Nazistas no início do Serviço Secreto Alemão

Bom artigo sobre o recrutamento de nazistas para compor os quadros do serviço de inteligência externa da Alemanha Ocidental (o BND – Bundesnachrichtendienst) em seus primeiros anos.

Não é novidade que a República Federal da Alemanha contou com ex-membros do Partido Nazista e apoiadores do regime de 1933 a 1945 em seus quadros na Administração Pública e nas empresas no pós-guerra. De toda maneira, pouco se fala da presença de antigos SS, SD e Gestapo no BND…

02/16/2011 09:19 AM
Intelligence Agency’s Murky Past

The Nazi Criminals Who Became German Spooks

By Klaus Wiegrefe

Germany’s foreign intelligence agency, the BND, is having historians look into its shadowy early years, when the organization hired former Nazi criminals. The coming revelations could prove embarrassing for Chancellor Merkel’s Christian Democrats and may even tarnish the legacy of former Chancellor Konrad Adenauer. Continuar lendo

Site sobre a II Guerra Mundial

Encontrei esta página interessante do Spiegel sobre a II Guerra Mundial. Vale a pena conferir. Atenção especial às resenhas e às entrevistas com ex-combatentes do maior conflito da história da humanidade:

http://www.spiegel.de/international/topic/world_war_ii/

Líbia: desentendimentos entre a OTAN e os rebeldes – ponto para Kadafi

As tropas de Kadafi já retomaram Brega, quase tão importante quanto Bengazi. Os rebeldes questionam as ações da OTAN, que parece não estar alcançando muito êxito em esmagar as forças leais a Trípoli.

Toda essa incerteza na efetividade nas operações patrocinadas pela OTAN e a falta de coordenação entre a coalizão e os rebeldes só fortalece a Kadafi, que consegue uma sobrevida inimaginável em alguns gabinetes de Paris, Londres ou Washington.

Minha pergunta permanece: quem terá condições de substituir Kadafi? Haverá Líbia pós-Kadafi ou o país se transformará em uma Somália, dividido entre as várias tribos e clãs que o coronel cross-dressing conseguiu aglutinar em torno de seu governo? Continuar lendo

Por que intervenção na Líbia, mas não na Costa do Marfim? – Artigo BBC Mundo

 

Costa do Marfim: um país, dois presidentes, muitos problemas. Gbagbo (esq.) e Outtara: disputa pela chefia do maior produtor mundial de cacau.

Análise interessante sobre a situação da Costa do Marfim comparada com a da Líbia. Importante destacar que são cerca de um milhão de refugiados em quatro meses. Ademais, há o assassinato deliberado de mulheres com o objetivo de causar pânico na população. Gbagbo está enraizado na cadeira presidencial.

Note-se que, de forma atípica, o presidente derrotado não conta com apoio de outros líderes africanos (digo atípica porque há uma tolerância muito grande aos regimes autoritários no continente, regimes em que os “chefes” pernacem no poder durante anos). Tanto a Comunidade Econômica da África Ocidental quanto a União Africana estão com o líder oposicionista que venceu as eleições, Alassane Outtara. Também estão com Outtara a ONU, a União Européia e os Estados Unidos – diga-se de passagem, Obama acabou de pedir que Gbagbo deixe o poder.

De protestos diplomáticos para ações mais significativas é um passo enorme. Enquanto isso, mais marfinenses morrem… E assim caminha a humanidade… Continuar lendo

A Batalha de Abdijan

A Costa do Marfim está muito perto de uma carnificina. As negociações falharam. Cada vez mais as armas falarão. E, no meio dessa disputa por poder, a população é a grande vítima… mais um capítulo na trágica história desse continente tão rico quanto abandonado…

Ah, sim! A França enviou mais 150 homens para ajudar os 1.650 militares franceses que já estão na Costa do Marfim “para proteger a população” (ou seja, os cerca de 12.000 cidadãos franceses que vivem no país)… Diga-se de passagem, os mortos entre os marfinenses já passam de 1.500.

Esperemos uma Resolução do Conselho de Segurança pela intervenção humanitária para conter o massacre. Afinal, violações aos direitos humanos não faltarão naquele cenário! O será que não interessa às potências se envolverem no conflito? Será que tem algo a ver com o fato de que o principal produto de exportação marfinense é o cacau, e não ouro, diamantes ou petróleo? Esperemos, esperemos…

Ouattara forces begin Abidjan assault

Mon Apr 4, 2011 1:54pm GMT. By Mark John and Ange Aboa. http://af.reuters.com/articlePrint?articleId=AFJOE7330IJ20110404

ABIDJAN (Reuters) – Forces backing Ivory Coast presidential claimant Alassane Ouattara began a fresh assault to remove Laurent Gbagbo from his last stronghold in Abidjan on Monday. Continuar lendo

Spetsnaz…

Só por curiosidade, as forças especiais da Federação da Rússia são conhecidas pelo termo genérico Spetsnaz (Войска Cпециального Назначения – Cпецназ; translit. Voisca Spetsialnovo Naznatchênia – Spetsnaz, “unidades para fins especiais”)

Dentre essas tropas de elite, as mais conhecidas pertencem ao Serviço de Segurança Federal (FSB) – herdeiro do KGB – para emprego em missões de antiterrorismo e antissabotagem. Entretanto, o Ministério do Interior (MVD),  que comanda a polícia, e serviço de inteligência militar (GRU) também dispõem de Spetsnaz.

Todas as unidades Spetsnaz operadas pelo FSB são chamadas de Osnaz, um acrônimo para (Voisca) Osobovo Naznachenya ou “Destacamentos Para Fins Especiais”. Essas unidades foram originalmente montadas, à época da União Soviética, para uso doméstico na contenção de contra-revolucionários, dissidentes e outros indivíduos e grupos considerados indesejáveis. Sempre houve uma certa quantidade de intercâmbio de pessoal e unidades tanto entre o GRU que controla as Spetsnaz e o MVD com as Osnaz MVD e as Oznaz KGB ou FSB, especialmente entre estes últimos.

As Spetsnaz executam missões de reconhecimento e confronto civil em épocas de paz, bem como de guerra (note-se que essas forças são, de fato, o último recurso antes de um cenário de guerra). Por exemplo, sabe-se que o assassinato de Hafizullah Amin, então presidente do Afeganistão, em dezembro de 1979, foi executado pelo Spetsnaz sob as ordens do KGB. Também foram eles que atuaram na neutralização dos terroristas no atentado ao Teatro de Moscou. Algumas vezes, seus métodos parecem um pouco heterodoxos demais para os padrões ocidentais. Entretanto, os russos sabem que, se não tiver jeito, os Spetsnaz entram em ação… e resolvem.

Para quem tem interesse em segurança e inteligência, vale a pena conhecer um pouco mais sobre essas forças especiais tão atuantes desde o início do século XX…

 

Costa do Marfim: forças de oposição entram na capital

Concordo com o amigo que enviou esta notícia quando ele diz que “diante dos sucessivos fracassos das iniciativas de negociação, as armas irão ganhando legitimidade na solução da crise na Costa do Marfim…”

Há um grande risco de que mais uma vez, os africanos presenciem um massacre fratricida naquele belo e rico continente.

Daí me perguntar se a independência trouxe realmente grandes benefícios às populações desses países (benefícios reais e efetivos). Explico-me: as conseqüências da maior parte desses processos de descolonização foram guerras civis, violência em altíssima escala, destruição das infraestruturas criadas no período colonial, colapso das instituições e, naturalmente, ditaduras sangrentas. Realmente, os africanos têm muito mais liberdade do que tinham à época do colonizador! Continuar lendo

Obama autoriza operação de inteligência na Líbia

Obama teria autorizado o fornecimento de armas para os rebeldes na Líbia… Claro! Isso é que os estadunidenses chamam de covert actions, outros países operações especiais e por aí vai (vide nosso livro Atividade de Inteligência e Legislação Correlata)… As grandes potências seguem essas práticas não é de hoje. Surpreenderia se assim não fosse!

Agora, o mais interessante é o porta-voz da Casa Branca dizendo que “não vai comentar assuntos de inteligência…”. Note-se que ele não negou a operação de inteligência, apenas disse que não iria comentá-la.

No tabuleiro da política internacional, as potências certas vezes recorrem a medidas heterodoxas para fazer valer seus interesses (obviedade). O uso da inteligência em alguns caso serve exatamente para se evitar o recurso à força, como uma declaração de guerra ou a intervenção armada. A notícia é só um exemplo de que não há amadores no grande jogo. Nesse sentido, não é aceitável que governos se mostrem ingênuos.

Ainda que não se recorra à inteligência para influenciar governos estrangeiros e interferir em assuntos internos de outros países, é importante que todo Estado disponha de mecanismos para fazer frente às referidas ações. Isso é que se chama de contrainteligência. País que não se preocupe com inteligência e contrainteligência acaba sendo vítima de quem se preocupa (seja de outros governos, seja de organizações não-governamentais, como grupos terroristas e redes criminosas).

Yeah, baby! That’s Intelligence! That’s International Politics!

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Al Qaeda, Hezbollah e os rebeldes líbios

Essa é boa! Al Qaeda e Hezbollah apoiando os rebeldes na Líbia! Kadafi dizia isso, mas agora a inteliência estadunidense dizer o mesmo…

Pode até ser que haja elementos dessas organizações entre os grupos rebeldes (como diz meu amigo Gilberto Guerzoni, “tudo é possível, menos Deus pecar!). Mas isso me parece muito mais um balão de ensaio ou uma tentativa de plantar informação agora para desacreditar os rebeldes no futuro, quando Kadafi cair…

De toda maneira, se assim estiver acontecendo, é no mínimo surreal o apoio militar (com fornecimento de armas) dos ocidentais para a Al Qaeda e o Hezbollah… EUA, França e Reino Unido estariam literalmente armando o inimigo? Sei não, sei não…

 

http://br.reuters.com/articlePrint?articleId=BRSPE72S0LP20110329

Dados sobre rebeldes da Líbia indicam sinais da Al Qaeda

terça-feira, 29 de março de 2011 16:48 BRT

Por Missy Ryan e Susan Cornwell

WASHINGTON (Reuters) – Informações da inteligência sobre as forças rebeldes que combatem o líder líbio Muammar Gaddafi indicam sinais da presença da Al Qaeda e do Hezbollah, mas ainda não há um quadro detalhado sobre a oposição emergente, disse o principal comandante de operações da Otan na terça-feira. Continuar lendo

Forças de Kadafi rechaçam os rebeldes

Como já havia dito, a guerra não é algo simples. As tropas de Kadafi repelem os rebeldes, apesar do apoio da coalizão aos insurgentes. Logo alguns líderes ocidentais podem ser instigados a uma ação com forças terrestres… Aí a coisa complica um pouco mais…

Brevemente, com o passar do tempo, começará a pesar muito a capacidade de resistência (endurance) de cada lado: a de Kadafi em se manter no poder; e a da coalizão em fazer frente ao desgaste causado pela duração do conflito e pela pressão internacional contra a intervenção.

O problema é que, exatamente como aconteceu no Iraque, as tropas de Kadafi não são tão fracas como se imaginava (ou talvez os rebeldes não sejam tão fortes). Ponto para Muamar.

Reuters

Libya troops push rebels; powers want Gaddafi out

Photo

29/03/2011 – 6:24pm EDT

By Maria Golovnina and Michael Georgy

TRIPOLI (Reuters) – Muammar Gaddafi’s better armed and organized troops reversed the westward charge of rebels and world powers meeting in London piled pressure on the Libyan leader to end his 41-year rule. Continuar lendo

O significado dos vários nomes dados pela Coalizão à operação militar na Líbia

Muito instrutivo este artigo, sobretudo para quem se interessa por assuntos militares.

Transcrevo o comentário, sempre brilhante, de um amigo diplomata:

A lista de “nomes” vai crescendo….e.g., a componente aeronáutica do Canadá é a “Libaccio” um vento da Córsega, que significa “líbio”. Os espanhóis, também com certo ânimo poético, escolheram “Operación El Amanecer de la Odisea”, que  parece ser quase a exata tradução da seca  “Odyssey Dawn”.

Gosto da criatividade na escolha dos nomes (os britânicos são sem-graça). E me lembro de “Tempestde no Deserto” (Golfo I, 1991) e da confusão com escolha do nome da operação que derrubaria o regime de Saddam Hussein (Golfo II, 2003).

http://www.bbc.co.uk/news/magazine-12831743?print=true
Libya: What do the military operation names mean?

Operation ELLAMY is the name given to UK military action in Libya, while the US, Canada and France all have their own monikers. But what do they mean?

With a coalition of international Allies, backed by Nato, carrying out air strikes to enforce a no-fly zone and other objectives in Libya, the eyes of the world are on them – and their operation names. Continuar lendo

Órgãos da União Européia sofrem sério ataque cibernético

Não é de hoje que tenho alertado para as ameaças no ciberespaço, particularmente o ciberterrorismo e outras ações perpetradas por criminosos, com ou sem apoio de governos.

Além dos problemas causados por indivíduos e organização não-estatais, devem ser consideradas as iniciativas de alguns Estados em desenvolverem estruturas para a chamada “guerra cibernética”.

O pior é constatar o quanto o Brasil (seja no setor público, seja entre organizações privadas) está despreparado e vulnerável a esse novo tipo de ameaça…

BBC News, 23/03/2011

‘Serious’ cyber attack on EU bodies before summit

The EU has reported a “serious” cyber attack on the Commission and External Action Service on the eve of a summit in Brussels, a spokesman told the BBC. Continuar lendo

À espera de Lawrence…

Artigo interessante que chama atenção para o fato de que os opositores a Kadafi (ou seja, os “rebeldes”) não constituem uma força organizada sob liderança única. Bom, até aí não há novidade. Entretanto, permanece a questão: após a queda de Kadafi (sim, porque se todo esse aparato bélico empregado pela coalizão não conseguir por fim ao governo despótico do cross-dressing de Trípoli, que vai conseguir?), quem governará a Líbia? Sobrará Líbia para ser governada?

Vale lembrar que a Líbia nunca experimentou essa maravilha da geniosidade ocidental que é a democracia representativa. Ademais, a sociedade líbia se divide em algo em torno de 140 clãs ou famílias, muitos com interesses bastante antagônicos. É, portanto, uma sociedade tribal.

Somente Kadafi conseguia garantir alguma unidade nacional conciliando os interesses das diversas tribos e elegendo um inimigo externo comum. Saindo o Cauby do Saara do poder, não sei se haverá alguém com real capacidade de substituí-lo. Aí o país mergulha ainda mais profundamente no caos.

Atente-se também para o fato de que os aliados não se mostram tão articulados para cooperar entre si nem com os rebeldes. Gostei especialmente da parte do artigo em que o autor assinala possíveis medidas a serem tomadas pela coalizão para melhorar seu desempenho na guerra, como o recurso à inteligência e às forças especiais. O problema é que, para isso, precisariam de gente capacitada não só para lidar com as particularidades dos povos da região, mas que dominasse a língua, conhecesse os costumes e pudesse conduzir operações especiais com comandos naquele teatro. O ideal seria um árabe (uma vez que a coalizão reúne países árabes), mas nem os árabes estão dispostos a ir tão fundo, nem os ocidentais confiariam em um agente assim. Daí alguns clamarem por um Lawrence da Arábia para a Líbia (ou seja, um ocidental com alma de líbio).

Exatamente como os portugueses esperavam Dom Sebastião, os ocidentais esperam um “Lawrence da Arábia” para liderar o levante contra Kadafi… O problema é que não é facil encontrar um Lawrence assim…

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Mundo dividido sobre ação militar na Líbia…

Os ataques começaram no sábado e hoje, segunda-feira, já há questionamentos a respeito do uso da força contra o regime de Kadafi. Lembro sempre que os cinco membros do Conselho de Segurança (de um total de quinze) que se abstiveram foram Rússia, China, Alemanha (que é membro importante da OTAN), Índia e Brasil.

Putin disse o que disse (vide post anterior). Os chineses já estão acusando a coalizão de “violar leis internacionais”. A Alemanha falou que não pretende se envolver (o que, com o ceticismo da Turquia, pode dificultar um pouco que a OTAN se envolva diretamente, o que pode acabar acontecendo mesmo). E Obama já demonstrou a intenção de transferir o comando das operações para aliados (em outras palavras, deu o recado de que não vai mandar tropas no caso de uma intervenção por terra).

Muamar continua resistindo. Com aquele jeitinho simpático e o talento para se vestir, vai acabar angariando simpatia para sua causa (de permanecer no poder oprimindo os oprimidos).

E isso tudo apenas no terceiro dias dos confrontos… Continuar lendo

Putin compara intervenção na Líbia a uma chamada para as cruzadas

Já tinha cantado essa pedra! Putin falou, e falou em uma fábrica russa de mísseis balísticos! Será que tem algum significado o contexto desse pronunciamento ou foi só coincidência?

Dessa declaração de Putin para a transformação dos ataques em “nova cruzada” basta um bom jogo de marketing e a disposição ao conflito!

Respeito muito Vladimir Putin, é só o que digo…

21/03/2011

Putin: Libya Intervention Is like ‘Crusades’

VOTKINSK, Russia (Reuters) – Russian Prime Minister Vladimir Putin on Monday likened the U.N. Security Council resolution supporting military action in Libya to medieval calls for crusades.

“The resolution is defective and flawed,” Putin told workers at a Russian ballistic missile factory. “It allows everything. It resembles medieval calls for crusades.”

(Reporting by Gleb Bryanski; editing by Steve Gutterman)

A Liga Árabe, o Levante e a Líbia…

Encontro da Liga Árabe em 2010 - olha quem ficou bem na foto!

Vamos ver até quando a Liga Árabe manterá o apoio aos ataques da coalizão sob a égide da Resolução nº 1973/2011 do Conselho de Segurança da ONU.

O Conselho de Cooperação do Golfo (que integra, entre outros, Arábia Saudida e Barein) também já havia se manifestado favoravelmente a medidas mais enérgicas por parte do Conselho de Segurança da ONU.

Relembro que o Levante continua em curso no Mundo Árabe. Com as atenções voltadas para a Líbia, fica mais fácil conter as manifestações populares em outros países, inclusive com o uso (ou abuso) da força contra os manifestantes…

Tudo tem um propósito em Política Internacional. Continuar lendo

China lamenta intervenção militar na Líbia…

São 17:45h na Rússia, e até o momento não há nada no portal oficial do governo, nem no do Primeiro Ministro.

China também se pronunciando… Interessante que na página oficial do Governo da República Popular da China não há qualquer referência aos acontecimentos na terra de Kadafi. Continuar lendo

Medidas do Conselho de Segurança contra a Líbia

Direto do UN News Centre… Resta saber se a medida terá alguma efetividade, em um momento em que as forças de Kadafi estão vencendo os rebeldes e retomando o controle do país.

Benghazi pode cair em breve. Se isso acontecer, Kadafi venceu. As lideranças rebeldes terão sido aniquiladas, o Levante fracassado e o mundo vai encarar um Kadafi ressentido e disposto a se vingar de quem considere inimigos.

Parece que a manifestação da comunidade internacional por meio dessa Resolução do Conselho de Segurança vem tardia e desesperadamente. Questiono a efetividade da iniciativa.

Em tempo: dos 15 membros do Conselho, dez votaram a favor e cinco se abstiveram. E as abstenções foram de países importantes como Rússia, China (ambas com poder de veto e assento permanente), Alemanha e Índia, além do Brasil. Esse é um dado que não pode ser desconsiderado.

Indago se as potências vão realmente usar a força militar contra a Líbia… Não me parece muito lógico, muito menos com a participação dos Estados Unidos. Os estadunidenses não teriam condições (ou, melhor dizendo, disposição) para abrir mais uma frente depois do Afeganistão e do Iraque.

No Afeganistão, as forças da OTAN comandadas pelos EUA estão longe de um desfechos no confrontos. E o Iraque ainda não foi desocupado…

Será que alguém acha realmente que os EUA iriam mandar tropas para a Líbia e abrir uma nova frente, um novo Iraque? Será que a opinião pública americana compraria essa causa? Será que o Presidente Obama (que está com baixos índices de popularidade) ousaria se arriscar em um empreitada no Norte da África? Sinceramente, não estou seguro de que a Líbia vale tanto assim para as potências ocidentais.

De toda maneira, se ocorrer uma remota hipótese de intervenção armada por parte de uma coalizão da ONU (e, nesse caso, será comandada pelos EUA e não contará com efetivos russos, chineses, alemães, indianos ou brasileiros), não se poderá parar até a derrubada de Kadafi (exatamente como ocorreu com Saddam Hussein).

Só que a intervenção não seria fácil, ainda mais agora que as forças do Governo estão com o moral mais elevado. E, claro, Kadafi não parece estar muito disposto a largar o osso…

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Terrorismo no Brasil: Mao e a guerra no campo

É surpreendente como as gerações atuais nada conhecem sobre o que aconteceu há 40 ou 50 anos no Brasil. Como o tema desta semana é o terrorismo em nosso País, e já falei de Marighella e de sua guerrilha urbana, resolvi inserir um texto de outro ícone da esquerda daquela época (e de muitos ainda hoje), cujas orientações e o exemplo (e claro, certo pecúlio) em muito estimularam os “combatentes da liberdade” por aqui: Mao Tse Tung.

Hoje se costuma minimizar a intensidade das ações violentas do período (ou , ao menos, aquelas patrocinadas pelos grupos insurgentes). Quando se fala em violência naqueles anos, em geral (e intencionalmente) a referência é sempre àquela cometida pelos “agentes da ditadura”. Bem, que fique claro: houve violência dos dois lados, pois se entendia aquilo tudo como uma guerra! Ou seja, quem aderiu à luta armada não o fez para brincar! Essas pessoas tinham motivação ideológica clara, objetivos definidos, doutrina para orientar as ações (inclusive as táticas de guerrilha) e treinamento de combate, inclusive no exterior. Tudo isso acrescido de forte convicção ideológica baseada na máxima de que os fins justificam os meios. Se o objetivo era derrubar o regime para se estabelecer a “ditadura do proletariado”, toda e qualquer ação subversiva (seqüestros, roubos, assassinatos) estaria justificada.

Não, não se estava a brincar naqueles anos. Por mais absurdo que hoje nos pareça, por mais que nossas gerações que não viveram aquilo tenhamos dificuldade de entender e acreditar, a verdade é que muitos homens e mulheres que hoje são pacatas figuras proeminentes de nossa sociedade (na política, nas artes, nos negócios) e à época optaram pela luta armada, cometeram crimes (alguns bárbaros) em nome de ideologias. Todos foram anistiados. Destarte, a coisa não era romântica como se pinta hoje.

Costumo dizer que o grande mal do século XX no mundo, e na América Latina em particular, foi a ideologia, ideologia que dividiu irmãos e fez mulheres e homens bons matarem e morrerem. Mas isso fica para outro post…

Segue um texto do camarada Mao. E não me venham dizer que é só retórica. O exemplo chinês era algo factível para o Brasil, muitos da esquerda e da direita realmente nisso acreditavam. Claro que podia acontecer no Brasil sim! Aconteceu na Rússia e na China, países grandes e populosos como o nosso! Aqui também seria possível!

Destaco:

“A táctica que, ao longo dos últimos três anos, nós elaborámos no decorrer da luta, difere de qualquer outra adoptada nos tempos antigos ou modernos, quer na China quer no estrangeiro. Pela aplicação da nossa táctica, a luta das massas tem progredido dia após dia, de tal maneira que nem o adversário mais poderoso pode vencer-nos. A nossa táctica é a da guerra de guerrilhas, e consiste, no essencial, nos princípios seguintes:
‘Dispersar as tropas para levantar as massas, concentrar as tropas para bater o inimigo.’
‘O inimigo avança, nós recuamos, o inimigo imobiliza-se, nós flagelamos, o inimigo esgota–se, nós golpeamos, o inimigo retira-se, nós perseguimos.’
‘Para o estabelecimento de bases de apoio relativamente sólidas, nós adoptamos a táctica da progressão por vagas; quando somos perseguidos por um adversário poderoso, descrevemos um círculo sem nos afastarmos da base.’
‘Levantar um máximo de massas no mínimo tempo possível e recorrendo aos métodos mais adequados.’

E também:

O velho provérbio chinês “Uma faísca pode incendiar toda a pradaria” é perfeitamente aplicável aqui e significa que, muito embora as forças da revolução sejam no momento reduzidas, elas podem desenvolver-se muito rapidamente.

As idéias de Mao orientaram os que optaram pela chamada guerrilha rural. De fato, ainda são difundidas (é bom que fique claro) nos dias de hoje em alguns assentamentos rurais no Brasil, em escolas de certos movimentos sociais. Mas ninguém está muito preocupado com isso… O ovo da serpente nunca eclodirá…

Doutrinando as novas gerações...

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UMA FAÍSCA PODE INCENDIAR TODA A PRADARIA (1)

Mao Tse Tung, em 5 de janeiro de 1930

No nosso Partido, alguns camaradas ainda não compreenderam de maneira correcta a situação actual e não entendem, exactamente, a linha de acção que daí resulta. Acreditam que há-de verificar-se inevitavelmente um auge revolucionário, mas não crêem que tal auge possa ocorrer tão cedo. Essa a razão por que não aprovam o plano de conquista do Quiansi e aceitam, únicamente, a organização de acções volantes de guerrilhas na região fronteiriça das províncias de Fuquien, Cuantum e Quiansi. Além disso, não estão realmente convencidos da necessidade de organizar o poder vermelho nas regiões de guerrilhas, nem, por consequência, inteiramente convencidos da necessidade de acelerar a verificação do auge revolucionário no conjunto do país, consolidando e estendendo o poder vermelho. Eles parecem pensar que, num momento em que o auge revolucionário está ainda longe, seria vão consagrar-se ao trabalho duro do estabelecimento do poder. Eles contam, para começar, estender a nossa influência politica pela via relativamente fácil das acções volantes de guerrilhas. E, dizem, quando o trabalho de conquista das massas à escala do país estiver todo acabado ou, ao menos, muito avançado, passar-se-á ao levantamento armado em toda a China, lançar-se-ão na balança as forças do Exército Vermelho, chegando-se depois à grande revolução que abarcará a totalidade do país. Essa teoria da necessidade da conquista prévia das massas em todo o país, isto é, até aos mais pequenos recantos, para só depois se estabelecer o novo poder, não corresponde às condições reais da revolução chinesa. A fonte de tal teoria deve encontrar-se, essencialmente, na incompreensão do facto de a China ser uma semi-colónia que inúmeros Estados imperialistas se disputam. E, no entanto, basta compreender tal facto para que tudo se esclareça: Continuar lendo

Terrorismo no Brasil: Marighella e seu Minimanual

Marighella

Para ilustrar como pensavam muitos dos que optaram pelo recurso à luta armada no Brasil, recomendo a leitura do opúsculo de Carlos Marighella, terrorista-mor do período, cultuado ainda hoje por muitos que não sabem a mínima sobre quem de fato era aquele senhor. Melhor que tecer considerações a seu respeito, indico o link para o Minimanual do Guerrilheiro Urbano: http://www.marxists.org/portugues/marighella/1969/manual/index.htm. Muito mal foi feito com base naquele texto.

Seguem alguns trechos do Minimanual:

Mas a característica fundamental e decisiva do guerrilheiro urbano é que é um homem que luta com armas; dada esta condição, há poucas probabilidades de que possa seguir sua profissão normal por muito tempo ou o referencial da luta de classes, já que é inevitável e esperado necessariamente, o conflito armado do guerrilheiro urbano contra os objetivos essenciais:

a. A exterminação física dos chefes e assistentes das forças armadas e da polícia.

b. A expropriação dos recursos do governo e daqueles que pertencem aos grandes capitalistas, latifundiários, e imperialistas, com pequenas exropriações usadas para o mantimento do guerrilheiro urbano individual e grandes expropriações para o sustento da mesma revolução.

É claro que o conflito armado do guerrilheiro urbano também tem outro objetivo. Mas aqui nos referimos aos objetivos básicos, sobre tudo às expropriações. É necessário que todo guerrilheiro urbano tenha em mente que somente poderá sobreviver se está disposto a matar os policiais e todos aqueles dedicados à repressão, e se está verdadeiramente dedicado a expropriar a riqueza dos grandes capitalistas, dos latifundiários, e dos imperialistas.” (grifos nossos) Continuar lendo