Assad não é Kadafi

Artigo muito interessante, postado pela minha caríssima amiga, Carmen Lícia Palazzo, em sua página no facebook, e que achei por bem replicar aqui no site. Mostra que a Síria não tem muito a ver com a Líbia, nem Assad com Kadafi.

Assad (assim como o Rei Hussein, da Jordânia), convém destacar, pertence a uma nova geração de líderes do mundo árabe, que herdaram o poder do pai, mas foram educados no ocidente. Nesse sentido, assim como o rei hachemita, Assad tem competência e talento para lidar com o Levante em seu país e até promover as reformas que acalmem a multidão – se terá êxito, são outros quinhentos…

De toda maneira, convém lembrar a importância estratégica da Síria (muito superior à da Líbia) no equlilíbrio de forças da região, inclusive no que concerne a sua posição geográfica e geopolítica.

Também é bom assinalar que o regime de Assad, considerado autoritário para os padrões ocidentais, não é percebido com tanto antagonismo pela maioria dos sírios. Sobre o assunto, lembro de um professor de árabe que tive aqui em Brasília (Carmen certamente se recordará dele), que uma vez declarou que via com muita naturalidade que em seu país houvesse o mesmo presidente desde sempre (ou um sucessor por ele escolhido), estranhando esse modelo nosso de alternância periódica de mandatário.

O mundo é bem mais complexo do que nós ocidentais imaginamos…

The New York Times – March 29, 2011

The Syrian President I Know

By DAVID W. LESCH Continuar lendo

China lança seu Livro Branco de Defesa

China lança seu Livro Branco de Defesa. O Brasil está começando a trabalhar no seu. Só me preocupa a maneira como estão fazendo isso e quem são os “especialistas” que nosso Ministério da Defesa está consultando…

De qualquer maneira, é importante que todo país discuta Defesa Nacional, e o Brasil não é exceção. Outra coisa: há que se derrubar o mito de que Segurança Nacional e Defesa são coisas de militares. Não são. Infelizmente, no Brasil ainda estamos engatinhando nesse sentido…

Estive no lançamento do Livro Branco do Chile, em janeiro do ano passado. Referência em profissionalismo e em preocupação com Segurança Nacional e Defesa, os chilenos estão muitos passos à frente de vários países latino-americanos nos estudos de Defesa e em termos de relações civis-militares. Viva Chile!

Thursday, March 31, 2011
Fonte: http://www.informationdissemination.net/

CHINA RELEASES NATIONAL DEFENSE 2010 WHITE PAPER Continuar lendo

47 anos da Revolução de 31 de março: com a palavra, o Presidente Lula

Palavras de Luís Inácio Lula da Silva, sobre o período militar…

Depoimento de Luiz Inácio Lula da Silva, em 03/04/1997, a Ronaldo Costa Couto e publicado no livro “Memória Viva do Regime Militar. Brasil: 1964-1985 – Editora Record 1999”.

“(…) o regime militar impulsionou a economia do Brasil de forma extraordinária. (…) Se houvesse eleições, o Médici ganhava. E foi no auge da repressão política mesmo, o que a gente chama de período mais duro do regime militar. A popularidade do Médici no meio da classe trabalhadora era muito grande. Ora, por quê? Porque era uma época de pleno emprego. Era um tempo em que a gente trocava de emprego na hora que a gente queria. Tinha empresa que colocava perua para roubar empregado de outra empresa (…)” Continuar lendo

47 anos da Revolução de 31 de março: Elio Gaspari

Estas são de Elio Gaspari, sobre a probidade de nossos ex-presidentes militares. Não me recordo de nenhum que tenha falecido deixando um grande patrimônio…


– Elio Gaspari

Quando Lula defendeu o filho, que recebeu R$ 5 milhões da Telemar para tocar sua empresa, o jornalista Elio Gaspari, do Jornal O Globo, um dos maiores críticos dos governos militares, publicou a seguinte história:

“Em 1965, o marechal Castelo Branco leu no jornal que um de seus irmãos, funcionário da Receita Federal, ganhara em cerimônia pública um automóvel Aero Willys! Era o agradecimento de sua classe pela ajuda que dera na elaboração de uma lei que organizava a carreira. Paulo Castelo Branco, filho do presidente, costumava contar que o marechal telefonou para o irmão, dizendo-lhe que deveria devolver o carro. Ele argumentou que se cada fiscal da Receita tivesse presenteado uma gravata, o valor seria muito maior.

Castelo interrompeu-o:

– Você não entendeu. Afastado do cargo você já está! Estamos decidindo agora se você vai preso ou não”. Continuar lendo

47 anos da Revolução de 31 de março: opinião de ex-guerrilheiros e pesquisadores

Seguem as palavras de quem combateu o regime estabelecido em 31 de março de 1964 ou pesquisa o tema…

– 31 de Março – Com a Palavra – os Ex-guerilheiros

Daniel Aarão Reis Filho, ex-guerrilheiro do Movimento Revolucionário 8 de outubro (MR-8), professor titular de História Contemporânea da UFF, foi um dos quarenta presos banidos para a Argélia, em troca do embaixador da Alemanha, por exigência das organizações terroristas que praticaram o sequestro:

“As ações armadas da esquerda brasileira não devem ser mitificadas. Nem para um lado nem para o outro. Eu não compartilho da lenda de que no final dos anos 60 e no início dos 70 (inclusive eu) fomos o braço armado de uma resistência democrática. Acho isso um mito surgido durante a campanha da anistia. Ao longo do processo de radicalização iniciado em 1961, o projeto das organizações de esquerda que defendiam a luta armada era revolucionário, ofensivo e ditatorial. Pretendia-se implantar uma ditadura revolucionária. Não existe um só documento dessas organizações em que elas se apresentassem como instrumento da resistência democrática”. (O Globo, 23/09/2001)

Renato Lemos, professor de História da UFRJ, acha que a esquerda deveria assumir suas idéias e ações durante a ditadura, afirmando:

“Cada vez mais se procura despolitizar a opção de luta armada numa tentativa de autocrítica por não termos sido democratas”.

– 31 de Março – Com a palavra – os pesquisadores

Jacob Gorender, historiador do Partido Comunista Brasileiro Revolucionário (PCBR), no seu livro Combate nas Trevas, no capítulo 8 – “Pré-revolução e golpe preventivo”, relata:

“Nos primeiros meses de 1964 esboçou-se uma situação pré-revolucionária e o golpe direitista se definiu, por isso mesmo, pelo caráter contra-revolucionário preventivo. A classe dominante e o imperialismo tinham sobradas razões para agir antes que o caldo entornasse.” (GORENDER, Jacob. Combate nas Trevas. 5ª edição, 1998). Continuar lendo

47 anos da Revolução de 31 de março

Prefiro, como o faz meu caríssimo Jarbas Passarinho, chamar de movimento contra-revolucionário. Chamem como quiserem: Revolução, movimento revolucionário, ou até golpe (esse não uso).

De toda maneira, para relembrar o 31 de março, dedicarei alguns posts àquele acontecimento.

Para começar, algumas notícias de jornais da época, sobre os acontecimentos…

– 31 de Março – Com a Palavra – a Mídia da época

“Seria rematada loucura continuarem as forças democráticas desunidas e inoperantes, enquanto os inimigos do regime vão, paulatinamente, fazendo ruir tudo aquilo que os impede de atingir o poder. Como dissemos muitas vezes, a democracia não deve ser um regime suicida,que dê a seus adversários o direito de trucidá-la,para não incorrer no risco de ferir uma legalidade que seus adversários são os primeiros a desrespeitar”. (O Globo de 31 de março de 1964) Continuar lendo

Costa do Marfim: forças de oposição entram na capital

Concordo com o amigo que enviou esta notícia quando ele diz que “diante dos sucessivos fracassos das iniciativas de negociação, as armas irão ganhando legitimidade na solução da crise na Costa do Marfim…”

Há um grande risco de que mais uma vez, os africanos presenciem um massacre fratricida naquele belo e rico continente.

Daí me perguntar se a independência trouxe realmente grandes benefícios às populações desses países (benefícios reais e efetivos). Explico-me: as conseqüências da maior parte desses processos de descolonização foram guerras civis, violência em altíssima escala, destruição das infraestruturas criadas no período colonial, colapso das instituições e, naturalmente, ditaduras sangrentas. Realmente, os africanos têm muito mais liberdade do que tinham à época do colonizador! Continuar lendo

Obama autoriza operação de inteligência na Líbia

Obama teria autorizado o fornecimento de armas para os rebeldes na Líbia… Claro! Isso é que os estadunidenses chamam de covert actions, outros países operações especiais e por aí vai (vide nosso livro Atividade de Inteligência e Legislação Correlata)… As grandes potências seguem essas práticas não é de hoje. Surpreenderia se assim não fosse!

Agora, o mais interessante é o porta-voz da Casa Branca dizendo que “não vai comentar assuntos de inteligência…”. Note-se que ele não negou a operação de inteligência, apenas disse que não iria comentá-la.

No tabuleiro da política internacional, as potências certas vezes recorrem a medidas heterodoxas para fazer valer seus interesses (obviedade). O uso da inteligência em alguns caso serve exatamente para se evitar o recurso à força, como uma declaração de guerra ou a intervenção armada. A notícia é só um exemplo de que não há amadores no grande jogo. Nesse sentido, não é aceitável que governos se mostrem ingênuos.

Ainda que não se recorra à inteligência para influenciar governos estrangeiros e interferir em assuntos internos de outros países, é importante que todo Estado disponha de mecanismos para fazer frente às referidas ações. Isso é que se chama de contrainteligência. País que não se preocupe com inteligência e contrainteligência acaba sendo vítima de quem se preocupa (seja de outros governos, seja de organizações não-governamentais, como grupos terroristas e redes criminosas).

Yeah, baby! That’s Intelligence! That’s International Politics!

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Al Qaeda, Hezbollah e os rebeldes líbios

Essa é boa! Al Qaeda e Hezbollah apoiando os rebeldes na Líbia! Kadafi dizia isso, mas agora a inteliência estadunidense dizer o mesmo…

Pode até ser que haja elementos dessas organizações entre os grupos rebeldes (como diz meu amigo Gilberto Guerzoni, “tudo é possível, menos Deus pecar!). Mas isso me parece muito mais um balão de ensaio ou uma tentativa de plantar informação agora para desacreditar os rebeldes no futuro, quando Kadafi cair…

De toda maneira, se assim estiver acontecendo, é no mínimo surreal o apoio militar (com fornecimento de armas) dos ocidentais para a Al Qaeda e o Hezbollah… EUA, França e Reino Unido estariam literalmente armando o inimigo? Sei não, sei não…

 

http://br.reuters.com/articlePrint?articleId=BRSPE72S0LP20110329

Dados sobre rebeldes da Líbia indicam sinais da Al Qaeda

terça-feira, 29 de março de 2011 16:48 BRT

Por Missy Ryan e Susan Cornwell

WASHINGTON (Reuters) – Informações da inteligência sobre as forças rebeldes que combatem o líder líbio Muammar Gaddafi indicam sinais da presença da Al Qaeda e do Hezbollah, mas ainda não há um quadro detalhado sobre a oposição emergente, disse o principal comandante de operações da Otan na terça-feira. Continuar lendo