Voltando a nossas indicações de livros, hoje trato de uma importante referência sobre os turbulentos anos de 1939 a 1945: “Europa na Guerra: 1939-1945, uma vitória nada simples”, de Norman Davies, um dos maiores historiadores britânicos (e olha que o Reino Unido tem uma tradição de excelentes historiadores!).
O que me impressionou na obra é a forma como Davies relata a Guerra, não descrevendo grandes batalhas ou outros importantes acontecimentos, mas tratando daqueles anos terríveis sob uma perspectiva humana. É um olhar do conflito através dos sentimentos de quem o viveu intensamente. Nada mais rico no conflito humano do que a forma como as pessoas o percebem e as decisões por elas tomadas diante das maiores adversidades!
Destaque para as considerações feitas pelo autor sobre a Polônia (Davies é britânico-polonês). Logo no ínico, ele relata a frustração dos soldados poloneses, que lutavam com o V Exército norte-americano (o mesmo ao qual estavam vinculados nossos pracinhas) na Itália, ao perceberem que a guerra havia acabado e que seu país permanecia ocupado (não mais por tropas alemãs, mas pelo temível Exército Vermelho). Afinal, como é que a Grã-Bretanha havia abandonado a Polônia para o deleite de Stálin? Não foram os britânicos que começaram uma guerra com o III Reich exatamente para garantir a integridade polonesa? E agora?
A narrativa sempre me faz lembrar das palavras do meu guia judeu-polonês quando visitei Auschwitz. Conversamos muito, e em um determinado momento ele desabafou: “não sei o que foi pior para nós (poloneses), os soviéticos que nos invadiram duas vezes durante a Segunda Guerra Mundial, ou os ingleses que nos abandonaram no final do conflito…”


Indico hoje “Os últimos dias dos Romanov“, de Helen Rappaport, outra profunda conhecedora do último Czar da Rússia e de sua família. A obra t



