Terrorismo Internacional: sete anos dos atentados de Madri

Já se passaram sete anos… Mas, para muitos madrilenhos, o 11 de março de 2004 ainda é uma lembrança recente. Segue o link com a cobertura do El País sobre aqueles acontecimentos nefastos. Nada, absolutamente nada justifica o terrorismo (seja de Estado, seja de organizações não-estatais). Na verdade, trata-se de ameaça que tem que ser combatida e neutralizada sem tergiversação.

Preocupa o fato do Brasil estar completamente despreparado para lidar de maneira eficiente, eficaz e efetiva com essa ameaça. Ilusória a idéia de que isso nunca vai acontecer por aqui. É só uma questão de tempo, pouco ou muito tempo…

De toda maneira, grandes eventos ocorrerão nos próximos anos. Se os brasileiros não são alvo, como digo sempre em minhas aulas, virão delegações de países que são alvo. Virá público de países que são alvo. É importante que estejamos preparados. Não acontecendo nada, ótimo. Fizemos a nossa parte.

Eis o link para a cobertura: http://www.elpais.com/todo-sobre/tema/matanza/11-M/122/

Grande Guerra: submarinos e encouraçados

Uma vez que esta semana foi dedicada primeiramente à I Guerra Mundial, inserimos mais um post que pode interessar aos estudiosos de História Militar. Aspecto importante naquele conflito foi a guerra no mar. Nesse sentido, algumas palavras acerca de submarinos e encouraçados, duas inovações que revolucionaram as batalhas marítimas. Enquanto aqueles (cujo primeiro protótipo já havia sido testado na Guerra Civil estadunidense) se desenvolveriam ao longo do século XX, estes surgiram no final do século XIX, reinaram pelas primeiras décadas do século seguinte, mas começariam a ver-se limitados já na II Guerra Mundial, quando perderiam para o porta-aviões (navio aeródromo) a posição de nau capitânia de uma frota e se evidenciariam vítimas fáceis do poder aéreo. Continuar lendo

Grande Guerra: o tanque, essa arma sem sentido!

Artigo muito enriquecedor publicado no “the War Illustrated”, de 9 de dezembro de 1916. Na opinião do autor, o tanque “não vinha para ficar”…

‘Cruising in a Tank’

by Max Pemberton

It is evident that the “tank” has not come to stay. It is here to go on. When it first burst upon the astonished Germans like a dragon upon children from a wood of fables our critics were a little doubtful about its future. “It is experimental,” they said. “Famous things have been done, but we do not know how far it will go.” Well, it has gone a long way already, and we may say in all moderation that it has but begun.

O começo...

There have been new things in this war—as perhaps in all wars—but the “tank” was both a new and à humorous thing. When Hannibal introduced the Roman to the elephant there may have been laughter in Carthage, but no historian has recorded it. Gunpowder about the time of Crécy does not appear to have inspired the Harry Tates of the time. The first man in armour may have amused his relatives at home, .and no doubt the small boy of the period had observations to make upon his appearance. For all that, the man in armour is ever historically a gentle knight sans peur et sans reproche. Even throwing back to the East and the coming of the Juggernaut, it has needed a twentieth- century artist to hitch laughter to that singular coach. Yet I suppose the Juggernaut is the true forbear of the “tank.”

Some people will tell you that it all arose from the employment, both by us and the Germans, of the armoured car at the beginning of the war. We put machine-guns upon fine Rolls-Royce chassis, sent them into France and Flanders, and often left them in a few weeks hut rusted wrecks upon a roadside. They were not new, for, oddly enough, in the very earliest days of the motor movement inventors came forward with contraptions of the kind; and so closely did they resemble the machines which fought in Flanders that one must look twice at the picture to discover their lack of modernity. Continuar lendo

Grande Guerra: Armas I

Perto de se completar um século de sua deflagração, a I Guerra Mundial (1914-1918) continua fascinando os historiadores e todos os que se interessam por assuntos militares. Sem dúvida, aquele conflito trouxe mais inovações em termos tecnológicos que qualquer confronto que o precedeu. E um dos campos com maiores novidades foi o de armamentos.

Nesse sentido, duas armas primeiramente usadas na Grande Guerra e que mudariam o pensamento militar a partir de então foram  o avião e o carro de combate.

Com o avião, a guerra adquiriu mais uma dimensão. Já naquele conflito a nova arma foi usada para reconhecimento aéreo, para orientar o fogo de artilharia e para bombardear as posições do inimigo. No entre-guerras desenvolveu-se a doutrina do domínio do ar como condição necessária e suficiente para assegurar a vitória. Isso foi atestado na II Guerra Mundial (1939-1945).

Já o carro de combate, outra importante inovação, empregado inicialmente como arma tática de apoio à infantaria, cresceria de importância no entre-guerras: a mecanização passou a ser defendida por alguns doutrinadores, e os carros de combate funcionariam como uma cavalaria moderna. Imprimiriam vigor e velocidade na II Guerra Mundial.

De fato, essas duas armas somadas constituíram a base doutrinária da guerra relâmpago, que se tornou a referência no conflito de 1939-1945.

Grande Guerra: o Exército alemão (que nunca existiu)

Pouca gente sabe, mas a Alemanha não tinha um Exército único na I Guerra Mundial.

O Império Alemão de 1914 (o II Reich) era composto por 26 Estados: 4 reinos, 6 grão-ducados, 5 ducados, 7 principados, 3 cidades livres e as antigas províncias francesas da Alsácia e Lorena, conquistadas na Guerra Franco-Prussiana (1870-71). Até o armistício de 1918, o Reich tinha uma Marinha Imperial (menina dos olhos do Kaiser), mas nenhum Exército.

De fato, a força terrestre alemã era constituída de 4 exércitos: os dos reinos da Prússia, Baviera, Saxônia e Württemberg. Antes da guerra, relata H.P. Willmott (Primeira Guerra Mundial, Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2008), estes eram organizados em 217 regimentos de infantaria, dos quais 166 eram prussianos, 24 bávaros, 17 saxões e 10 de Württemberg. Isso explica a diferença entre os uniformes que podem ser identificadas em imagens das tropas alemãs na Grande Guerra. De toda maneira, convém assinalar que à frente desses exércitos estava o bem-estruturado Grande Estado-Maior Alemão, uma herança da tradição prussiana e exemplo de organização e eficiência.

Soldados de um regimento bávaro da I Guerra Mundial. O primeiro sujeito sentado à esquerda era um cabo austríaco que se tornaria chanceler da Alemanha em 1933, e que seis anos depois iniciaria a II Guerra Mundial...

Grande Guerra: uniformes

Ainda no contexto das homenagens aos combatentes da I Guerra Mundial, pretendo inserir alguns posts com curiosidades sobre aquele conflito de cerca de 8 milhões  de mortos (há quem estime 10 e até 12 milhões de vítimas) e outros tantos feridos e inválidos.

Uniformes franceses do início da Grande Guerra.

Pois bem,  o exército francês possuía, no início da Grande Guerra, 777.000 combatentes franceses e  46.000 homens das forças coloniais. Havia, ainda, a Legião Estrangeira, sempre atuante em todos os conflitos em que a França participou desde sua criação (1831).

Muitos desses bravos combatentes que foram para as trincheiras naquele fatídico verão de 1914 vestiam o uniforme tricolor clássico. Isso, em uma guerra estática (de trincheiras) e com armas modernas (em termos de precisão e alcance) era prato cheio para os atiradores alemães. Bastava mirar naquele alvo escarlate (as calças dos soldados franceses) que era difícil errar.

Difícil errar um alvo assim...

A decisão do Alto Comando francês de manter o uniforme com as cores nacionais por meses após a deflagração do conflito custou as vidas de milhares de combatentes.

Finalmente, resolveu-se pela adoção do tradicional uniforme azul-acinzentado… Mas aí já muitos haviam perecido…

E ainda sobre a I Guerra Mundial…

E ainda tratando da Grande Guerra, interessante o romantismo com que milhares de jovens europeus seguiram para os combates como voluntários ansiosos por viver a experiência da guerra! Era uma época em que se tratava de questão de honra para muitos filhos de famílias ricas e nobres a participação em um conflito. E isso acabou se estendendo às outras classes.

O romantismo se fazia presente nas salvas das multidões nas ruas das grandes cidades da Europa em apoio à decisão de seus governantes de conduzir o país à guerra… Também se mostrava na decisão do Estado-Maior francês de manter o uniforme tricolor (com destaque para a calça vermelha) ainda durante meses até que no número de baixas deixou claro que não seria mais possível continuar com ele naquele novo tipo de guerra. E, ainda, na ida de muitos jovens franceses para o front em taxis!

Entretanto, se há uma figura que me parece bastante ilustrativa do imaginário do conflito na época é este cartaz britânico, que conclamava os homens a se alistarem para combater no continente contra “os hunos” e seus aliados. A garotinha questiona o pai sobre o que ele havia feito na Grande Guerra (o melhor é a cara do pai!). Sem dúvida, um cenário muito distinto dos conflitos que se seguiriam no século que se iniciava!

Não se deve jamais esquecer a Grande Guerra! Somos hoje fruto dos acontecimentos que foram influenciados pelo sangue de milhões de militares e civis que pereceram naqueles anos!

Memória da Grande Guerra: Morre o último veterano norte-americano da Primeira Guerra Mundial

Chegamos aos estertores das lembranças daqueles que viveram o conflito que marcou a entrada do mundo no século XX. Para os que se interessam por assuntos militares, a Grande Guerra é um campo infindável de estudos, tão ou mais fascinante que a Segunda Guerra Mundial. Para os que se interessam por História em geral, o conflito de 1914-1918 é um divisor de águas. Para os que se interessam em compreender as relações internacionais contemporânes, impossível fazê-lo sem um boa compreensão daquele confronto.

A Grande Guerra fascina por seu caráter de transição de um mundo romântico e de ilusões de paz e prosperidade para outro em que a guerra perdia seu formato clássico e no qual a Revolução Industrial e as inovações tecnológicas dos cem anos de paz da Europa aperfeiçoaram a capacidade de matar e causar danos como nunca se vira. Era o fim da Belle Époque e o começo do colapso da Era dos Impérios. Era o começo de um mundo novo e muito menos pacífico.  

Convém observar que quase um século já se passou desde o fatídico atentado de Sarajevo, no qual foi assassinado o herdeiro do trono da Áustria, estopim do conflito. Como sempre lembro a meus alunos, a deflagração do conflito se deu a partir de um atentado terrorista realizado por um jovem nacionalista sérvio. Sim! Um atentado terrorista!

E o mundo mudaria drasticamente…

28/02/2011 – 12:25 | Efe | Washington

Morre o último veterano norte-americano da Primeira Guerra Mundial

Frank Woodruff Buckles, o último sobrevivente dos soldados dos Estados Unidos que lutaram na Primeira Guerra Mundial (1914-1918), morreu aos 110 anos de idade, informou nesta segunda-feira (28/02) o seu site. Continuar lendo