Não costumo comentar assuntos domésticos, mas abrirei uma exceção para postar a matéria da Veja que segue… “Mas é a Veja”, dirão alguns.

Tudo bem, em que pese o fato de ser matéria da Veja, o tema merece reflexão. Não precisa ser especialista para ver o quanto estamos despreparados, atrasados e perdidos diante dos grandes eventos que se aproximam: Copa das Confederações (2013), Copa do Mundo (2014), Jogos Olímpicos e Paraolímpicos (2016), só para falar dos maiores! (Ah, sim! A título de curiosidade, e para o pessoal já ir se preparando, o Rio será sede dos Jogos Mundiais Militares agora em julho, e a cidade é pré-candidata aos Jogos Gays de 2018!).

O atraso nas obras é só um aspecto do despreparo do País para esses eventos. Na verdade, é o que menos me preocupa. Há quem diga que isso é um artifício para, chegando 2012, alegar-se urgência, estabelecer-se dispensa de licitação e tocar essas obras em ritmo acelerado e a custos mais que elevados. Jeitinho brasileiro…

Os estádios não são problema. É todo o resto que preocupa. Não temos infraestrutura mínima (portos, aeroportos, estradas, hospedagem, restaurantes, etc.) para receber as delegações e os milhares de torcedores – vide meu post sobre a chegada em Guarulhos. Falta preparo em termos de recursos humanos para receber esse povo todo, de treinamento e capacitação no setor de serviços a cursos de aperfeiçoamento para os agentes públicos que trabalharão no período dos eventos. Só por curiosidade: quem fala outros idiomas no Brasil em condições de atender aos turistas dos quatro cantos do planeta.

Um próximo post será dedicado ao que mais me deixa preocupado: a segurança para os grandes eventos. Mas disso tratarei em outro momento.

Creio que, se continuar assim, vamos passar uma vergonha danada, na melhor das hipóteses. Ou, no caso da Copa do Mundo, pode ser que a África do Sul seja chamada a sediar novamente o evento, dada a (in)competência extremada do Brasil.

Um estimado aluno apresentou uma excelente idéia para tentar solucionar a situação: parece que a Rússia já está com quase tudo pronto para a Copa que sediará em 2018 (isso mesmo!). Então, o melhor seria o Brasil propor uma troca e tentar se preparar para 2018 (com sorte, conseguimos acabar alguns estádios até lá). Resta  só combinar com os russos, hehehe…

21/05/2011 10:47

REVISTA VEJA: Prontos para a Copa …de 2038

A 36 meses do pontapé inicial para a Copa de 2014, o Brasil só investiu 7,5% do necessários  para preparar seus estádios. Para virar o jogo, será preciso correr – e muito

Kalleo Coura

Mantidos os atuais padrões de gestão, organização e investimento, o Brasil tem todas as condições de fazer uma belíssima Copa do Mundo, mas só em 2038. Desde o dia 30 de outubro de 2007, quando o presidente da Fifa, Joseph Blatter, anunciou que o país havia sido escolhido para sediar a Copa de 2014, muito pouco se fez para preparar a casa. A 36 meses do pontapé inicial do torneio, a controladoria-Geral da União informa que, dos 23,7 bilhões de reais previstos para ser aplicados em obras de infraestrutura, apenas 590 milhões de reais foram efetivamente investidos. Ou seja, só 2.5% das obras saíram do papel. Os responsáveis pelos projetos insistem em afirmar que os trabalhos avançam em ritmo adequado. Mas uma análise escrupulosa da situação conduz a outra conclusão. O Brasil está atrasado, sim – e mais atrasado do que estava a África do Sul em 2007, três anos antes de sediar o evento. Mais: entre as construções em andamento, há obras com indícios de superfaturamento, estádios superdimensionados e projetos tão mal-feitos que mais parecem piada de mau gosto – como o estádio em que os responsáveis se esqueceram de prever a instalação de gramado e cadeiras.

Logomarca feia, prepotente e com as cores da bandeira do Brasil (ué, vermelho?)...

Para aferir o ritmo em que as obras da Copa estão sendo tocadas. VEJA escolheu esmiuçar o andamento dos doze estádios que participarão do evento. A reportagem comparou o orçamento previsto para a reforma ou construção de cada arena com o valor que foi investido nelas até agora. Em outras palavras, analisou a execução orçamentária estádio por estádio. Esse método revela com nitidez a situação de cada empreitada, uma vez que, no Brasil, os pagamentos são feitos à medida que o trabalho avança no canteiro de obras. O resultado desse levantamento é de arrepiar. No ritmo atual em que os projetos caminham, nada menos do que onze dos doze estádios só estarão concluídos depois de 2014. O único que vem mantendo um ritmo de execução de orçamento adequado é o Castelão, de Fortaleza. Para checar de perto essa informação, VEJA organizou uma operação aérea. A bordo de helicópteros, um pelotão de fotógrafos sobrevoou todos os estádios da Copa na semana passada. As imagens captadas, que ilustram esta reportagem, são desoladoras.

O caso mais dramático é o do Maracanã, o estádio mais famoso do Brasil:- e, possivelmente, do mundo. A Fifa já decidiu que a final da Copa será disputada lá, mas faltou combinar com o governo do Rio. A reforma custará 957 milhões de reais, mas só 26 milhões foram investidos até agora – uma ninharia, em termos relativos. Se a velocidade não aumentar, o Maracanã só ficará pronto daqui a 27 anos. Na imagem que abre esta reportagem, é possível avaliar o tamanho  do problema do estádio carioca. Depois de terem demolido boa parte das arquibancadas, os responsáveis pela obra descobriram que toda a estrutura de concreto que o recobre está comprometida, pelo tempo e pelas infiltrações. Será preciso retirá-la inteira, para depois colocar outra no lugar. O trabalho apenas foi iniciado, mas, pelo pequeno número de operários captado pelas lentes da reportagem de VEJA na última quinta-feira, em dia útil e horário comercial, a tarefa consumirá uma eternidade para ser concluída. Ainda é possível aprontar o Maracanã para a Copa? Sim. Mas para isso será preciso aumentar a média mensal de gastos na obra de menos de 3 milhões de reais para 29 milhões de reais – uma elevação de 907%.

A situação se repete país afora, com casos que expõem a falta de gestão que até agora tem sido a  marca da Copa no Brasil. No Mineirão, por exemplo, as obras seguem bem mais lentas do que tenta fazer crer o discurso oficial. O estádio está fechado há quase um ano, mas na imagem da página 91 é possível observar que nem sequer foi concluída a retirada das cadeiras de plástico vermelhas existentes no anel superior da construção. A urbanização da parte externa do estádio também segue em marcha lenta. Ou se aceleram os trabalhos, ou o campo só estará pronto para atender às exigências da Fifa em 2020.

Em Brasília, o Estádio Nacional está sendo erguido onde ficava a antigo Mané Garrincha (até a semana passada, uma seção da amiga arquibancada teimava em se manter de pé, depois de duas tentativas fracassadas de implosão). O projeto original de reforma foi tão malfeito que, por absurdo que pareça, não previa a instalação de itens tão básicos como gramado, iluminação, cadeiras e te1ão. Graças a falhas clamorosas como essas, o orçamento original, de 670 milhões de reais, terá, claro, de ser revisto. Ainda em relação ao estádio de Brasília, causa preocupação a solução de financiamento encontrada pelo governo do Distrito Federal para bancar sua construção: a venda de terras públicas. Depois que o Ministério Público questionou essa decisão com o temor de que, diante da urgência da venda, os cofres públicos poderiam sair no prejuízo -, o governo transferiu a propriedade do estádio para a Terracap, empresa pública que administra os tais terrenos. Foi apenas uma manobra burocrática para disfarçar (e manter) a fonte de financiamento desejada. “Isso mostra a total falta de planejamento com que se está administrando essa obra”, diz o promotor Ivaldo Lemos Júnior, do Ministério Público do Distrito Federal.

A falta de planejamento também é um problema que afeta a Arena Amazônia, em Manaus. Primeiro, o Tribunal de Contas da União (TCU) detectou superfaruramento na obra, que ainda está na fase de escavação e terraplenagem. Em uma amostra de contratos de 200 milhões de reais, o TCU detectou um sobrepreço de 71 milhões de reais. Logo depois, nova constatação: a capacidade do novo estádio, bancado pelo governo do estado, é ridiculamente maior do que requer a torcida da região. É claro que, se uma seleção ilustre, como a da Itália, jogar lá no Mundial, a lotação máxima, de 44 500 lugares, pode ser completada. Mas e depois? A média de público do campeonato amazonense é inferior a 1000 pagantes por jogo. A partida que atraiu mais gente neste ano foi a final do primeira rumo do Amazonense, entre Nacional e Penarol, com 2 869 testemunhas. É muito pouco para justificar o investimento – público – de quase 500 milhões de reais, sem falar nos gastos futuros com a manutenção.

Melhor seria ter deslocado a sede amazônica para Belém, no Pará, onde há mais público. Mas a escolha das sedes da Copa ficou longe de obedecer a critérios exclusivamente técnicos. Prefeitos e governadores de todo o país pressionaram a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) a entrar na festa. Quem tinha padrinhos mais fones levou. Como resultado, ficou decidido que o evento terá doze sedes, quando oito, no máximo, seriam suficientes. Esse número reduziria em até 33% os custos do torneio.

Nada é tão grave, no entanto, quando a situação de três sedes: São Paulo, Natal e Curitiba. Até agora, não foi gasto um único centavo em seus estádios. No caso paulista  a CBF quer que os jogos, incluindo a partida de abertura, sejam disputados no Estádio do Corinthians que ainda não existe. Ninguém sabe quem vai pagar pela obra, e a cada dia surge novas dificuldades. Primeiro, foram dutos da Petrobrás descobertos sob o terreno onde ficaria um lance de arquibancada. Na semana passada, revelou-se que será preciso canalizar um córrego que existe por lá. A cada  entrave descoberto, sobem os custos da obra – hoje na casa de 1 bilhão de reais, o que o toma o estádio mais caro do Brasil. Sem saída à vista, na última semana a presidente Dilma Rousseff telefonou para o seu antecessor e pediu-lhe que tentasse convencer a Odebrecht, empreiteira indicada pelo próprio para tocar o projeto, a baixar o orçamento. Ainda não houve avanços, mas a empresa promete começar os trabalhos na semana que vem. Por enquanto, na área reservada, há apenas mato.

Em Natal, o Estádio Machadão dará lugar, em teoria, à Arena das Dunas. Mas a velha estrutura segue intacta. Será preciso demoli-la, para depois começar do zero o novo projeto. Em Curitiba, o Atlético do Paraná teria de pagar 130 milhões de reais para adequar a Arena da Baixada às exigências da Fifa, mas o clube só aceita desembolsar 45 milhões de reais. Quer que a administração estadual e a prefeitura, que já haviam concordado em financiar parte do projeto, arquem com mais esse papagaio. O governo finge que a bola não está com ele. “Os paranaenses podem ficar tranquilos que tudo está no cronograma e vamos cumprir todos os prazos”, diz Mario Celso Cunha, secretário estadual para Assuntos da Copa de 2014. Como se vê, os gestores das obras parecem não ter pressa em resolver os problemas. Mas deveriam. “É evidente que apenas as cidades com a infraestrutura adequada para sediar partidas da Copa do Mundo estarão aptas para realmente receber os jogos. Se esse não for o caso de alguma cidade em 2014, ela será excluída da competição”, disse a VEJA o francês Jérôme Valcke, secretário-geral da  Fifa. Pelas regras da entidade, tanto aeroportos quanto estádios têm de estar tinindo, no máximo, seis meses ano antes do torneio.

Tudo somado, o quadro geral é o seguinte: a três anos da Copa, o Brasil só tem um estádio com execução orçamentária adequada para ficar pronto tempo de ser usado na Copa de 2014. Em outros oito, é preciso acelerar o investimentos para evitar uma tragédia. Dos três restantes, que ainda nem começaram, um terá de ser reformado e dois serão feitos a partir do zero. No capítulo de aeroportos, dos treze questão no projeto Copa, só seis começaram a ser reformados (veja o quadro na pâg. 100). Quando se fala das obras de mobilidade urbana que foram pr metidas, o caso é ainda pior. Das cinquenta anunciadas, só quatro tiveram início. Com esse quadro, é possível afirmar que hoje o Brasil está mais atrasado para a Copa do Mundo do que a África do Sul no período equivalente. Lá, naquela altura, todos os estádios integralmente novos já haviam começado a ser erguidos. As obras aeroportuárias estavam bem encaminhadas, e cidades como Johannesburgo haviam sido transformadas em canteiros de obras a céu  aberto.

Estar atrás da África do Sul, no entanto, não significa, para o Brasil, não poder recuperar o tempo perdido. O diagnóstico publicado nesta reportagem revela a situação atual dos estádios. Se o ritmo dos investimentos aumentar daqui para a frente, a Copa estará garantida. A questão, no entanto, não pode ser adiada nem mais um dia. Mesmo porque a lentidão, aliada à desorganização. tem tudo para desembocar num sorvedouro desmedido de recursos públicos, como ocorreu com os Jogos Pan-Americanos de 2007, no Rio. Na ocasião, observou-se exatamente o mesmo roteiro que se vê agora: quase todas as obras atrasaram. Diante disso, foi preciso abrir os cofres do governo federal para evitar um vexame internacional. O orçamento final do Pan ficou em 4 bilhões de reais, dez vezes a previsão inicial. De todos os gastos da União, mais de 70% foram liberados nos seis meses anteriores ao evento.

Questionado por VEJA sobre a execução de apenas 7,5% do orçamento dos estádios, o presidente da CBF, Ricardo Teixeira, discordou que haja atraso nos trabalhos. Segundo ele, é normal que no início das obras a execução seja mais lenta do que no final. “Todos os projetos estão caminhando de forma satisfatória, só precisamos acelerar a questão de São Paulo.” O otimismo é uma virtude, mas saber reconhecer um problema quando se está diante dele – ao menos no caso de gestores encarregados de uma tarefa da magnitude da Copa do Mundo – é  uma obrigação.

5 razões para o atraso

A falta de planejamento é a principal, mas não é a única responsável pela lentidão nas obras da Copa de 2014

1 Escolha política das sedes

Para agraciar o maior número de compadres, o Comitê Organizador Local convenceu a Fifa a escolher doze cidades-sede para a Copa no Brasil, quando apenas oito seriam suficientes

2 Não há quem cobre

Não existe um único órgão com poderes para gerenciar, fiscalizar e cobrar a execução dos projetos da Copa, que estão a cargo de prefeituras, estados, autarquias e clubes. Na África do Sul, o governo central chamou a si essa responsabilidade. Arcou com 98% dos gastos e controlou todo o cronograma

3 Projetos malfeitos

Como a maior parte das obras que usam dinheiro público, as da Copa partiram de projetos mambembes que, como tais, exigem remendos depois. Em Brasília, por exemplo, o estádio não previa ítens básicos como gramado, traves e iluminação – tudo isso ainda terá de ser incluído, o que aumentará custos e potencializará atrasos

4 O dinheiro não aparece

Apenas 2,5% dos 23,7 bilhões de reais previstos para ser investidos nas obras de infraestrutura da Copa foram gastos até agora.

No caso dos estádios, o BNDES diz que segura o dinheiro porque os responsáveis pelas obras não vêm cumprindo as condições contratuais. Como não há um órgão que centralize o gerenciamento dessas obras, tudo gira em círculo – a nada anda para a frente

5 Estão fazendo corpo mole

Muitos gestores de obras sabem que, como a Copa será prioridade do Brasil em 2014, às vésperas do evento o governo despejará dinheiro nos projetos que ainda estiverem inconclusos. E sabem também que investimentos “emergenciais” saem bem mais caro para os cofres públicos. No Pan-Americano de 2007, no Rio, o conjunto de obras finalizadas em cima da hora, custou 4 bilhões de reais – dez vezes a previsão inicial.

Ainda pior do que os estádios…

Nuvens negras rondam os aeroportos brasileiros. Apenas seis dos treze terminais localizados nas regiões que receberão jogos da Copa começaram a ser reformados. Para piorar, o ritmo das obras iniciadas é ainda mais lento do que o verificado nos estádios. O projeto mais portentoso – e um dos mais atrasados é a construção do terceiro terminal do Aeroporto de Guarulhos, em São Paulo.

É uma obra crucial para o sucesso do torneio: será por lá que a maior parte dos turistas chegará ao país. E será a partir daquela pista que eles levantarão voo rumo a outros estados. O novo terminal e as obras complementares custarão 1,2 bilhão de reais, mas até agora só foram investidos 30 milhões de reais, ou 2,5% do valor previsto. No Galeão, no Rio de Janeiro, a reforma está orçada em 687 milhões de reais. Dessa quantia, foram liberados 64 milhões desde 2008, quando começaram as obras. Nesse ritmo de execução orçamentária, o terminal só ficará pronto vinte anos depois  da final da Copa.

“Não há razão lógica que explique a lentidão crônica nas obras aeroportuárias brasileiras. Em outros países elas acontecem de forma muito mais célere”, diz o comandante Ronaldo Jenkins, diretor do Sindicato Nacional das Empresas Aeroviárias. Ele tem razão.

Recentemente, a pista  principal do Aeroporto John F. Kennedy, em Nova York, foi totalmente reconstruída. A obra levou menos de quatro meses até a entrega. Não passou pela cabeça de nenhum engenheiro americano que ela pudesse se estender por anos a fio. Já no Brasil, o tempo médio gasto para reformar um aeroporto é de 36 meses. “Os aeroportos são uma de nossas maiores preocupações”, diz o francês Jérôme Valcke, secretário-geral da Fifa. “Esperamos que, com a privatização de alguns deles, o processo receba o impulso necessário.”

O Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), órgão ligado à Presidência da República, diz que dez dos treze aeroportos não ficarão prontos para a Copa. Com uma agravante: mesmo que sejam entregues, dez deles já estariam operando em “situação crítica”, ou seja, acima de sua capacidade nominal, em 2014. Isso significa que os projetos subestimaram o crescimento da demanda nacional por passagens aéreas. Um dos casos mais eloquentes é o do Aeroporto de Confins, em Belo Horizonte. As obras de reforma nem sequer começaram, mas o Ipea acredita que, em 2014, seu movimento será 25% superior ao estimado no projeto que será seguido.

Isto é, mesmo que a obra seja feita a toque de caixa, o aeroporto precisará de uma segunda reforma quando a primeira for entregue.

“Vocês têm muito a fazer”

Principal responsável pelo Comitê Organizador da Copa do Mundo de 2010, na África do Sul, o executivo Danny Jordaan esteve à frente de todas as obras realizadas por seu país para receber o torneio mundial de futebol – um trabalho coroado de sucesso.

Atualmente, Jordaan é vice-presidente da Associação Sul-Africana de Futebol. De Johannesburgo, onde mora, ele falou a VEJA por telefone.

Ainda é possível recuperar o atraso das obras brasileiras?

Estive aí em novembro, muita coisa deve ter mudado desde então, o que eu posso afirmar é que vocês têm muito mais a fazer do que nós tivemos. Além de investir em estádios, centros de treinamento, hotéis e tecnologia da informação, é preciso lembrar que, quanto mais cidades-sede um país tem – nós tivemos nove, enquanto vocês optaram por doze -, maior é a infra-estrutura necessária. Afora isso, o Brasil é um país de dimensões continentais e tem de investir muito dinheiro em rodovias, trens e, principalmente, aeroportos.

Havia um controle eficiente das obras por parte do Comitê Organizador na África do Sul?

Sim. Fazia parte das prerrogativas do comitê monitorar e intervir para ter absoluta certeza de que tudo estava nos eixos. Tínhamos vários sistemas de planejamento e gestão, além de equipes técnicas para inspecionar as obras toda as semanas Entregamos tudo a tempo.

O que é preciso fazer para que a Copa deixe um legado positivo para um país?

É preciso ter em mente que a Copa do Mundo não é feita apenas de estádios. Antes da competição, nossos portos, aeroportos, rodovias e trens estavam em frangalhos. Para receber bem os turistas e permitir que os times e os torcedores chegassem aos locais das competições sem contratempos, planejamos a reforma de todas essas estruturas e conseguimos executá-las dentro dos prazos. O aeroporto da Cidade do Cabo, por exemplo, estava quase 50% pronto três anos antes da Copa do Mundo. Foi uma excelente oportunidade para melhorar as condições da  população e estender os benefícios da Copa para além do seu término.

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