Avatar de Desconhecido

Sobre Joanisval

Brasiliense. Doutor em Relações Internacionais e Mestre em História. Graduou-se em Relações Internacionais e em Direito. É advogado, professor universitário e consultor legislativo do Senado Federal. Monarquista convicto. Contato: joanisval@gmail.com.

Tropas do Conselho de Cooperação do Golfo entram no Barein

Estive impossibilitado de atualizar o site no fim-de-semana. Peço desculpas por isso. Vamos a algumas notícias, então.

Apesar das atenções estarem (justificadamente) no Japão (minha solidariedade aos japoneses) e na Líbia (as forças de Kadafi parecem estar virando o jogo, o que não será bom para ninguém a não ser para o próprio Kadafi), convém lembrar que o Levante continua acontecendo no mundo islâmico.

Esta notícia sobre o Barein é importante, pois o país, estrategicamente localizado, é a sede da Quinta Frota dos EUA. Lembrando que o problema lá de uma grande maioria xiita (sob certa influência de Teerã) governada por uma minoria sunita.Mas ninguém por aqui fala do Barein… Continuar lendo

Japão: risco nuclear

Reator 1 da usina nuclear de Fukushima fica a 250 quilômetros ao norte de Tóquio (Kim Kyung Hoon - Reuters)

Já passam de 1.700 mortos e desaparecidos na tragédia japonesa. Por mais pesar que esses números causem, é importante lembrar que é uma cifra baixa diante da gravidade dos eventos. Mérito do povo japonês, que tem em suas veias correndo a disciplina, organização, planejamento, preparo e noção de coletividade.

O perigo agora, além de novo terremoto e tsunami, é o de acidente nuclear… Continuar lendo

A Tragédia no Japão e o (des)preparo de Pindorama

Japão 2011 - Terremoto e tsunami - previsíveis, mas inevitáveis...

Além do pesar pelas vítimas da tragédia e de nos solidarizarmos com o povo japonês, esses terríveis acontecimentos no Império do Sol Nascente nos fazem pensar no despreparo aqui em Pindorama frente a grandes tragédias… Ok, país tropical, abençoado por Deus e bonito por natureza… Não temos vulcões ativos, furacões nem terremotos (ainda que meus amigos do Rio Grande do Norte insistam que não é bem assim)… Mas temos nossas enchentes e desmoronamentos de encostas… nesses casos, todos eventos previsíveis e, de certa forma, controláveis… Mas as mortes por aqui são a única certeza.

Os japoneses se mostraram (como era de se esperar) tremendamente preparados para enfrentar catástrofes. O problema ali é que, realmente, o terremoto e a tsunami que o sucedeu foram muito intensos. É exatamente o inverso do cenário por aqui.

Região Serrana do Rio, 2011 - enchentes e desmoronamentos: evitáveis, mas não previstas...

Em Pindorama, não temos que nos preocupar com desastres naturais das proporções dos ocorridos no Japão. Nossos terremotos e nossas tsunamis estão relacionados à má administração dos recursos públicos, à falta de planejamento e ao descaso das autoridades para com os interesses gerais. E essas catástrofes também matam e causam graves prejuízos…

Tudo bem, diriam alguns… mas é o Japão, não é? Terceira economia do globo, índices de desenvolvimento sociais altíssimos… Bom, aqui no Hemisfério Ocidental tivemos dois casos marcantes no ano passado, os terremotos do Haiti e do Chile. Não preciso comentar a tragédia haitiana (onde, inclusive, perdi dois amigos). Mas vale lembrar a eficiência com que os chilenos lidaram com a catástrofe por lá. Eu estava em Santiago quando ocorreu o terremoto do Haiti e lá, conversando com os amigos, percebi como os chilenos estavam preparados para um evento cuja única certeza é que iria acontecer. Resta saber por aqui se em Pindorama estamos mais para Haiti do que para Chile e Japão. Deus nos ajude!

Imagens da tragédia no Japão: http://blogs.estadao.com.br/olhar-sobre-o-mundo/terremoto-no-japao/

Cobertura: http://topicos.estadao.com.br/terremoto

 

Terrorismo no Brasil: Mao e a guerra no campo

É surpreendente como as gerações atuais nada conhecem sobre o que aconteceu há 40 ou 50 anos no Brasil. Como o tema desta semana é o terrorismo em nosso País, e já falei de Marighella e de sua guerrilha urbana, resolvi inserir um texto de outro ícone da esquerda daquela época (e de muitos ainda hoje), cujas orientações e o exemplo (e claro, certo pecúlio) em muito estimularam os “combatentes da liberdade” por aqui: Mao Tse Tung.

Hoje se costuma minimizar a intensidade das ações violentas do período (ou , ao menos, aquelas patrocinadas pelos grupos insurgentes). Quando se fala em violência naqueles anos, em geral (e intencionalmente) a referência é sempre àquela cometida pelos “agentes da ditadura”. Bem, que fique claro: houve violência dos dois lados, pois se entendia aquilo tudo como uma guerra! Ou seja, quem aderiu à luta armada não o fez para brincar! Essas pessoas tinham motivação ideológica clara, objetivos definidos, doutrina para orientar as ações (inclusive as táticas de guerrilha) e treinamento de combate, inclusive no exterior. Tudo isso acrescido de forte convicção ideológica baseada na máxima de que os fins justificam os meios. Se o objetivo era derrubar o regime para se estabelecer a “ditadura do proletariado”, toda e qualquer ação subversiva (seqüestros, roubos, assassinatos) estaria justificada.

Não, não se estava a brincar naqueles anos. Por mais absurdo que hoje nos pareça, por mais que nossas gerações que não viveram aquilo tenhamos dificuldade de entender e acreditar, a verdade é que muitos homens e mulheres que hoje são pacatas figuras proeminentes de nossa sociedade (na política, nas artes, nos negócios) e à época optaram pela luta armada, cometeram crimes (alguns bárbaros) em nome de ideologias. Todos foram anistiados. Destarte, a coisa não era romântica como se pinta hoje.

Costumo dizer que o grande mal do século XX no mundo, e na América Latina em particular, foi a ideologia, ideologia que dividiu irmãos e fez mulheres e homens bons matarem e morrerem. Mas isso fica para outro post…

Segue um texto do camarada Mao. E não me venham dizer que é só retórica. O exemplo chinês era algo factível para o Brasil, muitos da esquerda e da direita realmente nisso acreditavam. Claro que podia acontecer no Brasil sim! Aconteceu na Rússia e na China, países grandes e populosos como o nosso! Aqui também seria possível!

Destaco:

“A táctica que, ao longo dos últimos três anos, nós elaborámos no decorrer da luta, difere de qualquer outra adoptada nos tempos antigos ou modernos, quer na China quer no estrangeiro. Pela aplicação da nossa táctica, a luta das massas tem progredido dia após dia, de tal maneira que nem o adversário mais poderoso pode vencer-nos. A nossa táctica é a da guerra de guerrilhas, e consiste, no essencial, nos princípios seguintes:
‘Dispersar as tropas para levantar as massas, concentrar as tropas para bater o inimigo.’
‘O inimigo avança, nós recuamos, o inimigo imobiliza-se, nós flagelamos, o inimigo esgota–se, nós golpeamos, o inimigo retira-se, nós perseguimos.’
‘Para o estabelecimento de bases de apoio relativamente sólidas, nós adoptamos a táctica da progressão por vagas; quando somos perseguidos por um adversário poderoso, descrevemos um círculo sem nos afastarmos da base.’
‘Levantar um máximo de massas no mínimo tempo possível e recorrendo aos métodos mais adequados.’

E também:

O velho provérbio chinês “Uma faísca pode incendiar toda a pradaria” é perfeitamente aplicável aqui e significa que, muito embora as forças da revolução sejam no momento reduzidas, elas podem desenvolver-se muito rapidamente.

As idéias de Mao orientaram os que optaram pela chamada guerrilha rural. De fato, ainda são difundidas (é bom que fique claro) nos dias de hoje em alguns assentamentos rurais no Brasil, em escolas de certos movimentos sociais. Mas ninguém está muito preocupado com isso… O ovo da serpente nunca eclodirá…

Doutrinando as novas gerações...

***

UMA FAÍSCA PODE INCENDIAR TODA A PRADARIA (1)

Mao Tse Tung, em 5 de janeiro de 1930

No nosso Partido, alguns camaradas ainda não compreenderam de maneira correcta a situação actual e não entendem, exactamente, a linha de acção que daí resulta. Acreditam que há-de verificar-se inevitavelmente um auge revolucionário, mas não crêem que tal auge possa ocorrer tão cedo. Essa a razão por que não aprovam o plano de conquista do Quiansi e aceitam, únicamente, a organização de acções volantes de guerrilhas na região fronteiriça das províncias de Fuquien, Cuantum e Quiansi. Além disso, não estão realmente convencidos da necessidade de organizar o poder vermelho nas regiões de guerrilhas, nem, por consequência, inteiramente convencidos da necessidade de acelerar a verificação do auge revolucionário no conjunto do país, consolidando e estendendo o poder vermelho. Eles parecem pensar que, num momento em que o auge revolucionário está ainda longe, seria vão consagrar-se ao trabalho duro do estabelecimento do poder. Eles contam, para começar, estender a nossa influência politica pela via relativamente fácil das acções volantes de guerrilhas. E, dizem, quando o trabalho de conquista das massas à escala do país estiver todo acabado ou, ao menos, muito avançado, passar-se-á ao levantamento armado em toda a China, lançar-se-ão na balança as forças do Exército Vermelho, chegando-se depois à grande revolução que abarcará a totalidade do país. Essa teoria da necessidade da conquista prévia das massas em todo o país, isto é, até aos mais pequenos recantos, para só depois se estabelecer o novo poder, não corresponde às condições reais da revolução chinesa. A fonte de tal teoria deve encontrar-se, essencialmente, na incompreensão do facto de a China ser uma semi-colónia que inúmeros Estados imperialistas se disputam. E, no entanto, basta compreender tal facto para que tudo se esclareça: Continuar lendo

Terrorismo no Brasil: Marighella e seu Minimanual

Marighella

Para ilustrar como pensavam muitos dos que optaram pelo recurso à luta armada no Brasil, recomendo a leitura do opúsculo de Carlos Marighella, terrorista-mor do período, cultuado ainda hoje por muitos que não sabem a mínima sobre quem de fato era aquele senhor. Melhor que tecer considerações a seu respeito, indico o link para o Minimanual do Guerrilheiro Urbano: http://www.marxists.org/portugues/marighella/1969/manual/index.htm. Muito mal foi feito com base naquele texto.

Seguem alguns trechos do Minimanual:

Mas a característica fundamental e decisiva do guerrilheiro urbano é que é um homem que luta com armas; dada esta condição, há poucas probabilidades de que possa seguir sua profissão normal por muito tempo ou o referencial da luta de classes, já que é inevitável e esperado necessariamente, o conflito armado do guerrilheiro urbano contra os objetivos essenciais:

a. A exterminação física dos chefes e assistentes das forças armadas e da polícia.

b. A expropriação dos recursos do governo e daqueles que pertencem aos grandes capitalistas, latifundiários, e imperialistas, com pequenas exropriações usadas para o mantimento do guerrilheiro urbano individual e grandes expropriações para o sustento da mesma revolução.

É claro que o conflito armado do guerrilheiro urbano também tem outro objetivo. Mas aqui nos referimos aos objetivos básicos, sobre tudo às expropriações. É necessário que todo guerrilheiro urbano tenha em mente que somente poderá sobreviver se está disposto a matar os policiais e todos aqueles dedicados à repressão, e se está verdadeiramente dedicado a expropriar a riqueza dos grandes capitalistas, dos latifundiários, e dos imperialistas.” (grifos nossos) Continuar lendo

Blogando Segurança

Para os interessados em segurança pública, inteligência e temas correlatos, indico o site de um amigo, o Prof. George Felipe de Lima Dantas: http://blogandoseguranca.blogspot.com/. Vale a pena conferir!

Abraço!

Terrorismo Internacional: sete anos dos atentados de Madri

Já se passaram sete anos… Mas, para muitos madrilenhos, o 11 de março de 2004 ainda é uma lembrança recente. Segue o link com a cobertura do El País sobre aqueles acontecimentos nefastos. Nada, absolutamente nada justifica o terrorismo (seja de Estado, seja de organizações não-estatais). Na verdade, trata-se de ameaça que tem que ser combatida e neutralizada sem tergiversação.

Preocupa o fato do Brasil estar completamente despreparado para lidar de maneira eficiente, eficaz e efetiva com essa ameaça. Ilusória a idéia de que isso nunca vai acontecer por aqui. É só uma questão de tempo, pouco ou muito tempo…

De toda maneira, grandes eventos ocorrerão nos próximos anos. Se os brasileiros não são alvo, como digo sempre em minhas aulas, virão delegações de países que são alvo. Virá público de países que são alvo. É importante que estejamos preparados. Não acontecendo nada, ótimo. Fizemos a nossa parte.

Eis o link para a cobertura: http://www.elpais.com/todo-sobre/tema/matanza/11-M/122/

Comissão da Verdade

Análise lúcida de meu amigo, Marcus Reis, sobre a Comissão da Verdade. Esse é um tema que merece muito cuidado, exatamente para não virar um comissão das meias verdades. Sobre o assunto, ontem vi um debate interessante na Globonews (no Entre Aspas desta semana).

Algumas verdades sobre a Comissão da Verdade…

10/03/2011

por mvreis

Muito se discute atualmente acerca da criação de uma Comissão da Verdade para apurar os “excessos cometidos pelas forças públicas durante o período da ditadura no Brasil”. Mas o que vem a ser tal Comissão? Por favor, não pode ser uma Comissão da Meia Verdade. Por quê? Bom, pelo simples motivo de que não se pode apurar somente a verdade daqueles que em certo momento de nossa história se encontravam contra as forças do Estado. 

E a verdade daqueles que combatiam a favor do Estado? Daqueles que foram vítimas de seqüestros, assaltos, assassinatos etc.? Daqueles soldados que morreram lutando? Parece que os crimes cometidos contra essas pessoas encontram uma justificativa, uma excludente de ilicitude ou uma causa extra-penal de exclusão de culpabilidade!

Vamos apurar! Vamos sim, mas apuremos todos os excessos! Os do lado de lá e os do lado de cá! Continuar lendo

Kadafi, os rebeldes, e aliança dos EUA com a Al Qaeda contra o cross-dressing de Trípoli

Hoje pela manhã, ouvi a notícia de que a França enviaria um embaixador junto aos rebeldes da Líbia, desacreditanto seu representante perante o Governo de Trípoli. Até aí, tudo bem.

Kadafi - cross-dressing em um modelito de proprietária de casa de tolerância feito com as cortinas do palácio presidencial.

Só fiquei imaginando quem seria a autoridade rebelde perante a qual o Sarkô credenciaria o embaixador, uma vez que o Levante (viram que já há jornais por aí usando esse termo?) por lá seria constituído de várias lideranças pulverizadas, sem um comando central (ao menos são as informações que chegam).

Meu amigo Danilo Aguiar veio com uma sábia solução: já que os rebeldes não têm uma liderança unificada, o ideal seria as autoridades franceses verificarem no twitter quem tem mais seguidores entre os chefes do Levante líbio para então acreditar o embaixador, eheheh… Achei a idéia brilhante!!!

Bom, agora, falando sério, mais que de diplomatas, os rebeldes estão precisando mesmo é de apoio logístico, sob a forma de suprimentos, armas e, ainda, pressão internacional contra o cross-dressing de Trípoli (é, porque o Muamar está cada vez mais parecido com uma tia velha vestido naqueles panos – e isso que o Carnaval já acabou! Há quem diga o Kadafi já teria deixado a Líbia e sido visto desfilando em Salvador ou no baile do Monte Líbano no Rio… Esse dado não foi confirmado).

Kadafi está tão surtado que acusa os rebeldes de terem apoio das potências ocidentais e da Al Qaeda! Tudo, bem… ele é muito é sabido com essa retórica, isso sim, mas colocar os EUA e a Al Qaeda juntos em um plano orquestrado para arrancá-lo do poder, essa nem o Chico César (Kin Jong Il) da República Democrática da Coréia ou a Castrocracia de Cuba tiveram o disparate de inventar! De fato, Muamar é surreal! Vai acabar virando samba-enredo de alguma escola no ano que vem! Continuar lendo

Dalai Lama abdica da liderança política do Tibete

O que chama a atenção é o fato de o governo chinês ter que aprovar todas as reencarnações do Buda… Isso é que é controle do Estado!

Confesso minha simpatia por Sua Santidade!

Dalai Lama decide abdicar da liderança política do Tibete

Por Abhishek Madhukar, em 10/02/2011

DHARAMSALA, Índia (Reuters) – O Dalai Lama disse nesta quinta-feira que renunciará às funções de líder político do Tibete, o que deve transformar o governo tibetano do exílio em um organismo mais firme e democrático para enfrentar a pressão da China.

 Ao delegar seus poderes, o Dalai Lama daria um maior peso ao primeiro-ministro do Tibete, num momento em que a região busca maior autonomia em relação a Pequim. Os tibetanos do exílio elegerão um novo primeiro-ministro neste mês, o que é visto como uma abertura para uma geração de líderes jovens e laicos, e como um fortalecimento da posição global do movimento autonomista tibetano.

 “Já em 1960 eu dizia repetidamente que os tibetanos precisam de um líder eleito livremente pelo povo tibetano, a quem eu possa delegar o poder”, disse o Dalai Lama em seu discurso anual, marcando os 52 anos desde que ele fugiu do Tibete, após uma frustrada rebelião contra o regime chinês.

 “Agora claramente chegou o momento de colocar isto em prática”, disse a uma multidão de 2.000 monges budistas e tibetanos que o ouviam prostrados. Continuar lendo

Vítimas do terrorismo no Brasil IV: justiçamentos

Uma prática das mais nefastas entre os terroristas que atuaram no Brasil nas décadas de 1960 e 1970 foram os chamados “justiçamentos”, ou seja, o assassinato dos próprios companheiros considerados traidores pelos tribunais revolucionários. Também poderiam ser vítimas dessas práticas quaisquer pessoas consideradas inimigas, como integrantes das forças de segurança do Estado, civis que apoiassem o regime militar ou qualquer um contra o qual recaíssem suspeitas de que pudesse representar ameaça aos planos revolucionários. Em geral, esses justiçamentos eram feitos com requintes de crueldade, inclusive porque deveriam servir de exemplo e instrumento de propaganda revolucionária.

Bom lembrar que as mortes por justiçamento não eram causadas em meio ao fervor de uma batalha, por uma troca de tiros com autoridades estatais ou por uma bala perdida. Eram execuções sumárias e premeditadas, justificadas de maneira fria e cruel pelos mais elevados ideais revolucionários. Afinal, os terroristas (como é, sempre foi e sempre será) se viam no direito de decidir sobre a vida e a morte das pessoas que estivessem em seu caminho. E matavam. E o pior é que esses assassinos não demonstram qualquer remorso por seus crimes e ainda há gente que admira essa conduta!

Dentre as quase duas dezenas de justiçamentos ocorridos no Brasil à época da luta armada, citaremos alguns ao longo da semana. Nenhum está listado entre os crimes cometidos durante o período militar. E os algozes, como deve ser, foram beneficiados pela Lei de Anistia que agora muitos querem revisar. Naturalmente, se isso acontecer, a revisão será para punir aqueles que atuaram em nome do regime, jamais aos combatentes da liberdade (mesmo porque, se a Lei de Anistia for revista de forma imparcial, muita gente nos altos escalões desta República teria que responder por seus atos…).

O assassinato de um militar estrangeiro

O ano era 1968. O Brasil vivia um clima de intranqüilidade nas grandes cidades, em virtude das ações dos grupos de esquerda contra o regime estabelecido em 31 de março de 1964 e a conseqüente reação das forças do Governo Costa e Silva. Era a época de atentados terroristas como explosões de bombas, seqüestros, depredações ao patrimônio público, roubos (chamados eufemisticamente de expropriações) e, claro, combates urbanos entre os terroristas e os agentes do Estado. Continuar lendo

Nós e o terrorista italiano

Artigo interessante, publicado no ESP, acerca do caso Battisti.

Depois de estudar o caso, lendo parte dos autos, fica evidente o equívoco do Governo brasileiro nesta questão. Battisti agiu como assassino frio e matou sem piedade. Vai escapar impune porque tem bons amigos (companheiros) no Brasil.

Terrorista

Almir Pazzianotto Pinto (*)
 
Os brasileiros jamais aderiram ao terrorismo. Bakunin, para quem “o impulso de destruir é também um impulso criativo”, não fez escola entre nós. Influenciou um ou outro pervertido. Chacinar autoridades ou pessoas comuns, detonar bombas na multidão, explodir instalações públicas, como sucede rotineiramente em países conhecidos pela irracionalidade de minorias políticas e religiosas, não integram os nossos costumes. O povo mais de uma vez manifestou repugnância a facínoras insensíveis que, em nome de ideologia extremista, ou por mera propensão homicida, não vacilam em sacrificar homens, mulheres e crianças, em sangrentos atentados a tiros ou à bomba.
 
Marcelino Bispo de Melo, o soldado que, em 5 de novembro de 1897, ao atacar o presidente Prudente de Morais no cais do Rio de Janeiro, feriu de morte o ministro da Guerra, marechal Machado Bittencourt, e o coronel Mendes de Morais, ou Manso de Paiva, desempregado que, em 8 de setembro de 1915, apunhalou pelas costas o senador Pinheiro Machado, integram o diminuto número de terroristas assumidos da nossa História.
 
A Primeira República (1889-1930) ficou marcada por episódios de rara violência: a Revolta da Armada (1893-1894); a Campanha de Canudos (1896-1897); a Guerra do Contestado (1912-1916); fuzilamentos e a degola, praticada no Sul como forma de eliminação de adversários políticos e soldados inimigos (a vítima indefesa era posta de joelhos, com a cabeça entre as pernas do carrasco, que com golpe de adaga lhe abria o pescoço). Atos terroristas, todavia, foram poucos e isolados.
 
Jacob Gorender, autor de Combate nas Trevas – A Esquerda Brasileira: das ilusões perdidas à luta armada, descreve o surgimento do terror após 1964, utilizado como instrumento de reação ao regime militar Continuar lendo

Vítimas do Terrorismo no Brasil III

Dando continuidade ao tema da semana, segue uma lista das vítimas do terrorismo no Brasil. Desta vez listo os nomes dos mortos a partir dos “anos de chumbo”, que têm como marco inicial o Ato Institucional n. 5 (AI-5).

Todos os nomes constam de uma lista publicada por Reinaldo Azevedo em seu blog, em janeiro de 2010. Totalizam 120 pessoas. Note-se que a relação começa do número 20, pois os outros foram assassinados antes de 13/12/1968 (AI-5) – esses nomes estão aqui no post Vítimas do Terrorismo no Brasil I.

Relação cronológica dos mortos pelas mãos de terroristas entre os anos de 1969 a 1974.
 
20) 07/01/69 – Alzira Baltazar de Almeida  – dona de casa – Rio de Janeiro/RJ
Uma bomba jogada por terroristas embaixo de uma viatura policia, estacionada em frente à 9ª Delegacia de Polícia, ao explodir, matou Alzira, que passava pela rua
 
21) 11/01/69 – Edmundo Janot  – Lavrador – Rio de Janeiro / RJ
Morto a tiros, foiçadas e facadas por um grupo de terroristas que haviam montado uma base de guerrilha nas  proximidades da sua fazenda.
 
22) 29/01/69 – Cecildes Moreira de Faria  – Subinspetor de Polícia – BH/ MG
23) 29/01/69 – José Antunes Ferreira – guarda civil – BH/MG
Policiais chegaram a um “aparelho” do Comando de Libertação Nacional (Colina), na Rua Itacarambu nº 120, bairro São Geraldo. Foram recebidos por rajadas de metralhadora, disparadas por Murilo Pinto Pezzuti da Silva, “Cesar’ ou “Miranda”, que mataram o subinspetor Cecildes Moreira da Silva (ver acima), que deixou viúva e oito filhos menores. Ferreira também morreu. Além do assassino, foram presos os seguintes terroristas: Afonso Celso L.Leite (Ciro), Mauricio Vieira de Castro (Carlos), Nilo Sérgio Menezes Macedo, Júlio Antonio Bittencourt de Almeida (Pedro), Jorge Raimundo Nahas (Clovis ou Ismael) e Maria José de Carvalho Nahas (Celia ou Marta). No interior do “aparelho”, foram apreendidos 1 fuzil FAL, 5 pistolas, 3 revólveres, 2 metralhadoras, 2 carabinas, 2 granadas de mão, 702 bananas de dinamite, fardas da PM e dinheiro de assaltos. Continuar lendo

Isabel e Leopoldina

Imperatriz Leopoldina - a princesa austríaca que amava o Brasil. A primeira mulher a governar este País.

Em comemoração ao Dia Internacional da Mulher, convém lembrar que este país já esteve sob o governo de duas grandes mulheres: a Imperatriz Leopoldina e a Princesa Isabel. Enquanto a primeira teve participação fundamental no processo de independência e sempre demonstrou amor por esta terra que adotou, a segunda, sua neta, entrou para a história como a Redentora, pondo fim à chaga da escravidão, mesmo às custas de sua coroa!

Isabel, a Redentora - a segunda mulher a governar o Brasil. Porque a escravidão acabou no Império, pelas mãos de uma princesa! Esse mérito republicano nenhum consegue tomar!

Leopoldina e Isabel! Duas grandes mulheres que ilustram bem o avanço político do Brasil sob o regime monárquico! Oxalá a Presidente Dilma tenha o mesmo talento e altivez para governar o País como suas antecessoras!

Viva a Imperatriz Leopoldina! Viva a Princesa Isabel! Viva o Império do Brasil!

Dia Internacional da Mulher

Nesta data, minha homenagem e reverência a todas as mulheres! Sem vocês nossa vida não tem sentido!

Se poeta fosse, escreveria uma poesia em sua homenagem. Se artista fosse, pintaria um quadro em sua homenagem. Como não sou nada disso, busco dentre as obras daqueles mais talentosos e ofereço a vocês…

…uma canção…

Mulher Nova Bonita E Carinhosa Faz O Homem Gemer Sem Sentir Dor

Composição: Otacílio Batista / Zé Ramalho

Numa luta de gregos e troianos,
Por Helena, a mulher de Menelau,
Conta a história de um cavalo de pau,
Terminava uma guerra de dez anos.
Menelau, o maior dos espartanos
Venceu Páris, o grande sedutor,
Humilhando a família de Heitor
Em defesa da honra caprichosa.
Mulher nova, bonita e carinhosa
Faz o homem gemer sem sentir dor.

Alexandre, figura desumana,
Fundador da famosa Alexandria,
Conquistava na Grécia e destruía
Quase toda a população Tebana.
A beleza atrativa de Roxana
Dominava o maior conquistador
E depois de vencê-la, o vencedor
Entregou-se à pagã mais que formosa.
Mulher nova bonita e carinhosa
Faz um homem gemer sem sentir dor.

A mulher tem na face dois brilhantes
Condutores fiéis do seu destino.
Quem não ama o sorriso feminino
Desconhece a poesia de Cervantes.
A bravura dos grandes navegantes
Enfrentando a procela em seu furor,
Se não fosse a mulher, mimosa flor,
A história seria mentirosa.
Mulher nova, bonita e carinhosa
Faz o homem gemer sem sentir dor.

Virgulino Ferreira, o Lampião,
Bandoleiro das selvas nordestinas,
Sem temer a perigo nem ruínas
Foi o rei do cangaço no sertão,
Mas um dia sentiu no coração
O feitiço atrativo do amor.
A mulata da terra do condor
Dominava uma fera perigosa.
Mulher nova, bonita e carinhosa
Faz o homem gemer sem sentir dor.

http://www.youtube.com/watch?v=xVg6KyijgwM&feature=related

…uma flor…

Flor (o Criador fez, eu só fotografei…)

… e, novamente, minha reverência!

PARABÉNS, MULHERES!

Vítimas do Terrorismo no Brasil II: Mário Kozel Filho

Mário Kozel Filho (São Paulo, 06/07/1949 – São Paulo, 26/06/1968) é muito pouco lembrado quando se fala dos que morreram por ocasião da luta armada no Brasil. E a razão talvez se deva ao fato de que esse rapaz tenha morrido, pouco antes de completar 19 anos, vítima de uma atentado terrorista promovido pelos combatentes da liberdade.

Kuka, apenas um garoto…

 Filho de Mário Kozel e Therezinha Lana Kozel, Mário Kozel Filho, o “Kuka”, tinha dezoito anos quando deixou de freqüentar as aulas e de trabalhar para iniciar o serviço militar obrigatório no 4º Regimento de Infantaria Raposo Tavares, em Quitaúna, município de Osasco, em 15 de janeiro de 1968. Em Quitaúna passou a ser o soldado nº 1.803 da 5ª Companhia de Fuzileiros do Segundo Batalhão.

Na madrugada de 26 de junho de 1968, Kuka estava de serviço, montando guarda no Quartel General do II Exército, o atual Comando Militar do Sudeste, na Cidade de São Paulo. Tudo parecia calmo e o silêncio imperava. Os militares dormiam e descansavam. Alertas apenas as sentinelas, cumprindo seu dever de zelar pela vida de seus companheiros e protegendo as instalações do QG. Cabe lembrar que os jovens de serviço naquela noite eram recrutas, estavam cumprindo o serviço militar obrigatório, e tinham, portanto, seis meses de instrução e de serviço nas fileiras do Exército. Não eram soldados profissionais, tampouco agentes da ditadura.

A tranqüilidade no QG seria interrompida por um grupo de dez terroristas, entre eles duas mulheres, que seguiam para ali realizar um atentado em um pequeno caminhão, carregado com 50 quilos de dinamite, e mais três Fuscas. O ataque à instalação militar seria um ato importante no contexto da propaganda da luta armada. Os terroristas seguiam a orientação de seu líder, Carlos Marighella que, no seu Minimanual de Guerrilha Urbana pregava que “o terrorismo é uma arma a que jamais o revolucionário pode renunciar” e que “ser assaltante ou terrorista é uma condição que enobrece qualquer homem honrado.” Continuar lendo

Vítimas do terrorismo no Brasil I

Esse pessoal foi apagado da História. Não houve indenizações para eles… O pior é que as gerações atuais não têm qualquer noção desses fatos. Houve inocentes vítimas do terrorismo de esquerda no Brasil. Fica aqui o registro, em memória dos esquecidos. 

AS VÍTIMAS DAS ESQUERDAS ANTES DO AI-5

1) 12/11/64 – Paulo Macena,  Vigia – RJ
Explosão de bomba deixada por uma organização comunista nunca identificada, em protesto contra a aprovação da Lei Suplicy, que extinguiu a UNE e a UBES. No Cine Bruni, Flamengo, com seis feridos graves e 1 morto.
 
2) 27/03/65- Carlos Argemiro Camargo, Sargento do Exército – Paraná
Emboscada de um grupo de militantes da Força Armada de Libertação Nacional (FALN), chefiado pelo ex-coronel Jeffersom Cardim de Alencar Osorio. Camargo foi morto a tiros. Sua mulher estava grávida de sete meses.
 
3) 25/07/66 – Edson Régis de Carvalho, Jornalista – PE
4) 25/07/66 – Nelson Gomes Fernandes, almirante – PE
Explosão de bomba no Aeroporto Internacional de Guararapes, com 17 feridos e 2 mortos. Além das duas vítimas fatais, ficaram feridas 17 pessoas, entre elas o então coronel do Exército Sylvio Ferreira da Silva. Além de fraturas expostas, teve amputados quatro dedos da mão esquerda. Sebastião Tomaz de Aquino, guarda civil, teve a perna direita amputada. Continuar lendo

Desprezado pela Comissão de Anistia

Esta é mais uma reportagem da série publicada pela Veja em 2010 sobre os anistiados políticos. Ilustra bem o outro lado a história.

Pouco se divulga acerca das vítimas do terrorismo de esquerda no Brasil. E houve vítimas. Esta semana dedicarei alguns posts a esses esquecidos. Infelizmente, o País tem uma grande dificuldade de discutir o tema sob uma perspectiva de contraditório. Permanece a versão parcial de que aqueles que pegaram em armas nos anos sessenta e setenta eram apenas “jovens combatentes da liberdade” que lutavam pelo restabelecimento da democracia.

Em que pese o fato de que muitos que resistiram ao regime militar o faziam com os mais nobres anseios democráticos, também houve muita gente que pegou em armas e cometeu crimes com o objetivo de derrubar o regime e estabelecer uma ditadura de esquerda da pior estirpe. A verdade é que não houve nenhum modelo de esquerda defendido por aquelas pessoas que não se constituísse de ditaduras abjetas comandadas por uma casta que se dizia governar em nome do povo, mas que vivia no luxo e se beneficiando das benesses de pertencer ao politiburo. A providência se encarregou de estirpar esse modelo no final do século passado (embora ainda haja centenas de milhões de pessoas que ainda vivem sob regimes autoritários de índole marxista, é bom lembrar).

Uma Vítima da Comissão de Anistia

Bruno Abbud

Em 19 de março de 1968, Orlando Lovecchio Filho chegou a São Paulo por volta da 1h da manhã, depois de passar o fim de semana em Santos, onde morava a família. Acompanhado de dois amigos, deixou o carro no estacionamento do Conjunto Nacional, na Avenida Paulista, número 2073, como fazia quase todos os dias – aos 22 anos, morava num prédio sem garagem perto dali. Como fazia todos os dias, Lovecchio subiu até o térreo do edifício e seguiu em direção à saída da Rua Padre João Manoel.

Orlando Lovecchio Filho - mais uma vítima do terrorismo de esquerda, esquecido pela Comissão de Anistia

Como fazia todos os dias, passou os olhos pelas grades e paredes de vidro do consulado dos Estados Unidos que ficava no caminho até a porta do Conjunto. Nesse momento, um pequeno objeto rodeado por uma nuvem de fumaça despertou-lhe a atenção. Para prevenir os responsáveis pelo esquema de segurança, virou as costas para o que pensou tratar-se de um equipamento elétrico em curto-circuito. Ouviu-se então um barulho estrondoso e o trio foi arremessado ao chão. Continuar lendo

Os dez mais da Anistia

Sem comentários… Tsc, tsc, tsc…

Os dez mais da Anistia

(publicado na Coluna do Augusto Nunes em 15/01/2011)

O ranking dos 10 mais da lista dos anistiados políticos soma R$ 25.439.875,94 em indenizações. A quantia é suficiente para instalar 26 mil computadores em escolas públicas, equipar 31 hospitais com aparelhos de tomografia e distribuir exemplares do livro ‘Técnicas de interrogatório sem violência’ entre 392 mil militares. As cifras aparecem na folha de pagamento do Ministério do Planejamento. A identificação dos beneficiários exige uma demorada busca na coleção do Diário Oficial da União.

Bolsa-Ditadura: mais uma falácia com o seu, o meu, o nosso dinheiro...

Todas as indenizações foram aprovadas pela Comissão de Anistia, mas nenhum integrante do ranking recebeu integralmente o dinheiro pago em parcelas. Enquanto esperam, recebem pontualmente as pensões mensais fixadas na mesma decisão que calculou o valor da indenização. O n° 1 da lista, José Carlos Arouca, não sabe quando poderá dispor dos R$ 2,9 milhões que lhe valeram a condição de recordista. Mas os R$ 15,6 mil da pensão mensal têm sido regularmente depositados em sua conta bancária.

Aos 75 anos, instalado na banca de advogado perto do centro paulistano, Arouca foi aprovado em 1° lugar num concurso para juiz do Trabalho em 1965. Ele se inscrevera para garantir a sobrevivência financeira ameaçada pela suspensão, decorrente de pressões do governo militar, da assistência jurídica que prestava a vários sindicatos. Não só foi impedido de assumir o cargo de juiz como se viu processado com base na Lei de Segurança Nacional e passou algumas semanas na prisão.

“Eu era filiado ao Partidão”, conta em tom orgulhoso, chamando pelo apelido carinhoso o velho Partido Comunista Brasileiro. “Tinha uma militância política muito intensa junto aos sindicatos”.  Em 1999, 20 anos depois da anistia, o resultado do concurso foi formalmente reconhecido e Arouca se tornou juiz do Tribunal Regional do Trabalho de São Paulo. Aposentou-se em  2005 e, no mesmo ano, foi contemplado com a indenização milionária.

A voz parece menos afirmativa quando a conversa trata do dinheiro. “Eu tenho uma porção de opiniões, mas algumas não estão valendo nada no momento”, esquiva-se o ex-juiz, que se nega a confirmar o tamanho da pensão mensal. “Acho que o meu caso está de acordo, está na lei”, diz. “Eles não podiam dar nem mais nem menos”.

Terceiro do ranking, Paulo Cannabrava Filho conseguiu R$ 2,7 milhões, além da pensão de 15.754,80 por mês. Presidente da  Associação Brasileira da Propriedade Intelectual dos Jornalistas Profissionais, Cannabrava recebe o equivalente ao salário médio de um editor. Procurado por VEJA.com, exigiu que a pergunta fosse feita por e-mail. Atendida a exigência, respondeu com admirável concisão: “A VEJA digo: nada a declarar. Assunto encerrado”. Os beneficiários das boladas gostariam que o assunto fosse sepultado para sempre. Os brasileiros que pagam a conta discordam.

O quarto da lista, Renato Leone Mohor, também premiado com R$ 2,7 milhões, teve a reparação equiparada ao salário médio de um chefe de redação: R$ 15,3 mil. Encerrou o telefonema ao saber que conversava com um repórter de VEJA.com.  “Este número é confidencial e não vou te atender, amigo”.

Décimo do ranking, o jornalista e ex-deputado federal Hermano de Deus Nobre Alves não viveu para receber integralmente a indenização de R$ 2,1 milhões. Em julho, aos 86 anos, morreu em Lisboa, onde morava desde 1991. Segundo as regras da anistia, o direito à reparação não é transferível para algum herdeiro.

Entre os relatores, o campeão da generosidade com dinheiro alheio é o advogado Márcio Gontijo. Seis dos 10 nomes entraram no ranking graças ao parecer favorável do conselheiro perdulário. “Eu sou o conselheiro mais antigo da Comissão, muitos processos já passaram pelas minhas mãos”, desconversa Gontijo. E quais foram os critérios que ampararam a gastança?  “Eu me baseio na lei”, acredita. Ninguém sabe exatamente a que lei se refere.

1) José Carlos da Silva Arouca
Indenização: R$ 2.978.185,15

Pensão mensal: R$ 15.652,69.
Relator: Márcio Gontijo

2) Antonieta Vieira dos Santos
Indenização: R$ 2.958.589,08

Pensão mensal: R$ 15.135,65.
Relator: Sueli Aparecida Bellato

3) Paulo Cannabrava Filho
Indenização: R$ 2.770.219,00

Pensão mensal: R$ 15.754,80.
Relator: Márcio Gontijo

4) Renato Leone Mohor
Indenização: R$ 2.713.540,08

Pensão mensal: R$ 15.361,11.
Relator: Hegler José Horta Barbosa

5) Osvaldo Alves
Indenização: R$ 2.672.050,48.

Pensão mensal: R$ 18.095,15.
Relator: Márcio Gontijo

6) José Caetano Lavorato Alves
Indenização: R$ 2.541.693,65

Pensão mensal: R$ 18.976,31.
Relator: Márcio Gontijo

7) Márcio Kleber Del Rio Chagas do Nascimento
Indenização: R$ 2.238.726,71

Pensão mensal: R$ 19.115,17.
Relator: Márcio Gontijo

8 ) José Augusto de Godoy
Indenização: R$ 2.227.120,46

Pensão mensal: R$ 12.454,77.
Relator: Sueli Aparecida Bellato

9) Fernando Pereira Christino
Indenização: R$ 2.178.956,71

Pensão mensal: R$ 19.115,19.
Relator: Márcio Gontijo

10) Hermano de Deus Nobre Alves
Indenização: R$ 2.160.794,62

Pensão mensal: R$ 14.777,50.
Relator: Vanda Davi Fernandes de Oliveira

Fundamentação econômica do terrorismo

Do site de um amigo. Recomendo  (www.marcusreis.com).

Terrorismo…

05/03/2011
por mvreis

O Terrorismo, ao ser percebido como um método de ação[1], possui determinada lógica que passa pela economia. O comportamento de um terrorista ou de uma organização terrorista pode ser explicado de forma similar a um consumidor racional, que mede os custos e os benefícios de suas ações. Indivíduos e grupos possuem incentivos e restrições que os fazem agir de determinada maneira, procurando sempre maximizar seus resultados.

Assim, organizações terroristas atuam com racionalidade e dessa maneira devem ser atacadas. Terrorismo não acontece pelo simples objetivo de matar, como bem assevera SNODGRASS (2008). Existe uma lógica por trás desse comportamento violento. Entender o porquê de se participar de grupos terroristas é um desafio dos investigadores, que tentam mensurar os ganhos individuais de pertencer a tais grupos (MULLER, 1996). Estados falham ao não proporcionar bens necessários à vida de seus nacionais, e isso pode motivar o surgimento de grupos que tentem destruir tais nações (ROTBERT, 2003).

PILLAR (2001) também destaca que os Estados devem aumentar os custos de uma ação terrorista com a adoção de medidas antiterror. O terrorismo tem uma lógica. O comportamento do terrorista obedece a um raciocínio lógico. O terrorismo, como outra forma de crime, possui custos e benefícios que são analisados pelos membros das organizações que o adotam. Políticas que levem em conta esses aspectos são as mais efetivas no combate ao terrorismo, considerando este ato uma escolha racional de um determinado grupo (GRENSHAW, 1998).

O terrorismo visto como crime pode e deve ter uma análise econômica. A abordagem econômica já vem sendo adotada para o estudo do fenômeno criminoso desde o trabalho Crime and Punishment: an Economic approach, do professor Gary BECKER, de 1968.


[1] “o terrorismo é uma etapa de uma seqüência de ações que visa a produzir um fim político desejado, sendo melhor caracterizado, portanto, como parte de uma estratégia, algo que definimos como um estratagema.” (DINIZ, Eugênio. Compreendendo o Fenômeno do Terrorismo. IN BRIGADÃO, C. e PROENÇA JR, D. Paz e Terrorismo. Ed. Hucitec, São Paulo, 2004, p. 197 a 222).