8. Meu primeiro discurso (05/11/2014)

O dom da fala foi concedido aos homens não para que eles enganassem uns aos outros, mas sim para que expressassem seus pensamentos uns aos outros.
Santo Agostinho

Um dos aspectos mais característicos da condição humana é a fala. No momento em que nossos antepassados dominaram a articulação das ideias por meio de palavras, demos um salto evolutivo e (ao menos é no que acreditamos) passamos a nos diferenciar dos outros animais.

Fosse para orientar a caça nas primitivas tribos, fosse para transmitir a memória do clã, ou ainda para “discutir a relação” quando o marido voltava cansado para a caverna ao final de um dia extenuante (sim, porque “discutir a relação” deve ser tão antigo quanto o próprio domínio da fala), os seres humanos descobriram que, por meio do verbo, poderiam manifestar a centelha divina que têm em si e dar vida às ideias, seguindo na espiral evolutiva rumo à reintegração. Ao menos é o que dizem os místicos e os filósofos.

Admiro o dom da oratória. Aprecio ouvir bons discursos. Nesse sentido, um bom orador sabe que um discurso marcante envolve 80% de emoção e 20% de conteúdo. Fascina-me essa habilidade de manter a atenção do expectador e fazer com que ele acompanhe seu pensamento. Bons oradores, arrastando multidões ou formando grandes homens em sala de aula, transformam o mundo.

Não que seja um bom orador, mas nunca tive problema em falar em público. Gosto disso, de fato. Afinal, cada discurso é um desafio, cada aula, palestra, conferência é uma gratificante tarefa a ser cumprida: a de transmitir ideias, compartilhar pensamentos e emoções, cativar a audiência. Sim, porque um orador que fala para si sem pensar naqueles que o ouvem, não é um bom orador.

Claro que essa paixão pela oratória vem de família. Do lado de mamãe, além de parentes professores (inclusive minha querida mãezinha), há um padre, meu amado tio Vicente de Paulo Britto, cujos discursos são históricos. E, do lado paterno, Seu Jacob é minha grande referência – desde muito cedo, mesmo quando ainda não dominava a palavra escrita (lembro orgulhosamente que papai começou a se alfabetizar aos 25 anos de idade), aquele cearense já subia em um banquinho para discursar e pessoas se reuniam a sua volta. Papai não perde a oportunidade de falar em público (gostem disso ou não), e eu sigo na mesma linha. Em tempo: João e Victoria carregam com galhardia a chama da família e sei que mais uma geração apreciará o púlpito!

Faltando 33 dias para meus 40 anos, queria compartilhar com os amigos a foto do meu primeiro discurso. Não sei o que disse, mas certamente agradou a audiência – havia ao menos duas pessoas, como se pode perceber pelas sombras. De lá para cá não parei mais…

20141102_153934-1-1

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s