Uma vida sem desafios não vale a pena ser vivida.
Sócrates
Em razão do episódio frustrante ocorrido na Católica (vide texto de 17/11/2014), resolvi mudar de colégio para cursar o terceiro ano do Segundo Grau (“hoje Ensino Médio”). Após analisar algumas instituições, a escolha recaiu sobre o Colégio Leonardo da Vinci, tido como um dos melhores de Brasília. E, claro, com a nova escola, novos desafios.
O primeiro desafio no novo colégio era de ordem logística. O Leonardo situava-se na Asa Sul e eu morava em Sobradinho (para quem não é de Brasília, uma de nossas cidades-satélites)… e eu pegava ônibus. Utilizando-me dos modernos recursos do Googlemaps, pude verificar que a distância era algo em torno de 30 km e que, atualmente, a rota que eu fazia leva aproximadamente 1 hora e 30 minutos. Uma vez que minha aula começava às 7h10 da manhã, e que passava um ônibus a cada hora, associando-se a isso outros cálculos cabalísticos, para não chegar atrasado à escola eu tinha que pegar o ônibus nº 512 que passava pela minha parada às 5h38 da matina. Aqueles que me conhecem já imaginam a dramática situação!
Sou um animal notívago (sempre o fui!)! Durmo, normalmente, às 2h da manhã (para acordar, se possível, por volta das 8h). No meu último ano de ensino médio, eu tinha que estar na parada de ônibus às 5h35 no máximo, pois se perdesse o 512 das 5h38, chegaria bastante atrasado na escola! Com isso, tinha que acordar, normalmente, lá pelas 4h40 da manhã para tomar banho, vestir-me, fazer meu dejejum e sair correndo para o ponto! Desespero! Angústia! Sofrimento!
Alguns leitores devem estar dizendo “ah! mas eu acordo às 5 da manhã para malhar!”! Não tenho culpa se esses seres têm pacto com o Capiroto! Sim, porque não é de D’us acordar antes das galinhas (e eu levantava antes do galo cantar!), sobretudo para “malhar”! Ainda vou encontrar em algum artigo da Declaração Universal dos Direitos Humanos que é violação grave fazer uma pessoa acordar a essa hora! Se não existir o artigo, deveria. E quando vinha o horário de verão, a coisa degringolava de vez! Para mim era terrível!
Penei bastante acordando de madrugada para ir ao colégio. Claro que logo desenvolvi técnicas para ganhar mais tempo na cama… coisas do tipo tomar banho em exatos 2 minutos e meio, deixar a roupa pronta para entrar nela pela manhã, tomar somente um copo de leite com Nescau de café-da-manhã (impensável sentar à mesa para um dejejum prolongado e frugal!). E fui vivendo. Naquela época, assim como Scarlet O’Hara, diante dos campos incendiados de Tara, disse que “nunca mais passarei fome nesta vida!”, eu também, ao concluir meu terceiro ano do Segundo Grau, olhei para a parada de ônibus e, de punho fechado, disse: “nunca mais passarei sono nessa vida!” (ou coisa parecida)…
A parada de ônibus e o próprio 512 constituíam um caso à parte e dariam muito boas histórias. Afinal, éramos as mesmas pessoas que pegavam o ônibus naquele horário: basicamente, estudantes e trabalhadores que tinham que estar cedo no emprego. Depois de um tempo, todo mundo já se conhecia. E eu, com minha dificuldade de me relacionar com as pessoas, logo já estava amigo e falando com todos na parada. Lembro-me de uma senhora gorducha que era empregada doméstica no Plano Piloto – divertidíssima, conversávamos sempre! Também havia, como tomávamos o ônibus já lotado e íamos em pé, as boas almas que se ofereciam para levar nossas (pesadas) mochilas no colo. No final das contas, virávamos uma comunidade no coletivo, unida pelo mesmo sofrimento no 512 das 5h38! Foi nessa época que desenvolvi algumas técnicas de sobrevivência (muito comuns em adolescentes que pegam ônibus em tais situações), com destaque para a de dormir em pé em um veículo em movimento – e, o melhor, sem perder o ponto, pois, se não acordasse, o pessoal do ônibus me acordava! Dentro daquela ideia de fazer do limão uma limonada, digo que era divertido!
Ah! E o colégio novo? O Leonardo era bem diferente da Católica. Muito maior em termos de turmas e alunos, com um horário a mais de aula, professores muito exigentes (e competentes, em sua maioria), tinha por objetivo central fazer com que seus alunos fossem aprovados no vestibular (a Católica se preocupava mais com a formação do estudante). E enfrentei ali grandes desafios, estudando pela manhã e à tarde, sob um sistema bem mais exaustivo que o dos anos anteriores (agradeço sempre por isso, pois assim fui preparado para o vestibular). Não foi fácil, mas consegui me manter entres os melhores alunos (em que pese minha total incompetência em Matemática).
Claro que as melhores lembranças do Leonardo foram os amigos. Certamente não eram tantos como os da Católica, mas na nova escola também fiz boas amizades que perduram até hoje! Eram várias turmas de 3º ano. Intrigante é que fiz amigos mais de outras turmas que da minha própria.
De todos os amigos do Leonardo da Vinci, registro meu abraço especial ao estimado Bruss. Bruss Rebouças Coelho Lima era seu nome. Um dos “nerds” de sua classe, sujeito simples, muito inteligente, espiritualista, culto e brincalhão, logo se tornou um bom amigo – alguém a quem, sem pestanejar, entregaria um filho para padrinho. Conversávamos sobre guerra e geopolítica, espiritualidade e problemas brasileiros. Era um conselheiro e um “grilo falante”. Tínhamos origens parecidas e opiniões coincidentes. E a amizade estendeu-se para as famílias – seus pais eram do Maranhão e do Ceará.
O amigo Bruss queria ser biólogo. E, no mesmo vestibular em que passei para Relações Internacionais, ele foi aprovado para Biologia na UnB. Continuaríamos nossa amizade na universidade e ambos seguiríamos carreira acadêmica. Acabamos perdendo o contato quando Bruss foi para a Alemanha fazer seu doutorado em neurociência, ali permanecendo e constituindo família (sua esposa, também cientista). Sempre que ele vinha por aqui, nos encontrávamos e botávamos o papo em dia. Também tinha notícia do amigo por meio de sua irmã, Biana, que continuava morando em Brasília. Bruss foi (é) um estimado irmão para mim!
Graças aos desafios que me foram impostos na nova escola, pude concluir um Ensino Médio de qualidade e prestar vestibular na Universidade de Brasília. Minha escolha, Relações Internacionais (curso que, à época, na área de Ciências Humanas, só era menos concorrido que Direito). Fui aprovado e, ao final de 1991, enquanto a União Soviética desaparecia, eu me preparava para virar estudante da área do conhecimento que buscava explicar o fenômeno da guerra e da paz, e porque nações desaparecem! Mas essa é outra história…
Faltam 20 dias para meus 40 anos. Vislumbrando como foi meu segundo grau, o saldo é mais que positivo! Os melhores dividendos foram, nesta ordem, os amigos que fiz, as experiências que vivenciei, e o conhecimento que adquiri. Tive excelentes momentos tanto na Católica quanto no Leonardo. E aquilo tudo foi realmente muito enriquecedor para o garoto de cidade-satélite, ainda bastante adolescente, que entrava em outro mundo… Enfim, cresci sobremaneira em três intensos anos!
Deixo hoje meu abraço aos colegas do Leonardo da Vinci. E a foto é de Bruss e Biana quando, muitos anos depois, meu amigo esteve de férias no Brasil e foi lá em casa. Velhos compadres se encontravam e parecia que havíamos nos falado, pela última vez, no dia anterior!


Neste 15 de novembro, data que considero o dia da infâmia, e faltando 23 dias para meu aniversário, gostaria de compartilhar com os amigos algumas de minhas razões de ser monarquista convicto.
Muito bem! Perguntam a razão de eu ser monarquista. Repito, não tenho qualquer interesse personalista na causa monárquica. Só vim a conhecer alguém da Casa Imperial do Brasil este ano de 2014, quando me concedeu a Providência grata oportunidade de encontrar Dom Bertrand de Orléans e Bragança, Príncipe Imperial do Brasil, com quem tive uma excelente conversa! Não estou formalmente vinculado a qualquer organização monarquista (o que não significa que não o farei oportunamente). Sou monarquista, primeiro, porque creio que uma boa democracia se desenvolve em regimes parlamentaristas e que, no Parlamentarismo, entendo que o melhor modelo é o monárquico, não o republicano. Repúblicas parlamentaristas são imperfeitas e o Presidente nunca consegue representar a totalidade da nação como o Chefe de Estado deve fazer (vide o recente caso alemão, quando o Presidente teve que renunciar acusado de corrupção).


À exceção dos X-Men, nunca gostei muito do universo Marvel. Minha simpatia esteve sempre com a Detective Comics (DC). E me divertia com os épicos que, vez por outra, surgiam nesses quadrinhos. Abro parêntesis para o comentário que só os nerds e fanáticos entenderão: a melhor série que li foi, em meados dos anos 80, “Crise nas Infinitas Terras”, que reorganizava todo universo DC, no qual havia mundos paralelos com “gêmeos” dos heróis dos nossos. Fantástico! (Fecha parêntesis e cessam os comentários nerd).
Deixo também a recomendação aos pais: está aí uma excelente maneira de estimular a leitura dos filhos. Na casa de Dona Conceição e de Seu Jacob deu certo. Com Victoria e João também. Meus pequenos estão sempre lendo, estimulando o cérebro e aprendendo. E começaram com as revistinhas da Turma da Mônica. Fica a dica.

Você deve estar se perguntando qual a razão dessa data ter algum significado para mim. De fato, ela nem é conhecida, tampouco lembrada, por 99,99% dos brasileiros! Por que alguém que nasceu e cresceu no Brasil, país sem tradição republicana de envolvimento em conflitos armados, se interessaria por polemologia (do grego, polémikus, conflito – o estudo dos conflitos)? O que tenho eu a ver com isso? Sinceramente, não sei… a única coisa que sei é que a guerra sempre me fascinou e o interesse pelos conflitos armados esteve junto de mim desde muito cedo…
Interessante que, na tenra infância, já lembro de brincar com meus soldados de plástico. Ah! Como gostava dos meus soldadinhos de uma única cor! Alemães azuis, japoneses amarelos, americanos verdes. Tinha também os soldados do Velho Oeste, com alguns de branco (que logo associava aos confederados se quisesse brincar de Guerra de Secessão), os azuis (da 7ª Cavalaria), e os vermelhos (índios que, normalmente, estavam em maior número e levavam a melhor). E tardes inteiras se passavam em batalhas constantes!
Na minha infância, qualquer aviãozinho de papel virava uma aeronave de combate. E, com 7, 8 anos, já fazia esquadrilhas de cores e tamanhos distintos e, inconscientemente, reproduzia formações que depois viria a descobrir que existiram realmente durante as guerras mundiais: pequenos caças escoltando bombardeios. Não me pergunte de onde tirava essas ideias!
De armamentos entendo pouco. O que me fascinava mesmo era a estratégia, a maneira como os generais dispunham suas tropas, as grandes batalhas e, sobretudo, os efeitos da guerra sobre as pessoas… Sim, porque é na guerra que a condição humana chega aos extremos da perversidade e da benevolência, do egoísmo e da generosidade, do desprezo pelo outro e do sacrifício mais nobre, da traição e da mais canina fidelidade. Na guerra, as pessoas se revelam, e se transformam. E, qualquer um que tenha o infortúnio de viver a guerra, nunca mais será o mesmo! Minha fascinação pela guerra talvez repouse no fato de que ela parece ser uma condição essencial da natureza humana, e algo sempre presente desde que os primeiros homens caminharam sobre a terra!


Faltam 29 dias para meu aniversário!!! Na sequência das crônicas de meus quarenta anos, o texto de hoje é dedicado a meus avós.
Faltam 30 dias! E hoje gostaria de compartilhar com os amigos o que deve ter sido meu primeiro ensaio fotográfico, do qual selecionei quatro fotos que revelam o formalismo com que sempre gostei de me vestir! (Claro que quem me vestiu para o ensaio foi minha querida mãezinha, pois à época eu mesmo só me preocupava com a mamadeira seguinte ou com as contribuições filosóficas que deixava em minhas fraldas – e, de fato, nem com isso!)
Aprecio gravatas (pouco importando o preço ou a marca, pois o que vale é a estampa), pois acho que dão uma composição elegante à indumentária masculina. Afinal, a origem das gravatas está nos antigos regimentos para identificar a vinculação do militar e no pano que os soldados colocavam em volta do pescoço).
Direto da capital capixaba, neste 31° dia que antecede meu aniversário, aproveito para escrever algumas palavras sobre um vício que me persegue desde sempre: chocolate!

Sempre fui uma criança sorridente (dizem). Lembrem que sou o filho da senhora que teve o bebê sorrindo (vide capítulo anterior)!!!

Tá bom! Não sou “completamente avesso” a práticas desportivas. Gosto de caminhar (correr não) e de nadar (preciso voltar a fazer isso). Também já pratiquei tiro (ué, é esporte sim!) e, o esporte que realmente aprecio, esgrima (dedicarei a ela uma das crônicas de meus 40 anos)! Esgrima me fascina e já ensaio há algum tempo voltar à pista. Quem sabe depois dos 40!

Como rosacruz, já dediquei muito de minhas reflexões exatamente aos vínculos que o “destino” estabelece entre as pessoas. E, pensando sob uma perspectiva mística, ciente de que o acaso não existe, tento compreender qual a importância de cada ser humano que passa por minha vida (do seu Maurílio, que com tanto esmero cuida da limpeza lá no escritório, aos seres mui preciosos que optaram por encarnar em minha família).


