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Conjunto de matérias importantes. Preocupa a maneira como o Governo brasileiro tem lidado com a questão indígenas e esses absurdos movimentos (orientados por interesses externos)  por maior autonomia dos índios. 

Taí um problema de alta gravidade que se pode tornar ameaça aos mais elementares interesses nacionais do Brasil. E pouca gente tem dado atenção ao problema. Será que vão esperar a criação dos territórios autônomos dessas “nações”, com apoio internacional e consentimento de Brasília? 

Depois comento mais a respeito…

Povo Suruí cria Parlamento

A recente iniciativa do Povo Suruí de criar uma instância de articulação e decisão interna, instância que é chamada de Parlamento Paiter Suruí, parece indicar uma interessante mudança de atitude. A criação de um Parlamento dos Povos Indígenas foi debatido nas assembléias da Coiab, Apoinme e Arpinsul.

Povo Suruí cria Parlamento

03/08/2011

Por Ricardo Verdum, Assessor Político do Inesc

Depois de quase uma década de mobilizações e incidência política a partir de um ponto de vista mais “pragmático”, que em alguns casos resultou no afrouxamento da pressão sobre os governos na defesa de direitos, junto com a fragilização do processo organizativo próprio e autônomo dos povos indígenas no país, a recente iniciativa do Povo Suruí de criar uma instância de articulação e decisão interna, instância que é chamada de Parlamento Paiter Suruí, parece indicar uma interessante mudança de atitude.

A idéia de criação de novas formas de articulação política dos povos indígenas, formas que contemplassem a complexidade e os desafios da vida moderna e das transformações por que passam as condições de vida de cada povo e do conjunto dos povos indígenas no país, foi objeto de debates, seminários e oficinas de norte a sul do país nos primeiros anos da década passada. Processo em que o Inesc esteve envolvido, colaborando com a iniciativa indígena (Anexo 1).

A criação de um Parlamento dos Povos Indígenas, e a garantia de participação de representantes indígenas nas atuais instâncias legislativas do estado brasileiro, em diferentes níveis, a partir de um processo próprio de escolha, foi na ocasião debatida nas assembléias da Coiab, Apoinme e Arpinsul.

Além de dar um passo a frente no sentido da busca de garantir a integridade dos Suruí enquanto povo social, cultural e politicamente diferenciado, a perspectiva que o documento intitulado Carta de Princípios e Aspirações do Parlamento Paiter Suruí adota (Anexo 2) aponta para uma preocupação mais ampla, com as condições de vida do conjunto da sociedade nacional e planetária.

O último parágrafo da Carta nos parece que resume o nível de consciência e preocupação que mobiliza os Suruí neste momento.

“Estamos cientes de que a humanidade toda vive um momento muito grave, pela doença instalada no planeta em que vivemos. As conseqüências da forma irresponsável com que a humanidade tratou de explorar os recursos naturais da Terra estão causando e vão causar grandes danos para todos. Entendemos que todos precisamos agir e contribuir para um futuro possível, se quisermos que a vida continue existindo na superfície do nosso planeta. Para isto conclamamos a todos, autoridades, empresários, líderes globais, ong´s de todo mundo e pessoas comuns, a nos unirmos e refletirmos urgentemente sobre os problemas já instalados e os que estão por vir, e buscarmos um novo modelo de sociedade e de desenvolvimento, que privilegie a vida em todas as suas formas. É necessária a contribuição de todos. Os esforços das comunidades nacional e internacional necessitam verdadeiramente se unificar e agir mais rapidamente, pois a natureza não irá esperar as decisões humanas. Os conhecimentos científicos, as ações políticas, o compromisso dos poderes judiciários, a correta aplicação dos recursos públicos e corporativos e a atitude individual de cada pessoa, necessitam ser colocados à favor da vida e por isto conclamamos todos a uma reflexão conjunta, na esperança de que dias futuros ainda sejam possíveis para todos nós.”

O momento nos parece oportuno para retomar o debate pela efetivação do direito de participação política dos povos indígenas no país. Atualmente discute-se no parlamento brasileiro e no âmbito da sociedade civil organizada a possibilidade de uma reforma nas instituições políticas no país.

Além disso, um novo Plano Plurianual (PPA 2012-2015) está em elaboração e prestes a ser encaminhado ao Congresso Nacional e às Assembléias Legislativas nos estados, e no próximo ano acontece no Brasil a Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável (Rio+20).

Merecemos um futuro melhor!

Povo Paiter Suruí elege os Parlamentares e Chefe Maior, Almir Suruí

No dia 14 de fevereiro de 2011, o Povo Paiter Suruí realizou a primeira eleição para a formação do que se chamou “Parlamento Suruí”, que terá o dever de desenvolver o diálogo entre os Suruí, para assim implementar de projetos sociais baseado no Plano de Gestão de 50 anos, bem como a aplicação de recursos destinados aos habitantes da Terra Indígena Sete de Setembro e a gerencia da unidade de conservação indígena.

Como definiu Almir Suruí, uma as principais funções do Parlamento Suruí, “será discutir com todo do povo Suruí a regulamentação e a gestão da Terra Indígena Sete de Setembro”.

Os Suruí já firmaram importantes parcerias com entidades privadas, para ser beneficiado pelos projetos sociais. Está sendo criado o Fundo Carbono Suruí, que tem como base o seqüestro de carbono e a comercialização de crédito de carbono, o que em um futuro próximo destinará recursos nacionais e estrangeiros para os índios.

Portanto, o Parlamento Suruí terá como finalidade ampliar o debate sobre o investimento desses recursos, de forma ampla, justa e igualitária entre os habitantes da Terra Indígena Sete de Setembro.

A posse do Parlamento Suruí foi no dia 15 de fevereiro de 2011, e contou com a presença de vários representantes políticos locais, bem como a cobertura da imprensa nacional e internacional.

Para realizar a eleição, os Suruí buscaram inspiração nos mecanismos dos não-índios. Sendo assim, dividiram a Terra Indígena Sete de Setembro, que tem quase 250 mil hectares, em cinco zonas eleitorais. Em quatro zonas eleitorais ficaram inseridas cinco aldeias e em uma ficou seis aldeias. Cada zona eleitoral elegeu dois representantes, sendo que cada uma lançou quatro candidatos. O voto Suruí foi “distrital”, ou seja, os índios que habitam na circunscrição de uma determinada zona, apenas puderam votar nos candidatos de sua respectiva área eleitoral.

O voto era facultativo para os maiores de treze anos. Um total de 738 índios exerceram sua cidadania indígena por meio do voto direto e universal, em que cada Suruí representou seus anseios políticos em igualdade, sem discriminação entre homens e mulheres.

A discussão sobre a criação do Parlamento Suruí começou em setembro de 2010, quando se iniciou o debate sobre como seria os mecanismos para a realização dessa eleição.

Os eleitos para compor o primeiro Parlamento Suruí foram:

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Motivo de orgulho entre as mulheres Suruí, Mariana Suruí entrou para a história democrática de seu povo como a primeira “parlamentar” mulher a compor o colegiado representativo.

Os Suruí, tendo Almir Suruí como seu Líder Maior, que é reconhecido internacionalmente pelo desenvolvimento da conscientização ambiental e desenvolvimento da denominada Política Verde, que consiste em trabalhar a floresta com respeito.

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Cacoal, 17 de Fevereiro de 2011.

tristes caminhos da história . . .

A terra do povo Suruí de Rondônia, localiza-se entre os estados de Rondônia e de Mato Grosso, nos municípios de Cacoal (Rondônia) e Aripuanã (Mato Grosso).

os anos 70
O primeiro contato pacífico dos Suruí com os brancos data de 1969. A seguir, cerca da metade da população Suruí morreu devido às doenças transmitidas pelos colonos. No início dos anos 80, o povo Suruí contava com menos de 300 indivíduos.

os anos 80
Com o início da exploração da madeira em 1987, grandes desigualdades sócio-econômicas apareceram. Os colonos, atraídos pelos altos lucros da atividade madeireira, levaram os índios à conivência em suas atividades de desmatamento ilegal, mediante suborno.

Os Suruí, tentados pelo dinheiro fácil, foram durante longo tempo, enganados no preço da madeira, por não saberem ler nem contar. Os madeireiros declaravam volumes inferiores aos reais e preços abaixo dos praticados no mercado, lesando assim o povo Suruí.

São poucas as famílias do povo Suruí que tiraram proveito deste tráfico. A maior parte gastou em futilidades.

Os anos 90
A organização comunitária Metareila (com o apoio das organizações de ecologistas locais, como a Associação Kanindé de Defesa Etno-Ambiental e a Proteção Ambiental Cacoalense (PACA)) decidiu em 1988 colocar um fim à exploração ilegal da madeira nas terras indígenas. Já faz 15 anos, com a nova geração de líderes, que esta luta contra a indústria medeireira vem sendo travada com vitórias e derrotas. Sabemos que não é tarefa fácil mudar mentalidades e hábitos.

Com a desigualdade econômica e a proximidade da cidade de Cacoal, inúmeros problemas sociais surgiram.

Esta atividade predatória está com os dias contados, já que as árvores de valor comercial, já foram quase todas extintas.

No entanto, os Suruí conseguiram se libertar da dependência dos madeireiros, voltar às suas atividades tradicionais e desenvolver novas, tais como: piscicultura, cafeicultura e artesanato.

o início do 3º milênio
Nestes últimos anos, os Surui tiveram um papel importante nas organizações indígenas, especialmente na organização inter-étnica, tanto como precursores quanto como exemplo de luta eficiente contra as invasões e a destruição das terras. Este sucesso ainda é frágil e ameaçado, precisa se consolidar, mas o desmatamento não progride mais nas terras Surui. Infelizmente, várias áreas foram profundamente afetadas pela falta da floresta. Esta sempre teve um papel importante, tanto do ponto de vista cultural como econômico dos povos Surui. Razão pela qual a tribo está engajada no reflorestamento da terra de seus ancestrais.

Algumas aldeias não chegaram a se envolver no processo de desmatamento. Estas são apoiadas pelos projetos de reflorestamento da Aquaverde.

A associação Aquaverde faz de tudo para disponibilizar para os Surui, meios para viver no respeito às suas tradições, dignidade e meio ambiente.

“O Amor não perde jamais o caminho de casa”

 

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