A trégua do Natal de 1914

Quase um século após seu início, a Grande Guerra (1914-1918) continua a despertar interesse de milhões de pessoas, entre as quais este que escreve e muitos de nossos leitores. Afinal, ela foi única em diversos aspectos, pôs fim a uma era e deu início a outra.

Não foram poucos os episórdios inusitados da Grande Guerra. Um dos mais marcantes, sem dúvida, foi o da grande trégua do Natal de 1914, quando, ao longo de toda a trincheira ocidental, os disparos foram interrompidos, e milhões de homens ergueram-se das trincheiras para se confraternizar com o inimigo.

De fato, naquele Natal de 1914, o inimigo desapareceu. Em seu lugar, surgiram homens que descobriram que tinham muito em comum, que estavam longe de casa há semanas e que passariam o frio 25 de dezembro no front, junto de seus camaradas e… dos sujeitos do outro lado da terra de ninguém.

Nunca se vira um episódio como aquele… e nunca mais se veria outro igual. Mas o certo é que, por algum tempo, as armas cederam às saudações e cumprimentos, e a troca de tiros e ofensas deu lugar à troca de cortesias e, em alguns casos, de presentes. Muitos compartilharam a ceia naquela noite…

E a paz reinou, ao menos por algumas horas… Eis a prova do espírito de Natal!

Segue artigo interessante sobre aqueles acontecimentos…

A trégua de Natal de 1914 
A incrível trégua não oficial em 25 de Dezembro de 1914.

Não há a menor dúvida de que realmente aconteceu – a trégua de Natal não oficial de 1914 – mas até hoje, muitas pessoas não estão totalmente a par dos detalhes e extensão deste notável hiato na guerra, que ocorreu durante aquelas poucas horas do quinto mês do primeiro ano de conflito.

Para a maioria das pessoas, a trégua foi observada pelos britânicos e alemães na parte mais ao sul do saliente de Ypres, na Bélgica. Entretanto, ela ocorreu em vários outros pontos do Fronte Oeste e por outros combatentes, notadamente os franceses e belgas, embora o fato que os alemães estavam situados em território francês ou belga inibiu qualquer grande demostração de boa vontade para com os openentes alemães. Continuar lendo

França, Turquia e genocídio

É Natal! É Natal! Nesse clima de comunhão entre os povos, o Primeiro-Ministro turco declarou que os franceses cometeram genocídio na guerra da Argélia. Trata-se de resposta à aprovação, pelo Parlamento francês, de uma lei que reconhece o genocídio armênio cometido pelos turcos em 1915-1916. E esse é só um movimento da escaramurça diplomática entre Paris e Ankara (ou Angorá, na forma tradicional).

É certo que a ocupação e a guerra de independência da Argélia produziram grande quantidade de mortos entre os nativos. Ninguém discorda da violência com que os franceses trataram a população argelina, sobretudo quando perceberam que perderiam seu território do outro lado do Mediterrâneo. As táticas de contrainsurgência e técnicas de tortura dos franceses serviram de modelo para muitas ditaduras em diversas partes do globo, inclusive por aqui ao sul do Equador.

Entretanto, o que os turcos fizeram com os armenos foi o primeiro dos trágicos genocídos que marcariam nefastamente o século XX, incluindo o holocausto judeu e o extermínio dos ciganos na II Guerra Mundial, e os massacres de Ruanda e da Ex-Yugoslávia no final do milênio.

Uma parte significativa da população armena do planeta, que vivia sob o Império Otomano, foi sumariamente massacrada: homens, mulheres e crianças, idosos e bebês de colo. As atrocidades cometidas pelos turcos contra os armenos são quase que inecreditáveis, mas realmente aconteceram… infelizmente aconteceram… ali se começou a conceber a idéia de “crime contra a humanidade”…

Para um link armeno (em inglês) sobre o genocídio, clique aqui. E para a página do Armenian National Institute, clique aqui.

Quase um século depois, a França reconhece que houve um genocídio armeno. Foi tarde, muito tarde…

Em tempo: o Brasil até hoje não recenheceu o genocídio armeno.

BBC News – 23 December 2011 

Turkey accuses France of genocide in colonial Algeria

The Turkish prime minister has accused France of committing genocide during its colonial occupation of Algeria. Continuar lendo

Explosões em Damasco

Nesse clima festivo de Natal, dois carros bombas explodiram há poucas horas em Damasco. Os mortos passam de quatro dezenas.

Sinceramente, o mundo está, de fato, mudando… Carros-bombas explodindo na Síria? Difícil de entender…

Double car bombing kills 44 in Damascus

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Reuters, 23/12/2011 – 4:54pm EST

By Erika Solomon

BEIRUT (Reuters) – Suicide car bombers struck Damascus on Friday, officials said, sending human limbs flying in the bloodiest violence in Syria’s capital since a revolt against President Bashar al-Assad began nine months ago. Continuar lendo