Para os apreciadores de documentos históricos, segue a transcrição da carta enviada por dom Pedro I a seu pai e rei de Portugal, dom João VI, esclarecendo o episódio ocorrido no dia 7 de setembro. A metrópole negava-se a reconhecer a independência do Brasil. A nova nação, porém, não aceitaria mais voltar à condição de colônia.

Rio, 22 de setembro de 1822. 

Meu Pai e Senhor.

Jazemos por muito tempo nas trevas; hoje vemos a luz. Se Vossa Majestade cá estivesse seria respeitado, e então veria que o povo brasileiro, sabendo prezar sua liberdade e independência, se empenha em respeitar a autoridade real, pois não é um bando de vis carbonários e assassinos, como os que têm Vossa Majestade no mais ignominioso cativeiro.

Triunfa e triunfará a independência brasílica, ou a morte nos há de custar.

O Brasil será escravizado, mas os brasileiros não: porque enquanto houver sangue em nossas veias, há de correr, e primeiramente hão de conhecer melhor o – Rapazinho – e até que ponto chega a sua capacidade, apesar de não ter viajado pelas cortes estrangeiras.

Peço a Vossa Majestade que mande apresentar esta às cortes! Às cortes que nunca foram gerais, e que são hoje em dia só de Lisboa, para que tenham com que se divirtam, e gastem ainda um par de moedas a este tísico tesouro.

Deus guarde a preciosa vida e saúde de Vossa Majestade, como todos nós brasileiros desejamos.

Sou de Vossa Majestade, com todo o respeito, filho que muito o ama e súdito que muito o venera.

PEDRO

(Fonte: VIANNA, Hélio. “A História do Brasil no curso secundário“. In: Arquivos. Ministério da Educação e Cultura, n. 2.)
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