47 anos da Revolução de 31 de março: Elio Gaspari

Estas são de Elio Gaspari, sobre a probidade de nossos ex-presidentes militares. Não me recordo de nenhum que tenha falecido deixando um grande patrimônio…


– Elio Gaspari

Quando Lula defendeu o filho, que recebeu R$ 5 milhões da Telemar para tocar sua empresa, o jornalista Elio Gaspari, do Jornal O Globo, um dos maiores críticos dos governos militares, publicou a seguinte história:

“Em 1965, o marechal Castelo Branco leu no jornal que um de seus irmãos, funcionário da Receita Federal, ganhara em cerimônia pública um automóvel Aero Willys! Era o agradecimento de sua classe pela ajuda que dera na elaboração de uma lei que organizava a carreira. Paulo Castelo Branco, filho do presidente, costumava contar que o marechal telefonou para o irmão, dizendo-lhe que deveria devolver o carro. Ele argumentou que se cada fiscal da Receita tivesse presenteado uma gravata, o valor seria muito maior.

Castelo interrompeu-o:

– Você não entendeu. Afastado do cargo você já está! Estamos decidindo agora se você vai preso ou não”. Continuar lendo

47 anos da Revolução de 31 de março: opinião de ex-guerrilheiros e pesquisadores

Seguem as palavras de quem combateu o regime estabelecido em 31 de março de 1964 ou pesquisa o tema…

– 31 de Março – Com a Palavra – os Ex-guerilheiros

Daniel Aarão Reis Filho, ex-guerrilheiro do Movimento Revolucionário 8 de outubro (MR-8), professor titular de História Contemporânea da UFF, foi um dos quarenta presos banidos para a Argélia, em troca do embaixador da Alemanha, por exigência das organizações terroristas que praticaram o sequestro:

“As ações armadas da esquerda brasileira não devem ser mitificadas. Nem para um lado nem para o outro. Eu não compartilho da lenda de que no final dos anos 60 e no início dos 70 (inclusive eu) fomos o braço armado de uma resistência democrática. Acho isso um mito surgido durante a campanha da anistia. Ao longo do processo de radicalização iniciado em 1961, o projeto das organizações de esquerda que defendiam a luta armada era revolucionário, ofensivo e ditatorial. Pretendia-se implantar uma ditadura revolucionária. Não existe um só documento dessas organizações em que elas se apresentassem como instrumento da resistência democrática”. (O Globo, 23/09/2001)

Renato Lemos, professor de História da UFRJ, acha que a esquerda deveria assumir suas idéias e ações durante a ditadura, afirmando:

“Cada vez mais se procura despolitizar a opção de luta armada numa tentativa de autocrítica por não termos sido democratas”.

– 31 de Março – Com a palavra – os pesquisadores

Jacob Gorender, historiador do Partido Comunista Brasileiro Revolucionário (PCBR), no seu livro Combate nas Trevas, no capítulo 8 – “Pré-revolução e golpe preventivo”, relata:

“Nos primeiros meses de 1964 esboçou-se uma situação pré-revolucionária e o golpe direitista se definiu, por isso mesmo, pelo caráter contra-revolucionário preventivo. A classe dominante e o imperialismo tinham sobradas razões para agir antes que o caldo entornasse.” (GORENDER, Jacob. Combate nas Trevas. 5ª edição, 1998). Continuar lendo

47 anos da Revolução de 31 de março

Prefiro, como o faz meu caríssimo Jarbas Passarinho, chamar de movimento contra-revolucionário. Chamem como quiserem: Revolução, movimento revolucionário, ou até golpe (esse não uso).

De toda maneira, para relembrar o 31 de março, dedicarei alguns posts àquele acontecimento.

Para começar, algumas notícias de jornais da época, sobre os acontecimentos…

– 31 de Março – Com a Palavra – a Mídia da época

“Seria rematada loucura continuarem as forças democráticas desunidas e inoperantes, enquanto os inimigos do regime vão, paulatinamente, fazendo ruir tudo aquilo que os impede de atingir o poder. Como dissemos muitas vezes, a democracia não deve ser um regime suicida,que dê a seus adversários o direito de trucidá-la,para não incorrer no risco de ferir uma legalidade que seus adversários são os primeiros a desrespeitar”. (O Globo de 31 de março de 1964) Continuar lendo

VANT brasileiros fazendo vigilância na Bolívia

Nossos VANT realizarão vigilância na fronteira, de olho no crime organizado… Até aí tudo bem… Cooperação com nossos vizinhos, o Brasil exercendo sua soberania, combate aos delitos transnacionais. Entrentanto, registro o comentário sensato de uma amigo diplomata: “Aviones espias” talvez ajudem a capturar algum narcotraficante. Certamente, em futuro próximo, serão acusados pelos bolivianos de espionagem…”

lostiempos

http://www.lostiempos.com/ Cochabamba, Martes 29 de marzo del 2011

Hoy probarán naves “espías” para rastrear a narcos

Brasil probará hoy sus aviones no tripulados o “espías” para rastrear narcotraficantes en la frontera con Bolivia, en una nueva fase de cooperación para combatir el fuerte intercambio de estupefacientes existente entre narcotraficantes de ambos países. Continuar lendo

Órgãos da União Européia sofrem sério ataque cibernético

Não é de hoje que tenho alertado para as ameaças no ciberespaço, particularmente o ciberterrorismo e outras ações perpetradas por criminosos, com ou sem apoio de governos.

Além dos problemas causados por indivíduos e organização não-estatais, devem ser consideradas as iniciativas de alguns Estados em desenvolverem estruturas para a chamada “guerra cibernética”.

O pior é constatar o quanto o Brasil (seja no setor público, seja entre organizações privadas) está despreparado e vulnerável a esse novo tipo de ameaça…

BBC News, 23/03/2011

‘Serious’ cyber attack on EU bodies before summit

The EU has reported a “serious” cyber attack on the Commission and External Action Service on the eve of a summit in Brussels, a spokesman told the BBC. Continuar lendo

Criação do “Ministério” da Aviação Civil

Com mais esse “ministério”, o Ministério da Defesa perde poder, perdendo INFRAERO e ANAC de uma vez. Por falar nisso, alguém viu o Ministro Jobim na recepção a Obama? Achei estranho não vê-lo na hora em que a Presidente Dilma apresentava seus ministros ao mandatário estadunidense.

Medida Provisória cria Secretaria Nacional de Aviação Civil com status de ministério Continuar lendo

Nota do Governo Brasileiro sobre a situação na Líbia

Postei esta nota em especial para meus alunos que estudam para a carreira diplomática. Brilhante capacidade de dize tudo e não dizer nada (sem qualquer sentido pejorativo nesse comentário, que fique claro!).

Bom lembrar que foi do Brasil que Obama anunciou o início das ações militares contra a Líbia, exatamente no mesmo dia em que, oito anos antes, Geroge W. Bush informava ao mundo que o ataque ao Iraque havia começado. Continuar lendo

Íntegra do discurso de Obama no Municipal

É fácil de encontrar, mas decidi reproduzir aqui no site o discurso de Obama no Municipal, em português e inglês.

Enquanto ontem os destinatários do discurso eram o Estado brasileiro (ou seu governo) e autoridades políticas e econômicas, hoje o Presidente dos EUA falou para o Brasil, para o povo brasileiro. Gostei do discurso.

E, como bom monarquista, não posso deixar de registrar que o Presidente dos EUA citou expressamente em seu discurso o maior Estadista que este país já teve: Dom Pedro II. Deus salve o Imperador! Pela restauração!

Obama encerra a visita ao Brasil. A viagem para a América Latina começa no Chile… Continuar lendo

Visita de Obama ao Brasil: entrevista ao Congresso em Foco

Achei muito valiosa essa passagam de Barack Obama pelo Brasil. Segue entrevista nossa ao Congresso em Foco, onde há uma síntese de minha percepção disso tudo… Claro que ainda postarei alguns comentários a respeito do tema, mas a matéria a seguir retrata bem minha percepção.

Uma coisa que faltou dizer… ninguém merece os “protestos contra o Presidente dos EUA” na Cinelândia, particularmente os dos partidecos, sindicatos e movimentos sociais… Ô povo chato!

Tudo bem, nada contra a liberdade de expressão. Mas que esse pessoal anacrônico é sem noção, ah isso é! Não tenho paciência para isso…

http://congressoemfoco.uol.com.br/noticia.asp?cod_canal=1&cod_publicacao=36438

20/03/2011 – 19h48

Brasil evolui de patamar com Obama, diz especialista

Professor de Relações Internacionais valoriza o fato de o presidente norte-americano ter insistido na visita ao país quando há um conflito em curso no Oriente Médio. Para o acadêmico, gesto reflete a importância da parceria entre as duas nações. Continuar lendo

Imagem bonita de união entre os povos…

Encontrei esta imagem… Achei tão simbólica que resolvi postá-la, sem maiores comentários…

Quem consegue viver sem amigos?

Yankees, Welcome!

Artigo nosso publicado no Inforel.

Yankees, Welcome!

Joanisval Brito Gonçalves*, 18/03/2011 – 14h48

É grande a expectativa em torno da visita ao Brasil do Presidente dos Estados Unidos, Barack Obama. Fala-se no aumento da cooperação nas áreas econômica, energética, de segurança e, também, em matéria de meio ambiente, educação e cultura. Com a agenda a ser divulgada apenas no último momento, há especulações das mais diversas, até mesmo sobre o fim da exigência de vistos de turismo e negócios para cidadãos dos dois países. Entretanto, mais que todos esses aspectos práticos da viagem de Obama, é importante que se perceba o caráter simbólico dessa visita.

A decisão do Presidente dos Estados Unidos de, ao visitar a América do Sul, eleger Brasil e Chile como destino, envolve mais que grandes acordos econômicos ou energéticos. Especificamente, no caso Brasil, é sinal da importância crescente do País não só em termos regionais, mas, sobretudo, globais. Também evidencia o interesse de aproximação entre duas grandes economias, países com valores coincidentes e parceiros que têm muito a ganhar retomando laços tradicionais.

O Brasil que Obama encontrará é muito diferente daquele com que seus antecessores se depararam quando aqui estiveram. Já somos a sétima economia do planeta, nossa democracia está consolidada, uma classe média se estrutura e ganha força, assim como melhoram as condições gerais de vida da população, aumentando sua capacidade de consumo. O País também se mostra mais aberto ao mercado externo e, portanto, atraente parceiro comercial: de fato, o comércio de mão dupla entre Brasil e Estados Unidos mais que dobrou na última década, chegando a US$ 80 bilhões em 2010, e somente no referido ano, as exportações estadunidenses para o Brasil cresceram 35% em relação a 2009. Outro dado importante: nossas exportações para lá incluem commodities, mas também bens de valor agregado, como aviões e peças. Empresas brasileiras estão presentes no mercado estadunidense. E o Brasil já é o décimo parceiro comercial da Superpotência, com infinitas possibilidades de parceria e cooperação nos mais distintos setores que não podem ser descartadas. Certamente, Obama tratará desses assuntos em sua vinda ao Brasil.

Não obstante, repita-se, se nada disso fosse tratado, a visita de Barack Obama ao Brasil já seria de importância capital por seu simbolismo. O evento demonstra o interesse dos estadunidenses em tratar o Brasil em nova relação, como parceiro. Ainda que condições de igualdade sejam difíceis, ao menos as relações entre Brasil e Estados Unidos passam a se constituir como relações entre potências mundiais, e não mais sob uma ótica regional. Note-se que é no Chile, outro parceiro importante para os estadunidenses na América Latina, onde Obama anunciará sua política para a região. A política externa para o Brasil não será a mesma para o restante do subcontinente, o que é natural. Em outras palavras, com o Brasil a conversa é distinta, exatamente devido às novas dimensões de nosso país.

Passa da hora de reatarem-se os laços entre Brasil e Estados Unidos, as duas principais economias das Américas. Passa da hora desses países, com muito mais semelhanças que diferenças, com valores compartilhados, e grandes possibilidades de cooperação, fomentarem uma relação mais harmônica e produtiva. O discurso “yankees, go home!” é anacrônico e sem sentido para o Brasil de hoje. Nada o justifica, sobretudo porque país nenhum do mundo tem condições de submeter o Brasil a uma política imperialista. A idéia agora deve ser de aproximação com os Estados Unidos e qualquer outra Potência que queira nos tratar com o devido respeito: “yankees, welcome!”.

* Joanisval Brito Gonçalves. Os conceitos e opiniões aqui emitidos são exclusivamente do autor e não refletem necessariamente as posições de entidades às quais esteja eventualmente vinculado. E-mail para contato: joanisval@gmail.com. Website: www.joanisval.com.

Brasil-EUA: parceria estratégica

Já passa da hora de fortalecermos mais ainda os laços com a maior potência mundial. Nada de americanofobia ou americanofilia, mas uma relação de respeito mútuo entre duas grandes nações do Hemisfério.

Os EUA são tradicionalmente um parceiro fundamental do Brasil. São consumidores de bens com valor agregado por nós produzidos. Gostem seus críticos ou não, são “a” liderança mundial (só lamento o fato de serem uma República presidencialista, mas, como sempre digo, é o lugar onde o presidencialismo deu certo e funciona – na minha modesta opinião, exatamento porque foi criado lá). Qualquer iniciativa refratária a uma aproximação com os estadunidenses seria muito mais prejudicial ao Brasil. Continuar lendo

ALN e os Justiçamentos

Transcrevo um texto sobre a ALN e os Justiçamentos no Brasil. Vale a pena conhecer como operavam os grupos que participaram da luta armada naqueles anos.
O texto a seguir não se trata de invenção. De fato, vai ao encontro do que pregava a doutrina de recrutamento e de operações dos vários grupos armados de esquerda, doutrina essa concebida em terras distantes e baseada em documentos de líderes revolucionários como Lênin.
Quem quiser opinião de alguém que participou desses movimentos de esquerda e fala com bastante propriedade sobre o tema, leia Combate nas Trevas – A Esquerda Brasileira: das ilusões perdidas a luta armada, de Jacob Gorender (São Paulo: Ática, 1987). Difícil é encontrar esse livro para comprar… Por que será?

A ALN E OS “JUSTIÇAMENTOS”

Pela editoria do site A VERDADE SUFOCADA

Aproveitando o idealismo dos jovens, sua ousadia e a sua esperança em poder reformar o mundo, as organizações subversivo-terroristas, tendo como suporte experientes militantes comunistas, sempre dispensaram especial atenção ao recrutamento dos jovens. Continuar lendo

Terrorismo no Brasil: Manifesto da ALN

Mais um texto que julgo bom para conhecimento… Era para ter postado no último domingo, mas como não pude, posto hoje…

Desculpem, mas não consigo ver nada de heróico ou romântico nas ações da Ação Libertadora Nacional (ALN). Orientados ideologicamente por potências estrangeiras e treinados em regimes autoritários como a União Soviética, a China ou Cuba, os integrantes da ALN que optaram pela luta armada não tinham qualquer escrúpulo em cometer crimes em nome de seus objetivos nada democráticos.

Destaco:

Todos nós somos guerrilheiros, terroristas e assaltantes e não homens que dependem de votos de outros revolucionários ou de quem quer que seja para se desempenharem do dever de fazer a revolução. O centralismo democrático não se aplica a Organizações revolucionárias como a nossa.

Em nossa Organização o que há é a democracia revolucionária. E democracia revolucionária é o resultado da confiança no papel desempenhado pela ação revolucionária e nos que participam da ação revolucionária.

Confesso que acho ridículo aquele discurso de que os EUA influenciaram os eventos de 1964 e tinham alguma ingerência sobre o regime que aqui se estabeleceu. Se a CIA tinha alguma influência por aqui é difícil dizer, sendo provável que sim. Entretanto, não há dúvida de que o KGB, o GRU e outros serviços secretos da URSS e de outros países comunistas davam as cartas e orientavam as ações da esquerda no Brasil, em particular dos que optaram pelo terrorismo.

Sob uma perspectiva histórica, é bom lembrar que vivíamos em plena Guerra Fria, quando as Superpotências disputavam poder na periferia. Os terroristas aqui atuavam sob a direção de Moscou (e de seus aliados) e lutavam para estabelecer um regime, naturalmente, nos moldes soviéticos. Ainda bem que não conseguiram… Não, Cuba não é modelo de democracia…

Quem tiver curiosidade, procure saber onde estão hoje os egressos da ALN. Vai se surpreender. Eu fico por aqui… e quieto.

Alguns membros da ALN... Conhece esses rostos???

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A Tragédia no Japão e o (des)preparo de Pindorama

Japão 2011 - Terremoto e tsunami - previsíveis, mas inevitáveis...

Além do pesar pelas vítimas da tragédia e de nos solidarizarmos com o povo japonês, esses terríveis acontecimentos no Império do Sol Nascente nos fazem pensar no despreparo aqui em Pindorama frente a grandes tragédias… Ok, país tropical, abençoado por Deus e bonito por natureza… Não temos vulcões ativos, furacões nem terremotos (ainda que meus amigos do Rio Grande do Norte insistam que não é bem assim)… Mas temos nossas enchentes e desmoronamentos de encostas… nesses casos, todos eventos previsíveis e, de certa forma, controláveis… Mas as mortes por aqui são a única certeza.

Os japoneses se mostraram (como era de se esperar) tremendamente preparados para enfrentar catástrofes. O problema ali é que, realmente, o terremoto e a tsunami que o sucedeu foram muito intensos. É exatamente o inverso do cenário por aqui.

Região Serrana do Rio, 2011 - enchentes e desmoronamentos: evitáveis, mas não previstas...

Em Pindorama, não temos que nos preocupar com desastres naturais das proporções dos ocorridos no Japão. Nossos terremotos e nossas tsunamis estão relacionados à má administração dos recursos públicos, à falta de planejamento e ao descaso das autoridades para com os interesses gerais. E essas catástrofes também matam e causam graves prejuízos…

Tudo bem, diriam alguns… mas é o Japão, não é? Terceira economia do globo, índices de desenvolvimento sociais altíssimos… Bom, aqui no Hemisfério Ocidental tivemos dois casos marcantes no ano passado, os terremotos do Haiti e do Chile. Não preciso comentar a tragédia haitiana (onde, inclusive, perdi dois amigos). Mas vale lembrar a eficiência com que os chilenos lidaram com a catástrofe por lá. Eu estava em Santiago quando ocorreu o terremoto do Haiti e lá, conversando com os amigos, percebi como os chilenos estavam preparados para um evento cuja única certeza é que iria acontecer. Resta saber por aqui se em Pindorama estamos mais para Haiti do que para Chile e Japão. Deus nos ajude!

Imagens da tragédia no Japão: http://blogs.estadao.com.br/olhar-sobre-o-mundo/terremoto-no-japao/

Cobertura: http://topicos.estadao.com.br/terremoto

 

Terrorismo no Brasil: Mao e a guerra no campo

É surpreendente como as gerações atuais nada conhecem sobre o que aconteceu há 40 ou 50 anos no Brasil. Como o tema desta semana é o terrorismo em nosso País, e já falei de Marighella e de sua guerrilha urbana, resolvi inserir um texto de outro ícone da esquerda daquela época (e de muitos ainda hoje), cujas orientações e o exemplo (e claro, certo pecúlio) em muito estimularam os “combatentes da liberdade” por aqui: Mao Tse Tung.

Hoje se costuma minimizar a intensidade das ações violentas do período (ou , ao menos, aquelas patrocinadas pelos grupos insurgentes). Quando se fala em violência naqueles anos, em geral (e intencionalmente) a referência é sempre àquela cometida pelos “agentes da ditadura”. Bem, que fique claro: houve violência dos dois lados, pois se entendia aquilo tudo como uma guerra! Ou seja, quem aderiu à luta armada não o fez para brincar! Essas pessoas tinham motivação ideológica clara, objetivos definidos, doutrina para orientar as ações (inclusive as táticas de guerrilha) e treinamento de combate, inclusive no exterior. Tudo isso acrescido de forte convicção ideológica baseada na máxima de que os fins justificam os meios. Se o objetivo era derrubar o regime para se estabelecer a “ditadura do proletariado”, toda e qualquer ação subversiva (seqüestros, roubos, assassinatos) estaria justificada.

Não, não se estava a brincar naqueles anos. Por mais absurdo que hoje nos pareça, por mais que nossas gerações que não viveram aquilo tenhamos dificuldade de entender e acreditar, a verdade é que muitos homens e mulheres que hoje são pacatas figuras proeminentes de nossa sociedade (na política, nas artes, nos negócios) e à época optaram pela luta armada, cometeram crimes (alguns bárbaros) em nome de ideologias. Todos foram anistiados. Destarte, a coisa não era romântica como se pinta hoje.

Costumo dizer que o grande mal do século XX no mundo, e na América Latina em particular, foi a ideologia, ideologia que dividiu irmãos e fez mulheres e homens bons matarem e morrerem. Mas isso fica para outro post…

Segue um texto do camarada Mao. E não me venham dizer que é só retórica. O exemplo chinês era algo factível para o Brasil, muitos da esquerda e da direita realmente nisso acreditavam. Claro que podia acontecer no Brasil sim! Aconteceu na Rússia e na China, países grandes e populosos como o nosso! Aqui também seria possível!

Destaco:

“A táctica que, ao longo dos últimos três anos, nós elaborámos no decorrer da luta, difere de qualquer outra adoptada nos tempos antigos ou modernos, quer na China quer no estrangeiro. Pela aplicação da nossa táctica, a luta das massas tem progredido dia após dia, de tal maneira que nem o adversário mais poderoso pode vencer-nos. A nossa táctica é a da guerra de guerrilhas, e consiste, no essencial, nos princípios seguintes:
‘Dispersar as tropas para levantar as massas, concentrar as tropas para bater o inimigo.’
‘O inimigo avança, nós recuamos, o inimigo imobiliza-se, nós flagelamos, o inimigo esgota–se, nós golpeamos, o inimigo retira-se, nós perseguimos.’
‘Para o estabelecimento de bases de apoio relativamente sólidas, nós adoptamos a táctica da progressão por vagas; quando somos perseguidos por um adversário poderoso, descrevemos um círculo sem nos afastarmos da base.’
‘Levantar um máximo de massas no mínimo tempo possível e recorrendo aos métodos mais adequados.’

E também:

O velho provérbio chinês “Uma faísca pode incendiar toda a pradaria” é perfeitamente aplicável aqui e significa que, muito embora as forças da revolução sejam no momento reduzidas, elas podem desenvolver-se muito rapidamente.

As idéias de Mao orientaram os que optaram pela chamada guerrilha rural. De fato, ainda são difundidas (é bom que fique claro) nos dias de hoje em alguns assentamentos rurais no Brasil, em escolas de certos movimentos sociais. Mas ninguém está muito preocupado com isso… O ovo da serpente nunca eclodirá…

Doutrinando as novas gerações...

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UMA FAÍSCA PODE INCENDIAR TODA A PRADARIA (1)

Mao Tse Tung, em 5 de janeiro de 1930

No nosso Partido, alguns camaradas ainda não compreenderam de maneira correcta a situação actual e não entendem, exactamente, a linha de acção que daí resulta. Acreditam que há-de verificar-se inevitavelmente um auge revolucionário, mas não crêem que tal auge possa ocorrer tão cedo. Essa a razão por que não aprovam o plano de conquista do Quiansi e aceitam, únicamente, a organização de acções volantes de guerrilhas na região fronteiriça das províncias de Fuquien, Cuantum e Quiansi. Além disso, não estão realmente convencidos da necessidade de organizar o poder vermelho nas regiões de guerrilhas, nem, por consequência, inteiramente convencidos da necessidade de acelerar a verificação do auge revolucionário no conjunto do país, consolidando e estendendo o poder vermelho. Eles parecem pensar que, num momento em que o auge revolucionário está ainda longe, seria vão consagrar-se ao trabalho duro do estabelecimento do poder. Eles contam, para começar, estender a nossa influência politica pela via relativamente fácil das acções volantes de guerrilhas. E, dizem, quando o trabalho de conquista das massas à escala do país estiver todo acabado ou, ao menos, muito avançado, passar-se-á ao levantamento armado em toda a China, lançar-se-ão na balança as forças do Exército Vermelho, chegando-se depois à grande revolução que abarcará a totalidade do país. Essa teoria da necessidade da conquista prévia das massas em todo o país, isto é, até aos mais pequenos recantos, para só depois se estabelecer o novo poder, não corresponde às condições reais da revolução chinesa. A fonte de tal teoria deve encontrar-se, essencialmente, na incompreensão do facto de a China ser uma semi-colónia que inúmeros Estados imperialistas se disputam. E, no entanto, basta compreender tal facto para que tudo se esclareça: Continuar lendo

Comissão da Verdade

Análise lúcida de meu amigo, Marcus Reis, sobre a Comissão da Verdade. Esse é um tema que merece muito cuidado, exatamente para não virar um comissão das meias verdades. Sobre o assunto, ontem vi um debate interessante na Globonews (no Entre Aspas desta semana).

Algumas verdades sobre a Comissão da Verdade…

10/03/2011

por mvreis

Muito se discute atualmente acerca da criação de uma Comissão da Verdade para apurar os “excessos cometidos pelas forças públicas durante o período da ditadura no Brasil”. Mas o que vem a ser tal Comissão? Por favor, não pode ser uma Comissão da Meia Verdade. Por quê? Bom, pelo simples motivo de que não se pode apurar somente a verdade daqueles que em certo momento de nossa história se encontravam contra as forças do Estado. 

E a verdade daqueles que combatiam a favor do Estado? Daqueles que foram vítimas de seqüestros, assaltos, assassinatos etc.? Daqueles soldados que morreram lutando? Parece que os crimes cometidos contra essas pessoas encontram uma justificativa, uma excludente de ilicitude ou uma causa extra-penal de exclusão de culpabilidade!

Vamos apurar! Vamos sim, mas apuremos todos os excessos! Os do lado de lá e os do lado de cá! Continuar lendo

Vítimas do terrorismo no Brasil IV: justiçamentos

Uma prática das mais nefastas entre os terroristas que atuaram no Brasil nas décadas de 1960 e 1970 foram os chamados “justiçamentos”, ou seja, o assassinato dos próprios companheiros considerados traidores pelos tribunais revolucionários. Também poderiam ser vítimas dessas práticas quaisquer pessoas consideradas inimigas, como integrantes das forças de segurança do Estado, civis que apoiassem o regime militar ou qualquer um contra o qual recaíssem suspeitas de que pudesse representar ameaça aos planos revolucionários. Em geral, esses justiçamentos eram feitos com requintes de crueldade, inclusive porque deveriam servir de exemplo e instrumento de propaganda revolucionária.

Bom lembrar que as mortes por justiçamento não eram causadas em meio ao fervor de uma batalha, por uma troca de tiros com autoridades estatais ou por uma bala perdida. Eram execuções sumárias e premeditadas, justificadas de maneira fria e cruel pelos mais elevados ideais revolucionários. Afinal, os terroristas (como é, sempre foi e sempre será) se viam no direito de decidir sobre a vida e a morte das pessoas que estivessem em seu caminho. E matavam. E o pior é que esses assassinos não demonstram qualquer remorso por seus crimes e ainda há gente que admira essa conduta!

Dentre as quase duas dezenas de justiçamentos ocorridos no Brasil à época da luta armada, citaremos alguns ao longo da semana. Nenhum está listado entre os crimes cometidos durante o período militar. E os algozes, como deve ser, foram beneficiados pela Lei de Anistia que agora muitos querem revisar. Naturalmente, se isso acontecer, a revisão será para punir aqueles que atuaram em nome do regime, jamais aos combatentes da liberdade (mesmo porque, se a Lei de Anistia for revista de forma imparcial, muita gente nos altos escalões desta República teria que responder por seus atos…).

O assassinato de um militar estrangeiro

O ano era 1968. O Brasil vivia um clima de intranqüilidade nas grandes cidades, em virtude das ações dos grupos de esquerda contra o regime estabelecido em 31 de março de 1964 e a conseqüente reação das forças do Governo Costa e Silva. Era a época de atentados terroristas como explosões de bombas, seqüestros, depredações ao patrimônio público, roubos (chamados eufemisticamente de expropriações) e, claro, combates urbanos entre os terroristas e os agentes do Estado. Continuar lendo

Nós e o terrorista italiano

Artigo interessante, publicado no ESP, acerca do caso Battisti.

Depois de estudar o caso, lendo parte dos autos, fica evidente o equívoco do Governo brasileiro nesta questão. Battisti agiu como assassino frio e matou sem piedade. Vai escapar impune porque tem bons amigos (companheiros) no Brasil.

Terrorista

Almir Pazzianotto Pinto (*)
 
Os brasileiros jamais aderiram ao terrorismo. Bakunin, para quem “o impulso de destruir é também um impulso criativo”, não fez escola entre nós. Influenciou um ou outro pervertido. Chacinar autoridades ou pessoas comuns, detonar bombas na multidão, explodir instalações públicas, como sucede rotineiramente em países conhecidos pela irracionalidade de minorias políticas e religiosas, não integram os nossos costumes. O povo mais de uma vez manifestou repugnância a facínoras insensíveis que, em nome de ideologia extremista, ou por mera propensão homicida, não vacilam em sacrificar homens, mulheres e crianças, em sangrentos atentados a tiros ou à bomba.
 
Marcelino Bispo de Melo, o soldado que, em 5 de novembro de 1897, ao atacar o presidente Prudente de Morais no cais do Rio de Janeiro, feriu de morte o ministro da Guerra, marechal Machado Bittencourt, e o coronel Mendes de Morais, ou Manso de Paiva, desempregado que, em 8 de setembro de 1915, apunhalou pelas costas o senador Pinheiro Machado, integram o diminuto número de terroristas assumidos da nossa História.
 
A Primeira República (1889-1930) ficou marcada por episódios de rara violência: a Revolta da Armada (1893-1894); a Campanha de Canudos (1896-1897); a Guerra do Contestado (1912-1916); fuzilamentos e a degola, praticada no Sul como forma de eliminação de adversários políticos e soldados inimigos (a vítima indefesa era posta de joelhos, com a cabeça entre as pernas do carrasco, que com golpe de adaga lhe abria o pescoço). Atos terroristas, todavia, foram poucos e isolados.
 
Jacob Gorender, autor de Combate nas Trevas – A Esquerda Brasileira: das ilusões perdidas à luta armada, descreve o surgimento do terror após 1964, utilizado como instrumento de reação ao regime militar Continuar lendo

Vítimas do Terrorismo no Brasil III

Dando continuidade ao tema da semana, segue uma lista das vítimas do terrorismo no Brasil. Desta vez listo os nomes dos mortos a partir dos “anos de chumbo”, que têm como marco inicial o Ato Institucional n. 5 (AI-5).

Todos os nomes constam de uma lista publicada por Reinaldo Azevedo em seu blog, em janeiro de 2010. Totalizam 120 pessoas. Note-se que a relação começa do número 20, pois os outros foram assassinados antes de 13/12/1968 (AI-5) – esses nomes estão aqui no post Vítimas do Terrorismo no Brasil I.

Relação cronológica dos mortos pelas mãos de terroristas entre os anos de 1969 a 1974.
 
20) 07/01/69 – Alzira Baltazar de Almeida  – dona de casa – Rio de Janeiro/RJ
Uma bomba jogada por terroristas embaixo de uma viatura policia, estacionada em frente à 9ª Delegacia de Polícia, ao explodir, matou Alzira, que passava pela rua
 
21) 11/01/69 – Edmundo Janot  – Lavrador – Rio de Janeiro / RJ
Morto a tiros, foiçadas e facadas por um grupo de terroristas que haviam montado uma base de guerrilha nas  proximidades da sua fazenda.
 
22) 29/01/69 – Cecildes Moreira de Faria  – Subinspetor de Polícia – BH/ MG
23) 29/01/69 – José Antunes Ferreira – guarda civil – BH/MG
Policiais chegaram a um “aparelho” do Comando de Libertação Nacional (Colina), na Rua Itacarambu nº 120, bairro São Geraldo. Foram recebidos por rajadas de metralhadora, disparadas por Murilo Pinto Pezzuti da Silva, “Cesar’ ou “Miranda”, que mataram o subinspetor Cecildes Moreira da Silva (ver acima), que deixou viúva e oito filhos menores. Ferreira também morreu. Além do assassino, foram presos os seguintes terroristas: Afonso Celso L.Leite (Ciro), Mauricio Vieira de Castro (Carlos), Nilo Sérgio Menezes Macedo, Júlio Antonio Bittencourt de Almeida (Pedro), Jorge Raimundo Nahas (Clovis ou Ismael) e Maria José de Carvalho Nahas (Celia ou Marta). No interior do “aparelho”, foram apreendidos 1 fuzil FAL, 5 pistolas, 3 revólveres, 2 metralhadoras, 2 carabinas, 2 granadas de mão, 702 bananas de dinamite, fardas da PM e dinheiro de assaltos. Continuar lendo