2. Meu pai: um exemplo (30/10/2014)

Viva de forma que, quando os seus filhos pensarem em justiça, carinho, e integridade, pensem em você.
Harriett Jackson Brown Jr.

 

Faltam 39 dias para meu aniversário… e sigo com mais uma publicação na contagem regressiva.

Claro que não colocarei uma foto minha aqui a cada dia, tanto porque não sou tão narcisista assim, quanto porque não tenho imagens de todos os anos de minha existência (afinal, naqueles tempos, o daguerreótipo era apenas uma novidade, e as pessoas não tiravam fotos como hoje, quando até o prato de arroz com feijão e ovo no restaurante por quilo vira estrela no Facebook).

Hoje falarei um pouco de Seu Jacob, aquele que me deu este nome estranho… Papai, nascido no Ceará durante a grande seca de 1932, é um sujeito admirável. Contarei um pouco de sua história por aqui. Com 19 anos, pobre e analfabeto, foi de ita do Ceará para o Rio de Janeiro, para fazer a vida. Na capital do Brasil daquele início de anos 1950, meu pai deu muito duro: fez quase tudo que de lícito pode ser feito, trabalhando para se sustentar, algumas vezes passando fome, e sobrevivendo outras tantas com um café pago por amigos… Morava no morro, conhecia gente boa e gente ruim, e, como a maior parte das pessoas que vivem no morro, trabalhava de sol a sol e nunca se envolveu com a criminalidade.

Obstinado que era, meu pai exerceu as mais diferentes profissões (faxineiro, porteiro, funcionário de loja de departamentos, e outras que um retirante encontra no Sul Maravilha). Começou também a estudar, a aprender as primeiras letras e a galgar cada degrau da escada da vida, com muito esforço e dedicação. E o migrante analfabeto concluiria o primário (sempre trabalhando de dia e estudando à noite), o ginasial, o profissionalizante como auxiliar de enfermagem, até chegar à faculdade, já aqui em Brasília. Para orgulho deste que escreve, meu pai foi o primeiro de sua família a concluir um curso superior, de fato dois, Administração e Direito.

Em 1969, ao passar em um concurso público para o quadro geral do Poder Executivo, veio para Brasília. Aqui continuou sua história e seu sonho, ganhando pouco, mas gastando com responsabilidade, juntando dinheiro para comprar sua casinha e conseguir uma vida melhor. Foi quando, em 1971 ou 1972, conheceu minha mãe, que vinha a passeio pela capital do Brasil! A história dos dois contarei mais adiante. Depois de algum tempo de namoro, casaram-se e, cerca de dezoito meses depois, chegava eu ao mundo naquele dia de domingo!

Meu pai foi, é, e será, sempre, um grande exemplo para mim. Palavras que definem papai são: esforço, obstinação, perseverança, coragem, trabalho, estudo, honestidade. Sua história é linda e gostaria de compartilhar um pouco dela com meus amigos nestes dias que antecedem meu aniversário de 40 anos.

Em tempo: quem escolheu meu nome foi meu pai (mamãe estava de resguardo em casa, não teve culpa). Em um próximo capítulo da Saga Joanisvaliana, narrarei de onde veio essa ideia.

20191014_001549