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Pois é… O PLC nº 41, de 2010 (vide post anterior), nem foi ainda sancionado e já começaram os problemas com a divulgação irresponsável de documentos sigilosos…  Tem-se aqui apenas um primeiro sinal das situações incômodas pelas quais o Brasil passará daqui para a frente.

Pergunto: qual a relevância da divulgação de um documento como esse? Que benefício gera o fato de se tornar pública a declaração de nosso embaixador em um comunicado reservado com a Chancelaria? Para a sociedade brasileira, nenhuma. Entretanto, a “transparência” expõe o País e gera situação constrangedora com vizinho importante (sim, o Paraguai é importante para o Brasil).

Ademais, a citação do embaixador brasileiro parece fora do contexto.

Ponto para os que têm más intenções e os interessados em prejudicar o Brasil!

Folha de São Paulo, terça-feira, 08 de novembro de 2011
 

Paraguai reage a ‘Segredos do Itamaraty’

Ministro nega que país vá se converter em ‘narcoestado’, como diz diplomata em documento divulgado pela Folha
Declaração foi feita por embaixador brasileiro no país em telegrama de 1999, disponível pelo Folha Transparência

O ministro do Interior do Paraguai, Carlos Filizzola, respondeu ontem às declarações do ex-embaixador do Brasil no Paraguai, Bernardo Pericaz, presentes em documentos do Itamaraty publicados pelo projeto Folha Transparência.

Filizzola disse que o Paraguai “está longe de se converter em um narcoestado”. Segundo o ministro, o Paraguai não pode ser comparado “com países [da América Latina] que estão controlados por narcotraficantes. O narcotráfico não atinge no Paraguai as dimensões de outros países”.

Ele ressaltou que, recentemente, o Paraguai prendeu traficantes importantes e apreendeu grandes quantidades de drogas.

Em telegrama de 30 de novembro de 1999 da embaixada brasileira em Assunção para o Itamaraty, Pericaz diz que, a médio prazo, “o pior cenário possível mas com possibilidades reais” no Paraguai seria a criação de um “narcoestado” na fronteira com o Brasil. O telegrama afirma que o narcoestado se sustentaria “dos frutos do crime e da chantagem que poderia fazer em relação a [hidrelétrica de] Itaipu”.

As declarações foram feitas durante o governo do presidente paraguaio Luis González Macchi (1999-2003). Pericaz foi embaixador em Assunção entre 1997 e 1999.

O jornal paraguaio “ABC” também repercutiu ontem reportagem da série “Segredos do Itamaraty” publicada pela Folha no último domingo que mostra como o Brasil cedeu a pressões do Paraguai ao recusar asilo ao deputado Conrado Pappalardo, tido como um dos supostos “autores intelectuais” do assassinato do vice-presidente Luís Argaña.

O diário tentou contatar o dirigente colorado Félix Argaña, que não quis falar sobre a morte do pai nem sobre as declarações de Pericaz de que Luís sofria de “instabilidade mental-emocional”.

Essa última informação está em telegrama de agosto de 2007, divulgado anteontem pelo Folha Transparência, junto a outras 186 mensagens confidenciais da embaixada em Assunção.

O site do projeto (transparencia.folha.com.br) já disponibilizou a íntegra de 1.658 documentos confidenciais liberados pelo Itamaraty a pedido da Folha.

Após a liberação dos textos relacionados ao Paraguai, o “ABC” também criou, em seu site, uma página que remete ao Folha Transparência.

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