Mais sobre Israel e o programa nuclear iraniano

Hoje, conversando com alguns amigos sobre a possibilidade de um ataque israelense ao Irã, um deles lembrou bem que Israel não costuma anunciar antecipadamente suas ofensivas militares. Entretanto, não é de hoje que se tem intensificado o discurso das autoridades israelenses de que o Irã deve ser contido. Parece que a opinião pública doméstica e a comunidade internacional estariam sendo “preparadas” para uma eventual medida de força comandada por Tel Aviv.

Difícil, entretanto, afirmar com segurança se o ataque contra o Irã realmente acontecerá este ano. Há que se considerar, para Israel desencadear qualquer ofensiva militar contra o Irã, os custos políticos, econômicos e, principalmente, de vidas humanas. Também a eleição presidencial nos EUA não deve ser desprezada (será que os israelenses fariam algo sem o apoio e o consentimento de seu maior aliado?).

Teerã, por sua vez, continua com as provocações. E o regime dos aiatolás, relembre-se, é uma ameaça a vários países do Golfo (inclusive Estados árabes). E uma ação israelense contra o Irã até poderia agradar a alguns governos da região…

De toda maneira, pode até acontecer um ataque israelense contra o Irã… Só que ninguém disse aqui neste site que o referido ataque não poderia se dar de outras maneiras, como um ação ofensiva cibernética ou “medidas ativas” direcionadas (usando-se forças especiais ou o pessoal da inteligência). Alternativa também seria o financiamento da oposição a Armandinho e sua turma… A coisa só esquenta por ali…

IDF chief: Iran’s nuclear program must continue to be disrupted

Haaretz.com 02FEB2011 – By Gili Cohen

Israel Defense Forces Chief of Staff Lt. Gen. Benny Gantz said on Wednesday that the threats facing Israel have increased and intensified in recent years due to regional instability. He also said that Iran’s attempts to acquire nuclear weapons must continue to be disrupted. Continuar lendo

O mundo após o colapso dos EUA

Artigo publicado no The Peninsula, do Catar. Brzezinski dispensaria apresentações, mas, para os mais jovens e o pessoal que não é da área de Relações Internacionais, vale lembrar que é um renomado acadêmico, tendo sido C0nselheiro de Segurança Nacional de Jimmy Carter, entre 1977 e 1981, tendo influenciado a política externa democrata no período. Junto com Kissinger (que faz sua contraparte republicana), Brzezinski é um dos grandes pensadores realistas da segunda metade do século XX (quem estuda Relações Internacionais e não o conhece está com sérios problemas…). 

Recomendo a leitura, particularmente a meus alunos que se preparam  para a carreira diplomática. Atentem para o fato de que a perspectiva é de ausência de um novo hegemon quando os EUA deixarem de ocupar essa posição, em um sistema que pode se evidenciar cada vez mais hobbesiano.

Também merece destaque a percepção de que a China não se constitui em sucessor inevitável dos EUA como potência hegemônica. Ao contrário, se teria um conjunto de potências “secundárias” com suas áreas de influência regional (secundárias leia-se todas as grandes que não sejam os EUA ou a China) – aí há a referência ao Brasil.

De toda maneira, é bom lembrar que essa decadência dos EUA não será tão rápida nem talvez tão intensa como preveem alguns ou desejam outros (mesmo porque os EUA são pródigos em bons analistas internacionais e conseguem sempre surpreender em sua capacidade admirável de dar a volta por cima)…

O amigo diplomata que enviou a notícia destaca a referência à Rússia utilizando-se a palavra alemã “schadenfreude”, que significa um sentimento de alegria ou prazer pelo sofrimento ou infelicidade dos outros (só os alemães para conseguirem sintetizar certos sentimentos em palavras). Claro que isso não seria exclusividade dos russos. Por aqui mesmo haveria muita gente (os tais americanófobos) contente com o novo cenário. Eu ainda prefiro ficar sob a hegemonia estadunidense que sob a chinesa…

A faltering US could signal a dangerously unstable world 

The Peninsula – Friday, 27 January 2012 22:59
By Zbigniew Brzezinski

Not so long ago, a high-ranking Chinese official, who obviously had concluded that America’s decline and China’s rise were both inevitable, noted in a burst of candour to a senior US official: “But, please, let America not decline too quickly.” Although the inevitability of the Chinese leader’s expectation is still far from certain, he was right to be cautious when looking forward to America’s demise. Continuar lendo

Egito: a revolução que não houve…

Como tenho dito desde que começou o Levante no mundo árabe e a “revolução” no Egito, é ingênuo esperar alguma mudança real na situação daqueles países (ao menos no que concerne as tais “motivadoras” das manifestações que desencadearam a queda de homens como Mubarak). Os regimes continuam autoritários. De fato, podem ocorrer mudanças: a coisa pode piorar e desencaminhar os países em regimes fundamentalistas, o que não é bom para ninguém…

 Egypt still awaits its real revolution

Gulf Times -: Saturday,28 January, 2012, at 11:22 PMDohaTime
By Eric S Margolis/New York

Last Monday, Egyptians celebrated the first anniversary of the revolution that overthrew the 30-year Mubarak regime. By contrast, America’s reaction this historic event was tellingly muted.  Continuar lendo

A Índia e os Rafale

Meus queridos leitores,

Tentando  retomar o ritmo, seguem três matérias interessantes da REUTERS sobre a aquisição dos Rafale pelos indianos. Reproduzo o comentário do amigo diplomata que mandou a matéria: “em dezembro, o Japão decidiu adquirir 42 caças F-35 de fabricação norte-americana. A venda para a Índia dos 126  Rafales deverá ser a primeira exportação deste modelo da francesa Dassault. Como pode ser visto nas matérias da REUTERS,  o acordo de venda ainda não está finalizado.”

Pois é… se não conseguir vender para a Índia, a Dassault estará com sérios problemas… E nós aqui, como ficamos?

French Rafale jet beats Eurofighter in $10bn India deal – Dassault will now enter exclusive talks to finalise the deal

 French firm Dassault has emerged as the lowest bidder in a $10bn contract to supplyIndiawith fighter jets.

 Dassault Aviation will now enter final negotiations before any deal is signed for supplyingIndiawith 126 Rafale aircraft. Continuar lendo