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Meus caríssimos dezoito leitores,

Depois de algumas semanas sem atividades no Frumentarius, voltamos a operar (e espero que novamente a pleno vapor, com ao menos duas postagens diárias!). Estivemos parados algum tempo devido ao excesso de trabalho em Brasília e a uma viagem às boas terras do Norte. Espero, sinceramente, que não haja mais esse tipo de interrupção, pois sei que ao menos metade dos dezoito leitores cativos gostam de acompanhar nossas reflexões sobre um pouco de tudo…

Infelizmente, começo com uma notícia nada agradável, mas que deve ser comentada: a onda de violência que assola o Distrito Federal, que tem como marco o assassinato frio do analista do Banco Central, Saulo Jansen, nessa última sexta-feira (Santa!), enquanto tomava um suco em uma lanchonete aqui da Asa Norte. O rapaz foi morto por uma “bala perdida” (não existe bala perdida se ela encontrou um alvo, né?), em frente a sua esposa e a sua filhinha de 5 meses.

O que aconteceu com Jansen, repita-se, é mais um sinal do crescimento assombroso da violência em Brasília, e do total descaso do Poder Público local para com esse fato. A PMDF, diga-se de passagem, estaria em Operação Tartaruga, protestando por maiores salários. E o Governo do Distrito Federal, por sua vez, parece conviver bem com a crise.

Brasília já foi uma das cidades mais tranqüilas entre as capitais brasileiras. Orgulhávamos da paz que fazia desta cidade uma das melhores para se viver – até por isso Jansen teria vindo para cá. Hoje, o quadro inverteu-se, a criminalidade reina, a violência impera e a capital da República já é uma das mais violentas cidades América Latina. O entorno do DF, só para citar, já é a área mais violenta do País.

O pior, nesse cenário, é que ninguém faz nada. O Estado, que arrecada nossos impostos e gasta como só D’us sabe (ou o diabo gosta), mostra-se omisso e passivo diante do avanço da criminalidade. [Pode ser só impressão, mas isso acontece em outras cidades do país administradas por governos de esquerda, que geralmente associam rigidez no trato com criminosos com modelos autoritários de direita (como se as piores prisões não estivessem em países ditos comunistas!), ou simplesmente tratam bandidos como um problema social…]

Não, segurança pública, no estágio em que se deixou o DF, não pode ser tratada como uma questão social. O Estado é o titular único da força em uma sociedade democrática e deve exercê-la legitimamente em defesa dos cidadãos. Por aqui é o contrário: os criminosos tomam conta das ruas, atacam cidadãos de bem, e ficam impunes. A PMDF, que já foi considerada a melhor polícia militar do Brasil, está com a imagem manchada por alguns poucos que esqueceram seu dever de policial, e parece passar por uma crise institucional, certamente relacionada à politização de uma profissão que jamais poderia se envolver com política. E os políticos de Brasília, bom, esses (em sua maioria), parecem pouco atentos à realidade de insegurança pública por que passa a capital, mais preocupados que estão com os escândalos que permeiam o GDF e a Câmara Legislativa. Nesse ponto, não posso deixar de registrar meu total descontentamento com a tal da “autonomia do DF”. Quem nasceu aqui, ou aqui vive há muito tempo, sabe que vivíamos melhor quando o Governador era indicado pelo Presidente da República, as leis locais ficavam a cargo do Senado, e não tínhamos Câmara Legislativa. Aí veio a “autonomia” e a coisa degringolou…

O fato é que a insegurança pública só cresce nesta cidade sonhada por Dom Bosco e realizada por JK e por milhares de candangos que para cá acorreram acreditando que construíam, junto com o concreto de nossos prédios, um Brasil melhor, moderno e mais digno. Inconcebível que a capital da sexta economia do globo tenham que conviver com um surto descabido de violência. Inaceitável a apatia das autoridades públicas, eleitas para administrar a unidade da federação com o maior IDH, e proteger aqueles que aqui vivem. Algo tem que ser feito! Brasília não pode sucumbir à criminalidade!

Saudade do tempo em que se vivia em paz em Brasília. Saudade do tempo em que se brincava embaixo do bloco, sem se preocupar com a violência. Saudade do tempo em que a se caminhava pelas comerciais da cidade a qualquer hora do dia ou da noite, sob o único risco de se topar com alguma calçada ausente ou com a falta de algo para fazer na sexta à noite, nessa terra abençoada…

 

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