21. Nova escola, novos desafios (18/11/2014)

Uma vida sem desafios não vale a pena ser vivida.
Sócrates

Em razão do episódio frustrante ocorrido na Católica (vide texto de 17/11/2014), resolvi mudar de colégio para cursar o terceiro ano do Segundo Grau (“hoje Ensino Médio”). Após analisar algumas instituições, a escolha recaiu sobre o Colégio Leonardo da Vinci, tido como um dos melhores de Brasília. E, claro, com a nova escola, novos desafios.

O primeiro desafio no novo colégio era de ordem logística. O Leonardo situava-se na Asa Sul e eu morava em Sobradinho (para quem não é de Brasília, uma de nossas cidades-satélites)… e eu pegava ônibus. Utilizando-me dos modernos recursos do Googlemaps, pude verificar que a distância era algo em torno de 30 km e que, atualmente, a rota que eu fazia leva aproximadamente 1 hora e 30 minutos. Uma vez que minha aula começava às 7h10 da manhã, e que passava um ônibus a cada hora, associando-se a isso outros cálculos cabalísticos, para não chegar atrasado à escola eu tinha que pegar o ônibus nº 512 que passava pela minha parada às 5h38 da matina. Aqueles que me conhecem já imaginam a dramática situação!

Sou um animal notívago (sempre o fui!)! Durmo, normalmente, às 2h da manhã (para acordar, se possível, por volta das 8h). No meu último ano de ensino médio, eu tinha que estar na parada de ônibus às 5h35 no máximo, pois se perdesse o 512 das 5h38, chegaria bastante atrasado na escola! Com isso, tinha que acordar, normalmente, lá pelas 4h40 da manhã para tomar banho, vestir-me, fazer meu dejejum e sair correndo para o ponto! Desespero! Angústia! Sofrimento!

Alguns leitores devem estar dizendo “ah! mas eu acordo às 5 da manhã para malhar!”! Não tenho culpa se esses seres têm pacto com o Capiroto! Sim, porque não é de D’us acordar antes das galinhas (e eu levantava antes do galo cantar!), sobretudo para “malhar”! Ainda vou encontrar em algum artigo da Declaração Universal dos Direitos Humanos que é violação grave fazer uma pessoa acordar a essa hora! Se não existir o artigo, deveria. E quando vinha o horário de verão, a coisa degringolava de vez! Para mim era terrível!

Penei bastante acordando de madrugada para ir ao colégio. Claro que logo desenvolvi técnicas para ganhar mais tempo na cama… coisas do tipo tomar banho em exatos 2 minutos e meio, deixar a roupa pronta para entrar nela pela manhã, tomar somente um copo de leite com Nescau de café-da-manhã (impensável sentar à mesa para um dejejum prolongado e frugal!). E fui vivendo. Naquela época, assim como Scarlet O’Hara, diante dos campos incendiados de Tara, disse que “nunca mais passarei fome nesta vida!”, eu também, ao concluir meu terceiro ano do Segundo Grau, olhei para a parada de ônibus e, de punho fechado, disse: “nunca mais passarei sono nessa vida!” (ou coisa parecida)…

A parada de ônibus e o próprio 512 constituíam um caso à parte e dariam muito boas histórias. Afinal, éramos as mesmas pessoas que pegavam o ônibus naquele horário: basicamente, estudantes e trabalhadores que tinham que estar cedo no emprego. Depois de um tempo, todo mundo já se conhecia. E eu, com minha dificuldade de me relacionar com as pessoas, logo já estava amigo e falando com todos na parada. Lembro-me de uma senhora gorducha que era empregada doméstica no Plano Piloto – divertidíssima, conversávamos sempre! Também havia, como tomávamos o ônibus já lotado e íamos em pé, as boas almas que se ofereciam para levar nossas (pesadas) mochilas no colo. No final das contas, virávamos uma comunidade no coletivo, unida pelo mesmo sofrimento no 512 das 5h38! Foi nessa época que desenvolvi algumas técnicas de sobrevivência (muito comuns em adolescentes que pegam ônibus em tais situações), com destaque para a de dormir em pé em um veículo em movimento – e, o melhor, sem perder o ponto, pois, se não acordasse, o pessoal do ônibus me acordava! Dentro daquela ideia de fazer do limão uma limonada, digo que era divertido!

Ah! E o colégio novo? O Leonardo era bem diferente da Católica. Muito maior em termos de turmas e alunos, com um horário a mais de aula, professores muito exigentes (e competentes, em sua maioria), tinha por objetivo central fazer com que seus alunos fossem aprovados no vestibular (a Católica se preocupava mais com a formação do estudante). E enfrentei ali grandes desafios, estudando pela manhã e à tarde, sob um sistema bem mais exaustivo que o dos anos anteriores (agradeço sempre por isso, pois assim fui preparado para o vestibular). Não foi fácil, mas consegui me manter entres os melhores alunos (em que pese minha total incompetência em Matemática).

Claro que as melhores lembranças do Leonardo foram os amigos. Certamente não eram tantos como os da Católica, mas na nova escola também fiz boas amizades que perduram até hoje! Eram várias turmas de 3º ano. Intrigante é que fiz amigos mais de outras turmas que da minha própria.

De todos os amigos do Leonardo da Vinci, registro meu abraço especial ao estimado Bruss. Bruss Rebouças Coelho Lima era seu nome. Um dos “nerds” de sua classe, sujeito simples, muito inteligente, espiritualista, culto e brincalhão, logo se tornou um bom amigo – alguém a quem, sem pestanejar, entregaria um filho para padrinho. Conversávamos sobre guerra e geopolítica, espiritualidade e problemas brasileiros. Era um conselheiro e um “grilo falante”. Tínhamos origens parecidas e opiniões coincidentes. E a amizade estendeu-se para as famílias – seus pais eram do Maranhão e do Ceará.

O amigo Bruss queria ser biólogo. E, no mesmo vestibular em que passei para Relações Internacionais, ele foi aprovado para Biologia na UnB. Continuaríamos nossa amizade na universidade e ambos seguiríamos carreira acadêmica. Acabamos perdendo o contato quando Bruss foi para a Alemanha fazer seu doutorado em neurociência, ali permanecendo e constituindo família (sua esposa, também cientista). Sempre que ele vinha por aqui, nos encontrávamos e botávamos o papo em dia. Também tinha notícia do amigo por meio de sua irmã, Biana, que continuava morando em Brasília. Bruss foi (é) um estimado irmão para mim!

Graças aos desafios que me foram impostos na nova escola, pude concluir um Ensino Médio de qualidade e prestar vestibular na Universidade de Brasília. Minha escolha, Relações Internacionais (curso que, à época, na área de Ciências Humanas, só era menos concorrido que Direito). Fui aprovado e, ao final de 1991, enquanto a União Soviética desaparecia, eu me preparava para virar estudante da área do conhecimento que buscava explicar o fenômeno da guerra e da paz, e porque nações desaparecem! Mas essa é outra história…

Faltam 20 dias para meus 40 anos. Vislumbrando como foi meu segundo grau, o saldo é mais que positivo! Os melhores dividendos foram, nesta ordem, os amigos que fiz, as experiências que vivenciei, e o conhecimento que adquiri. Tive excelentes momentos tanto na Católica quanto no Leonardo. E aquilo tudo foi realmente muito enriquecedor para o garoto de cidade-satélite, ainda bastante adolescente, que entrava em outro mundo… Enfim, cresci sobremaneira em três intensos anos!

Deixo hoje meu abraço aos colegas do Leonardo da Vinci. E a foto é de Bruss e Biana quando, muitos anos depois, meu amigo esteve de férias no Brasil e foi lá em casa. Velhos compadres se encontravam e parecia que havíamos nos falado, pela última vez, no dia anterior!

Bruss e Biana

20. O Segundo Grau e a primeira grande frustração (17/11/2014)

Não deixe as frustrações dominarem você, domine-as. Faça dos erros uma oportunidade para crescer. Na vida, erra quem não sabe lidar com seus fracassos.
Augusto Cury

A passagem do Primeiro para o Segundo Grau (hoje chamado de Ensino Médio) foi um momento importante para mim. Afinal, saia eu de uma escola pública (meu querido Centro de Ensino 03 de Sobradinho), a 7 minutos a pé lá de casa, para uma escola grande do Plano Piloto, em outra cidade, com pessoas desconhecidas de um ambiente social, econômico e cultural bem distinto do meu. Ademais, por ter adiantado dois anos na escola, iria começar meu primeiro ano do segundo grau com recém-completos 14 anos – criança de tudo! Mas meus pais acreditavam que a melhor preparação deveria ocorrer em uma escola do Plano Piloto… e lá fui eu estudar no Centro Educacional Católica de Brasília!

Por que a Católica? A resposta é pragmática: primeiro, porque meus pais tinham um amigo cujo filho já estudava lá (iria para o terceiro ano) e eu poderia ir de carona com eles para o colégio (evitava pegar ônibus na ida, portanto); em segundo lugar, e mais importante, porque fiz provas admissionais e ganhei uma bolsa de estudos para aquela escola (meus pais teriam grande dificuldade de pagar o colégio se não fosse assim). E lá fui eu (acho que já disse isso)!

Confesso que o começo foi assustador. Fisicamente, a Católica era um prédio grandioso! Três andares, grandes corredores, um pátio gigantesco! Afinal, a estrutura era de uma instituição de ensino superior – onde funcionava nossa escola durante o dia, à noite era a tradicional Faculdade Católica de Brasília (que depois seria transferida para a cidade de Taguatinga, em um campus enorme e se tornaria a primeira universidade privada do Distrito Federal). E eu, que vinha de uma pequena escola de cidade satélite (com, se não me engano, cinco pavilhões), sentia-me miudinho naquela instituição… algo parecido com o pobre lavrador que entra em uma catedral medieval…

Também não conhecia ninguém na minha sala. E aí as preocupações de todo adolescente recém-chegado em um grupo afloravam: “será que seria aceito? Como seriam os colegas? Mas e as nossas diferenças econômicas e sociais? Permaneceria isolado o resto da minha existência?” Felizmente, a relação com a turma superou minhas expectativas: o pessoal era simpático, amigo e logo estava integrado ao grupo! De fato, era um dos mais novos e mais baixinhos da turma, de modo que acabei, creio, sendo acolhido quase que como mascote… E dali surgiram boas amizades!

Claro que a época de segundo grau deixa saudades! As brincadeiras (e as brigas) em sala de aula, os professores, com suas peculiaridades (e como a turma aprontava com os professores!), as provas terríveis! E o que dizer dos passeios em grupo!?! (Uma vez fomos a uma caverna em Minas Gerais, com o Cleiton, professor de Matemática, mas sem equipamentos apropriados… nunca me esquecerei de nós entrando naquele buraco e depois tentado sair da caverna, sem uma percepção clara do perigo que corríamos). E havia os apelidos, as conversas durante o intervalo, os grupos que se formavam, as paixões platônicas (sempre fui tímido), as amizades eternas (enquanto durassem). Tinha também a “volta olímpica” que fazia, já no segundo ano, algumas vezes com meu amigo Delano Ferraz, cumprimentando e falando com todo mundo do colégio na hora do recreio! Enfim, até que nos divertíamos!

Fiquei dois anos na Católica. Em meados do segundo ano, uma situação tremendamente desconfortável me levou a decidir pela saída da instituição. Fui buscar essa história lá no passado, e a desenterrei para compartilhar com os amigos, pois foi uma grande frustração. Naqueles dias, a Católica foi chamada a enviar um de seus alunos para um programa promovido por uma das agências da Organização das Nações Unidas pelo continente americano[1]… Era uma viagem com tudo pago por diversos países, oportunidade única para o agraciado. A escolha do aluno se basearia no histórico acadêmico e nas notas… Sem dúvida, algo fascinante!

Para minha surpresa, fui selecionado! A alegria foi imensa! Afinal, o esforço pessoal era recompensado! E, para um garoto de família simples, que nunca teria qualquer condição de fazer uma viagem como aquela, era algo realmente inimaginável e grandioso! A turma, até onde me lembro, ficou contente com a escolha de meu nome! Era querido pelos colegas e alguns conheciam minha situação. Seria a viagem da minha vida!

A vida, porém, prega peças. Algumas semanas antes da partida, fui chamado à direção para conversar. Nunca esquecerei o episódio: secamente, em sem grandes justificativas, informaram-me que não seria eu mais quem iria participar do programa, mas um outro colega de minha turma. Ainda dói quando lembro disso, pois me senti preterido, destratado, desprezado pela escola de que tanto gostava! Sentia-me um lixo! E o pior, a decisão fora sem qualquer justificativa. Depois descobriria que o garoto era filho de uma autoridade… O único sentimento que me preenchia: frustração. Chorei, fiquei muito triste, deprimido mesmo. E aquela foi minha primeira grande decepção na vida.

Tentando recordar o episódio (e, muitos anos depois, conversando com alguns colegas da época), lembro que houve gente em minha turma que, quando soube do que ocorrera, ficou revoltada com a situação. A sensação de injustiça imperou nos colegas de sala, adolescentes que, como eu, não entendiam o significado da palavra desigualdade… Para piorar a situação, o garoto, Henrique era seu nome (sei o nome completo, mas não há necessidade de contá-lo), a quem até considerava um amigo, não era muito querido da turma, pois se mostrava pedante e rude algumas vezes.

Dentre os professores, houve quem me defendesse e reclamasse contra a injustiça. Outros, porém, decepcionaram-me, trabalhando nos bastidores pelo “rearranjo” em favor do Henrique. Isso certamente contribuiu para minha decisão de ir embora. No final das contas, o colega acabou viajando e participando do programa. Depois desse episódio, perdi completamente a vontade de permanecer na Católica.

Acho que esse foi o acontecimento que mais me deixou marcas do meu Segundo Grau. Para uma criança (e eu era uma criança), foi algo tremendamente frustrante essa primeira lição de injustiça. Hoje percebo que foi útil para meu aprendizado e para o valor que dou ao mérito e às pessoas pelo que são, e não por seus vínculos familiares ou por terem bons “padrinhos”. Nesse sentido, tomei consciência de que, por vir de família simples e ser “pagão” (não ter padrinhos influentes), teria que lutar para vencer na vida e que só poderia contar comigo mesmo para isso. E, se a vida é feita de injustiças, paciência! Faria do limão uma limonada, sempre!

Nunca havia comentado essa história com ninguém além de umas três ou quatro pessoas que, por serem meus colegas da época, vivenciaram meu sofrimento. Nem em casa se sabia da dimensão completa do episódio. Afinal, sempre fui muito reservado com meus sentimentos. Entretanto, faltando 21 dias para meu aniversário, achei por bem compartilhar o episódio nestas crônicas dos meus 40 anos. O melhor de tudo é que esses acontecimentos são, definitivamente, passado.

O que não é passado do meu período na Católica são as experiências de vida e, sobretudo, as amizades que cultivei naquele colégio. Sim! Fiz realmente bons amigos, que tive a mui feliz oportunidade de reencontrar aqui pelas redes sociais, depois de mais de 20 anos! A acepção de que o tempo é relativo pode ser fortemente confirmada em virtude da amizade! Não importa quanto tempo passe, quando se tem bons amigos, esse tempo, realmente, não tem qualquer importância.

Quero deixar aqui meu abraço fraterno aos colegas e amigos que fiz na Católica! Saibam que vocês foram tremendamente importantes para aquele garoto que descobria o mundo! Obrigado mesmo! Estão na minha memória e no meu coração, como parte expressiva dos meus primeiros quarenta anos de vida!

PS: só consegui colocar esta foto. Postarei outras em nosso grupo fechado da Católica.

[1] Depois, minha amiga Milene Martins dos Reis, ao ler meu texto, informou-me que não se tratava de um programa da ONU, mas sim era promovido pela Embaixada da Espanha. Chamava-se “Aventura 92”, e ocorria em comemoração aos 500 anos do descobrimento da América.

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19. Primos (16/11/2014)

A cousin is a little bit of childhood that can never be lost.
Marion C. Garrety

 

Para a maioria das pessoas, a convivência com os primos é algo rotineiro. Nas grandes famílias, é muito comum que primos se reconheçam como irmãos nascidos do ventre de outra mãe. Laços estreitos são estabelecidos e, em alguns casos, até matrimônios acabam acontecendo, o que pode garantir mais coesão nos vínculos familiares. Afinal, o clã se preserva na união entre seus membros.

Claro que os primos também podem estar associados a situações não tão agradáveis. Se houvesse estatísticas a respeito, certamente o primo, depois do cunhado, seria aquela referência complicada da família. Todo mundo tem um primo, próximo ou distante, que já se meteu em alguma confusão, que fez algo de errado, ou sobre o qual se tem alguma história inusitada para contar… Claro que é sempre com um primo que essas coisas ocorrem… E assim se constroem as anedotas familiares!

Sempre que penso em primos, não consigo deixar de lembrar das casas reais europeias… Fascinante como as grandes famílias nobres da Europa são compostas por primos, descendentes de um ancestral comum ou fruto dos casamentos dinásticos. Certa feita, só por curiosidade e para passar o tempo, fiz as correlações genealógicas entres os monarcas europeus do início do século XX, antes da Grande Guerra (tá, não é uma coisa que muita gente faça para passar o tempo… fazer o quê?!?)… Interessante como, graças à descendência da Rainha Victoria (a “grande mãe” das casas reais da Europa), todos eram primos! Jorge V, da Grã-Bretanha, e o Kaiser Guilherme II, da Alemanha, eram primos próximos, que, por sua vez, também tinham laços de parentesco com o Czar Nicolau II, da Rússia (há uma foto de George V e Nicolau II que mostra a semelhança entre os dois), cuja esposa, Alexandra, também era prima dos três (e fora disputada por Nicolau e George na juventude, dizem)! Por isso me encanta o lema da Casa de Habsburgo, da qual nosso soberano Pedro II era descendente direto: “Bella gerant alii; tu, felix Austria, nube” (“que outros guerreiem enquanto tu, feliz Áustria, celebras casamentos”). Pelo matrimônio, os Habsburgos se mantiveram como a principal Casa europeia durante séculos. (Fim das curiosidades monárquicas)

Eu, particularmente, e apesar de provir de família nordestina, nunca tive a felicidade de conviver de perto com meus primos. Havia a distância espacial e temporal que nos afastava! Afinal, tanto papai quanto mamãe viviam praticamente sem família aqui em Brasília. Daí que meu contato com tios e primos só se dava quando viajava para o Nordeste! Ainda em termos espaciais, nunca fui ter na infância com os primos do interior do Ceará, porque papai não retornara à caatinga de onde viera no início dos anos cinquenta. Assim, só houve contato durante minhas duas primeiras décadas de vida com a família de mamãe (à exceção de uma breve incursão feita aos oito anos ao Rio de Janeiro, onde visitei os irmãos de Seu Jacob que lá viviam).

De toda maneira, ao menos uma vez por ano ia para a casa de meus avós e de meus tios no Maranhão. Lá podia encontrar meus primos, que eram muitos, e aproveitar um pouco desses vínculos de sangue. E como gostava disso! Mas aí vinha a limitação temporal: eu era sempre o mais novo dos netos de Seu Sother e Dona Sidoca, o que muitas vezes atrapalhava as brincadeiras com os primos e primas. Vivia sempre sob a perspectiva do menorzinho do grupo, com os ônus e bônus desse posto. À medida que crescíamos, essa distância diminuía, mas o limite espacial se reforçava… O tempo passou, cada um seguiu sua vida, e hoje continuamos distantes fisicamente, mas mantendo bons contatos pela Internet. E viva as redes sociais!

Faltando 22 dias para meu aniversário, deixo meu abraço carinhoso a todos os primos e primas que, mesmo distantes fisicamente, têm um espaço reservado no coração. Afinal, sangue é sangue!

Seguem algumas fotos da tenra infância em companhia dos primos e primos no Maranhão. Eu sou o pequenininho no centro de uma das fotos e emburrado em outra. Pequeno, mas bravo!

18. Quando o Brasil foi Grande (15/11/2014)

O Império do Brasil é a associação Política de todos os Cidadãos Brasileiros. Eles formam uma Nação livre, e independente, que não admite com qualquer outra laço algum de união, ou federação, que se oponha à sua Independência.
Constituição do Império do Brasil, art. 1º.

 

GrifoNeste 15 de novembro, data que considero o dia da infâmia, e faltando 23 dias para meu aniversário, gostaria de compartilhar com os amigos algumas de minhas razões de ser monarquista convicto.

Preliminarmente, convém registrar que não estou aqui a fazer proselitismo. Não quero convencer ninguém de que o regime monárquico é a melhor opção (apesar da profunda convicção de que o seja). Só o que desejo é expor minhas razões. Sou monarquista desde que me entendo por gente, e poderei dizer a meus netos que meu primeiro voto foi no parlamentarismo monárquico, por ocasião do plebiscito de 1993. Àquela época votei com convicção e segurança – foi o voto mais valioso e valorizado que já coloquei na urna.

Outra coisa: espero que este texto ajude ao menos a remover alguns preconceitos para com a alternativa monárquica. É irritante as pessoas acharem que somos monarquistas por excentricidade ou anacronismo. Incomoda a crítica a esse modelo quando é feita sem nenhum conhecimento do assunto, sob o único argumento (imbecil, desculpem a honestidade) de que “monarquia é coisa do passado” ou de que “o modelo republicano é mais democrático”. Para esses, já respondo que a maior parte da população de países como o Reino Unido, Japão, Suécia, Noruega, Holanda, Bélgica, Dinamarca (que, junto com Canadá, Austrália e Nova Zelândia constituem democracias modernas e desenvolvidas sob um regime monárquico) não pensa assim. Antes de criticarem a monarquia, as pessoas deveriam se informar mais…

Moeda ImperioMuito bem! Perguntam a razão de eu ser monarquista. Repito, não tenho qualquer interesse personalista na causa monárquica. Só vim a conhecer alguém da Casa Imperial do Brasil este ano de 2014, quando me concedeu a Providência grata oportunidade de encontrar Dom Bertrand de Orléans e Bragança, Príncipe Imperial do Brasil, com quem tive uma excelente conversa! Não estou formalmente vinculado a qualquer organização monarquista (o que não significa que não o farei oportunamente). Sou monarquista, primeiro, porque creio que uma boa democracia se desenvolve em regimes parlamentaristas e que, no Parlamentarismo, entendo que o melhor modelo é o monárquico, não o republicano. Repúblicas parlamentaristas são imperfeitas e o Presidente nunca consegue representar a totalidade da nação como o Chefe de Estado deve fazer (vide o recente caso alemão, quando o Presidente teve que renunciar acusado de corrupção).

Ademais, parece-me que o único lugar onde o Presidencialismo realmente deu certo foi nos EUA, onde eles criaram o modelo, e no qual a instituição “presidência” é sagrada. Por aqui pela América Latina, o que se viu foram republiquetas instáveis, com caudilhos lutando pelo poder, golpes de Estado e instabilidade político-institucional marcada por aspirantes vorazes a ditador ou megalômanos que chegavam ao palácio presidencial sem estar realmente preparados para ocupar a posição de primeiro mandatário.

Outra razão pela qual sou monarquista é que acho que à época do Império tínhamos instituições mais sólidas e valores mais consistentes. A figura do monarca ajuda nisso – por mais que pessoalmente ele possa ser cheio de imperfeições (caso contrário, não seria humano), como figura pública é um símbolo nacional, com valores que devem ser exaltados, servindo de exemplo à população. O povo precisa de heróis, o povo precisa de referenciais, e um soberano é muito útil para compor positivamente esse imaginário. Ademais, aquela foi uma época em que o Brasil, com todos os seus problemas de desenvolvimento e atraso social, tinha uma Economia estável, um regime com liberdade de imprensa, grandes estadistas na vida pública, e era respeitado no concerto das nações, isso muito se devendo aos soberanos que aqui reinaram. Foi uma época, realmente, em que o Brasil era grande!

Antes que venham os comentários pacóvios: monarquias são menos suscetíveis à corrupção que repúblicas, a começar pelo próprio Chefe de Estado. Um monarca não precisa roubar do erário. Afinal, se o fizesse, estaria tirando do próprio bolso e não faria o menor sentido degradar um patrimônio que ele iria deixar para seus filhos. E se roubasse, qual seria o sentido? Onde, quando e como gastaria o butim? Presidentes, por outro lado, têm que fazer seu pé de meia, para quando deixarem o poder…

A monarquia, ao contrário do pensam alguns, é muito mais barata que uma República. Saibam que a Presidência de um país como o Brasil gasta muito mais que qualquer Casa Real. E, ainda que as despesas fossem mais altas para manter uma família real (melhor manter uma família permanentemente que várias famílias de presidentes por sucessivos anos), alguém já pensou no custo do presidencialismo em termos de gastos com campanhas eleitorais periódicas? Quanto dinheiro público não é gasto a cada quatro anos somente com as eleições presidenciais?

Não quero, repito, convencer ninguém para minha causa. Escrevi este texto porque quero compartilhar com meus amigos, nestas Crônicas dos meus 40 anos, essa característica político-ideológica que para muitos me é tão marcante. Se você não gostar do que escrevi, paciência, não perca seu tempo tentando desconstruir meu discurso. Escrevo para aqueles que, ao menos, tenham um mínimo de discernimento e sensatez para considerar opiniões divergentes das suas, e que não sejam obtusos a ponto de simplesmente se fechar a qualquer argumento que não tenham facilidade de compreender ou que pensem ser contrário a sua maneira de ver o mundo.

Monarquia é sinônimo de estabilidade. Refiro-me a monarquias constitucionais, que fique bem claro. É instituição moderna (ao contrário do que muitos pensam) e tem aspectos muito positivos.

Este quase quarentão (eita, está chegando) pode afirmar com toda convicção que prefere ser súdito do Império do Brasil a cidadão desta (ou de qualquer outra) república… Viva o Império do Brasil! Pela restauração!

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17. Revistas (14/11/2014)

A paixão da leitura é a mais inocente, aprazível e a menos dispendiosa.
Marquês de Maricá

Uma das boas lembranças de infância era minha coleção de revistas em quadrinhos. Não gosto do termo gibi, acho feio. Por isso, uso revistas ou revistinhas.Turma da Mônica

Mamãe conta que, desde muito pequenos, ela nos estimulava a ler trazendo-nos revistas em quadrinhos: Pato Donald, Mickey, Tio Patinhas (sempre fui fã incondicional do Tio Patinhas) e, naturalmente, os quadrinhos da Turma da Mônica. Com isso, já pequenininho estava a iniciar-me no maravilhoso mundo da leitura – e agradeço a Walt Disney e a Maurício de Sousa por isso!

As revistas em quadrinhos, portanto, fizeram parte de minha infância. E, claro, comecei a colecioná-las. Tinha centenas, e as organizava meticulosamente em uma pequena estante no meu quarto (detalhe: minha filha Victoria reproduz o mesmo comportamento). Era muito feliz com meus quadrinhos!

Pré-adolescente, descobri o mundo mágico das revistas de super-heróis: os termos “DC” e “Marvel” passaram a ser bastante familiares. E mergulhava naqueles universos fascinantes, aprofundando-me nos mitos de nossa geração, expressos e renovados nos quadrinhos de super-heróis: Batman, Super-Homem, Lanterna Verde, Liga da Justiça… Capitão América, Thor, Homem-Aranha (não gostava do Homem-Aranha), X-Men. Alguém já deve ter feito estudos sobre a mitologia dos quadrinhos de super-heróis e o quanto estes influenciam o imaginário das novas gerações desde meados do século XX.

Crise nas infinitas terrasÀ exceção dos X-Men, nunca gostei muito do universo Marvel. Minha simpatia esteve sempre com a Detective Comics (DC). E me divertia com os épicos que, vez por outra, surgiam nesses quadrinhos. Abro parêntesis para o comentário que só os nerds e fanáticos entenderão: a melhor série que li foi, em meados dos anos 80, “Crise nas Infinitas Terras”, que reorganizava todo universo DC, no qual havia mundos paralelos com “gêmeos” dos heróis dos nossos. Fantástico! (Fecha parêntesis e cessam os comentários nerd).

Assim, minha infância e adolescência foram muito agradáveis com os quadrinhos. Quando entrei no Segundo Grau (Ensino Médio de hoje), paulatinamente parei de lê-los… Nada traumático, apenas uma fase que acabava, perdi o interesse. Simples assim.

Hoje, ao contrário de muitos da minha geração, não tenho mais qualquer contato ou relação com revistas em quadrinhos. Ficam, porém, as ótimas lembranças desses tempos que não voltam mais.

Tio PatinhasDeixo também a recomendação aos pais: está aí uma excelente maneira de estimular a leitura dos filhos. Na casa de Dona Conceição e de Seu Jacob deu certo. Com Victoria e João também. Meus pequenos estão sempre lendo, estimulando o cérebro e aprendendo. E começaram com as revistinhas da Turma da Mônica. Fica a dica.

Neste 24° dia que antecede as comemorações de meus 40 anos (não são 40 décadas não! Nunca fui bom com números!), posto aqui a foto da Banca do Seu João, que ficava em frente à Administração de Sobradinho, onde meus pais tinham conta, e que muito frequentei. Passava lá quase todo dia para pegar revistas e conversar com Seu João! Bons tempos!

Salvo engano, depois que Seu João faleceu, a banca fechou. Eu realmente gostava dali. Minhas orações e lembrança hoje a meu amigo jornaleiro!

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16. Mães (13/11/2014)

MÃE…
São três letras apenas,
As desse nome bendito:
Três letrinhas, nada mais…
E nelas cabe o infinito
E palavra tão pequena
Confessam mesmo os ateus
És do tamanho do céu
E apenas menor do que Deus!

Mário Quintana

Há pessoas no mundo que nascem órfãs. Outras têm o privilégio de ter mais de uma mãe. Eu, felizmente, estou no segundo grupo. A 25 dias de comemorar minhas quatro décadas neste mundo, gostaria de apresentar a pessoa que me criou, que cuidou de mim enquanto minha mãe trabalha o dia inteiro e estudava à noite: a Rosa.

Roseni Alves da Silva é seu nome, mas todos a conhecem como Rosa. Maranhense, veio ainda mocinha para ajudar mamãe aqui em Brasília, em especial na criação de seu pequeno rebento (eu!). E fez um ótimo trabalho!

Incorporada rapidamente à família, Rosa cuidava de mim como de um filho. Conhecia os remédios e os telefones dos médicos (e me levava ao consultório, se necessário), fazia minha comida (cozinheira de mão cheia!), e me tratava com todo carinho e atenção!

Rosa era como uma segunda mãe para mim. Quantas vezes não comemorei meu aniversário com um bolinho caseiro, desses de caixa, feito por ela (com uns palitos de fósforo que serviam de vela)!?!? Quantas vezes, quando me machucava, era ela que me pegava nos braços, acalmava-me e passava remédio nos meus ferimentos? Quantas vezes ela não me levou para passear?

Rosa chegou menina lá em casa, cresceu, apaixonou-se, casou. Não foi feliz no casamento, mas teve quatro filhos, dos quais o único menino, o segundo filho, Eduardo, seria criado junto conosco, sendo afilhado de meus pais. Apesar de um período complicado na adolescência, Eduardo amadureceu, endireitou-se, entrou para a faculdade, formou-se, já concluiu Mestrado em Educação e hoje é professor. Por certo é motivo muito orgulho a sua mãe!

Devo muito a Rosa. E agradeço a ela publicamente no dia de hoje. Fica minha homenagem a todas aquelas pessoas que cuidam de nossa casa e de nossos filhos como se fossem delas! Vocês são tremendamente importantes!

Taí uma foto antiga, na qual eu, jovem de tudo, estou entre Dona Conceição e a Rosa. Só para registro: minha mãe preta não mudou nada todos esses anos!

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15. A Escola (12/11/2014)

Tenha em mente que tudo que você aprende na escola é trabalho de muitas gerações. Tudo isso é posto em sua mão como sua herança para que você a receba, honre-a, acrescente a ela e, um dia, fielmente, deposite-a nas mãos de seus filhos.
Albert Einstein

Agradeço muito ao Criador pela oportunidade de ter ingressado muito cedo na escola. Quando penso nas dificuldades de meu pai, que só conseguiu começar sua alfabetização aos 25 anos (e, digo isso com imenso orgulho) e, mesmo assim, concluiu, vitoriosamente e com muito esforço, dois cursos superiores, (Administração e Direito), e nas de mamãe, que conta como era complicado dispor de caderno, lápis e borracha em sua infância pobre no Nordeste (tendo ela também concluído Pedagogia, Estudos Sociais e Letras), vejo que a vida sempre foi muito complacente para comigo, que já com quatro, cinco anos, adentrava as portas do Instituto São José de Sobradinho e começava minha formação escolar.

Diante da história de vida de meus pais, e considerando que há milhões de pessoas neste imenso Brasil que não têm acesso a uma educação de qualidade, como crianças que tentam estudar em condições absolutamente precárias, sempre busquei valorizar ao máximo a oportunidade que me era dada pela Providência Divina de estudar e aprender. Vejo a escola como um lugar sagrado e os professores como sacerdotes que têm o mais nobre ofício de levar o conhecimento a outras pessoas. Daí meu entendimento de que a melhor forma de retribuir esta benção seria exatamente tornando-me o melhor aluno que minhas capacidades cognitivas permitissem. Minha forma de agradecer, portanto, era sendo um bom aluno.

Sim, sempre fui um bom aluno. Gostava de estudar. Tinha prazer em aprender coisas novas, em descobrir sobre o mundo. E, à medida que crescia, consolidava-se em minha mente e em meu coração a ideia de que só por meio do estudo e do conhecimento é que conseguiria alcançar os objetivos na vida. Junto com o exemplo de Seu Jacob e Dona Conceição (que sempre vi trabalhando e estudando), quando cheguei à terrível fase da adolescência, mais uma situação mostrava-se imperativa para me levar a estudar com esmero e tentar fazer o melhor que pudesse… Contarei aqui, pela primeira vez, nas próximas linhas, a outra grande razão que me impulsionava a estudar muito…

Sou o filho mais velho de uma família de classe média-baixa, que dependia basicamente do salário de meus pais, sem ajuda de mais ninguém. Quando nasci, papai tinha 42 anos. Cedo tomei consciência (e isso se me mostrava muito claro) de que talvez não o tivesse conosco por muito tempo. Portanto, tinha que crescer logo, arranjar um emprego, e garantir meu sustento próprio e, se necessário, o de minha mãe e irmãs mais novas. Não tinha padrinhos ricos ou influentes. Só podia contar comigo mesmo na adversidade (assim como ocorrera com meu pai). E me esforçaria sobremaneira para vencer e estar pronto, caso meu pai faltasse! Felizmente, Seu Jacob continua forte como um touro!

Nunca fiquei de recuperação, tampouco fui reprovado. Naturalmente, meus conceitos mais baixos no boletim eram em Educação Física. Em compensação era bom em Português, gostava de Geografia e era completamente fascinado por História. Como nunca compreendi Matemática (apesar de ter sobrevivido a ela), no Ensino Médio (que à época era chamado Segundo Grau ou Científico), fiz um teste vocacional, que comprovou o que eu já sabia: meu caminho era o das Ciências Humanas! Ótimo, as Humanidades estavam em meu futuro! E por aí seguiria!

Aos 16 anos, concluí o Ensino Médio. Ato contínuo, prestei o temível vestibular da Universidade de Brasília (naquela época durava quatro dias, não havia PAS, ENEM, nem formas de diluir o desespero dos estudantes de Segundo Grau em seu rito de passagem) para o então segundo curso mais concorrido da área de Humanas: Relações Internacionais. Era difícil, visto por muitos como um curso de elite, mas era o que queria.

Lembro como se fosse hoje quando lá em casa abrimos o jornal (não havia internet, e o resultado era divulgado cedo nos jornais impressos de Brasília), e vimos o meu nome entre os aprovados: mamãe chorava e, com um terço na mão, agradecia a D’us, e eu, aliviado, não conseguia acreditar que tivera êxito no primeiro vestibular, apenas com meu estudo doméstico (a velha fórmula horas/bunda/cadeira), pois meus pais não tinham como pagar cursinho pré-vestibular (nunca fiz pré-vestibular). Como prêmio pela vitória, fomos almoçar fora, em um restaurante self-service ali perto de casa (e, confesso, a comida estava especialmente saborosa!)!

Relações Internacionais era o que eu queria desde cedo! Futuramente, contarei um pouco da minha vida na universidade. Na mesma ocasião em que fui aprovado para Relações Internacionais, também passei para Jornalismo, no CEUB, hoje UniCeub (onde meus pais estudaram e onde eu próprio viria a me formar em Direito), mas acabei não me matriculando no curso, pois achei que ficaria muito pesado para um garoto de recém-completos 17 anos, morando longe e dependendo de ônibus, estudar o dia inteiro Relações Internacionais e à noite Jornalismo – ademais, meus pais enfrentariam dificuldades para pagar a faculdade particular. O interesse pelo Jornalismo permanece… quem sabe um dia…

Faltando 26 dias para celebrar meus 40 anos, gostaria de deixar minha homenagem aos responsáveis pelas minhas vitórias: meus professores. Da primeira professora primária a meu orientador no Doutorado, cada um dos meus mestres teve um papel único e relevante em minha formação. A eles serei eternamente grato e, lecionando, tento continuar portando a chama sagrada. Sim, porque no templo sagrado da sala de aula, a chama do conhecimento deve permanecer sempre acesa, pois é a transmissão do saber que nos faz mais singulares e humanos.

Hoje coloco duas fotos de 1980, quando de minha “formatura” do Jardim da Infância. Costumo dizer que, dentre os mestres, os primeiros professores costumam ter maior importância, pois se hoje sei ler e escrever, é porque tive uma professora primária que me ensinou a fazê-lo. Meu agradecimento especial a todas as “tias” do Primário!

14. O menino e a Guerra (11/11/2014)

Si vis pacem, para bellum.
Brocado latino

Hoje é 11/11/2014, e faltam 27 dias para meus 40 anos! Por mais estranho que possa parecer, o dia 11/11 é uma data sempre muito importante para mim… Afinal, foi na 11ª hora, do 11º dia, do 11º mês do ano de 1918, que chegou ao fim a I Guerra Mundial, a Grande Guerra.

O menino e a guerra1Você deve estar se perguntando qual a razão dessa data ter algum significado para mim. De fato, ela nem é conhecida, tampouco lembrada, por 99,99% dos brasileiros! Por que alguém que nasceu e cresceu no Brasil, país sem tradição republicana de envolvimento em conflitos armados, se interessaria por polemologia (do grego, polémikus, conflito – o estudo dos conflitos)? O que tenho eu a ver com isso? Sinceramente, não sei… a única coisa que sei é que a guerra sempre me fascinou e o interesse pelos conflitos armados esteve junto de mim desde muito cedo…

Não tenho qualquer parente militar… De fato, talvez o parente mais próximo meu que tenha chegado perto da caserna deve ter sido algum primo que fez tiro de guerra no interior do Maranhão. Meu pai nunca teve qualquer interesse em assuntos militares, guerra ou história dos grandes confrontos bélicos. Nem filmes de guerra papai costumava ver. Durante toda a infância e juventude, estive inserido em instituições civis, jamais cursei escola militar e fui dispensado do serviço militar obrigatório por excesso de contingente. Apesar disso tudo, é inerente a minha pessoa essa fixação pelos grandes conflitos.

O menino e a guerra2Interessante que, na tenra infância, já lembro de brincar com meus soldados de plástico. Ah! Como gostava dos meus soldadinhos de uma única cor! Alemães azuis, japoneses amarelos, americanos verdes. Tinha também os soldados do Velho Oeste, com alguns de branco (que logo associava aos confederados se quisesse brincar de Guerra de Secessão), os azuis (da 7ª Cavalaria), e os vermelhos (índios que, normalmente, estavam em maior número e levavam a melhor). E tardes inteiras se passavam em batalhas constantes!

Geralmente, brincava só comigo mesmo… Meus pais não me permitiam brincar na rua com os outros meninos (não os culpo nem tenho qualquer queixa por isso!). Sobrava-me, então, divertir-me sozinho, brincando de guerra com meus soldados. E como gostava de comandar os exércitos! Sob meu comando, exércitos em lados distintos se digladiavam nas minhas brincadeiras infantis! E de nada mais precisava para ser feliz!

Qualquer brinquedo que ganhava, virava logo uma peça militar para as campanhas da infância… Se me davam um carrinho, obviamente ele se transformava em uma viatura. Minha madrinha costurava saquinhos de arroz, que eu usava como barricada para proteger minhas tropas. Era um aviãozinho que ganhei de aniversário? Não, uma aeronave de combate.

A falta de recursos financeiros e a criatividade faziam com que sucata e papelão fossem reciclados em brinquedos (nada comparado aos ossinhos de boi e os gravetos que papai usava como brinquedo em sua paupérrima e curtíssima infância – lembro que meu pai começou, de fato, a trabalhar com 5, isso, cinco anos de idade, ajudando na lavoura). Caixas de papelão viravam edifícios e casas, onde se escondiam soldados para trocar tiros com o inimigo. Barquinhos de papel só tinham razão de ser se fossem buques de guerra, com canhões de palito de fósforo, inclusive. E até potinhos de iogurte colados transformavam-se em “robôs-soldados” quando a brincadeira envolvia a guerra do futuro.

O menino e a guerra3Na minha infância, qualquer aviãozinho de papel virava uma aeronave de combate. E, com 7, 8 anos, já fazia esquadrilhas de cores e tamanhos distintos e, inconscientemente, reproduzia formações que depois viria a descobrir que existiram realmente durante as guerras mundiais: pequenos caças escoltando bombardeios. Não me pergunte de onde tirava essas ideias!

Nas poucas vezes em que estava com outras crianças, as brincadeiras descambavam para reprodução de batalhas. Uma casa em construção, por exemplo, era cenário perfeito para formarmos dois “times” e fantasiarmos um combate à la Stalingrado. Futebol, bola de gude ou pipa? Não tinha paciência para isso não…

Sempre me fascinaram os filmes e séries de guerra (posso assegurar, com relativa tranquilidade, que já vi a maioria produzida no Ocidente). Livros de história militar logo começaram a ocupar minhas estantes – conhecimento esse que, com imenso prazer, adquiria sobre as guerras da História, com ênfase nos dois grandes conflitos do século XX e na Guerra Civil americana.

O menino e a guerra6De armamentos entendo pouco. O que me fascinava mesmo era a estratégia, a maneira como os generais dispunham suas tropas, as grandes batalhas e, sobretudo, os efeitos da guerra sobre as pessoas… Sim, porque é na guerra que a condição humana chega aos extremos da perversidade e da benevolência, do egoísmo e da generosidade, do desprezo pelo outro e do sacrifício mais nobre, da traição e da mais canina fidelidade. Na guerra, as pessoas se revelam, e se transformam. E, qualquer um que tenha o infortúnio de viver a guerra, nunca mais será o mesmo! Minha fascinação pela guerra talvez repouse no fato de que ela parece ser uma condição essencial da natureza humana, e algo sempre presente desde que os primeiros homens caminharam sobre a terra!

Sempre fui um menino completamente aficionado pela guerra. Os cínicos ou os mais críticos dirão que é certamente porque não a vivi na pele. Para estes, sempre lembro de Sir John Keegan, provavelmente o maior historiador militar do século XX, falecido em 2012 aos 78 anos, que, em um de seus livros sobre a guerra, queixava-se de pertencer a uma geração que não mais convivia com o fenômeno que tanto o fascinava.

Haverá outros que se ofenderão com esse meu interesse na guerra. Mas o que posso fazer? Estou relatando o que sei e como me sinto! Não tenho culpa se é mais comum aqui no Brasil se interessar por futebol, ou por novela, ou pela vida dos outros. Eu, honrosa exceção, sempre fui fascinado pelo fenômeno da guerra! E isso é um aspecto importante dessas minhas primeiras quatro décadas encarnado neste plano!

Assim, aquele menino que brincava com soldadinhos de plástico cresceu, especializou-se em História Militar como hobby, coleciona (e assiste com frequência) filmes de guerra, tem prazer em ouvir marchas militares (mas não só elas, claro!), e está sempre a adquirir novos livros sobre os conflitos armados (muitos dos quais só espera ler na velhice – ou numa outra encarnação). Também se tornou especialista em Segurança Nacional e Defesa, trabalha com temas que envolvem diretamente as Forças Armadas, tem muitos amigos militares. E, quando viaja, o menino não visita estádios ou vai a teatros ou shopping centers (ou só a shopping centers). Quando viaja, o menino que cresceu busca encontrar e conversar com pessoas que viveram guerras, conhecer museus militares, campos de batalha e cemitérios onde repousam combatentes, para que possa render homenagem àqueles que sacrificaram o que tinham de mais precioso por uma causa, àqueles para os quais o tempo parou, àqueles que conservarão a eterna juventude, àqueles que sempre serão lembrados.

Para as crônicas de meus 40 anos, tinha que registrar essa característica que me é peculiar: o interesse pela guerra, desde pequenino, e sem qualquer justificativa ambiental, familiar, ou mesmo racional. Certamente os místicos têm explicação para isso. Mas essa é outra história…

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13. Vovô, o campo de batalha, e a Santa Isabel (10/11/2014)

A coroa dos velhos são os filhos dos filhos; e a glória dos filhos são seus pais.
Provérbios 17:6

Apesar do pouco que passamos juntos, Vovô Sother foi muito marcante em minha vida. “Seu Sota” lia muito (apesar de, como disse ontem, não ter concluído o ginasial), o que fazia dele homem de vasta cultura, sendo conhecido e respeitado na cidade de Caxias. Para mim, era aquele senhor muito magro e de cabelo absolutamente branco, de quem eu gostava de estar perto, pois sempre tinha algo para me ensinar sobre a vida.

Na minha infância, adorava quando, nas férias, viajava para Caxias para a casa de meus avós. Ali brincava em um imenso quintal, com uma grande mangueira ao centro, imponente e em cuja sombra repousava à tarde depois do almoço, degustando seu fruto como sobremesa! Corria pelo jardim cuidado por vovó, dormia em rede (coisa que não consigo fazer hoje), onde também balançava tanto, imaginando ser um piloto de guerra a bombardear as cidades inimigas, que uma vez caí e ralei as costas de um jeito que carrego a cicatriz do tombo até hoje! Bebia litros de Guaraná Jesus (sonho cor-de-rosa!!!), que meu avô comprava pouco antes de nossa chegada, e, repito, adorava ficar perto do velho Sother.

Também me divertia passeando pela cidade de minha mãe, onde ocorreram as batalhas da Balaiada. Ainda muito, muito pequeno, a felicidade era plena quando vovô me levava para o alto do Morro do Alecrim, onde havia ruínas do que fora uma construção bombardeada durante os combates e a praça com a estátua do Duque de Caxias, ladeada por dois canhões usados no conflito. Interessante o quanto gostava, desde a mais tenra infância, de locais de batalha e de temas relacionados à guerra – meus brinquedos sempre foram soldados de plástico, e todo carrinho que ganhava logo virava, de alguma maneira, um veículo militar requisitado pelas tropas…

Porém, o lugar mais marcante de Caxias depois da casa de meus avós era a Santa Isabel, um pequeno sítio comprado por Seu Sother e nomeado em homenagem a vovó Sidoca (cujo nome de nascimento era, de fato, Isabel). Ali, sempre me lembrarei da casa ao centro (pequena e simples, mas que para mim era gigante e um lugar a ser explorado, com baús que me reservavam tesouros históricos, e com peças antigas – como uma espada e algumas espingardas – pregadas às paredes!). E, diante da casa, a pitombeira! Ah, a pitombeira! Quem nunca teve o privilégio de experimentar pitomba não compreenderá o prazer de ficar embaixo da árvore e degustar aquela fruta pequena e suculenta. Sou aficionado por pitomba (talvez porque me remonte à infância no sítio)! Havia, ainda, o pomar em que se destacavam as diversas mangueiras, e uma área com muitas plantas, arbustos e árvores que, para mim, era a “mata” a ser explorada.

Ia muito com vovô a Santa Isabel. E adorava quando ele me entregava um pequeno facão e um cantil e me levava para desbravar a “selva”, onde minha imaginação me alçava à condição de grande explorador de uma floresta inóspita e desconhecida. O melhor de tudo, acompanhado de meu avô, que sempre tinha muito a me ensinar.

Aspecto interessante de vovô é que ele, na infância, vivera com os índios no Maranhão. Apesar de loiro e branco, aprendera muito com o povo da floresta (para usar o jargão do momento), a quem muito respeitava. Conhecia plantas e animais, sabia fazer pintura de guerra com urucum, e sempre tinha um ensinamento indígena a transmitir quando nos embrenhávamos pelas trilhas da mata da Santa Isabel, abrindo caminho a facão entre os arbustos! Essas experiências, de quando era bem pequeno, ficaram marcadas na memória e no coração.

Sinto muita saudade do velho Sother. As crianças deveriam poder passar mais tempo com seus avós, que não poderiam partir tão cedo. Hoje, faltando 28 dias para meu aniversário de 40 anos, enquanto escrevo este texto me veem lágrimas aos olhos junto com a memória das últimas imagens de vovô: estava eu sentado no chão de piso quadriculado, brincando com meus soldados, próximo a sua cadeira de balanço, e ele alegre a conversar com meus pais sobre um livro de troças em forma de poesia, de onde destacara uma quadrinha, da qual, mesmo com meus oito ou nove anos, talvez menos, ouvi uma vez e nunca esqueci, pois associo o poeminha diretamente à imagem sorridente de meu avô:

Chegava o compadre a reclamar com o outro sobre os desmandes da vida. Depois de perguntado sobre o porquê de estar aborrecido, respondeu sobre sua lida:

– Ora, cumpadi! Há quatro coisas no mundo que atormentam um cristão: uma mulher ciumenta, um menino chorão, uma casa que goteja e um burro topão!

Ao que o outro compadre retruca:

– Meu cumpadi, não se incomode com isso! Para tudo tem solução: o menino, a gente acalenta; a casa, a gente retelha; o burro se apara os cascos; tudo isso se arremedeia!

– Mas cumpadi, pergunta o aborrecido, e a mulher ciumenta?

– Ah, cumpadi! O diabo da mulher ciumenta, a gente só resolve na peia!

Troça simples e de um humor até questionável nos atuais tempos do politicamente correto, mas meu avô tirara de um livro seu. Nunca esqueci dessa historinha, que foi a última que ouvi do pai de mamãe. Algum tempo depois, aos oitenta anos bem vividos, um câncer de pulmão o levaria – Seu Sother fumava muito, e seu último pedido, antes de falecer, foi por um cigarro…

Agradeço sempre ao criador por ter colocado o velho Sother, ainda que por pouco tempo, em minha vida. Ele permanece em minha memória e em meu coração.

As fotos de hoje foram tiradas em Santa Isabel. Devo estar com uns quatro ou cinco anos nelas. Na primeira, encontro-me na mata, escondido entre os arbustos, como um guerreiro de selva! Já na segunda, no tanque de água que para mim era uma grande piscina, praticava as técnicas de mergulhador de combate! Ser criança é sempre muito bom!

Santa Isabel

12. Meus avós (09/11/2014)

Uma geração contará à outra a grandiosidade dos teus feitos; eles anunciarão os teus atos poderosos.
Salmos, 145:4

20141101_193013-3-1-1Faltam 29 dias para meu aniversário!!! Na sequência das crônicas de meus quarenta anos, o texto de hoje é dedicado a meus avós.

Avós são fundamentais na vida de qualquer criança. Quando se tem a oportunidade de ter os quatro junto, a felicidade é certa.

Tive pouco contato com meus avós. Os paternos não conheci. O pai de meu pai, José Jacob Gonçalves nasceu em 1864 (ano em que o Paraguai atacou o Império do Brasil, iniciando a maior guerra que a América do Sul já vivenciou). Sim, meu avô paterno é da segunda metade do século XIX e papai é o penúltimo filho de seu segundo casamento. Minha avó paterna, Dona Carminda, também não conheci, pois faleceu nos anos cinquenta (bom lembrar que, quando nasci, papai já tinha 42 anos). O que sei sobre eles é que meu avô era lavrador e vovó cuidava da casa. Sertanejo, analfabeto, Seu José Jacob deixou para os filhos dois grandes legados: a honra (pois sem ela um homem não é homem); e longevidade (sim, porque vovô viveu até quase cem anos, e tenho tios e tias que alcançaram um século de vida). De Dona Carminda, por sua vez, a lembrança que meu pai nos conta era de uma mulher de fibra que amou e criou seus filhos com dignidade. Gostaria de tê-los conhecido.

Da parte de mamãe, pude conhecer, ainda que brevemente, meus avós: Sother e Isabel (Sidoca). A lembrança que tenho de Vovô Sother é de um homem sério, inteligentíssimo (apesar de não ter completado o ginasial, lia muito, e tinha um vasto conhecimento das coisas do mundo).

Vovô Sother sempre foi o patriarca de um clã que, como disse, rendeu muitos bons frutos. Ao fechar os olhos e pensar no meu avô, vem-me à cabeça ele sentado em uma cadeira de balanço, cabelos completamente brancos, e um livro ou um jornal nas mãos. Como eu era o mais novo dos netos, sentia com ele um vínculo muito forte.

Já de vovó Sidoca, creio que nascida em 1912, típica avó, gordinha, simpática e uma cozinheira de mão cheia, a recordação que tenho é de um grande sorriso, e de amor e carinho incondicionais! Pena que a conheci pouco, pois faleceu quando eu tinha uns cinco ou seis anos, vítima do diabetes. Vovô partiria algum tempo depois, deixando uma saudade e um vazio nos sete filhos, nas dezenas de netos, e naquele garotinho em particular que adorava quando chegavam as férias e podia ir a Caxias encontrar o avô, que era uma grande referência.

Não tenho muito mais o que dizer de meus antepassados. Mas o que sei é que sinto muito orgulho de trazer comigo essa herança genética de homens e mulheres fortes, honrados e amorosos. É fascinante pensar que cada ser humano é o resultado de milhares e milhares de anos de evolução e carrega consigo no DNA um legado de homens e mulheres que remonta o início dos tempos. Há que se honrar os antepassados! E a melhor maneira de fazê-lo, creio eu, é preservando a memória dos que o antecederam conduzindo-se com a retidão que justifique honre toda a corrente que veio antes.

Já filosofei muito! Fotos de Vovô Sother e Vovó Sidoca.

Em tempo: amo o nome de meu avô! Sother, em grego, significa Salvador. Acho tremendamente forte e significativo. Queria muito ter dado a meu filho o nome de João Sother, mas a mãe o vetou…

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11. Elegância que vem do berço (08/11/2014)

Elegância é a arte de não se fazer notar, aliada ao cuidado sutil de se deixar distinguir.
Paul Valéry

Elegancia1Faltam 30 dias! E hoje gostaria de compartilhar com os amigos o que deve ter sido meu primeiro ensaio fotográfico, do qual selecionei quatro fotos que revelam o formalismo com que sempre gostei de me vestir! (Claro que quem me vestiu para o ensaio foi minha querida mãezinha, pois à época eu mesmo só me preocupava com a mamadeira seguinte ou com as contribuições filosóficas que deixava em minhas fraldas – e, de fato, nem com isso!)

Pois é! Não me preocupo com moda nem com padrões estabelecidos por uma meia dúzia de bobos esnobes seguidos por uma massa de bobos sem personalidade. Não é um dândi de Paris, Londres ou Nova York que vai me dizer que tipo de indumentária tenho que usar.

Porém, sempre me preocupei com um estilo apropriado a minha personalidade, ou seja, vestir algo que me faça sentir bem. E isso será uma bermuda com camiseta folgada (nada de regata ou camiseta cavada) em casa, ou terno e gravata no trabalho ou em outras situações. Jamais vestiria uma calça rasgada ou quaisquer daquelas combinações modernosas envolvendo tênis, blazer, calça jeans e camiseta (que podem até ser “legais” em um garoto de 20 anos, mas incabíveis em um quase quarentão). Nada contra quem o faça, mas, que fique registrado, eu não visto!

Que tipo de vestimenta mais me agrada? Na verdade, gosto mesmo é de terno e gravata. Sinto-me tremendamente confortável com um paletó bem cortado e uma discreta gravata em volta de meu pescoço (afrouxar o nó está absolutamente fora de cogitação).

Elegancia2Aprecio gravatas (pouco importando o preço ou a marca, pois o que vale é a estampa), pois acho que dão uma composição elegante à indumentária masculina. Afinal, a origem das gravatas está nos antigos regimentos para identificar a vinculação do militar e no pano que os soldados colocavam em volta do pescoço).

Também aprecio abotoaduras. Um bom par de abotoaduras conta toda uma história, revela a simpatia ou afinidade de seu usuário com alguma causa ou assunto, e recupera uma época em que os botões nos punhos eram raros. Abotoaduras são peças que não podem faltar no guarda-roupa masculino.

E claro, nas ocasiões informais, uma camiseta T-shirt. Camisa polo de forma alguma, pois simplesmente não combina comigo. E nada que não seja de algodão…

Não sou de comprar camisetas em lojas de marca ou coisa parecida. Minhas camisetas são adquiridas nos lugares para onde viajo (sempre uma boa lembrança) ou em lojas temáticas (como minha tão conhecida camiseta do Lanterna Verde). E devem ser largas, folgadas – não tolero roupa apertada nem tampouco meu corpinho sexy o permite). Tenho noção do ridículo.

Uma última observação: não importa como você se vista, o que vale mesmo é o conteúdo da embalagem. Claro que se puder conciliar o bem-estar pessoal com uma vestimenta que não agrida visualmente quem o cerca, melhor assim!

E fica a dica para meu aniversário (não sou bobo e gosto de ganhar presentes, hehehe): gravatas e abotoaduras!

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10. A sagrada iguaria (07/11/2014)

Há o sexo bom e o sexo ruim, mas chocolate é sempre chocolate.
Autor desconhecido

ChocolateDireto da capital capixaba, neste 31° dia que antecede meu aniversário, aproveito para escrever algumas palavras sobre um vício que me persegue desde sempre: chocolate!

Quando os espanhóis chegaram ao continente americano, descobriram uma bebida sagrada à base de cacau consumida pelos nativos. Daí para se misturar com leite suíço e virar uma iguaria inigualável foi um pulo. E a sacralidade foi preservada!

Eu sei que existe gente que não gosta de chocolate, assim como há pessoas que não apreciam uma boa música, um bom vinho, um whisky 18 anos e outras coisas fantásticas da vida. Pobre delas! Tento me perguntar como alguém pode não gostar de chocolate, não salivar diante de uma barra marrom e suculenta, de não ter pensamentos idílicos e até libidinosos ao sentir o odor tão característico desse produto divino…

Chocolate é, simplesmente, muito bom! Prefiro o amargo, mas, em sua ausência, não hesitarei em degustar o branco, ao leite, com menta, ou com frutas… Não aprecio muito aqueles com castanhas – acho que tiram a pureza do produto.

Chocolate é bom com qualquer coisa e a qualquer hora. Comigo serve para abrir o apetite antes de uma refeição e, naturalmente, como sobremesa. Em sua forma líquida, é minha primeira refeição do dia – que começa com um achocolatado, e só isso -, no lanche da tarde (acompanhado ou não de um pão de queijo, de uma tapioca, ou de um bolo, claro, de chocolate!), e, finalmente, como bebida da noite. Essa é minha rotina diária com chocolate, desde que me entendo por gente.

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Chocolate e paixão estão diretamente relacionados! Amigo certo das horas incertas, é usado para conquistar a mulher amada, mas também para afogar as mágoas com o fim de um relacionamento. Na alegria ou na dor, portanto, sempre haverá motivo para morder uma barra de chocolate!

Quando dava aula de francês no Centro de Línguas de Sobradinho, nos idos dos anos noventa do século passado, tinha uma querida amiga que era alérgica a chocolate! Quanto me apiedei dessa moça! Nunca consegui esquecer essa brincadeira sem graça da genética com um ser humano! D’us me livre! Se comigo fosse, minha vida teria um vazio…

Sim! Sou chocólatra confesso! E não me envergonho desse vício. Da terra dos chocolates Garoto, meu abraço fraterno a todos os apreciadores desse manjar que os deuses nos legaram!

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9. Rir é o melhor remédio! (06/11/2014)

As pessoas têm estrelas que não são as mesmas. Para uns, que viajam, as estrelas são guias. Para outros, elas não passam de pequenas luzes. Para outros, os sábios, são problemas. Para o meu negociante, eram ouro. Mas todas essas estrelas se calam. Tu, porém, terás estrelas como ninguém… Quero dizer: quando olhares o céu de noite, (porque habitarei uma delas e estarei rindo), então será como se todas as estrelas te rissem! E tu terás estrelas que sabem sorrir! Assim, tu te sentirás contente por me teres conhecido. Tu serás sempre meu amigo (basta olhar para o céu e estarei lá). Terás vontade de rir comigo. E abrirá, às vezes, a janela à toa, por gosto… e teus amigos ficarão espantados de ouvir-te rir olhando o céu. Sim, as estrelas, elas sempre me fazem rir!

Antoine de Saint-Exupéry

 

20141101_194349-1.jpgSempre fui uma criança sorridente (dizem). Lembrem que sou o filho da senhora que teve o bebê sorrindo (vide capítulo anterior)!!!

Existem duas maneiras de se encarar a vida. A primeira delas é reclamando de tudo, rosto emburrado, apiedando-se de si e lidando com as crises e problemas quotidianos como se fossem uma batalha constante pela sobrevivência. E a segunda, a que adoto, é encarando as adversidades como uma oportunidade de crescimento e aprendizado, respirando fundo diante dos obstáculos no caminho… e sorrindo!

Rir faz bem! Melhora o corpo e o espírito! Ninguém paga nada por sorrir. E um sorriso pode abrir portas… ou ao menos facilitar a abertura delas!

Coisa interessante sobre o sorriso é que ele é contagiante. Experimente chegar em um lugar, como o trabalho, sorrindo. Não tenha medo de parecer bobo. Você vai perceber que pode transformar as pessoas com um sorriso! E, se não adiantar com o outro, se não receber um sorriso em troca, saiba que o problema é… do outro! Tenha certeza que ao menos você próprio está melhor! E siga a vida sorrindo!

Faltando 32 dias para meu aniversário, já começo a distribuir sorrisos de presente. E, assim como o abraço e a alegria, quanto mais você distribui mais você tem! Um bom e sorridente dia a todos!

Sorrindo

8. Meu primeiro discurso (05/11/2014)

O dom da fala foi concedido aos homens não para que eles enganassem uns aos outros, mas sim para que expressassem seus pensamentos uns aos outros.
Santo Agostinho

Um dos aspectos mais característicos da condição humana é a fala. No momento em que nossos antepassados dominaram a articulação das ideias por meio de palavras, demos um salto evolutivo e (ao menos é no que acreditamos) passamos a nos diferenciar dos outros animais.

Fosse para orientar a caça nas primitivas tribos, fosse para transmitir a memória do clã, ou ainda para “discutir a relação” quando o marido voltava cansado para a caverna ao final de um dia extenuante (sim, porque “discutir a relação” deve ser tão antigo quanto o próprio domínio da fala), os seres humanos descobriram que, por meio do verbo, poderiam manifestar a centelha divina que têm em si e dar vida às ideias, seguindo na espiral evolutiva rumo à reintegração. Ao menos é o que dizem os místicos e os filósofos.

Admiro o dom da oratória. Aprecio ouvir bons discursos. Nesse sentido, um bom orador sabe que um discurso marcante envolve 80% de emoção e 20% de conteúdo. Fascina-me essa habilidade de manter a atenção do expectador e fazer com que ele acompanhe seu pensamento. Bons oradores, arrastando multidões ou formando grandes homens em sala de aula, transformam o mundo.

Não que seja um bom orador, mas nunca tive problema em falar em público. Gosto disso, de fato. Afinal, cada discurso é um desafio, cada aula, palestra, conferência é uma gratificante tarefa a ser cumprida: a de transmitir ideias, compartilhar pensamentos e emoções, cativar a audiência. Sim, porque um orador que fala para si sem pensar naqueles que o ouvem, não é um bom orador.

Claro que essa paixão pela oratória vem de família. Do lado de mamãe, além de parentes professores (inclusive minha querida mãezinha), há um padre, meu amado tio Vicente de Paulo Britto, cujos discursos são históricos. E, do lado paterno, Seu Jacob é minha grande referência – desde muito cedo, mesmo quando ainda não dominava a palavra escrita (lembro orgulhosamente que papai começou a se alfabetizar aos 25 anos de idade), aquele cearense já subia em um banquinho para discursar e pessoas se reuniam a sua volta. Papai não perde a oportunidade de falar em público (gostem disso ou não), e eu sigo na mesma linha. Em tempo: João e Victoria carregam com galhardia a chama da família e sei que mais uma geração apreciará o púlpito!

Faltando 33 dias para meus 40 anos, queria compartilhar com os amigos a foto do meu primeiro discurso. Não sei o que disse, mas certamente agradou a audiência – havia ao menos duas pessoas, como se pode perceber pelas sombras. De lá para cá não parei mais…

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7. Esportes? Desculpe, não é aqui não… (04/11/2014)

Les sports ont fait fleurir toutes les qualités qui servent a la guerre : insouciance, belle-humeur, accoutumance à l’imprévu, notion exacte de l’effort à faire sans dépenser des forces inutiles.
Pierre de Coubertin

Nunca fui muito afeito a esportes… de fato, não tenho o menor jeito para atividades desportivas, tampouco para exercícios físicos de repetição, e muito menos paciência para academias com gente cultuando o corpo ao passo que o cérebro desfalece à míngua (há exceções, claro!)… Esportes coletivos, nem pensar! Afinal, se já tenho dificuldade de me coordenar os movimentos sozinho, ainda mais com uma equipe correndo atrás de uma bola ou dando pancada nela!

Definitivamente, estou fora de esportes coletivos. Futebol nunca me atraiu: corro em linhas e ângulos retos. Aí você diria “fique no gol, então!”, ao que logo respondo que meu instinto de autopreservação me impede de permanecer estanque sob uma pequena trave como alvo de boladas… Não, de jeito nenhum…

E, por falar em instinto de autopreservação, foi ele que evitou que eu praticasse esportes como futebol, vôlei, basquete, ou qualquer outro que pudesse culminar em escoriações ou ossos quebrados (nunca coloquei um gesso na vida!). Violento demais para mim esse tipo de atividade. Por isso, sempre preferi esgrima e tiro…

Artes marciais? Nem pensar! Mas aí é por causa de um trauma de infância. Quando tinha uns cinco ou seis anos, meus pais me colocaram na aula de judô. “Ótimo!”, dirá você, “excelente idade para começar!”. O problema é que me colocaram no final do ano na academia de judô e numa turma de garotos maiores/mais velhos. Chego e vejo a molecada praticando aulas de rolamento que haviam sido treinadas durante o ano inteiro, golpes com nomes que para mim eram japonês, e a turma com sangue na boca se preparando para o exame de faixa! E eu, o menor, mais novo, e sem nenhuma experiência em defesa pessoal… Prevaleceram a razão e, novamente, meu instinto de autopreservação: fiquei umas duas semanas só e nunca mais voltei… A experiência foi tão marcante que decidi que, diante da seleção natural, não seria por meio da força física que conseguiria vencer! Fui malhar o cérebro.

Conheço muita gente que tem uma disposição inacreditável! A pessoa acorda às cinco da manhã, toma uma vitamina e vai toda sorridente para a academia “malhar para começar bem o dia!” Aí, depois de uma hora “pegando ferro”, está continua toda disposição para a lida. Isso para mim é absolutamente inconcebível! Pertenço à parcela da humanidade conhecida como “notívagos”, durmo geralmente às 2h da madrugada (feliz da vida!), e tenho grandes dificuldades de acordar cedo. De fato, acho que esse negócio de acordar de madrugada para malhar não é de D’us não. Esse pessoal só pode ter pacto com o Capiroto!

Esporte é tão importante para mim que tenho que confessar que não me lembro de ter aberto alguma vez o caderno de esportes em um jornal… Tampouco fiquei mais que alguns segundos diante de um desses canais de esporte da TV a cabo… Houve, somente, duas exceções ao referido comportamento: na última Copa, quando acompanhava o futebol da seleção canarinho (a dos 7×1) com meu filho João (por causa dele, naturalmente), e comentava os jogos nas redes sociais; e ano passado, quando, na Europa, assisti algumas vezes ao mundial de esgrima – esse sim um esporte que aprecio!

O menino e a bolaTá bom! Não sou “completamente avesso” a práticas desportivas. Gosto de caminhar (correr não) e de nadar (preciso voltar a fazer isso). Também já pratiquei tiro (ué, é esporte sim!) e, o esporte que realmente aprecio, esgrima (dedicarei a ela uma das crônicas de meus 40 anos)! Esgrima me fascina e já ensaio há algum tempo voltar à pista. Quem sabe depois dos 40!

Neste 34º dia que antecede as comemorações das minhas 

quarenta primaveras, resolvi partilhar com meus amigos o apreço que tenho por esportes (nada contra os esportes em si, o problema é comigo, estou ciente!) e postar aqui um retrato do início de minha vida quando, já dando meus primeiros passos, demonstrava completa habilidade para atividades físicas e familiaridade com a bola…

6. Minha primeira foto (03/11/2014)

O homem faz de si a imagem de seus sonhos.
Helena Petrovna Blavastky

Com a modernidade de nossos dias (não me venham com reflexões de pós-modernidade que minha mente limitada não alcança essas coisas!), a fotografia tornou-se absolutamente comum entre as pessoas das mais distintas origens e classes. Isso, associado ao fenômeno das redes sociais, gerou a banalização da fotografia. Do daguerreótipo de 1839 às câmeras digitais da atualidade, o que se pode perceber é uma revolução comportamental na sociedade: todo mundo fotografa de tudo… e posta no Face, no Instagram (não mais no Orkut) e em outras tantas redes sociais internet afora!

Com a epidemia da fotografia digital e a proliferação de selfies e das redes sociais, é verdade que há muita imagem bacana sendo divulgada, mas há também imagens catastróficas! E não vou nem falar daquelas com objetivos políticos, ideológicos ou comerciais! Refiro-me à fotografia privada, feita pelas pessoas comuns dispostas a registrar e difundir imagens do quotidiano… Como tudo que é demasiadamente popularizado, o mundo virtual acaba infestado de coisa ruim: selfies que nunca deveriam ter sido tirados, imagens de prato de comida (ou, pior, de meio prato de comida), de momentos desagradáveis e muito mais. As pessoas parecem ter perdido a noção de que melhor seria privar o mundo dessas coisas! Fazer o quê?! Deixemos o povo fotografar! Assim caminha (e fotografa) a humanidade!

Gosto de fotografia. Sempre gostei. Gosto de captar a imagem de lugares e pessoas. Quando viajo, por exemplo, faço uma média de trezentas fotos por dia (que, naturalmente, só eu tenho a esperança e a paciência de ver). Mas cada uma das fotos que faço tem uma razão de ser e um significado (ainda que eu nunca vá descobrir qual). Cada foto é única, pensada e apreciada – por isso que geralmente sou eu mesmo que as tiro, inclusive quando estou sozinho… Como? Carrego sempre comigo meu precioso e estimado tripé (assim não preciso incomodar ninguém pedindo para me fotografar e faço as fotos como bem entendo, sem depender da habilidade de outrem)! Sim, recomendo efusivamente um tripé para todo viajante solitário.

Vejo a foto como algo sagrado, que deixa registrado para sempre um momento, uma situação, congelando no tempo um acontecimento. Daí que já houve época que me ofendi um pouco com a banalização da fotografia… Hoje, porém, mudei minha perspectiva. “Cidadãos do mundo, fotografai-vos uns aos outros!” Com isso, talvez se consiga mais derrubar barreiras e aproximar os homens, diminuindo-se as diferenças e fazendo com que se perceba que, no final das contas, temos mais pontos em comum que divergências e que fazemos parte de uma mesma humanidade (humanidade esta que adora fotografar).

Nos últimos quarenta anos, portanto, sempre tive um caso de amor com a fotografia. Da minha primeira foto no colo de papai, ao selfie que fiz hoje com o João (meu filho), são quatro décadas dos dois lados dessa caixinha mágica que capta uma parte de nossa existência! Ainda arranjarei um tempo para montar meu próprio estúdio e para me especializar nesse hobby. Enquanto essa hora não chega, sigo com minhas câmeras bem simples (se cair, quebrar ou roubarem, não terei grandes prejuízos), sempre duas, além da do celular, clicando sistematicamente e registrando, para a posteridade, esta modesta e fascinante vida…

Duas fotos hoje para este 35º dia antes de meu aniversário: a minha primeira fotografia, com alguns dias de vida, junto com meu pai; e a mais recente, um selfie bem espontâneo com meu pequeno João (disfarçados de portugueses, claro!). Um Joanisval e dois João, o João pai e o João filho…

PS: A foto com meu pai está um pouco danificada porque, quando criança, minha irmã Joanicy (papai também não perdoou minhas irmãs com sua implacável criatividade para dar nome aos filhos, hehehe!), com raiva e inveja de minha beleza desde a mais tenra infância, antecipando-se aos talibãs que destruíram imagens sagradas, tentou riscá-la com caneta…

Pai eu e o Joao

5. A Importância e o Significado do Nome (02/11/2014)

No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus.
João 1:01

Não existe nada mais indicador da individualidade do ser humano que seu nome. Graças ao nome, a pessoa deixa de ser um “não ser” e passa à condição de “alguém” (ok, estou filosofando, e nunca fui bom nisso). Nosso nome não define só quem nós somos, mas como somos percebidos e nos fazemos perceber em uma comunidade.

O nome também é revelador, muitas vezes, de ideias defendidas pelos pais, de pessoas por eles admiradas ou mesmo de momentos ou lugares importantes para os genitores. Napoleão, César, Pedro, Apolinário, Cícero, Alexandre, Victoria, Catarina, Maria de Jesus, Brasília… O problema é quando a criança acaba sendo vítima do devaneio dos pais… Quem nunca procurou na internet uma relação de nomes esquisitos? (Se você nunca fez isso, tenho certeza de que está fazendo agora! – Peraí! Termine de ler meu texto!).

Nomes estranhos pululam nos cartórios, registros do INSS e cadastros bancários aqui em Pindorama. Lembro, por exemplo, do ex-Diretor-Geral da Polícia Civil de Goiás, já falecido, o Dr. Hitler Mussolini (sim, existiu, e, mesmo sem conhecê-lo, tenho certeza de que não deveria ser muito agradável vê-lo com raiva). Mas há, também, o Amado Amoroso, o Antônio Manso Pacífico de Oliveira Sossegado, o Arquiteclínio Petrocoquínio de Andrade, o Brasil Washington C. A. Júnior, o Chevrolet da Silva Ford, o Disney Chaplin Milhomem de Souza, a Izabel Rainha de Portugal, a Magnésia Bisurada do Patrocínio, a Maria Felicidade, o Último Vaqueiro, e, naturalmente, a Madeinusa (que certamente não foi feita nos Estados Unidos), o Bráulio Pinto Grande, e a senhora Ava Gina (em homenagem a Ava Gardner e Gina Lolobrigida) – todos nomes reais. Os pais têm a ideia que parece brilhante e sobra à pobre criatura carregar pelo resto da vida a escolha inglória.

Não conheço povo mais criativo para botar nome em filho que o brasileiro. Escolha usual costuma ser o de alguma personalidade estrangeira (claro que, muitas vezes, transcrito para nosso vernáculo com primor que deixaria os imortais da Academia Brasileira de Letras abismados): Maicon Jakisson, Uóshiton Rusevelte e Valdisney (em homenagem ao astro pop, aos presidentes dos EUA, e ao criador do Mickey, respectivamente)… Entre os casos que podem ser encontrados nos cadastros diversos deste Brasil estão: Anjo Gabriel Rodrigues Santos, Charles Chaplin Ribeiro, Elvis Presley da Silva, Hericlapiton (sim, isso que você leu) da Silva, Ludwig van Beethoven Silva, Marili Monrói (esse é horrível), Marlon Brando Benedito da Silva, Sherlock Holmes da Silva, Bill Clinton de Souza… Estou absolutamente seguro de que o funcionário do cartório era um gaiato…

Lá no meu Nordeste, é comum também se juntar o nome do pai com o da mãe, com consequências, geralmente, fatais: Valdirene, Marivaldo, Marcélio, Vanderly, Josecleide, Ivanildes, Marivan, Marinelson… todo mundo conhece um desses… E essa é sempre uma pergunta que me é feita sobre o nome que carrego! Primeira informação mais que relevante: Joanisval não é junção de nome do meu pai com o da minha mãe!!!

Há, ainda, os que foram na onda dos movimentos “nova era” e botaram nomes esotéricos (sei…) nos rebentos. Veio-me à mente a prole de Pepeu Gomes e Baby Consuelo (ou Bernadete Dinorah de Carvalho Cidade, que mudou seu nome artístico para Baby do Brasil): Riroca (que viria a trocar seu nome para Sarah Sheeva – ajudou muito! Mas temos de convir que Riroca sofreu muito no colégio), Zabelê, Nana Shara, Pedro Baby, Krishna Baby, e Kriptus Baby. Preciso dizer mais alguma coisa?

Com os avanços da medicina, hoje já se sabe muito cedo o sexo do bebê. Isso é bom, pois dá tempo aos pais para meditar e fazer uma escolha refletida e razoável (nem sempre). Há, porém, os tradicionalistas, que preferem esperar a criança nascer para olhar para ela e lhe dar o nome. O problema é quando demoram a escolher. Tenho um amigo muito querido que passou nove dias para decidir que nome daria a seu terceiro filho… nove dias depois que o menino nasceu! E a questão só foi resolvida quando a esposa dele decidiu ir ao tabelião e, unilateralmente, registrar o menino. Quando fiquei sabendo da história, não consegui deixar de pensar no romance magistral de Graciliano Ramos, “Vidas Secas”, no qual só tinham nome o personagem principal da obra (Fabiano), e sua cachorra (Baleia). No sentido contrário, há aqueles que querem escolher logo o nome do pequeno(a), antes mesmo de saber o sexo! (“Ah, esse negócio de sexo ele resolve quando crescer!” – dizia um amigo comediante). Como fazer? Os portugueses têm uma boa solução para o problema: “Dá-lhe o nome de João Maria, ou Maria João! Resolvido, ora pois!” Claro que, no Brasil, se não souber o sexo da criança, pode-se recorrer a um nome neutro, indígena geralmente: Guaraci, Iraci, Jaci, Juraci… todos nomes que nos levam ao desespero ao fazer uma primeira ligação telefônica para essas pessoas!

Muito bem! Poderia passar horas divagando sobre o tema. Tenham certeza de que já fiz isso – e sem qualquer ajuda de terapia! Mas vou poupá-los desse sofrimento. Vamos, então, à explicação para meu nome! Reitero que não se trata de junção dos nomes de meus pais.

Antes, porém, breve explicação sobre os motivos alegados por Seu Jacob (sim, porque Dona Conceição não teve culpa alguma, estava de resguardo em casa) para escolher chamar o filho de Joanisval (e quando termino de escrever, aparece a marquinha vermelha embaixo de meu nome – obrigado, Dicionário do Word)! Papai alega que, simplesmente, queria evitar “problema com homônimos” para o filho! Muito bem, pai! Evitou sim! Mas, em compensação, criou um trauma na criança ainda não resolvido: ninguém fala (tampouco escreve!) meu nome corretamente! Jonisval, Jonisvaldo, Joanisvaldo, Josivaldo (por que as pessoas insistem em acrescentar um “do” ao final de meu nome!?!?!?), Jonesval, Joanesval, ou, como diz a Dona Rosa que trabalha aqui comigo há alguns anos, “Seu Lourisval” – sim, em casa sou o “Seu Lourisval”… De toda maneira, justiça seja feita, problema com homônimos nunca tive…

Então, vocês devem estar se perguntando, de onde veio esse nome? Qual o seu significado? Respondo agora: quando indagado por pessoas com quem não tenho grande intimidade, digo que meu nome vem do sânscrito antigo e significa “aquele que foi iluminado pelos gloriosos raios do Sol ao nascer”… se fizer cara de sério, geralmente cola…

Mas vamos à verdade (que rufem os tambores!), muito mais simples (como toda verdade) do que os mais imaginativos poderiam conceber! Meu pai, em sua sábia simplicidade sertaneja, vê os filhos como seres que são “derivados” seus! Sim, sou uma derivação de meu pai (o que não deixa de ter lógica). Daí, como seu primeiro nome é João, resolveu “derivar” de João o Joanisval!!!! Não disse que era simples!?! Cai o véu deste mistério! (Claro que esta é a explicação exotérica… sobre a esotérica não tratarei aqui).

Nunca vi seu João Jacob com um copo de cerveja na mão. Nunca o vi nem perto de um estado mais etílico. Entretanto, tenho muita convicção de que meu pai resolveu tomar umazinha para celebrar o meu nascimento… e aí me registrou com esse nome! Brincadeira. Hoje vejo que meu nome é como uma marca, e graças a ele sou facilmente identificável e conhecido. Obrigado por isso, papai! Mesmo!

E, para provar que não tenho ressentimentos, e que, apesar do nome, era um bebê bonitinho, publico uma de minhas primeiras fotos, sorridente como sempre, e outra no colo de Seu Jacob, o autor da façanha de me dar este nome! E faço tudo isso no 36º dia que antecede meu aniversário de 40 anos!

Nome

4. A história deles (01/11/2014)

Honra teu pai e tua mãe, a fim de que tenhas vida longa na terra que o Senhor, o teu Deus, te dá.
Êxodo, 20:12

Para as crônicas de meus 40 anos, neste 37º dia que antecede o aniversário, contarei a história da união que culminou em meu nascimento.

É interessante como a Providência faz com que pessoas que estão em diferentes pontos do mundo se encontrem e comecem a se relacionar. Afinal, somos mais de 7 bilhões de almas espalhadas pelos cerca de 70 milhões de km2 de terras emersas no planeta! E, em meio a tanta gente e tanta área, duas pessoas têm seus caminhos cruzados e passam a caminhar, juntas, em uma única jornada.

Casamento_Pai_e_MaeComo rosacruz, já dediquei muito de minhas reflexões exatamente aos vínculos que o “destino” estabelece entre as pessoas. E, pensando sob uma perspectiva mística, ciente de que o acaso não existe, tento compreender qual a importância de cada ser humano que passa por minha vida (do seu Maurílio, que com tanto esmero cuida da limpeza lá no escritório, aos seres mui preciosos que optaram por encarnar em minha família).

Todo aquele que conosco se encontra não o faz por acaso, estando lá para participar de nosso processo evolutivo e nós do dele. Portanto, cada pessoa é importante, e aquilo que fazemos um com o outro, o modo como nos tratamos, as experiências que compartilhamos, e as lembranças que deixamos, reverberam por todo o universo, ao longo das eras, de modo que, nesta ou em outra encarnação, acabamos por nos reencontrar. A roda gira, a caravana passa, e a evolução acontece… É assim que entendo a vida. Nesse sentido, a minha vida começou graças, em última instância, a Juscelino Kubistchek, que tornou o sonho de Dom Bosco realidade em 1960, e inaugurou a amada Brasília, para onde confluiriam milhares de brasileiros, inclusive meus pais. Só estou aqui hoje porque Brasília foi sonhada, construída e inaugurada. Obrigado, JK!

Pois bem! Voltemos à história deles! No início dos anos 1970, Seu Jacob vivia em Brasília. O cearense que havia nascido durante uma das maiores secas do século, crescido em família humilde na caatinga, começado a trabalhar aos 7 (isso mesmo, sete) anos de idade, tocando gado no interior, saído sozinho da casa de seu pai para tentar a vida no Rio de Janeiro, onde, aos 25 anos, começara a aprender as primeiras letras, depois de quase vinte anos vivendo na Cidade Maravilhosa, resolveu largar tudo (não que tivesse muita coisa) e se mudar para a Nova Capital, terra de sonhos, em que construiria sua nova vida.

Dona Conceição, por sua vez, professora formada no Colégio São José de Caxias, MA, tocava a vida em sua cidade natal como diretora de escola, sem imaginar que sairia da casa de seus pais para terras distantes. Casamento não estava entre as prioridades. O que Ceiça gostava mesmo era de viajar: destinava parte de seu salário para “tours” pelo Brasil. Em um desses passeios, veio para Brasília (“neste País lugar melhor não há!”).

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E foi casualmente, passeando com uma tia pela nova capital da república, que Conceição conheceu Jacob, um amigo de sua zelosa acompanhante. Olhares foram trocados, algumas palavras ditas, fez ele alguns gracejos prontamente correspondidos. Em outro momento, papai, que de bobo não tinha nada, perguntou à tia de mamãe: “Sinal verde ou vermelho?”. Pronto, resposta positiva lhe fora dada e já se encontrava em plenas condições para desencadear a corte.

Conversa vai, conversa vem, começaram a trocar cartas e flertes (ao melhor estilo dos romances de outras épocas). Passados alguns meses, ele a pede em casamento e se prontifica a ir a Caxias para se apresentar à família e buscá-la para viver consigo. Mamãe aceita, dando prosseguimento à história de união dessas duas almas.

Já disse que uma das palavras que definem meu pai é obstinação. Obstinadamente, Seu Jacob se deslocou de Brasília para Caxias do Maranhão, para se casar com Dona Conceição. Na Toca do Lobo (a casa de meu avô materno), o cearense de cabeça chata conquistou, com seu jeito simpático, honesto e obstinado, os futuros sogros e toda a família. E foi assim que, em julho de 1973, na Igreja Matriz de Nossa Senhora da Conceição e São José (a mesma em que eu seria batizado e faria minha primeira comunhão), meus pais se casaram. A cerimônia reuniu muita gente e foi celebrada por meu tio, Padre Vicente (que também me batizaria e me daria a primeira comunhão), irmão mais velho de mamãe. Selava-se a união que permaneceria até nossos dias, por mais de quatro décadas. E, cerca de dezoito meses depois, chegaria eu a este plano, em mais uma encarnação para aprender e evoluir.

Resumidamente, essa é a história do início de minha família. Publico hoje algumas fotos de mamãe e papai na juventude (ela em sua formatura como professora, ele discursando em algum evento no Rio de Janeiro dos anos sessenta – esse gosto por falar em público e participar da vida da polis herdei de papai). Também coloquei algumas imagens do casamento deles, dentre as quais uma feita a pedido de meu pai, com toda a família de mamãe (a única que tenho de vovô e vovó juntos).

A pesquisa sobre minhas origens segue com algumas fotos antigas que publicarei nos próximos dias.

Amanhã falarei de minha primeira foto e, como é domingo, vou revelar o significado de meu nome! Abraço a todos!

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3. Mamãe e a herança maranhense (31/10/2014)

Deus não pode estar em todos os lugares e por isso fez as mães.
Ditado Judaico

Hoje, faltando 38 dias para minha celebração natalícia, contarei um pouco da história da mulher que me botou no mundo: Dona Conceição. Aqueles que conhecem mamãe logo identificam que herdei dela o bom humor, a maneira tranquila de encarar os problemas e, no campo profissional, a paixão pela docência. Sim! Mamãe sempre foi meu exemplo de professor.

Dona Conceição nasceu na cidade de Caxias do Maranhão, lugar que deu o título ao Duque, e terra do grande poeta Gonçalves Dias (o da terra com palmeiras onde canta o sabiá)! É a sétima de uma família de oito filhos (seis homens e duas mulheres), tendo durante muito tempo mantido a hegemonia de caçula até a chegada de meu tio Orlando. Vovô, funcionário dos correios, e vovó, dona de casa, conheci pouco, mas deles guardo ótimas lembranças (falarei de meus avós em publicação futura).

A família de mamãe era humilde, mas dos oito filhos saíram um padre, um médico e um juiz, além de um diretor dos correios em Caxias, uma funcionária daquela instituição, um diretor do banco do Brasil, e um professor. E minha mãezinha foi normalista e seguiu carreira como professora e diretora de escola em sua cidade natal, e depois professora da antiga Fundação Educacional em Brasília. Também dava duro em sala de aula de manhã e à tarde e ia à noite para faculdade. Essa é uma lembrança muito viva: papai e mamãe indo juntos para a faculdade, pegando ônibus de Sobradinho para estudar no Plano Piloto e voltando tarde, meia-noite (quando os filhos já dormiam, o que fazia com que visse meus pais às vezes só mesmo no fim-de-semana). Acho que a perseverança e a obstinação ficaram gravados na memória e no coração daquele garotinho e forjariam o homem que sou hoje…

Outra lembrança de mamãe é sempre o sorriso. De um rosto todo o tempo alegre a gargalhadas gostosas, Dona Conceição costuma encarar as adversidades com bom humor. E, a meu ver, mostrou-se guerreira ao deixar a casa de meus avós no interior do Maranhão para vir construir a vida com o marido aqui na Brasília do início dos anos setenta! Certamente foi difícil, mas ela também venceu.

Na condição de professor, acabo replicando a maneira de mamãe de lecionar. Fui seu aluno no ginásio e com ela percebi o quanto pode ser divertida e gratificante a sala de aula. Sim, porque não se leciona pelo salário (infelizmente, este país ainda não reconhece a mais importante das profissões, junto com a de agricultor e de empregada doméstica – e não estou brincando). A docência, ao menos como aprendi com mamãe, relaciona-se a um desejo intenso de aprender (porque são nossos alunos que mais nos ensinam) e de contribuir para a formação de outras pessoas! E essa alegria de ver um conhecimento transmitido bem assimilado não tem preço!

Ah! Também herdei de Dona Conceição a paixão por viajar e rodar o mundo. Gosto demais de viajar… mas minha mãe tem o bicho carpinteiro! Está sempre juntando suas economias para passear pelo Brasil e, de uns tempos para cá, pelo globo! Gosta de viagens com o pessoal da Igreja e vai para lugares de peregrinação católica (de Aparecida de Goiás ao Santuário de Lourdes, na França!). Divertido ouvir as aventuras de mamãe em seus giros pelo planeta!

Os rosacruzes sabem que nada acontece por acaso. Apenas a título de curiosidade, nasci no dia de Nossa Senhora da Conceição, sendo filho de uma Conceição de Maria! Detalhe: fui batizado e fiz minha primeira comunhão na Igreja Matriz de Caxias, a Igreja de Nossa Senhora da “Conceição”, onde meus pais se casaram! Talvez daí venha minha devoção a Nossa Senhora. Haja Conceição de Maria em minha vida!

A propósito, como ainda não tive tempo de encontrar fotos da infância, publico hoje algumas de Caxias, cidade de onde trago boas recordações das férias da infância. Além da Igreja Matriz (datada de 1735), onde fui batizado e fiz minha primeira comunhão, há imagens do Morro do Alecrim, lugar da Balaiada, e do busto do Duque, na praça onde restam canhões e ruínas do conflito. Minha infância não seria a mesma sem Caxias, que também mora no meu coração!

Caxias

2. Meu pai: um exemplo (30/10/2014)

Viva de forma que, quando os seus filhos pensarem em justiça, carinho, e integridade, pensem em você.
Harriett Jackson Brown Jr.

 

Faltam 39 dias para meu aniversário… e sigo com mais uma publicação na contagem regressiva.

Claro que não colocarei uma foto minha aqui a cada dia, tanto porque não sou tão narcisista assim, quanto porque não tenho imagens de todos os anos de minha existência (afinal, naqueles tempos, o daguerreótipo era apenas uma novidade, e as pessoas não tiravam fotos como hoje, quando até o prato de arroz com feijão e ovo no restaurante por quilo vira estrela no Facebook).

Hoje falarei um pouco de Seu Jacob, aquele que me deu este nome estranho… Papai, nascido no Ceará durante a grande seca de 1932, é um sujeito admirável. Contarei um pouco de sua história por aqui. Com 19 anos, pobre e analfabeto, foi de ita do Ceará para o Rio de Janeiro, para fazer a vida. Na capital do Brasil daquele início de anos 1950, meu pai deu muito duro: fez quase tudo que de lícito pode ser feito, trabalhando para se sustentar, algumas vezes passando fome, e sobrevivendo outras tantas com um café pago por amigos… Morava no morro, conhecia gente boa e gente ruim, e, como a maior parte das pessoas que vivem no morro, trabalhava de sol a sol e nunca se envolveu com a criminalidade.

Obstinado que era, meu pai exerceu as mais diferentes profissões (faxineiro, porteiro, funcionário de loja de departamentos, e outras que um retirante encontra no Sul Maravilha). Começou também a estudar, a aprender as primeiras letras e a galgar cada degrau da escada da vida, com muito esforço e dedicação. E o migrante analfabeto concluiria o primário (sempre trabalhando de dia e estudando à noite), o ginasial, o profissionalizante como auxiliar de enfermagem, até chegar à faculdade, já aqui em Brasília. Para orgulho deste que escreve, meu pai foi o primeiro de sua família a concluir um curso superior, de fato dois, Administração e Direito.

Em 1969, ao passar em um concurso público para o quadro geral do Poder Executivo, veio para Brasília. Aqui continuou sua história e seu sonho, ganhando pouco, mas gastando com responsabilidade, juntando dinheiro para comprar sua casinha e conseguir uma vida melhor. Foi quando, em 1971 ou 1972, conheceu minha mãe, que vinha a passeio pela capital do Brasil! A história dos dois contarei mais adiante. Depois de algum tempo de namoro, casaram-se e, cerca de dezoito meses depois, chegava eu ao mundo naquele dia de domingo!

Meu pai foi, é, e será, sempre, um grande exemplo para mim. Palavras que definem papai são: esforço, obstinação, perseverança, coragem, trabalho, estudo, honestidade. Sua história é linda e gostaria de compartilhar um pouco dela com meus amigos nestes dias que antecedem meu aniversário de 40 anos.

Em tempo: quem escolheu meu nome foi meu pai (mamãe estava de resguardo em casa, não teve culpa). Em um próximo capítulo da Saga Joanisvaliana, narrarei de onde veio essa ideia.

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