversas guerras dos últimos 100 anos.

Segue um artigo de Jamal Khokhar, Embaixador do Canadá no Brasil, publicado hoje no Correio Braziliense, sobre o Dia da Lembrança.  

Dia da Lembrança

Jamal Khokhar, Embaixador do Canadá no Brasil

Hoje é um dia significativo para o Brasil e o Canadá, assim como para os outros países junto aos quais continuamos a lutar para defender a paz e a liberdade. No Canadá, o Dia da Lembrança surgiu como forma de comemorar o fim das duas guerras mundiais e de batalhas travadas desde então. É um dia para prestar homenagem a todos aqueles que lutaram para defender nossos ideais e, ao fazê-lo, pagaram com a própria vida. Valorizar os sacrifícios feitos por dezenas de milhares de cidadãos corajosos nos faz lembrar o custo da democracia.

Ambos os países participaram da Segunda Guerra Mundial — em que o Brasil foi o Continuar lendo

O Grande Terremoto de Lisboa

Não postei ontem, mas faço questão de registrá-lo hoje, pois é data que deve ser lembrada. Aconteceu no dia 1 de novembro de 1755, “dia de todos-os-santos”(quando milhares de pessoas estavam nas inúmeras igrejas da capital portuguesa, para a celebração da missa). Um tremor de cerca de 9 graus na escala Richter pôs abaixo Lisboa, a pujante capital do Império Português, e um dos grandes centros (senão o maior) culturais, políticos e econômicos da Europa. Seguido de um tsunami e de inúmeros incêndios, o terremoto marcou a história de Portugal, da Europa e do mundo. Terra, água e fogo: os elementos pareciam dispostos a arrasar com os lisboetas. Um terço da população de Lisboa morreu. A cidade foi quase que totalmente destruída. Portugal entrou rapidamente em decadência desde então. E o mundo registrou estarrecido aqueles acontecimentos…

Segue a transcrição do artigo da Wikipédia sobre o sismo de Lisboa ( Wikipédia sim, o que eu posso fazer? está bem escrito, oras!). Há também um link para uma apresentação em powerpoint (provavelmente de um professor da USP) que achei interessante: O terremoto de Lisboa – 1755

Sempre bom lembrar como uma catástrofe natural daquelas proporções provocou o colapso de uma nação. Somos frágeis, realmente, muo frágeis…

Sismo de Lisboa de 1755

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.

Ir para: navegação, pesquisa

Gravura em cobre alusiva ao terramoto de 1755 em Lisboa

O sismo de 1755, também conhecido por Terramoto de 1755 ou Terramoto de Lisboa, ocorreu no dia 1 de Novembro de 1755, resultando na destruição quase completa da cidade de Lisboa, e atingindo ainda grande parte do litoral do Algarve. O sismo foi seguido de um tsunami – que se crê tenha atingido a altura de 20 metros – e de múltiplos incêndios, tendo feito certamente mais de 10 mil mortos (há quem aponte muitos mais[1]). Foi um dos sismos mais mortíferos da História, marcando o que alguns historiadores chamam a pré-história da Europa Moderna. Os geólogos modernos estimam que o sismo de 1755 atingiu a magnitude 9 na escala de Richter. Continuar lendo

A Grande Mortandade I: como a peste se difundia…

E como o assunto é Europa e crise, resolvi trazer alguns comentários sobre a maior crise pela qual passou o continente europeu: a Peste Negra, chamada à época de Grande Mortandade, que, ao final da década de 1340, dizimou mais de um terço da população do continente, chegando a 60% em algumas cidades. Sobre o assunto, recomendo o livro que leio no momento, A Grande Mortandade, de John Kelly (Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2011, 417 págs.). Trata-se de obra fundamentada em anos de pesquisa, inclusive junto a fontes primárias, e com riqueza de detalhes.

Segue um trecho do livro, em que Kelly apresenta suas considerações sobre a difusão da peste pelo mundo: Continuar lendo

Nazistas no serviço secreto alemão II

Outra boa história de espionagem. Dessa vez, foi o próprio BND a dar proteção a ex-oficiais da Alemanha nazista. Grande novidade…

E, para quem se interessa pelo tema, acesse a página do Bundesnachrichtendienst (BND) clicando aqui.

09/27/2011 04:40 PM

SS Colonel Walter Rauff: West German Intelligence Protected Fugitive Nazi

By Klaus Wiegrefe

Newly-released files have uncovered evidence that the BND, West Germany’s international intelligence service, sheltered former SS officer Walter Rauff and made him an agent after the war, even though he was a key perpetrator of Nazi crimes. Continuar lendo

Nazistas no serviço secreto alemão

Mais uma boa história de espionagem da Guerra Fria. Só não entendi a surpresa dos que escreveram o artigo. Afinal, não foram poucos os ex-integrantes do III Reich que vieram a ocupar posição de destaque no governo da Alemanha Ocidental, a começar pelo criador do serviço secreto da “nova Alemanha”, Reinhard Gehlen, criador do aparato de inteligência da RFA e primeiro chefe do Serviço Federal de Inteligência (BND). Segue o artigo (atenção para os outros links associados).

SPIEGEL ONLINE
10/11/2011 02:16 PM

CIA Wiretap Records Reveal Link: Nazi Criminal Rademacher Spied for West Germany 

By Axel Frohn and Klaus Wiegrefe

A wiretap operation conducted by the CIA against the BND, West Germany’s foreign intelligence service, in the early 1960s revealed that the BND employed a senior Nazi war criminal, Franz Rademacher, to spy for it in Syria, CIA records show. Rademacher, a foreign ministry official during the war, submitted a notorious travel expense claim in 1941 — ‘Liquidation of Jews in Belgrade.’ Continuar lendo

O decálogo de Lênin

Como em uma de minhas aulas de hoje conversávamos sobre os riscos de determinados seguimentos de esquerda no poder, segue o decálogo de Lênin, que teria sido escrito pelo terrorista bolchevique em 1913, e que durante décadas vem orientando muitos daqueles que pregam a “democracia popular”…

Note-se que qualquer semelhança com o que tem ocorrido em alguns países da América Latina NÃO É MERA COINCIDÊNCIA! Depois não digam que não avisei!

O DECÁLOGO DE LÊNIN

   1. Corrompa a juventude e dê-lhe liberdade sexual;
   2. Infiltre e depois controle todos os veículos de comunicação de massa; Continuar lendo

12 de outubro de 1492: descobrimento da América

Também foi em um 12 de outubro que a América foi oficialmente “descoberta”. Em que pese o fato que esta é uma data muito mais simbólica (pois os portugueses já conheciam estas terras para cá), vale a comemoração do momento de encontro entre o Velho e o Novo Mundo.

As grandes navegações estão no centro de um processo de globalização que traria mudanças significativas na História da humanidade. E, sem dúvida, Colombo tem seus méritos por tudo isso!

Segue um artiguinho para ilustrar o acontecimento: um genovês, a serviço dos espanhóis, que diz que vai dar a volta ao mundo e chega a um lugar desconhecido, que ele pensa que são as Índias e que acaba recebendo o nome de outro navegador, português. O mais interessante é que os portugueses viam tudo isso e se deleitavam com a confusão, pois sabiam que aquelas ilhas descobertas por Colombo não eram as Índias, mas sim um novo continente, por eles (portugueses) já conhecido…

Minha homenagem ao navegador genovês e a todos os loucos corajosos (ou corajosos loucos) que se lançaram ao desconhecido, enfrentando todas as adversidades, para chegar a terra nunca dantes navegadas!

O Descobrimento da América

http://cvc.instituto-camoes.pt/navegaport/d10.html

De acordo com os dados disponíveis o primeiro navegador a alcançar terras americanas foi Cristóvão Colombo, em 1942 ao serviço de Castela, descobrindo a América Central.

Cristóvão Colombo inicia a sua viagem na madrugada de 3 de Agosto de 1492 como Capitão da Armada e da nau onde seguia, numa frota formada pela nau Santa Maria, a caravela redonda Pinta capitaneada por Martín Alonso de Pizón e a caravela latina Nina com Vicente Yáñez Pinzón como capitão. A tripulação era composta por um total de 90 homens, segundo Las Casas e Fernando Colombo, ou 120 já segundo Gonçalo Fernadez de Oviedo. Continuar lendo

Por Graça de Deus e Unânime Aclamação dos Povos, Imperador Constitucional e Defensor Perpétuo do Brasil

Como hoje é aniversário dele, reproduzo o texto de Isabel Lustosa, citada no post anterior, sobre o perfil de nosso primeiro monarca, Pedro de Alcântara Francisco António João Carlos Xavier de Paula Miguel Rafael Joaquim José Gonzaga Pascoal Cipriano Serafim de Bragança e Bourbon, Pedro I do Brasil, Pedro IV de Portugal:

“[…] d. Pedro I foi um governante muito à frente da elite brasileira do seu tempo. Ele afrontou os valores da escravidão, combatendo com vigor o hábito de alguns funcionários públicos de mandar escravos para trabalhar em seu lugar; concedendo lotes aos escravos que libertou na Fazenda de Santa Cruz; no Rio de Janeiro e na Bahia, onde os ricos circulavam em liteiras e qualquer pessoa que pudesse ter dois escravos tinha condições de se fazer transportar pelas ruas numa rede amarrada num pau que os escravos sustentavam nos ombros, lembra Macaulay, d. Pedro andava a cavalo ou circulava numa carruagem puxada por cavalos ou mulas e dirigida por ele mesmo; e, como foi visto, não permitiu que seus súditos lhe prestassem a homenagem tradicional de carregar sua carruagem nas costas por ocasião do Fico.” Continuar lendo

Dom Pedro I e a escravidão

Aproveitando as comemorações do 12 de outubro (aclamação de D. Pedro I como imperador e defensor perpétuo do Brasil), achei por bem lembrar que a família imperial brasileira sempre foi crítica da escravidão. Diga-se de passagem, a abolição, alcançada pela Lei Áurea, de 13 de maio 1888, é, sem sombra de dúvida, percebida como o “tiro de misericórdia” no regime monárquico brasileiro. A historiografia atual assinala que a Princesa Isabel tinha plena consciência de que estava a sacrificar o futuro seu e de sua família, e o do Império do Brasil, ao por a termo a nefasta mácula da escravidão. E mesmo assim o fez, e sua aclamação como “a Redentora” não é por acaso.

O espírito de serviço e o amor à nação foram características inatas dos soberanos brasileiros ao longo de todo o Império. Lástima o golpe da República e triste a condição dos chefes de Estado que se seguiram ao colapso do Império e que nem de longe alcançavam a nobreza do monarca e de sua herdeira que haviam sido exilados…

Mas repito, o espírito cívico e o apreço pelas boas causas sempre estiveram presentes do DNA da família imperial brasileira. Mesmo D. Pedro I, muito criticado por alguns devido a seus arroubos, demonstra grande sensibilidade em questões tão relevantes como a escravidão. De fato, foi ele um dos primeiros críticos do modelo, quando o restante do mundo, inclusive nações democráticas como os EUA, viam a escravidão com naturalidade.

Dom Pedro I não acreditava em diferenças raciais e muito menos em uma presumível inferioridade do negro, percepção comum à época e que perduraria por muitos anos do século XX, chegando mesmo, infelizmente, ao século XXI em algumas regiões do planeta. Sua Majestade deixou claro, desde muito cedo, o que pensava sobre a idéia de desigualdade em razão da “raça”: “Eu sei que o meu sangue é da mesma cor que o dos negros“. Completamente contrário à escravidã0, o Imperador pretendia mesmo debater com os deputados da Assembleia Constituinte uma forma de extingui-la.

Note-se que a posse de escravos no período não se restringia a aristocratas ou famílias ricas. Era comum que brasileiros humildes também tivessem escravos. Ademais, ainda que constituindo a grande maioria, não eram apenas os negros os escravos no Brasil: havia mestiços e até brancos. E não era incomum que negros e mesmo escravos libertos também tivessem seus próprios escravos.

Dom Pedro I é dos que primeiro escrevem contra o instituto da escravidão. A condição de escravo, em sua opinião, era algo nefasto e prejudicial a qualquer sociedade: Continuar lendo

Viva o 12 de outubro! Viva Dom Pedro I!

 

Aclamação de D. Pedro I (12/10/1822), por Debret. Esta foi, durante muito tempo, a imagem da independência do Brasil

Aclamação de D. Pedro I (12/10/1822), por Debret. Esta foi, durante muito tempo, a imagem da independência do Brasil

12 de outubro: taí uma data que deve ser lembrada por todos os brasileiros! Afinal, foi no dia 12 de outubro de 1822 que Dom Pedro I  foi proclamado Imperador e aclamado defensor perpétuo do Brasil! Sim, 12 de outubro (coincide com o aniversário de Sua Majestade) é o dia da aclamação de Dom Pedro I.

Durante muitos anos, foi essa a data importante relacionada à independência do Brasil… A data era tão significativa e tão presente no imaginário coletivo que foi preciso manter o feriado como o “dia da padroeira do Brasil, Nossa Senhora Aparecida” e, para influenciar as novas gerações desde cedo, dia da criança.

 

Dom Pedro I, o monarca da quatro coroas - Defensor Perpétuo do Brasil!

Fica aqui minha homenagem a Sua Majestade Imperial, Dom Pedro I do Brasil, Dom Pedro IV de Portugal, um português de coração brasileiro e que tantas mudanças provocou em dois continentes nos seus curtos 35 anos de vida!

Viva o 12 de outubro! Viva Dom Pedro I! Viva o Império do Brasil!

Tu leur diras que tu es Hutue

Acabei a leitura de uma obra que gostaria de recomendar: Tu leur diras que tu es Hutue, de Pauline Kayitare. Trata-se do relato biográfico da autora, uma tutsi de 13 anos à ocasião do genocídio de Ruanda (1994).

Kayitare resolveu escrever sobre sua história 16 anos após aqueles acontecimentos. O livro é cheio de relatos fortes e marcantes, como o do massacre de 150 pessoas (homens, mulheres e crianças), do qual a autora só escapou por se dizer hutu – fora uma instrução dada pela mãe, já que a menina era ainda muito jovem para ter uma carteira de identidade e sem compleição f’ísica para parecer uma tutsi.

Filha de uma família de seis irmãos, Pauline e seu pai foram os únicos sobreviventes. Além da mãe e dos irmãos, perdeu duas centenas de parentes… Hoje vive na Bélgica com o marido (belga) e uma filha. Continuar lendo

Cemitérios militares da Grande Guerra

Em minha peregrinação por Ypres, descobri que há toda uma “ciência” na organização dos cemitérios militares. E essa “ciência” remonta à Grande Guerra.

De fato, é bom lembrar, até o século XIX não se costumava dar qualquer tratamento especial aos mortos em combate, cujos corpos eram deixados à própria sorte, apodrecendo ou sendo devorado por feras (vide, por exemplo, o campo de batalha no filme A Cruzada).

Com as guerras napoleônicas e os conflitos que lhes seguiram, os combatentes eram enterrados em valas coletivas, sem maiores preocupações com a individualidade dos caídos (uso como exemplo a cena final de Tempo de Glória).

Foi apenas com a carnificina intensa da I Guerra Mundial que os homens provenientes da Belle Époque decidiram dar destino mais honroso aos despojos daqueles que deram a vida pela pátria. E aí a criação dos primeiros cemitérios militares.

Uma primeira observação sobre o assunto foi a decisão de se enterrar os mortos nos lugares onde haviam combatido, evitando-se repatriar os corpos – o que, além dos problemas logísticos, constituiria grande prejuízo ao moral da população, que teria que presenciar seus filhos voltando para casa em caixões.

Uma vez que se criaria cemitérios miltares, como seriam estes? Quem for aos lugares do descanso final dos súditos do Império Britânico verá que as lápides são todas iguais – isso não é por acaso. O padrão seria mantido para se evitar uma heterogeneidade de túmulos (como acontece nos cemitérios civis), quando há aqueles que têm grandes mausoléus sepultados ao lado de lápides singelas, dependendo dos recursos de suas famílias. Ademais, havia a idéia de que todos são iguais na hora da morte, sobretudo em combate.

Outra curiosidade: na lápide deveria constar o símbolo do regimento ao qual pertencia o morto, seu nome e, vez por outra, um epitáfio. Quando não se podia identificar o morto, colocava-se simplesmente “um soldado da Grande Guerra”, “um soldado do Império Britânico” ou mesmo “um soldado do regimento tal”… (É muito tocante estar em pé diante de uma lápide onde se vê a inscrição “a soldier of the Great War”). Também poderia constar a medalha ou comenda recebida pelo morto. E, naturalmente, gravada na pedra, uma cruz, uma estrela de Davi ou mesmo um crescente, dependendo da religião do morto.

Quanto à disposição das lápides, não havia uma ordem muito clara, mas era comum que se colocassem juntas, lado a lado, aquelas de combatentes que haviam perecido juntos. Quando não acontecia assim, havia uma distância pequena entre as pedras… E judeus eram sepultados junto com cristãos, islâmicos ou mesmo ateus. Afinal, combatiam pelo mesmo ideal.

No caso dos súditos do Império Britânico, foi criada uma autoridade para zelar pelos cemitérios militares, prática reproduzida em alguns países. Com isso, os mortos estariam para sempre guardados pelo Império pelo qual lutaram.

São comuns as peregrinações aos cemitérios militares por todo o fronte ocidental de ambas as guerras mundiais. Aprende-se muito sobre a guerra, a história e, sobretudo, acerca do ser humano e sua natureza. Não há como se emocionar diante desses bravos homens cuja vida foi ceifada algumas vezes tão prematuramente (vi-me diante de uma de um jovem de apenas quinze anos). Não há como não lhes prestar as maiores homenagens. São eles, indubitavelmente, os merecedoresde todas elas.

Em tempo, enquanto os cemitérios aliados são constantemente visitados, aqueles onde repousam soldados alemães recebem poucos visitantes alemães. Infelizmente, as novas gerações na Alemanha foram educadas para esquecer as duas guerras mundiais e aqueles alemães que nelas deram sua vida. Isso é triste, uma vez que a memória dos caídos acaba legada a segundo plano. Não deveria ser assim. Também não se pode ter nesses cemitérios qualquer grande monumento ou evocação à bravura dos que pereceram. Verdadeiramente, são modestos.

Minha homenagem aos bravos que tombaram em combate! Que repousem em paz!