Alguns são mais humanos que os outros

Parentes-pFinados. Enquanto muitos brasileiros velam e lembram de seus entes queridos que já deixaram este vale de lágrimas, fiquei pensando em um grupo vitimado pela violência de nossas ruas, mas que comumente é esquecido: as dezenas de policiais que todos os anos tombam no cumprimento do dever. E o que me levou a refletir sobre isso foi a cobertura feita pela imprensa (sobretudo a televisiva) da tentativa de resgate de criminosos no Fórum de Bangu (RJ) e que culminou, segundo alguns meios, “na morte de um garotinho de 8 anos, Kayo da Silva Costa… e de um policial militar”…

Certamente, a morte do garoto, ainda na doçura da infância, é algo para se lamentar e deixar a sociedade indignada. Revela a violência a que milhões de brasileiros são submetidos, a incapacidade do Estado de garantir a segurança, a banalização do crime e do mal, e a necessidade de mudança. Nesse sentido, não tenho mais paciência para o discurso “do criminoso como vítima das desigualdades”. Criminoso tem que ser tratado como criminoso, não como vítima! Acho que a grande maioria da população não aguenta mais essa conversa de intelectuais de classe média que tratam o problema da violência das ruas sob o prisma de “considerações sociológicas acerca da desigualdade histórica brasileira”.

Policial morto forum banguMais voltemos ao policial executado. Muito pouco se falou dele. Praticamente, nenhuma imagem divulgada, salvo aquela que circula em algumas redes sociais (nem sei se é realmente dele). Nada sobre o tempo na Polícia Militar, sobre sua família, seus sonhos e esperanças. Nada além daqueles chavões como “o pai disse que era um homem bom” ou “sua morte causou indignação entre os colegas”… Afinal, era apenas “mais um policial”. Aí é que está o problema!

Alexandre Rodrigues de Oliveira, 40 anos, sargento da PMRJ por 18 anos, segundo filho de três irmãos, casado, servia no Fórum há cerca de um ano. Para a surpresa de muita gente, era um cidadão e um trabalhador, como tantos milhões de brasileiros. Ah, sim! E era um ser humano. Policiais também são seres humanos!

Os brasileiros nos acostumamos tanto com a violência, e a morte de policiais se tornou algo tão corriqueiro (o que não deveria ser), que a notícia passa despercebida, aparecendo apenas como uma pequena nota na grande imprensa… Policiais mortos não rendem matéria, não mais! São baixas pouco sentidas! Isso é inaceitável!

pm2Sim, policiais também são seres humanos! Têm tanto direito à vida, à liberdade, à segurança e à dignidade quanto qualquer outro ser humano. No Brasil, porém, os formadores de opinião desprezam policiais… são, na opinião de muitos, “lacaios do aparato repressor do Estado, e que devem ser apenas tolerados como um mal necessário à garantia da ordem pública”. Quando são agredidos, ficam incapacitados ou morrem, há filhos que ficam sem pai, pais que perdem o filho, esposas que acabam sem marido,lares que são destroçados. Muita gente perde com a morte de um policial: familiares, amigos, colegas… Mas também a sociedade perde.

mulher-policial-2Quando um policial é morto, fica evidente o colapso do sistema de segurança pública. Afinal, é ele o agente do Estado legitimamente constituído para garantir a segurança de todos. Uma agressão a um policial é um atentado contra o Estado e a sociedade. Mas, infelizmente, não é assim que muitos formadores de opinião no Brasil o percebem! Comumente, mais digno de nota é o relato da morte de um criminoso, de um facínora assassino, de um traficante, de um crápula… E se for “injustamente executado” em uma troca de tiros com a polícia, o mundo desaba! Até passeata se faz em defesa dos direitos humanos desses canalhas! Claro que eles também têm direitos humanos a serem defendidos e preservados, disso não discordo (desde que sejam humanos, certo?!?). Porém, entre os direitos humanos dos criminosos e os das vítimas desses bandidos em geral, e os dos policiais que tombam combatendo o crime em particular, fico com os dois últimos grupos. Tudo mais é inversão de valores.

policia-civil-mulher-370x290O sargento Alexandre foi mais um entre tantos policiais que morrem diariamente vítimas da criminalidade no Brasil… centenas de homens e mulheres esquecidos… Isso não pode continuar assim. Algo precisa ser feito para que a morte de um agente da lei seja inaceitável e passível de severa punição. A sociedade brasileira não pode continuar encarando com naturalidade a execução de policiais. Os formadores de opinião não devem aclamar criminosos em detrimento de homens e mulheres da lei.

Ou repensamos nossos valores ou teremos um Brasil que se desagregará mais e mais, corrompido pela violência e degradado por um discurso que transforma o criminoso em vítima, a vítima em culpado, e o herói em estatística.FUNERAL DE PM

O espião que foi para o frio…

A matéria só contribui para minha convicção que o que houve, de fato, foi uma belíssima operação de recrutamento feita pelos russos (dentro da rica tradição dos serviços daquele país). Nesse sentido, ninguém me convence de que o senhor Snowden resolveu vazar toda essa quantidade de informações movido por razões nobres. Foi recrutado, cooptado para trabalhar para os russos. E não há nada de absurdo nisso. Faz parte do Jogo, assim como o fazem também as ações da inteligência estadunidense. É como operam grandes potências…

Em tempo: se me perguntarem o que penso de Snowden, digo que o considero um traidor de seu país e acho que ele deveria responder por isso. O problema é que agora ele está sob a proteção de Moscou… Faz parte do Jogo, do Grande Jogo. E é assim que funciona, desde sempre…

Edward Snowden já tem trabalho na Rússia

Edward Snowden já tem trabalho na Rússia

 Foto: Vesti.Ru
 

O ex-agente do NSA, Edward Snowden, que tem asilo temporário na Rússia, começa a trabalhar a 1 de novembro num dos maiores web sites do país.

O nome da empresa e o cargo que irá ocupar são mantidos em segredo por razões óbvias. Também não se sabe se Snowden irá trabalhar num escritório ou via Internet à distância. Segundo o advogado Anatoli Kucherena, que representa interesse de Snowden na Rússia, tal secretismo se deve a motivos de segurança. No entanto, o antigo colaborador do NSA não deve ter muitos problemas, inclusive linguístico:“Ele está estudando o idioma russo. Quanto ao trabalho, fará parte de uma equipe de engenheiros informáticos russos, responsáveis pela manutenção do web site. Trata-se especialistas na área do software, programas de apoio, aplicações, etc.” Continuar lendo