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De volta a Brasília.

Artigo nosso publicado no Correio Braziliense de hoje, 25/07/2011. E mais algumas fotos que fiz da cidade no dia seguinte ao atentado…

O que temos a aprender com isso

Joanisval Gonçalves – Correio Braziliense – 25JUN2011

No dia 22 de julho de 2011, a Noruega parou. No centro de Oslo, a capital do país nórdico, um gigantesca explosão. Fumaça. Vidros quebrados. Gritos. Pessoas correndo desesperadas sem ter aonde ir. Sangue. Lágrimas. O impacto foi sentido a centenas de metros. Prédios tremeram e o barulho foi ouvido a mais de um quilômetro do local da explosão. E, pela primeira vez em sua história, a Noruega sofria um ataque terrorista.

Sim, um atentado foi realizado contra um prédio público, no centro de Oslo. Logo as autoridades reagiram: isolaram o local, socorreram os feridos, resgataram corpos. E, em plena sexta-feira de verão, as ruas da maior cidade norueguesa ficaram vazias. As instruções eram para que a população ficasse em casa. Bares, restaurantes e lojas comerciais fechados. O Parlamento, o Palácio Real e outros edifícios públicos cercados por soldados fortemente armados. A última vez que os noruegueses tinham visto isso foi durante a Segunda Guerra Mundial, quando o país foi invadido pelos alemães.

Para piorar a coisa, nos arredores de Oslo, um homem armado saiu atirando contra pessoas que descansavam em uma área de veraneio, matando várias. Logo esse crime foi associado ao atentado do centro. Foi um dia muito triste para a Noruega, um dia que jamais será esquecido.

Diante desses acontecimentos em um país tão distante e pouco conhecido da maioria dos brasileiros, fica a pergunta: e o que nós podemos aprender com isso? Muito, é a resposta.

Talvez a principal lição para o Brasil é que qualquer nação e qualquer povo pode ser alvo de ataques terroristas. O que ocorreu na Noruega revela que não existe país imune a esse fenômeno que atormenta a sociedade internacional no século 21. Não adianta se achar que por ser “abençoado por Deus e bonito por natureza” se estará seguro.

Outra lição importante: deve haver preparo por parte das autoridades públicas para enfrentar situação de semelhante envergadura. Isso não acontece do dia para a noite. Tem-se que investir em tecnologia, comprar equipamentos. Pessoas devem ser treinadas e a população orientada sobre como agir em caso de emergência. Investimentos devem ser feitos, portanto, em segurança, antiterrorismo, inteligência. E uma cultura de segurança, planejamento e inteligência deve ser fomentada.

O Brasil é, sim, um alvo em potencial. O País mostra-se cada vez mais atuante pelo mundo em áreas como a economia e a política. Quanto mais influente, mais atenção se atrai para si. Além disso, sediaremos grandes eventos: a Conferência Rio 20 (2012), a Copa das Confederações (2013), a Copa do Mundo (2014) e os Jogos Olímpicos e Paraolímpicos (2016), para citar os mais importantes. Ainda que não fôssemos alvo, receberemos delegações de países que o são.

Fica a pergunta: estamos preparados? Devemos refletir sobre tema tão importante. Diante do terrorismo, a falta de preparo leva ao desastre, à dor, ao sofrimento e a uma mancha na imagem de um país que custa a ser esquecida. Será que teremos que aguardar que aconteça algo em nosso território para reagirmos? Será que vamos ter que esperar por um dia que não poderemos esquecer?

Joanisval Gonçalves é doutor em Relações Internacionais e consultor em segurança e inteligência.

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