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As mortes de Havel, do Chico César de Pyong Yang (ou Kim Jong Il), e saída do Iraque das últimas tropas estadunidenses regulares (insisto no termo “regulares”) postergaram os comentários que iria fazer neste site sobre o excelente relatório publicado pelo IPEA (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) sobre a percepção do brasileiro em matéria de Defesa. 

Segundo o próprio documento, o objetivo é oferecer informações aos atores que trabalham com o tema da  Defesa Nacional, sejam estes militares das Forças Armadas, técnicos do governo, parlamentares, acadêmicos, integrantes de organizações da sociedade civil, empresários. Para isso, o IPEA realizou, entre os dias 8 e 29 de agosto de 2011, uma pesquisa acerca da percepção da sociedade brasileira sobre o presente e o futuro da Defesa Nacional. Ainda segundo o documento:

A abrangência assegurada pelo alcance da amostra permite a elaboração de um retrato da percepção do brasileiro acerca da Defesa Nacional. Foram aplicadas 30 questões, estruturadas em torno de quatro eixos temáticos: i) percepção de ameaças; ii) percepção sobre a Defesa Nacional e as Forças Armadas; iii) poder militar do Brasil e inserção internacional; e iv) Forças Armadas e Sociedade. Foram ouvidas 3.796 pessoas, em todas as unidades da federação.

A primeira parte, sobre a percepção de ameaças, já está disponível online. Para acessá-la, clique aqui.

Parabéns ao pessoal do IPEA pela iniciativa. Precisamos de mais gente discutindo Defesa Nacional neste País e, certamente, esse trabalho do IPEA será de grande utilidade. Nos próximos dias comentarei alguns aspectos dessa interessante pesquisa.

Agência Brasil – 15/12/2011 16:32

SIPS avaliou percepção dos brasileiros sobre ameaças

O Sistema de Indicadores de Percepção Social (SIPS): Defesa Nacional foi divulgado nesta quinta, dia 15

A primeira edição sobre Defesa Nacional do Sistema de Indicadores de Percepção Social (SIPS) foi divulgada nesta quinta-feira, 15, durante coletiva pública na sede do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), em Brasília. O SIPS ouviu 3.796 pessoas, em 212 municípios brasileiros, sobre quatro temas: percepção de ameaças; percepção sobre a Defesa Nacional e as Forças Armadas; poder militar do Brasil e inserção internacional; e Forças Armadas e Sociedade.

Os dados compilados nesta primeira parte da pesquisa são relativos à percepção sobre ameaças e revelam, entre outros pontos, quais são as principais ameaças identificadas pela população brasileira (crime organizado, guerra, terrorismo, etc.) e a opinião da sociedade sobre a possibilidade de agressão militar estrangeira por interesses na Amazônia e no Pré-Sal.

Guerra e crime organizado
De acordo com o estudo, a maior ameaça percebida pelos entrevistados é o crime organizado, apontado por 54,2%. Chama a atenção, no entanto, o número de brasileiros que avaliam como possível uma guerra com potência estrangeira ou país vizinho, com percentuais de 34,7% e 33%, respectivamente. Desastres ambientais e climáticos foram indicados por 38,6%, enquanto terrorismo e epidemias são temidos por cerca de 30% da amostra.

“A natureza das ameaças elencadas na pesquisa são distintas, mas a ideia era colocar o maior número possível entre aquelas que pudessem atentar contra a integridade das pessoas”, afirmou Edison Benedito da Silva, técnico de Planejamento e Pesquisa do Ipea.

“Achamos que o número de apontamentos sobre conflitos com outros países seria menor. Foi surpreendente essa percepção da população, pois o último conflito em que o Brasil se envolveu foi a Segunda Guerra Mundial e a última guerra com ampla mobilização de recursos foi contra o Paraguai, há mais de 140 anos”, analisou Rodrigo Fracalossi de Moraes, também técnico do Instituto.

Amazônia e Pré-Sal
De acordo com Fracalossi, outra revelação importante do SIPS é a noção disseminada entre os entrevistados de que é real o risco de alguma agressão estrangeira nas próximas duas décadas, provocada por interesses em áreas estratégicas como a Amazônia e o Pré-Sal. 50,2% acreditam muito ou totalmente em uma ameaça estrangeira à Amazônia. Em relação ao Pré-Sal, 45,5% acreditam muito ou totalmente e 17,6% razoavelmente.

“Estas duas regiões são apontadas como estratégicas em todos os documentos de defesa brasileiros e essa percepção está presente entre a população brasileira, mesmo que não seja algo do seu cotidiano”, afirmou Edison Benedito.

Outros pontos analisados pela pesquisa foram a avaliação da população brasileira sobre a atuação de ONGs estrangeiras na Amazônia e a análise do impacto, para o Brasil, de conflitos no entorno sul-americano. A grande maioria (61,1%) vê positivamente o trabalho das ONGs. Em relação aos conflitos na América do Sul (confrontos com guerrilhas na Colômbia, Paraguai e Peru; tensões sociais na Bolívia; entre outros), 63,3% entendem que eles impactam o Brasil.

http://www.ipea.gov.br/portal/index.php?option=com_content&view=article&id=12663&Itemid=2

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