Breve história do nome Capitão-de-Mar-e-Guerra

platinamareguerraComo hoje é quarta-feira, e para manter a constância, resolvi publicar um texto que recebi de um grande amigo naval. Trata-se da explicação da origem do nome “Capitão-de-Mar-e-Guerra”, patente que na Marinha corresponde à de Coronel nas Forças de Terra e Ar. Vamos a ele então!

Breve história da origem do nome Capitão de Mar e Guerra.

Nos tempos das caravelas existiam duas entidades muito importantes a bordo: o piloto e o capitão. O primeiro responsável pela navegação segura do navio. Para tal, contava com o Mestre e os marinheiros para conduzir as fainas marinheiras,  principalmente as velas. O Capitão por sua vez era de formação militar e conduzia os soldados que guarneciam fuzis (daí fuzileiros navais), cuja função era atirar naqueles que quisessem abordar o navio e atirar  no piloto prejudicando a abordagem. A expressão Capitão significa “aquele que comanda”. Assim, o Piloto era o “Capitão do Mar “(expressão usada por muitas Marinhas para o posto equivalente a CMG). Já o outro era o “Capitão da Guerra” devido à sua formação militar.  Com o tempo um mesmo homem passou  a exercer as duas funções. Daí surgir o nome “Capitão-de-Mar-e-Guerra” na Marinha portuguesa. Mais tarde, o termo foi adotado nas Marinhas de língua portuguesa.

Minha homanagem aos amigos da Marinha do Brasil!

Mais uma data a ser lembrada…

O dia 23 de março de 2019 é uma data que merece ser lembrada. Hoje, após anos de combates, a coalização ocidental que opera na Síria anunciou a queda de Baghuz, último reduto da organização que ficou conhecida como “o Estado Islâmico”, ou Daesh – passei a usar o termo Daesh, pois amigos árabes me disseram ser mais adequado.

Com a tomada da cidade pelas “Forças Democráticas Sírias” (FDS) – ou os “rebeldes moderados” tão aclamados por alguns meios aqui no Ocidente -, o projeto de poder de criação de um califado pelo Daesh fracassou. Até esse ponto, entretanto, foram muitos anos de dor, sofrimento, morte… Foram anos de violência exarcebada e de radicalismo, anos de imposição do terror a centenas de milhares pessoas… Sempre vale lembrar que o Daesh, conhecido pela extrema violência, dominou um território do tamanho do Estado de Minas Gerais, promovendo barbaridades que chocariam até membros de outras organizações terroristas. Esses fatos, certamente devem ser lembrados.

AFP Photo

Capture d’écran de la chaîne kurde Ronahi TV montrant les Forces démocratiques syriennes levant leur drapeau au sommet d’un bâtiment du dernier bastion de Daesh. AFP PHOTO / HO / RONAHI TV

Não entrarei neste post nas questões geopolíticas relacionadas à débacle do Estado Islâmico. Deixarei isso para publicações futuras. Mas lembro que a situação na Síria ainda não está totalmente pacificada. Convém que isso seja lembrado.

Agora acabou! Ao menos acabou a dominação do Daesh sobre milhares de seres humanos (sírios, curdos, iraquianos) de uma das regiões mais ricas em história e cultura no planeta. Acabou o osbcurantismo imposto pelo fundamentalismo religioso. Acabaram os estupros, o uso de escravas sexuais e como serviçais, as execuções em praça pública (transmitidas pela internet), o emprego de crianças para promover atrocidades, a violência contra homossexuais… Será que acabou mesmo?

Dificilmente a violência terá acabado para as populações que estiveram sob o jugo do Daesh nos últimos anos. Certamente ela diminuirá, esparamos que bastante. Mas os traumas físicos e psicológicos desse período de terror, de violações indescritíveis à dignidade humana, ainda continuarão com aquelas pessoas pelo resto da vida. Elas precisarão de cuidados, muitos e constantes cuidados. De toda maneira, a bandeira negra do Daesh não mais tremula naquelas cidades. Isso é algo que deve ser lembrado.

Reuters

Syrian Democratic Forces (SDF) fighters ride atop military vehicles as they celebrate victory in Raqqa, Syria, October 17, 2017. REUTERS/Erik De Castro

O fim da dominação do Daesh na Síria e no Iraque não é, inobstante, o fim da organização terrorista. Ainda há milhares de combatentes espalhados pela região e, pior, emigrando (alguns de volta) às cidades da Europa e das Américas. Com isso, o perigo de uma guerra nas sombras, com ataques no coração da civilização ocidental, permanece. A hidra teve suas cabeças cortadas, mas a experiência ensina que elas nascerão novamente. Eis um aspecto do esfacelamento do Daesh que deve ser lembrado.

De toda maneira, a data de hoje tem sua simbologia. Representa o fim do terror e possibilidade de uma nova vida para, repito, centenas de milhares de pessoas. Por aqui, importante ficarmos atentos. Mas, pelo momento, cabe comemorar e orar pelos mortos e pelos que enterraram seus mortos.

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Políticos e Espiões, 2ª edição

É com grande satisfação que informo a meus queridos (12) leitores que já se encontra disponível, nas melhores livrarias, a 2ª edição de nosso livro Políticos e Espiões: o controle da atividade de inteligência.

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Publicada nove anos após a 1ª edição, a obra foi completamente atualizada, inclusive fazendo referência a mudanças importantes no controle dos serviços secretos aqui no Brasil e pelo globo (e olha que realmente muita coisa mudou desde então!).

É sobre isso que trata Políticos e Espiões: como controlar os serviços de inteligência em regimes democráticos, garantindo-se não só que os nobres profissionais do silêncio consigam executar adequadamente sua relevante tarefa, e ao mesmo tempo impedindo que cometam abusos no exercício de suas funções. Afinal, conhecimento é poder, e a Inteligência lida com conhecimento qualificado.

Políticos e Espiões teve grande aceitação quando foi publicado, o que lhe garantiu uma segunda tiragem e, agora, uma nova edição. Junto com Atividade de Inteligência e Legislação Correlata (6ª edição, Niterói: Impetus, 2018) e Terrorismo: conhecimento e combate (Niterói: Impetus, 2017, escrito em parceria com Marcus Reis), Políticos e Espiões compõe nossa trilogia sobre Segurança e Inteligência (trilogia para o momento, pois virão outros). [Como estou ficando bom nesse negócio de blog – yes! -, clique no título dos livros neste parágrafo que você será direcionado para a descrição detalhada de cada um.]

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Onde encontro seus livros? Todo mundo me pergunta isso. A resposta: nas melhores livrarias do ramo!

Infelizmente, apesar da excelência na produção das obras e da retidão na prestação de contas, minha Editora tem um sério problema com distribuição (queria que meu Editor reconsiderasse esse aspecto). Assim, pode ser que você não encontre meus livros naquela livraria bacana ao lado da sua casa ou mesmo na que fica no shopping (e não acredite no vendedor se ele disser que está esgotado ou coisa parecida!). Nesse caso, recomendo que compre diretamente pela internet, no site da Editora Impetus. Para adquirir nossos livros, basta clicar aqui.

Se você aprecia o tema Inteligência, tenho certeza de que gostará de nossos livros (“nossos” porque livros são como filhos, impossível fazer sozinho)! Não perca tempo! Vá lá ao site da Impetus e ajude a garantir o almoço dos meus filhos! Obrigado!

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Novidades a partir de abril

Meus queridos (12) leitores,

Dando continuidade a nossa política de recuperação de fôlego de Frumentarius (agora vai!), trago algumas novidades que teremos a partir de abril. Vamos a elas!

1) Dias de publicação sobre “um pouco de tudo”: como já havia antecipado, teremos o final de semana para nossas publicações sobre temas diversos (da nova política espacial do Zimbábue até o tradicional corte de cabelo do grande líder Bob Filho – meus 12 leitores sabem a quem me refiro). Assim, todo sábado ou domingo publicaremos no velho estilo de nosso blog (tá, vou começar a adotar essa terminologia).

2) Quartas históricas: nas quartas-feiras, teremos ao menos uma publicação com caráter histórico, sempre com nossa ênfase nos conflitos pelos quais a humanidade tem passado. Exemplo foi o post de hoje sobre o babuíno da Grande Guerra (não leu ainda? Dê uma olhadinha clicando aqui).

3) Sextas turísticas (nome provisório): posto que uma de minhas paixões é rodar o mundo, pretendo nas sextas publicar sobre lugares inusitados por onde já passei ou para onde desejo ir. Em alguns casos teremos um pequeno vídeo no qual apresento o lugar ou relato o que lá ocorreu.

Além desses temas pré-estabelecidos e regulares semanais, buscaremos manter uma constância de publicações nos outros dias. Que D’us nos ajude nessa tarefa!

Espero que gostem da novidade para o início de abril. Outras virão.

Claro, suas críticas e observações são sempre bem-vindas (o que não significa que as publicarei por aqui…)!

Obrigado! 

O Babuíno da Grande Guerra

Jackie2A participação dos outros animais nos conflitos armados é tão antiga quanto a dos próprios humanos. Cavalos, cães, elefantes, falcões, pombos… Exércitos sempre recorreram a esses meios para alcançar a vitória nas batalhas! Pouca gente sabe, entretanto, que na I Guerra Mundial um inusitado combatente foi… um babuíno!

Jackie era o nome dele! E símio-soldado foi incorporado às forças do 3º Regimento de Infantaria Sul-Africano (Transvaal), que combateu junto das tropas britânicas nas trincheiras da Grande Guerra. Era o bichinho de estimação (coisa mais inusitada ainda!) de Albert Marr, sulafricano que, ao se apresentar como voluntário para ir combater na França, pediu a seus superiores para levar junto sua mascote! (Devia ser um tipo estranho também esse Albert!). Para a surpresa de todos, a autorização foi concedida, e lá foram  Albert, seu Regimento, e Jackie para o front. 

Foi assim que Jackie tornou-se a mascote oficial (se me permitem o trocadilho) do Regimento! Tinha uniforme completo, bolachas (badges) e até um quepe. Dizem que acompanhava a tropa nas marchas e aprendeu os comandos de ficar em pé, descansar e até a prestar continência (coisas que alguns esquerdopatas nunca aprenderiam a fazer por aqui cem anos depois)!

O babuíno participou de diversas batalhas no Norte da África e em solo Europeu durante três longos anos. Devido a sua visão e sua audição aguçadas, Jackie tinha condições de antecipar os ataques inimigos melhor que qualquer sentinela humana. Graças a isso, salvou muitas vidas em seu regimento. Continuar lendo

1314: o fim do começo

jacques.jpgOs 12 leitores de Frumentarius sabem que gosto de dedicar algumas postagens aqui a efemérides. Na próxima segunda, 18 de março, completar-se-ão 705 anos (isso, setecentos e cinco) da execução, em Paris, do último Grão-Mestre da Ordem do Templo, Jacques de Molay. O evento marcaria o fim oficial daquela famosa Ordem de Cavalaria, a instituição mais rica do Ocidente depois da Igreja Católica, formada por monges guerreiros que protegiam os peregrinos e lutaram contra os muçulmanos pela Terra Santa, e contra todos os considerados inimigos da Cristandade. Além disso, foi graças aos Cavaleiros Templários que se desenvolveu o primeiro sistema bancário do Ocidente.

O patrimônio da Ordem do Templo incluía mosteiros, fortalezas, terras aráveis, moinhos além muito ouro e prata guardados nos cofres de suas sedes espalhadas pela Europa. Os templários tinham ainda seus próprios navios nos quais transportavam artigos de luxo do Oriente para a Europa (sedas e especiarias). Tamanha riqueza pode ter contribuído para a ruína dos Templários. Ao final do século XIII, contudo, o destino dos templários começou a mudar.
Joelza Ester Domingues, em Ensinar História

A execução na fogueira do Grão-Mestre punha fim a sete anos de perseguições, capitaneadas pelo Rei da França, Felipe IV, o Belo, e pelo Papa Clemente V (completamente subserviente ao monarca francês). Interessado nas riquezas dos Templários, Felipe IV iniciou um processo contra eles, acusando-os de heresia e de práticas condenáveis e de idolatria: negação da Cruz e do próprio Cristo, adoração a uma figura tida como demoníaca, sodomia…

execution-JacquesAssim, no dia 13 de outubro de 1307 (uma sexta-feira), todos os templários encontrados em território francês foram presos, entre eles o Grão-Mestre. Começavam sete anos de torturas e execuções, em que se buscava obter a confissão dos membros da Ordem por seus supostos crimes. A organização foi completamente debelada nos domínios de Felipe, mas a quando as forças do Rei chegaram à sede da Ordem em Paris, encontraram os cofres vazios: o tesouro dos templários havia desaparecido! O mesmo aconteceu em outros castelos e edifícios da Ordem. Ademais, a poderosa frota dos Templários, que durante séculos transportara pessoas e riquezas pelo Mediterrâneo e pela costa ocidental da Europa, estacionada no porto de La Rochelle, simplesmente sumira!

Quando os senescais do Rei foram para os castelos templários para cumprir a ordem de prisão encontraram muitos deles abandonados e a grande força naval que estava ancorada na base dos Templários no porto de La Rochelle havia simplesmente sumido assim como todo o tesouro templário.
David Hatcher Childress- (http://greyfalcon.us/), 
“A Frota Naval dos Cavaleiros Templários e seu Império Marítimo”
(Traduzido por  Thoth3126, in https://thoth3126.com.br/a-frota-naval-dos-cavaleiros-templarios-1/)

O processo dos templários durou, portanto, sete anos. Muitos cavaleiros foram torturados e executados, chegando-se, a 18 de março de 1814, à execução de Jacques de Molay, que resistira aos maus-tratos e morreu negando a culpa pelas acusações que lhe eram imputadas e à Ordem.

JacquesDeMolayRestingPlaceAntes de morrer, enquanto o fogo o consumia, Jacques de Molay lançou uma maldição contra seus algozes: “Eu vos amaldiçoo até a 13ª geração, e vos intimo a comparecer perante o Tribunal do Juiz de todos nós dentro de um ano para receberdes o vosso julgamento e o justo castigo!”. Quarenta e cinco dias depois, Clemente V morreria vítima de uma infecção intestinal. E em 29 de novembro de 1314 seria a vez de Felipe, que morreria de uma queda de cavalo durante uma caçada.

Não cabe aqui entrar em maiores detalhes nem sobre a Ordem dos Pobres Cavaleiros de Cristo do Templo de Salomão, nem de seu último Grão-Mestre (deixo alguns links que podem ser interessantes para começar a conhecer mais). Entretanto, se foi extinta oficialmente por Clemente V, a Ordem continuou existindo em outros lugares da Europa, como na Inglaterra, na Escócia, na Catalunha e em Portugal (país, de fato, fundado por templários). Os reis daqueles lugares continuariam protegendo a Ordem e seus membros, sob o manto de novas organizações como a Ordem de Cristo portuguesa.

Também o fim dos templários em 1314 daria ensejo a uma série de histórias e lendas sobre aqueles monges guerreiros, seus tesouros, o conhecimento e o segredo que protegiam. E, no século XXI, a Ordem continua sendo objeto da curiosidade e da pesquisas por todo o globo. Seu legado jamais será extinto.

Non nobis, Domine, non nobis, sed Nomini tuo da gloriam…

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Retornando… Será?

Meus queridos 12 leitores (se é que sobrou alguém depois de todo esse tempo parado),

Tento retomar minhas publicações aqui em Frumentarius. Vamos ver se consigo. Minha ideia é publicar algo ao menos uma vez por semana, aos sábados ou domingos, e preparar publicações para lançar toda quarta.

Quero retomar a discussão sobre alguns temas, sobretudo de política internacional. Sobre política interna, não me manifestarei. Aqueles que me acompanham em redes sociais sabem de meu apreço pelo Governo que aí se encontra e de minha esperança de um Brasil melhor em novos tempos! 

Críticas ao Presidente Bolsonaro e a seu Governo chegam de todos os lados. Deixem que falem! Eu prefiro concentrar minhas energias (e orações) para tentar, de alguma forma, contribuir para que se consiga alcançar um Brasil melhor.

Claro que trarei para Frumentarius alguns assuntos domésticos que acho que precisam ser tratados: revisão das regras sobre desarmamento, propostas para a Educação, considerações sobre cultura e, naturalmente, minhas observações sobre temas quotidianos, como a maneira nefasta com que companhias aéreas como a famigerada LATAM tratam seus passageiros e a campanha pelo fim da tomada jabuticaba de três pinos.

Conto com a colaboração e os sempre ótimos comentários, críticas e sugestões daqueles que ainda permaneçam meus leitores!

Bom, é isso! Vamos lá novamente!

E que D’us nos ajude!

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