Si vis pacem, para bellum.
Brocado latino
Hoje é 11/11/2014, e faltam 27 dias para meus 40 anos! Por mais estranho que possa parecer, o dia 11/11 é uma data sempre muito importante para mim… Afinal, foi na 11ª hora, do 11º dia, do 11º mês do ano de 1918, que chegou ao fim a I Guerra Mundial, a Grande Guerra.
Você deve estar se perguntando qual a razão dessa data ter algum significado para mim. De fato, ela nem é conhecida, tampouco lembrada, por 99,99% dos brasileiros! Por que alguém que nasceu e cresceu no Brasil, país sem tradição republicana de envolvimento em conflitos armados, se interessaria por polemologia (do grego, polémikus, conflito – o estudo dos conflitos)? O que tenho eu a ver com isso? Sinceramente, não sei… a única coisa que sei é que a guerra sempre me fascinou e o interesse pelos conflitos armados esteve junto de mim desde muito cedo…
Não tenho qualquer parente militar… De fato, talvez o parente mais próximo meu que tenha chegado perto da caserna deve ter sido algum primo que fez tiro de guerra no interior do Maranhão. Meu pai nunca teve qualquer interesse em assuntos militares, guerra ou história dos grandes confrontos bélicos. Nem filmes de guerra papai costumava ver. Durante toda a infância e juventude, estive inserido em instituições civis, jamais cursei escola militar e fui dispensado do serviço militar obrigatório por excesso de contingente. Apesar disso tudo, é inerente a minha pessoa essa fixação pelos grandes conflitos.
Interessante que, na tenra infância, já lembro de brincar com meus soldados de plástico. Ah! Como gostava dos meus soldadinhos de uma única cor! Alemães azuis, japoneses amarelos, americanos verdes. Tinha também os soldados do Velho Oeste, com alguns de branco (que logo associava aos confederados se quisesse brincar de Guerra de Secessão), os azuis (da 7ª Cavalaria), e os vermelhos (índios que, normalmente, estavam em maior número e levavam a melhor). E tardes inteiras se passavam em batalhas constantes!
Geralmente, brincava só comigo mesmo… Meus pais não me permitiam brincar na rua com os outros meninos (não os culpo nem tenho qualquer queixa por isso!). Sobrava-me, então, divertir-me sozinho, brincando de guerra com meus soldados. E como gostava de comandar os exércitos! Sob meu comando, exércitos em lados distintos se digladiavam nas minhas brincadeiras infantis! E de nada mais precisava para ser feliz!
Qualquer brinquedo que ganhava, virava logo uma peça militar para as campanhas da infância… Se me davam um carrinho, obviamente ele se transformava em uma viatura. Minha madrinha costurava saquinhos de arroz, que eu usava como barricada para proteger minhas tropas. Era um aviãozinho que ganhei de aniversário? Não, uma aeronave de combate.
A falta de recursos financeiros e a criatividade faziam com que sucata e papelão fossem reciclados em brinquedos (nada comparado aos ossinhos de boi e os gravetos que papai usava como brinquedo em sua paupérrima e curtíssima infância – lembro que meu pai começou, de fato, a trabalhar com 5, isso, cinco anos de idade, ajudando na lavoura). Caixas de papelão viravam edifícios e casas, onde se escondiam soldados para trocar tiros com o inimigo. Barquinhos de papel só tinham razão de ser se fossem buques de guerra, com canhões de palito de fósforo, inclusive. E até potinhos de iogurte colados transformavam-se em “robôs-soldados” quando a brincadeira envolvia a guerra do futuro.
Na minha infância, qualquer aviãozinho de papel virava uma aeronave de combate. E, com 7, 8 anos, já fazia esquadrilhas de cores e tamanhos distintos e, inconscientemente, reproduzia formações que depois viria a descobrir que existiram realmente durante as guerras mundiais: pequenos caças escoltando bombardeios. Não me pergunte de onde tirava essas ideias!
Nas poucas vezes em que estava com outras crianças, as brincadeiras descambavam para reprodução de batalhas. Uma casa em construção, por exemplo, era cenário perfeito para formarmos dois “times” e fantasiarmos um combate à la Stalingrado. Futebol, bola de gude ou pipa? Não tinha paciência para isso não…
Sempre me fascinaram os filmes e séries de guerra (posso assegurar, com relativa tranquilidade, que já vi a maioria produzida no Ocidente). Livros de história militar logo começaram a ocupar minhas estantes – conhecimento esse que, com imenso prazer, adquiria sobre as guerras da História, com ênfase nos dois grandes conflitos do século XX e na Guerra Civil americana.
De armamentos entendo pouco. O que me fascinava mesmo era a estratégia, a maneira como os generais dispunham suas tropas, as grandes batalhas e, sobretudo, os efeitos da guerra sobre as pessoas… Sim, porque é na guerra que a condição humana chega aos extremos da perversidade e da benevolência, do egoísmo e da generosidade, do desprezo pelo outro e do sacrifício mais nobre, da traição e da mais canina fidelidade. Na guerra, as pessoas se revelam, e se transformam. E, qualquer um que tenha o infortúnio de viver a guerra, nunca mais será o mesmo! Minha fascinação pela guerra talvez repouse no fato de que ela parece ser uma condição essencial da natureza humana, e algo sempre presente desde que os primeiros homens caminharam sobre a terra!
Sempre fui um menino completamente aficionado pela guerra. Os cínicos ou os mais críticos dirão que é certamente porque não a vivi na pele. Para estes, sempre lembro de Sir John Keegan, provavelmente o maior historiador militar do século XX, falecido em 2012 aos 78 anos, que, em um de seus livros sobre a guerra, queixava-se de pertencer a uma geração que não mais convivia com o fenômeno que tanto o fascinava.
Haverá outros que se ofenderão com esse meu interesse na guerra. Mas o que posso fazer? Estou relatando o que sei e como me sinto! Não tenho culpa se é mais comum aqui no Brasil se interessar por futebol, ou por novela, ou pela vida dos outros. Eu, honrosa exceção, sempre fui fascinado pelo fenômeno da guerra! E isso é um aspecto importante dessas minhas primeiras quatro décadas encarnado neste plano!
Assim, aquele menino que brincava com soldadinhos de plástico cresceu, especializou-se em História Militar como hobby, coleciona (e assiste com frequência) filmes de guerra, tem prazer em ouvir marchas militares (mas não só elas, claro!), e está sempre a adquirir novos livros sobre os conflitos armados (muitos dos quais só espera ler na velhice – ou numa outra encarnação). Também se tornou especialista em Segurança Nacional e Defesa, trabalha com temas que envolvem diretamente as Forças Armadas, tem muitos amigos militares. E, quando viaja, o menino não visita estádios ou vai a teatros ou shopping centers (ou só a shopping centers). Quando viaja, o menino que cresceu busca encontrar e conversar com pessoas que viveram guerras, conhecer museus militares, campos de batalha e cemitérios onde repousam combatentes, para que possa render homenagem àqueles que sacrificaram o que tinham de mais precioso por uma causa, àqueles para os quais o tempo parou, àqueles que conservarão a eterna juventude, àqueles que sempre serão lembrados.
Para as crônicas de meus 40 anos, tinha que registrar essa característica que me é peculiar: o interesse pela guerra, desde pequenino, e sem qualquer justificativa ambiental, familiar, ou mesmo racional. Certamente os místicos têm explicação para isso. Mas essa é outra história…


Faltam 29 dias para meu aniversário!!! Na sequência das crônicas de meus quarenta anos, o texto de hoje é dedicado a meus avós.
Faltam 30 dias! E hoje gostaria de compartilhar com os amigos o que deve ter sido meu primeiro ensaio fotográfico, do qual selecionei quatro fotos que revelam o formalismo com que sempre gostei de me vestir! (Claro que quem me vestiu para o ensaio foi minha querida mãezinha, pois à época eu mesmo só me preocupava com a mamadeira seguinte ou com as contribuições filosóficas que deixava em minhas fraldas – e, de fato, nem com isso!)
Aprecio gravatas (pouco importando o preço ou a marca, pois o que vale é a estampa), pois acho que dão uma composição elegante à indumentária masculina. Afinal, a origem das gravatas está nos antigos regimentos para identificar a vinculação do militar e no pano que os soldados colocavam em volta do pescoço).
Direto da capital capixaba, neste 31° dia que antecede meu aniversário, aproveito para escrever algumas palavras sobre um vício que me persegue desde sempre: chocolate!

Sempre fui uma criança sorridente (dizem). Lembrem que sou o filho da senhora que teve o bebê sorrindo (vide capítulo anterior)!!!

Tá bom! Não sou “completamente avesso” a práticas desportivas. Gosto de caminhar (correr não) e de nadar (preciso voltar a fazer isso). Também já pratiquei tiro (ué, é esporte sim!) e, o esporte que realmente aprecio, esgrima (dedicarei a ela uma das crônicas de meus 40 anos)! Esgrima me fascina e já ensaio há algum tempo voltar à pista. Quem sabe depois dos 40!

Como rosacruz, já dediquei muito de minhas reflexões exatamente aos vínculos que o “destino” estabelece entre as pessoas. E, pensando sob uma perspectiva mística, ciente de que o acaso não existe, tento compreender qual a importância de cada ser humano que passa por minha vida (do seu Maurílio, que com tanto esmero cuida da limpeza lá no escritório, aos seres mui preciosos que optaram por encarnar em minha família).







