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Brasilia-2Muito bem! Minha amada Brasília completa hoje 54 anos! Parabéns a esta bela cidade, monumento a céu aberto!

Aqueles que nascemos em Brasília ou que escolheram a cidade para seu lar geralmente lembram de aspectos marcantes desta capital, como suas retas e curvas, a ausência de esquinas, os endereços alfanuméricos, as famosas tesourinhas e os setores para cada coisa! Também são marca de Brasília nosso lago, nossos eixos, avenidas largas me riscam a forma de um avião no Planalto Central e, é claro, nosso céu! O céu de Brasília é lindo, e isso ninguém contesta! Nossa cidade é singular, é linda, é apaixonante! Mais que patrimônio da humanidade, Brasília é patrimônio de todos os brasilienses!

E tem também o povo! Gente de todo o lugar, de todas os sotaques! Gente que chegou a Brasília para construir um sonho, para viver um sonho! Gente que se apaixonou pela capital da esperança e aqui depositou suas esperanças de uma vida melhor! Isso é Brasília: aqui o Brasil se encontra, aqui o Brasil se integra!

Neste aniversário de Brasília, não posso deixar de registrar uma preocupação com nossa cidade e com o Distrito Federal como um todo: a falta de cuidado, e o abandono de muitas áreas de nossa amada terra! Basta caminhar pela cidade, que a gente logo vê muitos problemas de conservação: grama alta, lixo pelas ruas, muros e paredes pichados, descaso que é péssimo para a imagem da capital e que compromete a qualidade de vida dos moradores de Brasília! Isso sem falar de obras e construções, irregulares ou não, que destoam muito daquilo que constituía o plano original de Lúcio Costa!

vista-brasilia1Não vou aqui perder tempo procurando ou apontando culpados pela situação em que se encontra nossa cidade! De fato, neste aniversário de Brasília, o que quero é conclamar todos os brasilienses, todos os candangos, os moradores de nossa cidade, a cuidar melhor da capital do Brasil e a exigir que tratem melhor deste sonho que virou realidade. Se cada um fizer a sua parte, a coisa melhora.

Oxalá possamos ter pessoas cada vez mais comprometidas em cuidar desta cinquentona, que continua charmosa e apaixonante! Claro que muito do passado não será possível mais recuperar, mas se preservarmos o que nos resta, teremos mais cinquenta anos daquela que é, indubitavelmente, a mais singular das capitais! Viva Brasília, capital da esperança!

Segue um post muito interessante do meu amigo Chico Sant’Anna sobre as mudanças, nem sempre positivas, na arquitetura e no perfil urbano de nossa cidade.

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Brasília: obras que desconstroem a memória da cidade

Torre Digital, novo cartão postal de Brasília. Foto de Chico Sant’Anna

Por Chico Sant’Anna

Aos 54 anos, Brasília já começa a viver um processo acelerado de perda de sua memória urbana. A cada dia que passa, novos elementos da paisagem vão desaparecendo. É certo que a cidade não pode ficar congelada, mas como diz o urbanista José Roberto Bassul, também não pode derreter. Pessoalmente, prefiro outra figura de linguagem: se a cidade não pode ficar engessada, tem que se modernizar, este processo não pode deixar fraturas expostas. Recentemente, o aeroporto internacional de Brasília teve uma nova ala inaugurada. Bonita, vistosa, toda de metal e vidro.

O estacionamento foi ampliado, mas ai já começa a primeira fratura. A  Praça Santos Dumont, que ficava à frente do Aeroporto Internacional JK é a mais recente vítima do avanço desmedido e impensado das obras (não) projetadas para adaptar a Capital Federal à Copa do Mundo. Onde antes existiam espelho d’água, palmeiras, árvores do cerrado e até um busto do Pai da Aviação, agora prevalece um grande e árido cimentado, construído pelo consórcio Infraero/InfrAmérica.

Aeroporto - Praça Santos Dumont

O estacionamento ganhou duas mil novas vagas, quase todas sem uma sombrinha sequer. As obras de ampliação do estacionamento podiam muito bem ter garantido a presença do busto em bronze. Nem que fosse uma pequena ilha para garantir a manutenção do monumento. Perder duas ou três vagas no estacionamento não faria nenhuma diferença no faturamento dos empresários que o exploram. Mas não, o processo de apagar a memória é mais forte do que os de sua preservação.

Assim, o busto de Santos Dumont, que estava lá desde os tempos do barracão de madeira que foi o primeiro aeroporto da Nova Capital, desapareceu, ninguém sabe onde foi parar a escultura. A única lembrança, são as imagens do google maps.

Também a Praça 21 de abril – alguém ai sabe onde fica? É na 707 Sul -, abrigava um busto em bronze de Santos Dumont, o Pai da Aviação. A obra de arte voou há muitos anos e dela ninguém tem notícia. Parace que Brasília não tem muito apreço pelo inventor do aeroplano.Balão sem árvores e desmatado

Balão do Aeroporto 7-4-2013 (5)Espaço Cósmico 81

O Bambolê de Dona Sarah, detonado pelas obras da Copa, é mais um ícone na cidade que foi desconstruído. Mesmo que venha ser reajardinado como antes, não mais poderá contar com as cinquentenárias árvores que o adornavam, pois poucos metros abaixo da terra há uma enorme laje de concreto do mergulhão feito pelo GDF para atender as exigências da Fifa. Não haverá profundidade para que as raízes se instalem.

No extinto Balão do Aeroporto, havia uma escultura, denominadaMonumental Espaço Cósmico 81, de Yutaka Toyota.

Exposta desde 1980, a obra que lembra um triangulo feito por trilhos nos quais são apostos dois cubos. Foi retirada para reformas no local em meados de 2005. Nunca mais foi vista.

Agora, com o fim das obras do mergulhão da Fifa, uma pergunta que não quer calar: A escultura retornará ao seu local?

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