Nos campos de Flandres

Quem se interessa pela Grande Guerra sabe que a flor de papoula é o maior símbolo daquele conflito, pois nascia nos campos de batalha da frente ocidental. Também vai se lembrar do que talvez seja o poema mais famoso em língua inglesa sobre a Guerra, escrito por John McCrae, um jovem médico canadense que morreu em 1918, com uma longa folha de serviços prestados nos campos de batalha… McCrae conseguiu reproduzir em belas palavras todo o horror que testemunhou nos campos de Flandres…

Minha homenagem aos milhões que deram suas vidas naquela que deveria ser a guerra que poria fim a todas as guerras…

In Flanders Fields

John McCrae

In Flanders fields the poppies blow
      Between the crosses, row on row,
   That mark our place; and in the sky
   The larks, still bravely singing, fly
Scarce heard amid the guns below.

We are the Dead. Short days ago
We lived, felt dawn, saw sunset glow,
   Loved and were loved, and now we lie,
         In Flanders fields.

Take up our quarrel with the foe:
To you from failing hands we throw
   The torch; be yours to hold it high.
   If ye break faith with us who die
We shall not sleep, though poppies grow
         In Flanders fields.

Memórias da Grande Guerra

Hoje tive a oportunidade de ir a Ypres, local onde ocorreram algumas das mais importantes e sangrentas batalhas da I Guerra Mundial. Fui também aos cemitérios militares e a uma das últimas trincheiras preservadas daquele conflito (naturalmente entrei nela). A atmosfera desses locais é impressionante. Quase cem anos depois, a memória daqueles que deram as vidas combatendo permanece. Recomendo a quem tiver condições de vir a Ypres…

Outros dados também surpreendem, como o fato de que ainda são encontradas anualmente milhares de bombas (cápsulas de explosivos) não detonadas e ainda constituindo ameaça. Explico: estimativas conservadoras registram que entre 1914 e 1918, 1,4 bilhões (isso, bilhões) de bombas (shells), incluindo 66 milhões contendo gases (clorino, gás mostarda, por exemplo) foram lançadas pelos dois lados apenas no fronte oriental. Dessas, cerca de 10% falharam, não sendo detonadas, ou seja, aproximadamente 145 milhões de ogivas/cápsulas/bombas permaneceram nos campos de batalha da Grande Guerra. Bom, anualmente, algo como 250 toneladas de bombas do período são detonadas pelas autoridades belgas, aí incluídas 20 toneladas de artefatos contendo gases que ainda permanecem tóxicos e mais instáveis  que há cem anos… Ainda levará muito tempo para que os efeitos diretos da Grande Guerra cessem de afetar as gerações já distantes daqueles homens vitorianos… (Antes que perguntem, as fotos são minhas…)