Kadafi e o TPI

Sei não, mas há situações em que é melhor ficar quieto. Longe de querer defender o crossdressing de Trípoli, tem-se aí uma decisão que contribui para desacreditar o TPI…

Líbia rejeita mandado de prisão contra Khadafi

BBC Brasil – 27 de junho, 2011 – 18:42 (Brasília) 21:42 GMT
 
Mulher comemora o mandado de prisão contra Khadafi/Reuters

A Líbia rejeitou nesta segunda-feira a decisão do Tribunal Penal Internacional (TPI) que havia emitido mais cedo um mandado de prisão contra o líder líbio Muamar Khadafi, acusado de crimes contra a humanidade. Continuar lendo

Muamar ainda está lá, e quer continuar…

Pois é, não é que o Muamar continua lá?!? Eu disse, eu disse que ele ia demorar a cair (só para me contradizerem, é capaz do Cauby de Trípoli ser derrubado amanhã mesmo! Mas, de toda maneira, resistiu bem, não?!)! E opior é que a OTAN ainda não conseguiu apresentar ao mundo alguém com autoridade suficiente para ocupar o lugar do Paulo Beti da Líbia! Quem é o principal líder rebelde? Quem ficará no lugar de Kadafi? O que sei é que ele é, definitivamente, teimoso… E não deixará o poder facilmente…

Gaddafi revives offer of vote to end Libya conflict

Photo
Reuters, 26JUN2011 – 1:39pm EDT
By Nick Carey

TRIPOLI (Reuters) – The Libyan government on Sunday renewed its offer to hold a vote on whether Muammar Gaddafi should stay in power, a proposal unlikely to interest his opponents but which could widen differences inside NATO. Continuar lendo

Guerra na Líbia: coalizão enfraquecendo-se…

Já havia comentado sobre o assunto no post anterior… De toda maneira, que o desgaste parece ocorrer mais do lado da OTAN que junto ao Cauby de Trípoli, ah isso parece! Como ficam as forças da coalizão se a Itália pular fora? E se os italianos desistirem, será que os demais continuarão tão animados a combater? 

NATO chief says alliance will finish job in Libya

Reuters – 8:28pm EDT  – By Nick Carey

TRIPOLI (Reuters) – NATO’s chief on Thursday dismissed a call from Italy for a suspension of hostilities in Libya and tried to reassure wavering members of the Western coalition that Libyan leader Muammar Gaddafi can be beaten. Continuar lendo

Cobertura da crise na Líbia

Mais uma pérola postada por minha amiga Carmen Lícia em seu facebook. Trata-se da cobertura da Foreign Affairs sobre a crise na Líbia. É… para quem pensava que o Cauby de Trípoli ia cair logo… Muamar está surpreendendo, para desespero dos analistas ocidentais! Já vi esse filme…

Para o link da revista, clique aqui.

Cresce a tensão em Israel

Como se o clima na região já não estivesse suficientemente tenso… E isso em um momento em que Israel não parece estar em situação muito agradável com seus aliados tradicionais, em se proliferam  revoltas entre a comunidade palestina e em que os governos árabes estão fragilizados com o Levante. E Obama tentando impor saída para a crise, com Netaniahu reclamando que os interesses de Israel não foram considerados. Bom ficar de olho…

5 June 2011 Last updated at 19:42 GMT – http://www.bbc.co.uk/news/world-middle-east-13660311
 

Israeli troops have fired on pro-Palestinian protesters in the Israeli-occupied Golan Heights, with Syrian state TV saying 20 are dead.

The protesters defied razor-wire fences and ditches along the Syrian border in Golan to mark the 44th anniversary of the 1967 Middle-East war. Continuar lendo

Síria não é Líbia…

Recebi de minha caríssima amiga, Carmen Lícia Palazzo e, naturalmente, publico aqui no site, reproduzindo também seu comentário, sempre lúcido e vindo de uma especialista na região: “Acho importante lembrar que a Síria é um país bem mais complexo do que a Líbia e o fato de que o Assad tem aliados importantes pode fazer com que um ataque leve a região a um grande caos. Sem contar que o exército sírio é excelente.” Recomendo especialmente a meus alunos de Relações Internacionais.

Why Libya, But Not Syria?

Moisés Naím Huffington Post, May 18, 2011
http://carnegieendowment.org/publications/?fa=view&id=44067
 
 

Why are the United States and Europe attacking Tripoli with bombs and Damascus with words? Why are they putting so much effort into bringing down Libya’s brutal tyrant and so timid in their dealings with his equally cruel Syrian counterpart?

Let’s start with an explanation that is as common as it is wrong: oil. Libya has a lot more of it than Syria and therefore the real reason for the military aggression against Libya is to take over its oil fields. The problem with this view is that if the West wanted reliable access to Libyan oil, Gaddafi was a far safer bet than the chaos and uncertainty resulting from NATO’s armed intervention. Western oil companies operated without any major problems with Gaddafi and it is safe to assume that from their perspective there was no need for such radical regime change. Continuar lendo

Fim do “estado de emergência” na Síria

Assad parece estar conseguindo lidar bem com o Levante na Síria. Como já disse, juntamente com o Rei Hussein da Jordânia, talvez o Presidente sírio seja um dos líderes árabes com mair chance de “sobreviver” ao Levante.

Lembro que ele é um líder que ainda conta com a estima de parte significativa da população de seu país e que é percebido por muitos como símbolo de juventude e renovação. De toda maneira, é bom que se permaneça atento: apesar do fim do “estado de emergência”, também foi aprovada a lei que regula “os protestos pacíficos”.

A crise ainda não terminou na Síria, assim como persiste no Iêmen, na Líbia e em outros países árabes. 2011 será um ano inesquecível para o Oriente Próximo e o Norte da África…

REUTERS

Syria government approves lifting 48-year emergency rule

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REUTERS, 19/04/2011 – 5:04pm EDT
http://www.reuters.com/article/2011/04/19/us-syria-idUSTRE72N2MC20110419
By Khaled Yacoub Oweis

AMMAN (Reuters) – Syria’s government passed a draft law on Tuesday to lift 48 years of emergency rule, a concession to unprecedented demands for greater freedom in the tightly-controlled Arab country. Continuar lendo

Saída honrosa para Kadafi?

Na segunda-feira, 11 de abril, ocorreu uma audiência pública muito interessante na Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional do Senado. Dando início a um ciclo de debates sobre temas da agenda internacional, especialistas vieram ao Parlamento para falar do Egito, da Líbia e do Levante em geral.

Dentre as diversas contribuições trazidas pelos expositores, uma em particular me deixou intrigado. Foi assinalada a possibilidade de que os conflitos na Líbia acabassem pela divisão definitiva do país em dois novos Estados, respeitando a antiga divisão regional em Tripolitânia e Cirenaica. Assim, Kadafi continuaria no poder em Trípoli, controlando a área da antiga Tripolitânia, enquanto os rebeldes estabeleceriam um governo cuja capital seria Bengazi. Estaria aí a saída honrosa esperada por Kadafi, que cederia um braço para não perder o corpo todo?

Sinceramente, não acredito muito nessa possibilidade. A permanência de Kadafi no poder vai de encontro a grandes interesses em algumas capitais do Ocidente. Além disso, não me parece que o Cauby de Trípoli cederia de bom grado parte importante de “seu” país, primeiramente, porque teria dificuldade de manter-se frente a protestos da população do que sobrasse da Líbia e, ademais, lembro que as principais reservas de petróleo estariam no lado rebelde.

Portanto, tudo leva a crer que ainda não se chegou a uma saída honrosa para o conflito na Líbia. Tenho minhas dúvidas se alcançarão alguma.

Enquanto isso, no Egito, tudo continua como antes no quartel de Abrantes…


Líbia: desentendimentos entre a OTAN e os rebeldes – ponto para Kadafi

As tropas de Kadafi já retomaram Brega, quase tão importante quanto Bengazi. Os rebeldes questionam as ações da OTAN, que parece não estar alcançando muito êxito em esmagar as forças leais a Trípoli.

Toda essa incerteza na efetividade nas operações patrocinadas pela OTAN e a falta de coordenação entre a coalizão e os rebeldes só fortalece a Kadafi, que consegue uma sobrevida inimaginável em alguns gabinetes de Paris, Londres ou Washington.

Minha pergunta permanece: quem terá condições de substituir Kadafi? Haverá Líbia pós-Kadafi ou o país se transformará em uma Somália, dividido entre as várias tribos e clãs que o coronel cross-dressing conseguiu aglutinar em torno de seu governo? Continuar lendo

Líbia: 13 rebeldes mortos pelo “fogo amigo” da coalizão…

Como se não bastasse as tropas de Kadafi estarem virando o jogo, agora é o “fogo amigo” da coalizão que está causando baixas entre os rebeldes…

Eu disse que não seria fácil, eu disse…

Reuters
Coalition “friendly fire” kills 13 Libyan rebels

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02APR2011 – 4:49pm EDT

By Alexander Dziadosz and Angus MacSwan

EAST OF BREGA/BENGHAZI, Libya (Reuters) – A NATO-led air strike killed 13 Libyan rebels, a rebel spokesman said on Saturday, but their leaders called for continued raids on Muammar Gaddafi’s forces despite the “regrettable incident.”

In the rebel capital of Benghazi the anti-Gaddafi council also named a “crisis team,” including the former Libyan interior minister as the armed forces chief of staff, to run parts of the country it holds in its struggle to topple Gaddafi.

The 13 fighters died on Friday night in an increasingly chaotic battle over the oil town of Brega with Gaddafi’s troops, who have reversed a rebel advance on the coastal road linking their eastern stronghold with western Libya. Continuar lendo

Assad não é Kadafi

Artigo muito interessante, postado pela minha caríssima amiga, Carmen Lícia Palazzo, em sua página no facebook, e que achei por bem replicar aqui no site. Mostra que a Síria não tem muito a ver com a Líbia, nem Assad com Kadafi.

Assad (assim como o Rei Hussein, da Jordânia), convém destacar, pertence a uma nova geração de líderes do mundo árabe, que herdaram o poder do pai, mas foram educados no ocidente. Nesse sentido, assim como o rei hachemita, Assad tem competência e talento para lidar com o Levante em seu país e até promover as reformas que acalmem a multidão – se terá êxito, são outros quinhentos…

De toda maneira, convém lembrar a importância estratégica da Síria (muito superior à da Líbia) no equlilíbrio de forças da região, inclusive no que concerne a sua posição geográfica e geopolítica.

Também é bom assinalar que o regime de Assad, considerado autoritário para os padrões ocidentais, não é percebido com tanto antagonismo pela maioria dos sírios. Sobre o assunto, lembro de um professor de árabe que tive aqui em Brasília (Carmen certamente se recordará dele), que uma vez declarou que via com muita naturalidade que em seu país houvesse o mesmo presidente desde sempre (ou um sucessor por ele escolhido), estranhando esse modelo nosso de alternância periódica de mandatário.

O mundo é bem mais complexo do que nós ocidentais imaginamos…

The New York Times – March 29, 2011

The Syrian President I Know

By DAVID W. LESCH Continuar lendo

Obama autoriza operação de inteligência na Líbia

Obama teria autorizado o fornecimento de armas para os rebeldes na Líbia… Claro! Isso é que os estadunidenses chamam de covert actions, outros países operações especiais e por aí vai (vide nosso livro Atividade de Inteligência e Legislação Correlata)… As grandes potências seguem essas práticas não é de hoje. Surpreenderia se assim não fosse!

Agora, o mais interessante é o porta-voz da Casa Branca dizendo que “não vai comentar assuntos de inteligência…”. Note-se que ele não negou a operação de inteligência, apenas disse que não iria comentá-la.

No tabuleiro da política internacional, as potências certas vezes recorrem a medidas heterodoxas para fazer valer seus interesses (obviedade). O uso da inteligência em alguns caso serve exatamente para se evitar o recurso à força, como uma declaração de guerra ou a intervenção armada. A notícia é só um exemplo de que não há amadores no grande jogo. Nesse sentido, não é aceitável que governos se mostrem ingênuos.

Ainda que não se recorra à inteligência para influenciar governos estrangeiros e interferir em assuntos internos de outros países, é importante que todo Estado disponha de mecanismos para fazer frente às referidas ações. Isso é que se chama de contrainteligência. País que não se preocupe com inteligência e contrainteligência acaba sendo vítima de quem se preocupa (seja de outros governos, seja de organizações não-governamentais, como grupos terroristas e redes criminosas).

Yeah, baby! That’s Intelligence! That’s International Politics!

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Al Qaeda, Hezbollah e os rebeldes líbios

Essa é boa! Al Qaeda e Hezbollah apoiando os rebeldes na Líbia! Kadafi dizia isso, mas agora a inteliência estadunidense dizer o mesmo…

Pode até ser que haja elementos dessas organizações entre os grupos rebeldes (como diz meu amigo Gilberto Guerzoni, “tudo é possível, menos Deus pecar!). Mas isso me parece muito mais um balão de ensaio ou uma tentativa de plantar informação agora para desacreditar os rebeldes no futuro, quando Kadafi cair…

De toda maneira, se assim estiver acontecendo, é no mínimo surreal o apoio militar (com fornecimento de armas) dos ocidentais para a Al Qaeda e o Hezbollah… EUA, França e Reino Unido estariam literalmente armando o inimigo? Sei não, sei não…

 

http://br.reuters.com/articlePrint?articleId=BRSPE72S0LP20110329

Dados sobre rebeldes da Líbia indicam sinais da Al Qaeda

terça-feira, 29 de março de 2011 16:48 BRT

Por Missy Ryan e Susan Cornwell

WASHINGTON (Reuters) – Informações da inteligência sobre as forças rebeldes que combatem o líder líbio Muammar Gaddafi indicam sinais da presença da Al Qaeda e do Hezbollah, mas ainda não há um quadro detalhado sobre a oposição emergente, disse o principal comandante de operações da Otan na terça-feira. Continuar lendo

Forças de Kadafi rechaçam os rebeldes

Como já havia dito, a guerra não é algo simples. As tropas de Kadafi repelem os rebeldes, apesar do apoio da coalizão aos insurgentes. Logo alguns líderes ocidentais podem ser instigados a uma ação com forças terrestres… Aí a coisa complica um pouco mais…

Brevemente, com o passar do tempo, começará a pesar muito a capacidade de resistência (endurance) de cada lado: a de Kadafi em se manter no poder; e a da coalizão em fazer frente ao desgaste causado pela duração do conflito e pela pressão internacional contra a intervenção.

O problema é que, exatamente como aconteceu no Iraque, as tropas de Kadafi não são tão fracas como se imaginava (ou talvez os rebeldes não sejam tão fortes). Ponto para Muamar.

Reuters

Libya troops push rebels; powers want Gaddafi out

Photo

29/03/2011 – 6:24pm EDT

By Maria Golovnina and Michael Georgy

TRIPOLI (Reuters) – Muammar Gaddafi’s better armed and organized troops reversed the westward charge of rebels and world powers meeting in London piled pressure on the Libyan leader to end his 41-year rule. Continuar lendo

Líbia: jogo virando novamente?

Rebeldes virando o jogo? (Reuters)

Parece que a coisa começa a virar novamente na Líbia… Entretanto, não será tão fácil arrancar Kadafi do poder como imaginam algunas…

Ademais, ninguém fala com clareza sobre quem poderia substituir Kadafi à frente do Governo líbio…

Rebeldes líbios expulsam forças de Gaddafi de cidade estratégica

sábado, 26 de março de 2011 10:39 BRT
Por Angus MacSwan

AJDABIYAH, Líbia (Reuters) – Rebeldes líbios, apoiados por ataques aéreos das forças aliadas, retomaram neste sábado a estratégica cidade de Ajdabiyah, depois de uma batalha que durou toda a madrugada e que sugere que a maré está mudando contra as forças do líder Muammar Gaddafi no leste do país. Continuar lendo

O Levante e a Síria

Manifestantes protestam em praça no centro de Damasco (Foto: AP)

Realmente, impressiona como o Levante chegou à Síria… Surpreenderam-me particularmente as imagens de manifestantes em uma cidade síria (não sei se Damasco) destruindo painéis com as fotos do Presidente Assad e de seu pai. O número de mortos cresce. Realmente, o efeito dominó do Levante é uma evidência e no Mundo Árabe.

No Yêmen, o governo cairá em breve. Logo pretendo postar alguns comentários a respeito. Lembro apenas que ali, em um regime autoritário, o presidente é percebido como um aliado dos EUA. Também cabe lembrar que naquele país, o mais miserável do Mundo Árabe, a Al Qaeda exerce certa influência…

Reproduzo matéria sobre a situação na Síria, divulgada por minha amiga Carmen Lícia Palazzo (ela própria uma grande orientalista) em seu facebook.

Protests against Bashar Al-Asad

Is Syria the Next Domino?

With the Tunisian and Egyptian regimes gone and street protests roiling cities from Algiers to Teheran, many people are now wondering which domino might fall next. Syria may not be next in line, but appears nonetheless to be approaching a tipping point, writes Ribal Al-Assad Continuar lendo

Quem é Muamar Kadafi…

Segue artigo que apresenta o perfil de Kadafi. De jovem líder revolucionário a ditador sanguinário, de Paulo Beti na juventude a Cauby Peixoto quarenta anos depois.

Chama atenção como Kadafi consegue ainda angariar a simpatia de tanta gente pelo mundo. Assim como Fidel, ele carrega um “quê” de “líder revolucionário romântico, cavaleiro defensor dos oprimidos dos países pobres contra as potências imperialistas”. Exatamente como Fidel, o cross-dressing de Trípoli revelou-se um algoz de seu povo, comandando um regime autoritário e mantendo seu país atrasado.

Vale a pena saber um pouco mais sobre essa figura!

BBC News Africa

26 March 2011 Last updated at 01:03 GMT

By Martin Asser BBC News

Montage of Col Gaddafi

How can you adequately describe someone like Muammar Gaddafi? During a period that has spanned six decades, the Libyan leader has paraded on the world stage with a style so unique and unpredictable that the words “maverick” or “eccentric” scarcely do him justice.

His rule has seen him go from revolutionary hero to international pariah, to valued strategic partner and back to pariah again. Continuar lendo

O significado dos vários nomes dados pela Coalizão à operação militar na Líbia

Muito instrutivo este artigo, sobretudo para quem se interessa por assuntos militares.

Transcrevo o comentário, sempre brilhante, de um amigo diplomata:

A lista de “nomes” vai crescendo….e.g., a componente aeronáutica do Canadá é a “Libaccio” um vento da Córsega, que significa “líbio”. Os espanhóis, também com certo ânimo poético, escolheram “Operación El Amanecer de la Odisea”, que  parece ser quase a exata tradução da seca  “Odyssey Dawn”.

Gosto da criatividade na escolha dos nomes (os britânicos são sem-graça). E me lembro de “Tempestde no Deserto” (Golfo I, 1991) e da confusão com escolha do nome da operação que derrubaria o regime de Saddam Hussein (Golfo II, 2003).

http://www.bbc.co.uk/news/magazine-12831743?print=true
Libya: What do the military operation names mean?

Operation ELLAMY is the name given to UK military action in Libya, while the US, Canada and France all have their own monikers. But what do they mean?

With a coalition of international Allies, backed by Nato, carrying out air strikes to enforce a no-fly zone and other objectives in Libya, the eyes of the world are on them – and their operation names. Continuar lendo

À espera de Lawrence…

Artigo interessante que chama atenção para o fato de que os opositores a Kadafi (ou seja, os “rebeldes”) não constituem uma força organizada sob liderança única. Bom, até aí não há novidade. Entretanto, permanece a questão: após a queda de Kadafi (sim, porque se todo esse aparato bélico empregado pela coalizão não conseguir por fim ao governo despótico do cross-dressing de Trípoli, que vai conseguir?), quem governará a Líbia? Sobrará Líbia para ser governada?

Vale lembrar que a Líbia nunca experimentou essa maravilha da geniosidade ocidental que é a democracia representativa. Ademais, a sociedade líbia se divide em algo em torno de 140 clãs ou famílias, muitos com interesses bastante antagônicos. É, portanto, uma sociedade tribal.

Somente Kadafi conseguia garantir alguma unidade nacional conciliando os interesses das diversas tribos e elegendo um inimigo externo comum. Saindo o Cauby do Saara do poder, não sei se haverá alguém com real capacidade de substituí-lo. Aí o país mergulha ainda mais profundamente no caos.

Atente-se também para o fato de que os aliados não se mostram tão articulados para cooperar entre si nem com os rebeldes. Gostei especialmente da parte do artigo em que o autor assinala possíveis medidas a serem tomadas pela coalizão para melhorar seu desempenho na guerra, como o recurso à inteligência e às forças especiais. O problema é que, para isso, precisariam de gente capacitada não só para lidar com as particularidades dos povos da região, mas que dominasse a língua, conhecesse os costumes e pudesse conduzir operações especiais com comandos naquele teatro. O ideal seria um árabe (uma vez que a coalizão reúne países árabes), mas nem os árabes estão dispostos a ir tão fundo, nem os ocidentais confiariam em um agente assim. Daí alguns clamarem por um Lawrence da Arábia para a Líbia (ou seja, um ocidental com alma de líbio).

Exatamente como os portugueses esperavam Dom Sebastião, os ocidentais esperam um “Lawrence da Arábia” para liderar o levante contra Kadafi… O problema é que não é facil encontrar um Lawrence assim…

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Nota do Governo Brasileiro sobre a situação na Líbia

Postei esta nota em especial para meus alunos que estudam para a carreira diplomática. Brilhante capacidade de dize tudo e não dizer nada (sem qualquer sentido pejorativo nesse comentário, que fique claro!).

Bom lembrar que foi do Brasil que Obama anunciou o início das ações militares contra a Líbia, exatamente no mesmo dia em que, oito anos antes, Geroge W. Bush informava ao mundo que o ataque ao Iraque havia começado. Continuar lendo