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Quem me mandou a matéria foi minha amiga Iva Fonseca. Não é de hoje que tenho chamado atenção para o problema. E o problema não é só a Copa, mas todos os grandes eventos que teremos no Brasil nos próximos anos. Será que vamos esperar que um novo Munique 1972 aconteça por aqui? Ainda estamos muito vulneráveis…

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Folha, 17/11/2011

PF vê elevado risco de terrorismo na Copa

Chefe da Polícia Federal em SP diz que presença de autoridades estrangeiras no país aumenta chance de ataque. Em entrevista à Folha, Roberto Troncon Filho também defendeu o uso de algemas em operações policiais

FLÁVIO FERREIRA, SILVIO NAVARRO, DE SÃO PAULO
 

A Polícia Federal trabalha com o cenário de “risco elevado” para atos de terrorismo na abertura da Copa de 2014, quando os olhos do mundo estarão voltados para a capital paulista.

Essa é a avaliação do superintendente da PF em São Paulo desde maio, o delegado Roberto Troncon Filho, 49, especializado no combate ao crime organizado desde 2004.
Em entrevista à Folha, o chefe do órgão em São Paulo também critica alterações no projeto de lei sobre lavagem de dinheiro e defende o uso de algemas em operações.
Leia trechos da entrevista.

Folha – O que o sr. achou do projeto de lei aprovado na Câmara que altera a legislação sobre lavagem de dinheiro?
Roberto Troncon – A principal mudança positiva é considerar lavagem de dinheiro a ocultação de bens obtidos por meio de qualquer crime.
A atual legislação se limita a uma lista: tráfico de drogas e crimes contra a administração pública e o sistema financeiro, entre outros. O segundo avanço é a ampliação da lista de pessoas obrigadas a prestar informações ao Coaf [órgão do governo que fiscaliza operações financeiras].

Há pontos negativos?
Houve um pequeno retrocesso na Câmara. O projeto previa a requisição pela polícia e pelo Ministério Público de dados cadastrais de bancos, companhias telefônicas, etc. O outro ponto retirado foi o do uso de bens apreendidos pelos órgãos de repressão à lavagem de dinheiro.

Como a PF está se preparando para a Copa de 2014?
Nossa atuação está relacionada ao controle migratório e para isso temos um plano de aperfeiçoamento. Mais de 70% de todo o tráfego de passageiros no Brasil ocorre em São Paulo. Além disso, temos a segurança de autoridades estrangeiras. Há uma grande preocupação com atentados terroristas. Estamos com uma atividade preventiva muito forte, interação permanente com organismos policiais.

A abertura da Copa será em SP. Qual é o nível de risco em relação a ataques?
No Brasil o nível é muito baixo. Mas um evento como a Copa pode ser, sim, palco de uma agressão, não contra o povo brasileiro, mas contra uma delegação estrangeira. Nesses períodos, a visão da PF é de um risco incomum e queremos nos preparar para um cenário em que o risco seria bastante elevado.

Operações da PF foram criticadas por excessos no uso de algemas e na exposição de pessoas presas.
Algemas, o melhor critério é: se está preso, está algemado. Não sei o que se passa na cabeça daquela pessoa, de repente está apática, mas, do nada, se atira pela janela. Quando se estabelece critérios subjetivos, é um problema. Já a exposição do preso, sou totalmente contrário. Tem cidadão que é preso e isso gera manifestações até da corte suprema, mas diariamente ligo a TV e vejo pessoas de camadas mais baixas expostas para as câmeras e ninguém reclama. É uma opinião pessoal.

Por que não houve escuta telefônica no inquérito sobre fraudes no Banco PanAmericano?
Ou não foi oportuno ou não houve necessidade. Não há mudança de metodologia. Em abril, de 125 mil investigações nossas em curso, só 300 tinham interceptações.

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