Costa do Marfim: forças de oposição entram na capital

Concordo com o amigo que enviou esta notícia quando ele diz que “diante dos sucessivos fracassos das iniciativas de negociação, as armas irão ganhando legitimidade na solução da crise na Costa do Marfim…”

Há um grande risco de que mais uma vez, os africanos presenciem um massacre fratricida naquele belo e rico continente.

Daí me perguntar se a independência trouxe realmente grandes benefícios às populações desses países (benefícios reais e efetivos). Explico-me: as conseqüências da maior parte desses processos de descolonização foram guerras civis, violência em altíssima escala, destruição das infraestruturas criadas no período colonial, colapso das instituições e, naturalmente, ditaduras sangrentas. Realmente, os africanos têm muito mais liberdade do que tinham à época do colonizador! Continuar lendo

Obama autoriza operação de inteligência na Líbia

Obama teria autorizado o fornecimento de armas para os rebeldes na Líbia… Claro! Isso é que os estadunidenses chamam de covert actions, outros países operações especiais e por aí vai (vide nosso livro Atividade de Inteligência e Legislação Correlata)… As grandes potências seguem essas práticas não é de hoje. Surpreenderia se assim não fosse!

Agora, o mais interessante é o porta-voz da Casa Branca dizendo que “não vai comentar assuntos de inteligência…”. Note-se que ele não negou a operação de inteligência, apenas disse que não iria comentá-la.

No tabuleiro da política internacional, as potências certas vezes recorrem a medidas heterodoxas para fazer valer seus interesses (obviedade). O uso da inteligência em alguns caso serve exatamente para se evitar o recurso à força, como uma declaração de guerra ou a intervenção armada. A notícia é só um exemplo de que não há amadores no grande jogo. Nesse sentido, não é aceitável que governos se mostrem ingênuos.

Ainda que não se recorra à inteligência para influenciar governos estrangeiros e interferir em assuntos internos de outros países, é importante que todo Estado disponha de mecanismos para fazer frente às referidas ações. Isso é que se chama de contrainteligência. País que não se preocupe com inteligência e contrainteligência acaba sendo vítima de quem se preocupa (seja de outros governos, seja de organizações não-governamentais, como grupos terroristas e redes criminosas).

Yeah, baby! That’s Intelligence! That’s International Politics!

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Al Qaeda, Hezbollah e os rebeldes líbios

Essa é boa! Al Qaeda e Hezbollah apoiando os rebeldes na Líbia! Kadafi dizia isso, mas agora a inteliência estadunidense dizer o mesmo…

Pode até ser que haja elementos dessas organizações entre os grupos rebeldes (como diz meu amigo Gilberto Guerzoni, “tudo é possível, menos Deus pecar!). Mas isso me parece muito mais um balão de ensaio ou uma tentativa de plantar informação agora para desacreditar os rebeldes no futuro, quando Kadafi cair…

De toda maneira, se assim estiver acontecendo, é no mínimo surreal o apoio militar (com fornecimento de armas) dos ocidentais para a Al Qaeda e o Hezbollah… EUA, França e Reino Unido estariam literalmente armando o inimigo? Sei não, sei não…

 

http://br.reuters.com/articlePrint?articleId=BRSPE72S0LP20110329

Dados sobre rebeldes da Líbia indicam sinais da Al Qaeda

terça-feira, 29 de março de 2011 16:48 BRT

Por Missy Ryan e Susan Cornwell

WASHINGTON (Reuters) – Informações da inteligência sobre as forças rebeldes que combatem o líder líbio Muammar Gaddafi indicam sinais da presença da Al Qaeda e do Hezbollah, mas ainda não há um quadro detalhado sobre a oposição emergente, disse o principal comandante de operações da Otan na terça-feira. Continuar lendo

Forças de Kadafi rechaçam os rebeldes

Como já havia dito, a guerra não é algo simples. As tropas de Kadafi repelem os rebeldes, apesar do apoio da coalizão aos insurgentes. Logo alguns líderes ocidentais podem ser instigados a uma ação com forças terrestres… Aí a coisa complica um pouco mais…

Brevemente, com o passar do tempo, começará a pesar muito a capacidade de resistência (endurance) de cada lado: a de Kadafi em se manter no poder; e a da coalizão em fazer frente ao desgaste causado pela duração do conflito e pela pressão internacional contra a intervenção.

O problema é que, exatamente como aconteceu no Iraque, as tropas de Kadafi não são tão fracas como se imaginava (ou talvez os rebeldes não sejam tão fortes). Ponto para Muamar.

Reuters

Libya troops push rebels; powers want Gaddafi out

Photo

29/03/2011 – 6:24pm EDT

By Maria Golovnina and Michael Georgy

TRIPOLI (Reuters) – Muammar Gaddafi’s better armed and organized troops reversed the westward charge of rebels and world powers meeting in London piled pressure on the Libyan leader to end his 41-year rule. Continuar lendo

Vídeos de nosso curso presencial de Relações Internacionais

Segue o link para alguns vídeos de nosso curso presencial de Relações Internacionais, ministrado no Instituto Legislativo Brasiliero.

Os temas são variados, com tópicos da agenda internacional, direito internacional, política externa. As opiniões ali expressas são pessoais e não representam, necessariamente, a posição das organizações às quais estou vinculado.

Para os vídeos, clique aqui.

VANT brasileiros fazendo vigilância na Bolívia

Nossos VANT realizarão vigilância na fronteira, de olho no crime organizado… Até aí tudo bem… Cooperação com nossos vizinhos, o Brasil exercendo sua soberania, combate aos delitos transnacionais. Entrentanto, registro o comentário sensato de uma amigo diplomata: “Aviones espias” talvez ajudem a capturar algum narcotraficante. Certamente, em futuro próximo, serão acusados pelos bolivianos de espionagem…”

lostiempos

http://www.lostiempos.com/ Cochabamba, Martes 29 de marzo del 2011

Hoy probarán naves “espías” para rastrear a narcos

Brasil probará hoy sus aviones no tripulados o “espías” para rastrear narcotraficantes en la frontera con Bolivia, en una nueva fase de cooperación para combatir el fuerte intercambio de estupefacientes existente entre narcotraficantes de ambos países. Continuar lendo

Manifestação do Governo Russo sobre as operações na Líbia

Já tinha chamado a atenção ao problema na semana passada. Agora é uma manifestação oficial de Moscou. Com a OTAN à fente das operações, a coisa fica mais interessante, pelo simples fato de ser “a  OTAN”. Os russos, naturalmente, têm uma antipatia tradicional pela aliança militar do Ocidente (o Pacto de Varsóvia acabou há quase vinte anos, é verdade, mas ainda permanece no imaginário russo a rivalidade com a OTAN).

Sergei Lavrov

De toda maneira, a decisão russa de se abster na Resolução 1973 (2011) do Conselho de Segurança não foi mero capricho. Não se faz um movimento como esse em Política Internacional sem razões muito claras para quem tomou a decisão e sem se adicionar algum ganho pela decisão (pelo menos é assim que fazem as grandes potências).

Agora os russos já estão afirmando que o apoio militar da OTAN aos insurgentes na Líbia é ingerência em assuntos internos, afrontando o Direito Internacional. Eis as palavras do Ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergei Lavrov:

“Consideramos que a ingerência da coligação numa guerra que, no fundo, é interna, civil, não foi sancionada pela resolução do Conselho de Segurança da ONU. (…)”A defesa da população civil continua a ser a nossa prioridade, (…) [mas] há uma diferença sensível entre ataques aéreos contra os meios de defesa anti-aéreos líbios e contra colunas de tropas [fiéis ao dirigente da Líbia].”

De toda maneira, deve-se buscar também entender as razões para a abstenção russa no Conselho de Segurança e para esse pronunciamento de Moscou, ou seja, o que é que o Kremlin pretende auferir com isso. Continuar lendo