A águia observa

Os EUA estão fazendo seu papel, instando a Moscou a retirar os soldados russos disfarçados de soldados russos da Crimeia e a buscar uma solução pacífica para a crise da Ucrânia. Poderia ser diferente? A alternativa é uma confrontação com o Urso, que não é a Líbia, a Síria ou mesmo o Iraque. De fato, a Rússia é a Rússia e, para os incautos, é governada por Vladimir Putin (gosto de Putin, Putin é KGB). Assim, Washington está em situação bastante delicada se considerar qualquer movimento mais incisivo… Não obstante, se não fizer nada, Obama passa a imagem de fraco e de incapaz de defender os interesses de aliados quando o adversário realmente importa.

Cedo demais para pensar em conflito? Naturalmente. Afinal, é a Administração Obama! São os democratas na Casa Branca (e pode ser com isso que o Kremlin esteja contanto e apostando suas fichas). Diante do quadro, não consigo deixar de lembrar que, se não estiver enganado (não fui conferir), nos últimos cem anos, das guerras em que os EUA participaram diretamente, ou acabaram envolvidos e tiveram que usar a força, à exceção das duas Guerras do Golfo, todas ocorreram em administrações democratas… Pois é…

Kerry, Hagel, Dempsey Testify on Use of Force in Syria

Crise da Ucrânia: EUA ameaçam Rússia

O secretário de Estado norte-americano John Kerry pediu a Rússia para retirar imediatamente suas tropas e a aceitar a intermediação internacional na Ucrânia. Continuar lendo

Tambores de guerra

soldier russian crimeaPrimeiro-ministro da Criméia solicita proteção a Moscou. Soldados russos disfarçados de soldados russos estão em território ucraniano e ocupam posições-chave. O Senado russo já autorizou Putin a uma ação militar na Ucrânia. Kiev decreta mobilização geral das Forças Armadas. Ocidentais esbravejam, criticam o Kremlin, instam Putin a conter-se, mas estão realmente preocupados em não atiçar tanto o Urso que se movimenta em seu território, buscando a presa em sua área de caça (ou, como diriam os internacionalistas, em sua zona de influência)….

ukranian troops

Não estou dizendo que haverá guerra. Afinal, em pleno século XXI, em território europeu e envolvendo grandes potências – inclusive potências nucleares -, um conflito assim poderia ser realmente de consequências extremamente desastrosas não só para europeus, russos ou estadunidenses… Não estou dizendo que haverá guerra, pois o que se vê agora são as peças dispostas em um grande tabuleiro, com jogadores/oponentes habilidosos, experientes e pragmáticos – como deve ser.

Não estou dizendo que haverá guerra. Essa não seria a saída racional da crise. Entretanto, a História ensina que em situações de significativa tensão – e a presente é uma delas – por mais racionalmente que se opere, podem acontecer variáveis inesperadas e eventos secundários, de menor importância no grande jogo, mas que funcionam como estopim para um conflito. Sim, há sempre os insignificantes acontecimentos que podem servir de estopins, de gatilhos para o pior. O deus da guerra é muito habilidoso nesses assuntos e vela por seus filhos…

bandeiras rasgadas ucrania russiaNão estou dizendo que haverá guerra. Porém, como já comentei aqui em Frumentarius, o clima está muito semelhante àquele das semanas que antecederam a invasão da Polônia pela Alemanha, em 1º de setembro de 1939: interesses de grandes potências em xeque, territórios ameaçados, um país menor no meio do jogo, feras mostrando os dentes, mobilização de tropas, trocas de advertências… E isso aconteceu há 75 anos… Ademais, com as coincidências que fazem do mundo um lugar fascinante, 2014 é o ano do centenário do início da I Guerra Mundial, a Grande Guerra – que começou, por sinal, com um evento secundário…

O clima no planeta está tenso. No Brasil, é Carnaval. Ziriguidum…

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Autoridades da Crimeia pedem a Putin que garanta a paz

Voz da Rússia, 01MAR2014 – http://portuguese.ruvr.ru/news/2014_03_01/autoridades-da-crimeia-pedem-a-putin-garantir-paz-7438/

Serguei Aksenov, primeiro-ministro da Crimeia, emitiu na manhã deste sábado uma declaração urgente. Ele apela ao presidente da Rússia, Vladimir Putin, pedindo assistência para assegurar a paz e a estabilidade no território da república autônoma. Continuar lendo

Bandido bom é bandido morto… não necessariamente

mulher tiro goianiaA cena chocante dos últimos dias (ao menos para mim, porque, pelo visto, a coisa está tão comum que ninguém mais se assusta) foi a do bandido facínora que atirou na cabeça de uma mãe, que estava já rendida e prostrada no chão, com o filho pequeno nas costas. Aconteceu em Goiânia, cidade de gente simpática e hospitaleira, e na casa da vítima, durante um assalto. Confesso, até envergonhado, que meu primeiro desejo é ver um delinquente como esse executado em praça pública, para servir de exemplo. Mas aí vem a consciência e joga a idéia de lado, e me vejo correndo o risco de cair na banalidade do mal e perder meu resquício de humanidade. Não, execução em praça pública, como nos tempos antigos, não é a melhor solução… Também não é a melhor solução tirar a vida daquele criminoso – por menos valiosa que seja, é uma vida, apesar do desprezo dele próprio pela vida dos outros…

prisaoNão acredito na pena de morte como solução dos problemas da violência. E não é por razões sociológicas, por achar que o bandido é uma vítima da sociedade e da falta de oportunidades. Nem me venham com esse discurso, pois, por causa dele, criminoso é tratado como herói, policial é tachado de bandido, a vítima (ora, a vítima!) é desprezada ou intitulada de “socialmente responsável” por ser vítima, e a criminalidade só cresce (pois esse crescimento até parece agradar a muitos que estudam o fenômeno de sua salinha luxuosa e e segura com ar condicionado). Nunca achei que bandido fosse vítima, e, como membro produtivo da sociedade pagante de meus impostos, não aceito que me chamem de responsável pelas escolhas ruins do criminoso.

prisao trabalhoNão acredito na pena de morte porque a acho improdutiva, inefetiva e ineficaz. Afinal, com ela, só se eliminaria um problema pontual (o criminoso morre e tudo acaba, simples assim! Negativo!), as vítimas permaneceriam sem assistência e a coisa mudaria muito pouco. Pena de morte é um luxo que não deve ser dado a bandido. Em vez de pena de morte, precisamos para o Brasil de um sistema penal eficiente, em que se tenha a certeza rápida e efetiva da punibilidade, com leis rígidas e sem as brechas processuais que fazem com que o criminoso cumpra muito pouco da pena (vejam o caso dos mensaleiros, que logo estarão livres!)… Fundamental, também, é que sejam revistas as penas… E aí entra a minha proposta: trabalho compulsório para os presos.

Um criminoso condenado deve trabalhar, e duro, durante os anos de sua condenação. Não pode ficar o dia inteiro preso, largado em uma cela, esquecido do mundo. Tem que suar durante uma jornada de dez ou doze horas diárias, batendo pedra, capinando, ou realizando qualquer outro ofício. Tem que pagar ao Estado pela estadia na prisão, e parte do fruto de seu trabalho, ainda que mínimo, deve reverter à vítima, individualmente ou para um programa de apoio às vítimas.

trabalho prisaoSendo obrigado a trabalhar, o criminoso preso se torna produtivo. O criminoso preso se torna produtivo para o Estado, para a sociedade e para si mesmo. E antes de delinquir, é fundamental que passe por sua cabeça a idéia de que pode realmente ser pego, processado, julgado e punido, e que vai ter que suar muito enquanto estiver encarcerado.

Não acho que bandido bom é bandido morto. Bandido bom é bandido preso, realmente preso, e trabalhando duro para expiar sua pena. Bandido bom é bandido preso e trabalhando duro.

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