Morre Warren Christopher, aos 85 anos.

No último dia 18 de março, faleceu importante expoente da Política Externa dos Estados Unidos.

Protagonista em negociações importantes da Política Externa estadunidense, como a devolução do Canal do Panamá e a tentativa de libertação dos reféns da embaixada em Teerã, Warren Christopher chegou ao ápice da carreira quando foi  Secretário de Estado de Bill Clinton (só a título de lembrança, o Secretário de Estado é o terceiro na linha sucessória do Presidente dos EUA). Era tido como a mente brilhante por trás da percepção internacionalista de Clinton.

Segue o obituário, produzido por quatro agências de notícias… Continuar lendo

Ataque cibernético ao Serviço Exterior britânico

Aconteceu com os britânicos. Poderia acontecer com qualquer um. De fato, é constante e cada vez mais intenso o ataque cibernético a organizações públicas e privadas, sejam da área de segurança ou não.

Insiro a notícia como exemplo do que pode acontecer inclusive com organizações bem preparadas para fazer frente a essa nova ameaça.

British FCO hit by ‘cyber attack’

British Foreign Office has been targeted with a cyber missile by a “hostile state intelligence agency” Foreign Secretary William Hague told a security conference.

Hague did not refer to the country where the cyber attack has been launched from but British media said the hackers may be based in China.
Hague said three emails, which “looked quite innocent” had been sent to the Foreign Office personnel with the sender claiming to be a colleague. Continuar lendo

Órgãos da União Européia sofrem sério ataque cibernético

Não é de hoje que tenho alertado para as ameaças no ciberespaço, particularmente o ciberterrorismo e outras ações perpetradas por criminosos, com ou sem apoio de governos.

Além dos problemas causados por indivíduos e organização não-estatais, devem ser consideradas as iniciativas de alguns Estados em desenvolverem estruturas para a chamada “guerra cibernética”.

O pior é constatar o quanto o Brasil (seja no setor público, seja entre organizações privadas) está despreparado e vulnerável a esse novo tipo de ameaça…

BBC News, 23/03/2011

‘Serious’ cyber attack on EU bodies before summit

The EU has reported a “serious” cyber attack on the Commission and External Action Service on the eve of a summit in Brussels, a spokesman told the BBC. Continuar lendo

A Costa do Marfim… Crise esquecida, carnificina a caminho…

Enquanto chegam notícias sobre a crise no Norte da África, são poucos os que dão atenção para os acontecimentos na Costa do Marfim, onde desde novembro passado, os registros oficiais já indicam mais de 400 mortos. A crise começou quando o então presidente, Laurent Gbagbo, perdeu as eleições para seu adversário. Mais carnificina é esperada…

Reproduzo o comentário de um amigo diplomata, segundo qual “ao contrário do caso da Líbia onde o Conselho de Segurança explicitou que não poderia haver presença de tropas estrangeiras (“no boots on the ground clause”), na Costa do Marfim já estão cerca de 10 mil militares das Nações Unidas.”  E lá se não há pudores para o uso da força… Continuar lendo

A ONU, o Irã, e os Direitos Humanos…

Ainda tentando entender esta deliberação neste momento… Trata-se de aviso ao Irã para aquietar-se, desvio das atenções voltadas para a Líbia ou sinal de apoio a um enventual Levante contra o Governo dos Aiatolás?

Em breve descubro quem votou contra a Resolução. Importante registrar a posição do Brasil de Dilma, bastante distinta da Política Externa de Lula, que adorava abraçar ditadores como Fidel, Mugabe, Chavez e Kadafi…

Aguardando a reação de Teerã…

(Enquanto isso, o Levante segue na Síria, com dezenas de mortos…)

Reuters Brasil

Com voto do Brasil, direitos humanos da ONU investigará o Irã

Quinta-feira, 24 de março de 2011 13:08 BRT
Por Stephanie Nebehay

GENEBRA (Reuters) – O Conselho de Direitos Humanos da Organização da ONU  [sic] aprovou nesta quinta-feira, com voto favorável do Brasil, uma proposta apoiada pelos EUA para designar um investigador independente de direitos humanos para o Irã, o primeiro em uma década. Continuar lendo

Putin e Netanyahu – alerta contra extremismo

Prime Minister Vladimir Putin greeting Israeli Prime Minister Benjamin Netanyahu. Photo: RIA Novosti

Direto de Moscou, encontro de Netanyahu e Putin: será que é sinal de uma parceria mais sólida entre dois países que têm que enfrentar o extremismo e combater o terrorismo? Sem dúvida, Rússia e Israel estão entre os Estados que mais têm sido alvo de ataques terroristas. A aproximação parece natural. De toda maneira, eis uma situação inimaginável há vinte anos…

Interessante conjecturar como será a cooperação e a troca de experiência entre os serviços de inteligência e as agências antiterror dos dois países.

Os extremistas que se cuidem… Continuar lendo

À espera de Lawrence…

Artigo interessante que chama atenção para o fato de que os opositores a Kadafi (ou seja, os “rebeldes”) não constituem uma força organizada sob liderança única. Bom, até aí não há novidade. Entretanto, permanece a questão: após a queda de Kadafi (sim, porque se todo esse aparato bélico empregado pela coalizão não conseguir por fim ao governo despótico do cross-dressing de Trípoli, que vai conseguir?), quem governará a Líbia? Sobrará Líbia para ser governada?

Vale lembrar que a Líbia nunca experimentou essa maravilha da geniosidade ocidental que é a democracia representativa. Ademais, a sociedade líbia se divide em algo em torno de 140 clãs ou famílias, muitos com interesses bastante antagônicos. É, portanto, uma sociedade tribal.

Somente Kadafi conseguia garantir alguma unidade nacional conciliando os interesses das diversas tribos e elegendo um inimigo externo comum. Saindo o Cauby do Saara do poder, não sei se haverá alguém com real capacidade de substituí-lo. Aí o país mergulha ainda mais profundamente no caos.

Atente-se também para o fato de que os aliados não se mostram tão articulados para cooperar entre si nem com os rebeldes. Gostei especialmente da parte do artigo em que o autor assinala possíveis medidas a serem tomadas pela coalizão para melhorar seu desempenho na guerra, como o recurso à inteligência e às forças especiais. O problema é que, para isso, precisariam de gente capacitada não só para lidar com as particularidades dos povos da região, mas que dominasse a língua, conhecesse os costumes e pudesse conduzir operações especiais com comandos naquele teatro. O ideal seria um árabe (uma vez que a coalizão reúne países árabes), mas nem os árabes estão dispostos a ir tão fundo, nem os ocidentais confiariam em um agente assim. Daí alguns clamarem por um Lawrence da Arábia para a Líbia (ou seja, um ocidental com alma de líbio).

Exatamente como os portugueses esperavam Dom Sebastião, os ocidentais esperam um “Lawrence da Arábia” para liderar o levante contra Kadafi… O problema é que não é facil encontrar um Lawrence assim…

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