Brasil puxa alta de gasto militar na América do Sul: HAHAHAHAHAHA!

Recebi de um amigo que é adido em um país vizinho. De acordo, com a matéria, a impressão que se tem  é de que o Brasil é uma grande potência militar. Não é.

Nosso orçamento de Defesa é ridículo, pífio. Na conta que nos coloca com o 11 país em gastos militares, são consideradas as despesas com salários e pensões, que correspondem a 70% do montante. Depois das de custeio, o que sobra para investimento é praticamente nada.

A Estratégia Nacional de Defesa é muito boa como peça propagandística ou obra de reflexão acadêmica. Só que não sai do papel. E, apesar de sermos a maior força terrestre da América do Sul (poderia ser diferente?), o pessoal do EB  faz milagre para cumprir sua missão com o dinheiro que recebe em cada OM. A Aeronáutica perde espaço para outros países, uma vez que nossos equipamentos estão obsoletos e a cada dia o pessoal da FAB se vê obrigado a canibalizar mais aeronaves. Logo não teremos superioridade aérea no continente. No caso da Marinha, o Comandante da Força já disse publicamente que, se nada for  feito, em breve não teremos mais navios em condições de operar.

Surpreende o artigo ao dizer que os gastos do Brasil teriam por objetivo “projetar poder” na América do Sul ou para além dela! Estou rindo até agora!!! Mal temos condições  de nos defender – dependendo da ameaça, o jeito é sentar e chorar! – quanto mais projetar poder! Só se for vendendo novela e ganhando prêmio de música…

Mais não vou me alongar nessa ladainha… Resumindo, falta investimento em Defesa, isso sim. Não consigo vislumbrar potência política ou econômica sem um aparato militar para lhe dar garantia. Nesse sentido, o Brasil se mostra um gigante de pés de barro…

Ainda bem que estamos na América do Sul, longe de tudo, longe de todos. Por enquanto… Continuar lendo

Saída honrosa para Kadafi?

Na segunda-feira, 11 de abril, ocorreu uma audiência pública muito interessante na Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional do Senado. Dando início a um ciclo de debates sobre temas da agenda internacional, especialistas vieram ao Parlamento para falar do Egito, da Líbia e do Levante em geral.

Dentre as diversas contribuições trazidas pelos expositores, uma em particular me deixou intrigado. Foi assinalada a possibilidade de que os conflitos na Líbia acabassem pela divisão definitiva do país em dois novos Estados, respeitando a antiga divisão regional em Tripolitânia e Cirenaica. Assim, Kadafi continuaria no poder em Trípoli, controlando a área da antiga Tripolitânia, enquanto os rebeldes estabeleceriam um governo cuja capital seria Bengazi. Estaria aí a saída honrosa esperada por Kadafi, que cederia um braço para não perder o corpo todo?

Sinceramente, não acredito muito nessa possibilidade. A permanência de Kadafi no poder vai de encontro a grandes interesses em algumas capitais do Ocidente. Além disso, não me parece que o Cauby de Trípoli cederia de bom grado parte importante de “seu” país, primeiramente, porque teria dificuldade de manter-se frente a protestos da população do que sobrasse da Líbia e, ademais, lembro que as principais reservas de petróleo estariam no lado rebelde.

Portanto, tudo leva a crer que ainda não se chegou a uma saída honrosa para o conflito na Líbia. Tenho minhas dúvidas se alcançarão alguma.

Enquanto isso, no Egito, tudo continua como antes no quartel de Abrantes…


Homenagem a Yuri Gagarin

Foi há exatos cinqüenta anos. Em meio à disputa entre as Superpotências pela hegemonia global, os soviéticos marcaram ponto importante na corrida espacial (que apenas engatinhava): lançaram o primeiro homem ao espaço!

O rosto que se tornou mundialmente conhecido foi o do jovem cosmonauta (como chamavam os russos) Yuri Gagarin, um pequeno grande homem (tinha apenas 1,57m de altura) que, aos 27 anos, entraria definitivamente para a história da humanidade ao orbitar por 108 minutos a terra dentro da cápsula Vostok 1. E aquele garoto simples e sorridente virou o primeiro ídolo pop da sisuda União Soviética. A propaganda da disputa bipolar se encarregou de transformá-lo em  herói e símbolo do êxito soviético!

Gagarin passou a rodar o mundo (se permitem o trocadilho), só que agora divulgando o grande feito do programa espacial soviético e de como o “Estado proletário” se mostrava também como potência tecnológica. Chegou mesmo a vir ao Brasil, onde foi recebido pelo Presidente Jânio Quadros, que o condecorou com a Ordem do Cruzeiro do Sul.

Mas a fama subiu-lhe à cabeça (poder-se-ia esperar algo diferente em um país em que a individualidade jamais poderia sobrepor-se ao espírito coletivo? – imagine como não ficou a cabeça daquele homem de hábitos simples!). Gagarin perdeu-se na bebida; acabou seu casamento. Tornou-se deputado e depois voltou à Cidade das Estrelas para se tornar piloto de caça.

Exatamente em um treino em um MiG-15 que o primeiro homem no espaço perdeu a vida, em um acidente até hoje mal explicado. Tinha apenas 34 anos. Morria o homem, nascia o mito.

Na celebração dessas cinco décadas desde o vôo de Gagarin, minha homenagem àqueles que participaram da corrida espacial, em especial dos que deram a vida tentando alcançar as estrelas, fossem cosmonautas ou astronautas.

Gagarin virou um símbolo. Ele próprio tornou-se um astro. E sua memória conduz à lembrança de um tempo romântico, em que o mundo estava divido pela disputa entre União Soviética e Estados Unidos por corações e mentes, e em que as relações internacionais eram mais simples e charmosas, e que “a Terra era azzul”. Bons tempos que não voltam mais…