Não poderia deixar de registrar meu voto de louvor (jargão do Parlamento) pela captura de Ratko Mladic. Evento importante para a Justiça Penal Internacional e para aqueles que lutam pela punição de grandes criminosos de guerra pelo mundo.

Ratko Mladic. Carniceiro da Bósnia pode ser julgado no Tribunal Penal Internacional

por Sara Sanz Pinto, Publicado em 27 de Maio de 2011
 
Acusado de ser responsável pela morte 8 mil homens e rapazes bósnios de origem muçulmana, o antigo militar vivia numa aldeia com um nome falso
O antigo general sérvio Ratko Mladic era o último dos líderes militares da ex-Jugoslávia ainda procurado por crimes de guerra, genocídio e outros crimes contra a humanidade, cometidos durante o conflito na Bósnia-Herzegovina, nos anos 90. Ontem foi detido na Sérvia, no Norte do país, onde vivia numa aldeia com uma identidade falsa. Tido como o principal responsável do massacre de Srebrenica – onde morreram cerca de 8 mil homens bósnios muçulmanos, e procurado há 16 anos pelo Tribunal Penal Internacional de Haia (TPI), Mladic, de 69 anos, foi encontrado em Lazarevo, uma aldeia do Norte da Sérvia: “Detivemos Ratko Mladic hoje [ontem] de manhã. O processo de extradição está agora em curso”, anunciou o presidente sérvio, Boris Tadic, fazendo referência à provável transferência do ex-militar para ser julgado pelo TPI. Horas depois da detenção, Mladic já tinha sido presente a um tribunal sérvio.

Segundo o líder sérvio, a detenção do antigo general “encerrou um capítulo na história do país, aproximando-o, bem como à região, da reconciliação e abrindo portas à integração na União Europeia”.

Pelas palavras de Tadic, o genocídio, que define crimes cometidos “com a intenção de destruir, totalmente ou em parte, um grupo nacional, étnico, racial ou religioso como tal”, é o crime mais grave reconhecido pelo direito internacional e a detenção Ratko Mladic é o “resultado de uma cooperação completa entre a Sérvia e o Tribunal de Haia”.

Quem também se congratulou com a notícia foi o comissário responsável pelo alargamento da União Europeia, Stefan Fule, que descreveu a ocasião como “um gesto histórico por parte da Sérvia, que mostra que este país compreendeu a importância crucial da reconciliação regional”, o que “faz parte dos critérios políticos para o processo de adesão à UE”. Por sua vez, a chefe da diplomacia europeia, Catherine Ashton, saudou também a detenção do antigo general e pediu a sua imediata transferência para ser julgado pelo TPI. De acordo com o seu porta-voz, Michael Mann, em declarações na sua página do Twitter, Ashton “espera que Ratko Mladic seja transferido imediatamente para o Tribunal Penal Internacional para a ex-Jugoslávia”, o que a Sérvia estava ontem a tentar cumprir o mais depressa possível.

Segundo a BBC, ainda há pouco tempo o procurador-chefe da ONU para os crimes de guerra, Serge Brammertz, acusara o país de não se esforçar por encontrar Mladic, também conhecido como Carniceiro da Bósnia. “Até agora os esforços levados a cabo pela Sérvia para deter fugitivos não têm sido suficientes”, escreveu Brammertz num relatório enviado ao Conselho de Segurança da ONU. Ontem, o líder sérvio, Boris Tadic, rejeitou as acusações de que apenas teria entrado em acção devido ao aumento da pressão internacional. “É claro que não calculámos quando tínhamos de capturar Ratko Mladic”, afirmou. “Temos cooperado inteiramente com o Tribunal de Haia desde o início do mandato deste governo.”

Londres, Paris e Washington também reagiram à detenção, descrevendo-a como um momento histórico para a justiça internacional. Para o ministro britânico da Defesa, Liam Fox, é o fechar de um “capítulo muito triste da história” da Sérvia, enquanto para o primeiro-ministro britânico, David Cameron, Mladic é “acusado dos crimes de guerra mais horríveis, não só em Srebrenica, mas também em Sarajevo”. Para o presidente francês, Nicolas Sarkozy, que descreveu a captura do antigo general como “uma óptima notícia”, “a Sérvia deu um “mais um passo para a integração na União Europeia”. Já os EUA disseram “estar encantados em ouvir o anúncio do governo sérvio de que capturou Ratko Mladic”.

Em mensagem enviada através do seu advogado, de Haia, onde está em julgamento, o ex-líder dos sérvios da Bósnia, Radovan Karadzic, disse “lamentar a perda de liberdade de Ratko Mladic”. O antigo líder político afirmou ainda que espera “trabalhar com Mladic para que se conheça a verdade sobre o que aconteceu na Bósnia”. Ao lado de Karadzic, Ratko Mladic, então chefe do exército bósnio sérvio, durante a guerra da Bósnia (1992-1995), foi o responsável pela limpeza étnica de croatas e muçulmanos na Bósnia.

 
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