Gilberto Freyre, Monarquia e doenças tropicais…

Comprei um livro de Gilberto Freyre intitulado China tropical e outros escritos sobre a influência do Oriente na cultura luso-brasileira (São Paulo: Global, 2011), que, de fato, é compilação de ensaios, capítulos de livros e conferências do mestre pernambucano, feita por Vamireh Chacon e Edson Nery da Fonseca.

Dedicarei um post específico a comentar a obra, mas para o momento só gostaria de citar um trecho que achei estupendo sobre as relações políticas na monarquia e na república brasileiras! Em uma conferência de 1944, proferida na Universidade de Indiana, Freyre trata das doenças tropicais, entres elas, os males da política:

“Se no devido tempo tivesse sido feito um estudo desse tipo que explicasse por que o Brasil se tornou independente permanecendo monárquico, evitando uma radical forma republicana de governo, talvez a primeira tivesse sido preservada em nosso país, para vantagem não só do povo brasileiro, em particular, como da comunidade pan-americana em geral. Pois o governo monárquico seguramente imunizava o Brasil contra algumas das doenças políticas adquiridas pelos brasileiros quando, para modernizar ou pan-americanizar o seu país, adotaram a forma republicana de governo. Mesmo em nossos dias, a República brasileira está mais protegida de doenças políticas quando utiliza métodos de lidar com problemas brasileiros que constituem inteligente modernização daqueles métodos tradicionalmente monárquicos e, ao mesmo tempo, democráticos, em lugar de serem mera cópia daquilo que os anglo-americanos construíram nos Estados Unidos; ou do que os alemães fizeram ao criar a sua lírica e irreal República de Weimar – também copiada, em alguns pontos, pelos idealistas brasileiros na década de 1930.”

O texto continua tratando da necessidade de maior interação cultural entre o Sul e o Norte, mas sem que a América Latina se coloque sempre em posição de inferioridade frente à América anglo-saxônica, nem tampouco desenvolva um “anti-ianquismo” ou uma “ianquefobia”…

Se os acadêmicos de hoje (sobretudo os que se autodeclaram “intelectuais”) lessem mais e conhecessem o pensamento de clássicos como Gilberto Freyre, Oliveira Viana, João Camilo de Oliveira Torres (estou falando em ler mesmo, não dizer que leu e que conhece) e fizessem com que seus alunos os conhecessem (sem preconceitos ou influências ideológicas), teríamos um inteligentsia brasileira em desenvolvimento e se compreenderia melhor a realidade e os problemas deste País. Também entendendo o passado , seria possível pensar o futuro com mais acuidade. Infelizmente, nos dias de hoje, a censura ideológica (e conseqüente patrulha sob orientações político-partidárias), ou a simples ignorância motivada pela preguiça, parecem prevalecer no (pseudo)pensamento brasileiro, o que tem como conseqüência a alienação das elites e o emburrecimento da nação. Pronto, falei!

Acusado de vazar dados para o Wikileaks vai a julgamento

Prisão perpétua é pouco… Sem maiores comentários…

Suspeito de vazar dados para o WikiLeaks será julgado em corte militar

BBC Brasil – 12 de janeiro, 2012 – 21:08 (Brasília) 23:08 GMT
APAcusado de ‘colaborar com o inimigo’, analista pode ser condenado à prisão perpétua

Um tribunal militar recomendou nesta quinta-feira que o analista do Exército Bradley Manning seja julgado em uma corte marcial. Ele é suspeito de vazar documentos secretos para o site WikiLeaks e, se for condenado, pode pegar prisão perpétua. Continuar lendo

A Índia, o Irã e o petróleo

Só por curiosidade, segue artigo sobre as relações entre Irã e Índia no setor do petróleo.

Iran-India Oil Relations

FRIDAY, JULY 22, 2011
Mahnaz Zahirinejad
PhD in International Studies, Jawaharlal Nehru University, India & Expert on Indian Affairs

Introduction

Iran is one of the biggest players in the world energy market with a wealth of over 11.1 percent of global oil reserves or 132 billion barrels of proven oil and 970.8 trillion cubic meters of gas resources.

Although Iran is an oil power, this product accounts for about 80 percent of the country’s total exports and 42.5 percent of the government’s revenues. Therefore, overreliance on oil revenues has turned the Iranian economy heavily dependent on petrodollars. Meanwhile, since Iran’s oil industries have not been renovated in the past years, petrochemical industries have not been properly developed and domestic energy consumption has been constantly on the rise, the country’s oil production has been falling and it has had to import oil products. Continuar lendo

Para onde vai o petróleo do Irã?

Esta é uma contribuição de minha amiga, Carmen Lícia Palazzo. Achei, realmente, muito interessante, pois é possível ter uma visão geral das exportações de petróleo iranianas.

Observação 1: apesar de 22% das exportações de petróleo do Irã serem para a China, isso representa algo em torno de 10% das importações chinesas do produto (ademais, a China busca alternativas, inclusive aqui na América do Sul e, naturalmente, na África). O mesmo acontece com Japão e Coréia do Sul, para onde os iranianos exportam 14% e 10% de seu petróleo, respectivamente.

Observação 2: a Índia é cliente importante, com 13% do petróleo exportado. Um dado que não está no gráfico é que as importações do Irã representam apenas 8% do petróle0 importado pelos indianos. O Irã é 0 13 parceiro comercial da Índia.

Observação 3: os europeus não dependem tanto do petróleo iraniano, mas não podem simplesmente desprezar essas reservas. E claro que vão querer algo em troca se suspenderem as importações do Irã.

Observação 4: last, but not least, a Rússia não importa petróleo do Irã (claro, pois é um dos grandes produtores). Isso quer dizer que as relações entre os dois países não estão baseadas nesse produto (apesar de um embargo ao petróleo iraniano interferir nos preços internacionais e, naturalmente, nas exportações de petróleo russas – o que, dependendo da situação, pode até ser interessante para Moscou). Que fique claro, portanto, que o apoio russo a Teerã se dá por outras razões mais que devem ser consideradas.

Lindsay: Where Iran exports oil

Editor’s Note: Dr. James M. Lindsay is a Senior Vice President at the Council on Foreign Relations and co-author of America Unbound: The Bush Revolution in Foreign Policy. Visit his blog here and follow him on TwitterContinuar lendo