Tags

, , , ,

Também foi em um 12 de outubro que a América foi oficialmente “descoberta”. Em que pese o fato que esta é uma data muito mais simbólica (pois os portugueses já conheciam estas terras para cá), vale a comemoração do momento de encontro entre o Velho e o Novo Mundo.

As grandes navegações estão no centro de um processo de globalização que traria mudanças significativas na História da humanidade. E, sem dúvida, Colombo tem seus méritos por tudo isso!

Segue um artiguinho para ilustrar o acontecimento: um genovês, a serviço dos espanhóis, que diz que vai dar a volta ao mundo e chega a um lugar desconhecido, que ele pensa que são as Índias e que acaba recebendo o nome de outro navegador, português. O mais interessante é que os portugueses viam tudo isso e se deleitavam com a confusão, pois sabiam que aquelas ilhas descobertas por Colombo não eram as Índias, mas sim um novo continente, por eles (portugueses) já conhecido…

Minha homenagem ao navegador genovês e a todos os loucos corajosos (ou corajosos loucos) que se lançaram ao desconhecido, enfrentando todas as adversidades, para chegar a terra nunca dantes navegadas!

O Descobrimento da América

http://cvc.instituto-camoes.pt/navegaport/d10.html

De acordo com os dados disponíveis o primeiro navegador a alcançar terras americanas foi Cristóvão Colombo, em 1942 ao serviço de Castela, descobrindo a América Central.

Cristóvão Colombo inicia a sua viagem na madrugada de 3 de Agosto de 1492 como Capitão da Armada e da nau onde seguia, numa frota formada pela nau Santa Maria, a caravela redonda Pinta capitaneada por Martín Alonso de Pizón e a caravela latina Nina com Vicente Yáñez Pinzón como capitão. A tripulação era composta por um total de 90 homens, segundo Las Casas e Fernando Colombo, ou 120 já segundo Gonçalo Fernadez de Oviedo.

Devido a uma avaria, a caravela Pinta é forçada a regressar e atracarem Las Palmas, a 6 de Agosto para reparações.

Cristóvão Colombo chega a Las Palmas a 25 de Agosto, onde muda o aparelho latino da Nina para redondo como o da Pinta. A Armada sai finalmente 1 de Setembro de Las Palmas rumo a águas nunca até então navegadas. Colombo tinha como objectivo manter-se no paralelo a Oeste das Ilhas Canárias, não só devido a ordenação dos Reis Católicos de que não fosse mais a Sul que as ilhas Canárias, para que não infringisse o Tratado de Alcáçovas, não suscitando assim as reclamações de Portugal, mas também porque em termos de orientação seria mais fácil, uma vez que se orientaria pela Carta de Toscanelli, onde a Antilha estava representada, somente necessitando de seguir na direcção Oeste, procurando apenas uma coordenada, a longitude.

A 7 de Outubro Colombo, de acordo com as indicações de Martín Alonso Pinzín, corrige o rumo para sudoeste; esta mudança providencial foi pois se não o tivesse feito iria  rumar às costas da Florida, arriscando-se a ser levado pelas correntes do Golfo o que os obrigaria a dar a volta sem descobrirem nada.

Durante o pôr do Sol do dia 11 de Setembro são detectados sinais evidentes da proximidade de terra e, na madrugada de dia 12, é avistada terra pela caravela Pinta. Tinham então chegado ao grupo das Bahamas, à ilha de Guanahaní para os Índios, mas denominada por Colombo por ilha de S. Salvador. O primeiro desembarque ocorreu na Baía Long, na Costa Ocidental, local onde foi colocado o estandarte Real pelo, a partir de então, Almirante Colombo, e as bandeiras da Cruz Verde pelos restantes capitães, tendo o escrivão da armada, Rodrigo de Escobedo, lavrado a acta da tomada de posse desta nova terra.

A 15 de Outubro é descoberta a ilha de S. Maria da Conceição, a19 ailha Isabela,la Saometopara os índios, conhecida hoje como Crooked. A 21 Outubro Colombo pensa ter encontrado o Cipango (Japão) quando se deparou com a ilha de Cuba. A 28 do mesmo mês entra na baía de San Salvador, na costa norte da ilha de Cuba, onde envia uma embaixada ao seu interior, do que recebe a primeira indicação de que em terra as populações eram miseráveis, contrariando as expectativas de terem chegado à Índia.

Após1495 aAmérica do Norte foi alcançada por outros navegadores, com João Fernandes Lavrador e Pero Barcelos que alcançaram a Gronelândia e a “Terra do Lavrador”, sob ordem do Rei D. Manuel. Já ao serviço da Inglaterra João Caboto alcança a mesma Região em 1496.

D. Manuel recebe informações sobre esta zona como sendo composta por um mar cheio de gelo, onde abundam rios, árvores de fruto e animais e cujos habitantes vivem da pesca, utilizando utensílios de pedra.

Em 1500 aparecem pela primeira vez na carta de Juan de La Cosa as terras da América do Sul, os estados do Brasil, das três Guianas e da Venezuela, inicialmente descobertas por Alonso Ojeda e Cosa em 1499 e por Vicente  Yañez Pinzón em Janeiro de 1500, e finalmente em Março de 1500 por Pedro Álvares Cabral com o descobrimento da ilha de Vera Cruz.

O descobrimento da América fez desabar uma ideia antiga de que, grosso modo, o mundo era constituído apenas por um bloco tricontinental composto pela Ásia, África, Europa e cercado por um enorme oceano. Com o conhecimento do Novo Mundo dá-se uma total dessacralização da representação cosmográfica conhecida até então, e que se acentuará com o conhecimento progressivo do continente americano.

Catarina Garcia

Bibliografia
MAHN-LOT, Marianne, A conquista da América Espanhola, Campinas, São Paulo, Papirus Editora, 1990.
MARTÍNEZ-HIDALGO, José Maria, Las naves del Descubrimiento e sus hombres, Madrid, Editorial Mapfre, 1991,pp. 72-79.
MARTINEZ, José Luis, Pasajeros de Indias. Viajes trasatlánticos en el siglo XVI, México, Fondo de Cultura Económica, 1999.
MARCOS, Jesús Varela e SHENEIDER, Cristina Seibert, “A Política Atlântica dos Países Ibéricos e o Descubrimento do Brasil” in Revista del Seminário Iberoamericano de Descubrimentos y Cartografia – Seminários Temáticos, Valladolid, Seminario Iberoamericano de Descubrimentos Y Cartografia Instituto Interuniversitario de Estudios de Iberoamérica y Portugal, 2001.
PÉREZ, Demetrio Ramos, “Colombo e os seus descobrimentos”, in Luís de Albuquerque [dir], Portugal no Mundo – séculos XII-XV, Publicações Alfa, 1989, pp 355-385.
ROMANO, Ruggiero, Os conquistadores da América, Lisboa, Publicações D. Quixote, 1972, pp. 97-106.

 

Anúncios