1314: o fim do começo

jacques.jpgOs 12 leitores de Frumentarius sabem que gosto de dedicar algumas postagens aqui a efemérides. Na próxima segunda, 18 de março, completar-se-ão 705 anos (isso, setecentos e cinco) da execução, em Paris, do último Grão-Mestre da Ordem do Templo, Jacques de Molay. O evento marcaria o fim oficial daquela famosa Ordem de Cavalaria, a instituição mais rica do Ocidente depois da Igreja Católica, formada por monges guerreiros que protegiam os peregrinos e lutaram contra os muçulmanos pela Terra Santa, e contra todos os considerados inimigos da Cristandade. Além disso, foi graças aos Cavaleiros Templários que se desenvolveu o primeiro sistema bancário do Ocidente.

O patrimônio da Ordem do Templo incluía mosteiros, fortalezas, terras aráveis, moinhos além muito ouro e prata guardados nos cofres de suas sedes espalhadas pela Europa. Os templários tinham ainda seus próprios navios nos quais transportavam artigos de luxo do Oriente para a Europa (sedas e especiarias). Tamanha riqueza pode ter contribuído para a ruína dos Templários. Ao final do século XIII, contudo, o destino dos templários começou a mudar.
Joelza Ester Domingues, em Ensinar História

A execução na fogueira do Grão-Mestre punha fim a sete anos de perseguições, capitaneadas pelo Rei da França, Felipe IV, o Belo, e pelo Papa Clemente V (completamente subserviente ao monarca francês). Interessado nas riquezas dos Templários, Felipe IV iniciou um processo contra eles, acusando-os de heresia e de práticas condenáveis e de idolatria: negação da Cruz e do próprio Cristo, adoração a uma figura tida como demoníaca, sodomia…

execution-JacquesAssim, no dia 13 de outubro de 1307 (uma sexta-feira), todos os templários encontrados em território francês foram presos, entre eles o Grão-Mestre. Começavam sete anos de torturas e execuções, em que se buscava obter a confissão dos membros da Ordem por seus supostos crimes. A organização foi completamente debelada nos domínios de Felipe, mas a quando as forças do Rei chegaram à sede da Ordem em Paris, encontraram os cofres vazios: o tesouro dos templários havia desaparecido! O mesmo aconteceu em outros castelos e edifícios da Ordem. Ademais, a poderosa frota dos Templários, que durante séculos transportara pessoas e riquezas pelo Mediterrâneo e pela costa ocidental da Europa, estacionada no porto de La Rochelle, simplesmente sumira!

Quando os senescais do Rei foram para os castelos templários para cumprir a ordem de prisão encontraram muitos deles abandonados e a grande força naval que estava ancorada na base dos Templários no porto de La Rochelle havia simplesmente sumido assim como todo o tesouro templário.
David Hatcher Childress- (http://greyfalcon.us/), 
“A Frota Naval dos Cavaleiros Templários e seu Império Marítimo”
(Traduzido por  Thoth3126, in https://thoth3126.com.br/a-frota-naval-dos-cavaleiros-templarios-1/)

O processo dos templários durou, portanto, sete anos. Muitos cavaleiros foram torturados e executados, chegando-se, a 18 de março de 1814, à execução de Jacques de Molay, que resistira aos maus-tratos e morreu negando a culpa pelas acusações que lhe eram imputadas e à Ordem.

JacquesDeMolayRestingPlaceAntes de morrer, enquanto o fogo o consumia, Jacques de Molay lançou uma maldição contra seus algozes: “Eu vos amaldiçoo até a 13ª geração, e vos intimo a comparecer perante o Tribunal do Juiz de todos nós dentro de um ano para receberdes o vosso julgamento e o justo castigo!”. Quarenta e cinco dias depois, Clemente V morreria vítima de uma infecção intestinal. E em 29 de novembro de 1314 seria a vez de Felipe, que morreria de uma queda de cavalo durante uma caçada.

Não cabe aqui entrar em maiores detalhes nem sobre a Ordem dos Pobres Cavaleiros de Cristo do Templo de Salomão, nem de seu último Grão-Mestre (deixo alguns links que podem ser interessantes para começar a conhecer mais). Entretanto, se foi extinta oficialmente por Clemente V, a Ordem continuou existindo em outros lugares da Europa, como na Inglaterra, na Escócia, na Catalunha e em Portugal (país, de fato, fundado por templários). Os reis daqueles lugares continuariam protegendo a Ordem e seus membros, sob o manto de novas organizações como a Ordem de Cristo portuguesa.

Também o fim dos templários em 1314 daria ensejo a uma série de histórias e lendas sobre aqueles monges guerreiros, seus tesouros, o conhecimento e o segredo que protegiam. E, no século XXI, a Ordem continua sendo objeto da curiosidade e da pesquisas por todo o globo. Seu legado jamais será extinto.

Non nobis, Domine, non nobis, sed Nomini tuo da gloriam…

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Retornando… Será?

Meus queridos 12 leitores (se é que sobrou alguém depois de todo esse tempo parado),

Tento retomar minhas publicações aqui em Frumentarius. Vamos ver se consigo. Minha ideia é publicar algo ao menos uma vez por semana, aos sábados ou domingos, e preparar publicações para lançar toda quarta.

Quero retomar a discussão sobre alguns temas, sobretudo de política internacional. Sobre política interna, não me manifestarei. Aqueles que me acompanham em redes sociais sabem de meu apreço pelo Governo que aí se encontra e de minha esperança de um Brasil melhor em novos tempos! 

Críticas ao Presidente Bolsonaro e a seu Governo chegam de todos os lados. Deixem que falem! Eu prefiro concentrar minhas energias (e orações) para tentar, de alguma forma, contribuir para que se consiga alcançar um Brasil melhor.

Claro que trarei para Frumentarius alguns assuntos domésticos que acho que precisam ser tratados: revisão das regras sobre desarmamento, propostas para a Educação, considerações sobre cultura e, naturalmente, minhas observações sobre temas quotidianos, como a maneira nefasta com que companhias aéreas como a famigerada LATAM tratam seus passageiros e a campanha pelo fim da tomada jabuticaba de três pinos.

Conto com a colaboração e os sempre ótimos comentários, críticas e sugestões daqueles que ainda permaneçam meus leitores!

Bom, é isso! Vamos lá novamente!

E que D’us nos ajude!

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