O silêncio de Heleno

O General Heleno é uma das personalidades mais respeitadas no Exército Brasileiro. Quatro estrelas, tríplice coroado, reconhecido internacionalmente, foi Comandante Militar da Amazônia. Na reserva, será mais difícil fazer com que ele se cale.

Não imaginava que fôssemos chegar a esse ponto… O 31 de março é uma data importante para a memória militar do País. Há mais de quatro décadas esses acontecimentos são lembrados nos quartéis, inclusive, porque foi um evento importante na História do Brasil, com todos os seus desdobramentos. Não dá simplesmente para passar em branco…

O próximo passo deve ser riscar qualquer referência ao movimento de 1964 dos livros escolares e das lembranças do País – ah, não! Estou enganado… isso não deve acontecer, já que ainda há muita gente que vive de indenizações referentes ao período militar…

Engraçado, quem praticou terrorismo àquela época pode tratar disso abertamente… Também ainda há movimentos no Brasil saudosos de regimes autoritários (que nunca conheceram), como o estalinista, o cubano ou outros do lado de lá da cortina de ferro, e podem abertamente balançar bandeiras vermelhas, gritar palavras de ordem e receber, inclusive, subsídios públicos – o meu, o seu, o nosso dinheiro. Não venham me dizer que esse pessoal não recebe dinheiro do Estado para promover suas idéias…

Os militares não podem lembrar o 31 de março de 1964… Daquia a pouco, vão acabar com o Dia do Soldado (comemorar para quê?), o Dia do Exército e, por fim, acabarão apagando os nomes das lideranças militares do período iniciado em 1964, ou seja, a memória será suprimida.

Preocupo-me com o busto de Castello Branco lá na ECEME… Será que ele resiste?

De toda maneira, a ordem para que não se comemore o 31 de março veio do Ministro da Defesa, e deve ser cumprida… Hierarquia e disciplina. Minha solidariedade ao General Heleno. Meus respeitos à liberdade de pensamento e à preservação da História. Minha saudação às Forças Armadas brasileiras.

Marcha da família com Deus pela liberdade - 1964

Política

Exército manda que general se cale sobre 64

Palestra com o tema ‘A contrarrevolução que salvou o Brasil’ é cancelada por ordem do comandante da força

O Globo

O Comando do Exército abortou na última hora uma palestra com potencial explosivo do diretor do Departamento de Ciência e Tecnologia (DCT), general Augusto Heleno, cujo tema seria “A contrarrevolução que salvou o Brasil”, em referência ao 31 de março de 1964, data que marca o início da ditadura militar.

A apresentação do general estava confirmada até as 17 h de quarta-feira, quando chegou a ordem do comandante do Exército, Enzo Peri, determinando o cancelamento do evento. A apresentação ocorreria no mesmo dia em que Heleno, liderança expressiva na caserna, foi para a reserva.

Primeiro comandante brasileiro no Haiti, o general Heleno preferiu silenciar sobre o conteúdo da palestra e também sobre os motivos pelos quais o evento foi cancelado. Disse apenas que cumpriu ordem superior:

— Recebi ordem. Sou militar, recebo ordem. Hierarquia e disciplina. Recebi a ordem ontem, no final da tarde. Tem uma frase famosa: nada a declarar — afirmou Heleno.

O general Heleno se limitou a dizer que a abordagem seria exclusivamente “31 de março de 1964”, mas não quis entrar em detalhes sobre o contexto histórico que seria levado aos colegas de farda.

Nas redes sociais, militares se preparavam para o “desabafo de Heleno”. Um oficial ouvido pelo GLOBO disse que o depoimento era aguardado com “grande expectativa”.

Nesta semana, o ministro da Defesa, Nelson Jobim, determinou aos comandantes das três Forças que não houvesse qualquer ato que exaltasse a data que deu início ao regime militar.

Entretanto, como Heleno é general de quatro estrelas com grande destaque na tropa, coube ao comandante Enzo Peri a tarefa de impedir sua manifestação, às vésperas de sua aposentadoria.

Quanto às comemorações nos clubes militares, o ministério avalia que não tem como evitar ou tentar coibir manifestações de oficiais da reserva que estavam na ativa naquele período.