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cravosO país vinha de quatro décadas de ditadura. Certamente, foi uma ditadura muito diferente de qualquer outra. Afinal, fundara-se e fora conduzida, praticamente em quase toda sua duração, por um dos estadistas mais brilhantes que o país já tivera, um intelectual, catedrático, patriota e que se casara com a nação, a ela dedicando toda uma vida de obstinados e incansáveis esforços, como um sacerdócio cívico. Mas o ditador, que jamais vestira um uniforme, havia deixado o poder seis anos antes e seu sucessor não conseguira, naturalmente, substituí-lo a contento. O país encontrava-se em meio a grave crise, muito influenciada pelas guerras coloniais, que culminavam na perda do controle sobre um vasto império de além-mar às custas de milhares de mortos e feridos… O regime logo cairia de podre, só não se poderia dizer de que maneira isso ocorreria, e a que custo.

A  REVOLUÇÃO DOS CRAVOSMas a grandiosidade de um povo pode ser percebida nos momentos de maior crise. E aqueles originários de uma pequena nação, esquecida na periferia de um rico continente, mostrariam ao mundo o quão imponente, valiosa e singular era sua origem, nossa origem. E mostrariam ao mundo a mais poética, melodiosa e pacífica das revoluções… naquele 25 de abril!

O sinal para a queda do regime fora dado na noite da véspera. Precisamente às 22:55, transmitia-se pelo rádio um bela canção, uma canção de amor: E Depois do Adeus. Essa música, que nada tinha de conteúdo político, e que fala de um homem que sofre com o fim de um relacionamento amoroso, era o sinal para a preparação das tropas, em sua maior parte comandadas por jovens capitães, que se rebelariam contra o regime.

Com as forças a postos, foi transmitida então, à 00:20h, a segunda senha, o sinal para se desencadear a revolução: a belíssima peça intitulada Grândola, Vila Morena, que trata da fraternidade de um povo de uma pequena vila. E os militares foram às ruas para derrubar a ditadura e instaurar a liberdade. Em poucas horas seu objetivo seria alcançado. E um país novo surgiria.

25abrilPraticamente nenhum tiro foi disparado, e muito pouco sangue derramado. Vermelho apenas o dos cravos que a população colocava  no cano dos fuzis dos soldados, em apoio ao movimento. Sim, porque todo o povo foi logo às ruas, embalado pela canção e pelo desejo de liberdade, apoiar a revolução.

E foi assim que se transformou uma nação. E foi assim que se começou a reconstruir um país. E foi assim que o povo unido disse para o mundo que não admitiria nada diferente de liberdade e democracia. Era 25 de abril… Era 1974.

Passados quarenta anos da Revolução dos Cravos, registramos aqui nossa homenagem ao querido povo português, que deu ao mundo mais uma grande lição de civilidade. O que aconteceu naquele 25 de abril foi único, tinha poesia, melodia e beleza, marca singular do povo lusitano.

Viva o 25 de abril! Viva Portugal! Viva a democracia! Viva a liberdade!

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