O começo do fim do mundo

Greatwar3Foi há exatos cem anos! Depois de praticamente um mês de tensão, de construção e desconstrução de alianças, de ameaças, pressões e exigências, o Império Austro-Húngaro declarava guerra à Sérvia. Os motivos da rivalidade entre os dois países remontavam ao século XIX (ou, para alguns, a centenas de anos). Nas últimas décadas, a chamada “questão balcânica” levava um clima de grande instabilidade para uma das regiões mais belas da Europa. A coisa se agravara com as guerras dos anos anteriores… Mas o estopim daquilo tudo fora o assassinato do herdeiro do trono da Áustria, o Arquiduque Francisco Ferdinando, por meio de um atentado terrorista, no dia 28 de junho (vide aqui).

805916Com a declaração de guerra feita por Viena a Belgrado, logo os grandes impérios da Europa se mobilizariam para fazer cumprir as alianças costuradas pela diplomacia secreta da belle époque: a Rússia czarista, o Reich guilhermino, a República Francesa, o Império Britânico (onde o sol nunca se punha)… E os canhões de agosto logo seriam ouvidos, os sinos calados, e o mundo viveria quatro anos de uma guerra sem precedentes. 

fr-trench1A Grande Guerra poria fim a um mundo em 1914… e daria ensejo ao outro totalmente mudado, diferente, que surgiria, em 1918, das cinzas daquele massacre que ceifou a vida de milhões e envolveu os quatro cantos do planeta. A I Guerra Mundial poria fim a cem anos de paz e daria início a 20 anos de crise, que culminariam em mais seis anos de guerra, dor, sofrimento, destruição.

O mundo em que vivemos hoje é um resultado direto dos acontecimentos iniciados há exatos cem anos. E, se a História se repete, é bom que estejamos atentos aos acontecimentos internacionais da atualidade. Exatamente como há um século, o senso comum considerava impossível, impensável, inaceitável uma guerra entre as grandes potências em solo europeu. Só que ela aconteceu. E pôs fim a uma era.

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Segue matéria do The Economist sobre o começo da Grande Guerra. Detalhe interessante: é de 1º de agosto de 1914 o artigo.

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O Assassinato que Mudou o Mundo

HGM_Wilhelm_Vita_Porträt_Franz_FerdinandA História se faz de pessoas, fatos e coincidências, ao contrário do que pregam alguns historiadores marxistas (que elaboram teorias rebuscadas sobre lutas de classe e movimentos de ideias, em que o indivíduo pouca importância tem diante do coletivo e das relações sociais). E a história de algumas pessoas individualmente acaba afetando a história de toda uma coletividade. Foi exatamente o que aconteceu há exatos cem anos.

O nome dele era Francisco Ferdinando Carlos Luís José Maria da Áustria-Este. Nascido em 1863, aos 25 anos (1889) foi alçado à condição de herdeiro do trono da Áustria, com o suicídio de seu primo Rodolfo de Habsburgo e a renúncia de seu pai, Carlos, irmão do então quase sexagenário Imperador Francisco José (que reinaria até a morte, em 1916). De temperamento sisudo e, para alguns, pouco expressivo, Francisco Ferdinando não mantinha relações das mais amistosas com seu tio, o que não o impediria de ser preparado para assumir o trono da mais tradicional das Casas Reais europeias (sobre a história da grandiosa Casa de Habsburgo, clique aqui – já escrevemos em Frumentarius a respeito).

Archduke_Franz_with_his_wifeE foi exercendo suas funções de herdeiro do trono da Áustria-Hungria que Francisco Ferdinando perderia a vida, com conseqüências que alcançariam todo o conjunto da humanidade por décadas. Em 28 de junho de 1914, o Arquiduque e sua esposa, Sofia, duquesa de Hohenberg, visitavam Sarajevo, na Bósnia. Era a época das manobras de verão do exército austro-húngaro que se realizavam naquela região periférica, porém estratégica, do Império. Francisco Ferdinando ali chegara em 25 de junho para supervisionar os exercícios militares, e no dia 27 seguira para Sarajevo, capital da província, para compromissos oficiais. O problema é que a data coincidia com a festa de São Vito, o festival nacional sérvio Vidovdan, aniversário da mítica batalha de Kossovo, em 1389, quando os sérvios haviam sido derrotados pelos turcos – e acreditavam que ali havia começado o longo período de sofrimento nas mãos de opressores estrangeiros. Muitos sérvios percebiam a decisão da visita do Arquiduque como um insulto calculado.

sophie deadNaquela manhã, quando seguia pelas ruas de Sarajevo, o cortejo do Arquiduque sofreu um atentado, quando uma bomba foi lançada contra um dos carros da comitiva. O alvo, por óbvio, era Francisco Ferdinando, mas o terrorista incompetente (um jovem revolucionário bósnio) errou, e o veículo de Sua Alteza escapou iles, seguindo o compromisso no Legislativo local. O mentecapto que cometeu o atentado tentou suicídio, engolindo uma cápsula de cianureto e se jogou no rio, mas acabou vomitando o veneno, dominado pela polícia (o rio tinha apenas 12 centímetros de profundidade) e levado sob custódia. Os outros três conspiradores acovardaram-se e fugiram.

Após a solenidade na câmara municipal, o Arquiduque cancelou a agenda do dia e se dirigiu ao hospital para visitar os feridos no atento. Aí é que se operam as coincidências que alteram os rumos da História… O motorista de Francisco Ferdinando errou o caminho e separou dos carros da frente do cortejo, virando em uma rua (que por mais uma coincidência tinha o nome de seu tio, Francisco José). Ao fazer a manobra para retomar o trajeto, o motor parou. Naquele instante, os deuses do destino colocaram o veículo de Francisco Ferdinando indefeso diante de um dos terroristas que, frustrado, ia embora: o nacionalista bósnio, Gravilo Princip. Diante da oportunidade, Princip não titubeou e disparou dois tiros contra o carro do herdeiro do Trono da Áustria, acertando fatalmente o Arquiduque e sua esposa. Ambos morreram em alguns minutos. O acionamento do gatilho da pistola do jovem terrorista seria o estopim do maior conflito que o mundo já conhecera.

 Princip_arrest (1)Fugindo, Princip foi abrigar-se na Sérvia, nação vizinha e rival do Império Austro-Húngaro. Aberto um inquérito para apurar as responsabilidades pelo atentado, as autoridades austríacas não conseguiram encontrar elemento que ligasse diretamente o governo sérvio ao crime, mas identificaram vínculo entre setores do exército sérvio e os conspiradores. De fato, os terroristas pertenciam à “Mão Negra”, uma organização secreta do movimento nacionalista iugoslavo, cujo líder era o chefe do serviço de inteligência sérvio.

250px-GavrilloprincipNas semanas que se seguiriam, Viena exigiria que Belgrado entregasse Princip. Diante da negativa da Sérvia (que tinha o apoio político e militar do Império Russo), a Áustria-Hungria (que, por sua vez, possuía na Alemanha Guilhermina seu principal aliado) acabou declarando guerra aos sérvios no início de agosto. Logo, como em um dominó, partindo em auxílio uns dos outros, e sob a égide de alianças militares secretas, os principais países europeus ver-se-iam envolvidos em conflito que, pondo fim a um século de paz na Europa, duraria quatro anos, alcançaria todo o planeta e ceifaria 15 milhões de vidas: a I Guerra Mundial.

Os rosacruzes costumam dizer que o acaso não existe. Naquele fatídico 28 de junho de 1914, um Princip mataria um Arquiduque, e a morte de um homem acabaria por provocar a aniquilação de milhões. Eis uma data e um acontecimento que devem ser sempre lembrados. Afinal, foi um atentado terrorista, em uma região periférica da Europa, contra uma autoridade pouco querida e mesmo sem muito prestígio, em uma época em que se achava que a paz entre os povos estava assegurada, mas que provocaria uma hecatombe que até hoje afeta nossas vidas, 100 anos depois.

Curiosamente, há registros de que o herdeiro do Trono Austro-Húngaro simpatizava com a causa eslava e suas aspirações de maior autonomia.  De fato, havia-se mostrado predisposto a aceitar – ao contrário de seu tio, o Imperador – resoluções a favor de uma maior autonomia daqueles povos eslavos, desde que se mantivessem vinculados ao Império. Não viveu para promover essas mudanças… tampouco seu império sobreviveu à Grande Guerra…

arch-Duke Franz Ferdinand - assassination sarajevo - Mein kampf - Hitler - Third Reich

Memórias da Grande Guerra…

Este é um ano emblemático para todos que se interessam por História, em especial por História Militar e História das Relações Internacionais. Afinal, há exatos cem anos, o mundo testemunhava os canhões de agosto que poriam fim a um século de paz na Europa e conduziriam o Velho Continente (e todo o planeta) à mais avassaladora das guerras até então… Milhões de mortos, outros tantos de feridos, e uma mudança na maneira como os seres humanos percebiam o mundo.

Encontrei no site da Deutsche Welle uma página temática interessantíssima sobre a I Guerra Mundial! Em um tempo em que se vislumbra a possibilidade de voltarem a ocorrer conflitos interestatais (no velho estilo), cabe recuperar as memórias da Grande Guerra…

Para acessar o link, clique aqui (em alemão).

Segue, ainda, artigo muito interessante sobre um possível grande fracasso da diplomacia que culminou no morticínio de 1914-1918.

Erster Weltkrieg

Erster Weltkrieg – Hat die Diplomatie versagt?

Der Veranstaltungsort hätte passender kaum sein können: Das 1730 fertiggestellte Zeughaus in Berlin war einmal das größte Waffenlager Preußens. Heute befindet sich in dem barocken Prachtbau am Boulevard Unter den Linden das Deutsche Historische Museum (DHM). Gemeinsam mit dem Auswärtigen Amt (AA) hatte das DHM am Freitag (14.03.2014) zu einer Historiker-Diskussion eingeladen. “Julikrise 1914 – schlafwandelnde Diplomaten?” lautete die Überschrift der zweiten von sieben geplanten Gesprächsrunden, bei denen die Frankfurter Allgemeine Zeitung und die Deutsche Welle Medienpartner sind.
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O Natal de 1914

665321045O ano de 1914 foi, certamente, um dos mais marcantes do século XX. Afinal, para alguns, foi ali que o breve e intenso século começou, com o desencadeamento, no verão, da Grande Guerra.

A I Guerra Mundial fascina por suas peculiaridades. Toda guerra as tem, é certo, mas o conflito iniciado em 1914 esteve no cerne de grandes mudanças na história da humanidade, dividindo não só homens e nações, mas também mundos e eras. O mundo que começou a guerra era completamente distinto do que a viu acabar…

Ainda sobre as peculiaridades, nos campos de batalha e nas trincheiras da Europa, foram testemunhados eventos incríveis, os quais nem mesmo os maiores romancistas poderiam conceber. Um deles ocorreu no Natal de 1914. Sempre comento a respeito nessa época aqui em Frumentarius. E comentarei novamente.

La-trève-de-noël-1914Em breves palavras, naquela noite fria de Natal nas trincheiras do front ocidental, milhares de homens simplesmente suspenderam a carnificina e saíram para confraternizar com o “inimigo”. Não foi nem uma ordem de superiores, talvez uma ordem Superior.

Então, em meio a canções de Natal, combatentes de ambos os lados se encontraram, deram as mãos, abraçaram-se. Houve até troca de presentes. E a guerra, o ódio e as diferenças foram esquecidos, ao menos por algumas horas. O que imperava era o Espírito de Natal, e um sentimento inexplicável de fraternidade preencheu os corações daqueles homens que ali estavam para matar ou ferir seus semelhantes. 

1914As confraternizações aconteceram simultaneamente ao longo de todo o front ocidental. Nunca se vira nada parecido, nem se veria novamente.

Algum tempo depois, os combates foram retomados. E as autoridades militares se encarregariam de não permitir um novo evento como aquele (que quase acabou com a guerra) ocorresse novamente nos fatídicos anos que se seguiram de carnificina.

O Natal de 1914, nas trincheiras da Europa, deixou a lição de que a humanidade pode ser uma só, que diferenças podem ser postas de lado, e que a paz e a fraternidade podem reinar no coração dos justos. Não é esse o Espírito de Natal?!?

Boas Festas! Lembremos sempre de que milagres podem acontecer e que ainda há esperança para a humanidade.

Feliz Natal!
Merry Christmas!
Feliz Navidad!
Joyeux Noël!
Fröhliche Weinachten!
Buon Natale!

Segue um artigo sobre o Natal de 2014.

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Noite feliz na terra de ninguém: Natal de 1914

No Natal de 1914, em plena Primeira Guerra Mundial, soldados ingleses e alemães deixaram as trincheiras e fizeram uma trégua. Durante seis dias, eles enterraram seus mortos, trocaram presentes e jogaram futebol

Bruno Leuzinger | 01/03/2004 00h00
http://guiadoestudante.abril.com.br/aventuras-historia/noite-feliz-terra-ninguem-natal-1914-433575.shtml

Finalmente parou de chover. A noite está clara, com céu limpo, estrelado, como os soldados não viam há muito tempo. Ao contrário da chuva, porém, o frio segue sem dar trégua. Normal nesta época do ano. O que não seria normal em outros anos é o fedor no ar. Cheiro de morte, que invade as narinas e mexe com a cabeça dos vivos – alemães e britânicos, inimigos separados por 80, 100 metros no máximo. Entre eles está a “terra de ninguém”, assim chamada porque não se sobreviveria ali muito tempo. Cadáveres de combatentes de ambos os lados compõem a paisagem com cercas de arame farpado, troncos de árvores calcinadas e crateras abertas pelas explosões de granadas. O barulho delas é ensurdecedor, mas no momento não se ouve nada. Nenhuma explosão, nenhum tiro. Nenhum recruta agonizante gritando por socorro ou chamando pela mãe. Nada. Continuar lendo

Dia da Lembrança

Apesar de já estarmos no fim deste domingo, 11/11, importante registrar a efeméride de hoje deve ser sempre lembrada. Afinal, foi na 11ª hora do 11º dia do 11º mês do ano de 1918 que chegou ao fim a Grande Guerra. Aquele conflito, que envolveu a maioria das chamadas “nações civilizadas” pôs fim a uma era e deu início ao século XX. O saldo de milhões de mortos e feridos, da destruição de cidades e plantações, do colapso de impérios, marcaria toda uma geração e seria o prelúdio do maior massacre da história da humanidade.

A data de hoje serve para lembrar todos aqueles que pereceram na carnificina de 1914-1918 e todos os que dali saíram com seqüelas. Muitas jovens vidas foram ceifadas e muitos sonhos destruídos. Eles serão sempre lembrados! E que descansem em paz!

Segue o link para nosso post do ano passado:

https://joanisval.com/2011/11/11/a-importancia-do-1111/

 

A trégua do Natal de 1914

Quase um século após seu início, a Grande Guerra (1914-1918) continua a despertar interesse de milhões de pessoas, entre as quais este que escreve e muitos de nossos leitores. Afinal, ela foi única em diversos aspectos, pôs fim a uma era e deu início a outra.

Não foram poucos os episórdios inusitados da Grande Guerra. Um dos mais marcantes, sem dúvida, foi o da grande trégua do Natal de 1914, quando, ao longo de toda a trincheira ocidental, os disparos foram interrompidos, e milhões de homens ergueram-se das trincheiras para se confraternizar com o inimigo.

De fato, naquele Natal de 1914, o inimigo desapareceu. Em seu lugar, surgiram homens que descobriram que tinham muito em comum, que estavam longe de casa há semanas e que passariam o frio 25 de dezembro no front, junto de seus camaradas e… dos sujeitos do outro lado da terra de ninguém.

Nunca se vira um episódio como aquele… e nunca mais se veria outro igual. Mas o certo é que, por algum tempo, as armas cederam às saudações e cumprimentos, e a troca de tiros e ofensas deu lugar à troca de cortesias e, em alguns casos, de presentes. Muitos compartilharam a ceia naquela noite…

E a paz reinou, ao menos por algumas horas… Eis a prova do espírito de Natal!

Segue artigo interessante sobre aqueles acontecimentos…

A trégua de Natal de 1914 
A incrível trégua não oficial em 25 de Dezembro de 1914.

Não há a menor dúvida de que realmente aconteceu – a trégua de Natal não oficial de 1914 – mas até hoje, muitas pessoas não estão totalmente a par dos detalhes e extensão deste notável hiato na guerra, que ocorreu durante aquelas poucas horas do quinto mês do primeiro ano de conflito.

Para a maioria das pessoas, a trégua foi observada pelos britânicos e alemães na parte mais ao sul do saliente de Ypres, na Bélgica. Entretanto, ela ocorreu em vários outros pontos do Fronte Oeste e por outros combatentes, notadamente os franceses e belgas, embora o fato que os alemães estavam situados em território francês ou belga inibiu qualquer grande demostração de boa vontade para com os openentes alemães. Continuar lendo

Lembranças da Grande Guerra

Ainda por ocasião das homenagens a todos que lutaram e morreram na Grande Guerra, encerrada a 11/11/1918, segue uma carta de um soldado estadunidense que estava em Paris naquele dia que seria chamado por alguns de “o maior dia da história”. Impressionante como , quase um século após o fim do conflito, as lembranças do armistício estão vivas e emocianam.

A Letter Home From A U.S. Serviceman in Paris, 11 November 1918

11 November 1918

Dear Folks:

Arrived here last night, and was on the street today when the armistice with Germany was signed.  Anyone who was not here can never be told, or imagine the happiness of the people here.  They cheered and cried and laughed and then started all over again.

Immediately a parade was started on the Rue De Italiennes and has been going on ever since. In the parade were hundreds of thousands of soldiers from the U.S., England, Canada, France, Australia, Italy and the colonies.  Each soldier had his arms full of French girls, some crying, others laughing; each girl had to kiss every soldier before she would let him pass. Continuar lendo

A importância do 11/11

É surpreendente a quantidade de baboseiras que as pessoas falam sobre o 11-11-2011! Abertura de portais, emanações das mais diferentes forças, momento para se conectar com outros planos e com seres tão etéreos quanto a imaginação possa conceber… Tudo isso dentro de uma gigantesca onda de esoterismo fashion, fútil e perdido! Isso me faz lembrar as palavras de Albert Einstein (este sim um místico de fato, apesar de poucos conhecerem essa faceta do gênio), que dizia que só acreditava em duas coisas infinitas: o universo e a estupidez humana… mas que não tinha certeza quanto à infinitude do universo!… E o pior é o incentivo dos meios de comunicação a todo esse besteirol pseudo-esotérico!

O dia 11/11 sem dúvida deve ser lembrado, só que por outro motivo. Essa data, nunca esquecida em muitas partes do globo, evoca a lembrança do 11/11/1918, quando começou a vigorar o armistício que pôs fim ao maior de todos os conflitos pelos quais a humanidade havia passado até então: a I Guerra Mundial, também chamada de “A Grande Guerra”. Foram cerca de 10 milhões de soldados mortos de diferentes nacionalidades, religiões, convicções políticas, e outros 7 milhões de civis, além de milhões de feridos e inválidos. Nações civilizadas que se digladiaram e mostraram sua face mais bárbara. Colheitas perdidas em campos onde o que cresceu durante anos foram apenas as papoulas que brotavam da terra onde se encontravam os corpos dos milhares que caíram por força de bombas, tiros ou baionetas… Cidades inteiras destruídas. Impérios que se esfacelaram. Enfim, um mundo que mudou tão intensamente em quatro tenebrosos anos como nunca se pudera prever! E as seqüelas se prolongaram para muito além daquele novembro de 1918, chegando mesmo a nossos dias. Com a Grande Guerra, acabou uma era e outra teve início.

O 11/11 é uma data especial, uma data que deve ser sempre lembrada em tributo daqueles milhões de seres humanos que sacrificaram sua juventude e a própria vida nos campos de batalha da Europa e do mundo. E ao final deste dia, que se possa dedicar alguns minutos de reflexão e meditação por todos que pereceram nas diversas guerras dos últimos 100 anos.

Segue um artigo de Jamal Khokhar, Embaixador do Canadá no Brasil, publicado hoje no Correio Braziliense, sobre o Dia da Lembrança.  

Dia da Lembrança

Jamal Khokhar, Embaixador do Canadá no Brasil

Hoje é um dia significativo para o Brasil e o Canadá, assim como para os outros países junto aos quais continuamos a lutar para defender a paz e a liberdade. No Canadá, o Dia da Lembrança surgiu como forma de comemorar o fim das duas guerras mundiais e de batalhas travadas desde então. É um dia para prestar homenagem a todos aqueles que lutaram para defender nossos ideais e, ao fazê-lo, pagaram com a própria vida. Valorizar os sacrifícios feitos por dezenas de milhares de cidadãos corajosos nos faz lembrar o custo da democracia.

Ambos os países participaram da Segunda Guerra Mundial — em que o Brasil foi o Continuar lendo