O Egito e a incompreensível democracia

Pouco mais de um anos após o início do Levante no Egito e a queda de Mubarak, a população vai às urnas e dois candidatos se preparam para disputar o segundo turno: Mohammed Morsi, da Irmandade Muçulmana; e Ahmed Shafiq, ex-Primeiro Ministro e autoridade do regime de Mubarak. Os resultados revelam algumas coisas:

1) O baixo comparecimento da população às urnas poderia significar que os egípcios não consideram tão importante essas eleições? Ter-se-ia aí uma evidência de que, na percepção do homem comum, pouca coisa mudou ou vai mudar, independentemente de quem vier a ocupar a cadeira presidencial?

2) A Irmandade Muçulmana, apesar da vitória nas eleições parlamentares, e diante da real possibilidade de eleger o Presidente (em que pesem os menos de 25% dos votos, praticamente a mesma porcentagem do segundo colocado), não contará com apoio incondicional da população e tampouco dos demais agentes políticos, o que pode culminar em um governo frágil dentro de um modelo democrático – e os árabes não estão acostumados com governantes fracos. A alternativa pode ser uma radicalização do regime e o crescimento do fundamentalismo.

3) A reação de parte dos egípcios à escolha de  Shafiq para o segundo turno passa bem longe de qualquer exemplo de convivência com a democracia. Porem fogo no escritório do canditato e ameaçarem afundar mais o Egito no caos em uma eventual vitória de Shafiq, são sinais claros da pouca familiaridade dos egípcios com esse negócio de democracia. Quer dizer que se Morsi não ganhar não haverá governabilidade?

Morsi e a Irmandade deveriam ser os primeiros a protestarem contra o atentado aos escritórios de Shafiq, e esse tipo de reação dos apoiadores daqueles pode conduzir à vitória deste. E a frágil democracia no Egito encontra-se à prova…

BBC.CO.UK – 29 May 2012 Last updated at 00:31 GMT

Egypt presidential candidate Ahmed Shafiq’s HQ attacked

The campaign headquarters of Egyptian presidential candidate Ahmed Shafiq has been attacked. Egyptian TV stations broadcast footage of a fire at the building, in the Dokki district of the capital Cairo. Continuar lendo

Putin e o Ocidente

Há tempos não publicava aqui as análises de Lukyanov, sempre muito interessantes. Talvez seja precipitado falar em uma “nova Guerra Fria” entre a Rússia e os EUA. Porém, é importante estar atento aos próximos movimentos de Putin/Medvedev com vistas a aumentar o poder (influência) russo no globo.

Uncertain World: Putin and Washington: Is Conflict Inevitable?

18:27 10/05/2012

Vladimir Putin, who was inaugurated as president of Russia on May 7, has instructed the Foreign Ministry to ensure compliance with the New START Treaty, focusing on the issue of ballistic missile defense. The meaning of the gesture is clear. Relations with the United States remain at the forefront and at the core of these relations is the issue of ballistic missile defense, a situation that is unlikely to change.

Putin created a stir by announcing that he would not be attending the G8 summit at Camp David next week but would be sending Prime Minister Dmitry Medvedev to represent Russia instead. This decision is highly significant, especially considering that one of the reasons for moving the meeting from Chicago, where a NATO summit is due to be held after the G8 meeting, is the unwillingness of both sides to start their interaction off with a conflict. Continuar lendo

Cybervirus no Oriente Médio

Mais um movimento na guerra cibernética. Como disse há algumas semanas neste site, ainda é difícil lidar com essa nova dimensão do conflito no século XXI. Nesse sentido, Israel mostra-se uma grande potência e pode causar severos danos a seus adversários. Teerã que se cuide…

Powerful “Flame” cyber weapon found in Iran

Reuters.com, 28MAY2012, 6:17pm EDT – By Jim Finkle

BOSTON (Reuters) – Security experts said on Monday a highly sophisticated computer virus is infecting computers in Iran and other Middle East countries and may have been deployed at least five years ago to engage in state-sponsored cyber espionage.

Evidence suggest that the virus, dubbed Flame, may have been built on behalf of the same nation or nations that commissioned the Stuxnet worm that attacked Iran’s nuclear program in 2010, according to Kaspersky Lab, the Russian cyber security software maker that took credit for discovering the infections. Continuar lendo