47 anos da Revolução de 31 de março: opinião de ex-guerrilheiros e pesquisadores

Seguem as palavras de quem combateu o regime estabelecido em 31 de março de 1964 ou pesquisa o tema…

– 31 de Março – Com a Palavra – os Ex-guerilheiros

Daniel Aarão Reis Filho, ex-guerrilheiro do Movimento Revolucionário 8 de outubro (MR-8), professor titular de História Contemporânea da UFF, foi um dos quarenta presos banidos para a Argélia, em troca do embaixador da Alemanha, por exigência das organizações terroristas que praticaram o sequestro:

“As ações armadas da esquerda brasileira não devem ser mitificadas. Nem para um lado nem para o outro. Eu não compartilho da lenda de que no final dos anos 60 e no início dos 70 (inclusive eu) fomos o braço armado de uma resistência democrática. Acho isso um mito surgido durante a campanha da anistia. Ao longo do processo de radicalização iniciado em 1961, o projeto das organizações de esquerda que defendiam a luta armada era revolucionário, ofensivo e ditatorial. Pretendia-se implantar uma ditadura revolucionária. Não existe um só documento dessas organizações em que elas se apresentassem como instrumento da resistência democrática”. (O Globo, 23/09/2001)

Renato Lemos, professor de História da UFRJ, acha que a esquerda deveria assumir suas idéias e ações durante a ditadura, afirmando:

“Cada vez mais se procura despolitizar a opção de luta armada numa tentativa de autocrítica por não termos sido democratas”.

– 31 de Março – Com a palavra – os pesquisadores

Jacob Gorender, historiador do Partido Comunista Brasileiro Revolucionário (PCBR), no seu livro Combate nas Trevas, no capítulo 8 – “Pré-revolução e golpe preventivo”, relata:

“Nos primeiros meses de 1964 esboçou-se uma situação pré-revolucionária e o golpe direitista se definiu, por isso mesmo, pelo caráter contra-revolucionário preventivo. A classe dominante e o imperialismo tinham sobradas razões para agir antes que o caldo entornasse.” (GORENDER, Jacob. Combate nas Trevas. 5ª edição, 1998). Continuar lendo

47 anos da Revolução de 31 de março

Prefiro, como o faz meu caríssimo Jarbas Passarinho, chamar de movimento contra-revolucionário. Chamem como quiserem: Revolução, movimento revolucionário, ou até golpe (esse não uso).

De toda maneira, para relembrar o 31 de março, dedicarei alguns posts àquele acontecimento.

Para começar, algumas notícias de jornais da época, sobre os acontecimentos…

– 31 de Março – Com a Palavra – a Mídia da época

“Seria rematada loucura continuarem as forças democráticas desunidas e inoperantes, enquanto os inimigos do regime vão, paulatinamente, fazendo ruir tudo aquilo que os impede de atingir o poder. Como dissemos muitas vezes, a democracia não deve ser um regime suicida,que dê a seus adversários o direito de trucidá-la,para não incorrer no risco de ferir uma legalidade que seus adversários são os primeiros a desrespeitar”. (O Globo de 31 de março de 1964) Continuar lendo

ALN e os Justiçamentos

Transcrevo um texto sobre a ALN e os Justiçamentos no Brasil. Vale a pena conhecer como operavam os grupos que participaram da luta armada naqueles anos.
O texto a seguir não se trata de invenção. De fato, vai ao encontro do que pregava a doutrina de recrutamento e de operações dos vários grupos armados de esquerda, doutrina essa concebida em terras distantes e baseada em documentos de líderes revolucionários como Lênin.
Quem quiser opinião de alguém que participou desses movimentos de esquerda e fala com bastante propriedade sobre o tema, leia Combate nas Trevas – A Esquerda Brasileira: das ilusões perdidas a luta armada, de Jacob Gorender (São Paulo: Ática, 1987). Difícil é encontrar esse livro para comprar… Por que será?

A ALN E OS “JUSTIÇAMENTOS”

Pela editoria do site A VERDADE SUFOCADA

Aproveitando o idealismo dos jovens, sua ousadia e a sua esperança em poder reformar o mundo, as organizações subversivo-terroristas, tendo como suporte experientes militantes comunistas, sempre dispensaram especial atenção ao recrutamento dos jovens. Continuar lendo

Terrorismo no Brasil: Manifesto da ALN

Mais um texto que julgo bom para conhecimento… Era para ter postado no último domingo, mas como não pude, posto hoje…

Desculpem, mas não consigo ver nada de heróico ou romântico nas ações da Ação Libertadora Nacional (ALN). Orientados ideologicamente por potências estrangeiras e treinados em regimes autoritários como a União Soviética, a China ou Cuba, os integrantes da ALN que optaram pela luta armada não tinham qualquer escrúpulo em cometer crimes em nome de seus objetivos nada democráticos.

Destaco:

Todos nós somos guerrilheiros, terroristas e assaltantes e não homens que dependem de votos de outros revolucionários ou de quem quer que seja para se desempenharem do dever de fazer a revolução. O centralismo democrático não se aplica a Organizações revolucionárias como a nossa.

Em nossa Organização o que há é a democracia revolucionária. E democracia revolucionária é o resultado da confiança no papel desempenhado pela ação revolucionária e nos que participam da ação revolucionária.

Confesso que acho ridículo aquele discurso de que os EUA influenciaram os eventos de 1964 e tinham alguma ingerência sobre o regime que aqui se estabeleceu. Se a CIA tinha alguma influência por aqui é difícil dizer, sendo provável que sim. Entretanto, não há dúvida de que o KGB, o GRU e outros serviços secretos da URSS e de outros países comunistas davam as cartas e orientavam as ações da esquerda no Brasil, em particular dos que optaram pelo terrorismo.

Sob uma perspectiva histórica, é bom lembrar que vivíamos em plena Guerra Fria, quando as Superpotências disputavam poder na periferia. Os terroristas aqui atuavam sob a direção de Moscou (e de seus aliados) e lutavam para estabelecer um regime, naturalmente, nos moldes soviéticos. Ainda bem que não conseguiram… Não, Cuba não é modelo de democracia…

Quem tiver curiosidade, procure saber onde estão hoje os egressos da ALN. Vai se surpreender. Eu fico por aqui… e quieto.

Alguns membros da ALN... Conhece esses rostos???

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Terrorismo no Brasil: Mao e a guerra no campo

É surpreendente como as gerações atuais nada conhecem sobre o que aconteceu há 40 ou 50 anos no Brasil. Como o tema desta semana é o terrorismo em nosso País, e já falei de Marighella e de sua guerrilha urbana, resolvi inserir um texto de outro ícone da esquerda daquela época (e de muitos ainda hoje), cujas orientações e o exemplo (e claro, certo pecúlio) em muito estimularam os “combatentes da liberdade” por aqui: Mao Tse Tung.

Hoje se costuma minimizar a intensidade das ações violentas do período (ou , ao menos, aquelas patrocinadas pelos grupos insurgentes). Quando se fala em violência naqueles anos, em geral (e intencionalmente) a referência é sempre àquela cometida pelos “agentes da ditadura”. Bem, que fique claro: houve violência dos dois lados, pois se entendia aquilo tudo como uma guerra! Ou seja, quem aderiu à luta armada não o fez para brincar! Essas pessoas tinham motivação ideológica clara, objetivos definidos, doutrina para orientar as ações (inclusive as táticas de guerrilha) e treinamento de combate, inclusive no exterior. Tudo isso acrescido de forte convicção ideológica baseada na máxima de que os fins justificam os meios. Se o objetivo era derrubar o regime para se estabelecer a “ditadura do proletariado”, toda e qualquer ação subversiva (seqüestros, roubos, assassinatos) estaria justificada.

Não, não se estava a brincar naqueles anos. Por mais absurdo que hoje nos pareça, por mais que nossas gerações que não viveram aquilo tenhamos dificuldade de entender e acreditar, a verdade é que muitos homens e mulheres que hoje são pacatas figuras proeminentes de nossa sociedade (na política, nas artes, nos negócios) e à época optaram pela luta armada, cometeram crimes (alguns bárbaros) em nome de ideologias. Todos foram anistiados. Destarte, a coisa não era romântica como se pinta hoje.

Costumo dizer que o grande mal do século XX no mundo, e na América Latina em particular, foi a ideologia, ideologia que dividiu irmãos e fez mulheres e homens bons matarem e morrerem. Mas isso fica para outro post…

Segue um texto do camarada Mao. E não me venham dizer que é só retórica. O exemplo chinês era algo factível para o Brasil, muitos da esquerda e da direita realmente nisso acreditavam. Claro que podia acontecer no Brasil sim! Aconteceu na Rússia e na China, países grandes e populosos como o nosso! Aqui também seria possível!

Destaco:

“A táctica que, ao longo dos últimos três anos, nós elaborámos no decorrer da luta, difere de qualquer outra adoptada nos tempos antigos ou modernos, quer na China quer no estrangeiro. Pela aplicação da nossa táctica, a luta das massas tem progredido dia após dia, de tal maneira que nem o adversário mais poderoso pode vencer-nos. A nossa táctica é a da guerra de guerrilhas, e consiste, no essencial, nos princípios seguintes:
‘Dispersar as tropas para levantar as massas, concentrar as tropas para bater o inimigo.’
‘O inimigo avança, nós recuamos, o inimigo imobiliza-se, nós flagelamos, o inimigo esgota–se, nós golpeamos, o inimigo retira-se, nós perseguimos.’
‘Para o estabelecimento de bases de apoio relativamente sólidas, nós adoptamos a táctica da progressão por vagas; quando somos perseguidos por um adversário poderoso, descrevemos um círculo sem nos afastarmos da base.’
‘Levantar um máximo de massas no mínimo tempo possível e recorrendo aos métodos mais adequados.’

E também:

O velho provérbio chinês “Uma faísca pode incendiar toda a pradaria” é perfeitamente aplicável aqui e significa que, muito embora as forças da revolução sejam no momento reduzidas, elas podem desenvolver-se muito rapidamente.

As idéias de Mao orientaram os que optaram pela chamada guerrilha rural. De fato, ainda são difundidas (é bom que fique claro) nos dias de hoje em alguns assentamentos rurais no Brasil, em escolas de certos movimentos sociais. Mas ninguém está muito preocupado com isso… O ovo da serpente nunca eclodirá…

Doutrinando as novas gerações...

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UMA FAÍSCA PODE INCENDIAR TODA A PRADARIA (1)

Mao Tse Tung, em 5 de janeiro de 1930

No nosso Partido, alguns camaradas ainda não compreenderam de maneira correcta a situação actual e não entendem, exactamente, a linha de acção que daí resulta. Acreditam que há-de verificar-se inevitavelmente um auge revolucionário, mas não crêem que tal auge possa ocorrer tão cedo. Essa a razão por que não aprovam o plano de conquista do Quiansi e aceitam, únicamente, a organização de acções volantes de guerrilhas na região fronteiriça das províncias de Fuquien, Cuantum e Quiansi. Além disso, não estão realmente convencidos da necessidade de organizar o poder vermelho nas regiões de guerrilhas, nem, por consequência, inteiramente convencidos da necessidade de acelerar a verificação do auge revolucionário no conjunto do país, consolidando e estendendo o poder vermelho. Eles parecem pensar que, num momento em que o auge revolucionário está ainda longe, seria vão consagrar-se ao trabalho duro do estabelecimento do poder. Eles contam, para começar, estender a nossa influência politica pela via relativamente fácil das acções volantes de guerrilhas. E, dizem, quando o trabalho de conquista das massas à escala do país estiver todo acabado ou, ao menos, muito avançado, passar-se-á ao levantamento armado em toda a China, lançar-se-ão na balança as forças do Exército Vermelho, chegando-se depois à grande revolução que abarcará a totalidade do país. Essa teoria da necessidade da conquista prévia das massas em todo o país, isto é, até aos mais pequenos recantos, para só depois se estabelecer o novo poder, não corresponde às condições reais da revolução chinesa. A fonte de tal teoria deve encontrar-se, essencialmente, na incompreensão do facto de a China ser uma semi-colónia que inúmeros Estados imperialistas se disputam. E, no entanto, basta compreender tal facto para que tudo se esclareça: Continuar lendo

Terrorismo no Brasil: Marighella e seu Minimanual

Marighella

Para ilustrar como pensavam muitos dos que optaram pelo recurso à luta armada no Brasil, recomendo a leitura do opúsculo de Carlos Marighella, terrorista-mor do período, cultuado ainda hoje por muitos que não sabem a mínima sobre quem de fato era aquele senhor. Melhor que tecer considerações a seu respeito, indico o link para o Minimanual do Guerrilheiro Urbano: http://www.marxists.org/portugues/marighella/1969/manual/index.htm. Muito mal foi feito com base naquele texto.

Seguem alguns trechos do Minimanual:

Mas a característica fundamental e decisiva do guerrilheiro urbano é que é um homem que luta com armas; dada esta condição, há poucas probabilidades de que possa seguir sua profissão normal por muito tempo ou o referencial da luta de classes, já que é inevitável e esperado necessariamente, o conflito armado do guerrilheiro urbano contra os objetivos essenciais:

a. A exterminação física dos chefes e assistentes das forças armadas e da polícia.

b. A expropriação dos recursos do governo e daqueles que pertencem aos grandes capitalistas, latifundiários, e imperialistas, com pequenas exropriações usadas para o mantimento do guerrilheiro urbano individual e grandes expropriações para o sustento da mesma revolução.

É claro que o conflito armado do guerrilheiro urbano também tem outro objetivo. Mas aqui nos referimos aos objetivos básicos, sobre tudo às expropriações. É necessário que todo guerrilheiro urbano tenha em mente que somente poderá sobreviver se está disposto a matar os policiais e todos aqueles dedicados à repressão, e se está verdadeiramente dedicado a expropriar a riqueza dos grandes capitalistas, dos latifundiários, e dos imperialistas.” (grifos nossos) Continuar lendo

Comissão da Verdade

Análise lúcida de meu amigo, Marcus Reis, sobre a Comissão da Verdade. Esse é um tema que merece muito cuidado, exatamente para não virar um comissão das meias verdades. Sobre o assunto, ontem vi um debate interessante na Globonews (no Entre Aspas desta semana).

Algumas verdades sobre a Comissão da Verdade…

10/03/2011

por mvreis

Muito se discute atualmente acerca da criação de uma Comissão da Verdade para apurar os “excessos cometidos pelas forças públicas durante o período da ditadura no Brasil”. Mas o que vem a ser tal Comissão? Por favor, não pode ser uma Comissão da Meia Verdade. Por quê? Bom, pelo simples motivo de que não se pode apurar somente a verdade daqueles que em certo momento de nossa história se encontravam contra as forças do Estado. 

E a verdade daqueles que combatiam a favor do Estado? Daqueles que foram vítimas de seqüestros, assaltos, assassinatos etc.? Daqueles soldados que morreram lutando? Parece que os crimes cometidos contra essas pessoas encontram uma justificativa, uma excludente de ilicitude ou uma causa extra-penal de exclusão de culpabilidade!

Vamos apurar! Vamos sim, mas apuremos todos os excessos! Os do lado de lá e os do lado de cá! Continuar lendo

Vítimas do terrorismo no Brasil IV: justiçamentos

Uma prática das mais nefastas entre os terroristas que atuaram no Brasil nas décadas de 1960 e 1970 foram os chamados “justiçamentos”, ou seja, o assassinato dos próprios companheiros considerados traidores pelos tribunais revolucionários. Também poderiam ser vítimas dessas práticas quaisquer pessoas consideradas inimigas, como integrantes das forças de segurança do Estado, civis que apoiassem o regime militar ou qualquer um contra o qual recaíssem suspeitas de que pudesse representar ameaça aos planos revolucionários. Em geral, esses justiçamentos eram feitos com requintes de crueldade, inclusive porque deveriam servir de exemplo e instrumento de propaganda revolucionária.

Bom lembrar que as mortes por justiçamento não eram causadas em meio ao fervor de uma batalha, por uma troca de tiros com autoridades estatais ou por uma bala perdida. Eram execuções sumárias e premeditadas, justificadas de maneira fria e cruel pelos mais elevados ideais revolucionários. Afinal, os terroristas (como é, sempre foi e sempre será) se viam no direito de decidir sobre a vida e a morte das pessoas que estivessem em seu caminho. E matavam. E o pior é que esses assassinos não demonstram qualquer remorso por seus crimes e ainda há gente que admira essa conduta!

Dentre as quase duas dezenas de justiçamentos ocorridos no Brasil à época da luta armada, citaremos alguns ao longo da semana. Nenhum está listado entre os crimes cometidos durante o período militar. E os algozes, como deve ser, foram beneficiados pela Lei de Anistia que agora muitos querem revisar. Naturalmente, se isso acontecer, a revisão será para punir aqueles que atuaram em nome do regime, jamais aos combatentes da liberdade (mesmo porque, se a Lei de Anistia for revista de forma imparcial, muita gente nos altos escalões desta República teria que responder por seus atos…).

O assassinato de um militar estrangeiro

O ano era 1968. O Brasil vivia um clima de intranqüilidade nas grandes cidades, em virtude das ações dos grupos de esquerda contra o regime estabelecido em 31 de março de 1964 e a conseqüente reação das forças do Governo Costa e Silva. Era a época de atentados terroristas como explosões de bombas, seqüestros, depredações ao patrimônio público, roubos (chamados eufemisticamente de expropriações) e, claro, combates urbanos entre os terroristas e os agentes do Estado. Continuar lendo

Vítimas do Terrorismo no Brasil III

Dando continuidade ao tema da semana, segue uma lista das vítimas do terrorismo no Brasil. Desta vez listo os nomes dos mortos a partir dos “anos de chumbo”, que têm como marco inicial o Ato Institucional n. 5 (AI-5).

Todos os nomes constam de uma lista publicada por Reinaldo Azevedo em seu blog, em janeiro de 2010. Totalizam 120 pessoas. Note-se que a relação começa do número 20, pois os outros foram assassinados antes de 13/12/1968 (AI-5) – esses nomes estão aqui no post Vítimas do Terrorismo no Brasil I.

Relação cronológica dos mortos pelas mãos de terroristas entre os anos de 1969 a 1974.
 
20) 07/01/69 – Alzira Baltazar de Almeida  – dona de casa – Rio de Janeiro/RJ
Uma bomba jogada por terroristas embaixo de uma viatura policia, estacionada em frente à 9ª Delegacia de Polícia, ao explodir, matou Alzira, que passava pela rua
 
21) 11/01/69 – Edmundo Janot  – Lavrador – Rio de Janeiro / RJ
Morto a tiros, foiçadas e facadas por um grupo de terroristas que haviam montado uma base de guerrilha nas  proximidades da sua fazenda.
 
22) 29/01/69 – Cecildes Moreira de Faria  – Subinspetor de Polícia – BH/ MG
23) 29/01/69 – José Antunes Ferreira – guarda civil – BH/MG
Policiais chegaram a um “aparelho” do Comando de Libertação Nacional (Colina), na Rua Itacarambu nº 120, bairro São Geraldo. Foram recebidos por rajadas de metralhadora, disparadas por Murilo Pinto Pezzuti da Silva, “Cesar’ ou “Miranda”, que mataram o subinspetor Cecildes Moreira da Silva (ver acima), que deixou viúva e oito filhos menores. Ferreira também morreu. Além do assassino, foram presos os seguintes terroristas: Afonso Celso L.Leite (Ciro), Mauricio Vieira de Castro (Carlos), Nilo Sérgio Menezes Macedo, Júlio Antonio Bittencourt de Almeida (Pedro), Jorge Raimundo Nahas (Clovis ou Ismael) e Maria José de Carvalho Nahas (Celia ou Marta). No interior do “aparelho”, foram apreendidos 1 fuzil FAL, 5 pistolas, 3 revólveres, 2 metralhadoras, 2 carabinas, 2 granadas de mão, 702 bananas de dinamite, fardas da PM e dinheiro de assaltos. Continuar lendo

Vítimas do Terrorismo no Brasil II: Mário Kozel Filho

Mário Kozel Filho (São Paulo, 06/07/1949 – São Paulo, 26/06/1968) é muito pouco lembrado quando se fala dos que morreram por ocasião da luta armada no Brasil. E a razão talvez se deva ao fato de que esse rapaz tenha morrido, pouco antes de completar 19 anos, vítima de uma atentado terrorista promovido pelos combatentes da liberdade.

Kuka, apenas um garoto…

 Filho de Mário Kozel e Therezinha Lana Kozel, Mário Kozel Filho, o “Kuka”, tinha dezoito anos quando deixou de freqüentar as aulas e de trabalhar para iniciar o serviço militar obrigatório no 4º Regimento de Infantaria Raposo Tavares, em Quitaúna, município de Osasco, em 15 de janeiro de 1968. Em Quitaúna passou a ser o soldado nº 1.803 da 5ª Companhia de Fuzileiros do Segundo Batalhão.

Na madrugada de 26 de junho de 1968, Kuka estava de serviço, montando guarda no Quartel General do II Exército, o atual Comando Militar do Sudeste, na Cidade de São Paulo. Tudo parecia calmo e o silêncio imperava. Os militares dormiam e descansavam. Alertas apenas as sentinelas, cumprindo seu dever de zelar pela vida de seus companheiros e protegendo as instalações do QG. Cabe lembrar que os jovens de serviço naquela noite eram recrutas, estavam cumprindo o serviço militar obrigatório, e tinham, portanto, seis meses de instrução e de serviço nas fileiras do Exército. Não eram soldados profissionais, tampouco agentes da ditadura.

A tranqüilidade no QG seria interrompida por um grupo de dez terroristas, entre eles duas mulheres, que seguiam para ali realizar um atentado em um pequeno caminhão, carregado com 50 quilos de dinamite, e mais três Fuscas. O ataque à instalação militar seria um ato importante no contexto da propaganda da luta armada. Os terroristas seguiam a orientação de seu líder, Carlos Marighella que, no seu Minimanual de Guerrilha Urbana pregava que “o terrorismo é uma arma a que jamais o revolucionário pode renunciar” e que “ser assaltante ou terrorista é uma condição que enobrece qualquer homem honrado.” Continuar lendo

Vítimas do terrorismo no Brasil I

Esse pessoal foi apagado da História. Não houve indenizações para eles… O pior é que as gerações atuais não têm qualquer noção desses fatos. Houve inocentes vítimas do terrorismo de esquerda no Brasil. Fica aqui o registro, em memória dos esquecidos. 

AS VÍTIMAS DAS ESQUERDAS ANTES DO AI-5

1) 12/11/64 – Paulo Macena,  Vigia – RJ
Explosão de bomba deixada por uma organização comunista nunca identificada, em protesto contra a aprovação da Lei Suplicy, que extinguiu a UNE e a UBES. No Cine Bruni, Flamengo, com seis feridos graves e 1 morto.
 
2) 27/03/65- Carlos Argemiro Camargo, Sargento do Exército – Paraná
Emboscada de um grupo de militantes da Força Armada de Libertação Nacional (FALN), chefiado pelo ex-coronel Jeffersom Cardim de Alencar Osorio. Camargo foi morto a tiros. Sua mulher estava grávida de sete meses.
 
3) 25/07/66 – Edson Régis de Carvalho, Jornalista – PE
4) 25/07/66 – Nelson Gomes Fernandes, almirante – PE
Explosão de bomba no Aeroporto Internacional de Guararapes, com 17 feridos e 2 mortos. Além das duas vítimas fatais, ficaram feridas 17 pessoas, entre elas o então coronel do Exército Sylvio Ferreira da Silva. Além de fraturas expostas, teve amputados quatro dedos da mão esquerda. Sebastião Tomaz de Aquino, guarda civil, teve a perna direita amputada. Continuar lendo

Desprezado pela Comissão de Anistia

Esta é mais uma reportagem da série publicada pela Veja em 2010 sobre os anistiados políticos. Ilustra bem o outro lado a história.

Pouco se divulga acerca das vítimas do terrorismo de esquerda no Brasil. E houve vítimas. Esta semana dedicarei alguns posts a esses esquecidos. Infelizmente, o País tem uma grande dificuldade de discutir o tema sob uma perspectiva de contraditório. Permanece a versão parcial de que aqueles que pegaram em armas nos anos sessenta e setenta eram apenas “jovens combatentes da liberdade” que lutavam pelo restabelecimento da democracia.

Em que pese o fato de que muitos que resistiram ao regime militar o faziam com os mais nobres anseios democráticos, também houve muita gente que pegou em armas e cometeu crimes com o objetivo de derrubar o regime e estabelecer uma ditadura de esquerda da pior estirpe. A verdade é que não houve nenhum modelo de esquerda defendido por aquelas pessoas que não se constituísse de ditaduras abjetas comandadas por uma casta que se dizia governar em nome do povo, mas que vivia no luxo e se beneficiando das benesses de pertencer ao politiburo. A providência se encarregou de estirpar esse modelo no final do século passado (embora ainda haja centenas de milhões de pessoas que ainda vivem sob regimes autoritários de índole marxista, é bom lembrar).

Uma Vítima da Comissão de Anistia

Bruno Abbud

Em 19 de março de 1968, Orlando Lovecchio Filho chegou a São Paulo por volta da 1h da manhã, depois de passar o fim de semana em Santos, onde morava a família. Acompanhado de dois amigos, deixou o carro no estacionamento do Conjunto Nacional, na Avenida Paulista, número 2073, como fazia quase todos os dias – aos 22 anos, morava num prédio sem garagem perto dali. Como fazia todos os dias, Lovecchio subiu até o térreo do edifício e seguiu em direção à saída da Rua Padre João Manoel.

Orlando Lovecchio Filho - mais uma vítima do terrorismo de esquerda, esquecido pela Comissão de Anistia

Como fazia todos os dias, passou os olhos pelas grades e paredes de vidro do consulado dos Estados Unidos que ficava no caminho até a porta do Conjunto. Nesse momento, um pequeno objeto rodeado por uma nuvem de fumaça despertou-lhe a atenção. Para prevenir os responsáveis pelo esquema de segurança, virou as costas para o que pensou tratar-se de um equipamento elétrico em curto-circuito. Ouviu-se então um barulho estrondoso e o trio foi arremessado ao chão. Continuar lendo

Os dez mais da Anistia

Sem comentários… Tsc, tsc, tsc…

Os dez mais da Anistia

(publicado na Coluna do Augusto Nunes em 15/01/2011)

O ranking dos 10 mais da lista dos anistiados políticos soma R$ 25.439.875,94 em indenizações. A quantia é suficiente para instalar 26 mil computadores em escolas públicas, equipar 31 hospitais com aparelhos de tomografia e distribuir exemplares do livro ‘Técnicas de interrogatório sem violência’ entre 392 mil militares. As cifras aparecem na folha de pagamento do Ministério do Planejamento. A identificação dos beneficiários exige uma demorada busca na coleção do Diário Oficial da União.

Bolsa-Ditadura: mais uma falácia com o seu, o meu, o nosso dinheiro...

Todas as indenizações foram aprovadas pela Comissão de Anistia, mas nenhum integrante do ranking recebeu integralmente o dinheiro pago em parcelas. Enquanto esperam, recebem pontualmente as pensões mensais fixadas na mesma decisão que calculou o valor da indenização. O n° 1 da lista, José Carlos Arouca, não sabe quando poderá dispor dos R$ 2,9 milhões que lhe valeram a condição de recordista. Mas os R$ 15,6 mil da pensão mensal têm sido regularmente depositados em sua conta bancária.

Aos 75 anos, instalado na banca de advogado perto do centro paulistano, Arouca foi aprovado em 1° lugar num concurso para juiz do Trabalho em 1965. Ele se inscrevera para garantir a sobrevivência financeira ameaçada pela suspensão, decorrente de pressões do governo militar, da assistência jurídica que prestava a vários sindicatos. Não só foi impedido de assumir o cargo de juiz como se viu processado com base na Lei de Segurança Nacional e passou algumas semanas na prisão.

“Eu era filiado ao Partidão”, conta em tom orgulhoso, chamando pelo apelido carinhoso o velho Partido Comunista Brasileiro. “Tinha uma militância política muito intensa junto aos sindicatos”.  Em 1999, 20 anos depois da anistia, o resultado do concurso foi formalmente reconhecido e Arouca se tornou juiz do Tribunal Regional do Trabalho de São Paulo. Aposentou-se em  2005 e, no mesmo ano, foi contemplado com a indenização milionária.

A voz parece menos afirmativa quando a conversa trata do dinheiro. “Eu tenho uma porção de opiniões, mas algumas não estão valendo nada no momento”, esquiva-se o ex-juiz, que se nega a confirmar o tamanho da pensão mensal. “Acho que o meu caso está de acordo, está na lei”, diz. “Eles não podiam dar nem mais nem menos”.

Terceiro do ranking, Paulo Cannabrava Filho conseguiu R$ 2,7 milhões, além da pensão de 15.754,80 por mês. Presidente da  Associação Brasileira da Propriedade Intelectual dos Jornalistas Profissionais, Cannabrava recebe o equivalente ao salário médio de um editor. Procurado por VEJA.com, exigiu que a pergunta fosse feita por e-mail. Atendida a exigência, respondeu com admirável concisão: “A VEJA digo: nada a declarar. Assunto encerrado”. Os beneficiários das boladas gostariam que o assunto fosse sepultado para sempre. Os brasileiros que pagam a conta discordam.

O quarto da lista, Renato Leone Mohor, também premiado com R$ 2,7 milhões, teve a reparação equiparada ao salário médio de um chefe de redação: R$ 15,3 mil. Encerrou o telefonema ao saber que conversava com um repórter de VEJA.com.  “Este número é confidencial e não vou te atender, amigo”.

Décimo do ranking, o jornalista e ex-deputado federal Hermano de Deus Nobre Alves não viveu para receber integralmente a indenização de R$ 2,1 milhões. Em julho, aos 86 anos, morreu em Lisboa, onde morava desde 1991. Segundo as regras da anistia, o direito à reparação não é transferível para algum herdeiro.

Entre os relatores, o campeão da generosidade com dinheiro alheio é o advogado Márcio Gontijo. Seis dos 10 nomes entraram no ranking graças ao parecer favorável do conselheiro perdulário. “Eu sou o conselheiro mais antigo da Comissão, muitos processos já passaram pelas minhas mãos”, desconversa Gontijo. E quais foram os critérios que ampararam a gastança?  “Eu me baseio na lei”, acredita. Ninguém sabe exatamente a que lei se refere.

1) José Carlos da Silva Arouca
Indenização: R$ 2.978.185,15

Pensão mensal: R$ 15.652,69.
Relator: Márcio Gontijo

2) Antonieta Vieira dos Santos
Indenização: R$ 2.958.589,08

Pensão mensal: R$ 15.135,65.
Relator: Sueli Aparecida Bellato

3) Paulo Cannabrava Filho
Indenização: R$ 2.770.219,00

Pensão mensal: R$ 15.754,80.
Relator: Márcio Gontijo

4) Renato Leone Mohor
Indenização: R$ 2.713.540,08

Pensão mensal: R$ 15.361,11.
Relator: Hegler José Horta Barbosa

5) Osvaldo Alves
Indenização: R$ 2.672.050,48.

Pensão mensal: R$ 18.095,15.
Relator: Márcio Gontijo

6) José Caetano Lavorato Alves
Indenização: R$ 2.541.693,65

Pensão mensal: R$ 18.976,31.
Relator: Márcio Gontijo

7) Márcio Kleber Del Rio Chagas do Nascimento
Indenização: R$ 2.238.726,71

Pensão mensal: R$ 19.115,17.
Relator: Márcio Gontijo

8 ) José Augusto de Godoy
Indenização: R$ 2.227.120,46

Pensão mensal: R$ 12.454,77.
Relator: Sueli Aparecida Bellato

9) Fernando Pereira Christino
Indenização: R$ 2.178.956,71

Pensão mensal: R$ 19.115,19.
Relator: Márcio Gontijo

10) Hermano de Deus Nobre Alves
Indenização: R$ 2.160.794,62

Pensão mensal: R$ 14.777,50.
Relator: Vanda Davi Fernandes de Oliveira

Grande Guerra: submarinos e encouraçados

Uma vez que esta semana foi dedicada primeiramente à I Guerra Mundial, inserimos mais um post que pode interessar aos estudiosos de História Militar. Aspecto importante naquele conflito foi a guerra no mar. Nesse sentido, algumas palavras acerca de submarinos e encouraçados, duas inovações que revolucionaram as batalhas marítimas. Enquanto aqueles (cujo primeiro protótipo já havia sido testado na Guerra Civil estadunidense) se desenvolveriam ao longo do século XX, estes surgiram no final do século XIX, reinaram pelas primeiras décadas do século seguinte, mas começariam a ver-se limitados já na II Guerra Mundial, quando perderiam para o porta-aviões (navio aeródromo) a posição de nau capitânia de uma frota e se evidenciariam vítimas fáceis do poder aéreo. Continuar lendo

Grande Guerra: o tanque, essa arma sem sentido!

Artigo muito enriquecedor publicado no “the War Illustrated”, de 9 de dezembro de 1916. Na opinião do autor, o tanque “não vinha para ficar”…

‘Cruising in a Tank’

by Max Pemberton

It is evident that the “tank” has not come to stay. It is here to go on. When it first burst upon the astonished Germans like a dragon upon children from a wood of fables our critics were a little doubtful about its future. “It is experimental,” they said. “Famous things have been done, but we do not know how far it will go.” Well, it has gone a long way already, and we may say in all moderation that it has but begun.

O começo...

There have been new things in this war—as perhaps in all wars—but the “tank” was both a new and à humorous thing. When Hannibal introduced the Roman to the elephant there may have been laughter in Carthage, but no historian has recorded it. Gunpowder about the time of Crécy does not appear to have inspired the Harry Tates of the time. The first man in armour may have amused his relatives at home, .and no doubt the small boy of the period had observations to make upon his appearance. For all that, the man in armour is ever historically a gentle knight sans peur et sans reproche. Even throwing back to the East and the coming of the Juggernaut, it has needed a twentieth- century artist to hitch laughter to that singular coach. Yet I suppose the Juggernaut is the true forbear of the “tank.”

Some people will tell you that it all arose from the employment, both by us and the Germans, of the armoured car at the beginning of the war. We put machine-guns upon fine Rolls-Royce chassis, sent them into France and Flanders, and often left them in a few weeks hut rusted wrecks upon a roadside. They were not new, for, oddly enough, in the very earliest days of the motor movement inventors came forward with contraptions of the kind; and so closely did they resemble the machines which fought in Flanders that one must look twice at the picture to discover their lack of modernity. Continuar lendo

Grande Guerra: Armas I

Perto de se completar um século de sua deflagração, a I Guerra Mundial (1914-1918) continua fascinando os historiadores e todos os que se interessam por assuntos militares. Sem dúvida, aquele conflito trouxe mais inovações em termos tecnológicos que qualquer confronto que o precedeu. E um dos campos com maiores novidades foi o de armamentos.

Nesse sentido, duas armas primeiramente usadas na Grande Guerra e que mudariam o pensamento militar a partir de então foram  o avião e o carro de combate.

Com o avião, a guerra adquiriu mais uma dimensão. Já naquele conflito a nova arma foi usada para reconhecimento aéreo, para orientar o fogo de artilharia e para bombardear as posições do inimigo. No entre-guerras desenvolveu-se a doutrina do domínio do ar como condição necessária e suficiente para assegurar a vitória. Isso foi atestado na II Guerra Mundial (1939-1945).

Já o carro de combate, outra importante inovação, empregado inicialmente como arma tática de apoio à infantaria, cresceria de importância no entre-guerras: a mecanização passou a ser defendida por alguns doutrinadores, e os carros de combate funcionariam como uma cavalaria moderna. Imprimiriam vigor e velocidade na II Guerra Mundial.

De fato, essas duas armas somadas constituíram a base doutrinária da guerra relâmpago, que se tornou a referência no conflito de 1939-1945.

Grande Guerra: o Exército alemão (que nunca existiu)

Pouca gente sabe, mas a Alemanha não tinha um Exército único na I Guerra Mundial.

O Império Alemão de 1914 (o II Reich) era composto por 26 Estados: 4 reinos, 6 grão-ducados, 5 ducados, 7 principados, 3 cidades livres e as antigas províncias francesas da Alsácia e Lorena, conquistadas na Guerra Franco-Prussiana (1870-71). Até o armistício de 1918, o Reich tinha uma Marinha Imperial (menina dos olhos do Kaiser), mas nenhum Exército.

De fato, a força terrestre alemã era constituída de 4 exércitos: os dos reinos da Prússia, Baviera, Saxônia e Württemberg. Antes da guerra, relata H.P. Willmott (Primeira Guerra Mundial, Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2008), estes eram organizados em 217 regimentos de infantaria, dos quais 166 eram prussianos, 24 bávaros, 17 saxões e 10 de Württemberg. Isso explica a diferença entre os uniformes que podem ser identificadas em imagens das tropas alemãs na Grande Guerra. De toda maneira, convém assinalar que à frente desses exércitos estava o bem-estruturado Grande Estado-Maior Alemão, uma herança da tradição prussiana e exemplo de organização e eficiência.

Soldados de um regimento bávaro da I Guerra Mundial. O primeiro sujeito sentado à esquerda era um cabo austríaco que se tornaria chanceler da Alemanha em 1933, e que seis anos depois iniciaria a II Guerra Mundial...

Grande Guerra: uniformes

Ainda no contexto das homenagens aos combatentes da I Guerra Mundial, pretendo inserir alguns posts com curiosidades sobre aquele conflito de cerca de 8 milhões  de mortos (há quem estime 10 e até 12 milhões de vítimas) e outros tantos feridos e inválidos.

Uniformes franceses do início da Grande Guerra.

Pois bem,  o exército francês possuía, no início da Grande Guerra, 777.000 combatentes franceses e  46.000 homens das forças coloniais. Havia, ainda, a Legião Estrangeira, sempre atuante em todos os conflitos em que a França participou desde sua criação (1831).

Muitos desses bravos combatentes que foram para as trincheiras naquele fatídico verão de 1914 vestiam o uniforme tricolor clássico. Isso, em uma guerra estática (de trincheiras) e com armas modernas (em termos de precisão e alcance) era prato cheio para os atiradores alemães. Bastava mirar naquele alvo escarlate (as calças dos soldados franceses) que era difícil errar.

Difícil errar um alvo assim...

A decisão do Alto Comando francês de manter o uniforme com as cores nacionais por meses após a deflagração do conflito custou as vidas de milhares de combatentes.

Finalmente, resolveu-se pela adoção do tradicional uniforme azul-acinzentado… Mas aí já muitos haviam perecido…

E ainda sobre a I Guerra Mundial…

E ainda tratando da Grande Guerra, interessante o romantismo com que milhares de jovens europeus seguiram para os combates como voluntários ansiosos por viver a experiência da guerra! Era uma época em que se tratava de questão de honra para muitos filhos de famílias ricas e nobres a participação em um conflito. E isso acabou se estendendo às outras classes.

O romantismo se fazia presente nas salvas das multidões nas ruas das grandes cidades da Europa em apoio à decisão de seus governantes de conduzir o país à guerra… Também se mostrava na decisão do Estado-Maior francês de manter o uniforme tricolor (com destaque para a calça vermelha) ainda durante meses até que no número de baixas deixou claro que não seria mais possível continuar com ele naquele novo tipo de guerra. E, ainda, na ida de muitos jovens franceses para o front em taxis!

Entretanto, se há uma figura que me parece bastante ilustrativa do imaginário do conflito na época é este cartaz britânico, que conclamava os homens a se alistarem para combater no continente contra “os hunos” e seus aliados. A garotinha questiona o pai sobre o que ele havia feito na Grande Guerra (o melhor é a cara do pai!). Sem dúvida, um cenário muito distinto dos conflitos que se seguiriam no século que se iniciava!

Não se deve jamais esquecer a Grande Guerra! Somos hoje fruto dos acontecimentos que foram influenciados pelo sangue de milhões de militares e civis que pereceram naqueles anos!

Memória da Grande Guerra: Morre o último veterano norte-americano da Primeira Guerra Mundial

Chegamos aos estertores das lembranças daqueles que viveram o conflito que marcou a entrada do mundo no século XX. Para os que se interessam por assuntos militares, a Grande Guerra é um campo infindável de estudos, tão ou mais fascinante que a Segunda Guerra Mundial. Para os que se interessam por História em geral, o conflito de 1914-1918 é um divisor de águas. Para os que se interessam em compreender as relações internacionais contemporânes, impossível fazê-lo sem um boa compreensão daquele confronto.

A Grande Guerra fascina por seu caráter de transição de um mundo romântico e de ilusões de paz e prosperidade para outro em que a guerra perdia seu formato clássico e no qual a Revolução Industrial e as inovações tecnológicas dos cem anos de paz da Europa aperfeiçoaram a capacidade de matar e causar danos como nunca se vira. Era o fim da Belle Époque e o começo do colapso da Era dos Impérios. Era o começo de um mundo novo e muito menos pacífico.  

Convém observar que quase um século já se passou desde o fatídico atentado de Sarajevo, no qual foi assassinado o herdeiro do trono da Áustria, estopim do conflito. Como sempre lembro a meus alunos, a deflagração do conflito se deu a partir de um atentado terrorista realizado por um jovem nacionalista sérvio. Sim! Um atentado terrorista!

E o mundo mudaria drasticamente…

28/02/2011 – 12:25 | Efe | Washington

Morre o último veterano norte-americano da Primeira Guerra Mundial

Frank Woodruff Buckles, o último sobrevivente dos soldados dos Estados Unidos que lutaram na Primeira Guerra Mundial (1914-1918), morreu aos 110 anos de idade, informou nesta segunda-feira (28/02) o seu site. Continuar lendo