Estou fora e só conseguirei atualizar o site a contento na terça-feira, 19 de abril (dia do índio, por sinal!).

De toda maneira, segue artigo sobre compras para a Armada. Não sei realmente se vai sair essa compra, mas que a Marinha do Brasil necessita urgentemente de renovação e de mais navios, isso é fato.

Claro que há aqueles que acham que não carecemos de nada disso. Afinal, são só 4 milhões de quilômetros quadrados de águas jurisdicionais, né!?

Saindo o negócio, será uma concorrência bastante acirrada neste período de vagas magras em âmbito internacional. Briga de foice no escuro…

14 de abril de 2011, às 08h22min, VALOR ECONÔMICO
 

Seis países disputam concorrência da Marinha para construção de 11 navios

A Marinha do Brasil negocia com seis países – Alemanha, Coreia do Sul, Espanha, França, Itália e Inglaterra – a construção de um conjunto de 11 navios cujo custo total pode alcançar € 3,1 bilhões

Francisco Góes e Virgínia Silveira

A Marinha do Brasil negocia com seis países – Alemanha, Coreia do Sul, Espanha, França, Itália e Inglaterra – a construção de um conjunto de 11 navios cujo custo total pode alcançar € 3,1 bilhões. O modelo definido pela Marinha nessa concorrência prevê que as embarcações sejam construídas no Brasil a partir de um projeto existente e já em operação. A ideia é que seja fechada uma parceria estratégica entre o projetista internacional e um ou mais estaleiros privados brasileiros, incluindo transferência de tecnologia.

Mas enquanto a concorrência não é definida, em um cenário de cortes orçamentários no Ministério da Defesa, surgem propostas provisórias para atender a Marinha. Alan Garwood, diretor de desenvolvimento de negócios da inglesa BAE Systems, disse que o Reino Unido ofereceu ao ministro da Defesa, Nelson Jobim, a possibilidade de que a Marinha do Brasil receba fragata multimissão da Marinha Real Britânica como solução temporária, enquanto o governo brasileiro não define a concorrência dos novos navios.

A proposta foi levada a Jobim, na terça-feira, pelo ministro-adjunto de Segurança e Estratégia Internacional do Reino Unido, Gerald Howarth, no primeiro dia da LAAD 2011, maior evento da área de segurança e defesa da América Latina, que termina amanhã no Rio. O Valor apurou que a transferência de navios da Marinha Britânica poderia ser ainda maior, envolvendo até quatro fragatas que poderiam ser incorporadas à frota da Marinha brasileira, substituindo outras embarcações.

Em resposta por escrito, a Marinha do Brasil informou que busca contratar a construção de cinco navios-patrulha de 1.800 toneladas cada um, cinco fragatas de 6.000 toneladas e um navio de apoio logístico. Os navios-patrulha oceânicos têm custo unitário estimado de € 95 milhões e a expectativa é de que alcancem índice de nacionalização superior a 60%. As fragatas deverão ter índice de conteúdo local superior a 40% e o custo de cada navio pode ficar em cerca de € 500 milhões.

O navio de apoio logístico, com 13 mil toneladas, terá índice de nacionalização acima de 55% e o seu custo estimado é de € 200 milhões. A construção dos diferentes navios poderá demandar 775 empregos diretos por unidade e 3,1 mil indiretos por embarcação.

A Marinha não comentou o efeito que o corte de R$ 4 bilhões no orçamento deste ano do Ministério da Defesa terá sobre a encomenda de navios, que é prevista para ser entregue a médio prazo. Fonte que conhece o programa disse que a Marinha precisaria das novas embarcações a partir de 2016-2017. Mas o Ministério da Defesa informou, via e-mail, que as diferentes Forças (Exército, Aeronáutica e Marinha) enviaram propostas de alocação dos cortes, já considerando o valor do contingenciamento.

Agora a área responsável pelo orçamento no Ministério da Defesa estuda as informações recebidas e, a partir dessa análise, a área técnica vai encaminhar as informações a Jobim, que definirá as prioridades e a forma como se dará a alocação dos cortes nos projetos e ações da pasta. As definições são esperadas para este mês, mas há orientação de poupar projetos com compromissos internacionais assumidos pelo Brasil, como o Pró-Sub (programa dos submarinos acertado com a França) e o KC-390, o cargueiro em desenvolvimento pela Embraer.

Os navios que a Marinha pretende contratar estarão amparados por acordos governamentais acertados pelo Brasil e os diferentes países interessados no projeto. Mas, mesmo assim, não fica claro se o programa ficará a salvo dos cortes no orçamento.

Paolo Pozzessere, vice-presidente de vendas da Finmeccanica, empresa que tem participação do governo da Itália, disse que o projeto da fragata italiana é o mais avançado. A Finmeccanica participa do projeto de fornecer navios à Marinha em uma proposta cujo contratante principal é a também italiana Fincantieri. Pozzessere tem a expectativa de que o governo brasileiro possa tomar uma decisão sobre a parceria estratégica nos navios ainda este ano.

Olivier Michel, diretor comercial para a América Latina da francesa DCNS, disse que a empresa está interessada em participar do programa de construção de novos navios da Marinha. “Temos todas as soluções e especificações requeridas pelo Brasil”, disse Michel. A DCNS tem contratos com a Marinha para construção de submarinos, os quais envolvem também a brasileira Odebrecht.

Fonte: Valor, 14/04/2011.

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