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Plenario-camara-federalEm conversa recente com um amigo, tratamos sobre a desilusão crescente de muitos brasileiros com as nossas instituições e com os rumos que o Brasil está tomando. O resultado é que cada vez menos pessoas têm interesse em participar da vida política do País. Afinal, Política no Brasil virou sinônimo de corrupção, falcatruas, falta de compromisso como interesses maiores, com o bem comum, em um ambiente de agentes públicos ineptos, de quadrilhas que se reúnem para se apropriar do erário…

Com a crise de valores em que vivemos, as pessoas boas e honestas tendem não querer se envolver com a política. Essa opção, entretanto, é tremendamente danosa para a democracia brasileira e constitui um grande perigo para o futuro do País.

politica-no-brasil-eleicao-2012O homem de bem não pode se omitir da participação na vida política de sua cidade, de seu estado, de seu país. De fato, ao se omitir, ele ou ela cede espaço para os inescrupulosos, para os desonestos e para os maus, que acabam encontrando na vida pública um campo fértil para explorar os mais necessitados e usar o Estado para objetivos privados e ilegítimos.

As pessoas de bem querem certamente um Brasil melhor, mais justo e igualitário. Querem um Brasil onde haja igualdade de oportunidades, onde o Estado não interfira na vida privada dos cidadãos, e em que a autoridade pública cuide dos mais necessitados. As pessoas de bem querem justiça social e liberdade, querem segurança e serviços públicos de qualidade. O problema é que, enquanto o Estado brasileiro estiver entregue aos maus e aos despreparados, dificilmente teremos um país melhor.

É por isso que acredito que é um dever da pessoa de bem participar da vida pública e da Política, e trabalhar pela boa Política. Somente com mudanças e renovação na Política é que mudaremos o Brasil. Essa participação pode-se dar de diferentes maneiras: com atividades de assistência social, com dedicação de tempo à conscientização dos brasileiros sobre cidadania e sobre regras de vida em sociedade, bem como apoiando ou votando em pessoas de bem que decidam concorrer nas eleições. Deve-se dar também acompanhando o trabalho e as atividades daqueles que elegemos e cobrando deles o cumprimento dos compromissos de campanha. Certamente, o acompanhamento permanente das atividades dos políticos e a cobrança constante feita pelo eleitor sobre aqueles que o representam terão muito mais efeitos para melhorar o Brasil que manifestações pontuais, ainda que de milhares de pessoas, pelas ruas do País.

Cs-politicas1Há, ainda, uma maneira mais ousada de participar da vida política: candidatando-se a um cargo público… Por que não? Este é, sem dúvida, um dos gestos mais abnegados do homem e da mulher de bem. É se dispor a, como fez Daniel, entrar na cova dos leões e ali se conduzir com higidez, com coragem e com o compromisso de trabalhar por um Brasil melhor. Sim, porque temos que transformar a vida pública em um espaço de pessoas cada vez melhores e mais comprometidas com o bem comum. Se ficarmos acomodados em casa, a situação do País só tende a piorar. Alguma coisa precisa ser feita.

Sobre o homem de bem e a Política, o amigo lembrou-me das palavras do Papa Francisco na Jornada Mundial da Juventude, em 2013. Independentemente da religião que você professe, meu caro leitor, ou da simpatia que você porventura tenha por Sua Santidade (eu sou um grande admirador do Papa Francisco), as palavras do Chefe de Estado e do líder espiritual de mais de um bilhão de católicos no mundo foram muito apropriadas para o Brasil e os brasileiros no momento de crise de valores, de crise política, pelo qual passamos. Disse o Papa Francisco (transcrição feita pelo amigo do discurso de Sua Santidade):

“Não podemos fazer como Pilatos e lavar as mãos… Nós cristãos temos o dever de nos envolvermos na Política porque a Política é uma das formas mais altas de fazer a caridade, porque busca o bem comum… Envolver-se na Política é uma obrigação para um cristão… Os leigos cristãos devem trabalhar na Política… A Política está muito suja, mas eu pergunto: ‘está suja por quê?!’ Porque os cristãos não se envolveram nela com espírito evangélico… É fácil dizer que a culpa é dos outros… mas eu, o que faço? [Participar da vida política] é um dever… Trabalhar pelo bem comum é um dever cristão…”

Da próxima vez que você se sentir relutante ou desinteressado em participar da vida política de sua cidade, de seu estado, ou mesmo de seu país, lembre-se que, se continuar sem fazer nada, os maus continuarão fazendo alguma coisa de ruim. E, se ainda tiver alguma dúvida, registro as sábias palavras do historiador britânico Arnold Toynbee (1889-1975): “O maior castigo para quem não gosta de política é ser governado pelos que gostam”.

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