47 anos da Revolução de 31 de março: opinião de ex-guerrilheiros e pesquisadores

Seguem as palavras de quem combateu o regime estabelecido em 31 de março de 1964 ou pesquisa o tema…

– 31 de Março – Com a Palavra – os Ex-guerilheiros

Daniel Aarão Reis Filho, ex-guerrilheiro do Movimento Revolucionário 8 de outubro (MR-8), professor titular de História Contemporânea da UFF, foi um dos quarenta presos banidos para a Argélia, em troca do embaixador da Alemanha, por exigência das organizações terroristas que praticaram o sequestro:

“As ações armadas da esquerda brasileira não devem ser mitificadas. Nem para um lado nem para o outro. Eu não compartilho da lenda de que no final dos anos 60 e no início dos 70 (inclusive eu) fomos o braço armado de uma resistência democrática. Acho isso um mito surgido durante a campanha da anistia. Ao longo do processo de radicalização iniciado em 1961, o projeto das organizações de esquerda que defendiam a luta armada era revolucionário, ofensivo e ditatorial. Pretendia-se implantar uma ditadura revolucionária. Não existe um só documento dessas organizações em que elas se apresentassem como instrumento da resistência democrática”. (O Globo, 23/09/2001)

Renato Lemos, professor de História da UFRJ, acha que a esquerda deveria assumir suas idéias e ações durante a ditadura, afirmando:

“Cada vez mais se procura despolitizar a opção de luta armada numa tentativa de autocrítica por não termos sido democratas”.

– 31 de Março – Com a palavra – os pesquisadores

Jacob Gorender, historiador do Partido Comunista Brasileiro Revolucionário (PCBR), no seu livro Combate nas Trevas, no capítulo 8 – “Pré-revolução e golpe preventivo”, relata:

“Nos primeiros meses de 1964 esboçou-se uma situação pré-revolucionária e o golpe direitista se definiu, por isso mesmo, pelo caráter contra-revolucionário preventivo. A classe dominante e o imperialismo tinham sobradas razões para agir antes que o caldo entornasse.” (GORENDER, Jacob. Combate nas Trevas. 5ª edição, 1998).

Carlos Fico, professor de Teoria e Metodologia da História e coordenador do Programa de Pós-graduação em História Social da UFRJ, afirma ser ficção a idéia de resistência democrática. Fico ataca a crença de que a luta armada foi motivada pela imposição do AI-5:

“A opção de pegar em armas é anterior ao ato institucional. Alguns grupos de esquerda defenderam a radicalização antes de 1968 – garante ele”.

Leandro Narloch, no seu livro “Guia Politicamente Incorreto da História do Brasil”, assevera que:

“A guerrilha provocou o endurecimento do regime militar. É muito repetida a idéia de que os grupos de esquerda decidiram partir para a luta armada porque essa era a única resposta possível à rigidez da ditadura. Na verdade, antes de os militares derrubarem o presidente João Goulart, já havia guerrilheiros planejando ações e se preparando para elas”.

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